sobre a 3ª temporada de Orange is the new Black

Terminei de assistir a terceira temporada de “Orange is the New Black” três dias depois da estréia. Isso é porque eu sou uma pessoa extremamente ansiosa e muito desocupada. Depois que terminou,  bateu aquele desespero… só de saber que falta um ano para os próximos capítulos. Engraçado, porque no ano passado fiz exatamente a mesma coisa, um sentimento louco, muito bem resumido na imagem a seguir:

Crédito: Dias de Cinefilia
Crédito: Dias de Cinefilia

Particularmente, achei a temporada fraca se comparada com as outras duas. Não sei, senti falta de um gancho. Mas, eu sou suspeita para falar porque sou fã de carteirinha e sou apaixonada por essa história. Reparei que as antagonistas ganharam mais espaço, tiveram suas histórias desenvolvidas, aliás, essa temporada parece ter uma pegada mais dramática do que as outras. Ou então… eu estou muito sensível, porque eu, definitivamente, chorei mais do que ri.

OITNBComecei a gostar menos da Piper e mais da Alex. Foi possível ver um lado mais doce e humano da Alex e agora é difícil não torcer por ela. A Red e a Crazy Eyes são as minhas favoritas, eu realmente adoro tudo o que elas fazem. Queria que o novo lance da Red tivesse se desenvolvido melhor, talvez que ela pelo menos tivesse trocado uns beijinhos. E a Crazy Eyes…  Ah! Muito amor ♡. Eu tô falando assim, meio por cima, porque não quero soltar spoiler…

Fico muito feliz com o sucesso dessa série, com o fato de trazer aos olhos do público um elenco incrível de atrizes, boas atrizes, que fogem do esteriótipo.  Por dar visibilidade a problemas femininos (maternidade, beleza, carreira…) com muito respeito e com senso de realidade, com verossimilhança.  Ah! E temos a Ruby Rose né moçada? Que é um deleite para os olhos e um figura mundialmente conhecida por colocar em discussão a fluidez de gênero.  Ainda sobre a Ruby, vale dar uma olhada nesse clipe:

Orange is the new black

Ouvi falar em ‘Orange is the new black’ há alguns meses atrás, mas tive relutância em assistir. Não sei por que demorei tanto. De repente, vi um trailer no Youtube e decidi assistir o primeiro capítulo. Logo, vi o segundo, o terceiro, o quarto… e não consegui parar. Assisti a primeira e a segunda temporada em um fim de semana, tudo de uma vez.

ImagemSe ‘Orange is the new black’ é isso tudo que eles falam? Sim, é isso tudo e um pouco mais. A série, baseada em uma história real, é produzida pela Netflix e criada por Jenji Kohan (que também foi diretora em Weeds). Eu não fazia ideia disso, mas a Netflix libera todos os episódios de uma vez a cada temporada… fica a critério do espectador assistir tudo ou não.

A trama conta a história de Piper Kerman, uma mulher de classe média alta que acaba sendo presa por ter se envolvido, na juventude, com traficantes de drogas. Piper leva um choque cultural quando chega ao presídio feminino e se depara com situações degradantes, com histórias pessoas dramáticas e com os desafios cotidianos para manter a dignidade – e como diria a Red (um dos meus personagens favoritos): com a dificuldade em “resistir ao sistema”.

Difícil não rir e não se emocionar com os episódios.  Difícil não se colocar no lugar delas. Kohan é inteligentíssima e consegue nos fisgar pela simplicidade e naturalidade dos personagens, pelo tom realístico (e isso é sim, um grande diferencial) e pelo cuidado com a narrativa. É incrível como ela consegue trabalhar com tantos personagens, tantas histórias, tantas perspectivas, sem se perder no meio do caminho e sem deixar nada em aberto.

Quando eu falo no aspecto realístico me refiro não só à situação deplorável das prisioneiras ou dos dramas particulares, ou mesmo das críticas sociais. Orange’, é uma série esteticamente realística. Por exemplo: as atrizes usam pouquíssima maquiagem, aparecem em tela com o cabelo descuidado, falam e fazem sexo com certa naturalidade, são politicamente incorretas (…). tumblr_n6ws7kei8y1rx0x5qo1_500

Gosto dessa temática, dessa ênfase em personagens marginalizados. A TV está tão cheia de clichês, de personagens lindos, ricos, felizes, loiros, jovens e héteros, que é fácil se impressionar com algo tão bem feito e que foge a regra. Em Orange acompanhamos, por exemplo, a história de uma transexual, a Sophie, que além de enfrentar o preconceito, precisa reconquistar o amor e a confiança do filho. Suzanne (ou Olhos loucos) é uma mulher hilária e como o apelido já diz, louca… mas que tem uma história tristíssima, repleta de medos, anseios e solidão. Ou Nick, uma ex-viciada em heroína que nunca conseguiu se entender bem com a mãe.  Rose, uma mulher que roubava bancos, agora tem câncer e está prestes a morrer. Red, uma russa autoritária, que toma conta da cozinha e protege as prisioneiras.

Em Orange os diálogos são pérolas, carregados de duplo sentido, de metáforas bem construídas e repletas de sarcasmo.  E sim, há muito sexo gay… O que é também é interessante porque brinca com o preconceito, coloca a homofobia em cheque e mostra que a temática vem, cada vez mais, ganhando espaço. Eis uma série perfeita para quem quer rir e se emocionar…

RedVeja o trailer: