Thammy – nadando contra a corrente

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Estava ansiosa por ler este livro, mas me decepcionei um pouco… Esperava por uma narrativa mais reflexiva e menos documental. Acho que a vida do Thammy (e todas as dificuldades que enfrentou para viver sua sexualidade plenamente) pode servir de exemplo, ensinamento e inspiração pra muita gente. A narrativa é descomplicada e escrita em terceira, foi baseada em entrevistas e depoimentos de figuras próximas à ele. Muito de sua história está diretamente ligada à Gretchen e é difícil não ficar curioso quanto a relação dos dois, especialmente sobre as problemáticas oriundas da sexualidade do filho e da fama da mãe. Também se fala bastante sobre a juventude de Thammy, de suas histórias escolares, do apelo da mídia, das relações com os irmãos e com o pai.

Sobre à sexualidade dele, é muito interessante como tudo se deu naturalmente. O livro conta que desde pequeno ele já tinha um comportamento masculino e que a bomba estourou quando ele tinha 16 anos quando se apaixonou por uma produtora da mãe. De início se dizia-se (ou considerava-se) homossexual e só depois, conseguiu assumir a transexualidade. Além da vida cercada alguns luxos (como motoristas particulares, viagens ao exterior ou passeios à casa da praia), o livro se centra muito na ausência da mãe, que sempre teve uma vida profissional atribulada. Com todas as polêmicas que Thammy se envolveu, sinto que ele tem um carisma muito forte, assim como a Gretchen (que, sinceramente, adoro!). Das entrevistas que vi ou li dele, só me incomoda um pouco uns resquícios machistas…

my name is Gretchen, nobody knows me

gretApesar de ser, tantas vezes, motivo de piada na internet, Gretchen me parece quele tipo de artista que agrada imensamente o público. É uma querida É aquela personalidade que está nos holofotes há tanto tempo, que passa a circular no imaginário coletivo. O público se apropria da imagem, recria a mensagem e a adere em outras plataformas, como o que acontece nas redes sociais. Mesmo com todas as polêmicas envolvendo seus vídeos pornôs, seus diversos casamentos e a sexualidade da filha, o esteriótipo sobre a velhice feminina e etc, ela continua nos noticiários, nos programas de TV.

gretchen2Acho que é um tiro no pé o fato de ela se incomodar tanto com os comentários que o publico profere na internet. De fato, são impiedosos, grosseiros… até porque, já se sabe que quem comete esse tipo de injúria pela internet, ou cyberbyllying, é encorajado pelo fato de ainda não existir uma legislação muito específica para a rede e pelo fato da difícil identificação. Através das telas e das redes, as pessoas são muito mais agressivas, escrevem da forma que não possuem coragem de falar pessoalmente. Se a Gretchen fosse um pouco mais esperta, ou se tivesse um social media bem informado do lado, ela saberia tirar proveito disso. E tenham certeza, ganharia dinheiro. Porque nome ela já tem… ela já é o evento.

Ela é muito mais legal do que parece…

get

Acabo de assistir o documentário sobre ela, produzido por Eliane Brum  e Paschoal Samora em 2010. O filme “Gretchen, na estrada” é mais do que um trabalho biográfico, é também um retrato político de um Brasil esquecido e alienado. Brum documenta a candidatura de Gretchen à prefeitura da Ilha de Itamaracá, Pernambuco, pela coligação PPS-PV. Ao mesmo, retrata o fim da carreira da cantora, que decide se aposentar dos palcos.

Há um grande trabalho metafórico entre as apresentações de Gretchen em circos e o cenário político da cidade. Afinal, não é disso que o povo gosta? “Pão e Circo”. No filme fica evidente que Gretchen é daquele tipo de pessoa que não tem medo de trabalhar, que não tem medo de ir e se misturar na massa. (Particularmente, gosto disso). Ao mesmo tempo há a dualidade entre o discurso e o jogo de interesses. Vai me dizer que no poder, ela não iria se beneficiar?

2Me chamou atenção o voto de cabresto, a cena em que uma mulher vai atrás da Gretchen para pedir R$35 para comprar um botijão de gás.Também a dificuldade de se montar um equipe de militância que faça isso por ideologia. Eles até levantam a sua bandeira, mas querem no mínimo um lanche. Em suma, achei a primeira candidata à vice-prefeitura muito esclarecida, com uma belíssima capacidade oral, gostei muito do que ela fala sobre política, sobre jogos de interesse. Confesso que quase cheguei a acreditar em tudo o que ela dizia, até metade do filme, em que Gretchen a expulsa e ela muda de partido…

Acabei de assistir o filme gostando mais da Gretchen, a imagem dela me remeteu à Gloria Swason em Crepúsculo dos Deuses. Decadente sim, mas com cabeça em pé… e pronta para o close up!