O Dia do Gordo

Hoje é dia do gordo e com todo respeito aos demais, ser gordo é uma merda. Na verdade, essa é uma afirmação que faço com propriedade já que sou gorda há pelo menos 22 anos (dos meus 22 anos).  Longe de pessimismo e de dramas, porque já passei por eles, mas ser gordo é muito ruim. Aliás, passei por uma fase complicada de não aceitação e de baixa auto-estima que me fez aprender muito: sobre mim mesma e sobre os outros.  A sociedade não quer te ver gordo, seja por beleza ou por saúde, a obesidade (se assim quiser chamar) é mais do que uma característica física, é um estigma.

Já ouvi muito desaforo e já tive que engolir muito sapo por estar acima do peso (qual gordo que nunca?). É extremamente desagradável escutar uma pessoa que você mal conhece dizer que ‘você seria mais bonita se fosse magra’. Pior ainda é ouvir de alguém que você conhece e ama que ‘você seria mais bonita se fosse magra’. Como eu sofria quando me diziam essas coisas.

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Como todo gordo já tentei várias dietas, já tomei remédio, fiz caminhadas, frequentei os Vigilantes do Peso, pensei até em fazer cirurgia bariátrica, mas não tive coragem.  Também tive muitas amigas na mesmíssima situação, que estavam deprimidas porque não tinham o mesmo corpo da atriz na novela. Poderia fazer uma lista das situações desagradáveis e humilhantes que passei por ser gorda, mas acho que não precisa. Quem é gordo (e quem é magro também) sabe do que eu tô falando.

Há pouco tempo fui mudando minha percepção. Antes, quando me chamavam de gorda, eu sofria muito porque acreditava que poderiam me diminuir por essa característica, ou seja, assumia a culpa no cartório, abaixava a cabeça e me escondia em qualquer lugar. Hoje eu me reconheço como gorda e não me sinto pior, nem melhor que ninguém. Aprendi que as pessoas devem te respeitar do jeito você é: gordo, negro, gay, pobre, evangélico… e que você deve mostrar a elas que merece esse respeito (por mais difícil que isso possa parecer).

Também não estou levantando bandeira para a obesidade. É verdade que estar acima do peso é uma questão de saúde e deve ser fiscalizada. Como disse logo no início, ser gordo é uma merda (é difícil achar roupa, ficamos desconfortáveis, sofremos preconceito…) mas não é o fim do mundo. Aos poucos a gente aprende que não é. O fato é que se você não está contente, deve sair da zona de conforto e procurar uma solução, mas você pode fazê-lo sem se culpar, sem rejeitar seus sentimentos. Tente reconhecer que há muito mais do que a aparência (eu sei que é clichê, mas se você parar pra pensar, faz todo sentido: ‘um rostinho bonito é importante, mas o espírito é muito mais).

E pra você que é gordo…

Olha, você não está sozinho cara. Feliz dia do gordo!

Noivas em Guerra

Nunca sonhei em me casar, não tenho mesmo esse desejo e por um longo período alimentei a percepção de que o casamento é um dos piores e mais enganosos contratos sociais que existem. Há pouco tempo atrás eu acreditava na inexistência do amor eterno e duvidava que duas pessoas conseguissem se manter apaixonadas pelo resto da vida. Como diria o dramaturgo Nelson Rodrigues: “Só o cinismo redime um casamento. É preciso muito cinismo para que um casal chegue às bodas de prata”. Vejo homens e mulheres unidos não por amor, mas por necessidade (seja emocional ou financeira), casais infelizes que não se separam porque acreditam que precisam prestar contas à sociedade ou Noivas em Guerraviver de aparências.

Confesso que aos poucos fui mudando meus conceitos. Continuo não acreditando em casamento, nem em paixões eternas, mas acredito no amor e no companheirismo. Acho que duas pessoas conseguem viver juntas, dividindo a intimidade com o outro e sustentando um relacionamento em que há, antes de qualquer coisa, o respeito. Conheci algumas mulheres, três delas em especial, que sonham em se casar e em ter filhos. A ideia de casamento, que sempre me foi muito abstrata, começou a fazer sentido quando vi que aquele era mesmo o objetivo da vida delas: se casar e depois ter filhos.

Aliás, todas as três mostraram um forte desejo de seguir carreira e se dar bem na profissão.  Quer dizer, elas me fizeram entender (e por mais simples que isso pareça, eu não concordava) que é possível ter uma boa vida profissional e familiar simultaneamente.

Por algum tempo acompanhei a dedicação das três na organização da cerimônia e nos contratempos que foram aparecendo. É difícil achar igreja, é difícil achar um lugar para realizar a festa, é difícil encontrar o vestido certo, arrumar os convites, fazer a lista de convidados, organizar o chá de panela… na verdade, é um inferno! Outro dia, zapeando pela TV, me deparei com um filme que ilustra (com certos exageros, é claro) muito bem essa situação (e é uma sugestão  bacana pra quem pretende se casar):

Noivas em Guerra é uma comédia, produzida em 2009 e dirigida por Gary Winick (também diretor em Cartas para Julieta, De repente 30 e Um jovem sedutor). É um filme simples e sem muitas surpresas, mas que traz um tema agradável e uma abordagem interessante.  A trama conta a história de Emma e Liv (Anne Hathaway e Kate Hudson) duas mulheres que são amigas desde pequenas e que coincidentemente, dividem o sonho de se casar no Plaza Hotel. Por um erro da secretária a data do casamento das duas é marcada para o mesmo dia e assim nasce um confronto, já que nenhuma das duas abre mão de seus planos.

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Com uma proposta bem leve e divertida, Anne Hathaway e Kate Hudson encaram cenas engraçadas que, de alguma forma, chamam atenção para a condição feminina. É interessante ver o quanto os homens se mostram despreocupados sobre a cerimônia, enquanto elas (preocupadas em ‘fingir’ que tudo está dando certo) praticamente se matam de tanto trabalho. Um trabalho exaustivo, mas prazeroso. A procura pelo vestido, a escolha dos convites, os ensaios, as músicas e a ambientação da igreja: tudo escolhido com uma enorme cautela.

Apesar de ser a temática central, o casamento não é o ponto mais forte do filme e sim a amizade. É através dessa perspectiva que se consegue perceber a contraposição das personalidades das duas. Emma é mais frágil, enquanto Liv é uma mulher competitiva. Emma está tão envolvida nos preparativos da cerimônia que não percebe o desconforto que existe entre ela e o noivo. Liv, por outro lado, deixa suas emoções aflorarem a ponto de prejudicar seu desempenho no emprego. A situação ainda é acentuada pela incerteza sobre quem conseguirá o Plaza Hotel e pela disputa infernal entre as duas.

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Pelos olhos de Maisie

Maisie é uma garotinha de seis anos que vive um cotidiano tumultuado após o divórcio dos pais. Sua mãe, Susanna (Julianne Moore) é uma estrela de rock e seu pai Beale (Steve Coogan) é um ocupado e influente galerista. Sua principal companhia é a babá, mas ela acaba se casando com seu pai e Maisie se vê em uma situação delicada. Atenta as brigas judiciais por sua guarda, a pequena se torna uma espectadora das ações dos outros personagens e sofre com as atitudes inconsequentes dos adultos. Pouco tempo depois sua mãe se casa com um completo desconhecido e ela se vê novamente sem lugar…

what-maisie-knew-filmBaseado no livro de Henry James, a produção de 2012, dirigida por David Siegel e Scott McGehee é um delicado registro de uma história simples, mas cheia de significados. Com uma fotografia primorosa e atuações fortes, Pelos olhos de Maisie retorna uma antiga discussão: a importância da figura paterna/materna na vida da criança e as consequências do divórcio. Julianne Moore, no papel de Susanna, traz a tela uma mulher contraditória, que ama a filha mas que prefere a carreira. O comportamento explosivo da mãe, a música alta e o excesso de bebidas é observado por Maisie que, apesar de desconfortável, é levada a entender (ou a fingir) que aquele é o melhor ambiente pra ela.

No início não nos é confidenciado, mas aos poucos percebemos que os pais de Maisie não possuem estrutura. Apesar do aspecto financeiro bem resolvido, o lado emocional da pequena é deixado de lado e os pais tendem a priorizar apenas seus objetivos.  Logo depois que Susanna se casa, seu marido Lincoln (Alexander Skarsgard) se aproxima de Maisie de uma maneira carinhosa e sincera. O que poderia ser uma solução acaba virando um contratempo, já que Susanna tem ciúmes e não abre mão de ocupar o primeiro lugar na vida da filha.

Em outra perspectiva, acompanhamos a relação de Maisie com a babá Margo (Joanna Vanderham), a única que consegue estabelecer um diálogo com a menina, sem qualquer constrangimento. Apesar das contradições, Maisie é uma garota muito amada, o problema está na forma em que os adultos demonstram esse sentimento. Um fato que chamou atenção (e que foi muito bem articulado pelos produtores) é a ênfase na relação de Maisie com os adultos, poucas crianças aparecem no longa e quando aparecem estão em situações secundárias.

Outro fato interessante é que uma das características marcantes de Maisie na versão literária é que ela é uma garota que dissimula muito bem e tenta não se importar com a indiferença dos pais. Ela joga o mesmo jogo dos adultos e age como se, de fato, não soubesse de nada. Esse detalhe também é percebido no filme, quando Susanna, por exemplo, pergunta a Maisie se seu pai e a babá se beijam. Apesar de saber o que se passa, a menina finge um desconhecimento. O destaque do filme vai para Onata Aprile, que apesar de estar ao lado de famosos nomes do cinema se sobressai em cena em uma atuação confiante e sem rodeios.

film-whatmaisieknew-500  – O livro: Publicado em 1897 o romance Pelos olhos de Maisie é uma das obras mais importantes de Henry James, escritor e filósofo norte-americano também autor de A fera na selva (1903) e Retrato de uma senhora (1881). A história se passa em Londres, mas os personagens viajam com frequência por diversos países como Florença, Bruxelas e Paris.  James fez com que a história tivesse vários cenários e ambientações para mostrar que Maisie vivia a mercê das decisões dos adultos e que muitas vezes, era como um joguete e que vivia alternamente ao cuidado dos outros. Publicado depois de o autor ter realizado seu primeiro trabalho com método cênico, Pelos olhos de Maisie apresenta várias passagens com escrita teatral.

Confira o trailer!

Flores raras (e banalíssimas)

A arte de perder não é nenhum mistério;
Tantas coisas contêm em si o acidente
de perdê-las, que perder não é nada sério.

Perca um pouquinho a cada dia.
Aceite, austero, A chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Depois perca mais rápido, com mais critério:
Lugares, nomes, a escala subseqüente

Da viagem não feita.
Nada disso é sério.
Perdi o relógio de mamãe.
Ah! E nem quero Lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Perdi duas cidades lindas.
E um império Que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles.
Mas não é nada sério.
– Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo que eu amo) não muda nada.
Pois é evidente que a arte de perder não chega a ser mistério

por muito que pareça (Escreve!) muito sério

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Acabo de chegar do cinema, fui ver Flores Raras, do Bruno Barreto com Glória Pires e Miranda Otto. É um belo filme que, aliás, retrata uma história linda. Apesar de grande parte ser em inglês, eis um longa de fácil identificação ao público brasileiro (principalmente por ter como cenário o Rio de Janeiro da década de 50/60 e apresentar referências políticas, culturais e econômicas).

Li outro dia que ‘Flores Raras’ é um romance lésbico e agora, depois de vê-lo, não acho que essa classificação o faz justiça. De fato, há uma forte abordagem do romance das personagens principais (aliás, mulheres admiráveis), mas o filme não se restringe a isso. Flores raras levanta uma reflexão sobre a própria condição humana, dos amores não correspondidos, do desejo, da insegurança, das decepções e anseios.

O filme retrata a chegada da poeta norte-americana Elizabeth Bishop (interpretada por Miranda Otto) ao Brasil, em 1951. A convite da amiga Mary (Tracy Middendorf), Bishop  vem para o país e se hospeda na casa da arquiteta Lota de Macedo Soáres (Gloria Pires). Seu interesse era ficar por duas semanas, acabou ficando por quinze anos. Mary e Lota possuem um longo relacionamento e a chegada de Elizabeth, em princípio, não causa nenhum problema. Inicialmente há um perceptível estranhamento entre Bishop e Lota, duas mulheres fortes com temperamentos e inspirações diferentes. Aos poucos as duas se apaixonam e Mary perde o seu lugar.

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Em sua enorme casa, Lota constrói um escritório para Elizabeth e é lá onde ela realiza ‘North & South — A Cold Spring, obra que lhe rendeu o prêmio Pulitzer de 1956.  A relação das duas, conturbada pelo alcoolismo de Bishop, pela presença de Mary (que decide adotar um bebê) e pela intimidadora personalidade de Lota, vai se desgastando aos poucos até que Bishop decide voltar a Nova York e lecionar na Universidade de Havard. Nesse meio tempo, Lota estava envolvida com a política e realizava (a convide do Carlos Lacerda) um de seus trabalhos mais conhecidos, o Parque do Flamengo, que foi duramente criticado pela imprensa.

Bruno Barreto (também diretor em Última partida 174 e O que é isso Companheiro?) acertou em cheio ao não levantar bandeiras e tratar a homossexualidade com naturalidade. O trabalho cenográfico é primoroso, a ambientação e o figurino foram muito bem elaborados. Gosto especialmente do cuidado que ele demonstrou ao usar planos subjetivos e sugerir um efeito catártico em relação à Bishop, como aquela cena em que ela lava os cabelos de Lota e lhe faz um poema, em homenagem…

No teu cabelo negro brilham estrelas
cadentes, arredias.
Para onde irão elas
tão cedo, resolutas?

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Gloria Pires está belíssima, muito sensual e sobressai às outras. Vi uma entrevista dela no Canal Brasil, onde ela dizia que não teve problemas em falar em inglês, mas ficou temerosa nas cenas mais fortes já que a memorização é um pouco mais complexa. Glória encarna uma Lota agressiva, menos feminina que as outras personagens e parece ser muito mais forte também. É interessante quando Elizabeth lhe pergunta sobre sua profissão e ela fala: ‘nasci arquiteta’, de fato, Lota nunca frequentou a universidade e foi reconhecida como arquiteta autodidata e paisagista emérita.

Tempo, tempo, tempo, tempo

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Fomos a uma exposição outro dia e não queríamos sair de lá, toda aquela explosão de objetos, frases e sons nostálgicos nos encantaram.  ‘Tempo, tempo, tempo, tempo’ está exposto no Palácio desde o dia 8 de agosto e ficará disponível a visitação até o dia 1º de Setembro. Trata-se do trabalho de alunos de artes visuais do Programa Valores de Minas (que aliás, esta na oitava edição) e traz diversos materiais/instalações que sugerem não só a observação, mas também a interação [um dos meus favoritos, sem dúvida, foi a máquina de bater ponto!]. O macarrão de letrinhas, as fitas, o fogão antigo… todas com uma relação mútua, o azul.

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Tomo a liberdade de reproduzir o texto do card que explica o porque do azul:

‘Era preciso responder a esta pergunta que funcionava como um código de acesso para alguém entrar no quarto de Arthur Bispo do Rosário, esquizofrênico paranóide, que viveu internado 50 anos em um hospital psiquiátrico. Em seu surto, recebeu a missão de recriar o mundo para apresentar a Deus no dia do Juízo Final.

Azul seria a resposta certa? Talvez. Azul não era a cor de sua expressão. Azul era a cor das calças e das roupas de cama dadas aos pacientes da Colônia Juliano Moreira. Segundo Bispo do Rosário, ‘azul era a única linha que eu tinha antes que eles começassem a chamar a minha organização do mundo de ‘arte’ e as pessoas começassem a me trazer sucatas e outros itens de utilidade.

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Assim, a matéria-prima para a Exposição “Tempo, tempo, tempo, tempo’ – Proposta para o milênio’ é azul e a acumulação de caixotes de madeira, colocados no espaço, empilhados, pendurados, instalados lado a lado ou em sequencia, como compartimentos que demandam tempo de descoberta.

O mundo, com suas infinitas possibilidades e impossibilidades, foi o que os jovens alunos de Artes Visuais do Programa Valores de Minas buscaram catalogar ao longo da criação e construção da Exposição. Movimentadas por elementos pulsantes do cotidiano, manipularam signos e brincaram com a construção e reconstrução de discursos e códigos próprios.

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Quatro Irmãos

Fiquei com uma ótima impressão do trabalho do John Singleton depois que vi ‘Quatro Irmãos’, filme de 2005 que traz Mark Wahlberg, Tyrese Gibson, André 3000 e Garrett Hedlund nos papéis principais. Singleton também foi diretor em Velozes e Furiosos.

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Quatro Irmãos conta a seguinte história: Bobby, Angel, Jack e Jeremiah são na verdade, filhos adotivos de uma velha senhora que se dedicou durante toda vida a direcionar crianças abandonadas a lares adotivos. Os quatro não conseguiram arrumar uma família e assim, foram adotados por ela. Todos eles possuem uma triste história de abandono e violência amenizada pelo carinho da doce Evelyn Mercer (Fionnula Flanagan). Eles voltam a se reencontrar quando descobrem que Evelyn foi morta durante um assalto que ocorreu em uma mercearia. [É interessante como a personalidade de cada um deles é marcante e contraditória, ainda assim, possuem um senso de união e amor fraterno, fortalecido pelo convívio]. Tempos depois, recebem a notícia de que o assassinato de Evelyn foi planejado e desde então, passam a juntar as pistas para conseguirem se vingar do responsável pela morte da mãe.

O filme tem uma narrativa ótima, não perde o ritmo em nenhum minuto e é uma opção interessante para quem gosta de ação (com uma pitada de humor negro). Um fato marcante é que Singleton teve um cuidado sublime ao retratar todos os lados envolvidos no caso, sem perder a mão: desde a polícia, os filhos, suas mulheres e os próprios assassinos – todas as cenas com um enorme convite a catarse. Fionnula Flanagan foi uma escolha perfeita, ela consegue transmitir toda a delicadeza da personagem com veracidade (e em poucas cenas). Mais uma vez o destaque vai para Mark Wahlberg, o irmão esquentadinho e cabeça dura que de tanta teimosia, sobressai aos outros. Sophia Vergara tem uma participação pequena mas marcante. Na trama ela faz o papel de Sofi, a namorada do Angel. A latina, atrapalhada (sexy e mal humorada), coloca o namorado em enrascadas por excesso de ciúme.

Fica então a dica, eis um filme que volta e meia passa no SBT e na FOX e que vale muito a pena ser assistido!

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Os terríveis bonecos de Chad O’Connell

Você conhece Chad O’Connell? Pois  eu não conhecia até minutos atrás, quando resolvi fazer uma rápida pesquisa sobre Bette Midler e acabei me deparando com essas imagens incríveis! De acordo com o site, Chad trabalhou por cerca de dez anos com maquiagens cinematográficas e foi aluno do legendário Dick Smith (responsável pela maquiagem do filme ‘O Exorcista’). Com um realismo fora do normal, Chad explora cada detalhe de seus bonecos de silicone e hoje,  vende máscaras e bonecos não só para o mundo cinematográfico como também atende pedidos ‘particulares’ (o que provavelmente, deve custar uma fortuna!).

Para mais informações, segue o site: http://www.chadoconnellart.com

O que terá acontecido a Baby Jane?
O que terá acontecido a Baby Jane?
Winifred - Abracadabra
Winifred – Abracadabra
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Eva Ernst - Convenção das Bruxas
Eva Ernst – Convenção das Bruxas
Eva Ernst (Anjelica Huston) - Convenção das Bruxas
Eva Ernst (Anjelica Huston) – Convenção das Bruxas
Vincent Price - The abominable Dr. Phibes
Vincent Price – The abominable Dr. Phibes
Sharon Needles
Sharon Needles
Norman Bates
Norman Bates

“Que coisa maluca é a distância, a memória. Como um filtro, um filtro seletivo. Vão ficando apenas as coisas e as pessoas que realmente importam” – Caio F. (Inglaterra, 12/02/1991)

Espero que você tenha paciência de ler, se não tiver, não tem problema. Ontem acordei cedo e com uma preguiça de levantar, liguei a TV e me deparei com a entrevista de um desconhecido que dizia uma das coisas mais sábias que escutei nos últimos tempos. Sério e concentrado, o homem com óculos grossos e fisionomia baixa (aliás, desconheço seu nome) dizia que a música e o texto são coisas que surgem de repente no peito e que não se controla, que são como um avião decolando – que não dá pra voltar atrás. É quando a gente se lembra de uma melodia da infância, é quando a gente inventa e imerge. Ele dizia que a arte é leve e visceral .Ao mesmo tempo, é dor e prazer.

Aquelas palavras ficaram na minha cabeça por algumas horas e caíram como uma luva. Essa carta está surgindo assim, como uma necessidade incontrolável de dizer algo, de te fazer sentir o que eu estou sentindo. Talvez como um relato, um testemunho de que as coisas estão bem.

Não sei se te disse, estou com uma pilha de livros na escrivaninha que me aguardam há algum tempo, sempre surgem outros mais interessantes. Ainda estou lendo Choderlos de Laclos e sublinhei muitas passagens que me pareceram sábias, vou reproduzir uma que eu gostaria que você lesse: ‘O amor, o ódio, só tem o trabalho de escolher, tudo está debaixo do mesmo teto. E pode até, fazendo existência dupla, afagar com uma das mãos e ferir com a  outra.” Na verdade, não sei porque essa em especial me chamou tanta atenção … acho que ‘Ligações Perigosas’ é um dos livros que todo mundo deveria ler pelo menos uma vez na vida. Estou com muitos filmes pra ver também – muitos mesmo – você sabe disso, mas nunca vem assistir um comigo.

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Como disse, estou lendo muito (coisa que fiz a vida inteira, mas que agora está mais intenso – tudo está mais intenso). Folheando um livro do Caio Fernando Abreu me esbarrei com uma frase sublinhada em que ele dizia que a distância e a memória são como filtros, somente as pessoas e as coisas que importam permanecem.  Nunca duvidei disso, mas nos últimos tempos, a vida tem me mostrado esse detalhe da maneira mais sutil. Reencontrei algumas amigas da escola, quer dizer: nunca perdi o contato com elas, mas estamos conversando mais ultimamente e aquele sentimento de empatia não sumiu (e isso é tão bom!). A diferença é que agora já estamos ficando ‘velhas’, estamos terminando a faculdade, sentimos o peso das responsabilidades [emocionais / financeiras]. Aliás, dois membros novos se uniram ao clube: Cecília e Malu.

Não consigo acreditar na inexistência de energias, tenho pensado muito nisso também. Certas pessoas entram na nossa vida [e não pode ser atoa] pra deixar uma marca positiva – Juliana, Tetê, Alexandra, Cecília e Malu entraram na minha para isso, entende? Para deixar uma marca positiva…

Minha carta está ficando muito sentimental? Me desculpe, não resisti.

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Ontem fui visitar Tetê e tivemos a mesma conversa de sempre, aquela incansável que só os melhores amigos têm: perguntamos uma da outra, falamos da faculdade, tiramos algumas fotos [que envio em anexo], comemos brigadeiro pra não perder o costume e peguei um livro emprestado, aquele da Gabriela Leite ‘Mãe, filha, avó e puta’ – existe título mais sugestivo?

Quando cheguei em casa, fiquei pensando em Tetê e me lembrei da oitava série, de quando ela mudou de escola  – Como eu sofri! Éramos confundidas, algumas pessoas chegaram a acreditar que éramos irmãs (mesmo ela tendo os olhos e os cabelos claros). Éramos irmãs mesmo, quer dizer… somos.

Vou terminar a carta, o texto está tomando um rumo que, definitivamente, não sei onde vai dar. Essas são as fotos da casa da Tets, você vai ver que o dia de ontem foi repleto de surpresas boas, uma delas (a última foto) registra um momento interessante.  Reencontrei uma amiga que não via há anos. Trabalhamos juntas e depois, cada uma tomou seu rumo… ironicamente, ela é vizinha de Tetê, agora está casada e tem um filho lindo!

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