Banksy

 

Conheci Banksy pela internet (assim como outros inúmeros artistas) e fiquei encantada com manifestações em relação a seu trabalho. Já vi homens e mulheres tatuados, reprodução das imagens da sua obra pelo entorno da faculdade, pelo centro de Belo Horizonte e de Nova Lima (e imagino que existem milhões de outras espalhadas pelo mundo afora). “Banksy” na verdade é o pseudônimo de um artista de rua, pintor, ativista e diretor do cinema inglês. Em 2008, o jornal britânico Daily Mail chegou a afirmar que a verdadeira identidade de Banksy era: Robin Banks (mas a informação foi negada posteriormente). De fato, a decisão do artista em se manter no anonimato é muito interessante, assim como já se afirmou: o foco deve ficar na arte e não no artista.

 

Seu trabalho contribuiu para uma mudança em relação à percepção que se tinha sobre a arte de rua. Através do spray, ele realiza críticas (algumas bem satíricas e com pitadas de humor negro) à política, à sociedade e à guerra – criando imagens que podem ser facilmente encontradas em pontes, paredes ou asfaltos.  Em 2003 um episódio engraçado aconteceu pelas ruas de Londres: Uma senhora ligou para a prefeitura reclamando de uma “pichação satírica sobre a família real” na parede da sua casa.

Assim que chegaram ao local, os funcionários da prefeitura pintaram toda a parede. Se a senhora resolvesse vender aquela obra, ganharia muito dinheiro (o artista chegou a vender uma de suas pinturas por 200 mil dólares), por outro lado: os funcionários tiveram que se desculpar publicamente. Há também uma outra versão: Contratados pela prefeitura para limpar a cidade das pichações, funcionários pintaram o trabalho de quase sete metros de comprimento com tinta preta. O conselho municipal de Bristol afirmou que seria instaurada uma investigação para descobrir o responsável por este engano: “determinou a preservação de todas as obras de Banksy na cidade”

 

Tristan Manco (designer gráfico e autor) informou que Banksy nasceu em Bristol (Inglaterra) em 1974, arriscou suas primeiras pichações na década de 80, utilizando-se do estêncil em seus grafites. Em 2003, assinou a capa do álbum Think Tank, da banda Blu. Foi também o responsável pela abertura polêmica do desenho “Os Simpsons”, onde asiáticos enfrentam péssimas condições de trabalho para a produção do desenho. Há também um outro episodio interessante ligado ao artista: “Entrou como turista na Disneylândia, na Califórnia, levando na mochila um boneco inflável vestido com o uniforme dos detentos da prisão de Guantánamo. Burlando a segurança, infla o boneco e o posiciona perto de uma montanha-russa de trenzinho. Demorou uma hora e meia até que o boneco fosse retirado”. (Super Interessante/ Abril).

 

 Para mais imagens, confiram o site: http://www.banksy.co.uk

Filmes da Infância – Última parte

Fiquei muito feliz em ver as estatísticas do blog: a seqüências de publicações sobre os filmes da infância são os mais visitados. Ainda há muito do que se falar, muitos filmes brilhantes a serem relembrados. Fiz essa última lista (porque não adianta, nunca vou conseguir falar sobre todos), para terminar com chave de ouro essa recordação bacana sobre produções que fizeram parte do nosso imaginário infantil.

PARA SEMPRE CINDERELA

(Direção: Andy Tennant, 1997)

Lembro-me perfeitamente do dia que vi. Estávamos em sala de aula porque a professora de educação física tinha faltado. Era dia de piscina, estávamos furiosos porque só iríamos poder fazer natação na outra semana (eu adorava piscina!). Me neguei a ver o filme, abaixei a cabeça na mesa por alguns instantes mas não consegui ficar muito tempo com os olhos fechados: os sons me chamaram atenção. Aquela menina magrinha, adorada pelo pai que estava em busca de uma outra esposa fazia parte da história familiar que já ouvimos tantas vezes: “Cinderela”. Fora que tinha que tinha Anjélica Huston (a Morticia, a bruxa dos filmes que eu adorava!, vicei, vi inúmeras, inúmeras vezes)

 

Enfim, encontrei essa sinopse no Wikipedia e sinceramente não poderia fazer melhor, então copiei aqui no blog:

“A rainha da França solicita a presença dos Irmãos Grimm no palácio e lhes conta que gosta muito da obra deles, mas que ficou espantada em como foi contada a história de Gata Borralheira. Assim, decide lhes narrar o que realmente aconteceu na França do século XVI, quando Danielle de Barbarac (Drew Barrymore), sua tataravó, que ficou feliz aos oito anos quando seu pai (Jeroen Krabbé), um aristocrata viúvo, se casou novamente com uma baronesa (Anjelica Huston), pois assim ela ganhou uma mãe e duas irmãs no mesmo dia. Mas a sonhada felicidade durou muito pouco, pois logo depois seu amado pai morreu subitamente e a madrasta, que ela desejava que fosse a mãe que nunca tivera, passa a tratá-la como uma criada. Uma das filhas da baronesa é bondosa e não concorda com várias atitudes da mãe, mas por outro lado a outra filha é bastante egoísta e só pensa em se casar com o príncipe herdeiro (Dougray Scott). Para isto ela tem total apoio da mãe, que está disposta a conspirar, mentir e fazer o necessário para ver sua filha como a futura rainha. Mas ela precisa agir rápido, pois o príncipe conheceu Danielle e os dois estão apaixonados, com os sonhos de grandeza da baronesa podendo serem frustrados, pois sua enteada e o príncipe estão sendo aconselhados por ninguém menos que Leonardo da Vinci (Patrick Godfrey).”

 

  • Curiosidades: – O retrato de Danielle, pintado por Leonardo Da Vinci, é baseado em uma obra real do pintor chamada “La Scapigliata”.
  • Ao contrário do filme, o pintor Leonardo Da Vinci manteve a obra “Mona Lisa” durante toda a sua vida
  • Os sapatos de cristal foram feitos por Salvatore Ferragamo.

Então, vamos a lista:

 

CONVENÇÃO DAS BRUXAS

(Direção: Nicholas Roeg, 1990)

 

 *Segurem essa titiquinha!

Luke, um menino de 10 anos, é levado à Inglaterra por sua avó Helga apos a morte dos pais. Ao chegarem ao hotel, descobre que uma estranha convenção acontece por ali. Ele percebe que se trata de um encontro de bruxas, no qual está se traçando planos para transformar todas as crianças do mundo em ratos. O pequeno Luke acaba sendo descoberto em uma das reuniões, se torna vitima e acaba sendo transformado em rato junto mais um menino chamado Bruno Jenkins. Mesmo nessa condição, o garoto resolve impedir que este plano diabólico seja colocado em prática, fazendo com que o feitiço vire contra o feiticeiro.

 

ESQUECERAM DE MIM

(Direção: Chris Columbus, 1990)

Deixado acidentalmente para trás pela sua família nas férias de Natal, Kevin McCalister, de apenas oito anos, tornou-se de um momento para o outro o homem da casa! Sozinho, tímido e desajeitado, tenta resolver os seus problemas: vai às compras, cozinha, lava a roupa e até dá a volta aos ladrões que lhe entram em casa.

A PRINCESINHA

(Direção: Alfonso Cuarón, 1995)

*Filme lindo, mas que me remetia a uma melancolia sem tamanho.

1914, Simla, Índia. Sara Crewe (Lisel Matthews) é uma garota inglesa que vivia feliz, apesar de ser órfã de mãe. Quando eclodiu a 1ª Guerra Mundial seu pai, o capitão Crewe (Liam Cunningham), que pertencia ao exército inglês, tem que ir para a guerra. Porém antes vai a Nova York para deixar Sara num luxuoso internato para moças, no qual a mãe dela já estudara e que é administrado agora com mão de ferro pela Srta. Minchin (Eleanor Bron). A Srta. Minchin fica incomodada com a criatividade de Sara, que logo cativa a maioria das garotas. Um dia o Sr. Barrow (Vincent Schiavelli), o advogado do pai de Sara, chega no colégio para dizer que não haveriam mais pagamentos, pois o pai de Sara tinha morrido em combate. Minchin então faz Sara trabalhar como uma criada, para pagar sua estada ali.

 

 O Pestinha

(Direção: Dennis Dugan, 1990)

Ben Healy  é um simpático – mas batido –  yuppie que trabalha para seu pai, Big Ben,um autoritário e inescrupuloso negociante de materiais esportivos. Ben amaria ter um filho, mas sua esposa, a desagradável e histérica Flo, não pode concebê-lo. Ben vai até uma agência de adoção  pouco escrupulosa e fala de seu dilema com o agente Igor Peabody, que apresenta a Ben e a Flo um atraente menino de sete anos, Junior que na verdade não é uma criança modelo, pois é malévolo e incorrigível. Já adotado, Junior deixa um rastro de destruição no seu caminho e mostra um método efetivo, mas pouco ético, de ganhar na Liga Infantil. Ben está tendo dúvidas sérias sobre Junior quando o serial killer Martin Beck,  o famoso “Assassino da Gravata-Borboleta”, escapa da prisão e seqüestra Junior e sua nova mãe.

 

Elvira, A Rainha das Trevas

( Direção: James Signorelli, 1988)

 

Elvira (Cassandra Peterson) é a anfitriã de um programa de baixo orçamento sobre filmes de terror, mas tudo pode mudar quando ela herda da tia Morgana (Cassandra Peterson) uma velha mansão em Fallwell, Massachusetts, uma pequena cidade com apenas 1313 habitantes. Ela sonha em vender a casa e ir para Las Vegas, mas encontra dois sérios problemas: o primeiro são os adultos da cidade, que ficam espantados com o modo de como ela se veste e se comporta. Liderados por Chastity Pariah, eles fazem forte oposição à presença de Elvira na localidade. O segundo problema é Vincent Talbot, um tio de Elvira que não herdou nada, mas deseja obter de qualquer maneira um “livro de receitas” que também foi herdado por Elvira, que dará a ele imensos poderes para fazer diversos tipos de bruxarias. Apos o Grande sucesso do filme produziram 30 episodios da serie que levava o nome da protagonista “Elvira a Rainha das Trevas” que não obteva tanto sucesso como o Filme

 

 

 LUA DE CRISTAL

(Direção: Tizuka Yamazaki, 1990) 

Maria da Graça é uma jovem bonita e sonhadora que se muda para a cidade grande com a intenção de fazer aulas de canto. Lá, ela se hospeda na casa de sua tia Zuleika e seus primos Lindinha e Mauricinho, que vivem atormentando sua vida, fazendo-a trabalhar como uma escrava. Por ser um tanto ingênua e tímida, Maria vive caindo nas armações de Lindinha; enquanto é alvo das constantes cantadas de Mauricinho, ao que ela rejeita; tendo de suportar também os detestáveis amigos deste, enquanto não consegue se adaptar á cidade. Porém, em meio a tantos problemas, Maria conhece a pequena Duda, sua vizinha; e o desajeitado Bob, que se tornam seus amigos. Bob é a materialização do príncipe de Maria em seus sonhos, e este a ajudará a conseguir emprego em sua lanchonete e a transformará na estrela de um show.

* Wikipedia manda abraços

Metamorfoses de Madame Bovary

“Metamorfoses” é o subtítulo do capítulo 4 do livro de Robert Stam – A literatura através do cinema (Realismo, magia e  a arte da adaptação). O autor apresenta uma rica análise sobre um dos meus livros favoritos: Madame Bovary, de Gustave Flaubert.  O capítulo é pesado, com termos literários e cinematográficos complexos e relevantes para quem se interessa pela área.

Em princípio Stam compara Emma Bovary  a Dom Quixote. Ele explica que os dois personagens se inspiram nos romances de cavalaria durante a vida e justamente por isso, passam por um processo  de desencantamento – percebem que a vida real não corresponde às expectativas criadas pelos livros.

Na verdade li Madame Bovary aos 15 anos, motivada pelo filme de Chabrol com Isabelle Huppert interpretando a personagem principal. Apesar de sempre idealizar alguma coisa ou alguém, Emma me cativou nas seguintes questões: além do tom feminista, se entregou aos seus desejos, tentou fugir das banalidades do casamento e dos substratos religioso e acima de tudo: tinha uma personalidade subversiva.

Acentuando o que Stam afirma sobre a personagem: apesar de encontrar no amante as mesmas banalidades do casamento, ela continua mandando cartas de amor a Leon – alimentando a ilusão de que há uma maneira correta para se ter um relacionamento amoroso.  Através de uma interface com a modernidade, Stam explica que o livro de Flaubert funciona perfeitamente como um roteiro que ensina ao ator como se portar e ao produtor como situar câmeras por meio de passagens detalhadas.

O que ele quer dizer é que a precisão de Flaubert facilita a construção de um roteiro. São dicas sensoriais e de composição passíveis de adaptações, como por exemplo: descrições do figurino, detalhes de enquadramento e a postura física. Todas essas dicas ainda são ligadas a uma questão fundamental: ao discurso indireto livre, que facilita o acesso aos sentimentos e pensamentos do personagem. Stam deixa claro que o trabalho de Flaubert tem um tom “protocinematográfico” .

O autor ainda completa: “(…) a importância histórica de Madame Bovary, é em parte, proveniente de seu ágil emprego do ponto de vista romanesco  e especialmente da maneira com que Flaubert dispersa a agencia narrativa delegando – a aos múltiplos personagens, sem intervenção autoral direta à la Balzac”. – p 203.

Madame  C’est Moi

 

Stam chega a uma das minhas reflexões favoritas sobre a obra: realiza uma crítica fundamental à “extensão da identificação” de Flaubert com Emma, ou seja, Flaubert mistura suas memórias as memórias das personagens. É exatamente o que Alfred Hitchcock faz em seus filmes – e atua também como um voyeur. Quando foi levado aos tribunais, Flaubert disse a frase: “Eu sou Madame Bovary” para se defender das acusações. Esse deslocamento é sentindo inclusive pelo leitor, que “olha com os olhos de Emma”.

Aí chegamos a Chabrol. Na verdade o autor faz uma análise de diversos filmes baseados no romance realista. Há uma variedade tão grande, que eu realmente não imaginava. Confira:

“Madame Bovary é também um dos romances que mais foram filmados. Uma lista parcial incluiria duas versões francesas ( a de Renoir de 1934 e a de Chabrol de 1991); duas versões hollywoodianas ( uma atualização moderna da H. B. Warner, intitulada Unboly Love (1932) e a versão de Minnelli, em 1949); uma versão alemã, em 1937; uma versão Argentina; em 1947; uma italiana, em 1969 (I pecati di Madame Bovary); a versão russa de Alexander Sokurov, em 1989, uma versão indiana em 1985, uma portuguesa, em 1997 de Manuel de Oliveira e uma versão da BBC de 2001″

Na verdade a versão de Chabrol foi à única que vi. Conforme o autor explica, Chabrol realiza um casamento entre as versões de Renoir e Minnelli, colocando ali tudo o que faltou, inclusive deixando

 a obra ainda mais realista. Chabrol tinha uma admiração tamanha por Flaubert, queria ser o mais fiel possível a obra. Tanto que tentou filmar nos lugares indicados por Flaubert. Essa relação com a personagem foi tão forte que na gravação da morte ficou doente. Flaubert também adoeceu enquanto descrevia a morte de Emma.

Mas a relação entre Chabrol e Flaubert não é só de admiração, Robert Stam explica que os dois participaram de movimentos inovadores (o romance clássico francês e a nouvelle vague), são irônicos e – “são fascinados pelas mulheres inteligentes que se destacam entre os homens medíocres que as circunscrevem”.

Gosto da Isabelle Huppert desde ‘Oito Mulheres “, mas foi nesse filme que conheci a sua capacidade subjetiva (e profunda) de interpretação. O autor explica que Huppert chegou a afirmar que saia e entrava do personagem deliberadamente., como uma metamorfose: horas obsessiva, horas desligada. São dois estilos contrapostos: fria, desinteressada e aborrecida x vibrante, viva e apaixonada.

Ao final, Stam deixa um questionamento válido: apesar de tantas adaptações, há alguma realmente feminista? ele sugere diversas e interessantes variações hipertextuais para a obra que realmente fazem falta e conclui que não. Não há no cinema, uma interpretação feminista de Madame Bovary.

Confissões

A imagem dos personagens interpretados por Jack Nicholson há muito tempo me remota a um homem engraçado mas grosseiro, daqueles que se desliga dos valores morais facilmente e que sempre se mete em encrencas. Sabe aqueles personagens que querem fazer justiça com as próprias mãos e tirar vantagens dos outros? Pois é, sempre liguei Nicholson a eles.

 Bom, tudo isso caiu por terra hoje, quando vi o filme “ As confissões de Schmidt” de 2002, dirigido por Alexander Payne. Depois que o filme acabou fiquei me perguntando inclusive porque não o tinha visto antes. Acontece que me emocionei e muito, porque as reflexões sugeridas pelas vivências dos personagens não estão nem um pouco longe da realidade.

 A história é muito simples: Warren Schmidt é um homem de 66 anos que recentemente se aposentou. Sua rotina ainda possui resquícios da vida de administrador. Com tamanha dificuldade em entender que não está mais trabalhando, volta algumas vezes ao serviço para ver se está tudo dando certo e se estão seguindo as dicas que deixou. Um dia, visita sua antiga sala e percebe que já foi ocupada. Quando sai do edifício vê suas caixas jogadas no lixo. Como um choque de realidade entende que as coisas a partir daquele momento precisam mudar.

 Em casa, zapeando pela TV sua atenção é presa por uma propaganda. Imagens de crianças famintas da África pedindo por auxílio. “Adote uma criança por vinte e dois dólares ao mês, setenta e três centavos por dia”.  O senhor então, decide  adotá-lo. a Instituição envia fotos da criança e pede que envie uma carta, contando sobre a sua vida. É nesse momento que começa as confissões de Schmidt. Em princípio ele começa contanto da sua carreira e depois vai detalhando a sua vida pessoal: o carinho que sente pela filha única, a relação desgastada com a mulher (de quem não aguenta mais o cheiro e as manias de interrompê-lo enquanto fala).

 Quando vai aos correios enviar a carta, sua mulher está limpando o chão. Quando retorna, ela está morta. Triste, Schmidt se dá conta que agora está sozinho. Ele começa a perceber que as reclamações que fizera sobre a mulher na carta não chegavam nem perto do amor que sentia por ela. Sua morte provocou a visita da sua filha (que quase não ia aquela casa). Descobrimos então uma distância entre os dois, apesar do carinho enorme (e das tentativas de aproximação do pai para com a filha), seus questionamentos são por exemplo: “Porque você comprou o caixão mais barato para ela?”

 A filha: Jeannie (Hope Davis) se vai e Schmidt se vê novamente sozinho, junto com os questionamentos sobre o seu passado e sobre o seu futuro. Diante dos acontecimentos repentinos, decide realizar uma jornada rumo a Nebraska (no trailer que ele e a mulher compraram) para ajudar no casamento da filha com Randall (Dermot Mulroney), um vendedor de camas d’água. No caminho ele se depara com pessoas e situações que o faz refletir sobre a vida, sobre o casamento, sobre os seus desejos. – Esqueci de comentar que o filme é um roadmovie.

 Não queria que o post fosse tão descritivo, mas ainda não consigo fugir muito disso. De todos os questionamentos feitos por Schmidt, um deles me pareceu familiar (inclusive há um texto de Martha Medeiros sobre isso). O personagem fala com o garoto africano através das cartas que não sabe até quando estará vivo: “pode ser daqui há vinte anos, ou daqui a um dia”. O fato é que seremos vivos até que se lembrem de nós. Pode ser através dos nossos filhos, dos nossos netos ou amigos. Enquanto somos lembrados estaremos vivos, depois desaparecemos do mundo. Quem irá comentar dos nossos feitos, das nossas manias? Só quem nos conhece ou, quem se lembra de nós.

 Revendo fotos antigas, se lembra dos seus desejos, dos seus sonhos: quando estava na faculdade, queria mudar o mundo ou pelo menos ser alguém importante. Mas quando se casou e teve uma filha percebeu que a realidade é muito mais consistente: “não consegui mudar o mundo, nem a minha vida”. A viagem que ele realiza é um “fazer as pazes” com seu passado. Ele entende que atrás daquele bom homem, que aceita e que diz sim para tudo, há muito mais. Há raiva, há tristezas, arrependimentos. Sentimentos comuns a qualquer ser humano. O filme simplesmente é lindo, é válido e deve ser visto mais de uma vez.

Humoresque

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Fiquei pensando no post anterior sobre os filmes que mais gosto com a Joan Crawford (sem levar em consideração Baby Jane, que é o meu preferido) e me lembrei de “Acordes do Coração” (ou “Humoresque”, de 1946). Nunca fui fã de romances, mas esse mexe profundamente comigo. Ganhei o dvd de presente quando fiz 15 anos, e fiquei tão apaixonada que revi inúmeras vezes. Acho que foi com esse filme que consegui entender porque muitos fãs admiram a beleza de Crawford e falam sobre a sua fama de “mulher fatal”.

Em “Acordes do Coração”,  Crawford está em uma boa fase:  acabava de receber o Oscar de melhor atriz pelo filme “Almas em Suplício” (produzido pela Warner, onde Bette Davis também trabalhava). Dentes perfeitos, cabelo e roupas impecáveis. Enquanto “Os desgraçados não choram” segue a linha do clima noir, “Acordes do Coração” não consegue (e nem poderia, com uma história dessas) fugir de um melodrama.

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O interessante é que Joan Crawford só aparece mesmo depois de uns 30 minutos do filme. Antes disso, nos é apresentada a história de Paul Boray (interpretado por John Garfield – também em uma das melhores fases de sua carreira). Desde pequeno Paul nutre uma paixão por música. Ainda garoto, ganha um violino da mãe que mesmo sem condições financeiras, faz de tudo para presenteá-lo. Já crescido, decide abandonar a orquestra onde toca porque acredita que para ter sucesso, precisa ser solista. A história vai tomando outros rumos até que Paul é convidado a tocar na festa de uma milionária: Helen Wright (Crawford).

E é claro, eles se apaixonam… mas o problema é que Helen é casada. No site “50 anos de filmes” (que eu sempre tenho como referência, porque gosto muito) é citado inclusive a cena em que Helen acende um cigarro. Vários isqueiros são estendidos a ela simbolizando que aquela milionária neurótica, alcoólatra e insatisfeita com o marido, é também: poderosa.

Os dois passam a manter um relacionamento conturbado: enquanto Paul dedica-se à carreira, Helen quase implora pela atenção do amante (mesmo aceitando apoiá-lo financeiramente). Aí está o impasse: Paul é frio e coloca a música em primeiro lugar, mas Helen não aceita ser coadjuvante do violino.

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Recheado de música e de lirismo, “Acordes do Coração” conta com a direção de Jean Negulesco e com as atuações de Oscar Levant, Paul Cavanagh e J. Carrol Naish. Nas informações especias do DVD, há um fato curioso: criaram uma roupa especial para John Garfield e Isaac Stern (responsável pela trilha sonora) usarem. Isaac enfiava as mãos pelo paletó e tocava, enquanto Garfield fazia as caras e bocas de um músico em plena atuação


Your heart is not open so I must go
The spell has been broken, I loved you so
Freedom comes when you learn to let go
Creation comes when you learn to say no

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Lembrei também de outra coisa: O clipe de “Power of Goodbye” (que eu provavelmente assisti um milhão de vezes) é totalmente inspirado na cena final de Acordes do Coração. Não dá pra explicar muito, porque tem um spoiler enorme… mas é maravilhoso,  a letra é linda e toca exatamente no tema do filme: rompimento. Você pode conferir o clipe aqui. 

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* Revi o filme agora e acho que é preciso colocar isso: O personagem do Paul é também muito arrogante, essa obsessão pelo violino (que parece mais uma fuga da solidão e da incompreensão em que ele se encontra) não o permite ver o quanto a Helen o ama. Apesar das suas fragilidades, o personagem se redime no final do filme, quando mostra que o amor que sente pelo violinista é verdadeiro. E mais uma vez: como a Joan está bonita….putz.

Os desgraçados não choram

Hoje o dia acordou com aquele clima frio e se eu estivesse em casa, com certeza iria rever “The Damned dont cry”, ou “Os desgraçados não choram” – filme de 1950, com a Joan Crawford.

Dirigido por Vincent Sherman, o longa conta a história de Ethel Whitehead. Uma mulher trabalhadora que mora no lado mais pobre da cidade. Ethel vive em constante desacordos com o marido. O estopim do casamento acontece depois que perdem o filho em um acidente (muito trágico por sinal: o menino pede uma bicicleta e o pai diz que não tem como dar. Ethel trabalha por meses para comprá-la contra a vontade do marido. Um dia, o garoto usa a bicicleta e acaba sendo atropelado). Depois disso, Ethel decide sair de casa. Cansada daquela vida, de pobreza e humilhação coloca na cabeça a seguinte frase: “O mundo é dos homens, e só há uma maneira para que uma mulher sobreviva nele: ser tentadora como um bolinho e ao mesmo tempo, dura como um bife ruim”.

 

Assim ela vai trabalhar em uma casa de costura como modelo (e prostituta). Depois de um tempo, se envolve com o mafioso mais poderoso da cidade: Geroge, que lhe dá todo conforto que sempre sonhou. Passa a morar em uma mansão, frequentar jantares e clubes importantes. Muda inclusive o nome. Mas a história dá uma reviravolta. George mata o seu inimigo (interpretado por Steve Cochra) e a culpa recai sobre Ethel. Os jornais passam a explorar a história da alpinista social de passado humilde e ela fica sem saber para onde fugir

Pelo que li no site “50 anos de filmes”, há uma informação no IMDB de que a história é vagamente baseada na vida de Virgínia Hill: “ que foi amante do gângster Bugsy Siegel – o sujeito que criou Las Vagas, e teve sua vida retratada no filme Bugsy, de Barry Levinson, em 1991, com Warren Beatty no papel principal e Annette Benning no da amante.”

Gosto demais desse filme. Aliás, foi o primeiro que vi quando ganhei o Box da Joan Crawford há seis anos atrás. Foi um filme polêmico, com passagens fortes.  Há uma cena em que ela apanha do mafioso (não era comum tanta violência nas telas, muito menos ver uma mulher apanhando). Ele bate tanto nela, que o rosto fica repleto de marcas e então desmaia de dor. Todo o filme possui uma longa representação sobre o mundo luxuoso e degradante da máfia mas é também um crítica irônica ao ‘sonho Hollywoodiano que é alimentado pelo desejo de ter fama e poder.

Susan Sarandon

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Desde pequena eu gosto muito da Susan Sarandon. O primeiro filme com ela que me recordo de assistir foi “Thelma e Louise”.

[Para essas coisas minha memória não é ruim então eu falo com toda certeza que o filme passou num sábado, no Super Cine. Minha mãe estava de plantão e eu e minha tia Fabiana ligamos a TV já na parte em que as duas estão saindo de casa. Estávamos no quarto que hoje é da minha avó, eram duas camas com cabeceiras brancas. Nem sei porque estou falando isso, mas aquele dia permanece tão claro na minha memória que é como se tivesse acontecido ontem]

De manhã perguntei a minha tia: “Qual é o nome daquela atriz de olho grande?”, e ela respondeu sem pestanejar: “Susan Sarandon”. Gravei a informação rapidamente. Na época eu não tinha acesso à internet como hoje, então toda revista ou jornal que eu encontrava com a foto dela, guardava (tenho essa mania até hoje).

Depois que aprendi que aquela mulher ruiva de olhos grandes se chamava Susan Sarandon, ia a locadora (sempre fui uma cliente assídua) e perguntava quais filmes eles tinham dela. Então, sempre fazia o seguinte: – locava A Família Addams, um filme com Susan Sarandon e um desenho. (Eu só parei de locar A Família Addams, depois que a minha mãe comprou a fita em VHS pra mim).

Sabe, vários filmes dela me emocionaram profundamente…

E por isso sempre procurei ler sobre eles, entende-los e contextualizá-los. Agora.. vou confessar uma coisa, somente há pouco tempo é que descobri que Thelma e Louise, além de ser um filme que tem um tom sugestivo de homossexualidade, é um dos símbolos contemporâneos do feminismo. Quer dizer, nunca parei para pensar sobre isso, sabe?

E a vastidão de personagens interpretados por ela e absorvidas pelo cenário cinematográfico só me levam a crer que também possuem sentidos sociais muito fortes, tipo Lado a Lado… O Óleo de Lorenzo!!!

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E como ela foi envelhecendo com graciosidade não? É fato que esse mérito não é só dela, basta espiar Helen Mirren, Diana Bracho, Meryl Streep, Sigourney Weaver e muitas outras. Mas Susan Sarandon mata a pau, com seus belos 66 aninhos, completados no dia 4 de Outubro.

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Eu não estou endeusando a Susan Sarandon, mas depois que vi muitos filmes dela e acompanhei toda a sua carreira comecei a admirá-la também pelo seu posicionamento político, por suas lutas sociais. Inclusive acho que foi isso mesmo que a deixou por muito tempo afastada de bons e grandes personagens. O seu ativismo assusta, porque Susan não é só admirada por sua beleza, mas também pelo seu cérebro, sua inteligência …

De volta aos anos 1990

Me estremeci agora ao ver no meu e-mail o Boletim do Palácio das Artes: Do dia 13 a 17de Outubro, o Cine Humberto Mauro apresenta a mostra “De Volta aos anos 1990”, já gostei pelo nome. Serão exibidos filmes (longas), que por diversos motivos “foram negligenciados na filmografia dos seus diretores” (estou sendo fiel ao texto do site). – Delicia! David Lynch,  Robert Altman, Quentin Tarantino e Jim Jarmush, por exemplo, são nomes que passarão por lá. Uma pena eu não poder ir em todos os horários: até o Edward, Mãos de Tesoura vai ser exibido! – To entusiasmada, confira a programação:

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 13 SÁB

15h45 VOLTANDO AOS 1990 | O Jogador (The Player, 1992), de Robert Altman | (14 anos) | 124´

18h VOLTANDO AOS 1990 | De Olhos bem Fechados (Eyes Wide Shut,1999), de Stanley Kubrick | (18 anos) | 159´

20h45 VOLTANDO AOS 1990 | Edward Mãos de Tesoura (Edward Scissorhands, de 1990), de Tim Burton | (Livre) | 105´

14 DOM

16h VOLTANDO AOS 1990 | A Estrada Perdida (Lost Highway,1997), de David Lynch | (12 anos) | 134´

18h30 VOLTANDO AOS 1990 | Maridos e Esposas (Husbands and Wives, 1992), de Woody Allen | (16 anos) | 108´

20h30 VOLTANDO AOS 1990 | Dead Man (1995), de Jim Jarmush | (16 anos) | 121´

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15 SEG

16h15 VOLTANDO AOS 1990 | Jackie Brown (1997), de Quentin Tarantino | (14 anos) | 154´

21h VOLTANDO  AOS 1990 | O Jogador (The Player, 1992), de Robert Altman | (14 anos) | 124´

16 TER

17h VOLTANDO AOS 1990 | Maridos e Esposas (Husbands and Wives, 1992), de Woody Allen | (16 anos) | 108´

19h VOLTANDO AOS 1990 | Dead Man (1995), de Jim Jarmush | (16 anos) | 121´

21h VOLTANDO AOS 1990 | A Estrada Perdida (Lost Highway,1997), de David Lynch | (12 anos) | 134´

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O ano que não terminou

Uma colega me emprestou “1968, O ano que não terminou” de Zuenir Ventura, obra clássica moderna, indicada para qualquer estudante de jornalismo (e para qualquer um que se interesse pela história política e cultural do Brasil). Devorei o livro em dois dias… Zuenir tem um poder narrativo muito profundo, que envolve o leitor (e que exige agilidade), apesar da clareza na exposição das ideias.

A história que começa na famosa “festa na casa da Helô” e envolve figuras públicas e populares que através de muita luta, representaram um expoente para a democracia.

Toda essa narrativa se somou ao documentário que assisti ontem no Belas Artes: Tropicália, dirigido por Marcelo Machado – um recorte sobre o movimento que com a conturbada situação política, enriquecia o cenário musical, os festivais e a juventude.

De fato, as duas obras possuem semelhanças esperadas. O que eu poderia dizer é que: o livro e o filme são complementares. Gosto muito da maneira em que Zuenir começa a sua obra analisando a participação da figura feminina, uma pena eu não ter o livro aqui para reproduzir uma de suas ideias: mas é mais ou menos assim: o autor explica que a efervescência política acabou com muitos casamentos. As mulheres saiam de casa pois aquela percepção de “dona do lar”, cuidando dos filhos, começara a mudar.

Em Tropicália, fica muito claro que 1967 e 1968 foram anos conturbados, mas de certa forma, bem diferentes, uma delas é o Ato Institucional nº 5 (ainda não decretado).  A televisão já cumpria um papel de massificação e de divulgação (mas não tão evidente: nem todos acreditavam em seu poder).

A morte do estudante Edson Luiz por Ventura ficou ainda mais clara para mim no documentário. Pelo que entendi, Edson Luiz foi um espécie de mártir do movimento, o cortejo para o enterro foi seguido por milhares de pessoas. (Zuenir conta um fato interessante, ele relata que durante o caminho ao cemitério as luzes se apagaram (não se sabe se foi um boicote), e mesmo assim, as pessoas não desistiram de seguir o corpo – foram pegando jornais e fazendo tochas – que queimavam muito rápido.

 

Ainda sobre o livro: a missa de sétimo dia de Edson Luiz recebe uma descrição fantástica e chama atenção para o papel dos padres. Naquele dia a polícia cercou toda a igreja, eram mais de cem cavalos. As pessoas que estavam dentro ficaram temerosas de sair. Alguns militantes (inclusive ateus) foram a missa propositalmente, conscientes da possibilidade de  um enfrentamento. Percebendo a situação, os padres saíram na frente das pessoas, fazendo uma corrente protetora e acabaram apanhando da polícia, como muitos que ali estavam.

Sobre a passeata dos cem mil, também há um detalhe interessante: o que me chamou atenção foi a forma em que a população acabou por abraçar a causa. As pessoas jogavam objetos das sacadas das janelas para atingir os policiais.

O documentário é lindo, mais linda ainda: Gal Costa. Sabe, adoro aquela mulher, aquela voz. A minha amiga que estava comigo disse baixinho (ela é demais não é?, concordei sem nem um pingo de dúvidas). Ainda muito novinha, conta como foi a apresentação em 1968 da música “Divino Maravilhoso”, alguns aplaudiam, outros vaiavam. Ela contou que durante a apresentação um homem gritava: Fora! Fora! E ela cantava ainda mais forte, cantava para ele… e ele percebeu, se sentou: “aí, não teve jeito”.  Maria Bethênia linda, poderosa, jovem… em uma apresentação agressiva de “Carará” e os Mutantes, Rita Lee Jones, simpática como sempre e doce.

Documentário incrível, livro igualmente incrível… super indico. 🙂

Filmes da Infância, parte 2

1)      Matilda (1996)

 

“Hum hum humm, oh oh oh” Sabe a música “ Little Bitty Pretty One” do Thurston Harris? Gostosa demais não é? Pois eu não consigo ouvi-la sem lembrar da cena em que Matilda dança com os objetos, enquanto as cartas a rodeiam. Pois já se faz 16 anos que o filme foi gravado e ele ainda continua bastante atual.  “Matilda” na verdade é um livro, escrito por Roald Dahl, ilustrado por Quentin Blake e posteriormente adaptado ao cinema por Danny DeVito.

Conta a história de uma garotinha esperta e muito inteligente (ávida por conhecimento) que tem pais sem um pingo de paciência com crianças. Eles a mandam para uma escola que é dirigida pela cruel Agatha Trunchbull. A presença da professora Srta. Jennifer Honey faz com que a vida das crianças naquela escola fique mais ‘doce. A professora Honey logo percebe que há algo diferente com a garotinha e faz de tudo para ajuda-la. Entre travessuras e momentos divertidíssimos, a pequena descobre que possui poderes mágicos e decide usa-los para combater a monstruosa diretora.

 

O filme fez parte da minha infância e com certeza da de muitos outros. É até difícil acreditar que aquela menininha cresceu (aliás, que nós crescemos). Há uma cena que me encanta: a do bolo. Enquanto os meninos se levantavam da cadeira, torcendo para que o aluno gordinho, que roubou a torta da diretora, comesse todos os outros bolos que ela mandou preparar (e o obrigou a comer), eu torcia junto (acho que todos torciam não é?) e ainda ficava imaginando: será que eu daria conta de comer todo aquele bolo?Pois esse é um daqueles filmes que eu chamo de: “filme delicinha”, que dá vontade de assistir junto a família, de passar para os filhos e para os netos.

Curiosidades:

  • Richard Donner esteve cotado para assumir a direção
  • Mariska Hargitay recebeu uma proposta para interpretar a srta. Honey, mas a recusou.
  • Suzie Wilson, a mãe da protagonista Mara Wilson, faleceu durante as filmagens devido a um câncer de mama. Após os créditos finais, pode ser vista uma dedicatória a ela.
  • Kylie Tyndall e Keaton Tyndall tinham sido escalados para interpretar Matilda ainda jovem, mas foram substituídos de última hora devido a uma febre alta que ambos tiveram.
  • A foto do pai da srta. Honey é na verdade Roald Dahl, criador do livro no qual Matildafoi baseado.

A ultima participação no cinema realizada por Mara Wilson foi no filme “Cinderella” em 2005. Em 2011 foi indicada ao Young Artist Awards como melhor atriz pelo filme Thomas e a ferrovia mágica.

2)      Abracadabra (1993)

Foi um dos únicos filmes em que achei a Sarah Jéssica Parker realmente sexy (o outro foi em “O clube das desquitadas”).E foi nesse também que me apaixonei perdidamente por Bette Midler.  Abracadabra é um filme de fantasia que conta uma história perfeita para as crianças que gostam de mistério: Na noite do Dia das Bruxas, Max, Alisson e Dani resolvem invadir a antiga casa das bruxas de Salem (as irmãs: Winifred “Winnie”, Mary e Sarah Sanderson) para acender a chama da vela negra e sem querer, acabam fazendo com que as bruxas voltem da morte.

Com uma ótima trilha sonora e um cuidado de acabamento impecável, a Disney realizou mais uma vez, um filme encantador e bem humorado. Aquele olho se remexendo no livro era o que eu mais gostava. “Que livro sacana! Avisou as bruxas onde os meninos estavam”, sempre pensava. O filme é todo encantador, mas as três atrizes que fazem as bruxas possuem uma essência tão legal!… Elas ‘deram certo, entende?  E o filme nos conquista pelas pequenas coisinhas: Quando voltam a vida, as bruxas precisam se adaptar com o novo ambiente: a cena da Winnie pulando no asfalto (“lama preta”), ou as bruxas andando no ônibus pela primeira vez, a música viciante do baile: “I put a spell on you” e quando elas encontram “O Mestre” então? São todos detalhes fundamentais.

Curiosidades:

  • A personagem Mary Sanderson foi oferecida a Rosie O’Donnell, que não a aceitou por não querer interpretar uma “bruxa assustadora”.
  • O personagem Max Dennison foi oferecido a Leonardo DiCaprio, que o recusou para atuar em  Gilbert Grape – Aprendiz de Sonhador(1993).
  • O orçamento de Abracadabra foi de US$ 28 milhões.
  • A canção “Almost Unreal”, do Roxette, inicialmente faria parte da trilha sonora de
    Abracadabra, mas foi descartada. A música integrou a trilha sonora de Super Mario Bros, lançado no mesmo ano (1993)

Vinessa Shaw: Sua última participação no cinema foi em 2008 no filme: “Amantes”.  Também atuou em “Melinda e Melinda” ( 2004) e “40 Dias e 40 Noites” (2002)

Tora Birch: Sua última participação no cinema foi em 2010: “A história de Bonnie e Clyde”, como Blanche Barrow. Recebeu em 2002 o Globo de Ouro como Melhor Atriz (Comédia/Musical) em Mundo Cão.

3)      Corina, uma babá perfeita (1994)

Toda vez que o sinal está vermelho e demora muito para abrir, não consigo me segurar e assopro, no meio da rua. É claro, a culpa é da Corina. As influências desse filme foram tantas, que cheguei a implorar que a minha mãe comprasse uma tartaruguinha para mim como bichinho de estimação (o que não aconteceu). A história é muito simples: A mulher do compositor de jingles Manny Singer morre e ele precisa de uma babá para cuidar da sua filhinha de sete anos: Molly.  Manny entrevista diversas babás, até que conhece Corina. A babá ganha a confiança da garota, que se sente culpada pela morte da mãe e os três acabam criando uma relação paralela de afeto e carinho.

Molly acaba se deparando com dois mundos: o dos brancos e o dos negros. São tantas cenas gostosas que não dá para eleger só uma. Quando Molly falta à aula para ajudar a Corina arrumar a casa de uma das suas patroas, ao som de um jazz contagiante, eu pensava: “eu quero uma babá assim”.  Por muito tempo fiquei cogitando que gosto eu tinha: café com leite? (pensava com meus botões), nunca descobri. O tempo foi passando e fiz questão de ter esse filme em DVD. Minha prima aprendeu a gostar dele tanto como eu: às vezes pedia: “Vamos ver Corina!” e víamos, duas, três vezes.

E as cenas são delicadas, sensacionais. Ao som de “This little light of mine” (igualmente contagiante) reconheci em Whoopi Goldberg uma das melhores atrizes e de interpretações soberbas (quando se trata de atuações dela, para mim, Corina só perde para “Ghost”).

Curiosidades:

  • Duas cenas do trailer de Corina, Uma Babá Perfeita não aparecem na versão final do filme.
  • Último filme do ator Don Ameche, que faleceu pouco depois da conclusão das filmagens.

  • E como está a Molly hoje? Tina Majorino marcou a sua volta ao cinema em 2004 com o filme: “Napoleon Dynamite”. Formou uma banda de rock com o irmão Kevin chamada: “The AM Project” e sua última participação na TV foi em “Big Love” como Heather Tuttle.

 

4)      Os Fantasmas se divertem (1988)

Adoro a Geena Davis, desde que vi “Thelma e Louise” (um dos meus filmes preferidos e provavelmente um ótimo próximo assunto para um post novo) me apaixonei por ela logo de cara.  O filme de Tim Burton é frenético. Deliciosamente obscuro e engraçado, o diretor utiliza (como em outros filmes que realizou), uma maquiagem peculiar.  Eu vi esse filme tantas vezes na Sessão da Tarde e depois em DVD, que eu poderia cita-lo de cor e salteado. Confesso que tinha um pouquinho de medo do Beetle Juice e jamais, falava o nome dele três vezes quando estava sozinha. Alias, tinha um nojo profundo por sua cara branca cercada por uma mancha escura e esverdeada que dava ainda mais a imagem de morto (na minha cabeça ele fedia, eu imaginava: deve ser insuportável ficar perto dele).

Depois que morrem em um acidente de carro, Bárbara e Adam ficam presos como fantasmas em sua casa no campo. A tranqüilidade deles é invadida por novos moradores (ricos e prepotentes) que compram a residência e passam a modificar tudo (instalam papéis de parede novos, trocam os móveis, etc). O casal que se muda para lá possui uma estranha filha: Lydia, que os enxerga e tenta ajuda-los a espantar seus pais. Seus planos nunca dão certo (Inclusive há uma cena divertidíssima do jantar ao som de Banana Boat Song, de Day-o) e por isso, recorrem ao estranhíssimo Beetle Juice.

Aliás, podem ficar assustados: só foi descobrir que Michael Keaton interpretou Beetle Juice hoje, enquanto pesquisava curiosidades sobre o filme, nunca tinha imaginado que aquele personagem louco era ele, o tempo todo.

Curiosidades:

  • O personagem Beetlejuice utiliza 8 diferentes roupas ao longo de todo o filme;
  • Originalmente Os Fantasmas Se Divertem seria um drama sobrenatural chamado “The Maitlands”, que abordaria as dificuldades de um casal em se adaptar com sua vida pós-morte. As cenas escritas no roteiro do filme e vários dos personagens eram bem mais mórbidos originalmente e foi apenas quando o ator Michael Keaton pediu a Tim Burton liberdade artística para desenvolver seu personagem que o diretor resolveu transformar o filme em uma comédia de humor negro
  • Inicialmente a Warner Bros. era contra a utilização do título “Beetlejuice” e chegou a sugerir um outro título: “Scared Sheetless”.- Consegui essas ótimas curiosidades sobre os filmes em um dos meus preferidos sites de cinema: http://www.adorocinema.com