Bette Davis, Joan Crawford, Susan Sarandon e Jessica Lange!

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53-18276-bettedavis_joancrawford-1405554457A notícia da realização da série Feud mexeu com a minha cabeça. Me deixou doida, doidinha, louca! Susan Sarandon e Jessica Lange representando as disputas entre  Bette Davis e Joan Crawford durante a gravação de “O que terá acontecido a Baby Jane?”. São quatro das atrizes que mais adoro, das quais já assisti inúmeros filmes e acompanho há anos. Quer dizer, meus miolos entraram em erupção. Na verdade eu até já sabia da possibilidade deste projeto, tive conhecimento dele (através das redes sociais em 2014!), mas achei que não iria para frente… Esperei todo o burburinho passar para ver se os veículos de comunicação e os próprios atores/diretores confirmassem. Isso aconteceu e eu morri. Já escrevi inúmeras publicações sobre Baby Jane, sobre Bette, Crawford, Susan e Jessica… acho que seria chover no molhado. Só passei mesmo para dizer que estou super entusiasmada pela série, que deve ser lançada no ano que vem e dirigida por Ryan Murphy (o mesmo diretor de American Horror Story!!).

Uma relação delicada

Assisti mais um filme da Isabelle Huppert e fiquei, mais uma vez, encantada com a competência dessa atriz. Digo competência porque ela me parece muito segura e entendida do que quer fazer e do que é preciso ser feito. Admiro muito o artista que abre mão da beleza e do glamour para representar um personagem. Como a Bette Davis, por exemplo, que quando jovem e no auge da carreira, raspou os cabelos para interpretar a Rainha Elizabeth I. Huppert faz isso neste filme, lança-se corajosamente a interpretar uma cineasta que sofreu um AVC e ficou com sequelas na fala, no caminhar…

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Numa mistura de autobiografia e metalinguagem, o filme conta a história de Maude, uma cineasta que sofre uma hemorragia cerebral e fica com severas limitações físicas. Em busca de restabelecer a carreira e a vida pessoal, Maude mergulha em um projeto televisivo e acaba se relacionando com um dos atores, mas sofre pelo relacionamento extremamente abusivo, que a deixa em situação de ruína financeira.

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Li inúmeras críticas do filme e concordo com as que dizem que apesar da presença da Huppert e de sua interpretação intensa, o filme passa despercebido por apresentar personagens antagonistas pouco desenvolvidos e por ter uma abordagem superficial de certos acontecimentos. Como um pequeno quebra-cabeça, Catherine Breillat (a diretora) vai nos indicando certos fatos, sem trabalhá-los muito, apenas com poucas pinceladas. E logo, estamos em outra cena, em uma situação bem diferente.[É isso…talvez esse espaçamento seja um problema. Eu não sei, conheço muito pouco do trabalho da Breillat, mas acredito que esse tipo de narrativa possa ser uma de suas marcas.]

No filme, Viko, o personagem com que Maude se relaciona é odioso do começo ao fim e é realmente difícil e incômoda a maneira com que ela vai liberando seu dinheiro, ainda que ele a trate super mal. Há uma dor no personagem que não é dita explicitamente, só se percebe nos pequenos detalhes, na baixa auto-estima, no medo de não conseguir voltar a ser quem era.  Ao mesmo tempo, é uma mulher que busca forças para continuar vivendo, sobrevivendo e existindo.

Bom… eu gostei do filme, mas esperava mais. Você já assistiu? Me conta aí o que achou!

Vamos fazer de conta que isso nunca aconteceu

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Passei os últimos dias lendo este livro e tive uma lição de escrita criativa. Até então não conhecia a autora, Jenny Lawson, e confesso que fiquei encantada. Lawson é uma blogueira americana que fez sucesso na rede dividindo suas experiências maternas, isso muito antes das redes sociais e do Youtube. Seu texto é dinâmico, engraçado, cheio de pegadinhas e totalmente em primeira pessoa. De repente você está no meio da história e ela muda de assunto e começa a conversar diretamente com o leitor, fazendo perguntas ou acrescentando alguma curiosidade. O livro é uma auto-biografia, mas a narrativa é cheia do que ela chama de “histórias quase reais”, ou seja, nem sempre ela está falando a verdade e é preciso muito senso crítico para distingui-la das pequenas mentiras.

Com muito bom humor ela narra a sua infância no interior do Texas e o convívio com a mãe, o pai (excêntrico) e a irmã. Quando jovem, Lawson era inadequada para os padrões e meio depressiva, a irmã era o oposto: a linda e popular da escola. Enquanto isso, o pai das meninas tornava o cotidiano mais engraçado com a sua fixação com bichos exóticos. São muito legais as suas lembranças da escola, como quando um dos perus da fazenda a perseguiu até a sala de aula ou quando ela ficou com o braço agarrado na vagina de uma vaca.

Em um dos meus capítulos favoritos ela recorda a primeira vez que usou droga e todo o seu medo diante daquilo que era um mundo novo e excitante. Também gosto muito da narrativa sobre como conheceu seu marido e das dificuldades em se adequar ao mundo dele, que era rico (e usava talheres que ela nem imaginava que existia).

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Enfim, este tipo de livro é um acalanto para àqueles que não se adequam aos esteriótipos sociais, uma recordação de que existem muitas pessoas por aí que não tem a mínima ideia do que estão fazendo da vida, mas que vivem sem pensar tanto nas consequências. Que ser mãe não é como viver 24 horas em um comercial de margarina, que todo casamento está sujeito a tropeços e que amigos podem ser mais “família” do que a nossa “família”.

[Parte 2] Hoje eu revi a peça da Bete Coelho, mas dessa vez foi muito mais legal!

4a0869a31cbdc71ebd56a89ec40d7fa04173d464Ainda bem que eu terminei o último texto com um “nunca diga nunca” porque aí eu tenho a deixa de contar que o dia de hoje foi tão incrível quanto o de ontem, mas ainda melhor. E eu me sinto na obrigação de dizer que caiu por terra aquela minha burra afirmação sobre a plateia fria. Sabe, hoje foi tudo muito diferente, muito mais caloroso, o público entrosado, todo mundo maravilhado… foi incrível.[Falando assim parece que eu que tava no palco né, kkkk] Mas não, é que  eu acho que ontem eu tava muito emocionada e a minha percepção ficou afetada, mas hoje eu pude ver que todo muindo saiu maravilhado (sério), comentando sobre as falas, relembrando algumas coisas.

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Ontem a Bete Coelho apresentou a peça, hoje ela participou de um bate papo com a platéia comentando não só sobre O terceiro sinal, mas falando de sua carreira. Foi massa, eu sentei bem perto e enquanto ela falava eu me lembrada das milhões de coisas que já tinha lido e das entrevistas que assisti. Imagino que naquela hora eu devia estar com mais cara de boba do que o normal, mas sabe… é que é muito verdade o fato de que em São Paulo tem uma efervecência cultural que não existe em outros lugares do Brasil. Em Nova Lima não tem isso gente, nunca vi nenhum ator sentar com ninguém pra falar sobre metalinguagem no teatro. É um lugar carente de cultura mesmo, sabe? Então, a gente chega aqui e tem opção cultural pra todo lado… a cabeça entra em parafuso!

Eu voltei do bate papo (e como eu disse, eu moro bem perto do teatro), e fiquei duas horas escrevendo uma  carta pra ela. Escrevi aquilo que vocês leram no último post, que sou fã há muito tempo, que queria a ver em Belo Horizonte e etc etc. Eu sei que soa meio bizarro “escrever uma carta”, mas eu não sei como poderia falar isso pessoalmente. Não era o caso também, tinha milhões de pessoas a cercando e eu tipo… fui sumindo naquele meio e desapareci. Sim, eu sei. Escrever uma carta é meio “fã de 13 anos”, mas eu não queria deixar de dizer e não sabia como fazê-lo. Não vai fazer diferença pra ela, mas pra mim fez, então pronto foi bom demais porque deu certo eu entreguei e fiquei muito louca porqueeeeeeeee RESPIRA…

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É o seguinte, depois de assistir a peça dela pela segunda vez, fui até o diretor, o Ricardo Bittencourt,  pedir que ele a entregasse a carta e um livro da Susan Sontag. Eu tava com muita vergonha (mais do que o normal porque eu achei que ele ia falar: foda-se suma daqui se exploda). Mas ele disse: “Não tudo bem, você entrega pra ela…. vou te levar no camarim”

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LEIA-SE:  AQUI JAZ THAÍS DOS REIS

Meu Deus, ele foi tão educado, tão gentil! Obrigada Ricardo, você foi demais. E aí, fomos nós. Mas o segurança não me deixou entrar, e eu, já no desespero diante da possibilidade de encontrar a Bete comecei a tremer as pernas. Gente, isso não é normal, mas não consigo controlar…. é uma tremedera, vocês não imaginam. Aí ela veio e eu entreguei o livro.

Me deu um branco, eu não lembro muito bem como foi. Só lembro que eu falei que era de Minas e ela perguntou: “Ah legal, e você mora aqui” e eu “Não não.. em Nova Lima, mas eu moro aqui” e ela tipo… “Ah tá” (leia-se: não entendi o que ela falou, mas tudo bem, vou fingir que entendi pra não deixar ela mais sem graça). Ela ficou com uma cara tipo assim:

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Mentira gente, ela foi um amor. Mas a gente até conversou mais, SÓ QUE EU NÃO LEMBRO, APAGOU DA MEMÓRIA, NÃO LEMBRO, PARECE QUE BEBI TRÊS GARRAFAS DE VODKA.

Como eu já estava muito deslocada, pedi uma foto e casquei o fora. Fica a imagem como registro (eu saí muito mal na foto, o cabelo todo pro alto SEM HOR), mas tá bom, foi legal demais gente, foi mtooooooo legal! MTOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO

mto mesmo

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sobre Bete Coelho, os nuncas e um adeus!

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Ver a Bette Coelho nos teatros foi uma das coisas mais emocionantes que me aconteceu nestes 368 dias em que me encontro morando em São Paulo. Ainda bem que a sala estava bem escura, assim ninguém me viu derramar umas lágrimas quando ela entrou em cena. Eu estava sentada na segunda fileira, bem pertinho dela e vê-la me levou a tantos lugares da memória que é difícil recontar. Como nos dias em que eu saía da Faculdade de Direito da UFMG e passava em frente ao Palácio das Artes a caminho do ponto de ônibus, pensando: “Poxa, ela também deve ter caminhado por aqui”. Eu passava naquele lugar, sonhando com a possibilidade de um dia ela voltar para apresentar uma de suas peças. Isso não aconteceu (ou se aconteceu, se ela voltou, eu não fiquei sabendo.).

Então, eu acompanhava tudo a distância. Atualizada com todas as peças, lendo e vendo os vídeos. Cara, a ideia de ver a peça dela era tão distante. Quando eu iria para São Paulo¿ Onde eu dormiria¿ Ficaria lá, assistiria uma peça e voltaria pra MG¿ Eu não tinha nem 18 anos meu Deus, minha mãe não permitiria. Ainda mais em São Paulo, tão violenta! Chegaria aqui e levaria um tiro na testa. Eu morava numa roça, interior de Nova Lima… dá um desconto.

O fato é que, das ironias do destino, me mudei para São Paulo para estudar na USP e só assim tive o prazer de vê-la. E a vi num momento muito especial, dois dias depois de completar um ano morando aqui… longe da família, dos amigos. Foi um presente, de verdade, algo que melhorou meu astral em 100%. Então eu chorei mesmo, chorei antes de ela pronunciar uma palavra. Chorei ao vê-la atrás das cortinas enquanto observava seu terno e sua gravata.

Eu acabei de chegar em casa, moro quase do lado do teatro. Fiquei com muitas impressões desse dia, tantas que a cabeça chega a doer. Talvez seja de frio, de fome, de cansaço, de felicidade (ou tudo junto). A peça começou pontualmente às 20h, mas quando cheguei lá (e pasmem) às 17h30, já havia uma fila. Então eu fiquei com medo de sair para comer e perder o lugar e fui ficando, até que a noite chegou, com um clima absurdamente frio (estamos em maio).

Agora que eu reli tudo o que acabei de escrever me sinto mais idiota que o normal, e olha que eu não falei nem metade do que queria. Eu não quero que vocês pensem que sou uma daquelas lunáticas piradas, obcecadas com atores. Não, pelo amor de Deus! (Quer dizer, sou mais ou menos, HAHA). Mas é que a emoção foi a mesma quando vi a Gal Costa pela primeira vez, ou a Jessica Lange. Já contei essas experiências por aqui e é exatamente assim, com cada uma delas há uma história (minha, muito particular), que vou carregando ao longo dos anos.

Na minha memória Bette surge em Éramos Seis. Eu era bem, bem, bem pequena quando assisti a novela, mas lembro de muitas coisas, especialmente do cabelo dela. Que era o mais lindo de todos (cara! Eu cheguei a fazer um corte igual, muitos anos depois. Mas a no meu rosto, extremamente redondo… aff! Ficou horrível!). Depois eu revi a novela e ela era feminista!! Cara, é muito louco como eu me identificava com o que ela dizia, sem saber muito bem do viés acadêmico e político do movimento como sei hoje.

Mas, fugindo do bla bla bla, voltamos ao teatro. Só posso dizer que eu fiquei a observando, encantada com o domínio do palco, do texto! Encantada com a sua voz, com seus olhos (que estavam meio avermelhados), com a pele e com a coragem de enfrentar aquela plateia, fria, crítica Uma vez a Gal Costa deu uma entrevista para a Marília Gabriela dizendo que o público brasileiro aplaudia pouco. Olha, eu não sei se é verdade, mas se for pra comparar (pelo menos, com as experiências básicas e nada técnicas que eu tive), o povo mineiro bate mais palma do que o povo paulista. Que trem doido, sério. O povo aqui parece que tem pressa pra tudo, é metrô, é ônibus, é serviço… eles correm muito (e não percebem que correm). E batem poucas palmas.  Eu queria ficar lá, continuar batendo palmas, mas o povo saiu e eu fiquei com vergonha, então fui embora também. Mas fui embora pensando: “covarde, covarde! Você devia ter ficado e aplaudido mais”.

Tenho um diário antigo; eu escrevi ele com 18 anos. Passaram-se 7 anos,  guardo até hoje (e quando voltar pra MG, vou tirar uma foto e colocar aqui, de prova). As duas primeiras páginas possuem duas fotos ENORMES da Bete, desta peça e que eu provavelmente tirei de alguma revista (revista que provavelmente roubei em algum consultório, porque a gente, lá em casa, quase não compra nem assina. Leia-se: “Nunca, nunca mesmo”). Numa ela esta feminina, com uma roupa preta (como de costume). Na outra ela está de terno… e eu escrevo embaixo algo como: “Gostaria de assisí-la, mas isso nunca vai acontecer”. Minha mãe está certa, “Nunca diga nunca”.

ACHEEEEEEEEEEEEEEEEI kkkkk

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Hoje foi um dia incrível.

Obrigada São Paulo, Obrigada Bete.

 

Amigas para sempre, 1988

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Existem certas histórias que permanecem no nosso imaginário pela beleza e delicadeza ao abordar temas tão complexos e que fazem parte do nosso cotidiano. Amigas para Sempre é um deles, é um filme bonito e doloroso sobre a vida de duas mulheres comuns e ao mesmo tempo, especiais. A trama conta a história de duas meninas de culturas, realidades e educações diferentes que se conhecem na praia e fazem amizade, daquelas para se levar para o resto da vida.

Bette midler interpreta Cecília, uma cantora de pouco sucesso, mas extremamente batalhadora e alto astral. Bárbara Hershey é Hillary, uma advogada, feminista e de família rica. Mesmo um pouco distante, as duas crescem juntas e presenciam os sucessos e fracassos uma da outra: seja profissional, seja amoroso ou financeiro.

É realmente um filme muito fofinho, que nos lembra que existem SIM amizade entre mulheres e que a relação pode ser muito bonita. Há muita cumplicidade e confiança entre as duas. Me canta muitíssimo o mar como principal ambiente, como uma terceira pessoa que presencia tudo o que acontece com elas.

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Gosto muito da Bette Midler e acho muito engraçado o papel que Hollywood lhe reservou, cujo esteriótipo corresponde àquele tipo de mulher louca, histérica e ao mesmo tempo, adorável e engraçado. Foram tantos filmes que assisti da Bette Midler fazendo o mesmo “tipo” que perdi a conta. Por mais que em “Amigas para Sempre” a personagem dela ainda tenha essa pegada (bem de levinho), há um quê dramático que nos dá o privilégio de enxergá-la de outra forma, e encará-la como a artista séria e completa que é. Aliás, ela cantando Under the boardwalk… woooo. É sensacional!

Bárbara Hershey é belíssima e encantadora, dos poucos filmes que vi dela, muito me recordo de achá-la linda. Engraçado é que li que ela tinha quarenta anos na época em que gravou o filme e ficou meio pilhada com a sua imagem porque teria que interpretar a personagem desde à sua juventude a velhice, então fez umas aplicações nos lábios para parecer mais jovem.  Ela está incrível nesse filme, tem uns momentos bem dramáticos onde ela se sai muito bem.

A AIDS em “Mujer, casos de la vida real”

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Hoje de manhã revi a participação da Helena Rojo no programa “Mujer, casos de la vida real” e mergulhei numa lembrança gostosa sobre a época em que eu era bem novinha, vi este episódio no SBT e fiquei impressionada com a trama. O programa fez um enorme sucesso no México e foi comercializado para vários países, trata-se de rápidos episódios com histórias dramatizadas que abordavam assuntos da vida feminina, alguns bem complexos por sinal (como violência doméstica, aborto…).

A Silvia Pinal era a apresentadora, e o programa ficou no ar entre 1988 e 2007 (contava com a participação de atores e diretores renomados). Lembro que o assistia diariamente, era apresentado pela filha do Sílvio Santos, a Sílvia Abravanel e passava no finalzinho da tarde. De tantos episódios que assisti, o da Helena Rojo foi o único que ficou grudado na memória e vê-lo novamente me surpreendeu muitíssimo, porque certas cenas são extremamente familiares.

Helena interpreta uma estilista cujo casamento caiu na mesmice. O marido vive preocupado com suas ocupações e ela não tem seus desejos correspondidos. Em um diálogo muito interessante, a personagem confronta o marido sobre a vida sexual dos dois e afirma que está há mais de três meses sem fazer sexo. Ainda nesta cena, ela questiona o marido se ele não tem medo da possibilidade de ela transar com seus funcionários (que são modelos e por sinal, mais bonitos e mais jovens).

Quer dizer, ainda que a série tivesse uma pegada mais leve e bem dramatizada, também tinha um tom corajoso e contestador. Falar tão abertamente sobre a sexualidade feminina, ainda mais na década de 1990 e na TV Mexicana, que sempre foi muito conservadora, é um passo e tanto. Realmente acho admirável.

O fato é que depois de ser ignorada pelo marido, ela decide transar com seu funcionário. Logo no início do capítulo nos é confidenciado que o garoto é hemofílico, apontando uma deixa para o que depois, se tornaria o clímax do episódio. Ao longo da trama, a personagem cria uma relação forte com o funcionário a ponto de decidir se separar do marido, é quando o marido adoece e ela acredita que ele está fazendo “cena”, tentando prendê-la no casamento. A verdade vem à tona quando o funcionário confessa que está infectado pelo vírus HIV.

O episódio desmitifica muitos estereótipos da doença e que foram fortemente reproduzidos na década de 1980. Primeiro porque o agente transmissor não é um homem e sim uma mulher, hétero e casada. Lembrando sobre a importância do sexo com preservativo, inclusive no casamento, o episódio também vai contra um estereótipo antigo e ultrapassado: de que a doença está relacionada estritamente aos homossexuais. Quer dizer, se nos foi indicado que o funcionário era hemofílico e heterossexual, nos resta algumas possibilidades que nada estão relacionadas aos gays: ou ele pegou o vírus em uma transfusão, ou usava drogas (seringas contaminadas) ou fez sexo sem camisinha.

No mais, só acho que a série peca ao mostrar o marido moribundo, agonizando antes da morte. Eu realmente não sei como se dava o tratamento à época, mas hoje se sabe que é possível conviver com a doença e levar uma vida normal.

* Muito obrigada ao clube de fãs da Helena Rojo, que sempre compartilham materiais e nos deixam atualizados sobre o que ela anda fazendo. Obrigada mesmo, vocês são demais!

Dolóres Jimenez y Muro, a criadora do Plan de Ayala

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Em um trabalho para a faculdade, precisei estudar a biografia de uma figura que participou de algum movimento social. Logo escolhi a Revolução Mexicana, que me agrada muitíssimo e queria falar de uma figura feminina. Muitas mulheres poderiam nomear o trabalho…talvez Juana Belén ou Elisa Acuña que também foram jornalistas e prisioneiras políticas. A escolha por Dolóres Jimenez y Muro tem uma justificativa, sua rebeldia a permitiu entrar na história como a mulher que reuniu ideias e deu forma ao plano político e social de Tacubaya e, mais tarde, ao prólogo do Plan de Ayala.

O documento denunciava Francisco Madero por sua traição aos ideais revolucionários, consagrados pelo Plan de San Luis, foi anunciado pela primeira vez em 25 de novembro de 1911 em Ayala, Morelos. Além de exigir a renúncia de Madero, o Plan de Ayala convocava eleições livres, a devolução de terras e municípios ao povo, incitava a luta armada e defendia a liberdade de imprensa.

Na concepção do Instituto Nacional de Estudios Históricos de la Revolucion Mexicana, o jornalismo e a literatura foram os primeiros meios de expressão utilizados pelas mulheres para manifestar suas necessidades e demandas. Elas passaram a desenvolver atividades publicitárias e se incorporavam aos clubes liberais dirigidos por homens e posteriormente criavam seus próprios clubes onde discutiam e produziam ideias contra o governo. Elas não só atuavam como jornalistas como também fundavam e dirigiam seus próprios jornais.

Desde 1902, Dolores militava pelo Partido Liberal Mexicano. No mesmo ano dirigia a Revista Potosina e escrevia para El Diario del Hogar. Dois anos depois dirigiu um movimento contra a reeleição de Porfírio Díaz, passou a editar o jornal “La mujer mexicana” e a presidir o “Club Femenil Hijas de Cuauhtémoc” que defendia os direitos femininos e denunciava fraudes nas eleições. Em 1925, aos 77 anos, se apagou a “tocha revolucionária” (apelido que recebeu das companheiras).

Como explica Celeste Murillo, Dolores foi um dos destaques da atuação feminina na Revolução Mexicana:

“Dolores se destacó entre las mujeres que, distintas a la imagen popularizada de las adelitas (una retaguardia indispensable de los ejércitos revolucionarios) y las mujeres campesinas que acompañaron, fundaban grupos políticos, organizaban sindicatos, ponían en pie diarios y revistas, discutían con pares y superiores, incluso en un momento donde las mujeres tenían un estatus legal inferior. Más tarde, en 1917, formó parte de la Secretaría de Educación, desde donde se impulsó la primera campaña de alfabetización, y participó también de las Misiones Culturales. ”

Para saber mais sobre essa incrível mulher, indico o artigo da Celeste
Clique – aqui –

 

um questionamento bobo, sem conclusão…

Como ler vinte livros por mês? Me parece loucura, mas vi uma matéria há poucos dias que indicava nomes de blogueiras brasileiras que batem essa meta e as vezes, leem até mais. Eu me pergunto se as leituras são superficiais, ou se a pessoa lê realmente aquilo tudo tão rapidamente (livros de 300, 400 páginas). O lance é que independente da qualidade das obras (se são clássicos ou não), me questiono mesmo sobre a absorção dessas histórias, do processo sensorial, da interpretação. De qualquer forma, é muito interessante pensar no boom de livros e na acessibilidade que temos hoje em dia, na digitalização dos livros, nos sites que os distribuem gratuitamente. Lembro tanto da minha época de ida às bibliotecas e do quanto era caro compra-los, tanto que só ganhava de natal ou aniversário.

Gary Cooper que estás en los cielos

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Desde as primeiras cenas, este filme tem um toque extremamente feminino (e feminista). Além de falar sobre tabus que atingem especialmente as mulheres, como o aborto e as diferenças de oportunidades no mercado de trabalho, tem como protagonista uma mulher forte, séria e inteligente. Pouco li sobre a história da diretora Pilar Miró, mas fica muito claro que o filme também tem um tom metalinguístico e autobiográfico.

Mercedes Sampietro está linda, mais linda do que nunca (especialmente porque transmite muita calma e parece dominar o personagem). Na trama ela é Andreia, uma diretora televisa que sonha em produzir um filme, mas que enfrenta muitas dificuldades para tal. Apesar de ser uma mulher com sucesso profissional, sua vida pessoal é cheia de fracassos: possui uma mãe extremamente vaidosa e que a sufoca e está grávida de um homem que exige que ela faça um aborto.

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Gosto especialmente das cenas iniciais, quando Andreia caminha pelos corredores da emissora e é cercada por auxiliares que precisam de sua opinião ou autorização para fazer algo. Mesmo assumindo um cargo de chefe, Andreia é visivelmente engolida por um ambiente dominado pelos homens. Também há uma cena sensacional, onde ela olha diretamente para a câmera, como se conversasse com o espectador, e conta as dificuldades de se realizar um filme (só para observar, “Gary Cooper que está en los cielos” foi lançado em 1981, um ano depois, Pilar Miró se tornou Diretora Geral de Cinematografia na Espanha).

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O filme possui muitos momentos reflexivos, quando a personagem (que descobre que está doente e prestes a morrer) começa a pensar em sua vida e nas coisas que construiu. Ela passa horas observando fotos antigas (algumas delas do ator americano Gary Cooper). Imagino que aquelas fotos antigas e em preto e branco representem o seu carinho pelo passado e medo pelo futuro.

Carmen Maura: uma aparição pequena, mas importante

Carmen aparece muito pouco, apenas em duas cenas. Na primeira delas, fica claro que ela não gosta de Andreia, na segunda (já no final do filme), há um confronto entre elas, dentro do banheiro. Andreia relembra que as duas estudaram juntas e questiona se a colega tinha algum desejo sexual (reprimido) por ela. No livro, “Discurso Femenino Actual”, Kathleen M. Vernon começa o seu texto analisando exatamente essa cena e diz:

[…] A protagonista Andrea enfrenta uma única colega feminina nos estúdios televisivos, a realizadora Begoña (Carmen Maura). Em seus comentários sobre as cenas, vários críticos afirmaram que o acontecimento tinha base na vida real de Pilar e até identificaram Begoña como Josefina Molina. O fato é que o conteúdo dessa tempestuosa discussão está repleta de referências e experiências paralelas, primeiro como estudantes e segundo como empregadas de uma rede de televisão governamental, o que corresponde à biografia das duas mulheres. Molina foi a primeira diretora mulher que se graduou pela Escuela Oficial de Cine, a mesma em que Miró se formou como roteirista.

A autora ainda explica que mesmo não sendo a intenção da diretora e mesmo com a disputa entre as duas personagens, existia ali um clima de “sororidade” entre as duas mulheres, reprimidas por um ambiente completamente dominado por homens.