Doidas Demais

Um breve resumo da comemoração do meu aniversário de 14 anos = Goldie Hawn + Susan Sarandon.

Banger_sistersBom, é que no meu aniversário de 14 anos pedi que minha mãe me levasse ao cinema. Eu não fazia ideia que “Doidas demais” estava em cartaz, aliás, nem sabia da existência desse filme. Mas aí, chego lá e vejo um poster enorme e começo a tremer as pernas. Lembro que a classificação era de 16 anos e minha mãe deu um jeito de fazer com que eu entrasse para assistir. Aliás, lembro que ela dormiu o filme inteiro.

A história é bem fraquinha, mas dá pra divertir um pouco. Acho que é por isso que gostei tanto do filme naquela época e nem me liguei na quantidade de piadas de sacanagem que tem. Só lembro que eu saí do cinema com a sensação de que aquele tinha sido o melhor dia da minha vida. Nossa, eu fiquei tão feliz!

A Goldie Hawn é uma graça, sério! É incrível como ela carrega o filme nas costas e praticamente rouba a cena de todo mundo. Particularmente, achei o personagem do Geoffrey Rush um pouco desnecessário e chato, ainda que ele seja uma peça para ligar certos pontos da trama e contribui para a criação de um pequeno suspense.

THE BANGER SISTERS, from left: Susan Sarandon, Goldie Hawn, 2002, © Fox Searchlight
THE BANGER SISTERS, from left: Susan Sarandon, Goldie Hawn, 2002, © Fox Searchlight

Sobre o filme…

Suzette (Goldie) e Lavinia (Susan) eram duas amigas aventureiras que na década de sessenta colecionavam fotografias “bem comprometedoras” de astros do rock. A presença das duas nos shows e as loucuras que cometiam as fizeram ser apelidadas de “The Banger Sisters” (termo que, segundo o Google, está relacionado com “Headbanger”, uma palavra usada para designar a subcultura de fãs de heavy metal e suas variantes).

Passaram-se vinte anos e a vida das duas tomou rumos bem diferentes: enquanto Suzette continuava a levar uma rotina louca e sem rumo, Lavínia se tornou uma dona de casa chique e blasé.  Suzette precisa de dinheiro e recorre a amiga, mas quando a encontra, fica chocada com a sua mudança.


Ah! E dêem uma olhada no meu diário de quando eu tinha quatorze anos, eu já gostava de fazer listas, já era apaixonada pela Susan Sarandon e amava assistir o Oscar.

Thaís DiárioThais

sobre Susan Sarandon e Os últimos passos de um homem

Ontem eu fui dormir pensando no quanto eu gostava da Susan Sarandon e como essa admiração foi perdendo o fôlego ao longo dos anos. Ainda guardo muito carinho por ela e sempre que posso me dedico a assistir seus filmes e me atualizar sobre o que ela tem feito. Eu não saberia explicar o que mudou, mas, diferente de antes, já não sinto aquela fixação que me fazia comprar seus filmes, pesquisar sobre os seus projetos, colecionar gravuras e todas aquelas coisas que os fãs fazem.

Susan protagonizou muitos dos filmes que eu assistia quando criança, e nem todos eram infantis – na verdade, a maioria esmagadora era composta por filmes dramáticos. Talvez o que mais me emocionou, ou… me marcou, foi “Os últimos passos de um homem”, em que Sarandon interpreta a freira Helen Prejean, que tenta salvar da pena de morte, Mathew Poncelet, interpretado por Sean Penn. 

os últimos passos

Vou confessar que eu tinha medo do Sean Penn, e naquela época eu só tinha olhos para a Susan.  Seu personagem era bruto, grosseiro e acima de tudo, tinha cometido um crime assustador e violento. Hoje, revendo o filme, fico encantada com a grandiosa interpretação dos dois, e  também muito encantada com a direção do Tim Robbins, que por sinal… roteirizou e produziu o filme.  Aliás, na época, Susan e Tim eram casados.

Bom, o filme é baseado em uma história real e é compreensível que tenha levantado tanta polêmica. Não sei se alguém iria discordar, mas neste filme existe um claro posicionamento contra a pena de morte. O interessante, e talvez uma das coisas que me faz apaixonada pela Susan é que ela sempre foi muito politizada e leva isso para a sua vida real. Ela mergulha nosimages seus personagens, nas suas histórias e nas suas ideologias.

O caso é que “Os últimos passos” é uma daqueles filmes que tocam na ferida da sociedade e retratam a complexidade dos valores humanos. Que deixa exposto e quase grita que precisamos evoluir, e muito. E que encontrar um caminho certo é realmente muito difícil (talvez, impossível).

Eu sempre assisti esse filme me colocando no lugar da família dos jovens que foram assassinados. Não sei se vocês já viram esse filme, mas, acho que deveriam… pelo menos para ter uma noção do que estou falando. A cena em que a Helen visita os pais da moça estrupada é  de cortar o coração e é imensamente compreensível a raiva, o ódio, que eles possuem em relação ao assassino. Por outro lado, o que pesa no argumento da Irmã Helen e nos faz ter compaixão por Mathew é a força, a sinceridade do seu arrependimento e a importância do perdão. 

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Esse filme possui três momentos que fazem a minha espinha gelar.. a primeira é a cena em que nos é revelado o assassinato, a forma em que os jovens morreram e como foram covardemente violentados. A segunda é quando Mathew está caminhando para a sua execução, o ênfase em suas pernas tremendo e a explicação de como será a sua morte. Ele vai caminhando e é acompanhado por Helen que lê a Bíblia para ele.

Pena de Morte

“Não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu.
Quando passares pelas águas estarei contigo, e quando pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti.”
Isaías 43:1,2

E por último a cena em que eles se olham pelo vidro e ela diz: ‘Eu te amo”. Bom, está claro que não é uma afirmação com conotação sexual. É uma afirmação que pode ser facilmente explicada por uma música que faz parte da trilha sonora do filme, que aliás, é incrível… gente, não tenho como definir o quanto essa trilha sonora é maravilhosa:

Look in the eyes
Of the face of love
Look in her eyes
Oh, there is peace
No, nothing dies
Within pure light

sobre a 3ª temporada de Orange is the new Black

Terminei de assistir a terceira temporada de “Orange is the New Black” três dias depois da estréia. Isso é porque eu sou uma pessoa extremamente ansiosa e muito desocupada. Depois que terminou,  bateu aquele desespero… só de saber que falta um ano para os próximos capítulos. Engraçado, porque no ano passado fiz exatamente a mesma coisa, um sentimento louco, muito bem resumido na imagem a seguir:

Crédito: Dias de Cinefilia
Crédito: Dias de Cinefilia

Particularmente, achei a temporada fraca se comparada com as outras duas. Não sei, senti falta de um gancho. Mas, eu sou suspeita para falar porque sou fã de carteirinha e sou apaixonada por essa história. Reparei que as antagonistas ganharam mais espaço, tiveram suas histórias desenvolvidas, aliás, essa temporada parece ter uma pegada mais dramática do que as outras. Ou então… eu estou muito sensível, porque eu, definitivamente, chorei mais do que ri.

OITNBComecei a gostar menos da Piper e mais da Alex. Foi possível ver um lado mais doce e humano da Alex e agora é difícil não torcer por ela. A Red e a Crazy Eyes são as minhas favoritas, eu realmente adoro tudo o que elas fazem. Queria que o novo lance da Red tivesse se desenvolvido melhor, talvez que ela pelo menos tivesse trocado uns beijinhos. E a Crazy Eyes…  Ah! Muito amor ♡. Eu tô falando assim, meio por cima, porque não quero soltar spoiler…

Fico muito feliz com o sucesso dessa série, com o fato de trazer aos olhos do público um elenco incrível de atrizes, boas atrizes, que fogem do esteriótipo.  Por dar visibilidade a problemas femininos (maternidade, beleza, carreira…) com muito respeito e com senso de realidade, com verossimilhança.  Ah! E temos a Ruby Rose né moçada? Que é um deleite para os olhos e um figura mundialmente conhecida por colocar em discussão a fluidez de gênero.  Ainda sobre a Ruby, vale dar uma olhada nesse clipe:

O Clube das Desquitadas

ClubedasDesquitadasSe eu fizesse uma lista com filmes a indicar para todas as minhas amigas, “O Clube das Desquitadas” estaria nela – na segunda posição. Antes só viria Thelma e Louise. Eu perdi as contas de quantas as vezes eu assisti esse filme e acho que não sei explicar a sensação boa que tenho quando o assisto. Tenho ele em dvd e é uma das minhas preciosidades. Existem muitos aspectos que me fazem gostar de “O Clube das Desquitadas” a começar por cinco das minhas atrizes favoritas: Goldie Hawn, Bette Midler, Diane Keaton, Stockard Channing e Maggie Smith.  – E sim, eu tenho muitas atrizes favoritas.

É incrível como elas possuem uma sintonia e como conseguem fazer histórias dramáticas parecerem tão engraçadas. Aliás, este é um mérito de quem concebeu a trama, fazer o público rir, mesmo diante de histórias tão tristes.  Hoje, estudando um pouco sobre a construção de arquétipos, vejo que esse filme tem tanto equilíbrio, exatamente por causa da boa construção dos personagens. Acho que no fundo, toda mulher (e talvez, todos os homens) possuem um pouco de cada uma das protagonistas.

Para quem nunca assistiu, acho que vale um breve resumo. Trata-se da história de stockard-channing-firstwivesclub-5quatro amigas que, na juventude, estudaram juntas. Anos depois, uma das amigas (a Cynthia) comete suicídio. No velório, Elise, Brenda e Annie se reencontram e descobrem que a vida de cada uma delas tomou rumos bem diferentes. No entanto, as quatro possuem algo em comum: foram traídas ou abandonadas por seus respectivos maridos.


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Não se trata de uma luta contra os homens, ainda que uma interpretação superficial nos faça entender isso. Acho que a história por trás de cada uma das personagens é muito mais complexa. A começar pela concepção errada (e muito difundida) de que ao amadurecer, a mulher perde o seu valor, seu potencial de sedução. Elise tem um problema muito evidente em relação à beleza. A quantidade de intervenções cirúrgicas demonstra (de uma forma muito ácida e engraçada) sua insegurança. Mas, afinal… qual é a mulher que não se preocupa em estar bela?  O fato é que somos ensinadas e sofremos uma certa pressão por estar belas. Não só as mulheres, os homens também! – Aliás, sobre a Elise, vocês sabiam que quem iria interpretá-la era a Jessica Lange? Mas, ela desistiu na última hora.

the first wiveA Annie por outro lado é aquele tipo de mulher que foi ensinada a se comportar. A não gritar fora de hora, a se desculpar todo o tempo. O mundo pode estar desmoronando, mas você precisa manter a pose. É mais fácil achar e dizer que está feliz, viver a aparência, do que reconhecer o fracasso. Não sou muito chegada nessa personagem porque acho ela um pouquinho histérica…

A Bette Midler, ah! Bette Midler… De verdade, eu amo essa mulher, as caras e Brendabocas que ela faz… e adoro a Brenda – me identifico, rsss. Vejo um crítica à concepção que encara as donas de casa de uma maneira pejorativa. Uma das amigas se tornou atriz em Hollywood e nem por isso, teve uma vida menos merda do que a da Brenda. A Brenda é o centro das piadas, é a gordinha, e “gordo sofre”. Praticamente todas as piadas envolvem o peso dela e, em certo ponto,ela passa a fazer piadas com o próprio peso – mas, com um tom bem sarcástico e delicioso.

And don’t tell me what to do
And don’t tell me what to say

Por fim, depois de tanto falar… acho que a mensagem final, transmitida por “You Don’t Own me“, música imortalizada na voz da Lesley Gore, diz muito e diz o necessário.  Não existe nada mais importante que a liberdade, e mulheres (e homens), se valorizem! 


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A identidade cultural na pós-modernidade

Oi gente! Estou lendo “A identidade cultural na pós-modernidade”, de Stuart Hall. Como de costume, fiz algumas anotações e um pequeno resumo. Acho que me ajuda a estudar e a lembrar dos pontos mais importantes. Vou fazer uma série de publicações sobre este livro, uma sequência… pra me ajudar a estudar e claro, para compartilhar informações. O livro é pequenino, dividido em seis capítulos e com apenas 56 páginas.

O livro se volta para questões como: Que pretendemos dizer com crise de identidade? Que acontecimentos recentes nas sociedades precipitaram essa crise? Que forma elas tomam? Quais são suas consequências potenciais?


Identidade-cultural

“O homem da sociedade moderna tinha uma identidade bem definida e localizada no mundo social e cultural. No entanto, uma mudança estrutural está fragmentando e deslocando as identidades culturais de classe, de sexualidade, de etnia, de raça e de nacionalidade. As velhas identidades, que por tanto tempo estabilizaram o mundo social, estão em declínio. Se antes elas eram sólidas localizações, nas quais os indivíduos se encaixavam socialmente, hoje se encontram com fronteiras menos definidas, o que provoca no indivíduo uma crise de identidade”


1- A Identidade em questão 

A questão da identidade está sendo extensamente discutida na teoria social, em essência o argumento é o seguinte:  as velhas identidades que por tanto tempo estabilizaram o mundo social estão em declínio. Surgem novas identidades e o indivíduo moderno está fragmentado, até então, ele era visto como um sujeito unificado.

– A crise de identidade: Perder o sentido de sí. Deslocamento das estruturas e processos centrais da sociedade moderna. Abalo das referências que davam aos indivíduos uma ancoragem estável no mundo social. As identidades modernas estão sendo descentradas, isto é: deslocadas e fragmentadas.

“A identidade somente se torna uma questão quando está em crise, quando algo que se supõe como fixo, coerente e estável é deslocado pela experiência da dúvida e da incerteza” – Kobena Mercer

Identidade Social


1.1 – Três concepções de identidade

A) Sujeito do Iluminismo: Concepção humana de um indivíduo totalmente centrado, unificado. O centro consiste no núcleo interior, concepção muito individualista do sujeito e de sua identidade.

B) Sujeito Sociológico: Reflexo da crescente complexidade do mundo moderno e consciência de que o núcleo interior não é autônomo nem autossuficiente, mas formado na relação com “outras pessoas importantes para ele”, que mediavam sentidos e valores. Interação entre o eu e a sociedade. Concepção interativa da “identidade” e do “eu”.

C) Sujeito Pós Moderno: O sujeito, previamente encarado como tendo uma identidade unificada e estável está se tornando fragmentado, composto não de uma, mas de várias identidades,  algumas vezes contraditórias e não resolvidas. A identidade deixa de ser fixa, permanente e passa a ser uma celebração móvel: formada e transformada continuamente e não biologicamente. 

“Se sentimos que temos uma identidade unificada desde o nascimento até a morte é apenas porque construímos uma cômoda história sobre nós mesmos ou uma confortadora narrativa do eu”


1.2- O caráter da mudança na modernidade tardia

globalizaçãoA questão da identidade também está relacionada ao caráter da mudança na modernidade tardia, em particular, ao processo de mudança conhecido como globalização e seu impacto sobre a identidade cultural:  para Marx, a modernidade – [é o] permanente revolucionar da produção, o abalar ininterrupto de todas as condições sociais, a incerteza e o movimento eterno. Todas as relações fixas e congeladas são dissolvidas, todas as relações recém formadas envelhecem antes de poderem ossificar-se. “À medida em que áreas diferentes do globo são postas em interconexão umas com as outras, ondas de transformação social atingem virtualmente toda a superfície da Terra”

SOCIEDADE TRADICIONAL X SOCIEDADE MODERNA

– Tradicional: O passado é venerado e os símbolos são valorizados porque contém e perpetuam a experiência de gerações. A tradição é um meio de lidar com o tempo e o espaço, inserindo qualquer atividade ou experiência particular do passado, no presente e no futuro, os quais, por sua vez, são estruturados por práticas sociais recorrentes.

– Moderna: Sociedade de mudança constante, rápida, abrangente e contínua.  Possui uma forma altamente reflexiva de vida, na qual as práticas sociais são constantemente examinadas e reformadas à luz das informações recebidas sobre aquelas próprias práticas, alterando, assim, constitutivamente seu caráter.

“A sociedade não é, como os sociólogos pensaram, muitas vezes, um todo unificado edownload bem delimitado, uma totalidade, produzindo-se através de mudanças evolucionárias a partir de sí mesma, com o desenvolvimento de ma flor a partir de seu bulbo. Ela está constantemente sendo descentrada ou deslocada por forças fora de sí mesma.” – O deslocamento tem características positivas: desarticula as identidades estáveis do passado, mas abre possibilidades para novas articulações”

Palavras-chave: Descontinuidade, Fragmentação, Ruptura e Deslocamento.


1.3 – O que está em jogo na questão das identidades?

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Erosão da identidade mestra – Nenhuma identidade singular (ex, raça ou classe social) pode alinhas todas as diferentes identidades como uma identidade mestra, única, abrangente, na qual se pode basear uma política de forma segura.

– Bibliografia: A Identidade Cultural na pós-modernidade. Stuart Hall; tradução de Tomaz Tadeu da Silva e Guacira Lopes Louro. Rio de Janeiro: Lamparina, 2014.

Se vivêssemos em um lugar normal


– Você já foi para a Disney? – Contra atacou Jack

– Claro! O voo saiu do aeroporto internacional de La Chona. Pelo que eu sabia, a Disney era um castelo de fantasia onde o importante era se comportar bem, não importa o que acontecesse ou o que você pudesse ver. As vezes algum Mickey Mouse, quando ninguém estava olhando, levava você para o canto e enfiava o dedo no seu cu. Mas você tinha que ficar quietinho, sem reclamar e sem fazer o mesmo, nada de querer agarrar os peitos da Margarida ou da Minnie, não, porque havia guardas hiperfuriosos que surravam você com o cassetete. Estão vendo? Melhor não falar da Disney na frente dos pobres.

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Ontem terminei de ler mais um livro do Juan Pablo Villalobos, passei praticamente toda a viagem de Minas/São Paulo o lendo. Comentei aqui no La Amora que no mês passado conheci este autor através do livro Festa no Covil e que gostei da sua narrativa, do seu bom humor e de suas ironias. Pois, “Se vivêssemos em um lugar normal” também tem essa pegada, ainda que de uma perspectiva bem diferente.

A história se passa na década de 1980, num México assolado por pobreza e com uma enorme discrepância social, em uma cidade em que “há mais vacas do que pessoas”. O narrador é Orestes, um adolescente que vive junto à sua família em uma casa minúscula e mal acabada que mais se parece uma “caixa de sapato”. Seu pai é professor de educação cívica e moral e sua mãe, dramática, é uma mulher que recusa a própria pobreza e insiste em dizer que pertence à classe média, ou seja, quejuam nega o mundo em que vive. Dentre disputas e ofensas, Orestes e seus seis irmãos aprenderam a sobreviver a base de quesadillas. Como a comida é pouca, um nutre o desejo secreto de que os irmãos desapareçam.

O “equilíbrio” da família é interrompido quando chegam novos vizinhos no morro da “puta que pariu” (onde eles moram). Acontece que a casa dos vizinhos é grandiosa, luxuosa…e Orestes não entende para quê serve uma casa tão grande para uma família com apenas três membros. “Definitivamente somos pobres”.  Em seguida se instala no local um empreendimento imobiliário de alto padrão e a casa da família de Orestes está prestes a ser demolida.

O livro é uma delícia, daqueles que você lê rapidinho e volta para reler as partes mais engraçadas. Ah! E a Polônia também aparece nesta história (junto a elementos fantásticos como alienígenas e melancias psicodélicas). Uma história que se passa no México, mas que com facilidade poderia se passar no Brasil, principalmente por causa da bem humorada descrição da pobreza, dos pobres e sua conflituosa relação com a sociedade.

Bom dia para os defuntos

O coronel Migdonio se dignou a sair à varanda. “Então, vocês querem criar um sindicato?” “Se o patrão permitir”, respondeu Félix. “Quantos estão de acordo?” “Treze, senhor.” “Vá buscá-los. Quero falar com todos. “Na vastidão da memória, ninguém se lembrava de que peão algum tivesse penetrado na casa grande. Cobertos por seus ponchos, os camponeses sentiam que se excediam, mas não tiveram remédio senão entrar. “Que desejam, meus filhos?” Perguntou Don Migdonio afavelmente. Silêncio. “Não se constranjam. Não me oponho ao sindicato.

Não, não me oponho. Pelo contrário, eu os felicito. Vivemos uma época de mudanças. Todos queremos o progresso. Brindemos ao sindicato! “A um sinal do fazendeiro, um criado entrou na sala com uma garrafa e copos para todos. “Vou brindar com o copo vazio. É que ontem me excedi. Saúde, rapazes!”, bradou jovialmente Dom Migdonio. Jaramillo foi o primeiro a desabar.

Tombaram outros três fulminados e os demais revolveram-se na agonia de um retorcimento de tripas. “Filho da puta”, conseguiu dizer Félix antes de borrar-se com as tripas queimadas pelo veneno. O juiz, doutor Francisco Montenegro e o sargento Cabrera chegaram às seis horas da tarde escoltados por um piquete de guardas civis. Fecharam-se no escritório com Don Migdonio. O que o juiz, o fazendeiro e o sargento discutiram permanece até hoje em mistério. Para desmentir testemunhas que naquele distante ano de 1903 juraram ter visto os três sairem abraçados, rindo, os historiadores oficiais exibem uma prova irrefutável: um comunicado oficial das autoridades, informando que os catorze camponeses tinham sido fulminados por um “enfarte coletivo”.

Manuel Scorza,1903

10 motivos para assistir “A Madrasta”

A Madrasta - Victoria RuffoQue eu sou uma noveleira de plantão, todo mundo já sabe… Pois é! Mas, apesar de ter assistido inúmeras novelas, eu possuo as minhas preferidas… e uma delas, é A Madrasta. Se você já viu, deve saber os motivos. Se gosta de novelas e ainda não assistiu, acho que vale a pena dar uma olhadinha neste post:

1) Muitos mistérios: Maria é uma mulher que foi acusada injustamente de um assassinato, pelo crime ficou presa muitos anos e foi afastada do seu esposo e filhos. Livre, ela decide voltar para a mansão onde morava, e assim investigar a verdadeira identidade do assassino. No decorrer da história outros crimes vão acontecendo e descobrimos uma enorme teia de motivações secretas, algumas bem bizarras!

2) Personagens complexos: Você não sabe muito bem quem é o vilão ou o mocinho da trama. Tem hora que você ama o personagem e tem hora que quer matá-lo. A maioria do elenco principal possui um segredo e é difícil não ir submergindo na tentativa de desvendá-los.

3) Núcleos bem definidos e atores luxuosos: Todos os ganchos levantados pela trama foram bem amarrados e finalizados com destreza. É basicamente o que falta em muitas séries por aí, que apresentam uma pergunta ao espectador, mas não lhes oferece a resposta. Esse aspecto se torna ainda mais problemático quando existem muitos personagens e núcleos envolvidos… resumindo: às vezes os autores e diretores se enrolam. Bom, é Salvador Mejía né pessoal… E acho que em grande parte, é dele o mérito de ter tão bons atores em cena: ele conseguiu reunir os grandes, como Sabine Moussier, René Casados e Cecília Gabriela… é como juntar Meryl Streep e Fernanda Montenegro num filme só…
Amadrasta

4) O casal de protagonistas, César Évora e Victoria Ruffo: Eu já mencionei quão incrível é o elenco, mas acredito que eles merecem um destaque. São encantadores. O César Évora sempre foi o ideal de homem pelo qual me casaria sem pestanejar. Aliás, como ele é charmoso! Sobre a Victória, que eu sei que arrasta milhões de fãs por aí (e não é por menos),  foi a primeira e única vez que a acompanhei em uma novela. Nunca vi outros de seus trabalhos. Ela tem olhos lindos e em cena, chora como ninguém.

5) Ciclo de vinganças! Falem a verdade… nós adoramos uma trama cheia de vinganças, com muita gritaria e tapas no rosto. Aqui é o que não falta, reviravolta atrás de reviravolta. Me lembro até hoje da cena em que a Maria sai da prisão e volta para a casa dos Sán Roman e todo mundo, a encara…boquiabertos!

6) “Víveme” era o tema da abertura. É uma música linda, daquelas de ouvirAmadrasta inúmeras vezes sem cessar, daquelas que dá vontade de sair cantando em voz alta (bem alta!) por toda a casa. A música era entoada por Laura Pausini, que a lançou em seu álbum “Resta in ascolto” em novembro de 2004.

Dois anos depois, o single venceu o Billboard Latin Music Awards na categoria “Canção Pop Latina Feminina do Ano”. Fora isso, também recebeu duas nomeações ao Prêmio Lo Nuestro. Não bastasse ser linda, tinha uma relação direta com a história narrada pela trama já que, entre outras menções, se referia a um objeto cheio de significados na história, um quadro: “Y te transformas en un cuadro dentro de mí. Que cubre mis paredes blancas y cansadas”

7) Rivalidade entre irmãs: A relação entre a Albinha e a Carmen era uma coisa bizarra, principalmente porque as duas tinham uma personalidade muito diferente e guardavam um segredo cabeludo. Jacqueline Andere e Margarita Isabel são um detalhe à parte, uma delícia vê-las contracenando, duas grandes atrizes. Bom… a Alba era absurdamente má, enquanto a Carmen era um amor… e a Alba, estava sempre censurando a Carmen em suas atitudes, uma relação que pode ser muito bem resumida nessa imagem:

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8) Cenas inesquecíveis: Essa novela é cheia de cenas de tirar o fôlego, tipo… o acidente da Alba,os segredos das irmãs sendo desvendado, o desaparecimento da Ana Rosa, a loucura do Demétrio, o julgamento da Maria! (…) 

9) Uma novela de sucesso: A novela foi um estouro, no México, aqui no Brasil  e internacionalmente. A Televisa chegou a criar um especial, contanto o que aconteceu com os personagens “dez anos depois”. E em 2007, quando foi reprisada, a novela ganhou um novo final!! Também, posteriormente à exibição foi lançado um dvd com um resumo de 11 horas da trama. 

la-madrastra-16_590x39510) Final surpreendente: Nós estamos acostumados em assistir tramas que giram em torno de um assassinato e, geralmente, o criminoso é o vilão. Pois, em A Madrasta, a identidade do assassino ficou muito bem guardada, até o final e como existia uma gama de possibilidades, já que praticamente todo mundo era um pouco o vilão, era realmente difícil saber o responsável. Eu sou absurdamente apaixonada pelo final, porque me remete à Psicose (de Hitchcock)…