a dor de amor em ‘a mulher do lado’

A mulher do lado
La femme d’a cote, por Paula Bonet

provavelmente eu não saberia responder o que é sofrer por amor, o que é essa dor que tantos artistas retratam em suas obras, essa dor que leva os amantes a loucura. Truffaut me fez ver a dor de amor de uma maneira diferente, de uma forma mais bela, mais respeitosa e muito mais triste também. Satre diz que no amor, o amante quer ser “o mundo inteiro” para o amado. Agora, imagine amar sem ser correspondido. Mas não é qualquer amor… não, não! É aquele amor do qual não se consegue ficar longe, aquele amor que não sai da cabeça, aquele amor para a vida inteira. Afinal, amor é entrega, uma entrega espontânea e gratuita. Mathilde, que dor imensa! Que dor terrível…  Caída no jardim, com o rosto sobre as flores, sem conseguir se levantar, de tanto chorar, de tanta tristeza…. eu entendi, que a vida pode ser muito mais visceral que a morte. 

O mundo

Um homem da aldeia de Neguá, no litoral da Colômbia, conseguiu subir aos céus. Quando voltou, contou. Disse que tinha contemplado, lá do alto, a vida humana. E disse que somos um mar de fogueirinhas.
— O mundo é isso — revelou — Um montão de gente, um mar de fogueirinhas.
Cada pessoa brilha com luz própria entre todas as outras. Não existem duas fogueiras iguais. Existem fogueiras grandes e fogueiras pequenas e fogueiras de todas as cores. Existe gente de fogo sereno, que nem percebe o vento, e gente de fogo louco, que enche o ar de chispas. Alguns fogos, fogos bobos, não alumiam nem queimam; mas outros incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem pestanejar, e quem chegar perto pega fogo.

fogueira - mundo

Divã

obj_divaLi esse livro pela primeira vez quando estava no fim do ensino fundamental. Foi na época em que eu descobri que a biblioteca pública da minha cidade (que por sinal, ficava ao lado da minha escola), servia para mais coisas do que apenas fazer pesquisa escolares. É que eu comecei a ter autonomia de sair da escola e ir sozinha para casa, o que me permitiu dar pequenas escapadas. Depois, já na faculdade, o reli duas vezes… e ainda guardo boas recordações desse livro.

Na época eu me sentia como uma confidente da Mercedes, a personagem-narradora. Era como uma voyer, escutando as histórias que ela secretamente contava para o psicanalista. Eu, uma garota de quatorze anos, me sentia quase que como uma adulta que conversava com sua amiga de quarenta anos…

Bom, do muito que lembro do livro, acho que três aspectos foram marcantes:

Primeiro: O livro é beeeem melhor do que o filme (E, sim, eu também amo a Lília Cabral. Mas o filme é meio zuado, não é muito fiel ao livro e tem umas partes bem desnecessárias). Segundo: O estilo da narrativa é uma das coisas que mais me prenderam, já que a personagem principal dialoga com o psicanalista e é através das sessões em que vamos descobrindo o que se passa em sua vida. Terceiro: É um livro bem feminino, sensível, que levanta problemáticas do universo das mulheres e que nos faz pensar muito sobre nossas escolhas, sobre nosso cotidiano. E é claro que nem por isso deixa de ser indicado aos homens.


“Perigoso é a gente se aprisionar no que nos ensinaram como certo e nunca mais se libertar, correndo o risco de não saber mais viver sem um manual de instrução.”


Sinopse: Divã conta a história de Mercedes, uma mulher de 40 anos, moderna, inteligente, pragmática, divertida, super-feminina, casada, com dois filhos, com a vida estabilizada – que procura um psicanalista. Para Mercedes, a consulta começa como uma curiosidade e acaba por tornar-se numa experiência envolvente que vai pôr a descoberto as facetas que ela mais reprime. No consultório descobre-se uma mulher ciumenta, insegura, que dramatiza por tudo e por nada. Descobrem-se, também, as memórias que guarda religiosamente: o primeiro namorado, a amiga, as mulheres dos amigos do marido ou a namorada do filho. Nesta aventura, Mercedes conta com o apoio da amiga Mônica e do marido desta, Gustavo.

Loucas noites de batom / Pédale Douce

“Loucas noites de batom” (Gabriel Aghion, 1996), conta a história Adrian – um executivo homossexual que é convidado para um jantar de negócios pelo chefe, Alexander. Com o intuito de passar uma boa imagem ele pede que sua amiga, Eva (Fanny Ardant), finja ser sua esposa. A situação foge do seu controle quando Alexander se apaixona por Eva, sem saber que ela, além de solteira, é proprietária de uma boate gay. Detalhe: Alexander é casado, e extremamente machista e preconceituoso.

Pedale DouceNão é uma história com um plot diferente daquele que já vimos milhões de vezes no cinema. Acho justa a comparação com “Gaiolas das Loucas”, já que retrata (também de uma forma bem humorada), a necessidade momentânea de um gay assumido, esconder sua sexualidade.  O que me fez gostar tanto de Pédale Douce e de ter o colocado na lista dos meus favoritos, foi a dinamicidade ao abordar assuntos complexos com tanta clareza e sinceridade, sem cair no ridículo ou explorar esteriótipos. Você consegue rir e se emocionar, ao mesmo tempo em que reflete sobre tabus que assombram a sociedade.

Existe uma grande discussão sobre gênero e sexualidade levantada nesse filme, que cutuca a ferida da família tradicional e debocha da heteronormatividade. Gosto, especialmente, da forma em que o filme retrata e brinca com o preconceito e mostra que quando se trata de sexualidade, não se deve taxar nada nem ninguém. Também gosto muito da sutileza e da transparência ao  abordar a AIDS, um tema que pode ser ainda mais doloroso, se não encarado com o devido respeito.

Pedale Douce Fanny Pra falar a verdade eu tinha me preparado para escrever um texto enorme. Revi recentemente uma entrevista que nos ajuda a lembrar sobre o quanto o machismo também é prejudicial aos gays. Agora eu acho que não cabe muito entrar em detalhes, mas devo lembrar que vivemos em um sistema que condena os “homens afeminados”, porque esperam deles uma postura que corresponda à noção que construímos sobre virilidade.


A INCRÍVEL   – EVA – 

No meio do jantar, confrontada por uma senhora com visões conservadoras sobre vários aspectos sociais, e principalmente, sobre sexualidade… Eva fala: “Detesto caçar, sou a favor da cirurgia plástica, sou militante a favor do aborto, adoro Picasso, odeio fanáticos e prefiro travestis a velhas chatas”. E foi assim, em apenas dez minutos de filme, que caí de joelhos… completamente apaixonada por Eva, que “ama a liberdade e o prazer”.

Um personagem engraçado, com posições tão honestas e bem definidas…  Gosto muito da imagem da Fanny nesse filme, que além de divertida, encosta novamente na questão de gênero. As vezes, em algumas cenas, ela está de peruca e não é difícil confundi-la com um travesti. Você percebe que ela se porta assim de propósito, exatamente para ser confundida. Ou então, sai por aí usando terno e gravata. Ela ama e defende os gays com unhas e dentes e está deliciosamente inteligente, sarcástica, ácida…

Fammy ARdant– Em 1997, Fanny recebeu o César de melhor atriz

sobre Divertida Mente – (e o direito de estar triste)

DIVERTIDAMENTEQue delícia de filme…

Divertidamente é uma animação da Pixar, lançado em 2015 e que foi um sucesso de crítica – especialmente porque conseguiu construir uma narrativa que dialoga com crianças e adultos. Basicamente, o filme conta sobre o conflito de emoções que se passa na cabeça de uma criança que acaba de se mudar de cidade. Longe da escola e dos amigos antigos, a pequena Riley teve um acesso de raiva e começa a se distanciar de seus pais. Mas, o que ela não sabe é que dentro da sua mente há uma enorme engenhoca que coordena todos os seus sentimentos e lembranças…

O cérebro de Riley é comandado pela alegria, que tenta fazer de tudo para que a menina não fique triste em momento algum. O problema é que lá está a Tristeza, contaminando as lembranças da garota e a deixando cada vez mais deprimida. A Alegria resolve mandar a Tristeza embora… e não imagina o grande problema que isso pode causar. 

Pixar - Divertidamente


De alguma forma me parece que vivemos em um tempo em que estar triste é vergonhoso. Não é difícil ver nas redes sociais a infinidade de pessoas felizes, lindas e perfeitas que estão no nosso grupo de amigos. Ninguém quer ser triste, ninguém quer parecer triste. Tristeza remete ao fracasso e ninguém quer ser perdedor. Então, reprimimos a tristeza, condenamos um sentimento que nos ajuda a dar equilíbrio na vida  e no dia-a-dia.

Isso me lembra um pouco da música “O vencedor”, dos Los Hermanos. Uma música que fala exatamente sobre o direito à tristeza, ao fracasso. Já ouviram? Enfim, se sentir triste… não se culpe.

“Olha lá, quem acha que perder é ser menor na vida. Olha lá, quem sempre quer vitória e perde a glória de chorar. Eu que já não quero mais ser um vencedor levo a vida devagar, pra não faltar amor!”

Tristeza - Divertidamente

Crimes do autor

Crimes do Autor“Crimes do Autor” é um filme que dividiu opiniões. Enquanto alguns o acharam arrastado demais, outros o acharam genial. Li muitas críticas antes de escrever a respeito. Particularmente adorei o tema e não senti nenhum comprometimento do desenvolvimento dos mistérios construídos  – e juro que gostei muito da história, independente da presença da Fanny Ardant. Não é um filme magnífico, mas não deixa a desejar por causa das pequenas derrapadas. Me agradou, especialmente, por causa da metalinguagem e por levantar o questionamento sobre a relação de confiança que se estabelece do leitor em relação ao autor.

judithralitzer10A trama confronta o espectador com três histórias paralelas e relacionadas entre sí e levanta uma série de segredos a serem solucionados. Um serial killer fugiu da cadeia, uma jovem acaba de brigar com seu noivo e uma escritora famosa lança um novo livro… Há um homem em comum em todas essas histórias e ele não está nem um pouco feliz com a situação em que se encontra…

O filme, dirigido por Claude Lelouch, aborda um tema muito familiar para quem trabalha com jornalismo…os ghostwriters (isso mesmo, escritores fantasmas). São aquelas pessoas que escrevem livros ou textos assinados por outra pessoa. Ardant encarna uma famosa escritora, Judith Ralitzer. Aqui ela é uma viúva negra, traiçoeira e sedutora… ela está detestável! (É muito bom vê-la encarnando três momentos distintos do mesmo personagem, cada momento a seu estilo particular).

Do outro lado está Pierre Laclos, interpretado por Dominique Pinon, um homem misterioso, que aparenta ser o que não é. E tem também a linda da Audrey Dana como Huguette, uma pseudo cabeleireira que trabalha em um salão luxuoso em Paris. O negócio é tentar descobrir quem matou quem e porque…

No site “50 anos de Filmes”, há uma curiosidade bem bacana sobre o título: “Como título de filme também pode ser cultura inútil, lá vai. Roman de gare, do título original, literalmente romance de ferroviária, é o termo que designa obras de distração, superficiais. O nome vem do fato de que se costuma comprar romances baratos para se ler durante as viagens de trem.”

Roman de Gare

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El año del dilúvio

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“Sempre tive medo da eternidade porque a imagino pouco propensa a reencontros”

Fanny ArdantEu jamais assistiria El Año del Dilúvio se a Fanny Ardant não estivesse nele. Provavelmente por causa sinopse simplista, que nos engana ao dizer que a história trata de uma arrebatadora paixão entre uma freira e rico fazendeiro. Vou confessar que, até o momento, esse é o filme mais bonito que já vi da Fanny, desde o início dessa maratona não programada. Comentei outrora no Twitter que esse foi um filme que não me fez derramar uma lágrima sequer, mas que me deixou imensamente inquieta e dolorida, pela história amarga e obscura dessa freira.

A trama, que se passa o fim da década 50, é baseada em um livro escrito por Eduardo Mendonza, publicado em 1992. Fanny interpreta Sor Consuelo, a madre superiora de um hospital que sobrevive à caridade e que atende especialmente idosos e deficientes mentais. Em busca de financiamento para a criação de um asilo, Sor Consuelo procura Augusto Aixelá (Dário Grandinetti), uma fazendeiro influente e rico que simboliza esperança para seus pacientes.

O clima de medo e insegurança, reflexo da Guerra Civil Espanhola, ronda os personagens o tempo todo. Assaltos, saques e revoltas, fazem com que as freiras fiquem confinadas no convento com medo de serem roubadas ou violentadas. Inclusive, como curiosidade, Sor Consuelo revela que nessa época as freiras já não obrigadas a rapar o cabelo porque se elas precisassem fugir, o cabelo seria um bom disfarce para que não fossem reconhecidas. Nesse “pueblo” existe um saqueador em especial, que amedronta toda a população…

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Acontece que Sor Consuelo é uma mulher extremamente forte, inteligente e rígida. Que acredita que possui controle sobre sua vida e sobre suas vontades. Ela luta contra o seu desejo, contra o amor que sente em relação ao fazendeiro e chega a pedir, encarecidamente, que seja confinada em um convento onde não possa falar com ninguém, nem sair para ver a luz do sol. Seu destino lhe impõe a necessidade de fazer uma escolha, entregar-se ou não a Augusto. O problema é que ao se entregar, ela renega seus valores, seus votos e tudo ao que até então acreditava.


 – Existem duas curiosidades muito interessantes nesse filme, uma é que a Fanny estava falando espanhol. Mas, como não era um bom espanhol, ela foi dublada por Mercedes Sampietro. Este é o segundo filme de Jaime Chavarri, e dizem as más línguas que ele ficou profundamente apaixonado pela Fanny.


O copo de água

copodaaguaEm uma entrevista, Fanny chamou atenção para um detalhe que parece pequeno, mas que carrega consigo uma enorme construção metafórica. Sempre ao chegar à fazenda, Augusto lhe oferecia água. E mesmo com um calor exaustivo, ela não aceitava. As visitas foram aumentando, ao ponto em que ela passou a sentar-se na mesa com ele e a tomar limonada.  É um indício de que a freira foi se corrompendo aos poucos. “As coisas na vida dela eram feitas a gosto de Deus, aos poucos ela foi abrindo os olhos não só para o amor, como também para a carne e para a sensualidade. Lembro que no princípio ela se nega a aceitar o copo de água. Ao longo do tempo ela se pergunta, “por que não?” Por que não beber água se estou com sede?


Existe uma sequência maravilhosa do filme, que faz a espinha gelar. É o momento em que Consuelo entende as consequências de sua escolha e percebe que mesmo tendo vivenciado uma paixão enlouquecedora, mesmo tendo traído seus votos e seus valores, seu destino é viver como freira. É conviver com o peso do hábito religioso, é renegar o seu lado sexual, é aceitar a sua condição…

Aliás, a trilha sonora desse filme é uma peça chave.

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Callas Forever

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Não sei nada da história da Maria Callas, infelizmente. Do pouco que sei, aprendi com o último filme da Fanny Ardant que assisti, dirigido por Zeffirelli. Ainda assim, assisti com um pé atrás porque sabia que se tratava de uma história fictícia criada pelo diretor, que era amigo íntimo de Callas. Bom, o filme possui muitas inspirações em fatos que realmente aconteceram, mas me pareceu uma versão muito romantizada.

920x920Callas Forever conta o fim da vida da que foi uma das maiores e mais reconhecidas cantoras de ópera do mundo. Mostra o momento em que ela estava em profunda depressão por causa da morte de Onassis, época em que sua voz já não era a mesma e em que ela se encontrava em um enorme conflito interno – não queria sair de casa, não queria ser vista e tinha decidido parar de cantar. Sua última apresentação no Japão, em 1974, foi o ápice do seu problema. Isso porque Callas exigia muito de sí mesma e como a sua voz já não tinha a qualidade que existia na juventude, sentia que tinha se humilhado publicamente.

Zeffirelli, ao tomar conhecimento da situação da amiga, sugere que ela volte aos palcos. Como ele sabe que seu maior temor é expor uma voz já desgastada, propõe a utilização de um procedimento que mescla audios gravados por Callas na juventude com a sua voz na “atualidade”. Depois de muita insistência Callas aceita a ideia e sente-se entusiasmada com a possibilidade de voltar a cantar. Mas, ao longo do trabalho, ela passa por um conflito de valores porque entende que utilizar esses procedimentos tecnologicos em sua voz não é honesto com seu público.

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Callas Forever é um filme grande, daquele bem produzido, bem ensaiado. Mas falta alguma coisa nele, mesmo com a Fanny em toda a sua dramaticidade, há um “quê” de artificialidade na história. Principalmente, no momento em que Callas decide voltar aos palcos e aventura-se a sair de casa. Também no personagem que Zeffirelli, interpretado por Jeremy Irons, criou sobre sí mesmo, me pareceu que ele colocou na boca do personagem tudo aquilo que não conseguiu falar com Callas na realidade. Em uma cena, por exemplo, Callas está reclusa em sua casa e Zeffirelli entra em seu quarto, a acorda e diz: “Quero que você saiba que possui muitos amigos para te apoiar. Eu sou um deles”.


kinopoisk.ru
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Minha gente, o que dizer sobre a Fanny neste filme?

  1. ELA ESTÁ LINDA!
  2. A carga dramática da situação da personagem, não impediu que Fanny mostrasse seu brilho. De alguma forma você percebe que ela, como atriz, está muito satisfeita ao interpretar o papel.  Aquele enorme sorriso, e um olhar que não deixa mentir. Fanny parecia em êxtase.
  3. E ela como Carmen, encarnando a cigana esfaqueada em praça pública… JESUS!

Antes de assistir o filme, eu fiz uma pequena pesquisa na internet e encontrei um artigo muito legal de autoria da Sônia Pedroza, pela UFRJ. Eu devo ter o lido umas três vezes e achei muito legal a relação que ela estabelece entre o filme e uma discussão presente na Escola de Frankfurt, especialmente ligada à Adorno e Walter Benjamin (arte x indústria). Para ter acesso, clique aqui.