das felicidades e tragédias, a vida de Sylvia Pasquel

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A Silvia Pinal é uma das atrizes mais importantes e influentes do México. Só que mais frutífera que sua carreira, é a sua vida pessoal. Ok, eu odeio fofoca (juro!)… mas não tem como ficar indiferente a quantidade de absurdos que cercam a vida dessa mulher (e de suas filhas). Já fiz uma publicação falando da Alejandra Guzmán, e hoje vou comentar um pouquinho sobre a Sylvia Pasquel (filha da Silvia Pinal e meia irmã da Alejandra Guzmán. Ela também faz parte do que os mexicanos chamam de Império Pinal).

Outro dia assisti um vídeo de uma pequena biografia da Sylvia Pasquel e fiquei assustada com tantos fatos obscuros e com a tamanha tristeza que essa mulher fala da própria vida. Incrível como ela conseguiu dar a volta por cima, ainda que seja perceptível o quanto machucada ela foi. Ela fala com tanta tristeza que é difícil ficar indiferente (e é um sentimento verdadeiro, dá para perceber que ela não está fingindo).

Cercada de luxo, de assédio da imprensa, da fama e de dinheiro… Sylvia passou por duros momentos: perdeu uma irmã, uma filha e se afastou seriamente da família depois que se relacionou com o namorado da mãe.

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Sylvia e sua irmã, Alejandra.

O rostinho dela é bem conhecido aqui no Brasil, não por interpretar protagonistas, mas por várias e fortes antagonistas em novelas mexicanas. A Sylvia é a filha mais velha da Silvia Pinal (com o ator Rafael Banquells), ela nasceu em 13 de outubro de 1949. Seus pais se separaram em 1952, foi quando Silvia Pinal se casou com o ator Enrique Guzmán. No vídeo que assisti, Sylvia fala pouco sobre Enrique Guzmán (em respeito aos irmãos), mas comenta que por ser a filha mais velha sofreu muito com a criação exigente (e as vezes indiferente dos pais). Fora que recebeu um tratamento diferenciado dos outros e que presenciou as inúmeras violências domésticas que a mãe sofria.

Agora, leiam alguns fatos sobre a vida dela e vejam se algumas coisas não parecem de “novela”. O post está um pouco confuso, desculpinha:

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– Ela escolheu o sobrenome “Pasquel” para não ser confundida com a mãe. (Pasquel é o sobrenome de seu avô materno). Ainda que Sylvia tivesse vontade de atuar desde pequenininha, sua mãe só o permitiu quando ela ficou maior, no início da carreira fez pequenas participações em filmes estrelados por sua mãe como O Anjo Exterminador de Buñuel, de 1962.

– Se casou aos 17 anos com o cantor Mike Salas. Chegou a afirmar que não se casou por amor, mas para fugir da sufocante convivência com a família e se tornar independente. Engravidou no mesmo ano. Sua filha, Stephanie Salas tornou-se cantora

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Silvia Pasquel e sua mãe, Silvia Pinal

– Em 1982 foi profundamente atingida pela notícia da morte de sua irmã, Viridiana Alatriste (também atriz de televisão, teatro e cinema). Sylvia ficou emocionalmente abalada (muito!). No vídeo que assisti, conta que foi uma das primeiras da família a saber da morte da irmã e que foi responsável por identificar o seu corpo. Viridiana, filha de Silvia Pinal com Gustavo Alatriste, faleceu em um acidente de carro.

– Sylvia teve um caso amoroso com Fernando Frade, na época ele era namorado da mãe dela. Sylvia engravidou de Fernando, e em homenagem à sua irmã falecida, chamou a menininha de Viridiana. Dois anos depois, em 1987, Viridiana morreu afogada na piscina da casa da Sylvia. Na entrevista que assisti, Sylvia comenta sobre o fato com muita dor e diz não entender o acontecido, especialmente porque a menininha (que tinha dois anos) estava acompanhada de uma babá.

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Sylvia, sua mãe Silvia e sua filha Stephanie

– Stephanie Salas (a filha da Sylvia) também engravidou novinha, com apenas 19 anos. A identidade do pai da criança foi tratada com mistério até 2006, quando Stephanie finalmente revelou que o pai de sua filha era Luis Miguel (um cantor famosíssimo).

– Recentemente Silvia Pinal escreveu um livro biográfico e dedicou um capítulo à Sylvia, falando de sua traição com Fernando e da morte da menininha. Sylvia se negou a ler o livro, disse que as memórias levantadas neste capítulo eram dolorosas demais.

Entre Abelhas

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Estava louca por assistir esse filme, fiquei encantada com o tom surrealista e existencial da trama e pelo fato de ser uma produção nacional. Atendeu todas as minhas expectativas, recomendo muitíssimo, principalmente pela reflexão que sugere. Entre Abelhas foi idealizado por Fabio Porchat e por Ian SBF, e tem um tom bem dramático e sério.  Não sei porque, mas me lembrou um pouco da essência de “O Anjo Exterminador”, do Buñuel e de “O Bigode” de Emmanuel Carrére.

O filme conta a história de Bruno, um homem profundamente afetado pela recente separação. Aos poucos para de enxergar as pessoas que lhe cercam, começa a tropeçar no ar e trombar com coisas que não vê e não escuta. Ele fica obsessivo pela ideia de encontrar a causa de seu problema, e começa a criar pequenos mapas fotográficos para ativar sua memória. Ouvi uma entrevista que o Porchat cedeu ao programa Pânico na Rádio e ele dizia que há anos queria filmar esse filme e problematizar o individualismo. É também um filme sobre depressão e solidão, nos faz repensar as consequências da conectividade (ela realmente aproxima ou distancia as pessoas?).

– Irene Ravache interpreta a mãe do Bruno, ela é incrível e é sempre um prazer assistir qualquer coisa que ela faz. Neste filme ela está muito divertida!

– Só pra esclarecer: Em “O Anjo Exterminador” um grupo se reúne para jantar e não consegue mais sair da sala, nada os impede de sair, o lugar nem porta tem, mas eles não conseguem atravessa-la. Passam dias sem comida e sem água. Em “O Bigode” um homem que sempre ficou conhecido por ter bigode resolve raspá-lo e surpreender a família e os amigos. Mas depois de tirá-lo, é ele que se surpreende, afinal seus amigos e sua família dizem que ele nunca usou bigode.

Ai, Raffaella!

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Já faz um tempão que escrevi sobre a Raffaella Carrá, mas voltei aqui só para observar que estou ouvindo suas músicas mais do que nunca. O ritmo é maravilhoso, a voz rouca é marcante… Mas confesso que estou ouvindo principalmente porque li algumas coisas muito curiosas sobre a carreira dela que me fazem admirá-la ainda mais. Quando Rafaella aparecia na TV, as crianças eram obrigadas a sair da sala. Seus passos sensuais e seus bailarinos extremamente afeminados iam contra a moral da família tradicional. Muito se questionava se a cantora era na verdade um travesti. E quem disse que ela se importava¿ Pelo contrário, fazia disso a sua marca. Aquele rosto angelical de madeixas loiríssimas não se importava em cantar a homossexualidade e a sexualidade com muito humor e carisma. Só para lembrar, estamos falando da década de 70.

Muito Suspense! Conheça: El Hotel de los Secretos

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El Hotel de los Secretos é uma série mexicana, produzida pela Televisa e lançada nos EUA em 2015. Inspirada no sucesso espanhol “Gran Hotel”, a série apresenta uma trama cheia de suspense, mistérios e assassinatos. O cenário é luxuoso, assim como os figurinos.Assisti os nove primeiros capítulos da série (ao todo, serão 80) e fiquei realmente surpresa com alguns detalhes. A série é uma aposta da emissora, foi muito bem produzida e não fica atrás em relação à espanhola (que por sinal, foi um sucesso de público e que ficou por três temporadas no ar). Só para constar, El Hotel de los Secretos é produzida por Roberto Gómez Fernandez, filho do Roberto Bolaños… o “Chaves”.

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A proposta da Televisa com este trabalho é revolucionar a antiga estética da telenovela, cujo diálogo não é tão rápido, a fotografia não é tão boa, os personagens são maniqueístas, e há um tom melodramático demais. O intuito não é acabar com as novelas, é claro (aliás, grande filão da emissora). É apenas apresentar outras opções ao espectador e andar em igualdade com as novas linguagens da tv mundial (especialmente americana).

A série começa com Júlio (Erick Elias) a caminho do Hotel e em busca de notícias de sua irmã, Cristina. Durante a viagem, ele conhece e se encanta por Isabel (Irene Azuela) sem saber que ela é filha da dona do hotel. Quando chega, Júlio descobre que sua irmã foi despedida há meses e começa a desconfiar de que ela tenha sido assassinada. A chegada de Júlio traz à tona uma série de segredos que envolvem praticamente todos os personagens, entre eles: Teresa (dona do Hotel, interpretada por Diana Bracho), Ângela (a governanta, interpretada por Daniela Romo), Diego (pretendente de Isabel, interpretado por Jorge Poza), Sofía (filha de Teresa, interpretada por Dominika Paleta).

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Como assisti algumas cenas da série espanhola, fiquei um pouco incomodada com a reprodução de muitos momentos, quero dizer… as primeiras cenas da série mexicana são praticamente iguais à espanhola, inclusive os diálogos. Só nos capítulos subsequentes é que senti uma inovação em relação à trama, seja no tom mais cômico ou no próprio perfil dos personagens.

Em suma, o que mais me interessa na série é ver Daniela Romo e Diana Bracho trabalhando juntas, são duas das minhas atrizes mexicanas favoritas. Diana interpreta a dona do hotel e está muito bem. Ângela é a sombria e exigente governanta…. Daniela realizou um enorme trabalho de imersão (não usa maquiagens, cortou as marcantes unhas grandes, fala baixo e pouco sorri). Ângela foi amante do marido de Teresa e teve um filho com ele, algo aconteceu para que fosse silenciada.

Pepi, Luci, Bom – 1980

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Este filme ficou enterrado no meu computador por muitos anos, comecei a assistí-lo, mas a estética me provocou tamanha estranheza que deixei de lado. O “Ciclo Carmen Maura” me deu coragem para vê-lo e, com um pouco mais de persistência, completei o desafio. A verdade é que eu amei, amei, amei (o filme) e pirei ao ter conhecimento de vários aspectos da produção.

“Pepi, Lucy e Bom” marca a estreia de Almodóvar na direção, o filme foi lançado em 1980, custou meio milhão de pesetas e contou com a participação financeira e colaborativa de seus amigos, incluindo Carmen. Foi inspirado em uma fotonovela cujo título era “Erecciones Generales”, feita pelo próprio Almodóvar para uma revista underground. Nessa época, Carmen era muito próxima do diretor, os dois participavam de uma companhia teatral chamada Los Goliardos e até então, ele só tinha realizado pequenas gravações em formato 8 mm.

Fica muito claro que Almodóvar ainda não tinha uma marca própria, mesmo com um toque muito forte de contestação, da porra-louquice e das cores gritantes (o que vimos se repetir tantas vezes).

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[Esse texto está cheio de spoiler, então… me desculpem] A trama conta a história de três amigas cujo comportamento é pouco comum. Pepi é uma jovem sustentada pelo pai e que é estuprada por um policial em seu próprio apartamento (ele iria prendê-la por encontrar várias plantas de maconha, mas ela oferece sexo em troca de liberdade. No entanto, revela que é virgem e pede que ele “vá por trás”, porque já está acostumada). Revoltada por ter sofrido tamanha violência, Pepi recorre à Bom e seus amigos punks para se vingar. Um dia encontram o policial na rua e o espancam (sem saber, que na verdade, o fizeram com seu irmão gêmeo). Pouco tempo depois conhecem e fazem amizade com Luci, a esposa do policial que tem certo comportamento masoquista (e que, posteriormente, se apaixona por Bom).

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Mesmo sendo um pouco agressivo, o filme possui uma história extremamente feminina, quero dizer, há uma “alma feminina – feminista” que se percebe em vários detalhes e principalmente em Pepi, a personagem central.  Depois que ela recebe o recado de que o pai não vai mais sustentá-la, Pepi começa a trabalhar em uma agência publicidade e criar peças voltadas para  público feminino entre elas, uma calcinha que muda de cor durante a menstruação e se transforma em brinquedo sexual. Aos poucos Pepi vai deixando de ser uma menina dependente, e se torna uma mulher, livre.

Esse filme representa um pouco da busca pela liberdade (sexual) e o clima de descompromisso que Pedro e Carmen tanto comentam em suas entrevistas, também há o chocante (tratado como algo banal): como a cena em que Bom faz xixi no rosto de Luci ou a cena das Erecciones Generales, onde um grupo de amigos está reunido e elegem o maior pênis… o vencedor escolhe qualquer um da turma e define o que o escolhido precisa fazer para agradá-lo.

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Em suma, um detalhe que passa despercebido, mas que é muito interessante é o fato de Bom ser uma jovem punk de 16 anos e Luci ser uma senhora, dona de casa, na faixa dos 40 anos. E isso é mencionado várias vezes durante o filme. Ainda que Luci não possua a aparência de uma senhora, há toda uma caracterização (como a peruca, as roupas e o próprio comportamento).

“Vemos neste filme vários atores que posteriormente voltaram a trabalhar com Almodóvar em papéis marcantes como Cecília Roth e Julieta Serrano .

Agnes Browne – o despertar de uma vida

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Estava lendo uma lista que indicava as dez melhores performances de Anjélica Huston e me deparo com “Agnes Browne –  o despertar de uma vida” na décima posição. O filme é de 1999 e foi dirigido pela própria Anjélica, o que é uma façanha e tanto. O problema, é que mesmo tendo um roteiro cuja história parece favorável para o desempenho dramático do personagem, há uma enorme quebra de expectativa. Resumindo: o filme não é tão bom assim e Anjélica não está em sua melhor forma.

A trama se passa em Dublin, 1967. Agnes possui sete filhos e o seu marido falece repentinamente. Sua ausência causa uma enorme crise financeira na família, o que faz com com que ela comece a trabalhar no mercado local vendendo frutas. Lá faz amizade com Marion (interpretada por Marion O’Dwye), uma mulher sincera e divertida que a ensina a olhar para a vida de um jeito diferente. Sem perceber, Agnes desperta a paixão de Pierre, um padeiro que trabalha no mesmo mercado.

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O filme é uma gracinha, tem toda aquela coisa dramática/romântica que culmina em superação. O  problema é que por tratar tão superficialmente dos assuntos que se propõe, soa um pouco  “forçado demais”. Anjélica, com aquele enorme sorriso e uma pose extremamente elegante, não convence como uma mulher a beira do abismo financeiro, desesperada por uma solução. Não importa quão simples as roupas que vista, o lenço na cabeça ou a pouca maquiagem… na minha percepção, ela não conseguiu captar a aura do personagem.

Tudo acontece muito “rápido”,  a relação de Agnes com os filhos é pouco explorada e a amizade dela com Marion incomoda para caramba, a verdade é que Agnes soa um pouco egoísta demais, quase exploradora. Enfim, todos os elementos te induzem a ter uma identificação com a personagem principal (seja por compaixão ou admiração), mas sinceramente… Agnes é uma heroína clichê e artificial.

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Talvez o que dê mais fôlego à trama seja o sonho da personagem de assistir um show do Tom Jones, o que rende algumas cenas engraçadinhas…

A filha de Satanás, 1949

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Não sei porque demorei tanto para assistir esse filme, sempre me chamou muita atenção a história e, especialmente, o aspecto da Bette. Até então, nunca tinha a visto com cabelos tão grandes e escuros e com tamanha sensualidade. “A filha de Satanás” foi lançado em outubro de 1949 e conta a história de Rosa Moline, uma mulher maquiavélica e alucinada pela ideia de sair do interior para se mudar para Chicago. Em busca do sonho, Rosa comete atrocidades e mesmo casada, não pensa duas vezes em seduzir um rico empresário com o intuito de fazê-lo tirá-la dali.

É desse filme a famosa fala “What a dump”, posteriormente reproduzida por Elizabeth Taylor em “Quem tem medo de Virginia Woolf”e considerada pelo American Fims Institute um das 100 melhores frases do cinema.  Aliás, esse filme marca o fim da relação de 18 anos entre Bette Davis e a Warner,. Bette estava descontente por ser obrigada a interpretar o papel e chegou a tentar abandonar as gravações, inclusive foi duramente crítica ao diretor King Victor (tentando fazê-lo ser demitido).

BetteDavisBeyondEsta é considerada a pior interpretação de Bette, o que me surpreendeu. O filme tem toda uma carga dramática e aborda assuntos obscuros para a época. Li algumas análises muito interessantes e uma delas evidenciava o fato da Bette interpretar um personagem mais jovem, de não estar bonita ou sensual e de nos convencer exatamente do contrário. Como um ciclo que esbarra no início de sua carreira, onde ela dava vida a personagens muito mais velhos e com pouco sensuais.

Rosa é um personagem de moral duvidosa e realmente “do mal”. Muito marcante são as cenas em que, ao se descobrir grávida, tenta praticar um aborto. Ao mesmo tempo, é quase como uma “anti heroína”, que mesmo com atitudes grotescas, nos faz ter empatia por sua necessidade quase sufocante de sair daquele lugar. Como um passarinho, tentando se livrar da gaiola.

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Se alguém acredita que durante a maior parte do filme a sua atuação não convence, é preciso constatar que é difícil ficar indiferente às cenas finais, onde ela alucinada pela febre, sai descabelada pelas ruas e com a maquiagem manchada, tentando desesperadamente alcançar o trem. Quase um prelúdio da Bette que conheceríamos em Baby Jane, 1962. Uma atriz incrível, sem medo de despojar-se de sua beleza para dar vida aos personagens.

O que terá acontecido a Baby Jane? – 1991

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Nota rápida:  Nessa semana eu assisti a segunda versão de “O que terá acontecido a Baby Jane”, filme de 1991, dirigido por David Greene. Era um filme que me despertava muita curiosidade e ao mesmo tempo repulsa, porque eu simplesmente odiava a maquiagem que fizeram na Lynn Redgrave. Essa versão mantém a trama da primeira e pouquíssimas alterações foram feitas. A história se passa em uma mansão em Hollywood onde vivem Jane Hudson e sua irmã Blanche, interpretada por Vanessa Redgrave. As duas foram estrelas de cinema, mas tiveram a vida despedaçada após um trágico acidente que deixou Blanche em cadeiras de rodas. Para saber mais sobre a versão de 1962, acesse.

Aqui não se repete o que as legendárias Joan Crawford e Bette Davis fizeram anos antes. Não existe aquele clima de tensão nos bastidores, nem a explosão de raiva de duas atrizes que se odeiam há anos. As irmãs Redgrave possuem uma sintonia bem diferente e isso é perceptível já nos primeiros minutos. São igualmente intensas, mas existe algo de “fraternidade” que o outro não tem, diversas vezes vemos as personagens dividindo lembranças da infância e trocando olhares carinhosos.

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Li comentários que diziam que esse filme é mais realista e chocante que o outro… pode ser. O fato é que quando lançando, foi duramente criticado. Nesse eu percebi uma Blanche mais impiedosa e caprichosa e a uma Jane menos malvada e mais afetada. Também não sei se pela cor, mas me pareceu mais violento. Acontece que a Lynn, apesar daquela horrível maquiagem, se sobressai muitíssimo, ela está incrível, muito emocional e assombradora (aquela boneca, putz!). O filme me fez encarar a Jane muito mais como vítima, principalmente por causa da cena final, onde todos os policiais prestam socorro à Blanche e deixam Jane sozinha, caminhando em direção ao mar…

sobre a Ana Patrícia Rojo

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Nas últimas semanas um termo de pesquisa tem aparecido de forma recorrente no La Amora, se trata de “Quem é Ana Patrícia Rojo”. Acredito que o Google está redirecionando estas pessoas para cá por causa da quantidade de posts que existem aqui onde eu falo da Helena Rojo. Bom, a Patrícia não me é estranha. O rosto dela me soa bem familiar e para dizer a verdade, não me lembro bem ao certo em qual novela a vi, mas posso dizer que ficou marcada na minha memória como vilã. Fiz uma pesquisa bem rapidinha sobre ela e vou apontar neste post algumas informações legais sobre sua carreira e sobre sua vida pessoal, beleza?

– Ana nasceu em 1974, é mexicana com descendência africana e uruguaia. Sua mãe não é Helena Rojo, e sim Carmela Stein (eleita Miss Peru em 1961). Seu pai, Gustavo Rojo é um ator com uma riquíssima carreira, ele atuou em 23 novelas, em cerca de 108 filmes e em 150 obras de teatro (nasceu no Uruguai, morou por um período na Espanha e posteriormente se mudou para o México).  Ana também possui familiaridade com outra atriz mexicana, é sobrinha de Pituka de Foronda.

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– Ela começou a atuar bem novinha, tinha cinco aninhos quando participou do filme “Los reyes del palanque” e na novela “Honrará a los tuyos”. Um ano depois interpretou uma garotinha órfã e pobre chamada Caramelo na novela “Al final del arco íris”.

– O sucesso bateu em sua porta em 1995, quando interpretou Penélope de Linhares na novela Maria do bairro. Ela era uma das pedras no sapato da Thalía e tinha uma obsessão pelo Luis Fernando. Fiz uma pequena pesquisa na internet e fiquei chocada com tantas tretas, tem cenas de uma batendo na outra, da Penélope sendo presa e até salva de um incêndio. Ela também foi vilã em Carinha de Anjo, transmitida no SBT em 2001. Ana interpretava Nicole, uma mulher interesseira e ambiciosa que deseja se casar com Luciano para colocar as mãos em sua fortuna. (Luciano era o pai da Dulce Maria, a fofíssima menininha que vivia em um colégio de freiras e que era super amiga da madre superiora, interpretada pela grandiosa Libertad Lamarque.  Uma curiosidade é que a Liberdad morreu antes de terminar as gravações da novela e foi substituída por Silva Pinal, outra grandiosa atriz).

– Ana também participou da novela Esmeralda, interpretava a sórdida Gerogina. Uma curiosidade interessante é que seu pai também participou da novela, ele interpretava o Doutor Bernardo Pérez. Eles voltaram a trabalhar na novela chamada “Um caminho hacia el destino”, que começou a ser transmita pelo Canal de las Estrellas em janeiro deste ano. Seu pai, que já está bem velhinho (92), teria uma participação maior, mas se retirou das gravações por questão de saúde.

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– Atualmente o SBT re-exibe Cuidado com o Anjo, lindamente protagonizada por William Levy e Maite Perroni. Ana dá vida a Estefânia Rocha, uma jovem mentirosa que se fazia passar como a filha perdida de Cecília.

– Ana foi casada por cinco anos com Jorge Grijalba, do casamento tiveram duas filhas Ana Sofía e Ana Maria. Eles se separaram em 2014.

sobre Anjélica Huston

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Dentre as inúmeras paixões que tive de atores e atrizes, Anjélica Huston foi a primeira. Tenho lembranças muito fortes da sensação de encanto e admiração que sentia quando assistia seus filmes, uma magia e uma entrega meio lúdica e muito característica de crianças. Eu matei aula duas vezes na minha vida (durante a infância): uma foi por causa de um caderno que ganhei da minha avó e que ela dizia que eu só poderia escrever nele depois da escola – então eu fingi que estava passando mal, só pra ir pra casa.

A segunda foi quando um filme da Anjélica passou na Sessão da Tarde. Fiz um acordo com a minha mãe e mentimos para a diretora dizendo que eu tinha consulta médica. Vocês não imaginam quão incrível foi sair da sala de aula e encontrar minha mãe do lado de fora do portão. Na minha memória ficou vivo o momento em que desci as escadas correndo e como fugitivas, pegamos um taxi para ir pra casa e sentamos no sofá para assistir o filme. Minha mãe tem uma magia que não sei explicar, ela consegue ser  incrível em todos os momentos da minha vida.

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Há poucos dias li comentários muito cruéis sobre a atual aparência da Anjélica, memes bem maldosos e comparações infelizes. Como se envelhecer fosse um crime. O que é meio irônico porque a própria Anjélica dizia que teve muita dificuldade para inciar a carreira porque era considerada feia e desajeitada demais.  A imagem dela como Mortícia Addams e como Eva Ernest (Convenção das Bruxas) serão sempre uma das minhas referências de beleza e elegância, eu adorava os movimentos que ela fazia com as sobrancelhas e as unhas vermelhas, enormes. E a voz, o tom….

Eu assisti muitos (muitos) filmes da Anjélica, em tempos de locadoras eu era aquela louca que ligava para perguntar qual filme dela tinha no catálago. E não importava quão longe fosse, eu dava um jeito de ir buscar (ou minha mãe, na verdade, que pedia um amigo para locar). Me surpreendia muito assistí-la em papéis dramáticos que fugiam da imagem “gótica sensual” a qual estava acostumada.

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Os imorais, por exemplo, foi um filme que ganhei da minha mãe em VHS (e eu tinha lá meus 10 anos) e do qual tive pesadelos! Passaram-se quinze anos e eu nunca mais vi esse filme, mas se me perguntarem, lembro perfeitamente da cena toalha e da cena em que ela beija o John Cusack – que era filho dela no filme. Uma história perturbadora demais para uma criança.

Em tempos de pouca  internet (quase nenhuma, para falar a verdade), o que eu sabia da Anjélica eu descobria através de revistas.Uma delas eu guardava a sete chaves, o título da matéria era ‘A idade da loba” e contava como era a vida de Anjélica, em sua enorme mansão, rodeada de gatos . Foi através dela que descobri quem era seu pai, John Huston (famoso diretor americano) e quem era seu odioso namorado, que a trocou por uma mulher bem mais jovem… Jack Nicholson – sério, eu odiava ele por causa da Anjélica. HAHA.

Fiquei muito curiosa em relação aos dois livros autobiográficos que a Anjélica lançou, mas aparentemente é difícil encontrar por aqui. Mesmo assim, li algumas reportagens, resenhas e vi muitas entrevistas dela que me apresentaram curiosidades que não imaginava. Segundo ela, por exemplo, o pai vivia ausente porque viajava muito para realizar os filmes, mas ao mesmo tempo quando estavam juntos ela sentia que existia uma proximidade muito grande. Ela conta também que seu pai desacreditou sua carreira de modelo e dizia que ela não era bonita o suficiente para modelar, principalmente porque tinha ombros largos demais. Viveu por muito tempo na Irlanda, teve uma infância tranquila e abastada.

Vi uma entrevista muito emocionada em que Huston conta, visivelmente magoada, sobre sua relação com Jack. Aliás, uma relação de 17 e intensos anos. Na entrevista ela dizia que foi difícil seguir em frente depois de descobrir a postura do ator. Para ela, mais duro ainda foi o fato da traição ser quase como um “evento público”,  ela sofreu um assédio enorme da imprensa e leu coisas muito maldosas. Na sua concepção, ela procurava nos homens a mesma imagem que tinha do pai, estava acostumada em ser abandonada e ter por perto um homem controlador. Tudo mudou quando se casou com Robert Graham Jr, artista plástico… finalmente ela percebeu que era possível ter alguém que a amasse verdadeiramente e que cuidasse dela.