A louca da casa

Há um mês atrás eu estava decidida a deletar este blog. Uma ideia que já estava rondando a minha cabeça há muito tempo e que, no fim do ano passado, se tornou algo definitivo. Era para ser hoje, eu ia apagar este blog no fim da primeira semana de 2015, logo depois do meu aniversário. As coisas são engraçadas, a vida me leva a acreditar que existe algo – muito além de nós mesmos – que nos faz prosseguir ou que nos impede de tomar certas atitudes.

A louca da Casa

Todos os dias, antes de ir embora do serviço, passo em frente a uma banca de revistas… Como de costume, gosto de olhar os livros que ficam à venda na prateleira debaixo. Na última terça-feira fiz o mesmo, e ao olhá-los me deparei com “A louca da casa”, da Rosa Montero. O livro que uma querida amiga, jornalista e escritora, havia me indicado quando eu ainda estava na faculdade. Ela dizia: “Você precisa ler!” Quando a encontrava nos corredores, lá estava ela… imersa em uma leitura que a fazia sentar em um corredor movimentado e barulhento, como se estivesse em seu próprio quarto, iluminado e silencioso.

Rosa Montero Não pude deixar de compra-lo e no dia seguinte já estava o devorando. Mas dessa vez, algo diferente aconteceu, algo certeiro… Era como se Rosa Montero estivesse escrevendo para mim e falando, através da sua narrativa deliciosamente objetiva, que não é hora de deletar o blog. Bom… eu já mencionei o quanto gosto dessa autora, mesmo tendo lido apenas um de seus livros. Rosa escreve como ninguém, tem uma narrativa invejável.

É claro, ela não escreve para mim… mas especialmente para todas as pessoas que gostam de escrever. Mais, para as pessoas que sentem a necessidade de escrever.  Através de metáforas, de  exemplos de escritores reconhecidos mundialmente e da sua própria história, Montero cria um ensaio sobre o que é ser escritor (profissionais ou não). Ela fala sobre os medos, anseios de quem escreve. Relata sobre a covardia que é comum nos escritores, que em meio a um mar de informações e sensações, simplesmente desiste. Ela clama para que os escritores não desistam, para que não abandonem seus sonhos, seus desejos, seus textos…

Cada capítulo é um deleite, mas gosto especialmente daquele em que ela fala sobre a sua obsessão por anões. E confessa, que inconscientemente, eles passaram a figurar os seus livros. Para ela, os anões lhe inspiram carinho, respeito, encanto e ao mesmo tempo, medo.

Enfim… eis um livro para quem gosta de escrever ou para quem deseja se aventurar a escrever. E, claro.. para quem gosta de ler. Termino essa publicação, com uma  das citações que mais gosto:

“Para mim o famoso compromisso do escritor não consiste em engajar suas obras a favor de uma causa – o utilitarismo panfletário é a traição máxima do ofício, a literatura é um caminho de conhecimento que precisamos percorrer carregados de perguntas e não de respostas – e sim, em permanecer sempre alerta contra o senso comum, contra o preconceito próprio, contra todas as ideias herdadas e não questionadas que se infiltram insidiosamente como o chumbo, más ideias ruins, que induzem à preguiça intelectual. Para mim, escrever é uma maneira de pensar, e deve ser o pensamento mais limpo, mais livre e mais rigoroso possível.”