Doug Funny – Sou eu!

Doug Funny

Acho que todo mundo da minha geração, ou pelo menos a maioria, já assistiu Doug. Impossível não ter saudade daquele desenho que tinha uma chamada super carismática e uma música de abertura inesquecível. Doug foi criado em Agosto de 1991 por Jim Jinkins e transmitido até Junho de 1999. Ou seja, neste mês, Doug completa 24 anos de existência. 

Lembro muito desse desenho, com muito carinho. Era sair da escola e ligar a tv correndo. Só de ouvir os assovios da abertura me bate uma sensação nostálgica e super boa. Doug começava os episódios escrevendo no diário, daí ele ia narrando os acontecimentos. Ele era um menino de onze anos, que tinha um cachorro chamado Costelinha. Seu melhor amigo era o Skeeter  e ele tinha uma paixão meio platônica pela Patti Maionese.

A maioria dos episódios intercalava três ambientes: o da casa, da escola e a rua. Doug quase sempre tinha que enfrentar o valentão Roger na escola e a irmã patricinha, Judy, em casa. Tinha também uma personagem bem chata que era a Beebe Bluff, aquela roxinha, que era a filha do cara mais rico da cidade e adorava esbanjar…

Outra coisa bem legal é que ele estava sempre imaginando coisas, lembram do Homem Codorna? Ah! E Doug e o Skeeter eram super fãs de uma banda chamada Os Beets!! HAHA… ai, que saudade viu…

Abertura:


Patti é o picles da minha salada ♪
Patti é o açúcar do meu chá
Você é o molho do meu cachorro quente
♪ Patti você é a minha maionese, ow ow ow


O Libertino

Le-Libertin-OST-coverEu simplesmente amei esse filme e, claro, tudo por causa da Fanny Ardant. Ok, vocês já devem estar cansados desse assunto porque nos últimos dias só tenho falado nela. Bom, tentem se acalmar porque eu estou só começando e podem ter certeza que virão muitas outras publicações sobre seus filmes. Estive pensando até em dedicar um mês a cada atriz, mas a verdade é que eu nunca dou sequência à esses planos, então é melhor fazer assim… sem nenhuma organização mesmo. No fim, veremos no que dá.

“O Libertino” , produzido em 2000, é uma comédia ambientada na França do século XVIII. A trama tem como personagem principal, Denis Diderot, que tenta burlar um cardeal que está visitando a sua casa enquanto constrói a Enciclopédia. Diderot critica a aristocracia e leva uma vida sexualmente liberal, cercado por mulheres. Uma delas lhe chama atenção, trata-se de Madame Therbouche (Ardant), que lhe faz uma visita com o intuito de pintar o seu retrato e deixá-lo de presente para a posteridade.

Sobre o termo “Libertino” eu realmente não sei se é utilizado no título apenas para designar o cunho sexual do personagem. Sei que na época, alguns escritores (como o Marques de Sade, por exemplo) receberam esse apelido porque foram responsáveis por046-fanny-ardant-theredlist obras que ironizavam a moral e os valores sociais e também porque defendiam o sexo livre como filosofia de vida.

Até o que filme é engraçadinho, possui umas partes em que dá pra soltar umas risadas. Já falei muito sobre a Josiane Balasko por aqui, gosto muito dela. Nesse filme ela dá um tom deliciosamente cômico à personagem e de longe, é a mais divertida. Ela é uma mulher rica e comilona, que adora fazer piadas maliciosas e, pelo que entendi, gosta de dar umas escapulidas com seus escravos. Ah! E nesse filme também vemos uma Audrey Tautou novinha, novinha!

É uma pena que o Diderot tenha sido interpretado de uma forma tão caricata. Ele é tão desajeitado que é até meio difícil se simpatizar com seu jeito. Eu não sei se foi proposital, me pareceu que o ator que o interpretou, o Vicent Perez, era assim… desajeitado. Tem um momento em que ele quer transar com o personagem da Fanny e ele é tão grosseiro e afobado que parece machucá-la- mas, de verdade! Não sei, me causou um certo incômodo.

026-fanny-ardant-theredlistPor outro lado, Madame Therbouche é um personagem incrível! Dessa vez, não é só por causa da Fanny, mas a história e o comportamento de Therbouche ao longo do filme é sensacional. Ela é uma senhora, muito elegante, que chega à casa e está cheia de mistérios. Diferente das outras, ela aparenta ser uma mulher extremamente inteligente e observadora. E é por isso que Diderot se apaixona por ela e permite que ela conheça o seu esconderijo, o local onde ele está imprimindo a Enciclopédia. É ela que levanta certos questionamentos sobre cultura, moral e prazer.

Ela sabe da a condição do seu sexo, do contexto do seu gênero, mas não se rebaixa aos homens. Ela só transa quando e como quer. E, em uma das discussões mais sensacionais, discute o aborto.  Olha só o que ela diz à Diderot: “Você culpa a mulher que faz um aborto. Você culpa a mulher que se livra de uma criança indesejada. Uma mulher que não tem tempo, nem família, nem dinheiro e que acidentalmente fez um filho. Que odeia o homem que, em devidas circunstâncias, colocou esse filho no seu corpo. Mesmo quando a barriga dela só guarda más recordações. Você é igual aos padres que critica.”

Que bom te ver viva

“Lição de cadeia fica e muito mais fica a mancha que a cadeia deixa na vida do homem“

Que bom te ver Viva, Irene RavacheAdoro esse título e adoro a concepção desse filme. “Que bom te ver viva” é um documentário brasileiro, dirigido por Lúcia Murat e lançado em 1989. Vinte e seis anos depois, os relatos contidos no filme continuam assustadores e atuais. De fato, “Lembrar é resistir”.  Sabemos que a ditadura e os seus “frutos” não podem e não devem ser esquecidos – nem pela nossa geração, nem pela geração futura.

Murat reuniu um grupo de mulheres militantes, que entre o fim dos anos 1960 e o início dos anos 1970 foram presas e torturadas. Neste entrelaçar de histórias e vozes narrativas, aparece Irene Ravache que encarna vários personagens fictícios e dramatiza alguns acontecimentos. Mescla a ficção e a realidade, por exemplo, com a história da própria diretora. (Particularmente, não gostei muito da dramatização da Irene Ravache. Não dela, é claro. Mas acho que a parte fictícia ficou sem sintonia com os depoimentos, além disso, me pareceu agressivo demais).

A perspectiva feminina da ditadura é chocante e ao mesmo tempo interessante. Ver a força daquelas mulheres, todas visivelmente traumatizadas, é se dar conta de que ainda há muita obscuridade na história do Brasil a ser revelada. Essa bagagem violenta e essa memória dolorosa são algumas, das tantas bandeiras, a serem levantadas. A noção do corpo, da liberdade, dos valores familiares e da vida parecem que pulsam a cada história narrada.

Me impressiona a história daquela senhora que descobriu-se grávida quando presa e que deu a luz dentro da cadeia – e, posteriormente, teve a notícia de que seu companheiro havias ido assassinado. Imagine o terror, a sensação de desproteção, a humilhação. Fora os inúmeros relatos de abuso sexual, moral e psicológico. Outra história também me chama atenção, a da médica que se viu obrigada a delatar os amigos e depois, quando solta, sofreu sanções dos companheiros…

Os pecados do meu pai

Pablo Escobar-Pecados do meu pai

Eu encontrei esse documentário por acidente e até hoje fico impressionada, me lembrando da história. Já tinha escutado falar no nome de “Pablo Escobar”, mas não sabia muito bem de quem se tratava. Pablo Escobar foi o maior e mais influente traficante de drogas da história e, na década de 1980, chegou a ser considerado o homem mais rico do mundo – lucrava cerca de 30 bilhões de dólares por ano. Neste documentário, seu filho Juan Pablo, conta como foi viver e crescer nesse mundo repleto de ódio, violência, ambição e luxo.

O estranho é que esse filme é tão belo, mas ao mesmo tempo tão doloroso. Juan Pablo, que após a captura do pai, teve que fugir com a mãe para a Argentina e mudar de nome, ainda hoje pede desculpas pelos crimes cometidos pelo pai. É que Escobar, além de muito rico e poderoso, era um homem sem piedade. Foi responsável por assassinatos brutais e perseguições políticas. Ao mesmo tempo, Escobar parecia ser um bom pai. Protegia a família e a mulher de uma maneira exemplar.

É quase surreal a quantidade de dinheiro que tinham. A família de Pablo esbanjava uma mansão com zoológico particular e com pinturas mundialmente clássicas. A ideia é quase controversa quando se pensa que ele, ao fim da vida, morreu encurralado pela polícia num bairro de classe média em Medelín. Lembro-me muito de uma cena, onde Juan Pablo fala que eles estavam em uma casa, cercados de dinheiro por todo o lado… mas que estavam morrendo de fome porque não podiam nem ir ao mercado para comprar comida com medo de serem mortos.

Outro detalhe muito interessante é que Pablo Escobar foi responsável pelo assassinato de três candidatos a presidência na Colômbia. Ele almejava ser presidente e não pensou duas vezes ao aniquilar seus adversários. Nicolás Entel, o diretor do documentário, promove o encontro de Juan Pablo com os filhos dos ‘candidatos assassinados. Um momento muito triste e, ao mesmo tempo, de muita ternura.

Meu caso de amor com Oito Mulheres

8-women-toutesRever “Oito Mulheres” é relembrar os meus quinze anos, da minha antiga rotina de sair do colégio e ir direto para a locadora e ficar horas escolhendo filmes para levar para casa. Da época em que eu ficava cantando as músicas do filme na sala de aula, e fingindo falar francês… É, eu tenho uma antiga história de amor com Oito Mulheres, do Ozon. Foi ele que me apresentou ao cinema francês e às que, ainda hoje, estão as minhas atrizes favoritas: Catherine Deneuve, Isabelle Huppert e Fanny Ardant.

2002, 8 FEMMES / 8 WOMENComentei, numa publicação recente, que um antigo vício voltou com tudo. Esse vício se chama Fanny Ardant. Acho que não só por causa da visita da Jéssica, mas também por causa da exposição do François Truffaut que vimos no Museu de Imagem e Som (MIS), aqui em São Paulo. É como se eu tivesse levado um tapa, um choque…. como se a ficha tivesse caído e finalmente eu tivesse convencido que ainda falta muitos filmes da Fanny para assistir  – e que ainda me falta muito de cinema para conhecer e estudar. Talvez o meu problema seja ser tão viciada… eu sou como aquelas crianças que assistem o mesmo filme dez vezes, que nunca se cansam. Com Oito Mulheres foi assim, essa semana já assisti duas vezes.

Já escrevi sobre esse filme por aqui, o texto é uma reprodução de um trabalho acadêmico que fiz quando ainda estudava Jornalismo. O professor tinha pedido para escrever um artigo relacionando um assunto a escolha ao livro “O que é Semiótica” da Lúcia Santaella. Então escolhi Oito Mulheres…

Mas é que, rever esse filme é despertar uma antiga admiração, é lembrar de um tempo bom e de ganhar novas perspectivas. Para quem nunca viu o filme, uma breve sinopse: Oito Mulheres estão presas em uma mansão por causa de uma tempestade de neve. Nesse meio tempo acontece um assassinato e todas elas são suspeitas. Enquanto confinadas, elas são levadas à revelar seus segredos obscuros. O filme foi produzido em 2002 e é baseado em uma peça escrita por Robert Thomas.

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Quando você revê o filme, você finalmente entende todas aquelas trocas de olhares e sabe localizar tudo o que não é dito explicitamente. Aquela tensão entre elas, a disputa, o mistério, a década…. que delícia de filme. E as personagens, cada uma em sua complexidade entram em conflito pela diferença de idade, de cultura, de classe social, de orientação sexual. É impossível não ficar vidrado nessa mistura e nesse jogo de interesses.

Vi uma entrevista ontem em que o Ozon (na época com 34 anos), disse que se sentiu extremamente pressionado porque estava trabalhando com grandes nomes do cinema e que existiam algumas brigas de ego nos bastidores, por isso, ele precisou de ter muito cuidado ao selecionar cada cena, sem privilegiar ninguém.

Fanny e Deneuve juntas, meu Deus, é muito para o meu pequeno coração. Elas sãotumblr_mcrnkrev8a1rxvqfko1_1280 majestosas e é difícil escolher para quem olhar. No fundo eu acho que a Deneuve é mais bela, mas a Fanny é mais sensual. Não sei explicar… E Huppert, caramba! Como ela está engraçada nesse filme, nem parece com a “rainha do gelo” que estamos acostumados a ver em tela… e a Danielle Darrieux, AH! ❤ (preciso assistir mais filmes dela também, tem o tão famosos Cinco Dedos, que eu nunca vi!).

Os Belos dias

Passei a madrugada assistindo aos filmes da Fanny Ardant, foram quatro… assim, de uma vez! Fui dormir às 6 horas da manhã, com o dia amanhecendo e a luz invadindo o meu quarto. Meu Deus, que fissura que eu estou! Eu já havia comentado sobre dois deles por aqui, “Oito Mulheres” e “Nathalie X” – e se você quiser ler as publicações, é só clicar no link. Também assisti “De repente num domingo” e…

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Os Belos Dias: Primeiro eu gostaria de deixar claro que a Fanny é aquele tipo de mulher que quanto mais envelhece, mais bonita fica. É impressionante. Difícil acreditar que nesse filme ela ostenta seus 66 anos com tanta leveza e sensualidade. Ontem também assisti uma entrevista dela no programa brasileiro Roda Viva, ela mantém essa pose de ‘mulher fatal’ a entrevista inteira, ela tem uma voz naturalmente grave e uma postura que deixa os jornalistas intimidados.

Bom, a trama de “Os Belos Dias” foi baseada no romance “Une jeune fille aux cheveux blancs’’ (Uma jovem mulher de cabelos brancos) de Fanny Chesne – que participou do filme como roteirista. Ardant interpreta Caroline, uma mulher na casa dos 60 anos, recém aposentada, casada e com filhos. Tentando sobreviver a tristeza de ter perdido uma amiga e ao ócio da aposentadoria, ela se inscreve em um clube de idosos.  De uma maneira linda e espontânea, Caroline acaba se envolvendo com um dos professores do clube e entra em um conflito já que ela é casada e ele é quase trinta a anos mais novo.

OS BELOS DIAS

De alguma maneira, “Os Belos Dias” me lembra o filme chileno “Glória”, protagonizado pela Paulina Garcia. Os dois retratam o envelhecimento feminino com respeito e leveza. Pra falar a verdade, é até engraçado ver a Fanny em certas situações, aquela cena em que ela faz aula de computação e parece não entender o funcionamento da internet, é uma delícia. “Minhas filhas riem de mim quando peço que elas me ensinem a mexer no computador. Queria ver como elas se sairiam na nossa época, ter que usar o fax, estacionar o carro sem direção hidráulica…”

Além de clássica, ela está muito sensual… É encantadora a maneira em que ela consegue mesclar “a mãe de família” e a “mulher predadora”. Me pareceu que Caroline, na altura dos seus 60 anos, estava disposta a viver uma aventura. A se permitir a errar, depois de fazer tudo tão certo. A questão central deixa de ser a idade do amante, ainda que é uma problemática interessante, e passa a ser a releitura de uma velhice que ainda possui uma chama de juventude. É o envelhecer com dignidade. 

A diretora, Marion Vernoux, também conseguiu mostrar com tanta sensibilidade a perspectiva do marido. Difícil não se sentir tocado quando ele começa a perceber as escapadas da esposa e permite que ela se aventure. Não antes de tentar reconquistá-la….


Nathalie X

nathalie_x_posterSou apaixonada com a Fanny Ardant, acho que ela e a Marisa Paredes possuem uma beleza muito semelhante – um charme que me remete à Joan Crawford também. É aquele elegância incontestável e um ar meio andrógeno e sensual. Na última semana, com a visita da Jéssica, conversamos sobre cinema, e a Fanny entrou em pauta. Ficamos relembrando alguns filmes dela… me toquei que escrevi muito pouco sobre ela por aqui, que nem comentei sobre sobre “Nathalie X”, um filme produzido em 2004 e dirigido por Anne Fontaine, do qual ela participa – e que eu adoro!

Lembram de “O Preço da Traição”, protagonizado pela Julianne Moore, Amanda Seyfried e pelo  Liam Neeson? Pois é, “O Preço da Traição” é uma refilmagem de Nathalie X, mas diferente do primeiro, é muito mais “sexual” do que “sensual” – se é que posso usar esses termos, quero dizer, a versão americana é mais explícita… No caso, na versão francesa, os protagonistas são Fanny Ardant, Emmanuelle Béart e Gérard Depardieu – e existe um suspense muito maior e as pequenas dicas são dadas pelas entrelinhas.

Bom… a trama conta a história de Catherine (Ardant) e Bernard (Depardieu), casados há18366724.jpg-r_640_600-b_1_D6D6D6-f_jpg-q_x-xxyxx 25 anos e com uma vida “perfeita”. Tão perfeita que ficou monótona e sem graça. Um dia Catherine descobre que Bernard está tendo um caso e, decepcionada, contrata uma prostituta para seduzir seu marido e descobrir suas preferências sexuais. No fundo, me parece que a Catherine entrou em crise porque julgava conhecer o marido muito bem…

Ao longo da investigação, Nathalie começa a ter encontros secretos com Catherine para lhe contar detalhadamente as confissões de Bernard e o que faziam. As duas criam uma confusa relação de dependência e desconfiança…

filmes_4186_Nathalie06Nathalie X é um filme obscuro, e muito enigmático. A Emmanuelle Beart está tão misteriosa! Ao mesmo tempo ela transparece uma timidez e uma segurança absurda, difícil não ficar vidrado. Ah! E ela e Fanny possuem um química invejável. É engraçado porque a gente meio que “desconfia”do que se passa, no fundo a gente sabe que as duas possuem uma atração mútua. Mas nada disso é dito, nada disso é explícito… a gente meio que se sente um voyer.

Nathaliex

Stelinha

Mesmo que os cantores sejam falsos como eu
Serão bonitas, não importa
São bonitas as canções
Mesmo miseráveis os poetas
Os seus versos serão bons


stelinha.0Sempre achei a Esther Goes linda, ela tem a beleza que me remete às atrizes da época do cinema clássico… e aquela pinta abaixo dos olhos é um charme a mais. Há tanto tempo queria escrever sobre esse filme, fiz inúmeros rascunhos e os perdi… mas, finalmente, me animei a reescrever.

Assisti Stelinha numa noite de ócio; zapeando pela TV fui parar no Canal Brasil. Já falei que amo aquele canal e que sinto uma falta danada de ver televisão? Pois é… E lá estava Esther, linda… e bêbada, contracenando com um jovem e tímido Marcos Palmeira. Aliás, “Stelinha” foi dirigido por Miguel Faria Jr., roteirizado por Rubem Fonseca e trouxe fortes nomes no elenco, entre eles: Ana Beatriz Nogueira, Lília Cabral e Pedro Cardoso. Nas cenas, Esther dubla algumas músicas cantadas por Adriana Calcanhoto.

Eu gosto muito do cinema nacional, gosto mesmo. Me decepciono com mutos filmes e tenho boas surpresas com outros. Stelinha foi uma boa surpresa, um filme melancólico, daqueles que dá vontade de rever, de ficar vidrado. Pra falar a verdade a trama é semelhante àquelas que já vimos em muitos filmes (e que já acompanhamos na vida real). Uma cantora faz um sucesso estrondoso quando jovem, depois cai no amargo e solitário esquecimento. Esse filme me lembra Crepúsculo dos Deuses, sabe?

O fato é que o filme inicia com a cantora já decadente, alcoólatra, endividada e imersaStelinha em um louco mundo de sexo sem compromisso. Daí ela é encontrada por um jovem produtor, Eurico, que é seu fã, e que se propõe a gravar um novo disco dela. Só que ela já está na lama, está no fundo do poço e não consegue se livrar do fracasso. Ao longo do tempo ela vai criando uma relação de dependência com Eurico e a comunicação entre os dois fica cada vez mais problemática, até porque pertencem a gerações diferentes e distintas percepções sobre música.

O fim de Stelinha não poderia ser mais degradante, em uma das cenas finais ela se propõe a fazer sexo com três estranhos em troca de cigarro… “Quero gozar fumando”.