De todos os atores e atrizes que amei, Susan Sarandon foi a primeira e será a última. Recentemente assisti um de seus filmes, “Jeff, who lives at home”, uma comédia dramática que conta a história de um cara de quase quarenta anos (Jeff) que é desempregado e mora com a mãe. A mãe, no caso, interpretada por Susan Sarandon. Jeff possui um sério problema de relacionamento com o irmão e não consegue encontrar um sentido para a vida. Um dia, quando precisa ir ao mercado, ele decide mudar o percurso. No caminho uma série coincidências acontecem e o fazem questionar sobre sua existência.
Susan está magnífica, mesmo em um papel mediano. Na trama, ela é uma mãe que está cansada dos próprio filhos, que sente que falhou em algum momento da criação deles e que, por causa deles, deixou a própria vida um pouco de lado. Até, que um dia no escritório, começa a receber mensagens de um “admirador secreto” e começa a se perguntar se deve ou não dar uma segunda chance para o amor…
Em boa parte da trama ela se dedica a desvendar o mistério, que para o telespectador já é decifrado desde o início… Seu admirador secreto é uma mulher, mulher que foi sua melhor amiga durante anos e que – num pequeno ato de coragem – decidiu revelar seu amor.
Eu sou o tipo de cinéfila que não sabe o nome dos diretores, que não conhece nada de técnica cinematográfica e que, na verdade, nem se importa muito com isso. Sou do tipo daqueles que guardam o nome de um filme marcante, que lembram como se fosse ontem daquela cena que assistiu há anos e daqueles que quando se apaixona por um ator, fica meses assistindo seus filmes.
Então… vou confessar uma coisa, que pode soar absurdo para que curte cinema, mas que é verdade… Até o ano passado, eu não sabia quem era Kim Ki Duk e tive uma tremenda de uma boa surpresa, quando pela primeira vez assisti um de seus filmes: Pietà.
Pietà entrou na lista dos meus filmes preferidos de todos os tempos, daqueles que a gente não se cansa de rever. A história é cruel, atormentadora, violenta, triste… tão triste. Mas eu gostei, gostei da trama… do silêncio, do suspense… e me apaixonei pela Jo Min- Su (ainda que depois, não tenha encontrado nenhum filme com ela).
Em Pietà, Lee Jung-Jin interpreta Kang-do, um cobrador extremamente cruel, que não perdoa as dívidas de seus devedores. Quando a pessoa que o deve não tem dinheiro para pagá-lo, ele o machuca (quebra seus ossos, por exemplo), para pegar o seguro de saúde do ‘acidentado’. Mas, Kang-do (apesar da sua ‘maldade’) é um cara extremamente solitário e que a noite, sozinho em casa, se comporta como uma criança. Um dia aparece uma mulher que afirma ser sua verdadeira mãe e se diz arrependida por tê-lo abandonado. Kang-do duvida dela e a põe em prova, e faz com que ela passe por diversas e recorrentes humilhações.
Acho interessante o fato de o filme ter ficado conhecido por causa das cenas violentas, especialmente por causa da cena de estupro. Não sei, mas a abordagem sobre o fracasso, sobre a dor da perda, da solidão… quero dizer, a abordagem sobre a podridão e as falhas humanas me chamou mais atenção do que o aspecto violento. Como a dor do filho abandonado e a da mãe, que busca por perdão. Ou, da humilhação de quem não consegue pagar a própria dívida. Da mistura de vergonha e arrependimento.
Oi gente! Tirei o fim de semana para descansar e assistir alguns filmes, havia tempo que não fazia isso – e que não aparecia por aqui no La Amora, né? Pois é… Ontem eu assisti “The Babadook” e até agora estou encantada com a produção (ainda que o final poderia ter sido melhor, rs!). O filme conta a história de Amélia (Essie Davis), uma mulher que deu a luz e perdeu o marido no mesmo dia (seu marido bateu o carro quando a levava para o hospital).
Seis anos depois seu filho, Samuel (Noah Wiseman), demonstra um comportamento anormal, pouco amigável e muito diferente das crianças de sua idade. Um dia ele pede que ela leia um livro chamado “The Babadook”, a história de um monstro que entra na casa sem ser convidado e durante a noite aterroriza o sonho de uma criança. Daí em diante situações assombrosas passam a cercar a casa e os personagens.
Então… como esses filmes são bem subjetivos… fica o convite à interpretação. O que a minha cabeça miúda conseguiu pensar foi que o Babadook é uma metáfora à depressão sofrida pela mãe pós parto, também acentuada pela morte do marido, fato que ela ainda não superou.Aliás, acho que foi ela que escreveu o livro porque em certa cena, ela aparece com as mãos sujas de tinta e afirma que é escritora de livros infantis. Bom… e a super interpretação do garoto não poderia deixar de ser mencionada, Noah Wiseman trabalha bem demais! Filme super bacana, recomendo…
“Vamos ser tiras” salvou o meu domingo… se você está afim de ver um filme de comédia (realmente engraçado e descomprometido), fica a dica! O filme conta a história de dois amigos, Ryan e Justin: ambos na faixa dos trinta anos, que são frustrados profissionalmente. Um dia os dois são convidados à uma festa à fantasia e vão de policiais. Na festa ficam ainda mais frutados porque percebem que os outros colegas de turma tiveram sucesso profissional e eles não…
Quando saem da festa, percebem que as outras pessoas acham que eles realmente são tiras, entusiasmados, levam a farsa a frente… O que era para ser uma brincadeira de um dia, torna-se de semanas… Até que Ryan tem a brilhante ideia de seguir com o disfarce e mais, começa a resolver casos polícias de verdade (inclusive, compra uma viatura “falsificada”).
“Vamos ser tiras” ou “Lets be cops” é um filme ótimo, dá pra rir bastante e outra… é fácil achar online ou para download.
800 Balas é um filme que faz chorar. É um filme que te faz torcer pelo anti-herói e desperta aquele velho sentimento de que ‘ser diferente é mais interessante’. É um brinde aos que não se encaixam e, mais que isso, defende a busca pelos sonhos e por uma vida mais prazerosa. Pode parecer piegas, mas não é… Alex de la Iglesia (com o seu humor inteligente e perspicaz) já havia me conquistado desde que assisti La Comunidad e Las Brujas de Zugarramurdi, mas com 800 balas, ele assumiu outro patamar… entrou para a minha lista de diretores favoritos.
O filme se passa em um pequeno povoado da Espanha, em que um grupo de figurantes de cinema (especialmente, os de bangue-bangue) sobrevivem através de shows que fazem aos turistas. A rotina dos atores é ameaçada por agentes imobiliários que querem fazer uma grande construção no local. O líder do grupo é Julián (Sancho Garcia), um homem bruto e teimoso, que pode influenciar diretamente nos rumos da “possível construção”, isso porque o seu neto é filho de Laura (Carmen Maura), uma das donas da agência. – Complexo, não?
Difícil não gostar do filme, que mistura pitadas deliciosas de sátira e saudosismo. 800 Balas é uma clara homenagem aos faroestes. A menção à Clint Eastwood no filme não poderia ser mais bela, terna (e muito bem bolada) O que mais me impressiona é como o Iglesia consegue fazer “bom humor”, aquele que consegue te fazer rir e te emocionar ao mesmo tempo, sem cair em armadilhas, sem parecer forçado…
Sancho Garcia é a grande estrela do filme e, de certa forma, também é homenageado na trama. Garcia, que faleceu em agosto de 2012, foi um ator muito popular na Espanha, com uma extensa carreira que perpassa tanto pela televisão, quanto pelo teatro e cinemas. Um dos seus personagens mais famosos foi Carlos Zárate, em La Máscara Negra – em que vivia um homem corajoso, justiceiro e viril – tudo o que o Julián, seu personagem em 800 Balas, queria ser.
Julián, no entanto, é um homem que abdicou da vida e da família para viver em um mundo de sonhos. Largou a casa e a esposa e foi fazer o que sempre gostou – e “Ai de quem” o contrariasse. Talvez por isso tenha dado tanto certo com o seu neto, que fugiu de casa especialmente para conhecê-lo e que, assim como ele, vive uma vida fantasiosa. Acontece que fatores externos o forçam a tomar uma atitude, o forçam a viver a realidade. Julián, então, cai em sí… no mundo real, sua figura é patética e ridícula… à criança é permitido viver de sonhos, aos adultos não.
Glória Polk (Regina Duarte) é uma escritora decadente, que depois de 17 anos decide voltar a escrever. Assim convida uma jovem jornalista, a Carol (Bárbara Paz) à sua casa, no intuito de ceder uma entrevista sobre sua obra. Nesse jogo de interesses, que beneficia tanto à escritora quanto a jornalista, o encontro vai tomando proporções perigosas (e bizarras) já que Glória, extremamente temperamental, decide se vingar de Carol por causa de um ‘segredo’ que as une há anos.
O filme, que é uma joia, é o primeiro trabalho no cinema do jovem diretor Rafael Primot e está repleto de diálogos marcantes, de uma profunda reflexão sobre loucura e sanidade, de cenas lindíssimas e referências ao melhor do cinema clássico. (Também, acho que vale comentar o fato de que feito com um orçamento curtíssimo, de apenas R$ 150mil…).
Ver Regina Duarte interpretando com brilhantismo uma personagem inspirada em Norma Desmond e Baby Jane me fez pensar no quanto a mídia e o público podem ser cruéis com figuras públicas, expostas a dura e implacável crítica em relação a velhice. Envelhecer não é para mocinhas, Bette Davis já dizia isso… pressentindo um futuro não muito agradável em que foi considerada veneno de bilheteria.
Ver Regina Duarte dando vida a uma feminista lésbica, que cita Susan Sontag, Simone de Beauvoir, Mark Twain… que prega o amor livre e com sarcasmo e agressividade ironiza a juventude (a qual apelida de ‘bundinha rosada’), faz com que eu me sinta parte desse público cruel e ingrato, que não reconhece uma carreira incrível e que também não valoriza seus artistas. Eu ri daquele vídeo em que Regina aparece sambando. Eu ri das fotos do aeroporto. Agora, depois de “Gata Velha ainda mia” me arrependo amargamente.
Regina não deixa a peteca cair, encara o melhor e o pior de si, sem medo de se expor. Sem medo de aparecer sem maquiagem na tela grande, sem medo de não ‘estar bonita’. É o espírito pulsante do verdadeiro artista, aquele que doa não só a sua imagem, mas o seu corpo (e até a sua alma) quando está interpretando. Menções também honrosas à Barbara Paz, que mesmo ofuscada por Regina, responde à altura e se entrega, também se expõe.
Enfim…
Felizes são aqueles que conseguem envelhecer bem… Não me refiro apenas ao aspecto físico, refiro-me à dignidade (que hoje, acredito ser um dos bens mais preciosos do ser humano). Tenho pensado muito sobre a velhice, principalmente depois que assisti esse filme… reli uma passagem do livro da Rosa Montero que resume muito bem o que eu penso: “Há pessoas que com o transcorrer da vida simplesmente envelhecem, outras, mais sábias ou afortunadas, vão amadurecendo. Outras, ao contrário apodrecem e outras ainda, enfim, se desbaratam, e todos esses processos têm frequentemente um claro reflexo no aspecto físico”….
Gata Velha ainda Mia é um grande filme, daqueles que nos faz acreditar e gostar do cinema nacional. Vale a pena ser visto e revisto.
Outro dia, relendo algumas páginas do livro ‘A Religiosa’, me lembrei que nunca cheguei a mencionar que assisti o mais recente filme, aquele com a Isabelle Huppert, baseado no romance de Diderot. Para quem tem interesse no livro, talvez possa gostar de uma antiga publicação que fiz: era para ser um pequeno resumo, mas como sempre, acabei me empolgando demais.
A Religiosa relata a história da Irmã Suzanne, uma jovem que teve que se tornar freira depois da imposição de seus pais (especialmente por parte da mãe – e há uma justificativa para isso). No primeiro convento em que passa, Suzanne é brutalmente torturada pela Madre Superiora Christine, uma mulher que acredita que a absolvição dos pecados deve ser feita através da mutilação da própria carne. Depois de sofrer inúmeras violências físicas e psicológicas, ela consegue (com ajuda de um advogado) mudar para outro convento. Dessa vez recebe um tratamento mais carinhoso e atencioso, mas logo percebe as investidas e os assédios sexuais de sua superior.
Diderot faz uma clara crítica ao clero, baseando-se em uma história real, em que uma freira escreveu uma carta, quase em forma de súplica, solicitando a sua liberação do convento. Não se sabe exatamente qual foi o seu fim, mas há quem diga que, diferente da personagem fictícia, nunca conseguiu sair de lá. Em relação à Madre Superiora Christine, aquela que obrigava as freiras se flagelarem, o autor chegou a confessar que criou o personagem inspirado em mulheres que conheceu e que seguiram a vida religiosa, mesmo sem nenhuma vocação, essas conseguiam cargos altos nos conventos porque eram ricas e tinham dotes.
No filme, dirigido por Guillaume Nicloux, a violência física é muito evidente e inquietante. Pauline Etienne encara uma Suzanne etérea, séria e corajosa, dá gosto de vê-la trabalhando. Sem dúvidas, A Religiosa ganha ainda mais brilho quando aparece Isabelle Huppert, encarando um personagem diferente de tudo o que eu já a vi interpretar. Aqui ela dá vida a uma Madre Superiora, já na meia idade, que não consegue segurar a sua paixão e seus desejos por Suzanne – ou por outras noviças. Quando percebe que Suzanne não pretende retribuir seus carinhos, entra em uma profunda depressão que compromete diretamente o funcionamento do convento.
No livro, diferente do que é mostrado no filme, a irmã Suzanne chega a se envolver com a Madre, retribui os seus beijos e carinhos – inclusive, relata que chegou ao orgasmo através dela. No entanto, Diderot constrói um personagem tão bom e inocente, que ela faz tudo isso, sem saber que está sendo induzida ao pecado (digamos…).
O fim do filme e do livro também são diferentes (spoiler!). No filme Suzanne consegue fugir, encontra seu verdadeiro pai e herda dele uma fortuna. No livro, no entanto, ela também consegue fugir, mas começa a trabalhar como cozinheira em um lugar que a fazem praticamente de escrava, então ela resolve escrever, pedindo para que a ajudem sair da miséria.
*Existe um outro filme, gravado em 1966, baseado na história. Esse eu nunca vi, mas se você quiser saber mais um pouco acesse: 70 Anos de Cinema.
Com tantas más notícias e acidentes envolvendo aviões, o filme “O voo”, dirigido por Robert Zemckis e estrelado por Denzel Washington, ganhou um lado assustadoramente mais realístico. A trama conta a história de Whip, um piloto experiente da aviação comercial, mas com sérios vícios (em drogas e bebidas). Um dia, depois de uma noite de farra e de abusos, Whip acaba se envolvendo em um acidente que mata diversos passageiros e que, ao mesmo tempo, só não foi pior por causa de sua experiência. Whip chega a tentar aterrissar com o avião virado de cabeça para baixo.
A animação e os efeitos utilizados na cena do acidente são incríveis e é difícil não sentir a tensão dos passageiros e do piloto. Eis um filme que não é indicado para quem tem medo de aviões. Apesar do ponto de partida ser a tragédia, que acaba provocando seis mortes, o filme possui uma temática muito mais densa: o vício. Em determinado momento da história, Whip conhece Sheila, que acaba de sofrer uma overdose – juntos, os dois lutam contra suas fraquezas.
E, assim como acontece na vida e é uma condição humana, essa luta possui altos e baixos. Em uma cena lindíssima, Whip observa um copo de bebida que está em cima do freezer do hotel e tenta resistir às suas vontades. Tenta, mas não consegue. Denzel Washington, em seu domínio estético, consegue dar o devido tom dramático ao personagem, sem ser exagerado ou pedante.
Sem querer, eu acabei criando um ciclo de publicações onde falo sobre as minhas atrizes mexicanas favoritas. Por que mexicanas? Não sei, ando mergulhada nessa fase. Não poderia deixar de falar da Diana Bracho, não mesmo. Diana está em outro patamar, é como se fosse uma “Meryl Streep Mexicana”, uma Fernanda Montenegro, entende? Bracho possui uma carreira fincada no cinema, mas é plural e tem trabalhos televisivos, teatrais e literários incríveis.
Diana vem de uma família artística, seu pai Julio Bracho era apresentador e diretor. Ele, filho de um músico e de uma miss e sobrinho de ninguém mais ninguém menos que Andrea Palma. Ah, e Diana também é parente distante de Dolores del Río e Ramon Novarro. Seu irmão, Julio, também é ator. Pode? Em entrevistas ela conta que durante a infância foi um pouco “sufocada” pelo pai, era uma menina rica que tinha um motorista e empregados disponíveis para ela o tempo inteiro e começou a atuar, muito novinha.
“Yo le agradezco a la vida haber estado fuera de los márgenes de la convención porque esto me ha dado una libertad de movimiento por todo el mundo, con una gran apertura a lo que me vaya tocando, me siento igual de a gusto comer unos tacos en una esquina que comer en un restaurante de París, porque sé quién soy y estoy a gusto conmigo misma.”
Antes de estrelar “El Castillo de la Pureza” (filme reconhecido internacionalmente e dirigido por Arturo Ripstein), cursou Letras em New Rochelle (NY) e até hoje, se dedica a literatura. Sim, Diana possui várias faces. Entre 2002 e 2006 foi presidente da Academia Mexicana de Artes y Ciências Cinematográficas. Recentemente deu uma entrevista ao El País, onde dizia “Amo as minhas rugas” e, diferente de muitas atrizes em sua idade, defende uma estética mais natural. Só pra constar, ela vai completar 70 anos em dezembro.
“Entiendo que el tiempo pasa, la edad no es fácil de aceptar o enfrentar, sobre todo en las mujeres porque de pronto te juzgan y dicen si una ya dio el ‘viejazo’. No quiero hacer juicios sobre las operaciones estéticas, pero he visto que incluso se las hacen personas muy jóvenes que pienso que no las necesitan. Yo soy como soy y no me voy a pelear con la persona que soy, porque me he construido a través de la vida tratando de ser una persona íntegra que ama su trabajo y yo amo la cara que tengo, con sus arrugas y con la edad.”
Eu realmente não me lembro da primeira novela que vi com ela. É com se Diana Bracho sempre estivesse ali. Sei que ela ficou muito conhecida no Brasil depois que o SBT transmitiu a novela Ambição (Cuna de Lobos) e que na primeira fase de “O Privilégio de Amar”, ela interpretou a versão jovem da Dona Ana Joaquina, posteriormente interpretada por Marga Lopez. Mas ela teve trabalhos muito marcantes como “El Derecho de Nacer”, “Pasion y poder” e “Capricho”.
Como disse, acompanho a Diana há muito tempo e acho que perdi a conta de quantos filmes e novelas assisti com ela. (Já comentei sobre muitos aqui no La Amora). Da Diana, três novelas me marcaram em especial.
1) Bajo la Misma Piel: Essa é a primeira e única novela em que me lembro da Diana interpretando uma “mocinha”. A trama se concentra na história de quatro mulheres da mesma família e de gerações diferentes. Diana interpreta Sarah, uma mulher frágil e sensível, casada com Bruno, um homem arrogante. No passado, Sarah se apaixonou por Joaquim, mas com o tempo, cada um tomou um rumo diferente. Sarah vive sofrendo com os abusos do marido e se irrita com os assédios por parte de Rodrigo, um antigo amigo da família.
Nessa novela, Diana está diferente de tudo o que eu já vi, um personagem denso e muito importante para a carreira dela, que tem um posicionamento de defesa pelos direitos da mulher. Na trama, Sarah é estuprada pelo próprio marido e agredida fisicamente. Existe uma cena fortíssima, que me marcou mundo. O marido da Sarah acaba de descobrir que é estéril e que os dois filhos que criou com ela, não são seus. A cena, aliás é inesquecível, nunca vi nada igual em novela nenhuma. Sarah leva socos e pontapés de Bruno no meio da rua e fica com a cara ensanguentada, é chocante (é a primeira cena do vídeo, é só dar play):
2) Heridas de Amor: Bertha de Aragón era um verdadeiro furacão. No início da novela era uma mulher que alimentava um amor secreto pelo marido da irmã e que, no passado, tinha entregado a filha para adoção. Usava roupas e tinha um comportamento de beata e infernizava a vida da sobrinha. Um dia Bertha faz uma viagem e volta completamente diferente, com roupas sensuais e com um comportamento agressivo. Me lembra um pouco a história de “Now Voyager”, com Bette Davis.
Quando volta, Bertha se apaixona por César e tem um caso de amor bandido, onde juntos planejam um golpe. O personagem interpretado por Diana ficou muito famoso e conquistou o público. Na época, Diana precisou fazer umas viagens e se afastar da novela e quando ela saiu de cena, a audiência despencou. A novela foi transmitida no SBT e ficou bem famosa por aqui.
Bertha era um personagem incrível, quase uma Nazaré Tedesco. Era muito engraçado a sua mania de chupar pirulito quando ficava nervosa ou coçar a testa. Ela tinha um cachorro que era a sua paixão e sempre o usava para assustar os outros. O fim da Bertha foi uma das coisas mais malucas e estranhas que eu já vi. Ela tinha um empregado (que por sinal, tinha um aspecto grotesco, uma mão defeituosa e se chamava “El guapo”, em tradução meio fula e literal seria “O Bonito”) que a amava. Um dia ele a sequestra e corta seus dedos no intuito de fazê-la ter “medo”.
Como aquele filme, “O Perfume”, o cara queria roubar a essência, o cheiro de medo dela. Difícil explicar. O fim da vilã não poderia ficar mais tenebroso se o cara não a tivesse levado para um “ilha” cheio de bonecas velhas e horrorosas, a prendido e a amordaçado e por fim, suicidado. Bertha termina presa, longe de tudo e de todos, sem os dedos e ao lado de um cadáver.
3) Fuego en la sangre: Mais uma vez Diana interpreta um vilã, Gabriela Santibañez. Mas o tom dela é diferente dos outros, ela é a mãe das três personagens principais e além de controladora e ortodoxa, é extremamente cruel com o marido (idoso e deficiente). Gabriela foi um personagem mais erótico e teve uma relação extraconjugal com Fernando e fisicamente mais violenta do que os outros, sempre saía distribuindo tapas nos outros.
Uma das coisas que me faz adorar a novela é que María Sorté e Diana Bracho atuam juntas, praticamente o tempo inteiro. Adoro quando as minhas atrizes contracenam, como por exemplo em Cadenas de Armargura, em que ela e a Helena Rojo interpretam irmãs inimigas (ou em La Tempestad, em que Daniela Romo e María Sorté atuam juntas ou em Amor Sin Maquilaje em que Daniela e Helena Rojo contracenam…). Como não poderia ser diferente, o fim da Gabriela é uma coisa absurdamente assustadora. Por um engano, ela acaba sendo enterrada viva!
Cuba Libre?
Como disse, Diana participou de muitos filmes, alguns grandiosos e reconhecidos internacionalmente. “Cuba Libre” ou Dreaming of Julia é um deles, onde ela, ao lado de Gael García Bernal e Harney Keitel estrelam uma deliciosa e nostálgica história que tem como pano de fundo a Revolução Cubana. O caso é que muito tempo depois do lançamento do filme, Diana chegou a confidenciar que foi muito mal tratada por Keitel e que jamais trabalharia com ele novamente. Ela contou que, nos bastidores, ele sempre fazia um discurso contra atores latinos e mal mal queria encostar nela para fazer as cenas – e, os dois eram um casal!
Atualmente, Diana revive a peça “Master Class Maria Callas”. Quando foi encenada pela primeira vez, a obra foi um grande êxito e marco em sua carreira. Ela, que nunca gostou de repetir personagens, se une novamente a Diego del Río e Morris Gilbert (depois de quinze anos!) para representar Callas.
Tenho um lugar separado, onde guardo os meus filmes preferidos. “Perras”, produzido em 2011 e dirigido por Guillermo Ríos é um deles. O assisti muito antes de me interessar pelo cinema mexicano e não sei por que, demorei tanto para citá-lo aqui. É um filme magnífico e me incomoda o fato de tão poucos conhecê-lo. Rios, cheio de recursos primorosos, conta a história de um grupo de garotas problemáticas que estudam no mesmo colégio e que foram trancadas na sala de aula pela diretora, depois que um crime horrível foi cometido. Todas são suspeitas. Diferente e ácido, “Perras” é o típico filme que emociona, surpreende e que consegue retratar a história de cada personagem (e olha, são muitos) com cuidado e densidade. Aos poucos, vamos conhecendo a trajetória de cada menina e recebendo ‘dicas’ sobre o crime. Difícil não se identificar com a história de cada uma delas e não se simpatizar com seus dramas. As alunas possuem classes sociais diferentes e a maioria dos confrontos (e dos jogos de interesse) se dão por causa desse aspecto.
María del Mar (Claudia Zepeta) é a personagem principal, que narra os acontecimentos e contextualiza os espectadores sobre o que se passa. É uma garota tímida e introspectiva, que a primeiro momento nos faz acreditar que não deveria estar ali, junto com as outras meninas – ‘problemáticas’. Aos poucos descobrimos que ela se envolveu com um homem mais velho e casado e que sua relação causou grandes problemas em sua roda familiar.
“Se supone que tus padres son los que más a fondo te conocen. Pero no es verdad. Las cosas mas importantes que se han pasado en la vida ellos no lo saben”
Com o decorrer da trama, as vozes narrativas vão se mesclando e todas as meninas passam a contar sua versão. Tora, por exemplo, é uma garota gorda com uma deficiência na perna, que sonha em fazer uma festa de quinze anos – mas que não tem condições financeiras e que também não tem quem convidar. Sofia é a patricinha da sala, rica e metida a líder – que no fundo, sofre com a indiferença dos pais. Andrea vive um mundo de ilusão e de abandono, em que espera receber um pouco de atenção da mãe, Alejandra é corajosa e alternativa, cujo os pais não aceitam a homossexualidade.
Como um quebra cabeça, todas as peças vão se unindo e é difícil não se surpreender com o final. “Perras”, definitivamente não é um filme juvenil, pelo contrário – é um filme que causa repulsa. Assuntos pesados são abordados com certa naturalidade: aborto, prostituição, assédio… Aliás, os diálogos são densos, sarcásticos e marcantes. A narrativa também é marcada por flashbacks .