Fui de terno no casamento da minha melhor amiga, terno masculino. E eu já sabia que isso iria dar muito o que falar, afinal, não vivo em Hollywood e meu nome não é Diane Keaton nem Ellen Degeneres. Fugindo um pouco da convenção social e muito grata pelo entendimento da noiva e do noivo pela minha escolha, fiquei impressionada com o fato de isso ter chamado atenção (negativamente e positivamente). Aqui em São Paulo, por felicidade, já me esbarrei em várias mulheres de terno – e gravata. Acho lindo e se pudesse, me vestiria assim mais vezes. Mas, o casamento não foi em São Paulo… foi em uma cidade pequena, de Minas Gerais e por sinal… conservadora.
Acho que escolhi o terno pensando um pouco em Frida Kahlo, em Marlene Dietrich, em Milena Canonero. Entende? Naquele glamour e beleza que elas passam… Também pensei em Julie Andrews e Daniela Romo em Victor ou Victoria. Quero dizer, elas estão de terno e não deixam de ser sensacionais! Ah, também pensei na Glenn Close em Albert Nobs.


Bom… o fato é que o terno, quero dizer… o fato de uma mulher usar um terno masculino, incomoda porque toca diretamente na construção de gênero pela indumentária, no estereótipo. Este, aliás, é o tema de um artigo escrito por Davi Sombra Montenegro, que pode ser encontrado facilmente nos sites de busca. E logo nas primeiras páginas, ele analisa a distinção de gênero por causa das roupas:
“Desde criança nos condicionados a acreditar que calças são para meninos e saias são exclusivas para meninas. Os extravagantes trajes usados por reis como Luis XIV não podem ser cogitados por um homem do século XXI. A diferenciação entre a indumentária masculina e feminina não era prioridade até a Idade Medieval. Dos egípcios aos gregos, ela não sofria grandes alterações quanto ao sexo. Foi do início da Idade Média até o seu final, que podemos perceber diferenciações entre os trajes dos homens e os trajes das mulheres.”
O fato é que o que eu me arrisco a chamar de “moda andrógina” não é uma novidade… Aliás, o estilo “boyish” e “tomboy” está mais do que estourado por aí.
