A morte e a donzela

Sigourney-WeaverTenho usado muito o Twitter… um dia desses, conversando com um amigo próximo, descubro que ele gosta tanto da Sigourney Weaver quanto eu. Ficamos por dias comentando sobre seus trabalhos e de repente, me lembrei de “A morte e a donzela”. Vi o filme pela primeira vez quando era pequena. Na época fiquei impressionada com a densidade psicológica da Paulina – o que me chamava atenção era a sede de vingança da personagem e da incerteza que a situação produzia: será que ela encontrou o homem certo, o homem que a torturou há anos atrás? O filme veio a calhar: fiquei extasiada. O engraçado é que a sensação que tive foi a mesma de alguns dias atrás quando o revi: de completo desconforto.

Há uns dois anos (por sorte), perambulando em um shopping de Belo Horizonte, encontrei o filme em DVD. Comprei e guardei junto a minha coleção. É estranho, mas não tive coragem de assistir porque as cenas (e principalmente os diálogos) de alguma forma mexeram comigo. Fui revê-lo porque tinha combinado com um amigo assistir filmes com Weaver no elenco – meu amigo não veio e eu assisti o filme sozinha. Pouco tempo depois, perambulando pela internet, descubro que o “A morte e a donzela” é um filme de 1994, dirigido por Polanski. Tá explicado, Roman Polanski é brilhante.

A ambientação do filme é crucial para acentuar o clima de desconforto. A chuva, faz com que os três (e únicos) personagens fiquem presos naquele ambiente. Uma casa sem energia, que parece pouco convidativo. E se tem outra coisa, um pequeno detalhe que me encanta é que: não se sabe em qual país sul-americano ou em que ano se passa a história – afinal, esse não é o foco: o filme quer discutir a liberdade, a vida (ou a morte).

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Então, vamos a sinopse:

“Em um país sul-americano após a queda da ditadura Paulina Escobar (Sigourney Weaver), a mulher de Gerardo Escobar (Stuart Wilson), um famoso advogado, fica sabendo no rádio que Gerardo deverá chefiar as investigações das mortes ocorridas no regime militar. Quando Gerardo chega, ela o vê acompanhado de um estranho que o socorreu na estrada, mas quando o desconhecido retorna à casa ela o identifica pela voz como sendo Roberto Miranda (Ben Kingsley), o homem que a torturou e a estuprou quando ela fazia militância política. Paulina decide então “julgá-lo” ali mesmo, apesar dos protestos do marido, que considera sua atitude precipitada além do fato do acusado alegar inocência.”

O filme possui detalhes magníficos, começando pela musica. Paulina foi capturada quando era ainda muito jovem. Tinha cabelos longos e ruivos… Um dia, quando saía da faculdade, foi surpreendida por militares. A orientação dos seus companheiros era de que se alguém estranho a abordasse na rua gritasse: “Meu nome é Paulina e estou sendo sequestrada”. Mas Paulina não gritou, sabia que morreria se resistisse. Paulina queria viver, queria estar viva para ver o país livre.

Após sessões longas de torturas e eletrochoques, Paulina se encontrou com aquelesite_28_rand_1428444645_death_and_the_maiden_pub_627 que mudara sua vida. Em princípio, o médico olhou suas feridas, deu-lhe sedativos para suportar a dor. Mas logo depois, enquanto se recuperava, ele a estuprou seguidas vezes deixando tocar ao fundo “A morte e a Donzela”, de Schubert. O interessante é que Schubert a compôs em 1824, logo após descobrir que tinha sífilis. Trata-se da história de uma donzela que encontra com a morte, mas que suplica para continuar viva. Desde então, após reencontra-se com o marido, Paulina passou a viver (ou sobreviver) com toda essa paranoia.

O estranho é que “A morte e a Donzela”, que é uma adaptação da obra teatral do chileno Ariel Dorfman não se tornou um clássico. O filme é magnífico e tem uma iluminação primorosa.  É uma daqueles que te deixa desacordada. E é por isso que eu ‘babei” nesse trabalho de Polanski: o cara pega um roteiro que poderia ser totalmente maçante e tranforma em uma história de arrepiar os pelinhos do braço (principalmente na cena em que a Paulina conta como foi torturada).  – Simplesmente fantástico.

Muito mais que um crime

Imagine ter um pai amoroso, do qual você se orgulha mais do que tudo. Imagina que você tem um filho e que ele admira seu pai com a mesma intensidade. Seu pai ensina as tradições da família, preocupa-se com sua saúde e alimentação. Ele trabalhou duro em uma fábrica na América, para suster sozinho você e seu irmão, já que sua mãe falecera. Que vocês são muito unidos e que ele vive dizendo para os vizinhos e colegas que morre de orgulho de ter uma filha como você.

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Music BoxAgora imagine que de repente, seu pai recebe uma carta acusando-o de ser um criminoso nazista, que matou e torturou centenas de pessoas inocentes. Que de maneira cruel, estuprou mulheres, assassinou crianças e matou famílias sem piedade. Pois essa é a linha temática que guia o filme “Music Box” de 1989, com Jéssica Lange. O título em português é um pouco mais sugestivo, aqui no Brasil foi traduzido como “ Muito mais que um crime”.

Lange interpreta Ann Talbot, uma advoga criminalista que se vê em uma sinuca de bico.  Durante toda a sua vida, nada a fez duvidar do caráter do pai: um velho húngaro que se refugiou nos Estados Unidos após a queda da URSS. Sua dificuldade inicial é decidir se vai ou não assumir o caso, já que seu envolvimento emocional com o pai poderia prejudicá-la durante a investigação do processo. Após tomar a decisão, começa a se informar sobre todos os detalhes que de alguma forma poderiam incriminá-lo. Passa dias lendo os processos, buscando nos livros e nas testemunhas os argumentos mais plausíveis que comprovem a inocência do pai.musicbox

Logo de cara, é fácil dizer uma coisa: Jessica Lange está maravilhosa. Parece que depois de anos, ela aprendeu que voz delicada e olhos tímidos não combinam com certos personagens.  Vou um pouco mais longe: é bem provável que os trabalhos que realizou no teatro tenha ensinado a impor a voz nos momentos certos. Acontece que o filme é lindo, é emocionante, e rapidamente, ela nos convence que Annie é uma mulher forte e destemida.

São duas horas de filme, que te questionam a todo o momento: “o que você faria se estivesse no lugar dela?”. Provavelmente a mesma coisa. Ela defende a inocência do pai com unhas e dentes, chega inclusive a jogar sujo para consegui-lo. Mostra que aprendeu muito bem a atuar e se defender durante a troca cansativa de diálogos cínicos dos promotores. Não tem medo de ser mulher em meio a tantos homens e sustenta as conversas com o mesmo nível. Mas seus olhos não mentem. Cada testemunha de acusação que aparece e que conta histórias horrendas a fazem tremer, só de imaginar a possibilidade do pai ter realmente os cometido.

O julgamento é movimentado. A imprensa cumpre seu papel. Manifestantes rondam a casa da advogada, jogam pedras e cobram que Mike Laszlo(pai de Annie) seja considerado culpado. Há uma  testemunho emocionante de um homem que conta que não poderia esquecer do dia em que Mike entrou em sua casa, prendeu toda a sua família, assassinou a mãe, o pai e o filho. Mike os prendeu, e os jogou no rio. Por sorte, o homem sobreviveu e, ainda que velho e cansado, pode testemunhar contra aquele que acredita ser um criminoso. E a advogada segura o choro (essa cena é linda).

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“Music Box” é um filme emocionante, aliás, é bacana ver todos os contrapontos de uma pessoa que se vê no fim da linha (e tem Lange falando húngaro fluentemente). Quando suas afetividades são questionadas, o sangue as vezes fala mais alto. É o que acontece com Annie, que no desenrolar do caso vai confrontando a credibilidade do homem que durante toda a vida chamou de pai. Ainda que bem menos surpreendente do que eu pensei que seria, o filme conseguiu prender a minha atenção do começo ao fim (especialmente no fim), que é uma honrosa menção ao que há de melhor dentro da gente: os nossos valores.

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A comunidade

Hoje de manhã, quando voltava de um exame encontrei uma senhora no ônibus que me pegou de papo. Larissa me disse que é de Madri, mas que está passando uns dias em Belo Horizonte ao lado das duas filhas que se mudaram pra cá há dois anos. Estava encantada com o “bus” daqui, “que tem um lugar reservado para viejitos”.

– “Mi marido se fué”, ela disse.

E eu, perguntei na cara dura: se foi pra onde?

-“Se murió” (ele morreu, explicou).

Uma pena ter descido correndo, não deu tempo de passar meu email e telefone. Disse que estudava jornalismo, que gostava de cinema, que morava em Nova Lima e que todos os dias tinha que pegar o ‘bus’. Larissa me indicou um nutricionista, um dermatologista e um dentista em BH, parece que conhece a cidade muito mais do que eu. Me perguntou se eu conhecia Carmen Maura, Almodóvar e Marisa Paredes. Achei um máximo! Eu sou apaixonada pelos três, justamente pelos três.

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Quando ia descendo, Larissa me desejou “¡Feliz Navidad!” (adoro o jeito que eles escrevem a exclamação de cabeça para baixo) e me indicou um filme: “La Comunidad”, com a Carmen Maura.  Conscidência ou não, é um dos meus preferidos com a atriz. Assisti há algum tempo atrás pelo Youtube, e indico para qualquer um que queira conhecer um pouco do cinema espanhol.

O filme é de 2000, dirigido pelo brilhante Alex de La Iglesia e conta com o melhor do humor negro.  Não há nada de convencional na trama, nem mesmo os moradores do pequeno condomínio: que aos poucos, vão revelando atitudes assombrosas. As referências do diretor são clássicas, entre elas: Alfred Hitchcock e Roman Polanski.

Carmen MauraNa resenha de Mariane Morisawa publicada na Istoé, há uma reflexão impecável: “Alex de la Iglesia imprime um tom surreal e divertido ao filme desde os créditos, que lembram as aberturas dos trabalhos de Alfred Hitchcock e Roger Corman. A comunidade do título, na verdade a reunião dos condôminos do tal prédio, é uma mistura de gente que parece de outro mundo, mas que infelizmente está aqui mesmo”

O que move a ação dos personagens é avareza extrema (e engraçada), que faz com que percam a noção do exagero de suas atitudes.  Júlia (personagem de Maura) é uma corretora de imóveis infeliz, casada com  um homem desempregado e sem chances de sair daquela vida.  Um dia visita um apartamento (que deveria vender) e resolve passar uma noite nele.  Curiosa, entra na casa do vizinho de cima.

Ela então descobre que ele está morto (e provavelmente há muito tempo, já que seu corpo continua naquele lugar, apodrecendo). Depois que chama a polícia, para recolher o corpo, volta ao local e descobre uma quantia absurda de dinheiro, escondida embaixo do piso.  O que era um sonho se torna um pesadelo.  Aquela quantia não era segredo para os outros vizinhos, que passam a tentar impedi-la de sair do local.

As gravações ocorrem de verdade em um edifício abandonado, no centro de Madri. A lacomunidadidéia era gravar apenas em um dos apartamentos, mas os diretores viram que precisariam filmar em todo o prédio.  O mais interessante é que o diretor consegue unir no mesmo filme, referências Pop’s e surrealistas. E por isso, prende do início ao fim, quem gosta dessa temática. Quanto a Maura, a atuação é tão boa, que a atriz venceu (merecidamente, é claro) o prêmio Goya do ano.

Então, fica a dica: minha e da Larissa: “ A comunidade” que também  traz  Sancho Gracia, Teréle Pávez, Kity Manver, Paca Gabaldón, Manuel Tejada, Enrique Villen, María Asquerino e Marta Fernández Muro no elenco.

Curiosidades:

-Filmado totalmente em um cenário interno, com exceção das cenas de rua e do terraço.

-Na cena da banheira é usado um colchonete para amortecer a queda

-Carmen Maura teve realmente participação nas brigas e cenas com ratos e baratas

-Alex de Iglesias comentou que descobriu que neste filme a atriz mais talentosa que já trabalhou: Carmem Maura

– A maioria dos atores faziam trabalhos no teatro, o que auxiliou na rostidade construida por cada personagem

Segredo de Sangue

Segredo de Sangue - CAPA

Estou tentando cumprir a desafio de escrever sobre os filmes de Jessica Lange. Na madrugada de ontem, vi no Investigation Discovery: “Segredo de Sangue” (filme de 1998, dirigido por Mark Tonderai, com Gwyneth Paltrow e Johnathon Schaech).  Quando acabou, às 3 horas da manhã, fiquei me perguntando se ficava alegre por ter conseguido vê-lo (já que é difícil de encontrar), ou com raiva: porque ele marthaé decepcionante. E pior: decepcionante ao pé da letra: inclusive nos quesitos de fotografia.

Na verdade o filme não é um total desperdício. É gostoso ver Jessica Lange e Paltrow dividindo a tela (independente desse tortuoso roteiro). A história é muito simples, típica dos filmes de suspense americano dos anos 90: “Helen descobre que está grávida do namorado Jackson, os dois que vivem em Nova York decidem se casar e mudar para Kilroran (uma grandiosa propriedade rural que precisa de algumas reformas). O local sempre esteve aos cuidados de Martha Baring, mãe de Jackson. A mulher, no entanto, é neurótica, ambiciosa e ciumenta. E começa a fazer de tudo para afastar Helen do seu filho.”

Apesar de ter um personagem de destaque, Lange apresenta uma atuação contida e pouco convidativa. Aliás, ela recebeu uma indicação ao Framboesa de Ouro (o famoso Razzie Awards) pelo prêmio de pior atriz do ano. Um dos problemas do filme é que ação demora muito para começar. Parece até que precisaram correr com o final, que já não dava mais tempo. [SPOILER] Imagine que a única vingança da mocinha foi um tapa na cara  da vilã e um sorriso irônico no  final. Helen revelou o segredo de Martha e conseguiu afastar o filho dela. Acontece que tudo isso estava muito claro: não havia mistério, era evidente que Jackson não tinha matado o pai.

Pra explicar melhor: Jackson se recordava que quando tinha uns sete anos, presenciou uma discussão entre o pai e a mãe. Ela queria se separar, porque ele estava a traindo. Martha então sai de cena. Com raiva, Jackson agarra as pernas do pai e ele acidentalmente cai e morre. Mas a versão verdadeira é um pouco diferente: Martha é quem tinha um amante e por isso, o pai de Jackson resolvera abandoná-la. Em sua fúria, matou o marido e deixou que o filho se culpasse. Todo esse fraco mistério faz com que a figura de Jackson fique ainda mais pedante. Não há sequer um momento em que ele se mostre interessante, ou de personalidade forte. A mãe diz uma coisa: ele faz. A mulher diz outra: ele faz.

Logo (e também por causa disso: da fraqueza na construção dos personagens), que o final se torna totalmente angustiante de ruim: nos últimos segundos, Helen conta o “grande” segredo de Martha para Jacmartha 2kson, ele se levanta e diz: “Você não é minha mãe, vou vender tudo isso e você não vai ficar com nada”… Helen dá um tapa na cara de Martha (pelo menos isso), e sai. THE END.

Acho que fui com sede ao pote. No mais, quem se sobressaiu aí foi a Gwyneth Paltrow que se saiu bem no papel de mocinha – Sem dúvidas, a cena mais interessante é a do parto, quando Martha induz o nascimento do bebê com remédios para cavalo. A desprotegida Helen, que estava distante do namorado, fica a mercê das maldades da sogra que parece não se importar em vê-la sofrendo.

Resta comentar sobre a avó de Jackson, mãe do marido de Martha:  um personagem crucial, que abriu os olhos da Helen e lhe contou sobre o passado obscuro de Martha (“ que limpava bosta de cavalos e queria um sobrenome importante”).

HushHushHUSH

Bon appetit

POST EM CONSTRUÇÃO

A vontade de falar sobre a temática desses filmes não é nova. Desde o início do Blog fiquei me perguntando como abordar um assunto tão complexo e ao mesmo tempo, tão curioso. Quem me conhece sabe da paixão que tenho pelo filme dirigido em 1989 por Peter Greenaway: O cozinheiro, o ladrão, sua mulher e o amante.  Com o tempo conheci outros filmes que abordam (também de forma surpreendente) uma função natural e cotidiana do ser humano: COMER.

Como este texto é apenas uma singela análise (mas contém imagens, vídeos e spoilers), recomendo que não leia se tiver curiosidade de assisti-los. Nesta publicação vamos falar de: Titus, Estômago e O cozinheiro, o ladrão, sua mulher e o amante. Não se engane com os títulos, a história de cada um deles é muito interessante e todos os três valem a pena serem vistos (e revistos).

O que esses filmes tem em comum?  Pois eu respondo agora: Canibalismo. Não há nada de novo quando se trata do ato “comer”, muito menos de “comer gente”.  Os astecas sacrificavam e comiam os guerreiros prisioneiros de guerra de outras tribos. No Brasil, índios Pacura da Amazônia engordavam seus companheiros para depois comê-los. Casos como o Armin Meiwes ou Fritz Haarmann chocaram o mundo e estamparam os jornais. No cinema, não foi diferente.

Quando fui assistir O cozinheiro, o ladrão, sua mulher e o amante pensei que a minha melhor surpresa seria ver Helen Mirren numa versão sensual e despojada, mas o  filme vai muito além da atuação de Mirren: Greenaway tem um trabalho artístico tão forte, que consegue fazer com que os atores passem a fazer parte do cenário (e vice-versa).

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A história se passa no restaurante Le Hollandais, cujo dono Albert Spica (belissimamente interpretado por Michael Gambon) é um sangrento mafioso que adora comida francesa e janta todos os dias no mesmo lugar. Sua mulher, Georgina Spica possui um paladar mais afinado e sempre recebe pratos especiais feito pelo simpático chefe de cozinha Richard Borst. No mesmo restaurante, Giorgina conhece o bibliotecário Michael (Alan Howard): Os dois começam um fervoroso caso e são acobertados pelo chefe de cozinha.

Como um déspota, Albert escolhe os pratos conforme seus desejos, come enquanto conversa (ou grita), esparrama bebida pela roupa, bate na mulher, grita com os capangas e mata ali mesmo quem o desafia. Seu tom de raiva ilustra sua enorme ambição por poder. Aliás, todos os capangas que estão ali, sentados a mesa entorno de Albert ilustram muito bem a junção de medo e ambição: estão naquele restaurante celebrando o interesse e a insegurança.

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O assombroso delírio proposto pelo filme é a junção de situações chocantes: Logo no começo, há uma cena escatologica: vemos um homem nu entre cachorros. Sua feição é de evidente tortura. Albert o obriga a comer o cocô dos animais e depois o abandona ali, sem nenhuma piedade. Em outro momento, Albert descobre o segredo da mulher e obriga uma criança (que era um informante dos amantes) a comer os botões da roupa até confessar onde Giorgina estava escondida.  Ele chega até o amante e o obriga a comer as páginas do seu livro preferido, até matá-lo sufocado.

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Se há algo magnífico, que me encanta nesse filme, é a arte com as cores. Com uma mistura lírica entre ópera, comida e pintura, os personagens (como disse antes) passam a fazer parte do cenário. Quando estão comendo, o ambiente é todo vermelho: inclusive a roupa dos personagens. A cor do banheiro é branca, a da cozinha é verde e a da biblioteca: marrom e dourado. E quando transitam entre os ambientes, as roupas também vão mudando de cor.  O diretor explicou a escolha:

“A cozinha é verde porque representa a floresta de onde vem todo o alimento; o restaurante é vermelho por ser onde toda a violência ocorre; o banheiro, onde os amantes fazem amor pela primeira vez, é como o paraíso, e como tal ele tinha de ser branco; tem uma breve sequência no hospital que é iluminada com amarelo porque para mim é a cor das crianças, dos ovos, dos recém-nascidos; e finalmente a cor da biblioteca que é ouro, representando ‘a época dourada do aprendizado’, o idílico tempo em que tudo no Jardim do Éden era maravilhoso”

O quadro “Banquete dos Oficiais da Companhia da Guarda de São Jorge”, do holandês Frans Hals (1580-1666), que fica pendurado na parede do restaurante é o sinal mais evidente do perfil (e ligação) artístico do diretor. Há também um garotinho (aquele que é obrigado a comer botões), que aparece em momentos do filme, cantando uma música lírica e trágica: simboliza o coro das tragédias gregas, que Greenaway explica brilhantemente: “No mundo antigo, os romanos e os gregos sempre pensaram que a alma residia no abdômen; apenas os cristãos acreditavam que ela habitava o peito. As civilizações primitivas ensinaram que a barriga é o centro do corpo e sua própria gravidade, mas o cristianismo subverteu esse princípio ao considerar o coração como o âmago do homem”.

Pois então, chegamos ao momento mais aflamado da história. Georgina vive com o amante um sentimento que não tinha quando estava com Albert: sente-se livre, sem medo. Ao chegar à biblioteca e encontrar Michael morto, rodeado de livros e folhas de papel é tomada por uma ânsia desesperadora. Deita-se ali mesmo, junto ao corpo do amante e chora sua infelicidade de não conseguir protegê-lo.  Com muito custo, convence o chefe de cozinha a preparar o seu prato mais inusitado: o corpo de Michael.

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Como um ritual de despedida, entra com o corpo assado do amante e obriga o marido a comê-lo. Ironiza que não seria nenhum sacrifício, já que o próprio Albert prometera que mataria e comeria o homem que se atrevesse a dormir com Georgina. Esse momento é indescritível, há uma riqueza de detalhes tamanha: desde a música às roupas. A inversão de papeis ocorre justamente aí: Agora quem tem medo é Albert, é ele que se sente inseguro e incrédulo

– Jesus!

– Não é Jesus, Albert é o Michael… Meu amante!

Georgina obriga o marido a começar pelo pênis do amante.

-“Bon appetit, Albert.That’s French”  (bom apetite, é francês).

Final III[5]

Huppert para os belorizontinos

Imagem do filme "Bella addormentata"
Imagem do filme “Bella addormentata”
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Isabelle Huppert em “Em nome de Deus”

É difícil (muito difícil mesmo) encontrar um filme com Isabelle Huppert nos cinemas de Belo Horizonte.  Pois estamos com sorte. Há dois filmes dela em cartaz nas salas alternativas de BH. Hoje no Cine 104 começa a VIII Semana Venezia Cinema no Brasil e ela será aberta justamente com um filme da Huppert: “Bella Addormentata”, dirigido por Marco Bellocchio.  O filme trata do polêmico caso que dividiu a Itália em 2009, quando o pai de Eluana Englaro, uma mulher de 38 anos que estava em coma desde um acidente de carro 17 anos antes decidiu suspender sua alimentação artificial.

A trama mistura imagens reais de TV e personagens de ficção e exibe uma reconstrução do acalorado debate sobre a morte de Englaro. Vários ativistas cercaram a clínica onde estava internada para protestar contra a decisão do pai e até o então primeiro-ministro Silvio Berlusconi tentou impor uma lei que forçaria os médicos a retomar a alimentação de Eluana através de um tubo.

O outro filme está em cartaz no Belo Artes, “Em Nome de Deus”, dirigido por Brillante Mendoza é uma produção da Filipinas, França e Alemanha que conta a seguinte história: Baseado em um fato real que ocorreu em 2001. Um grupo de homens armados e mascarados, pertencentes à associação muçulmana Abu Sayyaf, invade o hotel de uma ilha turística e sequestra doze hóspedes estrangeiros. O ataque tinha como alvo inicial empregados do Banco Mundial, que já haviam deixado o local.

O grupo então sequestra turistas e missionários cristãos, que são forçados a fazer um cansativo percurso a pé pela selva filipina. Aos poucos, o clima de medo, preconceito e ódio se transforma em uma relação pautada por uma estranha simbiose. O filme integrou a Seleção Oficial do Festival de Berlim.

Os Horários para o Belas são:
14h30 16h50 19h10 21h30

Rua Gonçalves Dias, 1581 – Lourdes

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Confira a programação gratuita da VIII Semana Venezia Cinema no Brasil:

Terça-feira, 04 de dezembro
19h | Bella Addormentata | de Marco Bellocchio | Itália/França, 2012, 115’ |
21h | Roma,ore 11 | de Giuseppe De Santis | Itália, 1952, p/b, 105’ (película restaurada, projetada como pré-abertura do evento na Itália em agosto, celebrando seus 60 anos de primeira projeção)
Entrada gratuita com retirada de ingressos uma hora antes do início da sessão

Quarta-feira, 05 de dezembro
19h | Un giorno speciale | de Francesca Comencini | Itália. 2012, 90’ |
21h | È stato il figlio | de Daniele Ciprì | Itália /França, 2012, 90’ |
Entrada gratuita com retirada de ingressos uma hora antes do início da sessão

Quinta-feira, 06 de dezembro
19h | Gli equilibristi | de Ivano De Matteo | Itália /França, 2012, 100’ |
21h | L’intervallo | de Leonardo Di Costanzo |Itália /Alemanha/Suíça, 2012, 86’ |
Entrada gratuita com retirada de ingressos uma hora antes do início da sessão

Sexta-feira, 07 de dezembro
19h | Roma,ore 11 | de Giuseppe De Santis Itália – 1952, p/b, 105’ (película restaurada, projetada como pré-abertura do evento na Itália em agosto, celebrando seus 60 anos de primeira projeção)
21h | Bella Addormentata | de Marco Bellocchio | Itália /França, 2012, 115’
Entrada gratuita com retirada de ingressos uma hora antes do início da sessão

Sábado, 08 de dezembro
19h | È stato il figlio | de Daniele Ciprì | Itália /França, 2012, 90’
21h | Un giorno speciale | de Francesca Comencini | Itália, 2012, 90’
Entrada gratuita com retirada de ingressos uma hora antes do início da sessão

Domingo, 09 de dezembro
19h | L’intervallo | de Leonardo Di Costanzo, Itália /Alemanha e Suiça – 2012, 86’
21h | Gli equilibristi | de Ivano De Matteo | Itália /França, 2012, 100’
Entrada gratuita com retirada de ingressos uma hora antes do início da sessão

Crimes do Coração

Na minha ânsia de assistir os filmes de Jessica Lange e correr para comentar no LA AMORA, vi o trailer de “Crimes do Coração” de 1986 pelo Youtube. Em um dos comentários diziam: “Fuja dos filmes dirigidos por Bruce Beresford”. Bom, foi uma pena não ter dado ouvidos ao comentário – não vou generalizar, até porque não vi outro filme de Beresford (nem mesmo Conduzindo Miss Daisy – mas digo com toda veemência que “Crimes do Coração” é um filme mediano.

Crimes do Coração

Antes mesmo de toda essa história de gostar da atriz, esse era um dos filmes que estavam na minha lista. Sempre achei que um longa que junta Jessica Lange, Sissy Spacek e Diane Keaton teria todas as disposições para se tornar um clássico, principalmente por apresentar a possibilidade mais sublime de dramatização.

A história em si é bem interessante e o roteiro (ainda que fraco) possui pontos que chamam a atenção: o problema é o resultado, a junção que não deu certo – ficou inacabado, com um ar de quero mais. Em suma, a sensação que tive no final foi de que perdi meu tempo. A história é a seguinte:

“Lennora Josephine Magrath (Diane Keaton), Margaret Magrath (Jessica Lange) e Rebeca Magrath Botrelle (Sissy Spacek) são irmãs com personalidades e modos de vida bem diferentes. Elas se reúnem quando a mais jovem, Rebeca, atirou no marido dela, Zackery (Beeson Carroll). A irmã mais velha, Lennora, cuida do avô delas e está se transformando em uma empregada, enquanto Margaret tenta fazer carreira em Hollywood como atriz e cantora e teve uma vida intensa, preenchida por muitos homens. O encontro delas causa muita alegria, mas também muitas tensões.”

Algumas coisas vão se encaixando ainda que vagarosamente. Aos poucos você entende que o comportamento agressivo de Margaret é reflexo do trauma profundo que sentiu ao encontrar a mãe morta (enforcada, junto com um gato amarelo).  E que essa morte provocou marcas em todas as três, mas de formas e intensidades bem diferentes. É absolutamente normal que a personalidade das três sejam diferentes, afinal: são idades e perspectivas distintas.  As atuações são ótimas, um aplauso especial para Keaton.

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Desde que vi “O Clube das Desquitadas” ligo Diane Keaton a uma mulher tímida, insegura e problemática: parece que essas características ficaram tão marcadas que se repetiram inúmeras vezes na carreira dela.  Ok, Lennora veio bem antes do Clube, mas ela guarda os mesmos resquícios e para mim é uma das personagens mais interessantes. Por que ficou em casa cuidando do avô? Por que não namora? Lennora tem uma solidão que esvai pelos olhos, se refugia nas velhas manias da avó de cuidar do jardim. {Talvez} Por ser a mais velha, poderia ser o ponto de equilíbrio da família, mas diante das situações: está muito longe disso.

 Só não me digam, por favor, que esse é um “drama feminista” (foi o que eu li no Filmow e discordo bastante). Conta a história de mulheres, mas não é um longa feminista. Ele retrata uma mulher desiludida com a vida porque não casou, outra que é infiel (e que merece ir a cadeia) porque tentou matar o marido e depois foi fazer limonada e de outra que é uma mulher linda, porra-louca e que encanta os homens e depois os abandona. Durante todo o filme, o diretor nos dá motivo para culpá-las, entende?

Se me permitem uma última observação, fiquei surpresa em um dos momentos do filme. Rebeca conta para a irmã mais velha que traiu o marido com jovem de 15 anos. A resposta de Margaret é tão surpreendente que quase me fez cair da cadeira: “Mas ele é negro! Já pensou no que isso pode representar para você?” Na boa, eu achei que ela diria: Ele é menor de idade, isso é pedofilia! hahaha… Mas não, a reação foi totalmente diferente.

um fim de semana qualquer…

Só um comentário sobre o meu fim de semana:

Nem todo mundo gosta de conversar de cinema comigo, sou bem chata na maioria das vezes. Ou me empolgo demais por alguma coisa ou faço o inferno por outra que não gosto. Num desses dias, conversei com uma amiga do emprego sobre uma das funções do cinema: ENTRETENIMENTO.  De qualquer forma, eu não consegui discordar do que ela dizia por que tinha toda a razão quando falava que o cinema não serve só para provocar reflexões sobre algum tema complexo. Tive que concordar que é muito bom ir ao cinema descompromissado, sentar e ver um filme qualquer que te faça esquecer por alguns minutos os problemas da vida.

No final das conAmanhercertas, a conversa chegou exatamente ao ponto em que ela queria: Amanhecer (aquele de vampiros com Kristen Stewart e Edward Cullen). Fã incondicional da série, falava com a boca cheia da beleza e do romantismo entre dois vampiros. Minha língua coçava para dizer que a percepção que eu tenho de vampiro é bem diferente. Algo próximo a Nosferatu ou Lestat… Na verdade não tive nem tempo de indicar um dos meus  favoritos sobre o tema: “Fome de Viver” (com Susan Sarandon e Catherine Deneuve).

Naquele dia fiquei sabendo de toda a história, do começo ao fim. Não vou esconder: já li o primeiro livro por indicação de um ex-namorado. Mas não era o que eu gostava, não mesmo. Saí do emprego, resmungando comigo: Como é que essa mulher perde esse tempo com essas bobeiras? Pensei em voltar inúmeras vezes para falar que existe filmes melhores do que aquele (e todas aquelas coisas que a gente faz, quando tem certeza que esta certo).

Fila no Shopping Cidade para ver Amanhecer.
Fila no Shopping Cidade para ver Amanhecer.

Acontece que no final de semana passado, saí com algumas amigas e todas elas resolveram que queriam ver o tal filme dos vampiros. Eu não iria e nem poderia ser desagradável num momento tão gostoso daquele. “O que importa é a companhia”, pensei. E fui para a sala de cinema. O que vi, foi uma fila subindo as escadas, as pessoas entupiam o lugar de espera justamente para ver o mesmo filme que eu.

Comecei a ver o filme com as mãos na bochecha mostrando todo o meu tédio de estar ali. Tudo bem que Amanhecer peca em alguns quesitos: um bebê computadorizado, vampiras brasileiras desconectas (e toda aquela coisa).  Mas o filme foi segurando a minha atenção: não conseguia nem piscar na hora da luta final e achei um máximo a jogada da autora.  Quer dizer, no fim da conta: não saí fã da Saga Crepúsculo, mas imensamente satisfeita em ENTRETER o meu domingo.  E saí, me sentindo um pouco culpada, quer dizer: Por quê não? Porque julgar antes de conhecer né?

Mulheres a beira de um ataque de nervos

—”Miénteme. Dime que me has esperado todos estos años. Dímelo.
—Te he esperado todos estos años.
—Dime que habrías muerto si yo no hubiera vuelto
—Habría muerto si tú no hubieras vuelto.
—Dime que me quieres todavía, como yo te quiero.
—Te quiero todavía como tú me quieres.
—Gracias. Muchas gracias.”

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Tantas vezes Helen Mirren

Se existe uma prova viva da importância que o Oscar pode trazer para uma carreira artística é a inglesa Helen Mirren. Depois de ganhar o prêmio de melhor atriz em 2007, sua imagem tornou-se badala nos filmes e tapetes vermelhos de Hollywood. Mirren, que já interpretou rainhas Elizabeth’s mais de quatro vezes tem uma trajetória muito interessante e fez ótimas participações em filmes que, de uma forma ou outra, acabaram caindo no esquecimento.

O primeiro filme que vi com Helen Mirren (e que revi no domingo passado) foi “Tentação Fatal”, de 1999 com Katie Holmes. Sabe aqueles filmes que marcam a adolescência? Pois esse é um deles. Mirren interpreta a malévola Mrs. Eve Tingle, uma professora de história que só sabia maltratar os alunos. A mulher era tão assombrosa que quando caminha pelo corredor da escola, todos saem correndo (inclusive o diretor).

Acontece que Leigh Ann Watson, uma aplicada aluna, precisa tirar nota boa em história para conseguir uma bolsa de jornalismo na faculdade.  Leigh fica seis meses fazendo pesquisas documentadas e escreve 365 páginas retratando o diário de uma mulher medieval, acusada de bruxaria. A menina que precisa de uma nota A, ganha nota C da bruxa Mrs Tingle.

A única coisa que ela tem a fazer é ir bem na última prova escrita. Um belo dia, quando fazia aulas extras, seu colega de turma, Luke, rouba a prova escrita e oferece a Leigh. A garota, sempre certinha se nega a aceitar, mas a professora pega os dois “no pulo” e coloca a culpa em Leigh, que teme perder sua bolsa e consequentemente a oportunidade de ir a faculdade.

Nessa mesma noite, ela e dois amigos decidem ir a casa da Mrs Tingle explicar o que aconteceu. Mas a situação foge completamente do controle, Mrs. Tingle chega a bater em Luke e durante uma discussão e chama a polícia. Para tentar detê-la, os alunos então decidem amarrá-la na cama e chantageá-la até convencê-la a mudar de ideia.

O que eu gosto na Helen Mirren é que ela não tem medo de mostrar seu envelhecimento nem gosta de ficar escondendo seus fios brancos. E se tem um filme em que ela está linda e grisalha é em Matadores de Aluguel de 2006,  dirigido por Lee Daniels.

O filme é bem obscuro, mas com uma proposta dessas não poderia ser diferente. Conta a história de Rose (Mirren) que é uma assassina de aluguel e que está com um câncer, prestes a morrer.  Rose possui um parceiro, Mickey (Cuba Gooding Jr) e os dois são contratados para matar Vickie (Vanessa Ferlito). Acontece que Rose não sabia que Vickie estava grávida e quando mira a arma para matá-la percebe que sua bolsa estourou. Naquele momento, Rose tem uma crise de consciência e salva a garota

Ao salvá-la, acaba se metendo em uma enrascada, simplesmente porque o mandante do assassinato é um dos bandidos mais influentes da área.  A relação entre Rose e Mickey é muito complexa. Rose era ex-mulher do pai de Mickey e depois de assassiná-lo, começou a cuidar do garoto. Mickey foi crescendo e os dois começaram a se relacionar, inclusive sexualmente. Então, Rose torna-se mãe e mulher de Mickey…

Helen interpreta a assassina Rose.

Matadores de Aluguel é sim obscuro, mas Rose não é (juro que não) o personagem mais obscuro interpretado por Helen Mirren. Fiquei em dúvida entre dois deles, mas elegi a Caroline de Uma estranha passagem em Veneza, filme de 1990 com um elenco da pesada:  Rupert Everett, Christopher Walken e Natasha Richardson.  O filme conta a história de um casal que vai passar férias românticas em Veneza.

No dia em que chega, o casal dorme até mais tarde e depois, não consegue encontrar nenhum bar aberto.  Então, conhecem Robert que os leva até um bar (do qual é proprietário). Uma sucessão de acontecimentos fazem com que os dois acabem se hospedando na casa de Robert. Lá, conhecem Caroline, esposa de Robbert que é emocionalmente instável e que vive com uma dor nas costas misteriosa. O filme só fica bom lá para o final, quando você descobre a “estranha passagem” envolve sexo, voyeurismo e  sadismo.

Eu queria falar sobre “O cozinheiro, o ladrão, sua mulher e o amante”, mas esse filme merece um post único, pra falar só dele. Então aí vai mais uma dica (e a última): Colapso, de 1996 ou “Loosing Chase” (a tradução literal ficaria “Perdendo Chase).  O filme ficou bem conhecido no cenário lésbico por conter um “clima” de romance entre Chase e sua enfermeira.

Na verdade o filme foi feito pra televisão e é de uma delicadeza tamanha. Conta a história da dona de casa Chase Philips (Helen Mirren) que sofre de crises nervosas. O coitado do marido tenta fazer de tudo para agradá-la e para deixar a família unida. Assim, contrata uma “Ajudante de mães”: Elizabeth, interpretada por (Kyra Sedgwick).

Mas Chase é rude o tempo todo, humilha Elizabeth e fica tentando mostrar que ela não é necessária naquela casa. Com calma (e com o tempo), Chase e Elizabeth estabelecem um forte relacionamento de confiança. Chase acaba se abrindo com Elizabeth e conta sua história. Elizabeth por sua vez, também se abre e conta suas feridas… E as duas se apaixonam.