Quando o amor acaba…

“De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma…”

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Me pergunto sobre o fim do amor, sobre o fim da paixão. Do momento em que o toque já não provoca nenhum estímulo, ou que as palavras de carinho já não possuem mais sentido.  Daquela situação horrível, em que seu companheiro de muitos anos se torna um estranho. Porque amores existem e acabam. Não todos, é claro. Mas os que acabam me parecem tão tristes… É como uma violência silenciosa, que joga os sonhos, os planos e projetos pela janela. Aqueles projetos que você demorou a construir e gastou horas em cada detalhe.  E gastou a vida também (ou parte dela). Porque um relacionamento, seja amoroso ou não, depende de uma entrega e de uma dedicação linda e absurda, da qual eu confesso que não sei se seria capaz. É assim que eu imagino um casamento de quarenta anos, o compartilhar da mesma cama, a escolha do nome dos filhos, os momentos de aperto financeiro, a velhice. Amar é abrir mão do próprio espaço, é deixar de pensar em sí mesmo para pensar no outro. Não imagino castigo pior do que viver preso a quem não se ama – seja por escolha ou necessidade. Por isso, concordo plenamente quando dizem que a liberdade é o bem mais precioso do ser humano…

Nada é mais valioso do que poder ir quando não há mais nenhum motivo para ficar.