O que terá acontecido a Baby Jane? – 1991

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Nota rápida:  Nessa semana eu assisti a segunda versão de “O que terá acontecido a Baby Jane”, filme de 1991, dirigido por David Greene. Era um filme que me despertava muita curiosidade e ao mesmo tempo repulsa, porque eu simplesmente odiava a maquiagem que fizeram na Lynn Redgrave. Essa versão mantém a trama da primeira e pouquíssimas alterações foram feitas. A história se passa em uma mansão em Hollywood onde vivem Jane Hudson e sua irmã Blanche, interpretada por Vanessa Redgrave. As duas foram estrelas de cinema, mas tiveram a vida despedaçada após um trágico acidente que deixou Blanche em cadeiras de rodas. Para saber mais sobre a versão de 1962, acesse.

Aqui não se repete o que as legendárias Joan Crawford e Bette Davis fizeram anos antes. Não existe aquele clima de tensão nos bastidores, nem a explosão de raiva de duas atrizes que se odeiam há anos. As irmãs Redgrave possuem uma sintonia bem diferente e isso é perceptível já nos primeiros minutos. São igualmente intensas, mas existe algo de “fraternidade” que o outro não tem, diversas vezes vemos as personagens dividindo lembranças da infância e trocando olhares carinhosos.

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Li comentários que diziam que esse filme é mais realista e chocante que o outro… pode ser. O fato é que quando lançando, foi duramente criticado. Nesse eu percebi uma Blanche mais impiedosa e caprichosa e a uma Jane menos malvada e mais afetada. Também não sei se pela cor, mas me pareceu mais violento. Acontece que a Lynn, apesar daquela horrível maquiagem, se sobressai muitíssimo, ela está incrível, muito emocional e assombradora (aquela boneca, putz!). O filme me fez encarar a Jane muito mais como vítima, principalmente por causa da cena final, onde todos os policiais prestam socorro à Blanche e deixam Jane sozinha, caminhando em direção ao mar…

Aquella casa en las afueras

Um filme de terror dos anos 80, sobre uma casa de abortos

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Eu jamais assistiria este filme se a Carmen Maura não estivesse no elenco, ironicamente ela aparece muito pouco, em três cenas muito rápidas. “Aquella casa en las afueras” conta a história de Nieves, uma jovem recém casada que acaba de mudar de residência, ela está grávida. O marido, mais velho, vive trabalhando e ela conta com a ajuda e companhia da vizinha, Isabel, uma senhora bondosa e extremamente misteriosa. Pouco tempo após se mudar, Nieves começa a ser assombrada pelas lembranças dolorosas de sua juventude, isso porque a casa em que ela passou a viver foi um clínica clandestina, a mesma em que ela fez um aborto anos atrás.

Li muitas resenhas sobre o filme e em algumas delas, os críticos encaram a abordagem do tema como “sensacionalista”. Eu gostei demais e acho que essa produção tem peculiaridades muito interessantes. O filme foi dirigido por Eugênio Martín, o mesmo diretor de  Duelo dos homens maus (1971) e  O expresso do terror (1972).

Martín possui uma carreira muito versátil e logo nos primeiros filmes gostava de abordar tabus (o que lhe obrigava a driblar a censura franquista). Em entrevista a Nicholas Schlegel (para o livro Sexo, Sadismo, Espanha e Cinema), Martín chega a afirmar que os censores não eram tão espertos e nem sempre conseguiam encontrar elementos subversivos no script: “Eram pessoas de classe média baixa, alguns padres (o que era horrível porque eram muito fanáticos) e civis, que não tinham muito estudo ou um background muito crítico.”

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No filme, não somos levados a culpar Nieves pelo aborto feito anteriormente. Pelo contrário, a todo momento ela indica as justificativas que a levaram a tirar o bebê: era muito jovem, não tinha condições financeiras, não tinha o apoio do pai e não se sentia preparada. Ao mesmo tempo, as assombrações do passado são como uma forma de responsabilizá-la pela escolha. A figura da vizinha, posteriormente identificada como uma das ex-enfermeiras da clínica, configura-se como um agente discursivo, que acredita que Nieves deve pagar pelo que fez.

Não sei se na década de 80 era aceitável considerar esse filme como de terror, ao assistí-lo me pareceu mais um suspense voltado para a tesão psicológica da personagem principal. Sem dúvidas a casa é um elemento importantíssimo na trama, que agrava a sensação de sufoco de Nieves. Ela sempre se pergunta porque o marido escolheu uma casa tão grande para os dois e sempre tem pesadelos nos corredores escuros, vê o vulto das enfermeiras que realizaram o procedimento ou escuta o barulho dos instrumentos.

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Apesar do spoiler enorme que soltei acima, não nos é confidenciado a verdadeira identidade de Izabel. Pelo menos, não até a metade da trama.  Então somos levados a desconfiar também do marido de Nieves porque na narrativa, existe um médico e uma enfermeira que realizavam os abortos. Em muitas cenas o marido de Nieves e Izabel conversam às escondidas, e não é difícil suspeitar dele também.

Dois pontos interessantes:o primeiro é que apesar de desejar o bem estar do filho, Nieves continua sendo uma mãe meio irresponsável, então a vemos fumar… por exemplo, e ela sabe que aquilo pode fazer mal para o bebê. Sua repulsa e desconfiança pelo marido começa a refletir na gravidez.  O segundo fato  é que além de Izabel, Nieves conta com o apoio de uma amiga, dona de uma escolinha… me chamou atenção o fato do nome da escola ser “Peter Pan”, o menino que nunca cresce. Será uma alusão ao aborto?


 Quem foi Alida Valli?

Até o momento, eu nunca tinha escutado este nome. Assisti o filme e fiquei encanta com esses impactantes olhos claros e com a sua força de expressão. Uma rápida pesquisa me levou à sua incrível história a qual compartilho com vocês.

*O texto abaixo não é meu, foi retirado de dois blogs: O falcão Maltês e do Mais ou menos Nostalgia – que por sinal, sou leitora assídua e recomendo muitíssimo que conheçam!

O Falcão Maltês: “Ela atuou em mais de 100 filmes e cerca de 30 peças teatrais, estreando no cinema em 1934 como figurante e filmando até 2002, aos 81 anos. Durante a Segunda Guerra Mundial, suas atuações em fitas como “Pequeno Grande Mundo” (1941), pelo qual ganhou o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Veneza, fizeram o público e a crítica perceberem que estavam diante de uma verdadeira estrela. Suas comédias sentimentais desta época arrebataram o coração dos jovens italianos, tranformando a atriz na “namoradinha da Itália”.Neste período, casou-se com o pintor surrealista e pianista Oscar De Mejo, com quem teve dois filhos (um deles, Carlo De Mejo, seria ator). Em plena ascenção, recusou-se a fazer filmes de propaganda do regime fascista de Benito Mussolini – que a considerava “a mulher mais bonita do mundo” -, passando a ser perseguida e tendo que se esconder para evitar possível prisão e execução.”

  • No auge do sucesso, em 1954, sua popularidade foi abalada com um escândalo recheado de sexo, drogas, ritual religioso e morte: ela estava em Torvajanica, uma praia particular próxima a Napóles, participando de uma orgia coordenada pelos Illuminati, ao lado de autoridades da igreja católica e da política, quando a desconhecida Wilma Montesi, de 21 anos, utilizada como sacerdotisa de uma missa adonaicida e escrava sexual, morreu de esgotamento físico, e também, de uma overdose de drogas. O infortúnio provocou a renúncia do ministro das Relações Exteriores da Itália, Attilio Piccioni, pois um filho seu fazia parte da maratona sexual;

Mais ou Menos Nostalgia: “Terminada a II Guerra Mundial, Alida e seu então marido, o compositor Oscar Mejo, com o qual teve dois filhos, foram para Hollywood a convite de David O. Selznick. Estrelou Miracle of the Bells, mas seu primeiro grande sucesso foi em 1947 no papel de uma mulher acusada de assassinato, no filme The Paradise Case, direção de Alfred Hitchcok.  Em 1949 destacou-se pela sua notável interpretação da personagem Anna Schmidt no filme The Third Man. Em 1954, teve seu nome envolvido em escândalos entre celebridades italianas. O fato viria, mais tarde, servir de inspiração para o filme La Dolce Vitta, de Fellini, mas neste mesmo ano fez um retumbante sucesso por sua atuação no filme Senso, de Luchino Visconti, ambientado em meados de 1800. Alida interpretava uma condessa que mantinha um romance proibido com um oficial do exército austríaco.”

Os 3 filmes do fim de semana!

Sabe aqueles filmes que já faz tempo que você quer assistir, mas sempre esquece ou não tem tempo? Então, fiz uma lista com dez filmes… clássicos, filmes de comédia, drama e terror que queria assistir no feriadão. Quem disse que consegui? Assisti só três e fiquei frustadíssima porque queria ter visto mais! Enfim, os filmes foram:

Betibú-filme-online-hdBetibú, 2014: Filme argentino, dirigido por Miguel Cohan. Um suspense que se inicia com a morte de um empresário influente, encontrado pela empregada degolado na sala de tv. O mesmo, três anos antes, foi acusado de matar a própria esposa. O dono de um importante jornal, convence Nurti Iscar, uma romancista sem sucesso, a acompanhar o caso. Nurti tentou se esconder por anos depois de lançar um livro que fracassou no mercado. Trabalhando com ela estão Jaime, um jornalista “das antigas” e Mariano, um jornalista recém formado.

O filme me decepcionou, para falar a verdade. Pouco suspense, pouca ação. Nada muito impactante. Para quem é jornalista, é legal assistir o conflito entre dois mundos opostos representados por Jaime (que faz um jornalismo meio oldschool) e por Mariano, jovem e  esperto… acostumado com aparatos tecnológicos, mas com pouca experiência. A Nurti da um tom mais romântico às matérias, o que me remete muito ao jornalismo literário. O filme foi inspirado no livro de Claudia Piñeiro,  e Betibú é o apelido de Nurti… uma alusão à Betty Boop (sensual e inteligente).

Te doy mis ojos, 2003:  Filme espanhol, dirigido por Icíar Bollain (Vencedor de 7 Goyas, inclusive o de melhor filme do ano).  Uma história intensa, te-doy-mis-ojosmuito dramática e que toca em um assunto delicado: violência doméstica. Anos antes de produzi-lo Bollain realizou uma série de documentários sobre esse mesmo tema e se perguntava o porque as mulheres agredidas voltavam com seus companheiros. A resposta: elas acreditavam que a violência acabaria, ou seja, acreditavam no arrependimento de seus maridos.

O filme tenta abordar tanto a perspectiva da vítima, quanto a do agressor. Desde o momento em que ela sai de casa com o filho e vai morar na casa da irmã, até o momento em que ela volta para casa e continua sendo agredida. Enquanto ela tenta se reestruturar, ele vai procurar ajuda em grupos de apoio. Laia Marull realiza uma interpretação soberba, vale a pena assistir para refletir sobre o tema e para vê-la atuando.

CVKQTAoUkAAGbhsDeadpool, 2016. Entretenimento puro, uma delícia de filme… que diverte, faz rir e emociona. Gostei muitíssimo e espero ansiosamente pela sequência. O filme, cheeeeio de efeitos e explosões, conta a história de um homem diagnosticado com câncer terminal que é convencido a participar de um experimento desonesto. O experimento permite que ele tenha super poderes (força extrema, cura acelerada), mas… o deixa traumatizado. Primeiro por causa da violência do tratamento, que o deixou com a face desfigurada e segundo por tê-lo afastado do amor de sua vida.

Roteiro super dinâmico, piadinhas politicamente incorretas e um personagem principal muito carismático. Vale a pena demais assistir, passar o tempo…

Party Girl

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Quando assisti o trailer de “Party Girl” fiquei fissurada na imagem da Angélique Litzenburger. Seus enormes olhos azuis contrastantes com o cabelo escuro e cacheado me pareceu um conjunto estranhamente exótico e belo. Fora que ela me remete muitíssimo a minha primeira professora, uma mulher italiana de olhos verdes e de pele morena chamada Ângela (não sei explicar, mas os traços são idênticos).. Procurei este filme por um longo tempo, uma frustração não encontrá-lo. Como raramente acontece, tive a sorte de assisti-lo no Centro Cultural de São Paulo, que realizava uma mostra chamada “Breve e inéditos”, um panorama retrospectivo de alguns dos melhores filmes lançados em 2015 e que não tiveram a devida chance de chegar ao público.

Uma prostituta idosa que não quer deixar de trabalhar

Dito tudo isso, vocês devem imaginar a minha ansiedade (e inexplicavelmente, certa emoção) ao assisti-lo. Eu realmente fiquei muito feliz. E mais ainda depois, quando saí da sala de cinema. Expectativas totalmente atendidas. O filme conta a história de Angélique, uma senhora que durante anos trabalhou como hostess em uma boate e que, por causa da idade, começa e enfrentar uma crise pela falta de clientes.  Angélique é o tipo de pessoa que não desiste tão fácil, ainda que tudo indique que ela deva fazer o contrário. Sem encontrar soluções, ela vai atrás de um velho e fiel cliente, Michel (Joseph Bour) e pede que ele volte a contratar seus serviços. Michel surpreende Angélique e a pede em casamento e, por impulso, ela aceita. Um acaba mergulhando na vida do outro e enquanto Michel precisa enfrentar os filhos de Angélique e suas manias, ela precisa encarar a vida pacata de Michel.

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“Party Girl”, vencedor da Camera D’or no Festival de Cannes 2014, tem um certo tom documental, autobiográfico e experimental. Foi dirigido por três jovens (Marie Amachoukeli, Claire Burger e Samuel Theis) que chamaram membros da própria família para serem os atores. Angélique é mãe de Samuel e na vida real é uma ex-prostituta com sérios problemas familiares em relação aos filhos. Senti o filme como uma homenagem à protagonista, há todo um tom de respeito por sua história e por sua figura…

Angelique é o tipo “porra-louca” que tenta, mas não consegue mudar. Como se sua natureza a fizesse causar estragos por onde passa. Sabe, enquanto assistia ao filme, muitos pensamentos rondaram a minha cabeça. A incessante luta de Angelique por permanecer trabalhando e se manter sexualmente interessante me faz pensar na negação do envelhecimento e no quanto isso pode pesar sobre os ombros da mulher.A solidão de Michel e a necessidade de encontrar um amor que o retribuísse. O sexo na velhice…

Trilhos do Destino

Um filme triste, daqueles que a gente começa a assistir com a certeza de que algumas lágrimas serão derramadas. Na história, Kevin Bacon dá vida à Tom, um engenheiro que trabalha no sistema ferroviário e que enfrenta um drama em sua vida pessoal: sua esposa, Megan (Marcia Gay Harden) está em estágio avançado de câncer. Tom se esforça para seguir em frente e mergulha no trabalho como maneira de esquecer a morte iminente de Megan.. mas o destino lhe prega uma peça e ele se envolve em um acidente que mata Laura e deixa orfão seu filho, Davey.

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O filme marca a estréia de Alison Eastwood (filha de Clint Eastwood) como diretora e é bastante sentimental. Principalmente porque toca em assuntos tão delicados à vida humana: doenças, perdas, suicídio, morte. Megan e Laura estão em um agonizante sofrimento, mas  caminham em lados opostos: enquanto Laura desiste de viver, Megan se desespera porque não quer morrer. É realmente muito triste ver Megan encarando a própria doença (que já é, em sí, avassaladora), e se perguntando se viveu tudo o que queria ter vivido. Por outro lado estão Tom e Davey, também em sofrimento por terem que se despedir (repentinamente) das pessoas que mais amavam.

Extramuros

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Extramuros é um filme que conta a relação amorosa entre duas freiras enclausuradas em um convento espanhol durante o reinado de Filipe II (1527-1598). Numa região assolada por doenças, pela fome, extrema pobreza e falta de água, as freiras receberam a ameaça de ter o convento fechado por falta de pagamento de indulto. Um delas, Sor Ângela (interpretada por Mercedes Sampietro) tem a ideia de forjar um milagre para manter o lugar em funcionamento. Assim, sua apaixonada companheira, Sor Ana (Carmen Maura) a auxilia a recriar as chagas de Jesus e a divulgar um discurso de que Ângela é milagrosa.

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O filme foi dirigido por Miguel Picazo e inspirado na obra de Jesus Fernández Santos. Estreou em setembro de 1986 em Madrid e custou 117 milhões de pesetas. O interessante é que foi gravado no convento de San Pedro de Dueñas, mas para apresentar um tom mais realístico, foi preciso realizar um trabalho cenográfico que fizesse com que o local parecesse mais destruído do que realmente estava. Em entrevista, Picazo contou sobre como surgiu a ideia de filmar: “Quando li o romance pensei na possibilidade de fazer um filme. A trama possui tudo:  história, intrahistória, clímax… me pareceu perfeita para o cinema. É uma investigação certeira sobre o ser humano e vale para qualquer época.”.

Assisti o filme ontem a noite e muito do que vi me remeteu à “A Religiosa”, livro de Diderot publicado em 1796, que conta a história de Suzanne, uma freira enclausurada contra vontade e que, dentre inúmeras coisas,  sofre assédio sexual da Madre Superiora. Diferente dos filmes que vi, baseados no livro de Diderot, esse toca na ferida de maneira direta e sem rodeios. É explícito, as freiras se beijam o tempo inteiro, trocam carícias, dormem juntas e fazem juras de amor….

Parece um tabu falar sobre sexualidade e freiras, duas coisas que não combinam. E é realmente estranho ver as personagens com tamanho discurso romântico. É um filme denso, dramático, muito escuro… uma perfeita alusão à idade média, época das trevas. Me impressiona mais do que a repressão que sofriam o fato de elas se culparem o tempo inteiro. Em uma das cenas, por exemplo, Angela está prestes a se deitar com Ana, mas se lembra que “Amor se paga com dor”, então as duas começam a se autoflagelar e, exaustas, deitam no chão, com as costas repletas de sangue.

O que move as duas é um amor cego e sem imites, especialmente à Ana (um personagem mais dramático, muito dolorida, insegura). Em entrevista Carmen Maura até observou isso: “Ela é apaixonante, porque toda sua motivação é o amor. É a primeira vez que interpreto um personagem que ama sem pedir nada em troca”. São capazes de fingirem um milagre para não se separarem…

Amizade Desfeita

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“Amizade desfeita” é um filme que marca pela estética, pelo experimentalismo. Toda a trama se passa através de uma tela de computador, onde sete amigos conversam através do Skype. Anos antes, esse mesmo grupo acompanhou (também virtualmente) o suicídio de Laura Bairns e, ao que parece, ela voltou para se vingar. Não é um filme assustador, mas é um filme de pequenos sustos. Você pode se pegar surpreso em alguns momentos, mas nada que vá lhe tirar o sono.

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Gosto muito dos momentos em que para entender o que se passa, o espectador precisa ler as conversas de bate papo da personagem principal, você não vê o seu rosto, nem sua reação, mas pela forma que a personagem escreve  é possível imaginar sua tensão. O filme foi uma produção barata, custou apenas 1 milhão de dólares e já rendeu 63 vezes mais. É impressionante….

O harém de Madame Osmane

el-haren-de-madame-osmane-34014Fiquei surpresa com esse filme, do qual não conhecia a história e não fazia ideia de onde se passava. Fui assistí-lo por causa da Carmen Maura e tive uma feliz surpresa ao descobrir que se trata de uma produção franco-argelina, dirigida por Nadir Morkneche e produzida em 2000. Na trama, Carmen interpreta Madame Osmane, uma mulher mal-humorada que, após ser abandonada pelo marido, passa a comandar sua pensão com mãos de ferro para não perder o respeito. O ano é de 1993, acontece a Guerra Civil Argelina (um conflito armado entre o governo argelino e rebeldes islâmicos, iniciado dois anos antes. O número estimado de mortos foi de 200 mil pessoas).

Após ser lançado na França, o filme chegou a ser considerado um “Mulheres à beira de um ataque de Nervos” argelino. Não é para menos e não só pela fácil associação de Carmen à Almodóvar. Madame Osmane é uma mulher forte e cheia de problemas, a começar pela filha rebelde e respondona. Em sua volta está uma velha amiga confidente, o namorado de uma das inquilinas que vive a assediando, uma solteirona desesperada e uma moça, cujo marido é ausente. Enfim, Madame Osmane, assim como Pepa de Almodóvar, está prestes a ter um ataque de nervos.

Muitas coisas que vi no filme me soaram estranhas, é realmente um mundo que desconheço. A começar pelo ambiente, aparentemente seco e muito quente. As mulheres com todos aqueles panos, as cobrindo da cabeça aos pés (outras, com saias curtas), a rapidez dos diálogos, as roupas. Reparei que o universo de todas elas gira em função dos homens, é incrível como o casamento é fundamental para o equilíbrio emocional das personagens. A própria Madame Osmane, por exemplo, uma mulher forte (que chegou a ser militante pela independência da Argélia) é desmoralizada por não ter um marido ao seu lado.

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O mundo feminino, retratado no filme, me pareceu angustiante. Enquanto os homens saem para trabalhar e podem ter quantas esposas desejam, as mulheres não podem andar nas ruas sozinhas sem correr o risco de serem assediadas. Madame Osmane se destaca entre todas elas, exatamente porque é a matriarca da casa. Resolve os problemas, bate de frente com todos (inclusive com os homens) e ao mesmo tempo é extremamente infeliz. São muito interessantes as cenas que insinuam o quanto Madame Osmane é solitária e reprimida sexualmente, a ponto de antes de dormir, deitar-se no chão para escutar os vizinhos transando.

Em entrevista ao El País, Nadir Morkneche comentou que Madame Osmane “representa as vidas frustradas de tanta gente na Argélia, é também a representação das argelinas que romperam tabus na década de 70 e que, anos depois, encontram dificuldade para aceitar o mesmo sistema que as oprimiu quando jovens”. E ainda, sobre o universo feminino, observou que: “Existem dois tipos de educação na Argélia, uma para os homens e outra para as mulheres e é ela que configura as mentalidades. O homem da Argélia pode ser uma menino mimado por toda a vida, mimado por suas mães, irmãs e esposas.”

Por fim  é um filme que começa com um tom de humor e termina de uma maneira obscura e muito, muito triste.


 – ScreenCaps-

O Tigre e o Dragão 2

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“O Tigre e o Dragão” é uma obra prima, difícil falar tamanha a sensibilidade de Ang Lee. Não é  à toa que seja o filme não americano mais visto nos EUA. Impossível assisti-lo e não ficar encantado pela história ou hipnotizado pelas cenas de lutas corporais (que parecem dança, de tão graciosos os movimentos). Leveza nos olhares e nos sinais subentendidos, no amor impossível, na coragem de uma jovem rebelde… Enfim, muito mais do que ter a oportunidade de assistir um filme sobre artes marciais (que, por sinal, revolucionou o estilo Wuxia) é um mergulho cultural em mundo encantador e distante. Sou eternamente fã desse filme, do trabalho da direção, da fotografia e dos atores, por isso corri para assistir o novo lançamento da Netflix anunciado como “O Tigre e o Dragão 2”, a continuidade da história lançada em 2000.

Em “Crouching Tiger, Hidden Dragon” (o nome original da sequência),  Yu Shu Lien (interpretada pela maravilhosa Michele Yeoh) sai do meu mundo de reclusão para visitar a família de um conhecido que acaba de falecer. É lá que a antiga espada de Li Mu Bai, a Green Destiny, está guardada e é por ela que se inicia uma sangrenta disputa, já que o cruel Hades Dai quer tomá-la. Então Shu Lien permanece para proteger a casa, defender o legado de Li Mu Bai e ensinar a jovem Snow Vase.

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Lobo silencioso volta, o prometido de Yu Shu Lien nunca esteve morto como o último filme nos fez pensar. Estava vivo, vivíssimo e treinando para proteger a amada. Foi esse um dos aspectos que mais me incomodou, a justificativa que o Lobo Silencioso deu por não ter aparecido todos esses anos soou inverossímil. De repente, surge um clima de romance entre os dois e parece tudo muito forçado. A verdade é que eu não sei dizer se gostei mesmo, a ambientação é linda. A fotografia também. Mas falta um encanto, aquele clima mágico que existe no primeiro filme.

Boa noite, mamãe

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Fui ao cinema assistí-lo no domingo passado e fiquei em choque com o desenrolar da trama. Fiquei tão chocada que cheguei ao ponto de tapar os olhos em uma cena. E o pior é que eu estava sozinha na sala. O filme não é daqueles de terror de dar susto, de pular da cadeira, mas surpreende pela explosão de cenas de tortura. A história acompanha o cotidiano de dois irmãos gêmeos, Lucas e Elias que aguardam ansiosamente pela chegada da mãe, que acaba de realizar uma cirurgia plástica no rosto. Quando chega, a mãe começa a apresentar um comportamento frio e estranho, nada parecida com a mulher que os meninos conheciam… e parece que vê-la sempre com o rosto coberto de faixas os deixa ainda mais confusos.

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O início do filme se concentra muito no universo dos meninos e ressalta a importância da casa, como um labirinto enorme e sufocante (às vezes é até um pouco repetitivo). É evidente o quanto eles se sentem sozinhos naquele ambiente, que passa uma sensação de frieza muito grande. Vou confessar que saquei o mistério que ronda os meninos desde a primeira cena, para mim estava muito claro… o que me prendeu foi o lance da mãe, se era ela mesmo ou não. Eu tava louca para vê-la sem as faixas e quase pirei quando a trama foi tomando um rumo muito mais denso e… assustador.