Um rosto de mulher

Joan CrawfordOntem dormi de madrugada, fiquei assistindo um filme com a Joan Crawford chamado “Um rosto de mulher”, dirigido por George Cukor. Sempre quis assistí-lo, mas nunca achava… até que a Jéssica me apresentou o Memo Cine, um site encantador e super indicado para quem gosta de filmes clássicos.

“Ah como a Joan era linda”, é o que eu penso toda a vez que assisto um de seus filmes. Gente, ela era linda demais! A década de 40 é a minha preferida, ela está estonteante.  Em “Um rosto de mulher”, que é de 1941, ela tirou o meu fôlego…

Na trama, Joan interpreta Anna Holm, proprietária de um restaurante que exerce chantagem sobre alguns de seus clientes. É uma mulher fria e solitária, que se esconde atrás de uma cicatriz. O fato é que, no fundo, ela possui baixa-autoestima e se defende ao incorporar uma personalidade agressiva e vingativa. Em uma de suas tentativas de chantagem, Anna acaba seJoancrawford encontrando com um cirurgião plástico que se oferece para corrigir sua deformidade, e após esse momento, ela precisa fazer uma escolha: continuar sendo uma mulher com valores desprezíveis ou começar uma vida nova. 

Joan está tão sombria, tão séria… e a trama nos apresenta uma problemática psicológica que faz com que o filme pareça mais denso. O fato é que a cicatriz possui uma ligação metafórica com sua personalidade e com seus valores, somos estimulados a descobrir se ela é tão feia “internamente” quanto “externamente”. Mas, os personagens que a rodeiam são tão desprezíveis quanto ela, desde os empregados que a ajudam em seus crimes e debocham de seu rosto, quanto os clientes… um falso milionário que não paga suas contas, uma esposa que trai o marido…

Li que Cukor se inspirou no livro do escritor Francis de Croisset, chamado “Il était une fois”. A história também pode ser encarada como uma releitura de “A Bela e a Fera” de “Frankenstein”.


Senhora

paulo-elaine-senhora-f2Senhora é um clássico da literatura nacional, um dos últimos romances escritos por José de Alencar. Lembro de tê-lo lido duas vezes, uma na época da escola e outra já formada, quando descobri que existia um filme baseado na história, protagonizado pela Elaine Cristina. (Eu adoro a Elaine Cristina!) Fazia tempo que eu queria comentar sobre esse filme, sobre este livro…é que se trata de uma história muito linda, o livro é delicioso de ler e o filme é uma adaptação muuuuito bem feita e fiel. Não sei se quem já leu percebe isso, mas eu enxergo um tom meio feminista e uma enorme crítica ao casamento por interesse (lembrando que a história é ambientada do no século XIX).

O livro foi lançado em 1875, dois anos antes da morte do autor. A trama conta a história de Aurélia, uma jovem pobre e muito bonita. A mando de sua mãe, Dona Emília, ela passava os dias na janela com o intuito de conseguir encantar algum rapaz (de preferência, rico). É claro que, se fosse por Aurélia ela se casaria com Fernando, sua grande paixão. Fernando e Aurélia chegam a ficar noivos, mas ele desfaz o casamento para se casar com Adelaide, uma moça rica.

O destino dá uma guinada e Aurélia tem a notícia, através de um tio interesseiro eelaine-chicoMartins-cinema-Senhora trambiqueiro, de que herdou uma fortuna. O fato é que Dona Emília chegou a se relacionar com Pedro Camargo, um filho bastardo de um fazendeiro importante da região. Só depois da morte de Pedro e depois da morte de Emília, é que Aurélia teve acesso ao dinheiro.  Afortunada e com sede de vingança, Aurélia dá uma missão para o tio. Fazer com que Fernando deixe de se casar com Adelaide para se casar com ela. É claro, ela oferece uma grande quantia em troca dessa “negociação”.

A loucura disso tudo é que Fernando aceita, casa com Aurélia com a falsa ideia de que agora, finalmente, seriam  felizes juntos. Mas Aurélia, com um enorme rancor no peito, só pensa em se vingar de Fernando, humilhando-o dentro de casa e fazendo dele escravo de suas vontades.

Sobre o filme: produzido em 1976 e dirigido por Geraldo Vietri. Um filme que apresenta um trabalho primoroso de reconstrução histórica, e que por infelicidade, caiu em esquecimento… Flávio Galvão, Elaine Cristina e Paulo Figueiredo dão o tom certo aos personagens, seguram a carga dramática de cada um deles e deixam a trama ainda mais bela. Especialmente Elaine, que está bem melancólica e muito firme.


Tempos do Lobo

loboAssisti “Tempos do Lobo” naquela época em que eu tinha uma fissura pela Isabelle Huppert, quando fazia listas dos seus filmes e passava a madrugada lendo suas entrevistas. Este longa, produzido em 2002, é um dos frutos da parceria de Huppert com Michael Haneke (que também dirigiu Amour e A Professora de Piano). A trama conta a história de um casal que decide se refugiar na sua casa de campo após a cidade onde moram ser atingida por um desastre. Ficam sem comida, sem água, muitas pessoas morrem e então, eles não veem outra alternativa a não ser se mudar. Quando chegam, descobrem que a casa foi ocupada por estranhos.  O mais interessante é que Haneke não tem interesse algum em retratar o desastre, mas os efeitos desse desastre sobre as pessoas.

A Isabelle Huppert é bem conhecida por retratar seus personagens com frieza, alguns a chamam de “rainha do gelo”. E aqui não poderia ser diferente, ela está super centrada e pouco emotiva. Na trama ela interpreta Anne Laurent, a matriarca. Depois de um infeliz acontecimento a família se vê encurralada, numa sociedade completamente animalesca e desestruturada, a única opção que eles possuem é tentar se safar, de uma maneira violenta… ou não.

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Esse filme me incomodou muito mais do que “A professora de piano”, onde ela interpreta uma mulher masoquista, assombrada por suas fantasias sexuais. É que aqui, tudo me parece muito mais cruel. Aliás… a história me lembrou muito “Ensaio sobre a Cegueira”.  Em resumo, as duas obras tratam da tentativa de sobrevivência diante de uma situação inesperada. É o homem se tornando bicho. É a dominação de um grupo sobre o outro.

Lembro que existiu uma grande polêmica envolvendo o filme.  Em determinada cena, alguns cavalos são mortos. Acontece que os cavalos realmente foram assassinados, só para fazer a cena. E tem também a cena em que a Huppert é estuprada, bem perto dos filhos… uma cena muito TENSA! Sabe, eu gosto muito do Haneke… não sou entendedora de cinema, mas posso dizer sem pestanejar que ele é um dos meus diretores favoritos. Ele também dirigiu Amour, Violência Gratuita e Caché.

sobre Susan Sarandon e Os últimos passos de um homem

Ontem eu fui dormir pensando no quanto eu gostava da Susan Sarandon e como essa admiração foi perdendo o fôlego ao longo dos anos. Ainda guardo muito carinho por ela e sempre que posso me dedico a assistir seus filmes e me atualizar sobre o que ela tem feito. Eu não saberia explicar o que mudou, mas, diferente de antes, já não sinto aquela fixação que me fazia comprar seus filmes, pesquisar sobre os seus projetos, colecionar gravuras e todas aquelas coisas que os fãs fazem.

Susan protagonizou muitos dos filmes que eu assistia quando criança, e nem todos eram infantis – na verdade, a maioria esmagadora era composta por filmes dramáticos. Talvez o que mais me emocionou, ou… me marcou, foi “Os últimos passos de um homem”, em que Sarandon interpreta a freira Helen Prejean, que tenta salvar da pena de morte, Mathew Poncelet, interpretado por Sean Penn. 

os últimos passos

Vou confessar que eu tinha medo do Sean Penn, e naquela época eu só tinha olhos para a Susan.  Seu personagem era bruto, grosseiro e acima de tudo, tinha cometido um crime assustador e violento. Hoje, revendo o filme, fico encantada com a grandiosa interpretação dos dois, e  também muito encantada com a direção do Tim Robbins, que por sinal… roteirizou e produziu o filme.  Aliás, na época, Susan e Tim eram casados.

Bom, o filme é baseado em uma história real e é compreensível que tenha levantado tanta polêmica. Não sei se alguém iria discordar, mas neste filme existe um claro posicionamento contra a pena de morte. O interessante, e talvez uma das coisas que me faz apaixonada pela Susan é que ela sempre foi muito politizada e leva isso para a sua vida real. Ela mergulha nosimages seus personagens, nas suas histórias e nas suas ideologias.

O caso é que “Os últimos passos” é uma daqueles filmes que tocam na ferida da sociedade e retratam a complexidade dos valores humanos. Que deixa exposto e quase grita que precisamos evoluir, e muito. E que encontrar um caminho certo é realmente muito difícil (talvez, impossível).

Eu sempre assisti esse filme me colocando no lugar da família dos jovens que foram assassinados. Não sei se vocês já viram esse filme, mas, acho que deveriam… pelo menos para ter uma noção do que estou falando. A cena em que a Helen visita os pais da moça estrupada é  de cortar o coração e é imensamente compreensível a raiva, o ódio, que eles possuem em relação ao assassino. Por outro lado, o que pesa no argumento da Irmã Helen e nos faz ter compaixão por Mathew é a força, a sinceridade do seu arrependimento e a importância do perdão. 

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Esse filme possui três momentos que fazem a minha espinha gelar.. a primeira é a cena em que nos é revelado o assassinato, a forma em que os jovens morreram e como foram covardemente violentados. A segunda é quando Mathew está caminhando para a sua execução, o ênfase em suas pernas tremendo e a explicação de como será a sua morte. Ele vai caminhando e é acompanhado por Helen que lê a Bíblia para ele.

Pena de Morte

“Não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu.
Quando passares pelas águas estarei contigo, e quando pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti.”
Isaías 43:1,2

E por último a cena em que eles se olham pelo vidro e ela diz: ‘Eu te amo”. Bom, está claro que não é uma afirmação com conotação sexual. É uma afirmação que pode ser facilmente explicada por uma música que faz parte da trilha sonora do filme, que aliás, é incrível… gente, não tenho como definir o quanto essa trilha sonora é maravilhosa:

Look in the eyes
Of the face of love
Look in her eyes
Oh, there is peace
No, nothing dies
Within pure light

O Clube das Desquitadas

ClubedasDesquitadasSe eu fizesse uma lista com filmes a indicar para todas as minhas amigas, “O Clube das Desquitadas” estaria nela – na segunda posição. Antes só viria Thelma e Louise. Eu perdi as contas de quantas as vezes eu assisti esse filme e acho que não sei explicar a sensação boa que tenho quando o assisto. Tenho ele em dvd e é uma das minhas preciosidades. Existem muitos aspectos que me fazem gostar de “O Clube das Desquitadas” a começar por cinco das minhas atrizes favoritas: Goldie Hawn, Bette Midler, Diane Keaton, Stockard Channing e Maggie Smith.  – E sim, eu tenho muitas atrizes favoritas.

É incrível como elas possuem uma sintonia e como conseguem fazer histórias dramáticas parecerem tão engraçadas. Aliás, este é um mérito de quem concebeu a trama, fazer o público rir, mesmo diante de histórias tão tristes.  Hoje, estudando um pouco sobre a construção de arquétipos, vejo que esse filme tem tanto equilíbrio, exatamente por causa da boa construção dos personagens. Acho que no fundo, toda mulher (e talvez, todos os homens) possuem um pouco de cada uma das protagonistas.

Para quem nunca assistiu, acho que vale um breve resumo. Trata-se da história de stockard-channing-firstwivesclub-5quatro amigas que, na juventude, estudaram juntas. Anos depois, uma das amigas (a Cynthia) comete suicídio. No velório, Elise, Brenda e Annie se reencontram e descobrem que a vida de cada uma delas tomou rumos bem diferentes. No entanto, as quatro possuem algo em comum: foram traídas ou abandonadas por seus respectivos maridos.


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Não se trata de uma luta contra os homens, ainda que uma interpretação superficial nos faça entender isso. Acho que a história por trás de cada uma das personagens é muito mais complexa. A começar pela concepção errada (e muito difundida) de que ao amadurecer, a mulher perde o seu valor, seu potencial de sedução. Elise tem um problema muito evidente em relação à beleza. A quantidade de intervenções cirúrgicas demonstra (de uma forma muito ácida e engraçada) sua insegurança. Mas, afinal… qual é a mulher que não se preocupa em estar bela?  O fato é que somos ensinadas e sofremos uma certa pressão por estar belas. Não só as mulheres, os homens também! – Aliás, sobre a Elise, vocês sabiam que quem iria interpretá-la era a Jessica Lange? Mas, ela desistiu na última hora.

the first wiveA Annie por outro lado é aquele tipo de mulher que foi ensinada a se comportar. A não gritar fora de hora, a se desculpar todo o tempo. O mundo pode estar desmoronando, mas você precisa manter a pose. É mais fácil achar e dizer que está feliz, viver a aparência, do que reconhecer o fracasso. Não sou muito chegada nessa personagem porque acho ela um pouquinho histérica…

A Bette Midler, ah! Bette Midler… De verdade, eu amo essa mulher, as caras e Brendabocas que ela faz… e adoro a Brenda – me identifico, rsss. Vejo um crítica à concepção que encara as donas de casa de uma maneira pejorativa. Uma das amigas se tornou atriz em Hollywood e nem por isso, teve uma vida menos merda do que a da Brenda. A Brenda é o centro das piadas, é a gordinha, e “gordo sofre”. Praticamente todas as piadas envolvem o peso dela e, em certo ponto,ela passa a fazer piadas com o próprio peso – mas, com um tom bem sarcástico e delicioso.

And don’t tell me what to do
And don’t tell me what to say

Por fim, depois de tanto falar… acho que a mensagem final, transmitida por “You Don’t Own me“, música imortalizada na voz da Lesley Gore, diz muito e diz o necessário.  Não existe nada mais importante que a liberdade, e mulheres (e homens), se valorizem! 


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Joan Rivers – A Piece of Work

series_15751Eu tinha pavor à Joan Rivers, até agora. A achava detestável, principalmente por causa de todas aquelas piadas grosseiras e ofensas que declarava sobre os famosos, e também por causa dos comentários maldosos feitos no Fashion Police… Mas o documentário de Ricki Stern, produzido em 2010, permitiu que eu a visse de uma perspectiva diferente e me fez sentir um pouco de pena dela… que me pareceu uma “artista incompreendida”, se é que posso dizer assim.

Sempre me chamou atenção às suas inúmeras plásticas, uma obsessão pela beleza que ultrapassava o aspecto normal (ou, “socialmente aceitável”, rs). O que em princípio, me soava como uma vaidade exagerada, passou a ser percebido como uma válvula de escape provocada por sua baixa autoestima. Uma de suas frases ficou marcante: “Os homens sempre me diziam: “você é engraçada, você é fabulosa”. Mas nunca me diziam que eu era bonita. Nenhum homem nunca me disse que eu era bonita.“

05-joan-rivers.w529.h529.2xO fato é que Joan destilava sua agressividade em prol da construção de um personagem, o que por fim, foi a sua maldição. A indústria do entretenimento, como todos  sabemos, pode ser muito cruel… E Joan bebeu e se deleitou da mesma água que a envenenou inúmeras vezes – a ponto de deixar a sua vida real se confundir com o mundo fictício e cruel de Hollywood.

E em uma das cenas, quando ela mostra aquela agenda vazia e diz: “preciso de dinheiro, dinheiro, dinheiro”, me soou mais como uma desculpa de alguém que quer dizer: “preciso de reconhecimento”. Afinal, como ela mesmo disse, “Estou há 75 anos nesse meio e ainda não ganhei respeito.” – Acho que nem do público, muito menos dos críticos.

A Jéssica escreveu sobre a Joan, dois textos maravilhosos que recomendo muito à leitura!(É só clicar na imagem)

NEW YORK - CIRCA 1967: Comedian Joan Rivers poses for a portrait circa 1967 in New York City, New York. (Photo by Michael Ochs Archives/Getty Images)
NEW YORK – CIRCA 1967: Comedian Joan Rivers poses for a portrait circa 1967 in New York City, New York. (Photo by Michael Ochs Archives/Getty Images)

Em busca de Iara

Em-Busca-de-Iara-3Ontem custei para dormir, relembrando a história de Iara Iavelberg, assassinada durante a ditadura militar. Me imaginei no lugar dela, apertada naquele quartinho de empregada e encurralada por policiais armados, decididos a matar. Um tiro certeiro no peito e a alegação injusta de que cometera suicídio. Uma história triste, dentre tantas, que nos obriga a relembrar o vergonhoso passado político do Brasil.

A partir dessa dolorosa premissa, Mariana (sobrinha de Iara – narradora/personagem) se dispõe a recontar a história de vida da tia: menina bonita, estudante de psicologia da USP, companheira de Carlos Lamarca, assassinada. Um verdadeiro trabalho documental e jornalístico, que nos deixa sem fôlego e com a garganta apertada, em meio a quebra-cabeças que se encaixam aos poucos e figuram uma imagem melancólica. Uma bela homenagem à Iara, à seus companheiros e a todos que morreram da mesma forma, sem o direito de terem suas memórias destrinchadas.

Violeta foi para o céu

Violeta+Parra+PNGEu conheci a Violeta Parra há muito tempo e sempre cantarolava suas letras… mas, apesar de admirar suas músicas e de me sensibilizar com as mensagens que ela passava, nunca me dei ao trabalho de conhecer ou ler profundamente sobre a sua história. Sobre ela, eu sabia algumas coisas superficiais e só… Daí veio o filme, que ficou em cartaz aqui em Belo Horizonte no Belas Artes por um longo período. Eu cheguei a marcar com as amigas para ir assisti-lo diversas vezes e não sei o que acontecia, mas nossos encontros sempre furavam. Somente anos depois da estreia é que tive oportunidade de assistir. Coloquei o dvd e mergulhei na história fantástica daquela mulher forte, indócil, corajosa e inteligentíssima.

Acho que a Parra, como muitas personalidades da história, foi uma figura controversa… uma figura provocativa, cheia de ações questionáveis… mas também, uma mulher admirável, de origem humilde que conquistou milhões de seguidores através da sua arte e que deixou um legado. Fico admirada com a pesquisa de campo (se é que posso usar esse termo) que ela usava para conhecer e resgatar músicas folclóricas do Chile. E fico igualmente encantada com a sua insubmissão.

Infelizmente, como eu só assisti o filme e li superficialmente, é provável que a imagem que eu tenha criado dela na minha mente não esteja lá muito correta… Mas alguns fatos narrados me levam a crer que Violeta Parra violeta-foi-para-o-céufoi muito corajosa. Quando a gente assiste uma história como a dela, é difícil não se envolver e eu, sem querer acabei ficando extremamente incomodada no momento em que ela ‘abandona’ os filhos para fazer uma turnê internacional.

Eu sempre tento assistir uma história como essas sem ‘julgar’ o personagem, mas eu confesso que fiquei extremamente doída quando ela foi e deixou as crianças. E fiquei ainda mais incomodada (ou chocada), quando a filhinha dela morreu. Pelo menos no filme, não percebi nenhum remorso.

Me pareceu que ela precisava fazer uma escolha: a música ou os filhos. Ela escolheu a música. Bom, ela não se separou dos filhos posteriormente, e pelo que percebi eles também seguiram o caminho da música… mas o filme me passou a ideia de que era uma mãe ausente, entende?

Apesar das suas façanhas, como a exposição no Louvre e a instalação em La Reina, Violeta terminou os seus dias sozinha e desolada. Viveu um amor tumultuado com Gilbert Favre que a abandonou e foi embora para Colômbia. Estava depressiva, e foi exatamente nessa época que compôs suas músicas mais famosas (e que, ao meu ver, são as mais lindas: Volver a los 17 e Gracias a la Vida).. Só de pensar que ela se matou, há um estranhamento… uma tristeza por ela, sabe?

Escuta aí a música que ela escreveu quando o Gilbert partiu:

♡ Thelma e Louise♡

Thelma e Louise]Acho que todo mundo deve ter algo que tenha o marcado na vida. Seja um objeto, uma música, um livro, um lugar… no meu caso, um filme. Eu sempre, desde o comecinho do blog, quis escrever sobre Thelma e Louise. Engraçado, porque já comecei vários rascunhos e nenhum deles foi para frente. E eu sei o porque disso, é que esse foi um filme que me marcou profundamente e que me traz tantas lembranças e sentimentos que eu poderia escrever um livro… quer dizer, eu tenho uma lista infindável de filmes que amo, que assisti mil vezes e que tenho na minha coleção, mas Thelma e Louise é diferente. É o meu filme preferido, de todos os tempos.

Eu ainda era criança quando vi Susan Sarandon e Geena Davis pela primeira vez, juntas, naquele belíssimo e enorme thunderbird. As duas me ajudaram a construir uma imagética (falei o termo certo?) da mulher perfeita. Na minha cabeça a mulher perfeita era e é a mulher livre… e a viagem de Thelma e Louise é exatamente atrás disso, elas buscavam por liberdade.

thelmaHoje, já crescida, acho que me pareço mais com a Louise (e é ela que, ironicamente, era a minha personagem favorita). Louise, a garçonete quarentona e solteira, inteligente, um pouco arrogante… e triste. Louise me parecia tão triste. A Thelma, por outro lado, vivia uma vida medíocre e também infeliz ao lado do marido controlador.  Mas Thelma era como aquele passarinho preso na gaiola, que nunca conheceu o exterior e que, como uma criança, estava descobrindo o mundo. Thelma é a imagem da inocência e ao mesmo tempo, da teimosia… e mesmo com todos os problemas conseguia dar a volta por cima, tinham um tom engraçado, meio louco, meio atrevido…

thelmaDepois de muito tempo é que eu fui saber que Thelma e Louise é um filme feminista. Até então, nunca tinha parado para pensar nisso. Nunca parei para reparar nos detalhes e também não sabia que tinha sido roteirizado por uma mulher, a Callie Khouri.

Quando eu vejo esse filme é como se naquele carro, estivesse mais uma passageira: eu.  Ao longo dos anos, lendo muitos artigos, sites… eu vi que eu era uma, entre milhares, que são apaixonadas pelo filme. E concordo plenamente com o que a jornalista Melissa Silverstein, do site “Women and Hollywood” disse: “Thelma e Louise é uma referência para tantas pessoas porque nunca foi recriado. Quando o filme é um sucesso, é usual ser refilmado várias e várias vezes”.  Ou seja, quando você pensa em Thelma e Louise as imagens que vem a mente já estão meio que… “pré-determinadas”, são as do filme,  né? Não há outro, não há dúvida…

tryto


A cena do estupro de Thelma foi algo aterrorizante para mim, quando criança. Ainda o é, hoje… Revendo o filme, fico pensando na forma em que retrataram a violência sexual, no jeito que mostraram o quanto é um crime terrível e odioso..  Aliás, que as duas sofreram né? Não é difícil perceber como a Louise ficou traumatizada com o que aconteceu com ela no Texas. Aliás, é exatamente isso que a fez fugir, não confiar na polícia. Provavelmente ela denunciou o estupro e não recebeu nenhum auxílio ou respaldo.

Muitos criticam a postura do policial que conversava com elas, muitos dizem que ele era “bom demais”. Não sei, sabe, acho que também é uma forma sutil de retratar um lado mais humano do homem (como gênero mesmo). Elas foram traídas e maltratadas por praticamente todo homem que apareceu em cena, menos por ele. Ele era o único que sabia o que tinha acontecido com a Louise no Texas..

A Callie Khouri, em 2001, se manifestou publicamente sobre o filme e disse que sempre foi criticada por causa do estuprador ter sido assassinado.  Segundo ela as pessoas se incomodam quando duas mulheres são retratadas no cinema como personagens inteligentes e que assumem o controle do próprio corpo. ” Os vilões sempre morrem em praticamente todo o filme…. aquele cara era o vilão e ele foi assassinado. O fato de uma mulher tê-lo assassinado fez com que isso gerasse controvérsias”.

Aliás, muitas feministas chegaram a afirmar que esse filme não pode ser considerada feminista porque elas morrem no final, como se fossem punidas. Eu, acho que foi uma forma de redenção.. .imagine, se tivessem sido presas? Ou, alguém acredita que depois de tudo, elas sairiam ilesas?

filmequethaisamaHum… Já falei que o filme foi gravado em 1991, e que a Susan estava grávida (e só descobriu depois?). Outra coisa interessante é que o filme foi um “boom”, recebeu várias indicações ao Oscar. E Genna e Susan foram indicadas na mesma categoria!! E, Hans Zimmer… meu amigo, a sua trilha sonora me faz chorar até hoje!


Genna Davis e Susa24 anos se passaram e o filme rendeu bons frutos, ainda hoje considerado um clássico. E, sem dúvidas, foi uma produção marcante na carreira das duas, que são super politizadas e socialmente engajadas. Sobre a Susan eu acho que nem preciso falar porque já publiquei um milhão de post falando sobre as suas manifestações sociais e sobre o seu engajamento… agora sobre a Geena eu nunca comentei.

Vocês sabiam que a Geena Davis possui um instituto chamado “Instituto Geena Davis de Gênero na Mídia” e que sempre está fazendo colocações e análises super importantes sobre o papel das mulheres no meio midiático? Ontem mesmo, por exemplo, em uma reunião da ONU em NY ela mostrou dados interessantes (para não dizer outra coisa), segundo ela: “Se incluirmos personagens femininas na medida em que tem sido feito nos últimos 20 anos, só alcançaremos a igualdade em 700 anos”


No ano passado as duas se reuniram para fazer uma sessão fotográfica no Hollywood Reporter, vocês viram?

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Minha mãe é uma viagem

Minha mãe é uma viagemAi meu Deus, como a Barbra Streisand é incrível!!! Pra falar a verdade, sempre ouvi falar muito sobre ela e sobre a multidão de fãs que ela arrasta por aí… mas, nunca dei fé, entende? Aí, numa madrugada dessas (e eu, completamente sem sono) assisti “Minha mãe é uma viagem” – e morri de amores… por ela e pelo filme.

O filme conta a história de Andy Brewster (interpretado por Seth Rogen), um empreendedor que não consegue “emplacar” um produto de higiene, criado por ele. Um dia Andy visita a mãe, Joyce, e em uma conversa despretensiosa, descobre a origem do seu nome. Andy recebeu este nome em homenagem a uma “ex-paixão” de sua mãe. Decidido a fazer que os dois se reencontrem, Andy convida Joyce a acompanhá-lo em sua viagem.

Que delícia de filme… leve, engraçadinho e muito tenro.