Eu tinha pavor à Joan Rivers, até agora. A achava detestável, principalmente por causa de todas aquelas piadas grosseiras e ofensas que declarava sobre os famosos, e também por causa dos comentários maldosos feitos no Fashion Police… Mas o documentário de Ricki Stern, produzido em 2010, permitiu que eu a visse de uma perspectiva diferente e me fez sentir um pouco de pena dela… que me pareceu uma “artista incompreendida”, se é que posso dizer assim.
Sempre me chamou atenção às suas inúmeras plásticas, uma obsessão pela beleza que ultrapassava o aspecto normal (ou, “socialmente aceitável”, rs). O que em princípio, me soava como uma vaidade exagerada, passou a ser percebido como uma válvula de escape provocada por sua baixa autoestima. Uma de suas frases ficou marcante: “Os homens sempre me diziam: “você é engraçada, você é fabulosa”. Mas nunca me diziam que eu era bonita. Nenhum homem nunca me disse que eu era bonita.“
O fato é que Joan destilava sua agressividade em prol da construção de um personagem, o que por fim, foi a sua maldição. A indústria do entretenimento, como todos sabemos, pode ser muito cruel… E Joan bebeu e se deleitou da mesma água que a envenenou inúmeras vezes – a ponto de deixar a sua vida real se confundir com o mundo fictício e cruel de Hollywood.
E em uma das cenas, quando ela mostra aquela agenda vazia e diz: “preciso de dinheiro, dinheiro, dinheiro”, me soou mais como uma desculpa de alguém que quer dizer: “preciso de reconhecimento”. Afinal, como ela mesmo disse, “Estou há 75 anos nesse meio e ainda não ganhei respeito.” – Acho que nem do público, muito menos dos críticos.
A Jéssica escreveu sobre a Joan, dois textos maravilhosos que recomendo muito à leitura!(É só clicar na imagem)
