Tragam-me a cabeça de Alfredo Garcia

Dizem que Sam Peckinpah é o poeta da violência. Conhecido como o ‘pai’ de Quentin Tarantino, Peckinpah é responsável por grandes filmes do cinema americano como Sob o domínio do medo e Meu ódio será tua herança. ‘Tragam-me a cabeça de Alfredo Garcia‘ foi produzido em 1974 em uma época em que Peckinpah enfrentava dificuldades financeiras e estava decepcionado com o fracasso do filme que produzira anteriormente (Pat Garrett & Billy the Kid).

Filmado no México e repleto de humor negro e sadismo, o filme conta a história de um fazendeiro conhecido como El Jefe que descobre que sua filha ficou grávida e foi abandonada. Ele contrata assassinos americanos e oferece uma recompensa de um milhão de dólares para quem lhe trouxer a cabeça do homem (Alfredo Garcia) que a engravidou.

Os assassinos americanos fazem uma enorme busca, mas não conseguem encontrá-lo. Em uma boate na Cidade do México conhecem o pianista Bennie (Warren Oates) e fazem uma proposta: se ele trouxer a cabeça de Alfredo Garcia, ele receberá dez mil dólares. Bennie, que é apaixonado pela cantora da boate, Elita (Isela Vega), descobre que ela teve um caso com Garcia e a convence de ajudá-lo. Elita insiste que Garcia sofreu um acidente de carro e que esta morto. Bennie não se dá por vencido e viaja para a cidade onde ele foi enterrado.

Imagem– Esse é o primeiro filme de Peckinpah que assisto, tenho até outros dele gravados em DVD, mas preferi começar por Alfredo Garcia em virtude dos textos que li. Tive uma surpresa boa, muito boa aliás.  O filme é extremamente dinâmico e corajoso. Há um clima de decadência que envolve os personagens e ao mesmo tempo um charme e uma tensão sexual que exala deles.

Vários aspectos me chamaram atenção, a começar pela iluminação instável. Às vezes não se sabe se a cena se passa a noite ou de manhã, como na parte em que Bennie e Elita estão no cemitério a procura do corpo de Alfredo Garcia. Não acredito que esse aspecto tenha sido intencional, mas de alguma forma, influenciou diretamente na estética do filme.

Bennie, sem dúvidas, é o personagem mais interessante. Em entrevista, Oates afirmou que ele foi inspirado no próprio diretor. O pianista apresenta atitudes contrastantes, em vários momentos questiona seus valores, é violento e ao mesmo tempo dócil. Bennie consegue ser viril, grosseiro e romântico. Ele é fracassado, não consegue largar a bebida e a única saída que encontra para ser feliz ao lado da mulher que ama é aceitar um trabalho que o obriga a cometer diversas atrocidades.

Alfredo Garcia

E como Isela Vega está linda! Me surpreendi na cena em que Elita enfrenta seu estuprador.  Primeiro ela bate nele e ele revida, mas depois, há um momento de carinho, ela acaricia seu rosto e corresponde ao beijo! A cantora também coloca seus valores em questionamento quando não sabe se ajuda a Bennie a encontrar o corpo de Alfredo. Logo depois se transforma em uma femme fatale, ela admira a violência de Bennie e compartilha os mesmos desejos que os dele: “Eu quero o quarto mais caro do hotel!”

O brilhantismo de Peckinpah nesse filme é inquestionável, principalmente quando a gente se dá conta de que a ‘verdadeira’ violência só aparece nos momentos finais do longa onde há uma explosão de sangue e tiroteios. Mesmo assim ainda somos assombrados por cenas anteriores e igualmente fortes –  como a sequência do fazendeiro quebrando o braço da próprio filha que está grávida.

Lost Crossing

 Não tinha planejado essa publicação e também não queria remendar o último post que fiz sobre The Walking Dead, mas acabo de descobrir que a Melissa Mcbride me segue no Twitter e isso me deixou bastante entusiasmada. Como disse anteriormente, estou encantada pela atriz e por seus cabelos curtos. Em 2007, Melissa participou de um média-metragem chamado “Lost Crossing” – algo como: Viagem perdida ou Travessia perdida. O filme, produzido pela BlueLantern Films tem  trinta e três minutos e possui uma trama bem interessante.

Marie (Carrie-Rose Menocal) é uma menina de quinze anos que fugiu de casa. O ônibus em que se encontra quebra e ela se vê obrigada a esperar o concerto. Nesse meio tempo, a garota conhece outra passageira: Sheila (Mcbride) que sugere que as duas dividem um quarto de hotel até conseguirem seguir viagem. Inicialmente, elas constroem uma relação amistosa, até que Sheila revela um antigo segredo e começa a demonstrar um comportamento obsessivo.

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É estranho, mas esse pequeno filme de apenas trinta minutos me remeteu a tantas coisas, a tantas músicas, livros e personagens que eu acho que poderia ficar até amanhã escrevendo sobre ele. Primeiro porque a Melissa Mcbride está fantástica, ela carrega o filme nas costas e possui uma interpretação muito densa. Segundo porque o tema, apesar de uma rápida abordagem do filme, abre caminho para discussões mais profundas.

Marie e Sheila vão a um supermercado e um homem com quem tinham se desentendido anteriormente as ameaça. Sheila bate em si mesma e ele afirma: “Você é uma vadia louca!” e Sheila responde: “Eu te disse!”.  Há algo que nós é confidenciado nesse instante. Não só pela cena, pelo diálogo, mas pela trilha sonora. Depois de jogarem boliche, Sheila diz a Marie que compreende o porquê ela fugiu de casa e diz que passou pela mesma coisa, que sofreu abusos sexuais do pai quando tinha doze anos e que a mãe foi relapsa.

Quando Marie descobre um remédio controlado na bolsa de Sheila e percebe onde se meteu, ela tenta ir embora, mas já é tarde. E é aí que Melissa Mcbride se transforma (na cena seguinte em que Sheila não encontra seus remédios) ela aparece com os olhos manchados de maquiagem, com uma feição inquieta, assustadora. [Eu não sou nenhuma estudiosa de comportamentos ou de doenças mentais, mas acho que impressionante o preconceito – e a falta de conhecimento que existe sobre o tema.] Marie encontra uma foto antiga de Sheila com a filha e a imagem é até um pouco perturbadora: Onde está essa menina? O que aconteceu com ela?

Quando Sheila senta na cama e não consegue se mover, de tanto chorar, senti a aflição daquela mulher que tenta cuidar de uma criança, quando não consegue cuidar nem de si mesma. É como se ela se perguntasse: “O quê estou fazendo comigo”? Quem sou eu? Por que eu sou assim? ’ Depois eu fiquei me questionando, será que eu estou viajando demais? Isso se deu em apenas uma cena e a personagem sequer falou alguma coisa. Acabei me lembrando de um texto que li a poucos dias do Ricardo Costa onde ele diz o seguinte:

“Na narrativa, vazios e silêncios são signos, em elipse, de sentidos harmônicos. Fazem parte da música da imagem, mesmo quando se fala de cinema mudo. Há de fato silêncios que falam, tal como os vazios criados numa sequência de imagens. Neles vibram, como numa caixa de ressonância, sonoridades e sentidos de determinadas palavras, neles reverberam sinais e formas de certas imagens. Imagens ou palavras articuladas são o fio que nos conduz. Os silêncios que elas criam são o leito que nos embala. De uma maneira ou de outra, um filme é sempre quadro de melodia, filme mudo e partitura.”

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Sheila começa a se aproximar da garota e há algo até “sexual” entre elas, como se Sheila estivesse atraída pela menina. Marie promete não abandonar Sheila, mas assim que ela adormece a garota vai embora. Sheila se vê sozinha novamente e enquanto está sentada em uma estação, repara em uma pequena menininha. Sheila nunca vai parar. Ela se vê naquelas garotas, é como se fosse um reflexo do que ela foi quando pequena. Ao mesmo tempo ela tem um instinto, como se precisasse protegê-las, como se não pudesse ficar sozinha e provavelmente lembra da filha – que deve ter morrido ou algo do tipo.

A personagem de Melissa me lembrou muito, muito mesmo “Atração Fatal” e logo  me remeteu a Alex Forrest. No filme (de 1987) Glenn interpreta uma executiva emocionalmente desequilibrada que começa a ter um caso com um homem casado (interpretado por Michael Douglas) e que faz de tudo para participar da vida dele: custe o que custar. O que era para ser um caso extraconjugal qualquer acaba se tornando um pesadelo, Alex persegue a mulher do cara, sequestra a filha dele e provoca situações que se tornaram antológicas no cinema americano– Esse é um filme muito bacana e eu espero poder escrever sobre ele no LA AMORA  um dia.

Glenn Close

Sou apaixonada com esse filme e me lembro de ter assistido em um dos extras do DVD uma entrevista em que a Glenn Close dizia que não se sentiu a vontade com o final da personagem. Em principio, Alex cometeria suicídio, mas parece que a ideia não agradou ao público e ela acaba sendo assassinada. Na entrevista Glenn passa bastante tempo discutindo a possibilidade de  que Alex tenha sofrido abusos sexuais quando criança.

Glenn é praticamente uma militante e há muito anos luta contra os estigmas sobre as doenças mentais – ela possui uma fundação chamada “Bring Change 2 Mind”, participa de inúmeras palestras, projetos de incentivo à informação e tem como exemplo a própria família que durante gerações apresentaram doenças mentais como bipolaridade e esquizofrenia. (Leia mais sobre o trabalho dela nesse link: Nucleo Tavola)

Como disse, o filme me remeteu a outros personagens e esses três são especiais – ficam como dica para quem se interessou no assunto e gosta do tema:

* Louca Obsessão é outro clássico do cinema americano. Produzido em 1990, o filme – baseado em um livro de Stephen King – conta a história de Paul Sheldon, um escritor que sofre um acidente de carro e é socorrido pela enfermeira Annie (Kathy Bates) que diz ser sua fã numero um. Annie cuida de Paul e em agradecimento, ele permite que ela leia seu último livro (que se não me engano, ainda não tinha sido lançado) onde a personagem principal – e favorita de Annie – morre. A enfermeira vai a loucura, fica revoltada e tenta se vingar do escritor.

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* A professora de piano é um filme de 2000, dirigido por Michael Haneke – só pra constar, sou alucinada nele! A trama conta a historia de Erika Kohut (Isabelle Huppert) uma professora que trabalha no Conservatório de Viena. Ela possui um comportamento ortodoxo e aos quarenta anos, ainda vive com a mãe (Annie Girardot). Quando não está dando aulas, Érika gosta de frequentar cinemas pornôs e peep-shows. Ela conhece Walter Klemmer (Benoit Magimel) e acaba se relacionando com ele, mas o envolvimento dos dois sai do controle quando Erika começa a sugerir jogos sádicos e perversos.

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* Uma Rua Chamada Pecado: Clássico, clássico, clássico de 1951 – baseado na obra de  Tenesse Williams. O filme conta a história de Blanche Dubois  (Vivien Leigh), uma mulher neurótica que vai visitar a sua irmã grávida Stela (Kim Hunter) em Nova Orleans e acaba não se entendendo com o cunhado Stanley Kowalski (Marlon Brando), um homem com comportamento questionável e abusivo que lhe causa repulsa.  – Ok, esse resumo está pessimo, o filme é muito, MUITO mais do que isso!

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Bom, eu sei que eu me alonguei muito nessa publicação, mas não consegui resistir. O curta é muito interessante e por sorte, ele está disponível na internet. Deixo o link do vídeo de “Lost Crossing” abaixo:

Duas doses de Jamie Lee Curtis

Jamie Lee CurtissAproveitei o feriado e fui dormir bem tarde ontem. Vagando pela internet, encontrei uma foto da Jamie Lee Curtis no Tumblr que me fez rir sem parar. Não sei exatamente a história dela e não achei nada que falasse a respeito, mas a feição da atriz não era muito convidativa. Sabe, acho a Jamie Lee Curtis linda, cheia de personalidade e amo os cabelos grisalhos dela. Acabei revendo dois de seus filmes que AMO e que ilustram bem essa capacidade da atriz de se sair bem em qualquer gênero. Jamie, ao lado de Susan Sarandon, Helen Mirren, Jessica Lange, Judi Dench, Maggie Smith (e por aí vai…) completa a lista das minhas atrizes favoritas.

Nunca pesquisei a fundo sobre a vida dela e uma das únicas coisas que eu sei é que na década de 90 ela enfrentou sérios problemas em relação ao álcool – e que hoje está recuperada e fala abertamente sobre isso. Uma das cenas, que ao meu ver é inesquecível, é quando Jamie faz strip tease para Arnold Schwarzenegger em True Lies, um filme que foi um estouro em 91.

Jamie Lee Curtis nasceu em 22 de novembro de 1958, é filha de Tony Curtis e Janet Leigh (isso mesmo, a atriz de Psicose). Curtis atuou em grandes filmes como “Meu primeiro amor”, “Halloween”, “Um peixe chamado Wanda” e “ A morte convida para dançar”.

 Sexta-Feira Muito Louca (Freak Friday – 2003)

É engraçado como as coisas mudam tão rápido. Eu me lembro perfeitamente da época em que esse filme foi lançado, de quando eu saia da escola e corria para locá-lo.  Eu nunca me dei conta disso, mas agora que eu parei para pensar bem, a Lindsay Lohan foi um dos meus ídolos “teens”. Naquela época não era difícil gostar dela… era bonita, descolada e fazia filmes bem divertidos. Lohan não era nem sombra do que é hoje, não existiam boatos sobre as drogas, nem sobre esse comportamento assustador que a assolou nos últimos tempos. Fiquei olhando algumas fotos recentes dela no Google e esbarrei em uma onde ela aparece com os dentes podres e com a mão suja de esmalte – eu nunca dei muita atenção às notícias que a envolviam e fiquei um pouco chocada. Não sei, mas me deu um pouco de pena dela…

Mas enfim, “Sexta-feira muito louca” possui um argumento muito interessante e que já foi revisitado diversas vezes pelo cinema. Produzido por Andrew Gunn e dirigido por Mark S. Waters, o filme conta a história de Tess e Anna Coleman, mãe e filha, que não estão se dando bem.  Tess é uma psiquiatra de sucesso que esta atolada de trabalho e pretende se casar novamente. Anna, é uma jovem estudante de quinze anos que possui uma banda de rock e enfrenta algumas problemas na escola. Tess não compreende a importância da música na vida da filha e não permite que ela namore, Anna não apoia o segundo casamento da mãe e não se cansa de afirmar que Tess está “arruinando a sua vida”.

A família se reúne para jantar em um restaurante chinês e após receberem biscoitos da sorte com mensagens idênticas, Anna e Tess trocam de corpo. Com medo de serem consideradas ‘loucas”, as duas mantêm o fato em segredo e fazem de tudo para voltar ao normal. O problema é que o casamento de Tess acontecerá em poucos dias e Anna irá participar de um importante concurso com a banda onde é a responsável pelo solo da guitarra.

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Lindsey e Jamie estão incríveis, revendo o filme ontem pude notar o quanto Jamie está confortável no papel e ri de sí mesma sem nenhum constrangimento. Não é difícil entender o porque esse tipo de filme é tão agradável, quem nunca se imaginou vivendo a vida de outra pessoa? Apesar de ser completamente surreal a ideia é interessante e – se tratando de cinema – já deu muito pano pra manga.

Há vários fatos interessantes que rondam “Sexta feira muito louca”. Um deles é que Kelly Osbourne foi convidada para viver o papel de Anna, fez alguns testes e depois desistiu. Jodie Foster foi convidada a interpretar Tess, mas também não aceitou (em 1976, Jodie atuou em “Um Dia Muito Louco” que trazia a mesma história, Jodie fazia o papel da filha e Barbara Harris era a mãe). Anteriormente o papel de Tess também foi negado pela atriz Annette Benning.

As imagens que aparecem no crédito do filme são fotos da Jamie Lee Curtis com a sua filha na vida real, Annie Guest. Na cena da guitarra, é Jamie está tocando de verdade! Quando Jamie Lee Curtis descobriu que Lindsay Lohan havia estrelado o remake de “Operação Cupido”, ela perguntou: “Qual das duas gêmeas você fez?”

Você de novo? (2010)

“You again” não foi muito bem recebido pela crítica, mas a gente não se importa com isso: um filme que traz Jamie e Sigourney Weaver como inimigas é no mínimo interessante. A trama se inicia em 2002, com Marni (interpretada por Kristen Bell) sendo perseguida por Joanna (Odette Yustman), a garota popular do colégio.  Os anos se passam e Marni – que se tornou uma executiva bem sucedida, volta para a casa dos pais para conhecer a noiva do irmão. Ironicamente, a noiva é Joanna e o reencontro das duas traz a tona uma antiga rivalidade. Para piorar a situação, a mãe da Marni (Jamie) e a tia da Joanna (Weaver) também possuem uma história de rivalidade desde os tempos do colégio. Tudo bem, os clichês estão aí: A nerd se torna uma mulher poderosa e financeiramente estável, que não tem sorte no amor nem uma família feliz. As ‘gostosonas’ acabam se casando e viram donas de casas que, apesar de não serem ricas, possuem uma família que as ama.

De fato, a história é um tanto quanto superficial, mas as cenas e as situações são divertidas. Ver Weaver e Jamie em disputa, dois grandes nomes do cinema americano, é muito engraçado. Pra completar, ainda temos a participação da gloriosa Betty White que interpreta a avó de Marni.  Eu diria que “You again” é uma releitura da antiga história do “patinho feio” ou do “nerd estranho”, mas com um desenvolvimento  ainda mais interessante já que mostra que as pessoas mudam, se arrependem e que, de alguma forma, seguem seu rumo. O filme foi dirigido por Andy Fickman e roteirizado por Moe Jelline.

You-Again-Movie

E agora? Me apaixonei por The Walking Dead!

Como disse na publicação anterior, comecei a assistir “The Walking Dead” há pouquíssimos dias e já estou na quarta temporada. Eu, que morro de medo de zumbis, fiquei apaixonada com a trama e assisti vários episódios em uma frequência absurda. Estou decepcionada com a terceira temporada de American Horror Story e acho que isso me deu brechas pra conhecer outros seriados. Já me falaram muito sobre TWD, tenho amigos apaixonadíssimos que, inclusive, já me emprestaram um livro sobre a produção – e que eu devolvi, sem ao menos ter lido.

Não precisa ir muito longe pra descobrir sobre o que se trata, mas em resumo (bem resumo mesmo), a série conta a história de um grupo de pessoas que sobreviveram a um apocalipse zumbi. Esse grupo, liderado pelo agente policial Rick Grimes, vaga pela cidade em busca de comida e de um lugar seguro onde possam se manter vivos. A quarta temporada está apenas começando, só lançaram cinco episódios até agora e o clima já está tenso.

Há uma dinamicidade muito grande, vários personagens, muita ação e muito, muito sangue. Admiro a maneira que estão conduzindo a série: um cuidado primoroso com o roteiro, com a ambientação, com o figurino e com a maquiagem. Além disso, a série tem uma trilha sonora maravilhosa. O que me encantou em TWD foi essa ausência de perfis maniqueístas (os escritores da Rede Globo deviam aprender isso de uma vez por todas). O que eu quero dizer é que todos os personagens apresentam atitudes contraditórias (mesmo o Rick ou o Governador – que começou bonzinho e hoje é o tão temido vilão).

The Walking Dead

TWD deu um espaço incrível para o crescimento dos personagens, só de pensar no Carl na primeira temporada e o que ele se tornou na quarta, sinto arrepios. Aos poucos a gente vai se acostumando com a “carnificina” e até se diverte com algumas situações, é admirável o humor negro e a genialidade com que é conduzido.  Uma das coisas que me incomodou foi a posição secundária das mulheres que, nas primeiras temporadas, eram as responsáveis por lavar as roupas e fazer a comida, não usavam armas e estavam sempre a mercê das decisões masculinas. Essa situação foi mudando aos poucos e na quarta temporada elas estão muito mais ativas e destemidas.

O argumento da série me remeteu ao livro de José Saramago: “Ensaio sobre a Cegueira” –  Os zumbis são a cegueira.  Sou apaixonada com esses segmentos que questiona, os valores humanos e as instituições sociais, que analisa a ascensão de líderes e que ironiza o declínio moralidade. Afinal, quem somos nós, longe dos muros que dividem as casas e do ambiente confortável dos nossos quartos? Quem somos nós sem a internet, sem as facilidades da vida moderna? E se as instituições não existissem? O que faríamos sem as escolas, os hospitais, o governo? O que faríamos se não existisse o poder de polícia? Quem seríamos se estivéssemos em um mundo onde a lei principal é: “Viver, matar ou morrer”?

Melissa Mcbride e seus cabelos brancos

Só pra constar, essa publicação era pra ser uma pequena notinha e acabou se tornando um texto deste tamanho.  Além do argumento e de todas as coisas que eu disse aí acima, também fiquei interessada por Melissa Mcbride. Eu e meu primo passamos um dia conversando sobre a série e ele não media as palavras ao falar da “Tia Fodona do Cabelo Branco” que tanto amava. Comentei que cheguei a assistir um episódio onde uma mulher grisalha cortava a barriga de um zumbi – naquela época eu não fazia ideia do porque e achei a situação detestável.

Mcbride interpreta Carol Peletier, um dos membros do grupo de Rick Grimes e que, ao longo da trama, sofreu várias transformações. Na primeira temporada, Carol era uma mulher temerosa, que apanhava do marido e que tinha medo de pegar em armas. Sophia, sua filha de doze anos, acaba morrendo drasticamente e Carol se vê obrigada a se tornar uma mulher mais fria, que luta pela sobrevivência do grupo e não mede esforços pra isso. Há quem acredite na possibilidade de uma relação amorosa entre ela e o Daryl (outro personagem que eu AMO!), mas de acordo com os roteiristas, ainda não existe nada planejado para os dois.

A quarta temporada possui diversas figuras femininas, mas ao meu ver, a Carol e a Michonne são as mulheres mais fortes da cadeia. Carol voltou mais forte do que nunca e ainda se envolveu com uma polêmica que a fez ser expulsa do grupo!

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Li muitas coisas sobre a Melissa Mcbride e acho engraçado quando a chamam de “vovozinha”. Há quem insista que ela é muito mais velha do que o Norman Reedus, quando na verdade a diferença entre eles é de apenas três anos – Mcbride nasceu em 23 de maio de 1965, portanto tem  48 anos.

Foi isso mesmo que me fez gostar dela, os cabelos curtos e brancos. Acho incrível mulheres que não se importam em seguir os padrões e estão a vontade com a idade. A primeira vez que a vi, logo me lembrei da Jamie Lee Curtis, outra atriz que eu admiro muito. Melissa chegou a dizer em entrevista que se arrependia de não ter pintado os cabelos antes de começar a série, mas justificou o fato de serem curtos, em sua perspectiva o cabelo era uma herança do marido da Carol:

Ela cortou o cabelo, algo que queria fazer há anos, para o papel – uma característica icônica da personagem, cujo cabelo bate pela altura dos ombros na HQ. McBride justifica que, para Carol, o cabelo curto é herança do seu marido abusivo: “Talvez ele tenha cortado-o para fazer com que ela se sentisse menos bonita. Ou talvez ela tenha cortado, para que ele não o puxasse. Esta é minha história em relação a isso.” Para aqueles que se perguntam como os cortes se mantém impecáveis, Robert Kirkman, produtor executivo e criador da HQ na qual a série da AMC é inspirada, brincou: “Há tesouras na prisão”.

É uma pena que a Melissa tenha tão poucos filmes, a maioria dos seus trabalhos foram feitos atrás das telas já que ela foi, por muito anos, diretora de elenco.

Oi!

Estou um pouco sumida do La Amora, mas eu juro que não é intencional. O fim do semestre esta aí e a correria das provas e dos trabalhos me deixaram ocupada. Vi poucos filmes também, o que me permite terminar as inúmeras publicações incompletas desse blog – culpa minha, eu confesso. Nos últimos dias, comecei a assistir “The Walking dead” e acho que estou um pouco viciada, (só pra vocês terem uma ideia, levei cinco dias pra chegar à quarta temporada). Chole Disnayland

No mais, estou prestes a me formar na faculdade, continuo no segundo capítulo do livro de Bauman e ainda não acabei de ler o livro “O corno de sí mesmo” do Marquês de Sade (de apenas 65 páginas!) – Prometo voltar a postar – Juro que este blog não está abandonado.

Consolação

Consolação começa em Paris, Laura acompanha os últimos momentos do seu marido, Jacques – que está em um leito de hospital, moribundo. O texto, escrito em primeira pessoa e com diversas intervenções psicológicas, nos contextualiza sobre a sua situação: Jacques sofre dores terríveis, tem uma enorme ferida na boca, dificuldades para respirar e clama pela morte.

Laura implora para que a médica responsável pelo caso termine com seu sofrimento, mas não consegue o que deseja: “Durmo e acordo com a palavra eutanásia. Euthanos… a boa morte. Por que a boa morte é proibida? Por que a lei obriga o homem a sofrer? Gemendo e chorando nesse vale de lágrimas. Mais que isso: Bendizendo a nossa dor. A dor é o castigo bendito de Deus…ela expurga o pecado do sexo. A mulher que amaldiçoasse as dores do parto era condenada à fogueira pela Inquisição”.

Enquanto seu marido praticamente vegeta (não consegue mais comer ou falar), Laura se torna uma observadora, um agente passivo diante da morte do ente querido.

Laura não está sozinha, seu filho Alex também assiste a morte do pai. Mas agora ela está viúva e precisa olhar pra frente: “Chorar, sim; soluçar, não. Interessa mostrar a dor? E para o choro tem um tempo. Lamentar a infelicidade atrai a infelicidade”. Depois que Jacques morre, Laura viaja para São Paulo e realiza um encontro com sí mesma e com a família que deixou quando mudou-se para a França.

Antes de ir para casa da mãe e da irmã, decide ir ao cemitério Consolação visitar o túmulo do pai. No caminho se depara com um enorme engarrafamento e decide ir a pé. Enquanto se dirige ao cemitério encontra personagens (“os que nunca são vistos ou ouvidos”) que possuem histórias de vida tão interessantes quanto a sua. ‘

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Betty Milan é uma psicanalista paulistana, conheci seu trabalho através de uma peça de teatro protagonizada por Bete Coelho (Adeus, doutor!) e depois disso passei a acompanhar sua coluna na Veja (Consultório Sentimental). Fiquei feliz em encontrar seu livro Consolação (publicado em 2009) por apenas R$ 8,00. O li em pouco tempo e várias passagens me incitaram a refletir sobre a vida, sobre a morte e sobre a dor.

É engraçado porque não consegui me identificar muito com a personagem principal. Depois que ela chegou em São Paulo, a única coisa que sabia fazer era reclamar, nada atendia a Laura: o trânsito estava ruim, o rio transbordava trazendo doenças, a arquitetura uma cópia do que foi feito em outros países, ‘só buraco no chão’ e muitos mendigos na rua. Enquanto Paris simbolizava o paraíso, São Paulo era o inferno. – Fiquei com raiva, Laura me pareceu ingrata com a cidade onde nasceu.

Compartilho alguns de seus preceitos, não concordo com o prolongamento da dor. Não sou especialista no assunto, mas acredito que ninguém merece viver em desconforto, em sofrimento, a não ser que apresente um quadro do qual pode se recuperar. Dizem que a gente só sabe de verdade o que é dor quando ela está no nosso corpo.

Mas, quando ela diz “Chorar, sim; soluçar, não. Interessa mostrar a dor? ” tenho lá as minhas dúvidas. Essa metáfora presente no livro, onde Laura/Milan defende a idéia de que não se deve demonstrar luto por muito tempo, nem espernear ou mostrar a dor me lembrou um dos primeiros episódios de Six Feet Under, quando o marido da Ruth Fisher morre. Primeiro, ao saber da notícia, Ruth tem um ataque na cozinha. No velório, diante das pessoas, senta-se contida e quase não faz barulho, tudo porque não fica bem e não é chic aparentar fraqueza/dor.


David, filho de Ruth, questiona: qual o problema em demonstrar a dor? Qual o problema em chorar e gritar até perder a voz se, o que se sente é uma tristeza tão grande que quase não cabe no peito?

(Coloquei o vídeo do episódio abaixo e tenho que evidenciar que a Frances Conroy é magnífica! )

Por fim, só me resta dizer que fiquei encantada com os momentos em que Laura, dentro do cemitério, conversou com Oswald de Andrade – como se Laura tivesse feito as pazes com o país. Gosto, principalmente, quando ele fala sobre a antropofagia e diz o seguinte:

Laura: –  O manifesto antropófago… Aprendi com ele a gostar de canibais.

Oswald:  – Canibais não, antropófagos… O canibalismo é coisa lá do europeu, que comia carne humana para se saciar ou para se curar. Os médicos inclusive aconselhavam a beber sangue humano. De preferência quente. Até o século XIX, os carrascos ganhavam a vida vendendo partes do corpo do criminoso. O canibalismo não tem nada a ver com a antropofagia. Os tupis não comiam carne humana para se satisfazer. Comiam por respeito ao morto e à sua família. A antropofagia era um rito de amor. Os índios consideravam o enterro uma prática horrenda, bárbara mesmo. A idéia do cadáver apodrecendo na terra era insuportável para eles.

Consolação Betty

[Consolação / Betty Millan –  Rio de Janeiro, Record, 2009]