La mujer de tu vida, la mujer feliz

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Esse (tele)filme, produzido em 1990, faz parte de uma série cômica espanhola transmitida até 1994, com 19 capítulos. A ideia da RTVE era produzir cinema de qualidade para a televisão, começaram os projetos em 1980 e só em 1988 conseguiram filmá-lo. Todo os episódios foram filmados em 35mm e tinham cerca de 60 minutos. Como tema, precisavam falar da “mulher perfeita” e de sua relação com algum homem.

Carmen interpreta Marisa, a mulher feliz. O episódio começa no aeroporto de Madrid, quando Antônio Lopez (interpretado por Antônio Banderas) acaba de voltar para o seu país após ter trabalhado por cinco anos na Alemanha, juntando dinheiro para se casar. Sem querer ele presencia um assassinato e é tido como principal suspeito. Antônio foge e com o pouco dinheiro que tem, aluga um pequeno apartamento e lá conhece Marisa. Os dois se enamoram facilmente, Marisa é casada, mas não liga de dar em cima de outro cara, ainda mais porque o seu marido vive trabalhando.

Mesmo sabendo que Antônio está sendo procurado, ela continua se relacionando com ele e o ajuda a se esconder. Um dia, Antônio encontra umas anotações de uma pequena história em um guarda-roupa e decide continua-la. Dias depois, apresenta para Marisa um livro enorme e Marisa, que não é boba, o publica com o pseudônimo de “Antônio”. O livro faz muito sucesso e Marisa fica rica e famosa (enquanto Antônio, precisa conviver com o anonimato).

A história é bem surreal, mas muito engraçadinha. Eu adoro ver a Carmen Maura e o Antônio Banderas como casal, possuem uma sintonia gostosa. A Carmen, como sempre, está muito divertida (e aqui, muito sensual também). A história vai se desenvolvendo de um jeito tão louco que é impossível não ficar com pena do Antônio. É interessante o protagonismo feminino e como ela comanda a vida dos homens que a cercam e, de alguma maneira, se aproveita de todos eles  Coloquei o filme no Youtube e você pode assisti-lo aqui. 

Enganar é viver (ou “La Alegria está em el Campo”)

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Tava pesquisando sobre esse filme e encontrei uma super entrevista (de 1996, um ano após o lançamento), em que a Carmen Maura falava muitas coisas interessantes sobre a sua carreira, uma delas é que enfrentou muitas dificuldade para se acostumar com o jeito frio dos franceses e que tem um pouco de birra porque eles se acham os melhores de mundo. Na entrevista Carmen contou que ficou mais de seis meses gravando “La alegria está en el campo” e que realmente morava numa fazenda, longe de tudo, levando uma vida meio bucólica. Ela disse que se esforçou muito para aprender francês e que tem orgulho de dominar a língua, contou que gostava de morar na França porque o assédio lá praticamente não existe, que podia passear com seus cachorros sem ser reconhecida.

A melhor parte foi quando ela falou sobre suas expectativas de carreira, disse que não ficava sem trabalho e que tinha o privilégio de ser uma atriz de cinema… que não tinha a ilusão de ser uma atriz de Hollywood e que sofreu muito quando gravou “Mulheres à beira de um ataque de nervos”, que só não largou tudo porque tinha um contrato a cumprir. Quando ela chegou em Hollywood para a promoção do filme, foi muito maltratada e que provavelmente recebeu esse tratamento por causa da sua idade. Na época, Carmen já estava no auge dos 40 e tantos, sentia que não conseguiria (e que não estava disposta) a concorrer com atores com a metade da idade dela.

Sobre o filme: O pequeno empresário Francis (interpretado por Michel Serrault) está enfrentando sérios problemas em sua fábrica: não tem verba e as funcionárias em greve. Pior é que, quando chega em casa, não encontra consolo na mulher e na filha, que são frias e arrogantes e só pensam em gastar.Um dia a família está vendo TV e escutam o caso de uma senhora que possui duas filhas e que está em busca de seu marido. Essa senhora é Dolores, vivida por Carmen Maura, uma fazendeira produtora de foie gras, extremamente simples. Quando mostram uma foto antiga do marido desaparecido de Dolores, Francis tem uma baita surpresa… o homem na foto é idêntico a ele.Decidido a evitar os problemas do dia-a-dia e se livrar da esposa e da filha, Francis assume a identidade do esposo de Dolores.

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Meus comentários, cheios de spoilers: Eu estava louca para assistir esse filme, pensei que fosse uma super comédia. É uma comédia leve, uma trama interessante, mas nada que se diga “nooossa!”. A verdade é que o filme começa muito bem, dá pra dar umas boas risadas, mas aos poucos vai perdendo o ritmo. De qualquer forma, não é uma história tão comum, tem umas reviravoltas legais. Carmen está muito bem, mais séria do que o normal. Eu adorei o fato de seu personagem ser extremamente simples e, em segredo, extremamente rica. Tão rica que tira Francis do fundo do poço, mas o coloca em uma enrascada já que o dinheiro que ela tem (e suas infindáveis barras de ouro, rsss) são “dinheiro sujo”, tretas que o verdadeiro marido de Dolores arrumou em 1968, quando fazia violentos assaltos. O melhor é que a verdadeira esposa de Francis, quando descobre que ele a traiu, enlouquece (e só no fim do filme descobrimos que ela enlouquece de alegria por se ver livre do marido). Também descobrimos que Dolores sabe o tempo inteiro de que Francis não é seu verdadeiro marido, mas mesmo assim confia a ele sua fortuna, porque aprendeu a amá-lo.

Carmen foi indicada ao César por esse filme como melhor atriz coadjuvante.

O tiro que não saiu pela culatra, 1989

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Ser pai ou ser mãe deve ser algo absolutamente difícil. Ultimamente tenho me questionado muito sobre a maternidade (se seria capaz de gerar um filho saudável e fazê-lo feliz, como seria a vida financeiramente e etc). As minhas amigas se tornaram mães e eu sempre piro quando penso no assunto. Temos 25 anos (uma delas 24, na segunda gravidez) e, enquanto elas parecem decididas do que querem e da vida que escolheram, eu ainda me sinto sem rumo, cheia de dúvidas sobre qual passo tomar. Outro dia li inúmeras matérias sobre mulheres que odeiam ser mães (esse é um papo para outra publicação), mas fiquei intrigada demais com isso… também teve o lance da Carmen Maura, (você pode ler aqui), que disse que amava os filhos, mas se pudesse voltar no tempo, não engravidaria novamente.

O assunto me fez lembrar de um filme. Há muito queria escrever pelo menos uma notinha sobre ele, mas eu sempre me esqueço e vou colocando outros assuntos à frente. “O tiro que não saiu pela culatra” de 1989 é uma comédia americana que conta a história de quatro irmãos (família Buckman) e de seus filhos. O título original é “Parenthood”, algo como… paternidade. É um filme que mescla drama e humor, muito legal por mostrar as imperfeições de cada pai (e mãe) e como eles se esforçam para  proporcionar o melhor para os filhos.

Gil, o personagem de Steve Martin, por exemplo, tem em seu histórico um péssimo relacionamento com o pai. Por isso ele tenta fazer de tudo para não entrar em conflito com os filhos, mesmo quando um deles enfrenta sérios problemas na escola. Por outro lado, Helen (interpretada por Dianne Wiest) é uma mãe divorciada que não consegue se comunicar direito com os dois filhos, Julie é rebelde e só pensa em namorar. Gary, deseja se reaproximar do pai e quebra a cara quando descobre que o pai tem outra família e não se preocupa com ele.

Nathan e Susan tentam criar a filha perfeita, são extremamente zelosos, exigentes e criam a menina como um ratinho de laboratório, feita para ser a melhor em tudo. E tem também Larry, que andava afastado da família, e quando volta…conta para todos que é pai e que o menino vai morar com ele.

Gosto muito da personagem da Dianne Wiest, a Helen. Há todo um questionamento sobre a vida sexual dela, como se depois de ter filhos crescidos, seu desejo sexual estivesse adormecido. Tem uma cena em que a família está reunida e a luz simplesmente acaba, daí o Gil encontram o vibrador dela e por engano, pensa que é uma lanterna, é muito engraçado!!, especialmente pela reação da família e dela, que não deixa a peteca cair. E o Gary, filho da Helen… tadinho, de cortar o coração. O menino super esperançoso por encontrar o pai e a decepção que sofre é grande demais…

AMO ESSE FILME, super indico! rss

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Carlos Molinero é conhecido no cenário espanhol por seu trabalho como roteirista em séries televisivas como “Querido maestro” e “Antivício”.  Salvajes, 2001, marca a sua estreia na direção de longas metragens. O filme conta a história de Berta (interpretada por Marisa Paredes), uma enfermeira que enfrenta maus bocados para criar os sobrinhos; sua irmã falecera anos antes.

 Um dia ela conhece um investigador policial, Eduardo, que vai até o posto onde ela trabalha para tratar de uma doença. Berta e Eduardo iniciam um intenso relacionamento amoroso, que está prestes a desmoronar já que Eduardo (interpretado por Imanol Arias) deseja prender um grupo de skinheads que está assombrando o bairro e cometendo crimes aterrorizantes. O grupo é composto pelos sobrinhos de Berta.

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O filme me surpreendeu por seus diálogos impactantes, pelos rápidos movimentos de câmera, pelos closes exagerados. Tudo ali parecia acentuar a sensação de desconforto dos personagens e colocar em cheque a percepção do espectador sobre o tema. A casa de Berta é um ambiente extremamente sufocante, o quarto dos garotos cheio de armas e com bandeiras do nazismo, a cozinha minúscula, repleta de móveis…   Não é um filme que me agrada exatamente por ter me dado essa sensação de angústia. Mas muito me admira o experimentalismo de Molinero, que investiu muito em movimentos irregulares da câmera, em cortes secos e cenas em preto e branco, o tom documental que aparece no fim do filme.

Ver Marisa Paredes e Imanol Arias juntos me faz lembrar “A flor do meu segredo”, onde os dois viveram um casal também. Mas aqui, tudo é muito diferente. Em “A flor do meu segredo” o personagem de Imanol foge do personagem de Marisa o tempo inteiro, aqui ele a busca. Há todo um desejo por parte dele que não é correspondido por ela (até certo momento porque, em primeiro lugar, seu objetivo é proteger os sobrinhos). A figura de Imanol é impactante, forte, seguro de sí. Não foi só a personagem da Marisa Paredes que ficou balançada, HAHA.

É um filme com um forte questionamento social, que toca na ferida de muitos espanhóis que não enxergam os imigrantes com bons olhos. Acho legal observar que a filha da Marisa, María Isasi, participa do filme. Ela interpreta Lúcia, uma das sobrinhas de Berta, traficante de drogas.

 

sobre a Carmen Maura

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Contei para vocês que estou fazendo quase que uma “maratona” dos filmes da Carmen Maura. Decidi reunir uma anotações sobre os que eu já assisti. Adoro listas, e acho que assim fica bem mais prático, principalmente porque ajuda a relembra-los. O mesmo eu fiz com os filmes da Anna Magnani e da Jamie Lee Curtis e, apesar de ter dado um trabalho do cão, foi bem gostoso fazer – principalmente quando eu encontro aqueles que são raros! A sensação é quase como ganhar na loteria. Quase, porque eu fico super feliz, mas continuo pobre.

Já falei muito (muito mesmo) sobre a Carme Maura nesse blog, é só jogar o nome dela na barra de pesquisas que você vai encontrar uma série de textos. É uma atriz que eu amo, que sou perdidamente apaixonada há tantos anos que já perdi a conta. A vi pela primeira vez em  um filme de Almodóvar, ela era a freira que cuidava de um tigre. Depois caí de joelhos por Pepa (de Mulheres a beira de um ataque de nervos) e nunca mais parei de admirá-la.

Se você deseja ler uma pequena biografia da Carmen, indico essa aqui. Pode parecer estranho usar o Wiki como fonte, mas o texto tá bem detalhado. Conta desde o seu nascimento, até a decisão de começar a fazer teatro e finalmente cinema. Analisa suas premiações, tem muitas curiosidades e um ponto de vista muito interessante sobre a relação entre ela e Almodôvar. Fora, a filmografia completa e datada.

(P.S. Aceito dicas de filmes, críticas dos textos, links para torrents e tudo o que vocês tiverem em relação à ela): 


carmen_maura_fgcSó pra constar, esses são os filmes dos quais comentei anteriormente e que acabaram ficando em publicações separadas. Mas estão aí, com os respectivos links para quem quiser ler. E, SIM, eu assisti todos os filmes que comento neste post!


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Círculo Rojo, 2007 – Ontem terminei de assistir essa série e fiquei impressionada com a sucessão de acontecimentos trágicos. Trata-se de uma produção do canal espanhol “Antena 3”, dividida em 12 capítulos com 2 horas de duração (todos disponíveis no Youtube). Carmen interpreta Victória, dona de uma agência de modelos. Sua filha, Clara, é uma famosa desenhista que vive isolada da família e dos amigos. No dia de um de seus desfiles, Clara tem um rompante e pula da sacada de seu apartamento. Sua morte provoca a volta da sua irmã Patrícia, que também vivia isolada da família, morando em Paris. Ao voltar, Patrícia reencontra sua velha amiga Andrea, hoje, casada com o irmão da Patrícia. As duas sabem muito bem a causa do suicido de Clara e se unem para achar os responsáveis e vingá-la.

A série é bem parecida com aquelas produzidas pela Rede Globo, que passam depois das onze. Há muita sensualidade em cena, ameaças, vinganças, ação e assassinato. A personagem de Carmen, Victoria, é uma mulher pérfida, que não ama o marido e que há anos, está apaixonada pelo melhor amigo dele, Arturo (interpretado por Emiliano Gutierrez Caba). Tanto que, quando descobre que o marido está doente, resolve assassiná-lo e entregar importantes documentos da empresa para Arturo. Por fim, Artuto seduz Victória apenas para conseguir os documentos e depois, começa a tratá-la com indiferença. Victória quase enlouquece e decide se vingar de Arturo (e mesmo depois de tudo, continua o amando). Só pra constar, Andrea é filha de Arturo e Victória a odeia tanto que faz de tudo para infernizar sua vida.

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Como ser infeliz y  disfrutarlo, 1994 – Um filme bacana, mas sem muito impacto. Carmen interpreta Carmen, uma jornalista especializada em Cultura que trabalha no El Pais, mas que parece estar de saco cheio da rotina. Um dia, pela manhã, seu marido infarta e falece. Carmen desespera-se e pede que a filha, que mora em Paris, volte para casa. A menina até volta, fica um período apoiando a mãe e depois, viaja novamente para seguir sua vida em outro país. Carmen, no auge dos seus 40 anos, encontra-se viúva e sozinha. Ela começa a redescobrir  a vida, transa com outros homens, faz passeios em lugares onde gosta… Um dia seu chefe a manda para Paris para realizar uma entrevista voltada para a economia. Não é a sua área, ela não gosta muito da ideia, mais vai. Lá ela decide visitar a filha e acaba descobrindo que a menina está grávida – o que abala suas estruturas porque ela não acredita que a filha esteja preparada para a maternidade. Na França ela também reencontra um antigo amigo da família… [Fiz uma enorme sinopse para falar o que poderia falar. É um filme legal, mas não há nada demais nele.]

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Baton Rouge, 1988: Carmen Maura estava com 43 anos e, man… tava muitooo linda! O filme, dirigido por Rafael Moleon, é considerado um suspense erótico. Na história, Carmen vive Isabel, uma mulher rica e recém divorciada que vive assombrada por um abuso sexual que sofreu anos atrás. Um dia ela encontra Antônio (interpretado por Antônio Banderas), um gigolô que possui um irmão cego (e que se compromete em cuidá-lo). Antônio é uma espécie de objeto sexual de Isabel, que mesmo vivendo ao seu lado, não deixa de ter os pesadelos. Isabel resolve se consultar com uma psiquiatra (interpretada por Victoria Abril) e para o seu azar, Antônio se apaixona por ela. Juntos, o gigolô e a psiquiatra, bolam um plano: querem matar o ex-marido de Isabel e fazê-la passar por assassina. [O filme é bem legal, os personagens são muito obscuros e há muita sensualidade em jogo. As cenas de sexo entre Carmen e Antônio são de tirar o fôlego, mas as cenas entre Antônio e Victória são ainda mais impactantes. Carmen está elegantérrima, linda nas cenas da piscina, e não para desfilar com looks maravilhosos.É um personagem sério, que vai em contramão com o seu perfil bem humorado. Um retrato diferente e um registro de que, como atriz, é extremamente dinâmica. SPOILER – Vi uma entrevista onde ela dizia que em uma de suas cenas finais, onde Antonio decide matá-la afogada, ela quase se afogou de verdade. Os dois tinham combinado de que ela daria um belisco em sua barriga para indicá-lo quando parar. Mas na hora da luta corporal ela não conseguiu fazê-lo e ele não percebeu e continuou atuando.]

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La guerre des saints, 2009: Esse filme é muito bonitinho!! É uma pena que seja tão difícil de achar e que existam poucos registros sobre ele na rede. A Carmen Maura tá muito engraçada, dá a vida a uma madre superiora meio louca, sem parafusos. O filme, dirigido por Giordano Gederlini e feito para TV européia, conta a história de um noviço que é enviado para uma pequena cidade para dar início ao processo de beatificação da freira Maria Dolores. No entanto, pouco antes de chegar ao convento, ele é interceptado por uma jornalista que o leva para outro canto da cidade no intuito de fazê-lo presenciar a rotina de uma mulher doente que atrai multidões por acreditarem que ela é milagrosa. O caso da moça (que mais parece estar com espírito no corpo) está sobre cuidados do padre Gabriel. Daí começa uma disputa entre o Padre e a Madre, que tentam a todo custo chamar atenção do noviço.

A trilha sonora desse filme é uma delícia,  a ambientação também. A sensação que dá é a de estar em uma cidadezinha no interior do Brasil. Encontrei uma pequena entrevista do diretor onde ele dizia que o filme era a tentativa de dar uma reposta irônica e satírica à pergunta: “Quem pode ser santo”. Em sua concepção a questão não é o marketing agressivo feito pela igreja, mas as suas consequências politicas.

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La Vaca Paloma, 2015: Paco Leon é um ator que tem se aventurado no mundo direção, em sua estréia, ele realizou um curta metragem (de 12 minutos) com tom surrealista, protagonizado por Carmen e Secun de la Rosa. No curta, Carmen é uma mãe que tenta voltar a se relacionar com o filho. Os dois possuem uma vaca cinéfila, que sempre quando assiste algum filme bom, produz energia. Foi o filho que descobriu os poderes da vaca e pediu que a mãe não contasse a história para ninguém, afinal, quem acreditaria? Mas a mãe, em uma ida ao cabeleireiro, acaba contanto a descoberta do filho e ele passa a ser ridicularizado na rua. O curta foi apresentado pela primeira vez no Festival de San Sebastian do ano passado, sua realização contou com o apoio da empresa “Gás Natural Fenosa” e fazia parte do “ciclo de cinergia”, um festival cultural que chama atenção para a importância do setor. [É bonitinho, achei muito enraçado a personagem da Carmen dizendo que mandou solicitação de amizade para o filho pelo Facebook e que ele não aceitou…]

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La Promesa, 2004

Lembra que eu comentei que encontrar certos filmes dá a sensação de ter ganhado na loteria? Então, esse é um deles. Eu estava fissurada nesse filme, muito mesmo. Foram anos procurando torrents e links para baixar e nada. Daí, num dia desses, comprei o dvd na internet pelo Mercado Livre. Foram apenas dois dias de espera para a entrega, mas eu quase enlouqueci! Em princípio pensei que fosse um filme de terror, mas ao assistí-lo me pareceu muito mais de suspense. Um mergulho na esquizofrenia da personagem de Carmen, Gregória.

Gregória odeia ser Gregória e está cansada dos abusos físicos que sofre do marido. Seu mundo é cercado por uma religiosidade absurda e por uma obsessão por Deus e pelo diabo. Um dia, de saco cheio de apanhar e ser humilhada, Gregória mata o marido. Daí foge de casa, muda seu nome para Célia e vai trabalhar como babá na casa de um casal riquíssimo e, aparentemente, em crise. Ela, que nunca teve filhos, fica apaixonada pelo garotinho do casal e cria um laço de amor e confiança com ele. Ela o ama. E ele também a ama. Mas Gregória não para de ser assombrada pelas vozes do marido e começa a mergulhar na vida da família, como se fizesse parte.

O filme é interessante, Hector Carré faz um belo trabalho fotográfico e narrativa é legal, até certo ponto. Menos do que eu esperava, as coisas fluíam devagar demais sabe? Mas em suma é um filme que vale a pena, não só pela Carmen, mas pela atuação do menininho, o filho do casal.

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Que parezca un accidente, 2008. Quase um filme para a sessão da tarde, uma comédia super leve que conta a história de Pilar, uma mulher viúva que foi tão traída pelo marido, que desenvolveu um dom… toda vez que sua cabeça doía era sinal de que o marido estava com outra. Uma dia ela vai almoçar na casa da filha e quando esbarra no genro começa a sentir a tal dor de cabeça. Sinal de que ele está traindo a filha. Depois de uma conversa com uma amiga, Pilar se convence de contratar alguém para matá-lo. Para isso, entra em contato com Arturo (Federico Luppi, o mesmo que trabalhou com ela em Lisboa!), um assassino implacável e especialista no assunto. Só que dá tudo errado, Pilar começa a perceber que seu genro é inocente e que agora, precisa salvá-lo da morte (que, por sinal, foi arranjada por ela). Carmen, mais uma vez, muito engraçada, parece que está aérea (amo esse jeitinho dela)… Adoro as caras e bocas que ela faz, principalmente quando está tudo prestes a dar errado. É o primeiro longa metragem do diretor Guillermo de la Guardia.

ENTRE VIVIER E SONHAR

Entre vivir y soñar, 2004: Esse filme é simplesmente MUITO fofo e engraçado. Sério, um dos personagens mais fofos que já vi a Carmen interpretar, quase como uma Amelie Poulain simplificada e de meia idade. Ela interpreta Ana, uma dona de casa e professora de cozinha que cansou do casamento rotineiro e que passa madrugadas em claro esperando a filha voltar de baladas. Seu sonho é conhecer Paris, tanto que começou a estudar francês (a Carmen fala francês perfeitamente e é muito engraçado ela fingindo não saber falar). Um dia, a escola em que trabalha precisa de alguém  para dar aulas na França, e claro, Ana acaba sendo escolhida.

Lá ela passa a viver um sonho, está longe dos problemas e do marido que a humilha… é então que resolve reencontrar um amor de juventude, um homem chamado Pierre por quem se apaixonou quando tinha 15 anos. O melhor do filme é que, ao chegar em Paris, Ana é recebia por Ali… um florista adorável e extremamente desorganizado. Ele está sempre dando umas investidas em Ana, mas ela não consegue parar de pensar e procurar por Pierre. Daí resolve reencontrar uma velha amiga, que também conheceu Pierre, para que ela a ajude a encontrá-lo.

♡ [SPOILER] Tem uma cena nesse filme que me tira do sério, em determinado momento, Ali está perdidamente apaixonado por Ana e ela ainda insiste em reencontrar Pierre. Depois de levar um fora, ele começa a assistir um pornô e, quando olhamos para o vídeo, os atores na tela fazendo sexo são Ana e Ali. É muuuuito engraçado, mas principalmente porque Ana levou um super fora do Pierre e está atrás da porta ouvindo os barulhos do vídeo, dizendo “Aqui todo mundo fode, menos eu!” A Carmen Maura leva na zueira e faz umas caras surreais. Fiquei pensando no quanto ela é ótima ao interpretar esses personagens porque a gente vê que ri de sí mesma. Não há seriedade e ela pouco se importa com a situação, é segura de sí, entende?

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El Palo, 2001

Você se lembra daquele filme americano “Loucas por amor, viciadas em dinheiro” com a Dianne Keaton, Queen Latifah e Katie Holmes? A história de “El Palo” é bem parecida, mas com um final um pouco meio destrambelhado. Adriana Ozores está lindíssima, ela interpreta Lola, uma auxiliar de limpeza de uma agência bancária que está solteira e que enfrenta sérias dificuldades financeiras. No seu círculo de amizade estão Maite, interpretada por Carmen, uma mulher de classe alta para quem Lola faz faxina. Violeta, uma jovem órfã e  Sílvia, uma dona de casa que acaba de descobrir que está grávida. Todas as quatro estão sem dinheiro, especialmente Maitê que há anos tenta esconder dos filhos que está completamente falida…

Então, elas bolam um assalto à um banco…. e para isso, cada uma precisa fazer o que sabe de melhor. Maitê, por exemplo, é responsável por distrair o diretor do banco. Violeta precisa entrar em sua sala para roubar sua chave. Sílvia precisa fazer uma cópia dessa chave e devolvê-la a tempo que o diretor não perceba e Lola, quando for limpar a agência, terá acesso ao dinheiro. Claro que o plano não sai como planejado… Enfim, é um filme bonitinho, divertido. Daqueles bons passatempos.

La Huella del Crimen, episódio: El crimen de la calle Fuencarral , 1985

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“La Huella del Crimen” (1985 – 1991) foi uma serie policial espanhola que contou com os atores e diretores de maior renome no país e se propôs a reconstituir casos de crimes famosos que aconteceram na Espanha. Carmen Maura participa do segundo episódio, dirigido por Angelino Fons. O episódio tem umas pitadinhas de humor e uns diálogos interessantes, mas me informando mais sobre o caso, me parece bem mais triste e bizarro. [Principalmente como foi morte de Higina…]

Carmen dá vida a Higinia Balaguer, uma empregada doméstica que na manhã do dia 2 de Julho de 1888, começou a gritar socorro pois a casa onde trabalhava estava pegando fogo. Ao adentrarem, os vizinhos a encontram desmaiada ao lado de um cachorro morto e na sala, sua patroa, Luciana Borcino – queimada no rosto e nas mãos, com as vestes rasgadas e com quatro perfurações no corpo.

Higinia é prontamente acusada de assassinato, primeiro porque começara a trabalhar com Luciana ha pouco tempo e segundo, porque descobrem que ela guardava em sua antiga residência (junto com uma amiga, Dolores) as jóias de Luciana. Seus depoimentos são sempre muito confusos, primeiro diz que a patroa tinha um amante e posteriormente, culpa o filho dela, José Vazquez… que na noite do crime, encontrava-se preso. As investigações apresentam indícios de que, apesar de tudo, não poderia estar mentindo. A forma em que Luciana foi assassinada sugeria que alguém com força corporal teria a matado e, ao lado do seu corpo, havia uma camisa manchada de sangue com as iniciais J.V.

Higina recebe várias visitas na cadeia do delegado de polícia, amigo de José Vazquez, que prometeu que se ela confessasse o crime, continuaria viva, seria libertada e ainda receberia uma quantia de dinheiro. E o pior, o advogado de defesa de Higina tem provas de que José Vazquez não estava preso no dia da morte de sua mãe, que tinha sido favorecido pelo delegado. Higina não aguenta a pressão e confessa o crime, diz que ela e a amiga Dolores eram as únicas culpadas pelo assassinato… é condenada a ser executada em praça publica, o caso atrai os jornais e o povo, cerca de 20  mil pessoas foram vê-la morrer. Higina tinha apenas 28 anos.

Dolores foi condenada a 25 anos de cadeia, José Vazquez foi solto (e anos depois, cometeu um assassinato contra uma prostituta). “Hay quien sostiene que la sentencia fue, en realidad, fruto más de cierto rencor social burgués contra una sirvienta que de una verdadera voluntad de esclarecer los hechos, y que Varela se libró de responder por sus acciones.”

Pareja de três,  1995 

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Ai gente, eu amei esse filme TAAANTO! ♥  Tem um tom muito feminista e elas falam de sororidade o tempo inteiro, fora que pregam a liberdade sexual e, enfim, é muito engraçado e divertido. No filme, Carmen dá vida a Ana, uma dona de casa exemplar que está há anos casada com Santi (interpretado por Emílio Gutierrez Caba – o terceiro filme que vejo os dois interpretando um casal). Santi também tem um relacionamento antigo com Marta (melhor amiga de Ana, e ela sabe disso). Martha é interpretada por Rosa Maria Sardà.

O filme começa com um diálogo super engraçado entre duas porque, depois de anos, Ana resolveu ter um amante e implora para que Marta fique com seu marido por dois dias para que ela possa traí-lo. Mas Martha está de saco cheio de Santi e, aparentemente, pensa em desistir dos homens.  Ana até consegue trair Santi, mas se decepciona porque a sua tão sonhada noite romântica não foi como planejada (EU RI DEMAIS!!!!!!). O que nenhuma das duas esperava é que,  Santi também estava de saco cheio delas… e decide largá-las para viver com outra pessoa.

Enlouquecida, Ana se muda para a casa de Marta e passa a mudar toda a sua rotina. As duas brigam o tempo inteiro, especialmente porque sempre tiveram um estilo de vida muito diferente. Ana é a dona de casa e Marta a mulher emancipada. Muito bom!

– Essa publicação está ficando muito grande. Tá difícil editar, os textos e as fotos vão se perdendo. Então, vou fazer uma segunda parte. Daí falo dos outros filmes que eu vi, quem sabe rola até Almodóvar e Saura. Já assisti aos filmes (de verdade, não como a Glória Pires), mas acho tão difícil falar sobre eles porque há tantas possibilidades, que fico adiando. Mas prometo, no próximo post terá Volver, Carmela, Mujeres al Borde e muito mais. Assim que for publicaddo, disponibilizo o link! 

A lei do desejo

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Escrever sobre um filme de Almodóvar é difícil, seus longas possuem tantas metáforas e possibilidades de interpretações que eu tenho certeza em afirmar que esse texto não faz jus à obra nem autor.  Mesmo assim eu vou escrever um pouco, é de madrugada e eu não tenho um pingo de sono. Hoje (re)assisti “A lei do desejo”, um filme intenso, cheio de cores e sentidos, que me pareceu muito diferente de quando o vi, anos atrás. É claro que no filme nada mudou. Quem mudou fui eu e isso me soa inquietante.

“A Lei do Desejo” foi lançado em 1987, foi o primeiro longa em que Almodóvar se aventurou a retratar tão abertamente a sexualidade, sendo considerado em vários países como um filme erótico. Na trama, Eusébio Poncela vive Pablo Quintero um diretor cinematográfico que sofre por ser abandonado por seu amante, Juan. Os dois mantém uma bela amizade e se comunicam por cartas. Pablo resolve convidar a sua irmã transexual Tina (interpretada por Carmen Maura) para interpretar seu novo filme. Junto a ela vive uma menininha adotava que nutre uma paixão platônica por Pablo. O filme faz um enorme sucesso e na festa de lançamento Pablo conhece Antônio (interpretado por Antônio Banderas) e se envolve sexualmente com ele – depois, amorosamente também. O que ele não esperava é que Antônio desenvolvesse por ele um amor louco, obsessivo.

Almodóvar disse em uma entrevista que as lembranças desse filme o remetem à uma época de liberdade, aos anos 80 em que a juventude era contestadora e realmente acreditava na revolução sexual. E, e fato, o filme dá essa sensação, de que nada é proibido. Nem mesmo rezar sem calça e fumando cigarro.

Das Gesetz der Begierde

O trabalho de metalinguagem é incrível. Pablo só pode ser um alter ego do próprio Almodóvar e convenhamos, um filme falando de outro filme e um diretor contando a história de outro diretor é um jogo narrativo de deixar qualquer um louco! Fora que em certo momento da trama, Pablo começa a escrever uma história e esse personagem se confunde com Tina, são praticamente a mesma pessoa, passaram pelo mesmo na vida…

O lubrificante:  Vi em algum lugar uma interpretação muito bonita sobre a primeira transa entre Pablo e Antônio. Perdoem por não citar a fonte, mas é porque não salvei. Na cena, Antônio conta para Pablo que nunca transou com nenhum homem. Diante da dificuldade, Pablo apaga a luz e pega um lubrificante. A cena gerou piadinhas, descontentamento e deixou muita gente inquieta nas salas de cinema. Muitos interpretaram como um detalhe desnecessário, viram a cena como puro erotismo. A opção por mostrar esse ato tão íntimo enfatiza o momento em que Antônio cria um elo de amor e confiança com Pablo, ele simplesmente permite que Pablo domine seu corpo e se entrega, apesar da estranheza e da dor.

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 A transexualidade de Tina: Em uma entrevista Carmen Maura disse que se preparou muito para interpretar Tina, que achava que esse era o personagem de sua vida e que fez um mergulho intenso para se contextualizar. Perceber os pequenos detalhes ajudam a entender a grandiosidade dessa atriz (e juro que não tô falando isso não só porque a amo). Por exemplo, é muito interessante todo o seu esforço em engrossar a voz (que é bem fina) ou a sua postura corporal, tocando sempre os seios – como se quisesse mostra-los como troféu de sua feminilidade. Esse é uma das características que mais me faz amar esse filme, Almodóvar trata a transexualidade com respeito e naturalidade.

No filme há um jogo de cena muito valioso. Como sabemos, Tina é interpretada por uma mulher. Ela adota a garotinha e passa a trata-la como se fosse sua mãe. Há um momento em que a mãe biológica da menina aparece no filme, e ela é interpretada por uma transexual.

Toda a discussão sobre sexualidade e gênero é muito forte quando esbarra em Tina. Não importa quem ela foi, importa o que ela é e como se sente – e a sua necessidade de se reinventar. O fato é que quando vem à tona, a história de Tina realmente surpreende (Almodóvar mais uma vez toca na ferida). Na cena em que ela entra na igreja descobrimos que foi abusada por um padre pedófilo. Depois, quando seu irmão perde a memória, ela conta da relação incestuosa que teve com o pai (que se apaixonou perdidamente por ele e que fugiu para viverem juntos).

Em suma é um filme que me parece falar não só de desejo, mas principalmente de abandono. Não só do desejo da Tina de ser entendida como mulher, ou o desejo do Pablo de ter um pouco de tranquilidade, ou da menina de ser amada. Em algum momento da vida, todos esses personagens sofreram um tipo de abandono que os marcou profundamente. Talvez por isso tão forte e recorrente o “Ne me quitte pas”, que surge de maneira recorrente na trilha sonora do filme. Pablo foi abandonado por seu amante, a garotinha por sua mãe e Tina pelo pai.

Lisboa, 1999

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Lisboa é um filme impactante, um road movie com muito suspense, sensualidade e com pitadas de violência. Bertha é um papel diferente dos que estamos acostumados a ver Carmen Maura interpretar, ela que ficou marcada por personagens loucos e cômicos. Ao seu lado, Sergio Lupi interpreta João, um homem simpático e honesto que se mete em uma enorme enrascada por oferecer uma simples carona. O fato é que Bertha esconde um segredo e para se livrar dele,  precisa chegar em Lisboa antes de ser encontrada por sua família.

Carmen está desesperadamente séria, é um personagem muito intenso… e triste. Assim como a narrativa, pesada. O fato de ser um road movie e dos personagens estarem em constante movimento aumenta a sensação de angústia, ela em especial… corre, corre e nunca consegue chegar onde quer, porque não a deixam. O filme, dirigido por Antônio Hernandez, também é estrelado por Federico Luppi… ow, que homem intenso

Bom, como sei que o filme é bem difícil de achar, escrevi esse texto (e tirei uns prints!) para quem tiver interesse em saber sobre a história de uma maneira mais… “profunda”, digamos:

O filme é angustiante, muito! Na narrativa, Bertha é uma mulher madura que encontra João em um posto de estrada e pede que ele lhe dê carona e a leve para Lisboa. Ele aceita, contanto que ela não o obrigue a mudar sua rota. Há muito tempo andando e sem comer, Bertha sofre um desmaio… é então que João, sem saber o que fazer, encontra em sua bolsa uma agenda (com o telefone da família de Bertha) – ele também vê uma arma e joias.

O que João não sabe é que ligar para a família de Bertha é atrair o inimigo, afinal é deles que ela está fugindo. O problema é que ela, em sua insegurança, não conta o motivo de sua fuga… é o que vamos descobrindo com o desenrolar do filme. Quando alcançados, a família (especificamente o pai, a filha e o filho de Bertha) insistem para que ela volte para casa. Bertha sofre uma chantagem especialmente da filha, que sabe que ela possui um amante (sócio de seu pai) e que Bertha está fugindo para encontra-lo.

Na realidade Bertha foge de seu marido, um homem violento que está envolvido em enormes falcatruas. Ela não foge para encontrar seu amante, que já está morto…assassinado pelo marido de Bertha. Sua grande decepção é descobrir que seu amante é tão crápula quanto seu marido e ele não só dormia com Bertha como também com a filha dela, tudo isso em troca de uma enorme quantia de dinheiro. A tensão do filme só aumenta, até que o marido de Bertha a encontra e despeja nela e em Jorão, toda a sua fúria!

Arroz y tartana

Depois da impactante entrevista que assisti da Carmen Maura, procurei uns filmes dela para assistir (tô com alguns aqui no computador, na fila de espera). Hoje assisti “Arroz y Tartana” um telefilme produzido pela RTVE em 2003, inspirado no livro escrito por Vicente Blasco Ibáñe em 1894.

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O filme é até legal, mas meio parado… fora que são quase duas horas e meia de duração. Na história, Carmen vive Manuela Parajes, uma mulher que herdou uma grande herança e que se casou duas vezes. Primeiro com um homem rico, com quem teve duas filhas. Depois com um homem simples, com quem teve um filho. Depois de ficar viúva ela simplesmente queimou todo o dinheiro em roupas caras, festas, joias e empregados. Com medo de se ver pobre ela incita as filhas a encontrarem um marido rico e as ensina que não se deve casar por amor e sim, por dinheiro.

O problema é que o tempo vai passando e as filhas não encontram marido. Na cabeça de Manuela ela precisa manter as aparências e permitir que as meninas frequentem os melhores lugares para assim, atrair homens ricos. Enquanto isso ela vai sacrificando o filho, fazendo uma chantagem emocional para que ele consiga mais dinheiro emprestado para ela… aliás, para Manuela não poderia ser mais decepcionante vê-lo apaixonado por uma costureira.

A personagem me pareceu uma Madame Bovay de meia idade, cheia de dívidas e iludida. O fim das duas é até meio parecido, desculpem pelo spoiler mas é meio trágico. Apesar de tudo não é lá tão simpática, me pareceu meio lunática ao se afundar cada vez mais nas dívidas ao invés de salvar a casa. Tudo bem vai… no fim ela se redime se justificando que: ‘nesse mundo, a vida das mulheres não é fácil e tudo que ela fez foi para proteger as filhas”. A série tem uma construção de ambiente impecável, vestidos maravilhosos, cenários lindos… vale a pena

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Só uma observação sobre a Carmen Maura, no momento estou com a seguinte sensação sobre ela:  Vou confessar que fiquei bem impressionada com aquela entrevista que a Carmen Maura cedeu ao Rincón del Pensar; comentei aqui há poucos dias. Eu simplesmente passei a olhá-la de um jeito diferente, tudo por causa de um comentário que vi no vídeo da entrevista, que dizia que Carmen era uma mulher obscura.

A verdade é que algumas das falas dela, juntas com outras entrevistas que assisti e li, me fizeram acreditar que, de fato, é uma mulher meio obscura. Carmen chegou numa idade que, segundo ela, não precisa esconder mais nada … então sempre que pode abre o jogo, sem medo parecer antipática.Me surpreendeu o lance dos filhos e da forma que ela falou do seu arrependimento de ser mãe, ao mesmo tempo em que me soou meio depressiva.

Duas estranhas – História de mãe e filha

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Há tantos anos admiro a Bette Davis, e esse é o primeiro filme que assisto em que ela está mais velha... Adoro a Gena Rowlands também, então foi um deleite. Apertei o play e corri para o abraço. “Duas estranhas” é um filme bonito, sem muitas surpresas, mas antológico pelas atuações. No filme Gena interpreta Abigail, uma mulher que passou anos longe de casa e que voltou a morar com sua mãe, Lucy. As duas possuem um relacionamento bem distante, Lucy simplesmente não abre mão das suas manias e sente-se insegura em relação a volta da filha, uma menina “mimada” que a magoou muito na juventude. Aos poucos Abigail vai reconquistando a mãe, mostra que voltou diferente e voltou para ficar… vai descobrindo as histórias de Lucy e relembrando velhos acontecimentos. No fim elas percebem que são mais parecidas do que imaginam e que se amam muito.

O filme foi feito para a TV, Bette com 71 aninhos recebeu pela produção o prêmio do Emmy de Melhor Atriz em Minissérie ou Filme. A narrativa tem um aspecto bem teatral, as duas são o centro da produção e a casa em que Abigail cresceu é o pano de fundo principal para os acontecimentos…

Sabe, Gena é aquela mulher impactante, tem uma beleza diferente. Bette é única, o filme inicia e ela custa para a abrir a boca e mesmo assim, é difícil desgrudar os olhos dela. Numa entrevista, Gena disse coisas interessantes sobre Bette que acho que valem a pena serem reproduzidas: “Eu amava a Bette, ela era engraçada e tinha um senso de humor meio cruel. Quando cresci, todas as mulheres (no cinema) eram obedientes, educadas e tinham boas maneiras. Bette não, ela era independente e não tinha medo de ofender.  Um dia ela me perguntou, “você viu o meu batom¿ Ele é rosa…”. Respondi, “Não parece rosa para mim (ela o usava todos os dias)”. Eu disse, “Na verdade, não prestei muita atenção”. Ela disse: “Bom, então comece a prestar atenção, porque você JÁ NÃO ESTÁ NA FLOR DA IDADE!”

Sangre de mi Sangre, Musarañas

Já assistiram algum filme do Alex de la Iglesia¿  Se a resposta for não, eu imploro para que tirem um tempinho e assistam pelo menos um (tô falando sério!). Já escrevi muito dele por aqui, mas vou escrever mais uma vez, trata-se de um diretor espanhol que possui um jeito muito peculiar… especialmente na construção narrativa de seus longas (resumindo, ele é beeeem sarcástico, inteligente, talentoso, irônico e adora um humor negro). Não tô puxando saco, se você assistir você vai comprovar isso.

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Sabe, é engraçado como seus filmes sempre me surpreendem, estranho como termino paralisada, doida para rever algumas cenas e procurar por análises e resenhas. Juro, em TODOS os filmes que vi dele isso aconteceu. Ontem assisti “Sangre de mi Sangre”, que delícia (ainda que com um tema tão pesado). Delícia assistir um trabalho bem feito, se envolver com personagens bem construídos, com diálogos impactantes. Enfim, viajar numa história que envolve terror, romance e MUITO suspense.

Há muito tempo não sentia por uma personagem tamanha compaixão, foi assim com Montse – uma mulher extremamente traumatizada pela morte da mãe e pela presença opressora do pai (que também morre, tempos depois).  Sem querer, ela reproduz essa opressão na irmã mais nova e tenta impor uma criação rígida, baseada em conceitos católicos ortodoxos. O trauma de Montse é tão grande que ela simplesmente não consegue sair de casa e aos poucos, vai enlouquecendo. Enquanto isso, a jovem irmã deseja desbravar o mundo, quer namorar e sente-se mais viva do que nunca.

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O contraste entre as duas é tão forte que é quase impossível não ficar tocado por aquela energia negativa.É a explosão de um universo feminino cheio de medo, culpa, vergonha e segredos… acontecimentos que simplesmente fortalecem um laço eterno entre as irmãs.  A tensão aumenta gradativamente a ponto das duas chegarem a um sangrento, doloroso e surpreendente embate físico. Não bastasse, um estranho aparece para pedir ajuda, entra na casa e passa a seduzir as duas – a disputa esquenta e há cenas de roer as unhas (em alguns momentos você simplesmente se lembra da Kathy Bates em Misery e não consegue ficar indiferente com as “torturas” que rolam na casa).

Desculpa, tô tentando não contar spoiler, mas a minha mão está coçando. Fiquei apaixonada pela Macarena Gomez de um jeito que não sei explicar, GENTE ela trabalha bem demais,rouba a cena e o filme, tem tantas facetas que não dá pra explicar, só consigo pensar “como ela trabalha bem”.

Bom, desculpas por não falar nada com nada. Tá aí um filme grandioso que merecia uma resenha bem melhor, não sei se é porque está tarde, se estou com sono… mas não tô conseguindo desenvolver esse texto…Então vou parar por aqui, antes que fique mais chato do que já está. Não sem antes pedir, mais uma vez:

Por favor, assista a esse filme.