É carnaval, e eu vou chorar…

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Sou apaixonada pelo carnaval e sempre me lembro desse filme quando é chegada à época. Na minha cabeça esse filme funciona como uma construção metafórica dos períodos do carnaval: do começo da festa, da alegria das músicas e da beleza das fantasias e por fim, do silêncio, da ausência imposta pela quarta-feira de cinzas.

É isso, Orfeu Negro é uma das histórias românticas mais lindas que conheci e que pretendo guardar para sempre na memória. Trata-se de um filme brasileiro-francês, lançado em 1960 e baseado em uma peça escrita por Vinícius de Moraes (que por sua vez, se inspirou na mitologia grega). Dirigido por Marcel Camus e vencedor do Orfeu de melhor filme estrangeiro, o filme conta a história da tragédia amorosa vivida por Orfeu e Eurídice…

Eurídice é uma moça que sai do sertão nordestino para morar nas favelas do Rio de Janeiro. Ela é perseguida por um homem e não sabe o porquê. Um dia conhece e se apaixona por Orfeu, um músico da região que já está comprometido com a bela (e vingativa) Mira. No carnaval, Orfeu e Eurídice vivem uma intensa paixão, um amor inocente e diferente de todos os outros. Porém, um acidente terrível compromete a felicidade do casal, em plena quarta-feira de cinzas o amor do dois é brutalmente ceifado. Enfim, um filme triste e lindo. Também gosto muito (e indico) a versão de 1999, dirigida por Cacá Diegues… só que o primeiro me parece mais trágico, é de uma tristeza e de uma beleza sem fim.

 

Para assistir: 3 filmes do François Ozon

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François Ozon é um dos nomes da “new wave” do cinema francês, um jovem diretor que conquistou seu espaço no mundo cinematográfico com produções lindas e inquietantes. Gosto muito dele, algo em seu estilo me lembra Pedro Almodóvar. É um diretor extremamente sensível, que aborda temas complexos e assuntos polêmicos com certo humor negro e plasticidade. Ele é o diretor de Oito Mulheres (filme com que tenho um sério relacionamento amoroso) e Swimming Pool (estrelado por Charlotte Rampling e por Ludivine Sagnier).  Assisti esses três filmes dele e adorei (sim, todos os três) e gostaria de indica-los para quem procura por histórias divertidas, emocionantes e por narrativas bem elaboradas:

1 – Potiche, a Esposa Troféu

Há muito tempo eu não via a Catherine Deneuve interpretando uma personagem tão humana, tão comum. Em Potiche ela dá vida à Suzanne Pujol, a rica herdeira de uma fábrica de sombrinhas, completamente submissa a seu marido Robert (Fabrice Luchini) – um homem extremamente mal humorado. A história se passa na década de 1970, deliciosamente ambientada. Além de abordar a luta de classes, tem como pano de fundo a emancipação feminina. Suzanne vai contra todas as expectativas e surpreende a cada segredo revelado.  É uma comédia descomprometida, que aborda com deboche assuntos tão sérios. Já vale pelo reencontro de Deneuve e Gerard Depardieu, a dupla inesquecível de  O último metrô.

2 – Uma nova amiga

Sexualidade e gênero são temas complexos, que a cada dia, ganham as pautas sociais. Uma mulher que gosta de se vestir de homem é necessariamente lésbica? Bom… Uma nova amiga está aí para tocar na ferida e discutir o assunto, o filme conta a história de Claire (Anaïs Demoustier), uma mulher que acaba de perder a melhor amiga, Laura. Ela se aproxima  de David (Romain Duris), o viúvo, para lhe auxiliar nos cuidados com o bebê que Laura teve há pouco tempo. A proximidade faz com que ela descubra um segredo íntimo de David, o que coloca em prova toda a relação que tinha com sua falecida amiga. Um tema incrível, uma perspectiva extremamente sensível e alto astral…

3- Dentro da Casa

Esse filme é extremamente intrigante e agradável, impossível assistí-lo sem se envolver nessa teia metalinguística.  O filme conta a história de Germain (olha o Fabrice Luchini aí de novo), um professor cansado da rotina e do desinteresse dos alunos. Germain é tão frustrado que chega a incomodar a esposa, Jeanne (interpretada pela belíssima Kristen Scott Thomas). Um dia Germain conhece Claude (Ernst Umhauer) um aluno que se sobressai aos outros: suas redações são incríveis.  O menino começa a inventar uma história sobre o colega de sala e deixa o professor intrigado, fazendo com que o mestre se torne seu leitor assíduo. A proximidade vai aumentando de maneira doentia, a ponto de Claude começar a invadir a casa e o cotidiano do professor…

A vítima perfeita, 2009

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Caroline é uma garota solitária e com sérios problemas de autoestima, se flagela por ser gorda, por não ter o cabelo bonito e por não atender as expectativas do pai, que é distante. Do outro lado da rua está Rachel, uma jovem bailarina, linda e popular, que possui um namorado que a ama e uma família que praticamente gira em torno dela. Depois de passar por inúmeras humilhações, Caroline exorciza todo o seu sofrimento em Rachel, a atrai para a sua casa e depois a enforca.

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A história é real e chocante, Caroline Reed foi condenada a vinte anos de prisão pelo assassinado de Rachel Barber (que na época, tinha apenas quinze anos). Há documentos das cartas e dos desenhos bizarros que fazia, um retrato de uma mente atormentada e fora do normal.

Em 2009 a história virou filme, que se não fosse tão lento em seu desenrolar, seria perfeito. Fotografia linda, trilha sonora magnífica, boas atuações, enquadramentos lindos… mas narrativa arrastada. O sofrimento da família em busca da jovem é realmente comovente, a gente se coloca no lugar deles e se pergunta o que faria se tivesse perdido um ente querido.

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A atriz que interpreta a Caroline, Ruth Bradley, é simplesmente genial… intensa! Daquelas que a gente torce para que se  dê bem e que arrume filmes melhores para fazer…

Fogueira da Paixão, 1947

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Ganhei esse filme em dvd quando fiz quinze anos, fazia parte do box organizado pela Warner em homenagem à Joan Crawford (ganhei o da Bette Davis também). Esse foi o primeiro que vi, tem uma boa história (ainda que eu o ache mais fraco que os outros). Não sei, algo não me agradou tanto nele.  Mas sempre quando me lembro da atuação da Joan Crawford e do que li sobre essa produção, fico admirada. Impossível não se sentir impactado com as primeiras cenas, em que Joan (sem maquiagem), aparece deitada em um leito, atormentada e confusa. Do que li, lembro que diziam que a Joan foi uma das poucas atrizes que topou aparecer sem maquiagem, fora que interpretar personagens com problemas psiquiátricos era um tabu, ninguém queria colocar a mão no fogo.

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Na trama Joan interpreta Louise, uma enfermeira contratada para trabalhar na casa de David (Van Heflin), por quem se apaixonada perdidamente (de uma maneira assustadoramente exagerada). Quando percebe que ele não irá retribuir seu carinho, Louise acaba namorando e se casando com outro cara, Dean (Raymond Massey).   Mas o amor continua e assim, ela desperta a desconfiança de sua enteada, Carol (interpretada por Geraldine Brooks).

É um drama-psicológico interessante, com uma narrativa cheia de flashbacks e com um toque noir. Um filme feito para a Joan Crawford, ela realmente toma conta de tudo, chama a atenção. Gosto muito das cenas em que a paranoia toma conta de Louise, dos momentos em que a ela se torna violenta e fica na defensiva.

Lado a Lado

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Tô lendo um livro incrível cujo tema são as madrastas. Trata-se de uma análise psicológica do termo,  uma versão sobre como a sociedade as vê. O livro também tem uma longa passagem sobre os contos infantis (tipo Branca de Neve e Bela Adormecida) e como essas histórias influenciaram nossa percepção. Esse livro (em breve vou fazer uma publicação sobre ele, se chama “Madrastas, do conto de fada para a vida real”), me fez lembrar o filme Lado a Lado, um dos meus preferidos de toda a vida, protagonizado pelo Julia Roberts e pela maravilhosamente incrível diva Susan Sarandon.

Não conheço alguém que tenha o assistido e não se emocionado. O filme (produzido em 1998 e dirigido por Chris Columbus), mostra o conflito de uma família e a incompreensão dos filhos que viram seus pais passarem por uma dolorosa separação e que precisam aceitar o novo relacionamento do pai. É um filme lindo e realmente especial porque não demoniza nenhuma das partes. Não coloca nem a mãe, nem a madrasta como figuras ruins.

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Um dos levantamentos da crítica especializada foi o fato de a doença da mãe deixar de ser um aspecto secundário para se tornar principal. Como se tirasse o foco da separação e encontrasse uma justificativa simples para terminar tudo aquilo da melhor maneira possível. A Susan Sarandon e a Julia Roberts (grandes amigas na vida real) estão incríveis, como sempre. Há uma enorme carga emotiva e difícil não ficar inquieto com o conflito entre elas. As crianças roubam a cena, triste pensar que mesmo com tanto talento, a Jena Malone e o Liam Aiken andem tão sumidos.

Um filme bonito desses (com tão inteligente abordagem emocional), nos lembra que não existe regra ou formula pronta para a paternidade e a maternidade. Ninguém nasce mãe, ninguém nasce pai: torna-se. Impossível não cometer alguns tropeços pelo caminho. Nos lembra também que nenhum casamento vem com a formula da perfeição, que às vezes o amor acaba e que isso pode ser doloroso demais. O casamento acabou, mas os filhos estão aí… e precisam entender que são amados independente do que aconteça.

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Tão delicado olhar sobre o mundo feminino não nos deixa esquecer o lado do pai, interpretado por Ed Harris. Os julgamentos caindo sobre ele, as esperanças perdidas, a culpa. Em suma é um filme que me fala muito, muito além da separação e da doença… é um filme que lembra o quanto temos medo de perder e o quanto temos medo da mudança.

Cinco mulheres marcadas

2Patrícia queria que eu assistisse um filme com a Jeanne Moreau, escolhemos um aleatório que dentre muitos com a atriz, ela ainda não tinha assistido. Acho que acertamos na mosca, porque sem querer encontramos um filme cuja narrativa é tão cativante que não conseguimos desgrudar os olhos da tela.

A trama é ambientada na Iugoslávia, 1943 (e em plena 2ª Guerra Mundial). Um certo soldado alemão namora com cinco mulheres ao mesmo tempo. Para ele, as mulheres são como pequenos troféus, um deboche. Para elas, a esperança de um amor romântico, de casamento.

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Quando os combatentes da Iugoslávia descobrem que essas cinco mulheres perderam a virgindade com o soldado alemão, vão à casa de cada uma delas, raspam seus cabelos (para marca-las), as expõem em praça pública e as expulsam. {O fato das personagens terem seus cabelos raspados me lembrou esses fait-divers que escutamos e lemos de moças que moram em favelas e que tem o cabelo raspado porque foram descobertas namorando policiais e são marcadas como X-9}.

O fato é que essa humilhação sofrida por elas, não só causa um trauma como também as impulsiona a pegar nas armas e a se unir aos combatentes. Antes, sofrem diversas tentativas de abusos, passam fome e sofrem por questionamentos morais.  Impossível não identificar um tom feminista, com o retrato de mulheres fortes e destemidas, que lutam bravamente ao lado dos homens, horando seus ideais. É realmente primorosa a forma em que o universo feminino foi tratado, com respeito e delicadeza (especialmente o retrato que fazem sobre a gravidez em tempo de guerra).

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Jeanne Moreau é realmente espetacular, linda, sensualíssima e muito intensa. Outro destaque é Silvana Mangano, em toda a sua expressividade e seriedade.

Anna Magnani em Três Mulheres

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Anna Magnani é o meu crush mais recente, tenho assistido tudo dela e sempre que posso escrevo algo aqui no blog. Acabei de assistir três longas correlacionados, feitos para a televisão e dirigidos por Alfredo Giannetti e lançados em 26 de setembro de 1971, todos estrelados por ela. É incrível pensar que Anna estava tão bem (linda e sensualíssima), e que faleceria dois anos depois (em 26 de setembro de 1973). Os três filmes trazem personagens fortes e dramáticas onde todas caminham para um fim trágico – à sua proporção. Assisti poucos filmes coloridos da Anna, mas nesses eu pude reparar na cor de seus olhos e fiquei intrigada com o quanto eram lindos, eram acinzentados… nem claros, nem escuros.

“O automóvel” conta a história de uma ex-prostituta que sonha em dirigir. Anna Mastronardi é a típica mulher que precisa de desafios para ter algum interesse numa vida tão solitária . Ela não mede esforços para comprar um carro e sacrifica-se para realizar seu sonho, logo depois se dedica a aprender a dirigir. O surpreendente é que quando ela realiza seu grande sonho, não percebe a efemeridade do acontecimento. “A cantora”  se passa durante a 2ª Guerra Mundial. Anna vive Flora, uma cantora que sofre pela velhice, pelo esquecimento do público e por sua decadência. Ela é convidada para cantar para um grupo de soldados e precisa se adaptar à um destrambelhado grupo de músicos (também soldados). Em “A reunião” Anna é Jolanda, uma enfermeira que se apaixona pelo tenente Stelvio Parmegiani, desertor da guerra. Juntos vão para um campo de refugiados em busca de alimentos e tentam fugir da perseguição dos alemães.

Só para sentir a sagacidade dessa atriz, vejam a cena do longa “A Cantora”,em que Flora se depara com os soldados mutilados e é tomada por uma imensa compaixão e tristeza:

Infâmia

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Esses dias eu resolvi escrever sobre filmes clássicos e agora que comecei não dá vontade de parar. Há muito tempo (muito mesmo!) eu queria publicar sobre Infâmia, só que eu sempre colocava uma publicação na frente, mas finalmente chegou o dia! HAHA. Infâmia é um grande filme, com grandes interpretações e com uma trama (e uma abordagem) tão genial que dá calafrios só de pensar. Imagine, duas jovens mulheres decidem abrir uma escola para meninas e fazem um sucesso danado na cidade, até que uma das alunas, mentirosa e manipuladora, insinua que as duas são lésbicas.

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Pois é, uma história pesadíssima se tratando de um filme que foi gravado em 1961. Eu simplesmente amo filmes que driblam a censura (como Uma rua chamada pecado) e dizem o que precisam dizer, só que nas entrelinhas. Essa produção foi dirigida por William Wyler e baseada na peça de Lillian Hellman (escrita em 1934!!). Em 1936 a história ganhou uma adaptação para o cinema, mas ao invés de serem lésbicas, uma das professoras foi acusada de dormir com o marido da outra, as atrizes principais eram a Mirian Hopkins e a Merle Oberon.

A Audrey Hepburn sempre linda e serena, e a Shirley Maclaine (ai, que boneca!), sempre muito viva e sorridente. Eu fiquei boquiaberta quando vi “The Celluloid Closet” (um documentário sobre a abordagem da homossexulidade no cinema) e a Maclaine afirmou que não se tocava no assunto nos sets, ela dizia que nunca conversou sobre o fato das personagens serem lésbicas com a Audrey, era um tabu. Então, ela meio que não sabia do contexto que envolvia sua personagem, a Martha. E, caralho… como o filme vai tomando dimensões dramáticas durante o seu desenvolvimento, é realmente um absurdo o que o preconceito, a homofobia e a maldade humana são capazes de fazer.

– A Mirian Hopkins reaparece nesse filme como a avó da Mary, a menininha mentirosa.

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O filme também me remeteu ao Caso da Escola Base, aquele crime cometido pela mídia brasileira em 1994, contra o casal Shiamada. É mais vergonhoso ainda pensar que o caso ainda rola na justiça e as emissoras responsáveis por levantar tamanha mentira, não foram responsabilizados. Para quem não sabe do que se trata, um casal foi acusado de abusar sexualmente de um de seus alunos e a imprensa caiu matando, só que depois foi comprovado que esse abuso nunca aconteceu.

Vidas em Fuga

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Eu preparei uma publicação especial, para falar apenas sobre os filmes feitos pela Anna Magnani. Estava indo tudo muito bem, quando eu percebi que o post foi ficando grande demais, cansativo de ler e difícil até para editar. O último filme que vi com ela, “The Fugitive Kind”, de 1960, foi uma belíssima surpresa e diante das complicações de postagem, decidi separá-lo dos outros. É que há muitos anos não me sentia tão entusiasmada com um filme como me senti com esse e quando terminei de assisti-lo, depois de todos aquelas reviravoltas e de me ver com os olhos marejados (e com um grito preso na garganta), me lembrei de quando tinha quatorze para quinze anos, época em que ficava horas escrevendo nos diários sobre os filmes, sobre os personagens, sonhava com eles, criava histórias secundárias. A verdade é que pouco mudou, mas agora tenho um blog onde posso divulgar meus bobos pensamentos….

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(Sinopse) Marlon Brando interpreta Xavier, um jovem boa pinta que foi preso em Nova Orleans depois de causar confusão em uma festa. Em julgamento ele promete nunca mais cometer um crime que coloque a sua liberdade em risco. Então, ao ser liberado, pega o seu casaco de pele (que é uma de suas marcas e faz alusão à sua índole duvidosa) e viaja em direção à Two Rivers para tentar uma vida nova. Depois de conseguir uma indicação, ele começa a trabalhar na loja de roupas de propriedade do casal Torrance. Lá ele cria uma relação com Lady Torrence (Magnani), uma mulher mais velha, cheia de mistérios e extremamente deprimida por ter que conviver com o seu asqueroso marido, Jabe. E quando digo asqueroso, acreditem! Outro personagem importante é a Carol, uma jovem problemática e mal vista pela vizinhança, que se sente atraída por Xavier. 

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Adoro filmes de romance entre mulheres mais velhas e homens mais jovens. Uma vez ia fazer uma lista dessa aqui no La Amora, mas ela ficou tão grande (e eu vi que não daria conta de escrever sobre todos eles), que desisti. “Vidas em fuga” é exatamente sobre isso, é o retrato de um amor proibido entre um casal com uma grande diferença de idade e de perspectiva. É uma crônica de uma tragédia anunciada, um filme triste pra caramba, que deixa a gente descrente na humanidade, com raiva por tamanha injustiça. Tennessee Williams arrasou, como sempre, mas jogou (e muito) com o espectador. A gente tem conhecimento dos fatos, mas na posição de observadores, não podemos fazer nada para mudá-los. Quem um dia assistir esse filme, se prepare, é um dramalhão!

Fiquei muito admirada pelos movimentos de câmera no clímax, nos diálogos profundos (que me fizeram pensar na vida e no que estou fazendo dela). O personagem do Brando se define como aquele cara que não consegue parar em lugar nenhum. Através da metáfora do pássaro sem pernas, que nunca pode parar de voar ele explica: “se um dia ele parar, ele morre”. Mais profundo ainda é a distinção que ele faz… o mundo é divido entre três tipo de pessoas: as que se vendem, as que nunca se vendem e as que compram.

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Marlon Brando está muito bem nesse filme, sério, concentrado… eu confesso que até comecei a ter uma quedinha por ele, mas descobri que ele sacaneou a Anna Magnani nas gravações, falando um inglês rápido e meio embolado para a confundir. Aliás, achei muito engraçado o fato da Anna ter dado em cima dele e ele se negado a ficar com ela, dizendo que a achava feia, pode?! O fato é que Anna, quando está em um filme, desbanca qualquer um… essa mulher tem uma capacidade dramática que me tira do sério! É impossível ficar indiferente ao sofrimento de Lady e não torcer para que ela se dê bem no final… Também é difícil não ficar ligado na tensão sexual entre os dois, hora um seduzindo o outro, hora ela se esquivando, hora ele fingindo que não quer nada. AH MEU DEUS! Até chegar no momento da transa dos dois eu tive uns mil enfartos!

A tara maldita

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FINALMENTE eu consegui matar a minha curiosidade e assistir “A Tara maldita”, terror/suspense da década de 50, que traz uma menininha linda no papel de uma psicopata absurdamente malvada e louca. É impressionante como Patty McCormack, a atriz que interpreta a garota, é convincente. O título que deram ao filme no Brasil foi muito infeliz, não condiz com a história (e, convenhamos, dá um puta duplo sentido). O título original do filme é “The bad seed”, algo como “Semente do mal” e não poderia ser mais adequado, afinal, uma das problemáticas levantadas na trama é a angustiante relação entre mãe e filha (há uma enorme desconfiança entre elas, especialmente por parte da mãe, que se questiona o tempo todo sobre o comportamento do seu “anjo de tranças” e sobre o fato da maldade da menina ser algum tipo de herança genética).

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A garotinha se chama Rhoda e desde o inicio sabemos que há algo errado com ela, afinal, é perfeita demais: obediente, educada, inteligentíssima e… manipuladora. Seu pai está a viagem e sua mãe, Christine (interpretada pela linda da Nancy Kelly) é uma boa esposa, dona de casa dedicada, que faz de tudo para ganhar a confiança da menina. Um acidente na escola de Rhonda deixa toda a comunidade escolar abalada, um garotinho morre afogado durante um piquenique… Mesmo com a comoção geral, Christine percebe que Rhonda não ficou nem um pouco chateada pela morte do coleguinha e descobre que a menina tem uma ligação a ele muito maior e obscura do que imaginava.

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O filme perpassa por caminhos profundos e chega em um clímax bem pesado, o grande problema é que deram uma continuidade desnecessária e colocaram diálogos demais, deixando a trama meio arrastada. Impressionante a atuação Eileen Heckart, que interpreta a Sra. Daigle, mãe do garoto que morreu afogado. Em determinado momento ela aparece na casa de Christine, completamente depressiva e bêbada, impossível não sentir compaixão pelador de uma mãe que acaba de perder o filho. P.S. A todo momento eu achava que o caseiro iria fazer alguma maldade com a Christine e com a Rhonda e fiquei impressionada com o final que ele teve!