só pra constar, eu fui apaixonada por Smallville

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Eu realmente me sinto culpada por não ter assistido todas as temporadas de Smallville, ao mesmo tempo, quando eu penso na possibilidade me dá uma preguiça sem tamanho. Foi uma série que fez parte da minha adolescência, eu assisti a primeira vez no SBT (e nem achava ridículo aquele subtítulo de “as aventuras do superboy”). Eu era bem novinha vai… pra você ter uma ideia, gravava os episódios em VHS todos os domingos. Pois é, nem tínhamos o aparelho de DVD em casa e quando compramos, ganhei o primeiro episódio da série – foi uma loucura, assisti umas mil vezes.

Pelo caminho mais óbvio eu deveria ser apaixonada pelo Clark, mas não. Eu até o achava bonitão, mas sem graça pra caramba. Gostava mesmo era do pai e da mãe dele, era fissurada nos dois, Jonathan e Martha Kent. Isso é normal¿ Eu adorava o carinho e o respeito do casal, e tenho vivos em minha memória muitos momentos marcantes. Também gostava da doçura da Lana, mas me identificava principalmente com a Chloe, que era inteligentíssima, tinha um humor ácido e era jornalista (profissão que sempre me encantou e que escolhi seguir).

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Por mais que a série se apoiasse em naqueles efeitos e nos superpoderes de um jovem menino do interior, ela tinha todo um cenário escolar e familiar, com questionamentos bem juvenis e problemáticas adolescentes. Obedecer os pais ou não, as primeiras paixões, em qual grupo se encaixar na escola, a rotina dos estudos e todas aquelas coisas que quem tem mais de quinze anos já viveu. Fora, que a trilha sonora era sensacional.

Eu parei de assistir na quarta temporada, acompanhava diretamente os lançamentos (e sabia todos os nomes dos episódios) até que a história deixou de me encantar. Pelo pouco que assisti da trama subsequente, a história foi ficando cada vez mais sombria (como Harry Potter) e o Clark cada vez mais consciente de seus poderes, mais forte e destemido. Espero realmente um dia poder criar ânimo e descobrir como a série acabou, em suma, quando assisto os antigos episódios, tenho lembranças muito boas.

  • A série sempre contava com a participação de personagens que apareciam em apenas um episódio e que eram chamados de “freaks”ou “monstros” e tinham alguns poderes. Essas pessoas foram afetadas pela chuva de meteoros que atingiu a cidade (que era na verdade, marcou chegada de Clark ainda bebê à Smallville) e sempre apareciam para amargar a vida do super boy. Era muito legal o lado vilão desses freaks e ao mesmo tempo, o lado humano, sempre tinham uma história triste por trás e a gente não sabia se ficava com raiva ou com dó.
  • Para saber algumas curiosidades, clique aqui

Painted Lady

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Eu adoro assistir tudo o que a Helen Mirren faz, me sinto quase na obrigação. Acho ela linda, sedutora e uma atriz talentosíssima. Esses dias eu vi “Painted Lady”, uma série britânica protagonizada por ela, com quatro horas de duração e lançada em 1997. A trama conta a história de mulher cujo amigo é assassinado por causa de algumas obras de artes. Em busca de vingança, ela praticamente muda de rotina e de personalidade para encontrar os responsáveis pelo crime. Achei muito interessante o fato de o personagem ter sido feito especialmente para Mirren, que na época ficou marcada no inconsciente do público como a “Inspector Jane Tennison”, da série Prime Suspect.

Em Painted Lady, Helen Mirren dá vida a Maggie, uma cantora de blues aposentada, cuja situação financeira é tranquila. Ela vive em Dublin e tem muito contato com um vizinho, chamado Charles, a quem considera como um pai. Charles é assassinado em sua casa e ao encontra-lo, Maggie percebe que um de seus quadros (datado no século XVII e extremamente valioso), havia desaparecido. Em busca de respostas para o crime, Maggie conta com a ajuda de dois amigos (que trabalham em museus e entendem de arte) para se transformar na Condessa Magdalena Kreschinskaá e se aproximar do assassino.

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A série, além dos momentos deliciosos de suspense, é também uma aula de arte. São muitos os momentos em que os personagens analisam quadros famosos, contam a história de seus criadores e de seu contexto. A menção e reconstituição da morte de Marat (quadro de Jacques Louis David) é realmente muito legal, mas mais bacana ainda é a presença e as metáforas construídas através do quadro “Judith decapitando Holofernes”, de Artemisia Gentileschi, 1620.

Pouco sei sobre a história de Judith e Holofernes, mas o que mais impressiona (e se fala muito na série) é a história da autora do quadro, Artemisia. Um artigo sensacional, publicado no site da UFRGS, de autoria de Elvio Antônio Rossi, nos ajuda a esclarecer o que aconteceu com a pintora:

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“Aos 19 anos, Artemisia foi estuprada por Agostino Tassi (Agostino Buonamici; c. 1580–1644), pintor amigo de seu pai e contratado por este para ser tutor da jovem artista e lhe ensinar desenho e perspectiva, entre outras técnicas de pintura. Ao falhar em manter sua promessa de casamento, Agostino foi denunciado pelo pai da pintora, o caso foi levado à corte e num julgamento que se arrastou durante sete meses, Artemisia foi humilhada e severamente torturada, enquanto o agressor, apesar de ter sido condenado ao exílio por cinco anos, nunca cumpriu a pena, tendo retornado a Roma quatro meses depois. Como principal protagonista deste talvez primeiro caso de estupro público, ao ser acusada de promiscuidade, Artemisia acabou adquirindo uma reputação dúbia. Por isso, conforme Ian Chilvers (2001), a ferocidade de suas representações da decapitação de um homem por uma mulher na série de quadros sobre Judite e Holofernes, tem sido vista por muitos autores como uma “vingança” pictórica por seus sofrimentos.”

Clique aqui para ler o artigo completo

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Portanto, a história de Maggie se mistura um pouco com a personagem da pintura e com a história da própria pintora: é uma mulher que busca por vingança. Seu objetivo rende bons momentos ao espectador, seja o êxtase quando fica cara a cara com o assassino, ou nos momentos divertidos e engraçados, como quando ela toma um banho de loja para se fazer parecer milionária.

Cinderella, 2006

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Que filme sensacional, acabei de assisti-lo e corri para comentar aqui no blog. Quem assistiu e gostou de “A pele em que habito” de Pedro Almodóvar, provavelmente vai relacioná-lo a este filme. É complexo, é confuso, não é linear, cheio de mistérios… mas muito bem construído e realmente, emocionante. Aliás, é quase um quebra-cabeça e tem tantos plots twist que é difícil de contar.

“Cinderella” conta a história Hyun-Soo, uma jovem que vive uma vida praticamente perfeita: filha de uma cirurgiã plástica, cercada de amigas que a adoram e admiram por sua beleza. Porém, sua vida fica completamente abalada quando suas amigas, que foram operadas por sua mãe, começam a enlouquecer, a cortar seus próprios rostos e depois, comentem suicídio. Hyun Soo desconfia que sua mãe está envolvida com as mortes e passa a investiga-la.

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Lançado em 2006 e dirigido por Man-dae-Bong, o filme tem uma forte pegada de terror psicológico, ainda que em seu desenvolvimento apareçam alguns fantasmas (que são mais simbólicos do que tudo, sério!). Eu só consegui entender a metáfora da Cinderela na metade do filme, realmente faz todo sentido (e é triste pra caramba!). É preciso um pouco de persistência para chegar até o final, a verdade é que no início da trama muitas lacunas vão sendo abertas e elas demoram a se fechar.

A mãe do filme (Do Ji‑won), além de ser linda, carrega a maior parte do suspense nas costas. É uma atriz com uma atuação muito intensa e ao mesmo tempo, extremamente misteriosa. No início da trama ela é a mãe perfeita e eu ficava me perguntando o que a relacionaria com a Madrasta da Cinderela. Outra coisa é que ela tem uma aparência muito jovial, por horas eu não acreditava que ela tinha idade para ter uma filha tão grande (na época do filme tinha 40 anos).

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Mesmo lendo tantas críticas negativas, eu confesso que realmente gostei desse filme. Não consigo encontrar mais adjetivos ou características sem soltar um spoiler, a minha mão está coçando aqui para fazê-lo. Enfim, é um filme valioso, intenso, emocionante. Basta se permitir mergulhar na história, vale a pena!

Sombras en una batalla

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Mais um filme da Carmen Maura que entrou para a lista dos assistidos, este eu tinha muita curiosidade de ver e achava que se tratava de um suspense com pinceladas de ação. Nada disso, é um drama bem arrastado, Carmen interpreta uma mulher seríssima e o filme tem um forte tom político, social e contestador. Eu gostei muito, é uma Carmen séria… diferente da qual estou acostumada assistir, bom para relembrar que ela é uma atriz de muitas facetas e que pode surpreender em outros campos, gêneros, fugir do clichê.

Dirigido por Mario Camus e lançado em setembro de 1993, “Sombras en una batalla” conta a história de Ana, uma veterinária que vive em uma pequenina cidade em Zamora, fronteira com Portugal. Lá ela cria sua pequena filha (Blanca, de 12 anos) e convive pacificamente com Dário, seu ex-companheiro. Um dia, em uma viagem de ônibus conhece José, um homem encantador por quem se apaixona e abre as portas de sua casa.

Ao longo da trama vamos descobrindo os possíveis motivos que fizeram de Ana esta mulher tão dura. Ela foi ex-militante do ETA (e eu tive que recorrer eu Google para entender do que se trata), é uma ação nacionalista e armada, considerada como um grupo terrorista. Por ironia do destino, José pertencia ao GAL, e participou de um atentado contra os refugiados vascos que iam em direção ao território francês, Ana era uma delas. Ana passa a ser perseguida por alguns ex-companheiros que a questionam o fato de receber José em sua casa, e ao mesmo tempo em que está apaixonada por ele, não se permite perdoá-lo pelos erros do passado.

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Em entrevista ao El País, Mário Camus chamou atenção para alguns detalhes dos quais reproduzo: “Sem salto alto, sem maquiagem e sem mini-saia, Carmen Maura enfrentou as sombras em uma batalha no último filme de Mário Camus […] Carmen demonstra facilidade para fazer qualquer coisa ser crível, é muito trabalhadora. Ela está acostumada com diálogos curtos e quase improvisados, os diálogos desse filme são muito longos. Ditos por outra pessoa poderiam parecer chatíssimos, mas o poder dessa mulher está na credibilidade que transmite”.

“O personagem de Carmen é muito duro, mas não poderia ser de outra maneira. A alegria está em sua filha, necessitamos da dureza da mãe para entender a evolução da menina. Eu queria que em algum momento a filha fosse a mãe da mãe, hoje as crianças crescem muito depressa”.

O vale do amor

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Tô em falta com a Isabelle Huppert, foram lançados muitos filmes novos com ela e eu não assisti. Hoje baixei “O vale do amor”, filme de 2015, dirigido por Guillaume Nicloux (também diretor em “A Religiosa” e em “Sozinho contra todos”). O filme fala sobre reencontro, arrependimento e morte… é bem levinho, ainda que tenha temas tão complexos. Boas interpretações, um lindo cenário, uma boa trama… mas nada tão marcante que faça deste filme algo inesquecível.

Isabelle (interpretada por Huppert) e Gerard (interpretado por Gerard Depardieu) se reencontram depois de sete anos em um lugar chamado “O vale da morte”. O encontro foi provocado pelo filho do casal, que se suicidou. Em uma carta, ele solicita que os pais visitem alguns lugares específicos, para que ele possa voltar (mesmo que por pequenos instantes). O estranhamento entre o casal se dá logo no início, além das trocas de acusações há muita culpa e ressentimento envolvido.

O filme é fundamentalmente diálogo, é através da conversa dos dois que descobrimos como se deu o suicídio do garoto e os possíveis motivos. Era gay, foi abandonado pela mãe ainda criança e deixado em um internato pelo pai, ou seja, totalmente negligenciado. Enquanto isso, os pais continuaram a vida… o pai trabalhando, a mãe se casou novamente e teve outros filhos.

Achei muito legal o trabalho de metalinguagem, o fato dos personagens terem o mesmo nome dos atores e de serem atores, impossível não fazer uma ligação com a realidade, e também quase impossível não relembrar os filmes em Isabelle e Gerard trabalharam juntos.

A trama é envolvente, tem um certo suspense e até um humor (muito sutil), fiquei tentando desvendar alguns possíveis indícios da volta do garoto (como o cachorro correndo no deserto e as manchas na perna de Isabelle), ao mesmo tempo em que esses indícios possuem um tom espiritual, leva-se em conta de que os personagens estavam em lugar muito quente (que chegava a 60 graus) , o que provocaria possíveis alucinações.

Ai gente, Sense8 é muito bom!

Já li tantos artigos interessantes sobre essa série em outros blogs que fiquei até com vergonha de escrever sobre ela. Mas é verdade é que não tem como fugir, estou trincando de vontade de assistir a próxima temporada e pensando seriamente em rever a primeira.

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Quem ainda não assistiu, corre! Pelo menos para conhecer um pouquinho do que se trata e para viajar numa história super intrigante e inteligente. Sense8 é uma produção da Netflix, criada pelos irmãos Wachowski (os mesmos de Matrix) e  J. Michael Straczynski. Conta a história de oito personagens que vivem em diferentes lugares do mundo, que nasceram na mesma data e que estão interligados mentalmente e emocionalmente.

Li muitos textos exaltando a importância da série em retratar a diversidade sexual, relembrando a impactante cena de sexo. Concordo plenamente e ainda completo, além disso a série tem uma abordagem metafórica sobre a globalização, sobre como o distanciamento comunicacional entre os países e as pessoas estão cada vez menores.

“Eu vi o que você fez e sei quem você é”, 1965

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Gente, eu adoro assistir os filmes da Joan Crawford, quero saber tudo que está relacionado a ela… era uma mulher linda, inteligente, impactante e forte. Mesmo com todas as controvérsias que rondam sua personalidade (e a terrível história contada por sua filha), a admiro muito, principalmente por seu talento e elegância.  Acabei de assistir “I saw what you did”, um terror-suspense dirigido e produzido por William Castle (os dois também trabalharam juntos em Almas Mortas, 1964). Joan interpreta Amy, uma mulher enlouquecida e cega de amor. Bom, vamos começar do começo, certo?

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O filme conta a história de três menininha que ficam em casa sozinhas depois que seus pais saem para um jantar. Para entreter a noite, ficam horas no telefone passando trotes para os outros. Por infelicidade, passam um trote para um homem que acaba de cometer um assassinato e dizem: “Eu vi o que você fez e sei quem você é”. Sem desconfiar que se trata de um trote, o assassino desespera-se e começa uma caçada atrás de quem o viu. Onde entra Joan¿ Bom, ela é apaixonada pelo assassino e mesmo desconfiando da barbaridade que cometeu, ainda deseja casar com ele.

A cena do assassinato me divertiu muito, especialmente por ser uma clara referência a Psicose (de Hitchcock). Conheço pouco sobre o William Castle, mas do pouco que li dele, fiquei impressionada por seu bom humor e criatividade. O diretor ficou conhecido como o rei dos “Movie Gimmicks”, que são algumas estratégias promocionais usadas para impressionar os espectadores (ex: eram colocadas campainhas debaixo das poltronas, ou distribuidos cartões onde o público podia eleger o final do protagonista). Sensacional! Convido vocês a ler o artigo do Cinemafilia e saber mais sobre ele. Clique – aqui aqui –

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“Eu vi o que você fez e sem quem você é” é um filme cheio de tensão e ao mesmo tempo, de humor. A gente se diverte com a farra das menininhas e mergulha nos momentos de tensão e perseguição.  É um filme que me traz muitos outros na memória (e daí não sei se foi utilizado como referência), mas por exemplo:  como não se lembrar de “Pânico”¿ ou “Eu sei o que vocês fizeram no verão passado”.¿

Um lugar especial

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Esse livro é desconcertante, muito pesado! Li esperando loucamente que acabasse. Eu realmente não sei dizer se gostei ou não. A qualidade da narrativa é muito boa,  Peter Straub (conhecido por escrever livros de terror) cumpre seu papel. O livro é pequeno, espaçado, bem construído. O problema é o teor, achei muito forte, muito obscuro… não sei explicar. O livro começa com o pequeno Keith recebendo orientações de seu misterioso tio Till de como ser um “bom psicopata”. E o menino já mostra indícios de que seu comportamento não é normal, gosta de maltratar e matar gatos, tem poucos amigos, quase não se comunica com os pais.

Mesmo sendo pouco popular na escola, Keith faz um amigo: Miller  Quer dizer, Miller é quase um escravo de Keith. as coisas que ele sofre são assustadoras. Uma delas me incomodou muito: Miller é escravo sexual de Keith, tem que lhe fazer certos “favores” e não pode sentir prazer ao cumprí-los. Na concepção de Keith, se Miller sentir prazer com o sexo entre os dois, isso os caracterizaria como gays….

Alguns assassinatos acontecem na cidade, assustam os moradores e levantam a desconfiança da polícia. Jovens desaparecidas e sexualmente abusadas, o principal suspeito é Till (e o leitor, ao longo da trama, descobre que de fato, ele é o assassino). Também desconcertante é a forma em que Till  confessa seus crimes e narra como gosta de transar com os cadáveres das jovens. 

Um Lugar Especial  busca os possíveis antecedentes de um sociopata, mostra que certos comportamentos cruéis em uma pessoa pode surgir de longa data e que essas pessoas estão por aí, bem pertinho da gente. Este é um livro realmente impactante, forte e obscuro. É preciso de coragem para encará-lo.

Dolores

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Eu odiei este livro do começo ao fim, não me identifiquei nem um pouco com o personagem principal, muito menos com o seu contexto, ainda que a narrativa seja super simples e fácil. O livro conta a história de Dolores, uma ex-primeira dama que acaba de deixar a Casa Branca. A história começa com ela em um avião, refletindo sobre o assassinato do seu marido e sobre as regalias que acaba de perder. Não era mais a primeira dama, não teria mais os melhores vestidos, as melhores joias ou casacos de pele e ainda assim, continuaria sendo assediada pela imprensa.

Ela não consegue engolir o fato de não viajar mais para Paris ou de ter os melhores estilistas à sua disposição e ainda tem que aguentar a presença da nova primeira dama, que não tem estilo nenhum e nem classe para assumir o posto. Os anos se passam e ela vai em busca de um homem poderoso (seja político ou empresário) que possa permitir que ela continue levando sua vida luxuosa.

O que mais me interessou nisso tudo foi a história por trás do livro. A autora é Jacqueline Susann, a mesma que escreveu o famoso “O vale das bonecas”. Este foi seu último livro, escrito quando a autora já estava com câncer em estágio avançado e publicado em 1976, após a sua morte.  Dizem que, por causa da doença, Jacqueline nunca conseguiu terminar este livro, por isso seu amigo Rex Reed tomou partido e o finalizou. A história de “Dolores” é claramente inspirada em Jacqueline Kennedy Onassis.