sobre a Carmen Maura

CARMEN

Contei para vocês que estou fazendo quase que uma “maratona” dos filmes da Carmen Maura. Decidi reunir uma anotações sobre os que eu já assisti. Adoro listas, e acho que assim fica bem mais prático, principalmente porque ajuda a relembra-los. O mesmo eu fiz com os filmes da Anna Magnani e da Jamie Lee Curtis e, apesar de ter dado um trabalho do cão, foi bem gostoso fazer – principalmente quando eu encontro aqueles que são raros! A sensação é quase como ganhar na loteria. Quase, porque eu fico super feliz, mas continuo pobre.

Já falei muito (muito mesmo) sobre a Carme Maura nesse blog, é só jogar o nome dela na barra de pesquisas que você vai encontrar uma série de textos. É uma atriz que eu amo, que sou perdidamente apaixonada há tantos anos que já perdi a conta. A vi pela primeira vez em  um filme de Almodóvar, ela era a freira que cuidava de um tigre. Depois caí de joelhos por Pepa (de Mulheres a beira de um ataque de nervos) e nunca mais parei de admirá-la.

Se você deseja ler uma pequena biografia da Carmen, indico essa aqui. Pode parecer estranho usar o Wiki como fonte, mas o texto tá bem detalhado. Conta desde o seu nascimento, até a decisão de começar a fazer teatro e finalmente cinema. Analisa suas premiações, tem muitas curiosidades e um ponto de vista muito interessante sobre a relação entre ela e Almodôvar. Fora, a filmografia completa e datada.

(P.S. Aceito dicas de filmes, críticas dos textos, links para torrents e tudo o que vocês tiverem em relação à ela): 


carmen_maura_fgcSó pra constar, esses são os filmes dos quais comentei anteriormente e que acabaram ficando em publicações separadas. Mas estão aí, com os respectivos links para quem quiser ler. E, SIM, eu assisti todos os filmes que comento neste post!


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Círculo Rojo, 2007 – Ontem terminei de assistir essa série e fiquei impressionada com a sucessão de acontecimentos trágicos. Trata-se de uma produção do canal espanhol “Antena 3”, dividida em 12 capítulos com 2 horas de duração (todos disponíveis no Youtube). Carmen interpreta Victória, dona de uma agência de modelos. Sua filha, Clara, é uma famosa desenhista que vive isolada da família e dos amigos. No dia de um de seus desfiles, Clara tem um rompante e pula da sacada de seu apartamento. Sua morte provoca a volta da sua irmã Patrícia, que também vivia isolada da família, morando em Paris. Ao voltar, Patrícia reencontra sua velha amiga Andrea, hoje, casada com o irmão da Patrícia. As duas sabem muito bem a causa do suicido de Clara e se unem para achar os responsáveis e vingá-la.

A série é bem parecida com aquelas produzidas pela Rede Globo, que passam depois das onze. Há muita sensualidade em cena, ameaças, vinganças, ação e assassinato. A personagem de Carmen, Victoria, é uma mulher pérfida, que não ama o marido e que há anos, está apaixonada pelo melhor amigo dele, Arturo (interpretado por Emiliano Gutierrez Caba). Tanto que, quando descobre que o marido está doente, resolve assassiná-lo e entregar importantes documentos da empresa para Arturo. Por fim, Artuto seduz Victória apenas para conseguir os documentos e depois, começa a tratá-la com indiferença. Victória quase enlouquece e decide se vingar de Arturo (e mesmo depois de tudo, continua o amando). Só pra constar, Andrea é filha de Arturo e Victória a odeia tanto que faz de tudo para infernizar sua vida.

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Como ser infeliz y  disfrutarlo, 1994 – Um filme bacana, mas sem muito impacto. Carmen interpreta Carmen, uma jornalista especializada em Cultura que trabalha no El Pais, mas que parece estar de saco cheio da rotina. Um dia, pela manhã, seu marido infarta e falece. Carmen desespera-se e pede que a filha, que mora em Paris, volte para casa. A menina até volta, fica um período apoiando a mãe e depois, viaja novamente para seguir sua vida em outro país. Carmen, no auge dos seus 40 anos, encontra-se viúva e sozinha. Ela começa a redescobrir  a vida, transa com outros homens, faz passeios em lugares onde gosta… Um dia seu chefe a manda para Paris para realizar uma entrevista voltada para a economia. Não é a sua área, ela não gosta muito da ideia, mais vai. Lá ela decide visitar a filha e acaba descobrindo que a menina está grávida – o que abala suas estruturas porque ela não acredita que a filha esteja preparada para a maternidade. Na França ela também reencontra um antigo amigo da família… [Fiz uma enorme sinopse para falar o que poderia falar. É um filme legal, mas não há nada demais nele.]

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Baton Rouge, 1988: Carmen Maura estava com 43 anos e, man… tava muitooo linda! O filme, dirigido por Rafael Moleon, é considerado um suspense erótico. Na história, Carmen vive Isabel, uma mulher rica e recém divorciada que vive assombrada por um abuso sexual que sofreu anos atrás. Um dia ela encontra Antônio (interpretado por Antônio Banderas), um gigolô que possui um irmão cego (e que se compromete em cuidá-lo). Antônio é uma espécie de objeto sexual de Isabel, que mesmo vivendo ao seu lado, não deixa de ter os pesadelos. Isabel resolve se consultar com uma psiquiatra (interpretada por Victoria Abril) e para o seu azar, Antônio se apaixona por ela. Juntos, o gigolô e a psiquiatra, bolam um plano: querem matar o ex-marido de Isabel e fazê-la passar por assassina. [O filme é bem legal, os personagens são muito obscuros e há muita sensualidade em jogo. As cenas de sexo entre Carmen e Antônio são de tirar o fôlego, mas as cenas entre Antônio e Victória são ainda mais impactantes. Carmen está elegantérrima, linda nas cenas da piscina, e não para desfilar com looks maravilhosos.É um personagem sério, que vai em contramão com o seu perfil bem humorado. Um retrato diferente e um registro de que, como atriz, é extremamente dinâmica. SPOILER – Vi uma entrevista onde ela dizia que em uma de suas cenas finais, onde Antonio decide matá-la afogada, ela quase se afogou de verdade. Os dois tinham combinado de que ela daria um belisco em sua barriga para indicá-lo quando parar. Mas na hora da luta corporal ela não conseguiu fazê-lo e ele não percebeu e continuou atuando.]

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La guerre des saints, 2009: Esse filme é muito bonitinho!! É uma pena que seja tão difícil de achar e que existam poucos registros sobre ele na rede. A Carmen Maura tá muito engraçada, dá a vida a uma madre superiora meio louca, sem parafusos. O filme, dirigido por Giordano Gederlini e feito para TV européia, conta a história de um noviço que é enviado para uma pequena cidade para dar início ao processo de beatificação da freira Maria Dolores. No entanto, pouco antes de chegar ao convento, ele é interceptado por uma jornalista que o leva para outro canto da cidade no intuito de fazê-lo presenciar a rotina de uma mulher doente que atrai multidões por acreditarem que ela é milagrosa. O caso da moça (que mais parece estar com espírito no corpo) está sobre cuidados do padre Gabriel. Daí começa uma disputa entre o Padre e a Madre, que tentam a todo custo chamar atenção do noviço.

A trilha sonora desse filme é uma delícia,  a ambientação também. A sensação que dá é a de estar em uma cidadezinha no interior do Brasil. Encontrei uma pequena entrevista do diretor onde ele dizia que o filme era a tentativa de dar uma reposta irônica e satírica à pergunta: “Quem pode ser santo”. Em sua concepção a questão não é o marketing agressivo feito pela igreja, mas as suas consequências politicas.

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La Vaca Paloma, 2015: Paco Leon é um ator que tem se aventurado no mundo direção, em sua estréia, ele realizou um curta metragem (de 12 minutos) com tom surrealista, protagonizado por Carmen e Secun de la Rosa. No curta, Carmen é uma mãe que tenta voltar a se relacionar com o filho. Os dois possuem uma vaca cinéfila, que sempre quando assiste algum filme bom, produz energia. Foi o filho que descobriu os poderes da vaca e pediu que a mãe não contasse a história para ninguém, afinal, quem acreditaria? Mas a mãe, em uma ida ao cabeleireiro, acaba contanto a descoberta do filho e ele passa a ser ridicularizado na rua. O curta foi apresentado pela primeira vez no Festival de San Sebastian do ano passado, sua realização contou com o apoio da empresa “Gás Natural Fenosa” e fazia parte do “ciclo de cinergia”, um festival cultural que chama atenção para a importância do setor. [É bonitinho, achei muito enraçado a personagem da Carmen dizendo que mandou solicitação de amizade para o filho pelo Facebook e que ele não aceitou…]

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La Promesa, 2004

Lembra que eu comentei que encontrar certos filmes dá a sensação de ter ganhado na loteria? Então, esse é um deles. Eu estava fissurada nesse filme, muito mesmo. Foram anos procurando torrents e links para baixar e nada. Daí, num dia desses, comprei o dvd na internet pelo Mercado Livre. Foram apenas dois dias de espera para a entrega, mas eu quase enlouqueci! Em princípio pensei que fosse um filme de terror, mas ao assistí-lo me pareceu muito mais de suspense. Um mergulho na esquizofrenia da personagem de Carmen, Gregória.

Gregória odeia ser Gregória e está cansada dos abusos físicos que sofre do marido. Seu mundo é cercado por uma religiosidade absurda e por uma obsessão por Deus e pelo diabo. Um dia, de saco cheio de apanhar e ser humilhada, Gregória mata o marido. Daí foge de casa, muda seu nome para Célia e vai trabalhar como babá na casa de um casal riquíssimo e, aparentemente, em crise. Ela, que nunca teve filhos, fica apaixonada pelo garotinho do casal e cria um laço de amor e confiança com ele. Ela o ama. E ele também a ama. Mas Gregória não para de ser assombrada pelas vozes do marido e começa a mergulhar na vida da família, como se fizesse parte.

O filme é interessante, Hector Carré faz um belo trabalho fotográfico e narrativa é legal, até certo ponto. Menos do que eu esperava, as coisas fluíam devagar demais sabe? Mas em suma é um filme que vale a pena, não só pela Carmen, mas pela atuação do menininho, o filho do casal.

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Que parezca un accidente, 2008. Quase um filme para a sessão da tarde, uma comédia super leve que conta a história de Pilar, uma mulher viúva que foi tão traída pelo marido, que desenvolveu um dom… toda vez que sua cabeça doía era sinal de que o marido estava com outra. Uma dia ela vai almoçar na casa da filha e quando esbarra no genro começa a sentir a tal dor de cabeça. Sinal de que ele está traindo a filha. Depois de uma conversa com uma amiga, Pilar se convence de contratar alguém para matá-lo. Para isso, entra em contato com Arturo (Federico Luppi, o mesmo que trabalhou com ela em Lisboa!), um assassino implacável e especialista no assunto. Só que dá tudo errado, Pilar começa a perceber que seu genro é inocente e que agora, precisa salvá-lo da morte (que, por sinal, foi arranjada por ela). Carmen, mais uma vez, muito engraçada, parece que está aérea (amo esse jeitinho dela)… Adoro as caras e bocas que ela faz, principalmente quando está tudo prestes a dar errado. É o primeiro longa metragem do diretor Guillermo de la Guardia.

ENTRE VIVIER E SONHAR

Entre vivir y soñar, 2004: Esse filme é simplesmente MUITO fofo e engraçado. Sério, um dos personagens mais fofos que já vi a Carmen interpretar, quase como uma Amelie Poulain simplificada e de meia idade. Ela interpreta Ana, uma dona de casa e professora de cozinha que cansou do casamento rotineiro e que passa madrugadas em claro esperando a filha voltar de baladas. Seu sonho é conhecer Paris, tanto que começou a estudar francês (a Carmen fala francês perfeitamente e é muito engraçado ela fingindo não saber falar). Um dia, a escola em que trabalha precisa de alguém  para dar aulas na França, e claro, Ana acaba sendo escolhida.

Lá ela passa a viver um sonho, está longe dos problemas e do marido que a humilha… é então que resolve reencontrar um amor de juventude, um homem chamado Pierre por quem se apaixonou quando tinha 15 anos. O melhor do filme é que, ao chegar em Paris, Ana é recebia por Ali… um florista adorável e extremamente desorganizado. Ele está sempre dando umas investidas em Ana, mas ela não consegue parar de pensar e procurar por Pierre. Daí resolve reencontrar uma velha amiga, que também conheceu Pierre, para que ela a ajude a encontrá-lo.

♡ [SPOILER] Tem uma cena nesse filme que me tira do sério, em determinado momento, Ali está perdidamente apaixonado por Ana e ela ainda insiste em reencontrar Pierre. Depois de levar um fora, ele começa a assistir um pornô e, quando olhamos para o vídeo, os atores na tela fazendo sexo são Ana e Ali. É muuuuito engraçado, mas principalmente porque Ana levou um super fora do Pierre e está atrás da porta ouvindo os barulhos do vídeo, dizendo “Aqui todo mundo fode, menos eu!” A Carmen Maura leva na zueira e faz umas caras surreais. Fiquei pensando no quanto ela é ótima ao interpretar esses personagens porque a gente vê que ri de sí mesma. Não há seriedade e ela pouco se importa com a situação, é segura de sí, entende?

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El Palo, 2001

Você se lembra daquele filme americano “Loucas por amor, viciadas em dinheiro” com a Dianne Keaton, Queen Latifah e Katie Holmes? A história de “El Palo” é bem parecida, mas com um final um pouco meio destrambelhado. Adriana Ozores está lindíssima, ela interpreta Lola, uma auxiliar de limpeza de uma agência bancária que está solteira e que enfrenta sérias dificuldades financeiras. No seu círculo de amizade estão Maite, interpretada por Carmen, uma mulher de classe alta para quem Lola faz faxina. Violeta, uma jovem órfã e  Sílvia, uma dona de casa que acaba de descobrir que está grávida. Todas as quatro estão sem dinheiro, especialmente Maitê que há anos tenta esconder dos filhos que está completamente falida…

Então, elas bolam um assalto à um banco…. e para isso, cada uma precisa fazer o que sabe de melhor. Maitê, por exemplo, é responsável por distrair o diretor do banco. Violeta precisa entrar em sua sala para roubar sua chave. Sílvia precisa fazer uma cópia dessa chave e devolvê-la a tempo que o diretor não perceba e Lola, quando for limpar a agência, terá acesso ao dinheiro. Claro que o plano não sai como planejado… Enfim, é um filme bonitinho, divertido. Daqueles bons passatempos.

La Huella del Crimen, episódio: El crimen de la calle Fuencarral , 1985

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“La Huella del Crimen” (1985 – 1991) foi uma serie policial espanhola que contou com os atores e diretores de maior renome no país e se propôs a reconstituir casos de crimes famosos que aconteceram na Espanha. Carmen Maura participa do segundo episódio, dirigido por Angelino Fons. O episódio tem umas pitadinhas de humor e uns diálogos interessantes, mas me informando mais sobre o caso, me parece bem mais triste e bizarro. [Principalmente como foi morte de Higina…]

Carmen dá vida a Higinia Balaguer, uma empregada doméstica que na manhã do dia 2 de Julho de 1888, começou a gritar socorro pois a casa onde trabalhava estava pegando fogo. Ao adentrarem, os vizinhos a encontram desmaiada ao lado de um cachorro morto e na sala, sua patroa, Luciana Borcino – queimada no rosto e nas mãos, com as vestes rasgadas e com quatro perfurações no corpo.

Higinia é prontamente acusada de assassinato, primeiro porque começara a trabalhar com Luciana ha pouco tempo e segundo, porque descobrem que ela guardava em sua antiga residência (junto com uma amiga, Dolores) as jóias de Luciana. Seus depoimentos são sempre muito confusos, primeiro diz que a patroa tinha um amante e posteriormente, culpa o filho dela, José Vazquez… que na noite do crime, encontrava-se preso. As investigações apresentam indícios de que, apesar de tudo, não poderia estar mentindo. A forma em que Luciana foi assassinada sugeria que alguém com força corporal teria a matado e, ao lado do seu corpo, havia uma camisa manchada de sangue com as iniciais J.V.

Higina recebe várias visitas na cadeia do delegado de polícia, amigo de José Vazquez, que prometeu que se ela confessasse o crime, continuaria viva, seria libertada e ainda receberia uma quantia de dinheiro. E o pior, o advogado de defesa de Higina tem provas de que José Vazquez não estava preso no dia da morte de sua mãe, que tinha sido favorecido pelo delegado. Higina não aguenta a pressão e confessa o crime, diz que ela e a amiga Dolores eram as únicas culpadas pelo assassinato… é condenada a ser executada em praça publica, o caso atrai os jornais e o povo, cerca de 20  mil pessoas foram vê-la morrer. Higina tinha apenas 28 anos.

Dolores foi condenada a 25 anos de cadeia, José Vazquez foi solto (e anos depois, cometeu um assassinato contra uma prostituta). “Hay quien sostiene que la sentencia fue, en realidad, fruto más de cierto rencor social burgués contra una sirvienta que de una verdadera voluntad de esclarecer los hechos, y que Varela se libró de responder por sus acciones.”

Pareja de três,  1995 

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Ai gente, eu amei esse filme TAAANTO! ♥  Tem um tom muito feminista e elas falam de sororidade o tempo inteiro, fora que pregam a liberdade sexual e, enfim, é muito engraçado e divertido. No filme, Carmen dá vida a Ana, uma dona de casa exemplar que está há anos casada com Santi (interpretado por Emílio Gutierrez Caba – o terceiro filme que vejo os dois interpretando um casal). Santi também tem um relacionamento antigo com Marta (melhor amiga de Ana, e ela sabe disso). Martha é interpretada por Rosa Maria Sardà.

O filme começa com um diálogo super engraçado entre duas porque, depois de anos, Ana resolveu ter um amante e implora para que Marta fique com seu marido por dois dias para que ela possa traí-lo. Mas Martha está de saco cheio de Santi e, aparentemente, pensa em desistir dos homens.  Ana até consegue trair Santi, mas se decepciona porque a sua tão sonhada noite romântica não foi como planejada (EU RI DEMAIS!!!!!!). O que nenhuma das duas esperava é que,  Santi também estava de saco cheio delas… e decide largá-las para viver com outra pessoa.

Enlouquecida, Ana se muda para a casa de Marta e passa a mudar toda a sua rotina. As duas brigam o tempo inteiro, especialmente porque sempre tiveram um estilo de vida muito diferente. Ana é a dona de casa e Marta a mulher emancipada. Muito bom!

– Essa publicação está ficando muito grande. Tá difícil editar, os textos e as fotos vão se perdendo. Então, vou fazer uma segunda parte. Daí falo dos outros filmes que eu vi, quem sabe rola até Almodóvar e Saura. Já assisti aos filmes (de verdade, não como a Glória Pires), mas acho tão difícil falar sobre eles porque há tantas possibilidades, que fico adiando. Mas prometo, no próximo post terá Volver, Carmela, Mujeres al Borde e muito mais. Assim que for publicaddo, disponibilizo o link! 

A vingança do bastardo

12678Me diverti muito com essa leitura, faz tempo que eu não encontrava um livro com esse tom de deboche e bizarrice. Tudo me fez gostar dele, a começar pelo currículo da autora, Eleonora V. Vorsy – a grande dama da literatura popular, escritora do Planeta Diário, uma velha sem vergonha, criadora da famosa personagem Prima Roshana – sempre sedenta por sexo.

Eleonora, na verdade, é o pseudônimo de Alexandre Machado (jornalista e roteirista, trabalhou em Os Normais, Os Aspones…). 

O livro traça a trajetória de Levi, um perfeito anti-herói. No primeiro capítulo ele está preso e acaba de receber a visita do tio, da tia e da linda prima Roshana que foram lá na cadeia só pra zombar dele. Daí nasce o desejo sangrento por vingança e suas consequências vão o levar para lugares inimagináveis.

Levi consegue sair da cadeia de uma maneira muito engraçada e inesperada, melhor ainda é como ele “sem querer” se vinga dos tios. Enquanto está no banheiro transando com a prima Roshana, sua paixão de adolescência, dois homens estão assassinando friamente (e brutalmente) os pais dela. Ao longo da trama, vão surgindo personagens que os fazem viajar (involuntariamente) ao redor do mundo e presenciar situações absurdas – em sua maioria das vezes, trágicas.

Dois personagens marcantes que aparecem já na metade da história são Bel, a sereia e Kowalsky, um homem apelidado de “Jeba” por possuir um pênis enorme. Resumindo, é muita loucura num livro só, morri de rir na parte em que Levi  e Roshana estão dentro de um avião e conhecem um ditador gay que consegue levar Levi para cama em troca de que ele permaneça vivo. Mais louco ainda são as seringas que eles carregam como arma e que usam para passar HIV para os inimigos.

Você viu a série sobre o Zé do Caixão?

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Matheus Nachtergaele é um ator maduro, respeitado e que chegou em um ponto em sua carreira em que não precisa provar nada para ninguém. Mas se precisasse, era só apresentar um dos capítulos da série Zé do Caixão para mostrar que sabe o que faz e que quando o faz, faz muito bem. A série foi transmitida no ano passado pelo canal Space e dividida em seis capítulos, cada um deles, retrata uma fase da vida de José Mojica e seus respectivos trabalhos. Eu terminei de assisti-la essa semana e fiquei encantada com a imersão que Nachtergaele fez no personagem e no quanto ele conseguiu ser convincente… o tom de voz, os erros gramaticais, os olhares. Tudo muito intenso!

ZeCaixãoZé do Caixão sempre me pareceu uma figura bizarra, mas ao mesmo tempo, tão amigável. Na minha casa, quando alguém deixava a unha ficar grande demais, ganhava esse apelido. Sempre que eu o via na televisão o encarava com estranheza…mas com identificação, entendia nele a personificação perfeita do terror brasileiro. Um símbolo mesmo. A série só veio para confirmar isso e me ensinar o que eu não sabia sobre a sua história, eu nem fazia ideia de que ele era um coveiro que buscava por uma mulher que pudesse gerar o seu herdeiro. Só pra constar, “À meia noite levarei sua alma”, filme de 1964,  foi o divisor de águas na carreira de Mojica, um marco no terror brasileiro. É a primeira aparição do Zé do Caixão e a gente pode ver como o personagem surgiu na vida de José, que tinha pesadelos com um homem que o puxava para uma cova.

A série é uma representação do quanto é difícil fazer cinema no Brasil e no quanto José Mojica foi forte e extremamente criativo para conseguir resistir produzindo por tanto tempo. O primeiro capítulo, por exemplo, conta como foi a realização do faroeste “A Sina do Aventureiro” e como Mojica – que hoje, aos 79 anos, prefere não ser confundido com o personagem que inventou – quase se transformava em dois para manter a Apollo funcionando, uma produtora, que também funcionava como escola de atores. [Ele era produtor, roteirista, diretor e professor!].

Muito legal a sua relação com os pais, o apoio que eles lhe davam e do ambiente em que cresceu e, especialmente por causa do pai, foi cercado por um mundo cinematográfico. Adorei a personagem da Nilse, que na verdade é a personificação de todas as mulheres que passaram na vida de José e o ajudaram nas produções e enfim, tiveram uma relação amorosa. E por falar em amor, a série mostra um lado super picante do Zé do Caixão, que, aparentemente, adorava fazer menções sexuais em seus filmes e que levou uma vida sexual muito intensa.

  • Eu procurei por seus filmes e vi que estão disponíveis no Youtube, vi uma sequência muito interessante em que ele mata um homem em uma banheira. Pretendo assistir os filmes completos e quem sabe, comentar sobre eles por aqui!

Ele é mais novo, e agora?

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Eu adoro ver os termos de pesquisa do La Amora, é uma ferramenta do WordPress que permite descobrir as palavras chaves usadas por alguns leitores para chegar até você. Desde que publiquei um texto citando alguns filmes que retratam relações amorosas entre homens jovens e mulheres mais velhas, tem aparecido uma série de pesquisas sobre o assunto, por exemplo: “Mulher 33 anos mais velha se apaixona por jovem”, “Me apaixonei por homem mais jovem”, “Ele é mais jovem” e por aí vai… Fiquei com o tema na cabeça, e mesmo não sendo entendedora de assuntos amorosos, adoraria mandar um recado para essas mulheres (ou homens) que se apaixonaram por alguém mais novo.

1 ) Não se culpe por ter acontecido com você: Em qualquer fase da vida estamos sujeitos a nos apaixonar e não existe nenhuma regra que diga que você não pode se relacionar com um homem  mais novo.É claro que ele não pode ser menor de idade, porque aí sim é crime. Mas fique tranquila, ninguém manda no próprio coração. A gente até tenta controlar os impulsos, os desejos, mas nem sempre é possível (ou necessário).

2) Descubra se ele também te quer: Eu sei,é fácil falar. Mas é possível perceber alguns sinais e, se você é uma mulher madura, provavelmente saberá identificá-los. Tente perceber se ele está na mesma “vibe” que a sua. Vai que ele só quer ficar e não pensa em ter nada mais sério, daí você se envolve e sai com o coração despedaçado. Se está pronta para viver uma aventura, vá em frente!

3) Não tenha vergonha de quem você é, não esconda seu corpo: Se ele deseja ficar com você, entenda que é do jeitinho que você se encontra. Se não fosse assim, ele procuraria por outra. Não se sinta pressionada por padrões impossíveis de beleza (ainda que isso seja tão difícil). Você não precisa parecer mais jovem, não precisa estar em dia com as músicas do momento, com os memes, com as séries – só se quiser. Seja autêntica, provavelmente foi isso que o conquistou.

4) Não invente problemas que não existem: Primeiro, você não é mãe dele. Não fique por aí dando lições, impondo regras. Não seja autoritária. Eu sei que provavelmente você está em outra fase da vida e já passou por situações difíceis que ele ainda não passou. Entendo a sua vontade de alertá-lo, mas vá com calma. Segundo: “Eu sei que não sou tão nova quanto as outras”, “Eu sei que não sou boa nisso” e etc… Sacou? Pare de apontar seus defeitos, ele te ama mulher e pronto!

5) Se prepare, as pessoas são preconceituosas SIM! Conheço uma mulher que começou a namorar um cara mais novo (uns 30 anos mais novo) e aquilo foi um bafafá. Tudo bem que moro em uma cidade super conservadora e pequena, mas foi de assustar. Todo mundo comentava, era só vê-los de mãos dadas que as pessoas começavam a falar. Foda! Passaram-se alguns meses e eles terminaram (e, não sei se foi por isso…). Quer dizer, pode ser que as pessoas não entendam o seu namoro, pode ser que sua mãe te critique, que sua amiga te questione, que os vizinhos falem. Seja firme e confiante, é a SUA vida.

No mais, espero que você seja feliz e tenha a força para viver o que deseja (e com quem deseja).

onde Amy e Nina se encontram…

AMYENINA

Glória Pires já dizia que o documentário sobre a vida da Amy Winehouse era “tocante, e triste… muito triste”. Sabe, eu até concordo com ela, quando terminei de assistir fiquei com uma sensação de tristeza. Não só por sua morte, mas também pela forma que levou a vida. O documentário foi lançado em 2015 e dirigido por Martin Curtis, curiosamente o mesmo que fez um filme sobre a vida do Ayrton Senna. “Amy” é repleto de registros curiosos, cheio de vídeos caseiros, fotografias antigas, gravações. Um verdadeiro presente para os fãs, um trabalho lindo e ao mesmo tempo, aterrorizante.

A sensação que o filme me deu foi a de que Amy era uma garota simples, que valorizava muito sua liberdade, que gostava de andar tranquila pelas ruas, de cantar sossegada nos bares e rodeada de amigos. Parece que a fama foi uma explosão em sua vida, como se tudo tivesse acontecido rápido demais. Como quando vem um carro na contramão e te atinge em cheio, e você sai muito ferido. O lance das drogas é realmente muito triste, mais triste ainda é que ela praticamente agonizava em praça pública e a imprensa adorava. Lembro muito bem de uma foto em que Amy tinha acabado de brigar com namorado e aparecia com o rosto todo ferido, com o sapato rasgado e com o nariz com pó… quantas reproduções aquela imagem deve ter tido?

A figura Amy me passa a impressão de ter a mesma força (e ao mesmo tempo, a mesma fraqueza) da Nina Simone, que por sinal, só fui conhecer a história também através de um documentário, produzido pela Netflix. Eu vivia escutando suas músicas no meu carro, mas nada sabia sobre seus contextos. A vida da Nina Simone ficou na minha cabeça por muito tempo, principalmente por causa dos relatos de abuso que sofria do marido. Fiquei assombrada quando ela disse que ele a amarrou, espancou e a estuprou… E convenhamos, a Amy também viveu um relacionamento abusivo e, fora o namorado, vivia à sombra do pai (explorador).

Nina e Amy também se esbarram na preocupação que tinham com a qualidade de suas músicas. Eram humildes. Reconheciam que tinham talento, que cantavam bem, mas achavam que não era suficiente. Eram intensas, e isso ninguém pode negar. Eram mulheres incríveis, atormentadas por demônios interiores. Amy era depressiva, tinha distúrbios alimentares e sérios problemas de auto-estima. Nina era bipolar, agressiva.

Diferente da Amy, Nina me parecia querer provar algo para alguém. Talvez (e provavelmente por ter crescido em um ambiente de forte segregação). Para ela parecia importante mostrar que tinha dinheiro, que cantava nos melhores lugares, que tinha uma casa bonita… mesmo com tanta tristeza dentro do seu lar. Depois de ler e procurar sobre ela, algo aconteceu comigo. Ouvir a voz da Nina me dói.

 

Sammy Slabbinck e suas colagens

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Eu conheci o trabalho do Sammy Slanbbinck por acaso, estava fazendo uma pesquisa por colagens e acabei caindo no seu site oficial. Slanbbinck é um artista belga nascido em 1977, apaixonado pelo surrealismo e pela fotografia vintage. Ele inciou seus trabalhos em 2009 depois de fazer combinações com imagens que encontrava nas revistas Paris Match. Ultimamente tem se dedicado à animações, algumas delas disponíveis em seu site e no Vine…

Samy

Adobe Photoshop PDF

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A lei do desejo

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Escrever sobre um filme de Almodóvar é difícil, seus longas possuem tantas metáforas e possibilidades de interpretações que eu tenho certeza em afirmar que esse texto não faz jus à obra nem autor.  Mesmo assim eu vou escrever um pouco, é de madrugada e eu não tenho um pingo de sono. Hoje (re)assisti “A lei do desejo”, um filme intenso, cheio de cores e sentidos, que me pareceu muito diferente de quando o vi, anos atrás. É claro que no filme nada mudou. Quem mudou fui eu e isso me soa inquietante.

“A Lei do Desejo” foi lançado em 1987, foi o primeiro longa em que Almodóvar se aventurou a retratar tão abertamente a sexualidade, sendo considerado em vários países como um filme erótico. Na trama, Eusébio Poncela vive Pablo Quintero um diretor cinematográfico que sofre por ser abandonado por seu amante, Juan. Os dois mantém uma bela amizade e se comunicam por cartas. Pablo resolve convidar a sua irmã transexual Tina (interpretada por Carmen Maura) para interpretar seu novo filme. Junto a ela vive uma menininha adotava que nutre uma paixão platônica por Pablo. O filme faz um enorme sucesso e na festa de lançamento Pablo conhece Antônio (interpretado por Antônio Banderas) e se envolve sexualmente com ele – depois, amorosamente também. O que ele não esperava é que Antônio desenvolvesse por ele um amor louco, obsessivo.

Almodóvar disse em uma entrevista que as lembranças desse filme o remetem à uma época de liberdade, aos anos 80 em que a juventude era contestadora e realmente acreditava na revolução sexual. E, e fato, o filme dá essa sensação, de que nada é proibido. Nem mesmo rezar sem calça e fumando cigarro.

Das Gesetz der Begierde

O trabalho de metalinguagem é incrível. Pablo só pode ser um alter ego do próprio Almodóvar e convenhamos, um filme falando de outro filme e um diretor contando a história de outro diretor é um jogo narrativo de deixar qualquer um louco! Fora que em certo momento da trama, Pablo começa a escrever uma história e esse personagem se confunde com Tina, são praticamente a mesma pessoa, passaram pelo mesmo na vida…

O lubrificante:  Vi em algum lugar uma interpretação muito bonita sobre a primeira transa entre Pablo e Antônio. Perdoem por não citar a fonte, mas é porque não salvei. Na cena, Antônio conta para Pablo que nunca transou com nenhum homem. Diante da dificuldade, Pablo apaga a luz e pega um lubrificante. A cena gerou piadinhas, descontentamento e deixou muita gente inquieta nas salas de cinema. Muitos interpretaram como um detalhe desnecessário, viram a cena como puro erotismo. A opção por mostrar esse ato tão íntimo enfatiza o momento em que Antônio cria um elo de amor e confiança com Pablo, ele simplesmente permite que Pablo domine seu corpo e se entrega, apesar da estranheza e da dor.

ley deseo rainbow

 A transexualidade de Tina: Em uma entrevista Carmen Maura disse que se preparou muito para interpretar Tina, que achava que esse era o personagem de sua vida e que fez um mergulho intenso para se contextualizar. Perceber os pequenos detalhes ajudam a entender a grandiosidade dessa atriz (e juro que não tô falando isso não só porque a amo). Por exemplo, é muito interessante todo o seu esforço em engrossar a voz (que é bem fina) ou a sua postura corporal, tocando sempre os seios – como se quisesse mostra-los como troféu de sua feminilidade. Esse é uma das características que mais me faz amar esse filme, Almodóvar trata a transexualidade com respeito e naturalidade.

No filme há um jogo de cena muito valioso. Como sabemos, Tina é interpretada por uma mulher. Ela adota a garotinha e passa a trata-la como se fosse sua mãe. Há um momento em que a mãe biológica da menina aparece no filme, e ela é interpretada por uma transexual.

Toda a discussão sobre sexualidade e gênero é muito forte quando esbarra em Tina. Não importa quem ela foi, importa o que ela é e como se sente – e a sua necessidade de se reinventar. O fato é que quando vem à tona, a história de Tina realmente surpreende (Almodóvar mais uma vez toca na ferida). Na cena em que ela entra na igreja descobrimos que foi abusada por um padre pedófilo. Depois, quando seu irmão perde a memória, ela conta da relação incestuosa que teve com o pai (que se apaixonou perdidamente por ele e que fugiu para viverem juntos).

Em suma é um filme que me parece falar não só de desejo, mas principalmente de abandono. Não só do desejo da Tina de ser entendida como mulher, ou o desejo do Pablo de ter um pouco de tranquilidade, ou da menina de ser amada. Em algum momento da vida, todos esses personagens sofreram um tipo de abandono que os marcou profundamente. Talvez por isso tão forte e recorrente o “Ne me quitte pas”, que surge de maneira recorrente na trilha sonora do filme. Pablo foi abandonado por seu amante, a garotinha por sua mãe e Tina pelo pai.

Florence Jenkins – você PRECISA conhecer a história dessa mulher!

Ela foi considerada a pior cantora de ópera do mundo… 

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A história de Florence é inusitada, um tanto quanto triste também… Sua trajetória ficou tão famosa que se tornou tema para inúmeras peças teatrais ao redor do mundo (inclusive no Brasil quando sua vida foi encenada por Marília Pêra em Gloriosa). Florence era uma mulher riquíssima, filha de um banqueiro. Queria ser cantora e não desistiu do seu sonho, o problema é que não cantava nada. Quer dizer, cantava muito, mas muito mal.

O pior foi o que aconteceu depois, na sua velhice. Quando ela jovem seu pai percebeu a sua falta de talento e a proibiu de cantar. Ela só foi realizar o sonho aos 44 anos, depois que ele faleceu. Mas Florence, quando se apresentava, era motivo de piada para o público… a tratavam quase como um palhaço de circo. Era ela aparecer no palco, abrir a boca para cantar e começavam os deboches. Chegaram a dizer, inclusive, que sua voz parecia com a de uma galinha. Quando se apresentava o teatro ficava lotado, pagavam caríssimo para vê-la e para rir dela. Foi apelidada como a “Diva do Grito”.

medium_florencephoto1E ela não cantava qualquer música, cantava ópera; considerava-se uma soprano coloratura. Em 1934 formou dupla com o pianista Cosmé Mcmoon e com ele trabalhou até o fim da vida. Gravou dois discos (disponíveis no Youtube!) e os amigos tentaram impedi-la de ouvi-los porque achavam que ela se daria conta do quanto cantava mal. Aí é que está, ela não se dava conta. Muito se discute se ela sofria ou percebia os deboches… ao que tudo indica, ela não ligava. Ninguém a viu reclamar de nada, ela realmente acreditava que cantava bem e ninguém lhe tirava essa certeza.

Marcante foi a sua roupa de anjo. Em uma das trocas de figurino ela aparecia com asas enormes e um vestido longo… dizem que quando a viu com a roupa, a atriz Tallulah Bankhead riu e debochou tanto que foi retirada do teatro.  Aos 76 anos Florence foi convidada para se apresentar no Carnegie Hall, para um público absurdamente maior do que estava acostumada e numa das casas de espetáculos mais famosas dos EUA. Os ingressos se esgotaram em poucas horas.

Um mês depois ela faleceu, alguns dizem que de depressão. Dizem que, no fim da vida, ela finalmente entendeu que cantavam mal e que era motivo de piada. P.S: Como herdou o dinheiro do pai, Florence fazia questão de doar toda a arrecadação da a bilheteria dos seus shows para a caridade.

Comentou, mas não assistiu

gloria pires no oscar

Uma curiosidade meio mórbida me fez assistir a transmissão do Oscar pela Rede Globo, foram surgindo vários memes da Glória Pires na internet e eu fui ficando absurdamente louca para saber do que se tratava. Acontece que Glória simplesmente não sabia o que fazer ali, não conhecia o nome dos diretores, dos atores, e não tinha feito o para casa; o essencial: assistir os filmes. “Bacana”, “Merecido” e até um “Médio” ela foi capaz de soltar. Engraçado foi, mas vergonhoso também. O que me levou a pensar no que passou na cabeça dessa atriz, tão querida, que aceitou se expor desse jeito. Ou ela acreditou que ser comentarista de um evento desse porte se dá apenas em dizer o que achou, sem emitir nenhum conhecimento técnico? Por outro lado, Maria Beltrão e Arthur Xexeo, rápidos nas observações, carregavam livros e cadernos de anotações que os direcionavam e ajudavam a assimilar as indicações e categorias. Beltrão tentava tirar alguma coisa de Glória Pires, que fazia um olhar evasivo (do tipo que não faz ideia do que a pergunta se trata) e logo, uma bola fora. “Glória, qual será o melhor filme¿” “Eu não sou boa em previsões, mas acho que Trumbo”. Trumbo não foi indicado…A confusão de Glória me confundia, porque eu também estava por fora dos filmes e imagino que muitos espectadores também, quer dizer, ela deixou o desinformado ainda mais confuso. Foi estranho, muito estranho..

O Homem que matou Getúlio Vargas

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Eu li resenhas maravilhosas sobre esse livro e me senti uma merda porque terminei de lê-lo ontem e não me identifiquei com a narrativa nem com o personagem principal. Não preciso falar da genialidade do Jô Soares e do quanto ele é querido e admirado, por isso fiquei surpresa com a minha própria reação. A ideia é bem legal, mas achei o desenvolvimento cansativo e por hora, parecia que os momentos engraçados foram meio… forçados, sabe?  – Alguém leu e também se sentiu assim?

O livro conta a história de Dimitri, um jovem anarquista que cresceu em uma sociedade secreta de assassinos e que se especializou em matar tiranos, ditadores. O problema é que Dimitri é um pouco desastrado e as coisas nem sempre saem como ele deseja. Ele viaja por vários países e interage com personagens históricos reais, o que me pareceu mais interessante. Por exemplo, em uma viagem de trem ele encontra com Mata Hari! Em outros momentos, Al Capone, Fernando Pessoa, Carmen Miranda… Um dia descobre que possui uma familiaridade distante com Getúlio Vargas e que por isso, vai viajar para o Brasil. É por vasculhar seu passado e descobrir um abandono que decide que Getúlio será a sua próxima vítima.

A parte em que ele vem para o Brasil é até legal, a gente vai lendo e mergulhando na efervescência  política da época, se sente como numa sala onde dá pra ver Vargas ser encurralado de todos os lados.  Em resumo, “O homem que matou Getúlio Vargas” é quase uma aula de história (uma aula cheia de sarcasmo, por sinal). Por isso é bom que antes de lê-lo, você revise um pouco os seus estudos. Acho que tá aí um ponto que facilitou o meu estranhamento pelo livro, eu não fazia ideia do que se tratavam alguns acontecimentos que o autor citava.