As bem armadas

Apesar de ser protagonizado por duas atrizes cativantes, “As bem armadas” é o típico filme policial/comédia onde os personagens principais não se entendem de início, mas precisam se aturar para resolver uma grande caso. Na trama, Sandra Bullock interpreta Ashburn, uma experiente agente do FBI que para conseguir uma promoção precisa aturar as maluquices de Mullins (Melissa McCarthy), uma policial regional. Enquanto Ashburn é uma mulher extremamente comportada, Mullins é boca suja e não se importa em tratar os bandidos de maneira rígida (e até questionável). As duas se unem para descobrir a identidade do principal distribuidor de drogas em Boston, mas para fazê-lo precisam entrar em acordo.

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O filme não apresenta elementos surpresa, estamos acostumados com a fórmula do gênero e inclusive, já vimos Sandra Bullock em um personagem parecidíssimo (lembram-se de Gracie Hart do Miss Simpatia?). Paul Feig (também diretor em Missão Madrinha de Casamento) pareceu não se importar em usar um argumento pouco criativo e de alguma forma, se debruçou sobre o nome das atrizes para sustentar a trama. De fato, a produção é descompromissada e pode ser uma opção de entretenimento, o destaque vai para Melissa McCarthy que se sobressai ao roteiro e encabeça as cenas mais engraçadas.

Fama para todos

“Fama para todos” é um filme belga, produzido em 2000 e  dirigido por Dominique Deruddere. Ainda hoje apresenta um retrato irônico e bem humorado de uma sociedade midiatizada, cujos padrões estéticos são cada vez mais reforçados e seguidos por um público alienado (pareceu clichê né? Eu sei). Arrisco-me a dizer que se esse argumento fosse construído nos dias de hoje, iríamos ver protagonistas investindo em suas redes sociais, upando vídeos no Youtube e implorando por likes, afinal o que se almeja desde o início do filme (mais do que o próprio dinheiro) é a fama. A fórmula parece antiga e a situação também já não é uma novidade, ainda assim, “Fama para todos” é o típico filme que convida a catarse e por ser simples e bem humorado, nos prende do início ao fim.

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Não sei porque demorei tanto a escrever sobre ele, o conheci através do Sonata Premiere (um dos melhores blogs para download que existem) e desde que assisti, a música “Lucky Manuelo” não sai da minha cabeça. A trama conta a história de Marva, uma garota gordinha e impopular que sonha em se tornar famosa. Desde pequena, seu pai (Jean) alimenta seu sonho e insiste em cadastrá-la em concursos de talento (que nunca dão em nada e que só reforçam a sua frustração). Jean passa grande parte do dia trabalhando em uma fábrica de garrafas, mas inesperadamente recebe a notícia de sua demissão. No auge de seu desespero, Jean sequestra a cantora mais importante do país e em troca da sua liberdade exige que seu produtor faça de Marva uma pessoa famosa.

O interessante é que a busca pela fama dos personagens (Marva/Jean) é tão doentia que quase acaba com a harmonia da família. Marva culpa Jean pelo insucesso e Jean tenta, de todas as formas, viabilizar o sonho da filha. A figura materna é o ponto de equilíbrio, ela tenta colocar limites em Jean e Marva, mas ao mesmo tempo, compartilha o desejo de sair do anonimato. Enquanto isso, em outra perspectiva, acompanhamos o pesadelo da cantora mais famosa do país que quer se afastar das câmeras e viver do que lhe dá mais prazer: a mecânica.

Deruddere critica não só a busca insana pela fama, mas também a saturação midiática. A diretora deixa bem claro que Marva não possui talento nem carisma. Para chegar a fama ela precisa dormir com o produtor e chamar a atenção (ou se esconder) através de uma fantasia. Há ainda uma crítcia ao sensacionalismo (percebam, aquela cena em que Marva e o pai conversam Ao Vivo não é mais do que uma espetacularização da vida privada).

[Spoiler] Por fim, temos uma boa surpresa. Quando Marva começa a cantar “Lucky Manuelo” percebemos que o plot twist do filme é que ela se sai muito bem, emociona a plateia e apresenta uma melodia linda. Manuelo (o personagem da música) é um homem “que teve origem humilde, que nunca teve uma chance justa e parecia condenado antecipadamente para  existir sem brilho” Afinal, quem era Manuelo senão Marva, Jean e o próprio público?

“Ele lutou por sua felicidade
Ele lutou por igual
A vida não dá um monte de presentes
A vida não importa com o que você deseja
Você tem que acreditar em si mesmo
Você tem dentro desse poder
O que você pode fazer o sol brilhar
Após a noite mais escura”

Ficha Técnica:
Título original: Iedereen beroemd!
Direção e roteiro: Dominique Deruddere
Elenco: Josse De Pauw, Eva van der Gucht, Werner De Smedt, Thekla Reuten, Gert Portael, Victor Löw, Ianka Fleerackers, Alice Reys
Duração: 97 minutos
Ano: 2000
Países de origem: Bélgica, França, Holanda

Bitchcraft – 3×01

American Horror Story Coven estreou ontem em grande estilo. A verdade é que o primeiro episódio foi, sem dúvidas, um dos mais dinâmicos se comparado com as últimas temporadas. Como sou viciada, já assisti e fiz download do episódio poucos minutos depois, tomo a liberdade de fazer um pequeno resumo do capítulo (e, se você não gosta de Spoiler, por favor nem comece a ler!). [E você vai reparar que o texto é mesmo um resumo e não uma resenha. São 3 horas da manhã agora e eu não tive tempo de digerir tudo, a impressão que tenho é que dessa vez, AHS vai centrar muito nas relações entre ”mãe e filha”, na figura feminina e vai usar e abusar do sarcasmo, do deboche…]

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O primeiro episódio, intitulado Bitchcraft, se inicia em 1834 – a terrível Madame LaLurie (Kathy Bates) apresenta suas filhas em um encontro social e logo depois, se banha sangue. Lalurie descobre que uma de suas filhas se envolveu com um escravo e para castigá-lo, afirma que ele a estuprou. Não bastasse, ela o leva a um calabouço onde lhe prende, retira seus órgãos e lhe obriga a usar uma máscara de Minotauro. Enquanto acompanhamos o pesadelo do escravo, vemos outros em situações parecidas (ou piores!).

A história muda de tempo e ambiente. Acompanhamos Zoe (Taissa Farmiga) e seu namorado que vão fazer sexo pela primeira vez. Zoe, acidentalmente, mata seu namorado com sua vagina e recebe a notícia, através de sua mãe, que é uma bruxa e que será encaminhada a escola “Miss Robichaux”. Ao chegar, Zoe tem um desagradável encontro com as colegas de turma, as três (Queenie, Madson e Nan) fingem que vão matá-la. Depois da brincadeira, a professora da escola se apresenta: Cordelia Foxx (Sarah Paulson). Ela afirma que quer ensinar as meninas como controlar seus poderes e antes de qualquer coisa, a sobreviver. Cordelia conta para as meninas o caso de Misty Day, uma bruxa que não conseguiu se defender e acabou queimada.

Lily Rabe- American horror Story

Lily RAbe- American Horror Story

Pouco tempo depois, conhecemos Fiona (Jessica Lange). Fiona – que é a suprema, ou seja, a mais poderosa das bruxas e a que possui todos os poderes – encontra-se com um médico para pedir que ele lhe dê um remédio para deixá-la mais jovem. Tempos depois a acompanhamos em seu apartamento, onde ela se droga. Fiona é visitada pelo médico e enlouquecida de raiva (porque os remédios que ele lhe deu não fizeram efeito), o beija e suga a sua juventude. [Aliás, o nome do episódio Bitchcraft é justamente um prelúdio do que acontece com ela, que percebe que não é mais jovem e que provavelmente, será sucedida].

Na escola, as meninas – enquanto jantam – comentam sobre os seus poderes. Madson (Emma Roberts) conta que é uma atriz de cinema e que chegou a matar um homem. Queenie (Gabourey Sidibe) é como se fosse uma boneca Voodoo de verdade e Nan, consegue ler pensamentos. Na escola, há um estranho e enigmático mordomo, que é mudo.

Jessica Lange

Jessica Lange - Fiona

Jessica Lange, Fiona

Fiona vai até a escola e enfrenta a filha, Cordélia. Ela quer ensinar as alunas a lutar e prepará-las para um combate. Ao contrário da mãe, Cordélia (obedecendo ao Conselho das Bruxas) acredita que as meninas precisam aprender a controlar seus poderes e viver pacificamente. Cordélia pede que a mãe se afaste e afirma que ela é indesejada naquele lugar, em contrapartida, Fiona traz suas malas e diz que não sairá dali.

Zoe e Madson vão a uma festa. Zoe conhece Kyle Spencer (Evan Peters) e os dois se apaixonam ‘a primeira vista’. Enquanto isso, Madson é drogada por um dos atletas (amigos de Kyle) e é estuprada por um grupo de rapazes. Zoe percebe o sumiço de Madson e vai a procura dela, quando chega ao quarto a encontra praticamente desacordada. Kyle, que também testemunha a situação, briga com os amigos e acaba sendo espancado. Os rapazes tentam fugir no ônibus mas Madson vai atrás deles e provoca um acidente – matando todos, inclusive Kyle.

Sarah pAULSON AMERICAN HORROR STORY COVEN

Evan Peters - Coven

No outro dia, a notícia da morte dos atletas invade o noticiário – Zoe e Madson temem ser descobertas. As alunas se encontram pela primeira vez com Fiona que pede que elas se vistam de preto e as leva para passear pela cidade. Nan é atraída por um museu, quando entram, as bruxas descobrem que estão na casa de Madame LaLurie. Nan e Fiona, através da ‘força do pensamento’ deixam subentendido que Lalurie ainda encontra-se na casa.

Lalurie foi enterrada viva por Marie Laveau (Angela Bassett), uma das mais poderosas rainhas do Voodoo. Descobrimos que Laveau enterrou Madame Lalurie viva, porque ela torturou seu amante (aquele, com cabeça de minotauro). Zoe, vai até o hospital e mata (com sua vagina), um dos homens que estuprou Madson.

Dias depois, Fiona volta a casa de Lalurie e a desenterra.

Jessica Lange - American Horror Story Coven

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Angela Bassett

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Kathy Bates

Links para download do episódio (American Horror Story Coven, 3ª temporada)

* Legendado e em RMVB

Opção 1)
http://usefile.com/sux7xc5tm7b2/AHS-3×01-Legendado.rmvb.html
Opção 2)
http://fileom.com/4hk00kvvouk8/AHS-3×01-Legendado.rmvb.html

Via Torrent: http://bit.ly/1fkGxTU

Bitshare: http://bit.ly/17ppmYf

Rapidgator: http://bit.ly/1fkLsnI

Ryushare: http://bit.ly/1ea65A1

A máscara do anonimato

Me deparei com o DVD na loja e não resisti em comprar. Acabo de vê-lo e, depois de ler várias resenhas, fico mais tranquila em saber que eu não fui a única a me sentir perdida. “A máscara do anonimato” é um filme de 2003, dirigido por Larry Charles e roteirizado por ninguém mais, ninguém menos que Bob Dylan. A premissa é bem interessante, mas o desenvolvimento traz uma sequência complexa e pouco linear. Apesar de um elenco de peso, o filme recebeu várias críticas negativas, o New York Times chegou a considerá-lo “uma bagunça incoerente e profana”. 

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A trama não determina a época nem o lugar da história, o que se sabe é que se passa em um país pobre e subdesenvolvido que vive a mercê das vontades de um governo abusivo e ditatorial. Nina Verônica (uma produtora de TV) e seu parceiro Uncle Sweetheart estão completamente endividados e para fugirem dos agiotas, decidem organizar um show de caridade e roubar parte do dinheiro. Com uma pequena verba inicial, decidem soltar Jack Fate (Dylan), uma lenda da música que caiu no esquecimento depois de ficar preso. A volta de Fate traz a tona várias polêmicas e a maior delas, envolve o presidente.

Gosto de filmes experimentais e “A Máscara do anonimato” não está longe disso, há um uso quase abusivo da câmera subjetiva e diálogos extremamente metafóricos: a maioria trazendo um questionamento sobre governos opressores e censuras veladas. Percebe-se, já na abertura, uma crítica social que é desenvolvida ao longo da trama e vivida pelos personagens em particularidade. Apesar de comportamentos agressivos, todos possuem uma insatisfação quanto a situação que vivem e pela vida que levam. Outro aspecto técnico que me agradou foi a ambientação, marcada por uma cenografia quase teatral (não fosse as poucas tomadas externas).

Pelo que eu entendi, os personagens de John Goodman e Jessica Lange (alias, uma femme fatale) representam a grande mídia que cede ao sistema opressor e não só concorda, como também sustenta a barbárie. Aliás, renderam suas ideologias e trouxeram uma brutalidade para o próprio cotidiano, exigindo que os outros obedeçam suas vontades. Ao mesmo tempo, se questionam sobre o modo de vida que levam e são infelizes (como aquela cena do trailer, em que Jessica Lange aparece desolada e só, como se sentisse incapaz de mudar). Em contrapartida, Jeff Bridges encarna o bom jornalismo, o contestador e que além de mais fraco, acaba vencido no final.

Jessica Lange - Masked and

Penélope Cruz possui uma pequena participação, repleta de sentidos (posso estar enganada), mas acho que seu personagem simboliza a religião: que aliena, que cega. Cruz traz a tela um personagem estranho e infantilizado e totalmente dependente da ação alheia. No mais, “A Máscara do Anonimato” ou “Mascarados e Anônimos” possui uma deliciosa trilha sonora e é o típico filme que deixa inúmeras dúvidas na cabeça.

A força da amizade

A Força da Amizade

Li várias críticas negativas sobre esse filme e muitas delas são válidas. Apesar de trazer velhos clichês dos road movies, A força da amizade oferece uma trama agradável, com boas atuações e uma bela fotografia. De fato, aquela história de personagens que recebem lições de vida através de uma viajem não é uma novidade no cinema e a direção de Christopher N. Rowley (aliás, sua estreia) é um pouco imprecisa. É difícil não fazer uma comparação ao clássico ‘Thelma e Louise’ de Ridley Scott. As paisagens, os personagens femininos e até o figurino nos leva a lembrar dele (A Força da amizade chegou a ser apelidado de ‘Thelma e Louise na menopausa‘). Apesar de todas as contradições, Jessica Lange, Kathy Bates e Joan Allen apresentam uma boa química e são o que há de mais convidativo no filme.

Na trama, Jessica Lange interpreta Arvila Holden, uma mulher que acaba de ficar viúva e que para atender o pedido do marido, resolve espalhar suas cinzas. A decisão de Arvila desagrada Francine (Christine Baranski) que deseja que seu pai seja enterrado ao lado de sua mãe. Francine determina que se Arvila não concordar com o enterro e não lhe entregar as cinzas, venderá a casa (que seu pai lhe deixou através do testamento). Acompanhada das melhores amigas, Margie (Kathy Bates) e Carol (Joan Allen), Arvila resolve realizar uma viagem em seu Bonneville conversível para decidir o que fazer.

Bonneville

Apesar da situação ser um pouco mórbida (principalmente pelo fato de Árvila levar as cinzas do marido para todos os lugares e, inclusive, adormecer com elas) há um clima de euforia e aventura ao longo da viagem que deixa a trama mais agradável. Joan Allen e Kathy Bates interpretam personagens em contraponto, enquanto Carol (Allen) é uma mulher casada, extremamente religiosa e preocupada com a família, Magie é solteira e só deseja se divertir. Christine Baranski, com pouco destaque, é um elemento crucial da história e nos levanta questionamentos sobre Árvila. Independente de Francine ser arrogante, ela tinha o direito de se despedir do pai e não o fez pois Árvila a impediu – ao meu ver, esse é o momento mais dramático do longa.

Jessica Lange se sai muito bem, mas dessa vez um aspecto me chamou a atenção. O efeito do excesso de cirurgias plásticas em seu rosto é assustador. Em uma entrevista que vi, ela afirma que escolheu aparecer no filme com pouca maquiagem para trazer mais naturalidade e dor ao personagem. De fato, Árvila é o destaque da trama e acompanhamos de perto seu sofrimento, mas é justamente a ausência de maquiagem que nos possibilita reparar sua expressão muito marcada pela plástica.

O namoro de Magie com o caminhoneiro não foi bem desenvolvido, mas foi prazeroso vê-la se apaixonar e se entregar ao relacionamento. Gosto quando a Carol, em sinal de companheirismo e proteção, chama o caminhoneiro para conversar e pede que ele não brinque com os sentimentos de sua melhor amiga. Quando o jovem Bo apareceu para ajudá-las a concertar o pneu, eu achei que ele e Árvila teriam algum lance, apesar do clima (e da pouca química entre os dois), o fato de Arvila se inspirar na história dele para seguir seu caminho provavelmente uma das lições mais bacanas, a de persistir. É uma pena que esse filme seja tão difícil de encontrar, tanto para download quando em DVD.

Mais estranho que a ficção

Mais estranho que a ficção possui um dos argumentos mais brilhantes que eu já vi em um filme e ainda que o desempenho não seja tão grandioso, resta reconhecer que a premissa é no mínimo curiosa.

A trama conta a história de Harold Crick (Will Ferrell), um personagem fictício de um livro que de repente, começa a ouvir a voz da autora de sua história. Ela não só narra seus sentimentos como também antecipa suas ações. Para entender o que se passa, Harold procura ajuda de um professor de literatura que tenta prever (através de estudos literários) qual será o seu futuro. Um dia, a caminho do trabalho, a narradora diz que sua morte está iminente e ele entra em desespero sem saber como lutar contra o seu destino. Imerso em questionamentos sobre a própria vida, Harold decide se entregar (como nunca o fez antes) a uma nova paixão, Ana Pascal (a jovem cozinheira que conheceu a pouco tempo).

Através de outra perspectiva, acompanhamos a história de Karen Eiffel (Emma Thompson) uma escritora solitária que está enfrentando um bloqueio criativo e que não sabe como matar o personagem principal de seu ultimo livro: Harold Crick.

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Eis um típico filme que trabalha a metalinguagem com leveza e sensibilidade. Muitos questionaram a atuação de Will Ferrell no papel principal, eu particularmente acho que ele se saiu muito bem. A verdade é que independente do ator, Harold é um personagem riquíssimo e de fácil identificação (tanto no cinema, quanto – provavelmente – no universo literário).

O cotidiano maçante o tornou um homem refém das próprias ações, totalmente desmotivado e com poucas perspectivas: Harold faz as mesmas coisas, todos os dias, sem se perguntar ‘porque eu não largo tudo isso e vou fazer o que eu gosto?” Em contrapartida, ele se apaixona pela única mulher que o levou a questionar seus hábitos. Ana Pascal, diferente de Harold, largou a faculdade em Havard para atender aos seus desejos, ela usa roupas despojadas, se diverte com os amigos e tem uma personalidade forte.

Gosto muito da Emma Thompson e ela está divina nesse filme: com uma aparência frágil, ela nos convence que é uma escritora completamente atormentada pela idéia de matar um de seus melhores personagens. Há algo mais profundo que liga Karen e Harold, não é só o livro ou a narração, é o fato de que os dois se sentem perdidos, os dois estão sem rumo. Adoro a maneira que ela encontra para descobrir como matar Harold: Karen se coloca no lugar dele, ela se desloca da sua casa confortável e vai para as ruas (para os hospitais, para as pontes) com o intuito de ver, de sentir o que Harold sentiria. Outro fato importante é a perspectiva narrativa, a voz de Karen não só nos dá uma noção sobre os personagens como provoca a catarse.

É impossível, em determinado momento, não se perguntar se Harold existe ou não. Se você não se importa com Spoilers continue lendo, mas o fato é que Harold existe e inclusive, chega a se encontrar com Karen para implorar que ela o deixe vivo. De maneira inusitada, Karen (que é famosa por ‘matar seus personagens’) entra em uma crise consciência se culpando por todos os personagens que morreram em seus livros.

Essa nítida discussão sobre o que é real ou não me remeteu a Kauffman, que possui estratégias fantásticas em seus filmes que questionam diretamente o espectador (o que Forster conseguiu fazer de maneira leve e bem humorada – e esse é um dos seus principais êxitos).

Mais estranho que a ficção é um filme que nos questiona sobre a vida, sobre o que queremos e o que estamos fazendo dela. Não somos personagens de um livro, nós não estamos sujeitos a vontade do destino (será?).

– Filme de 2007, dirigido por Marc Forster

28 de Junho de 1949

Sei que essas palavras podem ser usadas para me incriminar, apesar disso preciso escrever um pouco para aliviar a culpa que cresce e sufoca o meu coração. Uma desgraça se abateu sobre a minha vida, uma nuvem nebulosa invadiu os meus dias: estou desesperada e com muito medo! Depois do último show que fiz, saí com um cliente e ficamos bebendo por horas. Ele acabou dormindo, eu pequei o meu dinheiro e fui embora. Oh Deus! Não sei como descrever o que aconteceu depois.

Saí de carro em direção a minha casa, eu estava alcoolizada e não percebi que uma garotinha, uma pobre e pequena garota passeava em sua bicicleta. Tudo aconteceu tão rápido! As únicas coisas que consegui reparar foi que ela vestia um casaco azul e usava óculos grossos. Senti os efeitos da batida sobre o meu corpo, o vidro do carro estava quebrado, vi a menina estendida no chão – ela pedia por socorro. Fiquei aterrorizada, acelerei com o meu carro e a deixei lá. Eu sou um monstro!

Não consegui dormir direito, bebi mais e mais até ficar inconsciente. Hoje de manhã, Terry bateu em minha porta e disse que colocara outra pessoa para cantar no meu lugar. Adivinha quem? Isso mesmo, a prima gorda dele. Eu sabia que algo estava errado. Ele não desconfiou de nada,  não sabe (e nem pode saber do atropelamento). Tentei seduzi-lo, me humilhei, implorei para que me deixassem cantar. Ele me empurrou, disse que ‘eu estava cheirando a vômito’. Aquele infeliz! Terry já bateu em mim uma vez, eu estava no palco e o vi beijando outra mulher. Fiquei com raiva, com um ciúme incontrolável.  Aproveitei a oportunidade e disse no microfone: ‘Estão vendo aquele canalha? Aquele mesmo de terno  marrom! Pois ele é um vagabundo, um homem que vive às custas da mulher!’. Ele fingiu não ouvir, pegou a puta com quem estava e saiu. Horas depois bateu em minha porta, me deu um soco que me deixou bamba. Caí perto do sofá e ele não parava de me bater, me deu pontapés perto da barriga, socou o meu rosto na parede. Alguns homens que estavam perto ouviram os gritos e o impediram, eu sangrei tanto que tive que ser levada ao hospital. Fizemos as pazes depois, ele percebeu que não conseguiria viver sem o meu dinheiro, apareceu no meu apartamento com rosas, pedindo desculpas – eu aceitei.

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Terry me deixou um pouco de dinheiro e um jornal – a notícia sobre o atropelamento se espalhou e agora eles procuram o assassino. Eu sou o assassino! Peguei todas as minhas coisas e saí sem rumo com o meu carro, estou parada em um acostamento A pequena está morta! Se eu pudesse eu teria dado a minha vida a ela, eu não tenho medo da morte, já fiquei cara-a-cara com ela e não me estremeci por isso. Eu não sei o que fazer, que Deus me ajude.

Ass. Judy

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26 de Junho de 1949

Não estou familiarizada com diários, mas confesso que hoje senti uma vontade enorme de escrever. Estou triste e me sentindo muito só, não tenho em quem confiar. Estou no fundo do poço, já não sou mais uma jovenzinha.  Meu nome é Jude Martin, ou Judy se preferir. Tenho 56 anos, não sou casada e não tenho filhos. Vivo há algum tempo nesse pequeno apartamento, nesse quarto abafado e escuro que quase não uso. As coisas pioraram desde que me mudei pra cá, antes eu trazia meus amigos, ficávamos até de madrugada fazendo festas, bebendo até cair – meus amigos foram sumindo aos poucos, se é que posso chamá-los de amigos.

DADASPasso a maior parte do dia dormindo, gosto da noite: vivo dela. Trabalho como cantora em um inferninho, conheci alguns homens interessantes lá (me apaixonei por alguns, me perdi por outros, estou viva por causa deles). Soldados, advogados, professores, todo o tipo de homem passa naquele lugar. É assombroso a forma que se portam: comem, bebem, transam e no outro dia se dizem homens de família, vão pra casa para impor ordem. Tenho pena das mulheres e dos filhos deles, da vida medíocre que provavelmente levam.

As coisas não estão bem, a verdade é que nunca estiveram. Vou fazer uma confissão: não consigo parar de beber. Bebo quando me sinto triste, para afogar as mágoas. Bebo quando estou alegre, para comemorar. Estou endividada, o dinheiro dos shows (e dos programas) não rendem para nada, sinto que querem roubar o meu lugar. A prima gorda do Terry sempre aparece nos ensaios, estão me pressionando, criticando a minha voz, falaram que estou desafinada.

Como odeio essas pessoas, esse lugar! A vida foi injusta comigo, eu merecia mais, muito mais!

Terry é um homem de cor, forte e viril. É ele quem comanda a banda, foi quem me convidou para ser a cantora e por algum tempo, deixei que fosse meu gigolô. Nossa relação não vai nada bem, ele se nega a se deitar comigo. Bill está estranho, sinto que algo está errado. Fiquei sabendo  de uma reunião da banda, uma reunião da qual não fui convidada a participar. Katherine (a garçonete) me contou que eles falavam baixinho pra ninguém ouvir. Gosto da Katherine, ela já trabalhava aqui quando eu cheguei, me ajudou a entender o funcionamento do lugar e me apresentou aos clientes.

Tenho que descer para o bar. Escolhi o meu melhor vestido (aquele vermelho), também arrumei as unhas e o cabelo, quero que tudo saia perfeito. Não quero que Bill tenha motivos de reclamação, preciso desse emprego. Será que ele vai sentir o cheiro da bebida? Se ele perceber que bebi estou perdida.

Ass. Jude Martin.

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It Was always You, Ruth (parte 1)

(por Thais dos Reis)

Quando acordou de madrugada, sentada na cama e com os pés espaçados sobre o tapete macio, lembrou-se da última conversa que teve com a mãe. Na época, Ruth já tinha desistido de entender o que a motivara  ser uma mulher tão triste.  Foi naquele mesmo lugar, sentada sobre o tapete que ouviu a mãe dizer em tom de despedida: “Você foi o acontecimento mais feliz da minha vida”. O que doía em Ruth não era o fato de saber que a mãe mentia e sim, o fato de não poder culpá-la.  Balançando os pés sobre o tapete respirou com alívio por não tê-la mais por perto.

O quarto não estava escuro. A janela sem cortinas recebia a luz do poste.  Ruth olhou lentamente para as mãos e lembrou que estava envelhecendo (e pior, envelhecendo rapidamente).  Sem filhos e divorciada, se perguntava: “quem herdaria essa casa?”. A verdade é que aquilo já não interessava mais – as antigas memórias da família morreriam com ela. Então deitou-se novamente, ficou observando o telefone que estava na cabeceira da cama e teve uma vontade enorme de chorar. – A vida poderia ter sido mais gentil comigo. Ninguém ligou para Ruth naquele dia, ninguém a ligava a semanas, talvez há anos. Uma de suas principais preocupações era a de sempre se mostrar alegre, sempre sorridente. Algo estava acontecendo com Ruth, ela não conseguia controlar suas emoções, não conseguia fingir felicidade.

Um dia, voltando do trabalho, ouviu no carro uma música que há anos não escutava. Parou, aumentou o volume, fechou os olhos e se lembrou de tudo: exatamente como aconteceu. Naquela tarde, que fazia um calor tremendo, Ruth estava com dois meses de gravidez e esperava o bebê com ansiedade. Sentia-se ótima, pela primeira vez na vida estava realmente feliz. Ligou o som, tocava: ‘It was always you Helen’, uma das canções mais lindas que já havia escutado. Sentou-se na cadeira e ficou por algum tempo ouvindo, quando olhou para o chão viu uma poça de sangue que a cercava. Ficou inconsciente e já no hospital, lhe disseram que ela havia sofrido um aborto.

Júlio, que na época era seu marido, ficou muito triste. Sofreu mais do que ela. Ah! Como eu admirava quando ele cuidava de mim, quando me olhava firmemente e dizia: vamos tentar de novo, de novo e de novo! Ruth nunca engravidou. O casamento foi se desgastando com o tempo, não havia mais amor, um suportava o outro. Júlio já não era mais o mesmo, dizia coisas impetuosas, não tinha mais escrúpulos. ‘Você não serviu nem para ser mãe! Você é uma mulher incompleta, uma mulher seca’. Ruth nunca deixou aquelas palavras por menos: ‘Aquele aborto foi uma das melhores coisas que me aconteceu, eu teria nojo de ter um filho seu’.Ela sabia que aquilo não era verdade mas insistia em dizer. E diria quantas vezes fosse necessário para não ficar por baixo. Até que Júlio disse que tinha outra mulher, que tinha outros planos. Ruth não o culpou, deixou que ele seguisse seu caminho e que fosse feliz, ela também queria ser feliz.

Porque a gente fez tanta maldade um com o outro? Onde foi que deixamos os planos, a cumplicidade? Eu preferia que ele tivesse me batido, que tivesse arrancado todo o meu cabelo, que tivesse me deixado de olho roxo. As feridas do corpo se curam, as da alma não.

Desde aquele dia, desde o dia em que se sentou para ouvir aquela melancolia música a sua vida não tinha sido mais a mesma. ‘It was always you Helen‘ era um aviso, Ruth recebeu um aviso de que a sua vida seria triste, triste como a sua mãe foi. E agora, ouvindo aquela melodia novamente no carro Ruth pensava no que mais poderia dar errado. Ela não tinha ninguém, não tinha nada. Ouviu toda a melodia, sentiu toda aquela sensação de medo e desproteção novamente. Ela não conseguiu ser mais a mesma. Quando estava com as amigas, não sorria como antes. Ruth não tentava ser agradável, não fingia sentir carinho, não gostava de sorrir. No começo lhe perguntavam: O que há com você? Aos poucos foram se afastando, todos eles.

Ruth pegou no sono, seu corpo estava perfeitamente encaixado na cama, seu espírito estava destroçado. Dormiu desejando não mais acordar. Acordou desejando não mais viver. Tocavam em sua porta, Ruth pensou muito antes de atender mas quando abriu viu que era Júlio. Posso entrar? O olhou de cima abaixo e se sentiu aliviada. Pode. Silenciosamente, os dois se encaminharam para a cozinha, sentaram-se na antiga mesa  de madeira que Ruth tanto odiava. Um do lado do outro.

– A minha vida está uma merda Ruth, já pensei em me matar diversas vezes. Não tenho coragem. Eu não tenho com quem contar.

– Mas você tem uma mulher, não é isso? Não pode contar com ela?

– Não tenho mais. Estamos separados há anos.

– E porque só veio agora?

–  Eu não sei… mas eu estou aqui, não estou?

– Mas eu não estou Júlio. Só o meu corpo está aqui, como um fantasma. Eu não sou ninguém, eu morri há muito tempo e só agora me dei conta disso. Eu ouvi aquela música de novo.

-Ainda com esse papo Ruth? Você acredita mesmo que uma música arruinaria a sua vida?

– Era um aviso, eu estava sendo avisada de que algo ruim iria acontecer.

– O que de tão ruim aconteceu?

– Você bateu em minha porta.

– A minha presença é tão desagradável assim?

– O fato de você estar infeliz me deixa ainda mais triste, me dá consciência de que todos os nossos sacrifícios não foram válidos. Me faz duvidar da existência de Deus. Ao mesmo tempo, me sinto aliviada: eu não sou a única a levar uma vida fracassada e completamente infeliz.

– Volta pra mim Ruth?

Ruth, sentindo o cigarro entre os dedos pestanejou um pouco. Pegue suas malas, volte para casa.

Em seu lugar

Eu levo o seu coração comigo, eu o levo no meu coração
Eu nunca estou sem ele a qualquer lugar que eu vá, meu bem, e o que que quer que seja feito por mim somente é o que você faria, minha querida
tenho medo que a minha sina pois você é a minha sina, minha doçura.
Eu não quero nenhum mundo pois bonita você é meu mundo, minha verdade
e é você que é o que quer que seja o que a lua signifique
e você é qualquer coisa que um sol vai sempre cantar
aqui está o mais profundo segredo que ninguém sabe aqui é a raiz da raiz e o botão do botão e o céu do céu de uma árvore chamada vida, que cresce mais alto do que a alma possa esperar ou a mente possa esconder e isso é a maravilha que está mantendo as estrelas distantes.
Eu levo o seu coração, eu o levo no meu coração

(E.E. Cummings)

Em seu lugar Sou fã da Toni Colette desde que assisti ‘O casamento de Muriel’, gosto muito da Cameron Diaz também, acho que ela tem um ótimo astral que sobressai às telas e cativa o público. As duas foram uma escolha perfeita para a adaptação cinematográfica do livro ‘In her shoes’, escrito por Jennifer Weiner. O filme, dirigido por Curtis Hanson é uma reconstrução sensível e delicada de um relacionamento complexo entre irmãs que vivem uma rotina completamente diferente e que dividem um passado doloroso.

Enquanto Rose é uma advogada bem sucedida, Maggie é uma mulher que não quer saber de trabalhar e que não se importa em viver as custas da irmã mais velha. Em contrapartida, Rose é uma mulher insegura com o próprio corpo que desabafa suas mágoas comprando vários sapatos (muitos dos quais nunca usou) e Maggie é uma mulher belíssima que namorou com vários homens, mas que não conseguiu estabelecer um relacionamento com nenhum deles. A mãe das duas possuía um histórico de pertubação mental e depois de sofrer várias internações, morreu em um acidente de carro (que não se sabe se foi intencional). Elas foram criadas pelo pai (que se casou novamente) e por muito tempo, desconheceram a existência da avó materna Elle (Shirley Maclaine) que pensavam estar morta.

Nem Colette, nem Diaz, nem mesmo Shirley Maclaine roubam a cena: todas as três recebem o mesmo espaço e atuam com bastante cumplicidade, o que é admirável. Eis um drama feminino bem medido, bastante delicado e com um argumento belíssimo. Não há como não se identificar com os personagens, principalmente com Rose (Toni Colette) que, depois de perder um namorado de uma forma bem dramática, decide largar o emprego e mudar a vida radicalmente. Enquanto ela ‘deu duro’ nos estudos e no emprego, Maggie teve uma vida vazia e baseada em aparência que, de repente, também cai por terra. Depois de uma briga séria, as duas irmãs se distanciam e passam a enfrentar o cotidiano por outra perspectiva.

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Maggie, colocada para fora de casa por Rose, pede que Elle (sua avó) lhe dê abrigo. Elle, por outro lado, deixa que Maggie more com ela no asilo em troca de que Maggie trabalhe com os idosos. A vida de Maggie no asilo traz à tona uma antiga briga do seu pai e sua avó, que não entravam em um acordo sobre o tratamento mais adequado para sua mãe. Enquanto isso, Rose começa a namorar um colega de trabalho que há muito tempo estava apaixonado por ela e, longe da irmã, consegue se sentir mais confiante em relação aos homens.

A distância das duas aumenta e a saudade aperta. Rose está se preparando para casar e Maggie investindo todas as suas energias em um novo projeto: aprender a ler. Para Maggie, a experiencia de viver em um asilo foi bastante construtiva, sua avó a incentivou a rever seu comportamento infantilizado e pediu que ela se colocasse no lugar da irmã. Quando a mãe das duas faleceu, Rose não só tomou conhecimento de tudo o que acontecia como se sentiu responsável por cuidar de Maggie.

Há muitas cenas do filme que me conquistaram, acho que esse é um dos tipos de produção que obtém sucesso quando aborda um drama feminino (e familiar) com tanta sutileza. Quando Rose vai fazer sexo pela primeira vez com o noivo, ela pede que ele apague a luz por ter vergonha do próprio corpo e ele insiste em vê-la nua, em fazer com que ela se sinta a vontade diante dele. Essa é a cena que eu mais gosto porque resume perfeitamente muitas das inseguranças femininas: ‘ela quer, ela deseja, mas tem medo e se envergonha’. Enquanto Maggie aprende a ler, ela nos questiona se só a beleza exterior é o bastante para ter uma vida feliz e completa. Só e humilhada, Maggie faz o caminho de volta, assume seus erros e sofre para melhorar. A distância das duas as faz rever todo o amor que sentem, a importância do companheirismo e da cumplicidade. Eis um filme sensível e belíssimo, que merece ser visto e revisto.