Minha terra, minha vida.

Estou um pouco sumida do La Amora, muitas coisas estão acontecendo e com esse clima tão quente eu não consigo colocar as ideias em ordem. Vocês já devem ter reparado que algumas publicações estão incompletas e eu peço desculpa por isso (prometo deixar tudo direitinho).

Domingo passado (dia 22) aconteceu a famosa cerimônia do Emmy, a premiação da TV americana. American Horror Story foi a serie mais indicada ( concorrendo em 17 categorias) mas só levou dois dos prêmios, uma pena. Jessica Lange também não recebeu o prêmio por sua atuação como Sister Jude, o que me deixou bastante frustrada. Aproveitando a folga e dando sequência ao objetivo de comentar sobre os seus filmes, assisti ‘Minha Terra, minha vida’, filme de temática rural, que narra a saga da família Ivy pela luta por sua terra.

Acho importante chamar atenção para um detalhe, Jessica Lange se envolveu profundamente com a história de pequenos agricultores que, durante o período do governo Reagan, passaram pelas mesmas dificuldades narradas, a atriz tirou dinheiro do próprio bolso e ao lado de Richard Pearce, produziu o filme que lhe rendeu mais uma indicação ao Oscar (perdeu para Sally Field – que também estreava um longa com a mesma temática: Um lugar no coração).

A atriz participou de inúmeras palestras, realizou vídeos institucionais e não se importou em fazer publicidade para a causa. Lange dividia a cena com o então marido, Sam Shepard, mas é ela que domina o filme, personificando uma mulher forte e corajosa que prioriza a sobrevivência da família.

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‘Minha Terra, Minha vida‘, conta a história da família de Jewell que possui uma pequena fazenda em Iowa há mais de cem anos. Dessa vez, ela e o marido Gil (Sam Shepard) são responsáveis pela administração do local, onde vivem com seus três filhos (um adolescente, uma garota, um bebê) e com Otis (Wilford Brimmley), pai de Jewell. Com o pouco rendimento que ganham, Gill resolve ir ao banco renovar o empréstimo e lá descobre que as regras de cobrança mudaram: o banco passou a exigir que os agricultores pagassem toda a dívida que tinham (acumuladas há anos) em apenas trinta dias. Para piorar, um tornado havia atingido a região deixando os fazendeiros em completa bancarrota.

As cenas iniciais do filme indicam qual será o foco da trama: o drama familiar. Jewell surge na cozinha de casa (que aliás, é um dos principais cenários – remetendo-nos diretamente ao espaço teatral) onde sua pequena filha Marlene mostra a camisinha que encontrou no quarto do irmão. O almoço em família e as festas na comunidade destacam o clima de equilíbrio e harmonia (mesmo depois do inesperado tornado que atinge o local). Com um cenário maravilhoso e uma bela fotografia, acompanhamos o árduo trabalho que todos os dias é feito pelos Ivy. É interessante um pequeno detalhe cenográfico que muitas vezes passa desapercebido:  a mesa aparece farta de comida (uma metáfora simples ao tempo de bonância).

Gill vai ao banco renovar o contrato de empréstimo e, mesmo percebendo um clima diferente, acredita na boa relação que tem com o gerente que conhece há mais de oito anos. Tudo cai por terra quando descobre que sua dívida será cobrada e executada em apenas trinta dias. Jewell, sabendo da condição financeira da fazenda, também tenta convencer o banco de manter o empréstimo e recebe uma resposta definitiva: ‘Não temos uma relação, temos um negócio’.  Percebe-se que a confiança que os agricultores tinham em relação ao banco era tão grande que, até então, eles nem se preocuparam  com os efeitos do tornado. De certa forma, esse comodismo é criticado por Otis, pai de Jewell que afirma:  ‘Não devíamos ter confiado no governo’, Jewell responde: ‘O governo é parte de nós’ e Otis contra-ataca: ‘O governo sabe que sem os agricultores ele não sobrevive’.

Fiquei sensibilizada com a produção e com o toque extremamente realístico com que abordaram a história: sem rodeios, com um respeito pelo diálogo e pela dimensão psicológica dos personagens. Lange aparece sem maquiagem, de rolinho na cabeça, com botinas e esquentando a comida no fogão. Shepard, com as unhas sujas, executa um trabalho pesado junto aos animais e a imagem de ‘artista de cinema’ praticamente desaparece, o que é no mínimo admirável.

É com o levantamento das contas (e a descoberta que estão completamente falidos) que reforçam o efeito catártico. Assim como os Ivy, seus vizinhos ficaram a ponto de perder tudo e tiveram que leiloar seus bens. Jewell, que provavelmente foi criada ali, vê seu amigo de infância se suicidar e deixar a mulher e o filho completamente desolados.

Jessica Lange

Diante das dificuldades, o relacionamento entre os membros da família Ivy torna-se cada vez mais tempestuoso, Otis culpa Gil pelo insucesso da administração. Gil começa a beber e fica agressivo com as crianças, o filho mais velho do casal se torna melancólico e os bens são leiloados. Jewell, que no início ficava escondida na cozinha e preocupava-se com os afazeres da casa toma a atitude que os outros não tiveram, começa a se unir aos agricultores e rebela-se contra o banco.

A dificuldade financeira chega para destruir a imagem idílica de uma família perfeita. ‘Minha terra, minha vida’ é um filme lindo e forte, que vale a pena ser visto e revisto diversas vezes: não só pela entrega artística dos protagonistas, mas também por trazer a tona um melodrama realístico e bem estruturado.

O Porco Espinho

“O que importa não é o fato de morrer.
Mas o que você está fazendo quando morre.
O que você estava fazendo no momento em que morreu?
Você estava pronta para amar”.

Paloma (Garance Le Guillermic) é uma rica e inteligente menina de onze anos que decide cometer suicídio no dia do próximo aniversário. Encantada por arte e filosofia, a pequena passa dias filmando seu cotidiano com o desejo de realizar um documentário para comprovar que a vida não faz sentido.  Seu pai, um ‘homem brilhante e muito ocupado’ e sua mãe, uma mulher completamente neurótica que quase não dão fé da sua existência alimentam ainda mais o seu pessimismo em relação a vida.  Enquanto a data de executar o seu plano não chega, Paloma conhece duas pessoas que a fazem questionar a visão de mundo:  o novo vizinho: senhor Kakuro Ozu e a séria Renné (Josiane Balasko), a faxineira do grande apartamento em que vive. 

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A Religiosa: sobre o livro

– Tive a felicidade de encontrar esse livro na Fnac por apenas R$1,99.  Ironicamente, pouco tempo depois, descobri a existência de duas adaptações cinematográficas que me deixaram muito curiosa (a primeira é de 1966, dirigida por Jacques Rivette e a segunda é de 2013, dirigida por Guillaume Nicloux e com a Isabelle Huppert – de quem sou fã). Depois de ler, resolvi fazer um pequeno resumo do qual divido com vocês.

 Anna Karina como Irmã Suzanne, adaptação de 1966, dirigida por Jacques Rivette
Anna Karina como Irmã Suzanne, adaptação de 1966, dirigida por Jacques Rivette

– Sobre o livro: De acordo com o Prefácio, escrito por J. Guinsburg, o livro ‘A Religiosa’ nasceu de uma brincadeira que Diderot armou para o seu amigo, o marquês de Croismare. Diderot lhe mandou cartas forjadas fingindo ser uma jovem freira obrigada ao voto monástico contra a sua vontade. Nas cartas ele dizia ser uma jovem que não tinha ninguém no mundo que pudesse ajudá-la. Anteriormente o marquês (‘de bom coração’)  já havia movido um processo em paris por uma história semelhante, por essa razão o fato repercutiu por toda a cidade e Diderot resolveu ironizá-la. Com o passar do tempo o autor se envolveu com a narrativa epistolar, mergulhou no coração da personagem e se propôs (depois de revelar ao amigo a brincadeira) a descrever uma história que trazia  a tona as violências contra a natureza e a liberdade do ser humano bem como uma forte crítica às relações reinantes na vida monacal e as injustiças sócias que atingiam principalmente as mulheres.

Resumo:

A história é narrada em primeira pessoa e já nas páginas iniciais, Saint-Suzanne expõe seu drama: sente repugnância pela vida religiosa e precisa de um protetor que lhe defenda dos que querem a obrigar a voltar ao convento. Em formato de carta, ela relembra com exatidão todo o sofrimento que teve desde a juventude infeliz ao lado das irmãs à vida em completa solidão e clausura.

Quando pequena Saint-Suzanne recebia um tratamento diferenciado dos pais, sabia que era mais bonita e mais espirituosa do que as outras irmãs, mas sua mãe lhe fazia sentir feia e estúpida. Certas vezes, seu pai era violento e dizia que Suzanne não era sua filha. As três irmãs viviam em harmonia até que a mais velha ficou noiva. Suzanne relata que percebeu os olhares interessados do pretendente da irmã e para não criar desentendimentos, pediu aos pais que fosse afastada da casa.

Arrumaram-lhe uma vaga em um convento chamado Saint-Marie e após alguns dias, Suzanne tentou voltar ao lar, mas seus pais pediram que ela esperasse sua outra irmã se casar. O tempo foi passando e ela percebeu que todos por perto a incitavam a aceitar o hábito. Seus pais alegavam que não tinham como lhe dar um dote porque suas irmãs (agora casadas e com filhos) passavam por dificuldades. A madre superiora (a quem Suzanne adorava) dizia que ela tinha um coração bom e um espírito perfeito para ser freira.

A religiosa, livro Apesar das inúmeras súplicas, marcaram a data do seu juramento/ofício. Saint-Suzanne conta que pouco tempo antes da cerimônia, viu uma freira fugir da cela (completamente descabelada e sem roupas), ela buscava uma janela para se atirar e dizia que preferia morrer a ter que ficar presa naquele lugar. “Contaram-me a respeito dessa religiosa não sei quantas mentiras ridículas, que se contradiziam: que ela já tinha o espírito perturbado quando a receberam, que sofrera um grande susto em um momento crítico, que se tornara sujeita a visões, que acreditava estar em relação com os anjos, que fizera leituras perniciosas que lhe haviam tragado o espírito, que ouvira inovadores de uma moral desmedida que a tinham de tal modo aterrado com o julgamento de Deus, que sua cabeça ficara transtornada, que não via nada mais senão demônios, o inferno e abismos de fogo, que todas elas estavam muito infelizes, que era algo inaudito, visto que jamais houvera um problema semelhante naquela casa. Nada disso me impressionou, a todo instante, minha religiosa louca me retornava ao espírito e eu me renovava o juramento de não efetuar nenhum voto’’. 

No dia do seu voto religioso, chamaram vários membros da comunidade, a família de Suzanne estava presente, assim como a madre superiora e os diretores do convento. Durante a cerimônia, Suzanne não consentiu ao juramento causando grande escândalo. “As religiosas me rodearam e me acumularam de censuras. Eu as escutava sem proferir uma palavra. Conduziram-me para minha cela, onde me fecharam a chave”. Saint-Suzanne permaneceu por muito tempo sem ouvir nem falar sobre o que aconteceu até que um dia, a retiraram da cela e disseram que sua mãe precisava lhe falar.

Durante o encontro, a mãe de Suzanne lhe implorou que seguisse a vida religiosa e lhe confessou que ela não era filha do homem que chamava de pai. Sua mãe também lhe disse que tê-la em casa era uma grande humilhação e que estava completamente falida, pois suas outras filhas pegaram todo seu dinheiro. Suzanne relata a dor que sentiu ao ser renegada e apesar de deixar claro a mãe que seu maior desejo é estar em liberdade, aceita a vida religiosa.

Seu cotidiano no convento Saint Marie estava harmonioso, Suzanne era a religiosa preferida da Madre Superiora de Moni (uma senhora boa e compreensiva, de quem se tornou muito próxima). Ironicamente, a mãe de Suzanne e a Irmã de Moni morreram em um pequeno espaço de tempo. Seu pai também falecera. Suzanne recebeu uma carta de sua mãe onde ela dizia que tinha juntado suas economias (o que não era muito) e disponibilizado caso ela precisasse. Como estava enclausurada, Suzanne não conseguiu ter acesso ao dinheiro.

A madre superiora que substituiu a Irma de Moni se chamava Saint-Christine e conforme o relato de Suzanne possuía um caráter duvidoso, estava repleta de supertições e impunha exercícios e penitencias sobre o corpo a outras freiras. Suzanne logo se rebelou, influenciando as companheiras a não obedecerem Saint-Christine. A madre tomou aversão a todas que amavam a Irmã de Moni e todos os dias dava um escândalo. Pra castigar Suzanne por sua rebeldia, proibiu que as outras freiras conversassem com ela e condenou-a a passar semanas inteiras de joelho no ofício, separa do resto, no meio do coro, a viver de pão e água, a permanecer encerrada na cela e a cumprir as funções mais vis da casa.

Outras irmãs, as ‘favoritas’ da madre Christine também passaram a sabotar Suzanne. ‘É impossível, pra mim, entrar em todos os pequenos detalhes dessas malvadezas, impediam-me de dormir, de velar, de rezar. Um dia, roubavam-me algumas partes de meu vestuário, outra vês eram minhas chaves ou meu breviário, minha fechadura ficava entravada, ou me impediam de fazer bem as coisas, ou desarranjavam aquelas que eu fizera bem, atribuíam-me discursos e ações, tornavam-me responsável por tudo, minha vida era uma série continua de delitos reais ou simulados e de castigos.’

Pauline Étienne como Irmã Suzanne, versão de 2013
Pauline Étienne como Irmã Suzanne, versão de 2013

Com a ajuda de uma das Irmãs, Suzanne consegue um advogado. Mas o Sr Manouri, que fez de tudo para ajudá-la não conseguiu sua liberdade. Ao menos, prometeu a Suzanne que iria transferi-la para outro convento. Os dias de Suzanne ficavam cada vez mais pesados e tortuosos no convento, um dia tentaram exorcizá-la, alegando que estava endemoniada. Suzanne ficou doente, pegou um febre terrível e quase morreu. Finalmente o Senhor Manouri conseguiu chamar a atenção das autoridades eclesiásticas, que julgaram procedentes as acusações. A madre Christine sofreu as devidas sanções e Suzanne foi transferida para outro convento: o Saint Eutrope.

No outro contento tudo era diferente, as irmãs usavam roupas mais suntuosas, gostavam de cantar e dançar, comiam bem e pareciam muito felizes. Suzanne foi recebida pela Madre Superiora. que já no primeiro encontro deu indícios de quem era: “Na primeira noite, tive a visita da superiora, veio na hora em que eu me preparava para deitar-me. Foi ela quem tirou o meu véu e me despiu. Ela me dirigiu cem palavras doces e me fez mil carícias que me embaraçaram um pouco”.

Filha, Mãe, Avó e Puta

Li o livro da Gabriela Leite em uma semana, mas li aos pouquinhos, aproveitando cada capítulo, degustando cada passagem e descobrindo com muita curiosidade, admiração e respeito a história dessa mulher incrível. Lembro-me da vontade enorme que eu tinha de lê-lo e da dificuldade que tive em achá-lo. Eu estava no segundo período da faculdade quando descobri seu lançamento e comentávamos muito sobre ele nas aulas. Em frente ao local que eu trabalhava havia uma Leitura e eu sempre passava lá pra ver se eles tinham recebido o livro. No dia em que chegou eu não tinha dinheiro para comprá-lo, fiquei com uma raiva imensa e não voltei mais lá, o tempo passou e eu acabei me esquecendo. Só agora, depois de anos (de quatro anos, pra ser mais exata) é que tive a possibilidade de tê-lo em mãos por empréstimo de uma amiga querida.

Gabriela Leite é uma mulher que decidiu largar a faculdade (de filosofia na USP), as filhas e a família para se tornar prostituta. Ainda na década de 1970, Gabriela trabalhou na Boca do Lixo de São Paulo (na então famosa casa ‘La Licorne’) onde ficou por alguns anos até se mudar para a Zona Boêmia em Belo Horizonte. Pouco tempo depois ela se mudou novamente, dessa vez para o Rio de Janeiro e lá fundou a ONG DADIVA que até hoje defende os direitos das prostituas. Entre esses percursos, Gabriela viveu inúmeras situações inusitadas, conheceu diversas pessoas interessantes e incitou uma reflexão sobre a situação social e política das prostituas no país (e porque não, no mundo?).

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A verdade é que a figura da Gabriela não me chamou atenção por ter escolhido ser prostituta, não me importaria se ela tivesse largado a vida para se tornar qualquer outra coisa (apesar de que eu sei que a prostituição ainda é um estigma social). O que me chamou atenção nela foi o fato de fazer as suas escolhas sem culpa, seguir um caminho com muita persistência e sem olhar para trás. Comentei com as minhas amigas outra dia que achei incrível o fato dela abandonar as duas filhas para seguir a profissão. Eu sei que ela não é a primeira, nem será a última, mas o fato de falar sobre o assunto sem nenhum remorso me desperta a curiosidade.

Eu, particularmente, não conseguiria ser tão desgarrada com as minhas coisas e com as pessoas que amo e a admiro por isso. Ao mesmo tempo, penso nas filhas dela que viveram sem a mãe. O interessante é que já nas páginas finais, a Gabriela fala exatamente isso: ‘Por personalidade, eu nunca cultivei o sentimento de culpa. Não sei por que sou assim. Minhas irmãs receberam a mesma educação, sentem culpa. Meu pai não tinha culpa. Acho que, nesse sentido, eu sou da linhagem dele. E adoro chegar à minha idade com essa minha história de vida, sabendo precisamente o que me dá prazer’.

Foto: Christian Gaul
Foto: Christian Gaul

Um dia eu disse a uma colega de serviço que fui a uma reunião de prostitutas em Belo Horizonte. Lembro-me como se fosse hoje da sua postura, ela rejeitou a ideia e me perguntou por diversas vezes o que eu faria lá. Na verdade, eu fui por causa de um encontro feminista que tivemos e pude conhecer um pouco da história daquelas mulheres. Minha colega me questionou muito sobre isso e eu, para acalorar ainda a situação, lhe contei da história de uma delas que, assim como Gabriela, tinha escolhido largar a vida de funcionária publica e ser puta. Passamos o dia discutindo e ela afirmava: ‘ela pode passar necessidade, mas não precisa virar prostituta, precisa? Ela pode escolher outra vida... ’ Comento isso porque acho muito pertinente o que a Gabriela fala em seu livro (e em diversas outras entrevistas que vi) sobre a vitimização das prostitutas. Eu mesmo ficava em dúvida sobre essa ideia, mas hoje já tenho uma posição mais consciente.  Sem considerar, é claro, qualquer  tipo de abuso, de trabalho escravo ou pedofilia, as prostitutas seguem essa profissão porque querem e merecem que seus direitos sejam respeitados.

Outro aspecto importante é a reflexão que ela realiza sobre o nome da profissão, é interessante como o termo PUTA/PROSTITUTA incomoda as pessoas.  Ela exemplifica a situação com o caso do Congresso latino-americano em Buenos Aires onde a palavra prostituta estava proibida. Enquanto ela se negava a deixar de falar ‘prostituta’ as outras falavam: meninas, trabalhadoras ou profissionais do sexo. Ela explica que gosta de usar o termo porque:  ‘mudar o nome é um pedido de desculpas.’

Estou apaixonada pelo livro e pela narrativa, simples e direta. O fato de ser prostituta não impediu que Gabriela namorasse nem se apaixonasse por outros homens. É bacana acompanhar suas reflexões sobre o passado, sobre suas escolhas, sobre seu relacionamento com os pais e com os amigos e é bom ler uma história que tem como cenário um Brasil que vivia uma forte explosão sexual e cultural. Gosto, principalmente, quando ela fala sobre a sua vivência em Belo Horizonte cidade que apelidou de ‘A Capital do papai-e-mamãe’. Em BH, Gabriela trabalhou num local chamado Lírio e depois mudou-se para o hotel Catete (um  ficava na Rua São Paulo e o outrona conhecida Guaicurus). Gabriela diz que os mineiros são loucos por uma rapidinha: ‘Nada de invenção, só o básico. Nenhuma sofisticação e são de pouca conversa. Por ali, Freud morreria de tédio (…) Os programas são baratos mas a quantidade é absurda’. Aqui ela conseguiu juntar uma quantidade absurda de dinheiro, chegou até a comprar uma ‘terrinha’, mas decidiu largar tudo novamente e se mudar para o Rio de Janeiro.

Além de recontar a sua vida, ela também nos confidencia momentos (no mínimo) curiosos que enfrentou durante a profissão, um deles ( que me lembrou um pouco aquele filme ‘ As Sessões’ com a Helen Hunt), Gabriela conta a história de um deficiente físico que lhe procurou para fazer sexo e do preconceito que ela nutria por ele. Depois de conhecê-lo melhor e descobrir a sua história eles não só transaram como ficaram amigos.

– A vida da Gabriela ganhou os palcos e a peça teatral é encenada por Alexia Dechamps e Pedro Osório. Há notícias de que sua vida também será adaptada ao cinema.

O Casamento do Ano

Um filme que traz um elenco desses me pareceu imperdível. Quando soube que Dianne Keaton, Susan Sarandon e Robert De Niro contracenariam juntos (em um triângulo amoroso) eu quase enlouqueci. Muito se comentou (e vocês provavelmente já devem ter visto em outros sites) é que apesar do elenco (que também traz Robin Williams, Ben Barnes, Topher Grace, Amanda Seyfried e Katherine Heighl) ‘O casamento do ano’ é uma produção mediana com uma trama questionável.

Dirigido e roteirizado por Justin Zackham (também diretor em Antes de Partir), o filme conta a história do casamento de Missy  e Alejandro, que se conhecem desde pequenos. Faltando poucos dias para a cerimônia, Alejandro (que é filho adotivo) toma conhecimento de que sua mãe biologia Madonna (uma mulher boliviana, extremamente católica e que não acredita em divórcio) irá visitá-lo. Para evitar qualquer tipo de conflito, Alejandro pede que seus pais adotivos Ellie  e Don, que estão divorciados, finjam que vivem juntos e felizes. O problema é que Don, há mais de seis anos, possui um relacionamento com Bebe McBride (Susan Sarandon) que não aceita ser colocada em segundo lugar.

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Um dos grandes problemas do filme está no argumento. Uma mulher colombiana doa seu filho e depois de anos volta a vê-lo e por seguir rigidamente sua religião, todos os outros personagens precisam alimentar um disfarce que faz pouco (ou nenhum) sentido. Outro detalhe que me incomodou foi um descuido em relação aos plots, repleto de clichês. Nuria, a irmã colombiana de Alejandro é no mínimo um dos personagens mais caricatos que existem na trama. No início ela se mostra interessada em tirar a virgindade de Jared, seduzindo-o de todas as maneiras e depois aprende com Ellie que é preciso se fazer de difícil para conquistar um homem. A americana ensina a colombiana a se comportar.

As personagens de Amanda Seyfried e Katherine Heigh não fogem do óbvio, trazem a tona as mesmas problematizações que estamos acostumados em filmes água com açúcar. Robin Williams, aliás, está tão mal aproveitado no filme que seria a mesma coisa se ele não estivesse lá. Williams tem pequenas cenas e de pouco destaque, o que é um pena.

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Apesar do título, o foco do filme se concentra nas histórias secundárias e não no casamento. É justo compará-lo a comédias como ‘Simplesmente complicado’ ou ‘Alguém tem que ceder’. Alysson Oliveira, colunista do Cineweb, usou um termo corretíssimo: ‘o que os amigos e os familiares fazem nesses filmes é lavar a roupa suja‘.  Apesar de tudo, o filme traz momentos divertidos e é um longa agradável, além do mais, não é sempre que temos um elenco tão bom reunido e por isso mesmo eis um filme que vale a pena ser visto.

Amour

Assisti Amour em fevereiro, pouco antes da premiação do Oscar. Fiquei com uma vontade imensa de escrever sobre ele aqui no La Amora, mas não consegui. O texto foi abandonado pela metade e só hoje, depois de meses, tive coragem de finalizá-lo. A verdade é que Haneke bateu em uma tecla que me sensibiliza e que, confesso, me dá muito medo: a velhice. Aliás, não é um medo qualquer. Tenho medo de envelhecer e de ver os meus entes queridos envelhecer, tenho medo da doença da dor e da morte.

 Coincidentemente, no dia em que assisti Amour, uma amiga me perguntou se existia a possibilidade de Michael Haneke se tornar um novo Lars Von Trier. “Acho difícil ver Haneke criando um movimento e distribuindo certificados por aí”, brinquei. Mas sem dúvidas, assim como Lars, Haneke é um cineasta pugilista que ganhou mais visibilidade através de Hollywood. Tanto é pugilista que logo na primeira sequencia de Amour tomamos um soco no estômago e de quebra recebemos um aviso de que o resto do filme não será fácil.

 Ver o cadáver fétido de uma senhora, todo em negro, cercada por flores secas é angustiante ( fico imaginando essa cena filmada em plongée.) Haneke sabe o que faz e aliás, o faz muito bem. A começar pelo título. Esta aí a prova de que as vezes “menos é mais” Em uma das discussões no Filmow, uma garota disse que esse é o pior título de um filme que ela já viu. Os outros participantes (inclusive eu) caíram matando, defendendo a ideia de que o título condiz com a proposta do filme que justamente, mostra o amor, a dedicação e a paciência do marido.

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 A trama conta a história de um casal de idosos, Anne (Emmanuelle Riva) e George (Jean-Louis Trintignant) que vivem sozinhos e que se deparam com um acontecimento que muda o cotidiano dos dois. Anne sofre um derrame e George precisa cuidar dela. Sem o auxílio da filha, interpretada por Isabelle Huppert, George vê sua mulher adoecer aos poucos, perder a habilidade de andar e de falar. De fato, o que choca no filme é a fidelidade extrema que Haneke usou ao abordar um tema bastante delicado. Achei genial o fato da filha não participar da vida do casal e aparecer de relance, afirmando que não pode abandonar o marido e os filhos que moram em outro país. O foco é a relação entre marido e mulher e Haneke deixou isso muito claro (sugerindo ainda, uma discussão sobre o abandono e a ingratidão de alguns filhos para os pais.).

 O desgaste físico e o emocional ficam evidentes em cada cena. Ele precisa alimentá-la, trocá-la, levá-la ao banheiro, escovar seus dentes e arrumar seu cabelo. O esforço é acrescido pelo fato de que ele também já esta velho e sofre com os reflexos da idade. Em um dos momentos da trama, Anne afirma que não sabe se faria o mesmo por George. O companheirismo e a lealdade é tão grande que ele reconhece que cuida dela sem esperar ou exigir nada em troca.

Fiquei  muito decepcionada quando vi que Emmanuelle Riva não levou o Oscar de melhor atriz, uma pena mesmo e no mínimo, uma injustiça. Já tinha assistido Riva em ‘Hiroshima mon amour‘ e tive uma boa surpresa em revê-la nesse longa. Sem dúvidas, Jean-Louis Trintignant tem seu destaque, mas é Riva que sobressai em tela e acentua essa sensação de que a juventude é efêmera.

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* Nos últimos dias, surgiu na internet o caso do Fred Stobaugh e rapidamente fiz uma ligação ao filme Amour. Stobaugh é um senhor americano de 96 anos que resolveu participar do concurso musical promovido pelo Green Shoes (normalmente, eles pedem que os candidatos enviem seus materiais pelo Youtube). Stobaugh, que não tem nenhuma experiência musical, resolveu contar sua história e apresentar sua música através de uma carta, ele escreveu “Oh Sweet Lorraine” em homenagem a Lorraine Stobaugh, que foi casada com Fred durante 73 anos e que faleceu aos 91( um mês antes da faixa ser composta).

A história conquistou o estúdio, que decidiu ajudar o compositor a realizar uma gravação profissional. A boa surpresa é que a música emocionou o público e ficou entre os mais vendidos no iTunes EUA. ‘Oh Sweet Lorraine’ também se tornou destaque no ranking Digital rock songs da revista Billboard, que descreveu a entrada da música na parada como “surpreendente”.

As origens do fotojornalismo no Brasil

Ontem eu fui à faculdade e descobri que a professora tinha cancelado a aula. Pra não perder a viagem fui para o centro de Belo Horizonte e como de costume, passei no Centro de Arte Contemporânea e Fotografia (que fica ali pertinho da Praça Sete).

Me deparei com uma das exposições mais interessantes que eu já vi nos últimos tempos e que me prendeu por horas: ‘As origens do fotojornalismo no Brasil – um olhar sobre O Cruzeiro, 194/1960′ traz uma retrospectiva de importantes imagens jornalísticas, sugere uma  reflexão sobre o papel ético do fotógrafo e nos ajuda a perceber inúmeras mudanças ocasionadas pela era digital.

É claro que a exposição condiz com meus interesses acadêmicos já que sou estudante de jornalismo, mas o que eu vi foi uma reconstrução de uma parcela importante do país (tanto cultural, quanto política) que com certeza agradará públicos diversos.

O Cruzeiro, Revista

Antes de qualquer coisa, queria fazer duas observações: A primeira é que o ‘La Amora’ completa um ano hoje! E a outra é que quero pedir que não reparem na qualidade das fotos porque elas foram tiradas pelo celular.

Um dos focos da exposição é ‘O Cruzeiro’, uma revista semanal que foi criada no Rio de Janeiro e que teve sua primeira publicação em 10 de novembro de 1928. Logo quando cheguei, me sentei e fui ver um pequeno documentário sobre a revista, onde Flavio Damn e Luiz Carlos Barreto (fotojornalistas) contavam algumas curiosidades. No início as imagens era basicamente colocas por tesoura e cola, como não existia o acesso a informação como hoje, os jornalistas pegavam imagens de outras revistas (como da Life, por exemplo) e colocavam em suas matérias sem se preocupar com referências autorais. Aos poucos os diretores (entre eles, Assis Chateaubriand) perceberam a importância do repórter fotógrafo e foi só assim que as fotografias deixaram de ser apenas uma imagem solta e passaram a ter uma função narrativa.

Barreto também contou que normalmente as capas traziam atrizes e estrelas de Hollywood, as conhecidas ‘Cover Girls’, até que em 1962 ele se encontrou com Glauber Rocha e pediu para fotografar a sua mulher (Helena Ignez) e sua amiga, uma modelo negra. A foto foi aceita pelo editor e pela primeira vez uma mulher negra foi capa de revista no Brasil.

Cover Girl

Cover Girl

Damn comenta que não havia limites de ordem financeira e por isso, os fotojornalistas tinham muita liberdade. Uma de suas principais inspirações foi a revista Life, que trazia fotografias de guerra (de fotógrafos conhecidos como Cornell Capa e Brian Smith), portanto eles queriam fazer mais, a aventura e o jornalismo estavam diretamente ligados, foi assim que começaram a fotografar personagens que estavam a margem da sociedade, os negros, os índios, o pobre e os doentes.

O crescimento da revista se deu entre 1940 e 1950 através de um reflexo da formação de uma cultura de massa e da ascensão da publicidade. Em um dos vídeos expostos, comenta-se o medo que os editores tinham da TV, eles temiam (como de fato aconteceu) perder espaço. ‘O Cruzeiro’, no entanto, assumiu duas missões importantes: a primeira foi a de explicar ao público como a TV funcionava e a segunda a de promover especificamente o novo empreendimento do Diário dos Associados, que foi a primeira estação de TV da América do Sul.

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Uma das partes que eu mais gostei, sem dúvidas, foi quando exploraram a cobertura da revista sobre a vida da cantora Carmen Miranda, já no auge da carreira. Algumas das matérias ficaram disponíveis e deu para ver o tom e o espaço que deram a polêmica de que ela estava americanizada. Duas delas, uma de 09/10/1948 e a outra de 13/11/1948, registram a gravidez e o aborto que Carmen sofreu. Outra parte que me chamou a atenção foi o registro que a revista deu a morte do então presidente, Getúlio Vargas. A narrativa é quase literária, onde eles descrevem com riqueza, a tristeza da família, a descoberta do corpo e o velório. Vargas, aliás, tinha uma relação de amor e ódio com ‘O Cruzeiro’, foi ele que investiu para a criação de uma revista de circulação nacional e quando se desentendia com Assis Chateaubriand precisava engolir as matérias que não lhe era favorável.

Bom, eu me excedi né?… escrevi muito, mas pode ter certeza que há mais a descobrir na exposição. Além das revistas digitalizadas, podemos ver o trabalho experimental dos fotógrafos, os ‘fait divers’, os casos policiais (como ‘O crime de Sacopã) que eram publicados em formato de novela, as sessões de moda, as coberturas de guerra e muito mais. A exposição vai até o dia 17 de novembro.

CarMEN mIRANDA

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As Origens do Fotojornalismo – Um Olhar Sobre O Cruzeiro, 1940-1960.
11 de Setembro a 17 de Novembro
Terça a Sábado, 9h30h às 21h / domingo, 16h às 21h
Centro de Arte Contemporânea e Fotogradia
Av. Afonso Pena, 737 –  Centro (Praça Sete), Belo Horizonte.
Entrada Gratuita, telefone: 32367400

Gordos

Aproveitando a deixa do ‘Dia do Gordo’ (comemorado hoje, dia 10 de setembro), queria comentar sobre um filme sensacional que assisti outro dia e que tem um formato muito bacana. Gordos é um filme argentino, dirigido por Daniel Sánchez Arévalo e produzido em 2009. Alias um filme difícil de explicar por sinopse porque traz uma trama muito dinâmica e repleta de reviravoltas. Logo no início somos apresentados a Enrique Fresan (Antonio de La Torre) um homem que se diz especialista em nutrição e que tenta nos vender as pílulas ‘Kiloaway’. Segundo Enrique o emagrecimento através das pílulas é feito com método simples e que pode ser realizado em quatro passos. A cada passo que ele nos apresenta, acompanhamos a vida (e o drama) dos  personagens.

Descobrimos que Enrique, na verdade, não possui controle nenhum sobre o peso e o acompanhamos em reuniões ministradas por Abel (Roberto Enríquez), que tenta ajudar Enrique e a mais três pessoas (Leonor, Sofía e Andrés) a emagrecer. Ao longo da trama, acompanhamos as interelações dos personagens, exploramos suas carências, seus dramas, medos e desejos.

Sofía é uma jovem que está prestes a se casar, mas que enfrenta um sério problema: seu noivo é muito religioso, nega-se a transar com ela e quer impedi-la de emagrecer. Leonor vivia uma vida saudável e atlética até que seu namorado viajou para outro país. Ela engordou e tempos depois, descobriu que ele estaria de volta (ela tenta emagrecer antes do namorado encontrá-la). Andrés tem uma família problema (dois filhos que brigam constantemente) e tem medo de morrer como seu pai e seu tio que também eram obesos e faleceram precocemente.  Enrique é o famoso vendedor de pílulas para emagrecer mas que não consegue ficar magro, confronta sua sexualidade diversas vezes e não resolve se é hétero ou homo. Abel é casado com Paula, uma professora de educação física que descobre que está grávida.

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Como disse, a trama é dinâmica e muitas questões são colocadas à mesa. Abel tenta fazer com que seus pacientes encontrem o motivo de estarem gordos. Ele pede que cada um reflita sobre os acontecimentos, sobre os traumas, sobre as escolhas e que depois, façam uma ligação com o fato de estarem obesos. Não há muito o que falar, até para não tirar a surpresa de quem ainda não viu o filme, mas fica bastante claro que a maioria deles descontam suas frustrações na comida.  Além de abordar a questão física, Abel chama atenção para o fato de que nenhum deles estava emocionalmente bem.  Há uma passagem do filme que sintetiza  essa percepção:

“Contradições não são necessariamente uma coisa ruim. Sempre podem ser explicadas por algo que não estamos ainda prontos para enfrentar. É por isso que é melhor não fugir, mas enfrentá-las e ver no que dá. Porque dentro dessas próprias contradições está a solução que estamos procurando. Todos temos contradições. Servem como um primeiro passo para percebermos o que queremos ou não queremos. O que você limita, mas adora? O que adora mas reprime? O que reprime mas te liberta? O que te liberta mas você condena? O que condena mas ama? O que ama mas rejeita?”

Gordos

Daniel Sánchez Arévalo realizou uma trabalho de mestre: uma bela fotografia, transições e interposições de cena belíssimas – além de um trilha sonora que encaixa perfeitamente com a proposta. Um fato interessante é que o filme demorou cerca de 11 meses para ser realizado já que os atores sofreram diversas transformações físicas, hora magros, hora gordos. Enrique de la Torre, por exemplo, teve que emagrecer 5 quilos e depois, engordar 30.