Walt nos Bastidores de Mary Poppins

Dirigido por John Lee Hancock, “Walt nos Bastidores de Mary Poppins “ (ou Saving Mr. Banks) conta a história da conflituosa relação entre Walt Disney e P.L. Travers durante a gravação de Mary Poppins, filme produzido em 1964, que traz Julie Andrews e Dick Van Dyke como protagonistas. Walt Disney passou cerca de vinte anos tentando convencer Travers a liberar os direitos autorais da obra, quando finalmente ela aceitou, exigiu ser parte da equipe criadora do filme, causando alguns transtornos para os envolvidos.

ImagemO filme possui sequencias belíssimas, uma fotografia interessante e o produto final  – tecnicamente falando, não deixa a desejar. A construção cenográfica e a reprodução de época (com aqueles carros antigos maravilhosos e figurinos bem trabalhados) são de deixar o queixo caído. Sem dúvidas, o argumento é fundamental, mas o cenário é o ponto forte e traz a tona aquele clima gostoso que mistura glamour e nostalgia. E há uma certa magia também, quem nunca se encantou com as animações da Disney? Saber o que se passou por trás de uma produção tão grandiosa é no mínimo curioso, uma ode à infância.

Não há o que dizer sobre Tom Hanks e Emma Thompson, é difícil expressar a grandiosidade do encontro desses dois. Mas o filme é, sem dúvidas, de Thompson, responsável pelos momentos mais densos e dramáticos. Ela traz humanidade a Pamela Travers, encarna uma mulher marcada por um passado triste, que teve uma infância difícil e que não conseguiu se livrar da culpa que sentia em relação a morte do pai. Aliás, a sua relação com o pai (interpretado por Colin Farrell) é o ponto chave de toda a história e justifica as manias obsessivas e doentias da autora.

Imagemsaving-mr-banks-tom-hanks-600-370Mas eu não gostei do filme, não consegui… algo me deixou muito incomodada. “Walt nos Bastidores de Mary Poppins“, endemoniza Pamela Travers, ainda que isso não fique muito evidente. Bom, vamos reconhecer que Travers não era uma mulher fácil de lidar, tinha uma história familiar complexa, era chata em relação às manias e demonstrava ter um perfil dominador. Conta-se que Travers insistia na ideia de interpretar Mary Poppins, que não queria que a cor vermelha fosse usada no filme e que largassem mão das animações.

Mas para Travers, Poppins não era um mero personagem, talvez funcionasse como um alter ego, um fantasma que rondou a sua vida por anos, sua relação com a “babá encantada” era de ódio e amor. E dizer que ela amou o filme, que se emocionou com a exibição é mentir para o espectador, o que é meio revoltante. Travers não só odiou a produção, como nunca mais vendeu os direitos autorais de seus livros para a Disney. Como diria a Lola, ela chorou sim… mas de raiva, de fúria!

ImagemFoi isso, exatamente isso que me incomodou. Será que se esqueceram que Walt Disney também foi uma personalidade contraditória, cheio de manias, que tinha um talento inquestionável e um faro para negócios igualmente grande(?). Difícil acreditar que Walt tenha feito todas as vontades de Pamela tão facilmente e tão graciosamente assim. Difícil acreditar que ele não tenha a convidado para a Première apenas por medo de que ela estragasse o lançamento do filme, venhamos e convenhamos… ele devia estar louco para se livrar dela.

Minhas atrizes favoritas (e seus respectivos filmes que são os meus favoritos)

Ta aí, estou com mania de fazer listas… comecei a escrever sobre as minhas atrizes favoritas e sobre os seus filmes e deu nisso. Pra não me estender muito, escolho cinco filmes que mais gosto de cada uma.. dêem uma olhada:

ImagemDianne Wiest

1)      Edward Mãos de Tesoura
2)      A Gaiola das Loucas
3)      Sinédoque, NY
4)      Setembro
5)      O Tiro que não saiu pela Culatra
 

ImagemSusan Sarandon

1)      Thelma e Louise
2)      Fome de Viver
3)      Os últimos passos de um homem
4)      Lado a Lado
5)      O Óleo de Lorenzo
 

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Isabelle Huppert

1)      A Professora de Piano
2)      Oito Mulheres
3)      Madame Bovary
4)      Um Assunto de Mulheres
5)      Má Mere
 

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Bette Davis

1) O que terá acontecido a Baby Jane?
2) Vitória Amarga
3) Vaiosa
4) Pérfida
5) A Malvada
 

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Joan Crawford

1) O quê terá acontecido a Baby Jane?
2) Acordes do Coração
3) Os desgraçados não choram
4) Johnny Guittar
5) Almas Mortas
 

ImagemDeborah Kerr

1) Os Inocentes
2) Narciso Negro
3) Bom dia, tristeza
4) Tarde demais para esquecer
5) A noite do Iguana
 

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Shirley Maclaine
 
1) Muito Além do Jardim
2) Minha doce gueisha
3) Infâmia
4) Irma La Douce
5) Laços de Ternura
 

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Judi Dench

1) Notas Sobre um Escândalo
2) Sua majestade, Mrs Brown
3) O violonista que veio do mar
4) O exótico hotel Marigold
5) 007 Skyfall
 

Helen Mirren

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1) O Cozinheiro, o ladrão, a mulher e seu amante
2) Mães em Luta
3) Tentação Fatal
4) De porta em porta
5) Colapso
 

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Jessica Lange

1) Normal
2) Titus
3) Geração Prozac
4) Terras Perdidas
5) Mais que um crime
(+ O Destino bate à sua porta)
 

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Glenn Close

1) Albert Nobbs
2) Atração Fatal
3) Um Canto de Esperança
4) Marte Ataca
5) A Casa dos Espíritos
 

Anjelica Huston

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1) A Família Addams
2) Acerto Final
3) Tudo por um sonho
4) Para sempre Cinderela
5) Convenção das bruxas

Clube de Compras Dallas

Ron Woodroof (interpretado por Matthew McConaughey) é um texano heterossexual, conservador e homofóbico que, após um acidente no trabalho, é internado em um hospital e descobre ter AIDS. O filme, dirigido por Jean-Marc Vallée, acompanha Woodroof durante os processos da doença e mostra como ele travou uma batalha contra a indústria farmacêutica, ajudando milhares de pessoas soropositivas em seus tratamentos. A trama, que se passa na década de 1980 e é baseada em  fatos reais, também conta com Jared Leto e Jennifer Garner.

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MCCONAUGHEY, O CLUBE … E O OSCAR

Quem vê Matthew McConaughey agora, talvez não se lembre da época em que o ator protagonizava comédias românticas ou filmes de ação com diálogos babacas e superficiais (nem todos, eu sei!). McConaughey está definitivamente mais maduro e, de certa forma, carrega consigo o filme. Jared Letto também está incrível (aliás, ele é incrível), mas o seu personagem não é tão bom quanto o de McConaughey, não mesmo. (Pode parecer que eu estou menosprezando o Letto, não é isso, acontece que ele possui desempenhos muito melhores do que esse.)

A gente sabe que a academia adora transformações físicas, o público se impressiona quando os atores emagrecem muito ou engordam demais para o papel, não é atoa. As transformações físicas demonstram o comprometimento, a dedicação e as dificuldades impostas pela produção.

Mas, ligar o filme apenas a esse aspecto é uma injustiça. “Clube de Compras Dallas” possui uma história densa e interessante, uma estética ambígua e diálogos bem construidos. A ambientação é de deixar o queixo caído, principalmente quando se dá conta de que o filme contou com um orçamento de 5 milhões de dólares… pode parecer muito, mas não é – esse orçamento é de um filme pequeno. Talvez por isso, apresente uma estética tão documental.

Em relação aos personagens, o destaque mais uma vez vai para McConaughey, afinal, Ron Woodroof é um homem desprezível que vai se redimindo ao longo da trama. Não dá para questionar a sua indicação de melhor ator ao Oscar, aliás, meu coração está completamente dividido entre ele e Leonardo DiCaprio (que concorre por O Lobo de Wall Street).437580.jpg-r_640_600-b_1_D6D6D6-f_jpg-q_x-xxyxxAINDA SOBRE A AIDS…

Clube de Compras Dallas é um filme sensacional, depois de assisti-lo fiquei com uma vontade imensa de reler “Doença como metáfora”, escrito por Susan Sontag em 1988. Já na segunda parte do livro (dedicado à AIDS), Sontag afirma que o HIV banalizou o câncer. Contextualizando essa afirmação (com a doença explodindo exatamente nesse período), o que Sontag diz parece bastante plausível. Ela ainda afirma o seguinte: “Ao contrário do câncer, entendido como uma doença provocada pelos hábitos do indivíduo (e que revela algo a respeito dele), a AIDS é concebida de maneira pré-moderna como uma doença provocada pelo indivíduo enquanto tal e enquanto membro de algum “grupo de risco” – essa categoria burocrática, aparentemente neutra, que também ressuscita a ideia de uma comunidade poluída para a qual doença representa uma condenação”.

Incrível como essa reflexão está bem representada no filme e, como a sociedade parece mergulhada e engessada em seus próprios preconceitos – ainda hoje, é claro.  Uma das denominações mais estupidamente criadas e usadas por um longo período foi chamar a AIDS de “câncer gay”, ligá-la apenas a homossexuais, bissexuais ou prostitutas. A gente sabe que qualquer heterossexual que transa sem proteção está igualmente exposto a contaminação. Lembro-me bem de uma campanha publicitária governamental que incentivava homens e mulheres acima dos 60 anos (casados ou não) a usarem camisinhas. Uma quantidade absurda de idosos foi diagnosticada com a doença (não sei como estão os dados atuais) e não  se davam conta disso, acabam recebendo o tratamento tardio.

clube-de-compras-E o “Clube de Compras Dallas” toca na ferida, sabe exatamente onde ir. Além portar uma doença terrível, essa pessoas precisam conviver com o pré-conceito, que já é em sí, uma coisa absurdamente cruel. Por isso a grandiosidade do filme, não só por apresentar boas atuações, mas por trazer um retrato sincero sobre o HIV, de colocar o assunto mais uma vez em pauta. Relembrando Susan Sontag mais uma vez, há uma passagem no livro em que ela diz “A idéia da doença como castigo é a mais antiga explicação para a causa das doenças”.

O Clube do Filme

David Gilmour é um crítico de cinema desempregado. Seu filho, Jesse, de apenas quinze anos, não vai bem na escola e recebe sucessivas reprovações.  Preocupado, David permite que Jesse largue a escola contanto que assista com ele – semanalmente – clássicos do cinema.  Juntos, pai e filho criam o “Clube do filme” e passam dias assistindo e comentando produções famosas como O Poderoso Chefão, A doce Vida, Uma Rua Chamada Pecado, Ladrões de Bicicletas, Tio Vânia Em Nova York (…). 

A história é sincera e envolvente, mais do que uma trama sobre pessoas que gostam de cinema, “O clube do filme” retrata a complexidade das relações humanas e familiares. Gilmour, que parece despretensioso, deixa bem claro que como pai, está sujeito a erros e acertos. Com essa convicção,  tenta fazer com que o filho perceba que amadurecer (seja amorosamente ou financeiramente) envolve um processo muito mais complicado do que ele imagina.

Imagem“Indicar filmes às pessoas é um negócio arriscado. De certa forma, é algo tão revelador quanto escrever uma carta para alguém. Mostra como você pensa, aquilo que o motiva, e algumas vezes pode mostrar como você acha que o mundo o enxerga. Então, quando você recomenda com entusiasmo um filme a um amigo, e diz: “Ah, é bom demais, você vai adorar”, é uma experiência desconcertante quando você o encontra no dia seguinte e ele diz: “Você achou aquilo engraçado?”
 

Um livro para cinéfilos?

Li “O Clube do filme” aos pouquinhos, marcando e voltando em passagens (ou em dicas) que me pareciam interessantes. Percebi que existe uma gama de clássicos que desconheço e que preciso assistir urgentemente. De fato, foi isso que me prendeu ao livro, Gilmour citava um filme e comentava sobre a impressão que teve dele. Mesmo com comentários superficiais, ele conseguia me deixar curiosa para saber mais.

Em algumas passagens, por exemplo, o autor diz que poucas pessoas prestam atenção na beleza do poema final do velho em “A noite do Iguana” (de John Huston). Que existiu uma época em que Woody Allen só filmava filmes maravilhosos, como Crimes e Pecados (de 1989). Que a Lolita de 1997 criada por Adrian Lyne é muito melhor do que a de 1962 criada por Stanley Kubrick. Que Marlon Brando quase foi escalado para o papel do padre em O Exorcista, que Quentin Tarantino passou mais de cinco anos tentando vender o seu primeiro roteiro (…)

Por isso mesmo, acho que, apesar da história principal se basear na relação entre pai e filho (e não ter sido explorada suficientemente, talvez por não ter tanto espaço naquele contexto), o livro é direcionado a pessoas que gostam de cinema ou que, pelo menos, conhecem nomes de atores e diretores. Outra coisa divertida da história é que David e Jesse categorizam os tipos de filmes como: “Prazeres Culpados” (filmes ruins, mas que a gente adora) ou ” Filmes Superestimados”.

P.S. Sobre a relação entre pai e filho, uns aspectos me incomodaram um pouco. David pareceu passivo demais, enquanto Jesse fazia burrada atrás de burrada, sem receber punições. “Pai, usei cocaína ontem”. “Tudo bem filho, se você o fizer de novo, não assistiremos mais filmes juntos”… (WTF?!)

Para quem participa do Filmow, existe uma lista com os filmes citados no livro, onde você pode marcar quais já assistiu e quais pretende assistir:

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American Horror Story Coven – e seus deslizes

Na ultima quarta-feira passada o último episódio de American Horror Story Coven foi ao ar. Assisti ao vivo, por stream, ao lado de vários fãs brasileiros da série que participam de um grupo no Facebook. Enquanto víamos, discutíamos alguns aspectos da trama e ficávamos divididos em torcidas, tentando adivinhar quem seria a próxima Suprema. Tirando os momentos gostosos, em que é delicioso conversar com um total desconhecido que divide os mesmos gostos e os mesmos ídolos que os seus, o último episódio me decepcionou bastante. Aliás, a temporada me decepcionou muito.

ImagemNão que eu queira tirar o mérito da série, que atualmente é a minha preferida. Já falei aqui no La Amora diversas vezes que sou fã do Ryan Murphy e admiro a coragem que ele tem de trazer temas tão complexos e audaciosos à tela. Também gosto muito do elenco, ainda mais o da terceira temporada, que foi reforçado com grandes nomes do cinema americano (como Angela Bassett, Kathy Bates, Patti Lupone e Gabourey Sidibie). Apesar de ser uma grande fã de AHS, há de convir que alguns erros e exageros foram cometidos ao longo da temporada e que esses pequenos deslizes comprometeram a qualidade da história.

 Muitos personagens, plots em aberto

Coven começou super bem, com um primeiro episódio de dar nervos e deixar os pelinhos do braço arrepiados. Ao longo do tempo, a trama foi esfriando e parece que a narrativa não deu conta de tantos plots secundários. Uma das coisas mais incômodas foi o desperdício das participações especiais: a começar por Patti Lupone que em Coven, encarnou Joan Ramsey (a vizinha religiosa das bruxas). Em entrevistas, Murphy disse exaustivamente que Joan guardava um segredo obscuro que iria surpreender o público. Em certo momento eu cheguei a pensar que ela seria uma bruxa, até descobrir que Joan, na verdade, tinha uma mania obsessiva por limpeza (tão obsessiva que chegava ao ponto de obrigar o filho a se limpar internamente através do ânus).

Outro personagem completamente esquecido foi o Minotauro. Em princípio, Marie não conseguia se desvencilhar da ideia de ter o amante assassinado e chegou a travar uma batalha por causa dele, jurando se vingar de Fiona e de Delphine. Aos poucos a história do Minotauro foi sumindo e nem sequer comentou-se o fato do Minotauro ter transado com a Queenie.

O mesmo aconteceu com Spalding, o mordomo da escola, que aos poucos foi esquecido… até se tornar desnecessário. Ninguém sentiu falta de Spalding, ninguém foi atrás da Zoe para tirar satisfações por tê-lo assassinado. Se Spalding estava morto, como conseguiu roubar o bebê? Aliás, o que foi feito do bebê? Ninguém se espantou com o fato dele guardar inúmeras bonecas assustadoras em seu quarto? Spalding se tornou um personagem “tapa buracos” e só aparecia quando era conveniente para a trama.

A imortalidade de Delphine não foi explicada. Descobrimos que Marie se manteve viva por causa de um acordo feito com o Papa Legba (coisa que Fiona não conseguiu por não ter alma). Mas e Delphine? Ela também vendeu a alma para o diabo?

Alexandra Breckenridge (que interpretou a Moira jovem na primeira temporada) ficou na promessa,  também desperdiçada, com uma aparição pequena e sem importância. Em falar em aparições sem importância… os Zumbis foram mesmo necessários? (ou puro fogo de palha?)

P.S: Kyle assassinou Madson, mas… POR QUÊ DIABOS ELA NÃO SE DEFENDEU COM SEUS PODERES?

Morte e Ressurreição, uma verdadeira dança das cadeiras

burn-witch-burnSem dúvidas, o aspecto mais irritante em Coven foi o excesso de mortes e ressurreições.  Murphy disse que uma das coisas que mais lhe agradava na terceira temporada era poder matar os personagens com a certeza de trazê-los de volta. No início as mortes causavam o efeito desejado: ficávamos assustados e tristes, achávamos que os personagens tinham morrido mesmo. Aos poucos, essa sensação perdeu o sentido e ficou cansativa – praticamente todos eles foram trazidos de volta a vida (e morreram e ressuscitaram e morreram e ressuscitaram outras vezes mais).

Aliás, o fato da Myrtle pedir para morrer queimada no último episódio me deixou muitíssimo incomodada, não bastasse isso, todo seu sofrimento foi assistido por Cordélia (que afirmou diversas vezes que a considerava como mãe). Pouco plausível.

O Confronto entre Fiona e Marie Laveau não aconteceu

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Outra coisa brochante em Coven foi o fato das bruxas, apesar de dotadas de poder, não os demonstrarem em totalidade. Esse aspecto – que até mudou um pouco no último capítulo – causou uma quebra de expectativas e deixou a trama visualmente mais pobre. Vimos alguns personagens voando, vimos sangue, vimos sessões de voodoo… não mais do que isso, o que é uma pena. O fato da inimizade entre Fiona e Marie perdurar por tanto tempo (e dessa relação ficar mais tensa a cada episódio) poderia ser melhor explorando em um embate entre as duas, o que nunca aconteceu. Ryan Murphy perdeu a oportunidade.

De acordo com a trama, o acordo de paz entre as bruxas praticantes de Voodoo e as bruxas do Coven foi desfeito no momento em que trouxeram Delphine de volta a vida. Pouco tempo depois, Fiona mandou a cabeça do Minotauro (amante de Marie) em uma caixa de papelão, acabando de vez com qualquer possibilidade de trégua.  Toda a tensão foi desfeita quando os caçadores (contratados por Marie) começaram a aniquilá-las sem qualquer critério. Marie ficou enfraquecida e foi pedir asilo na casa da maior inimiga.

Muitos fãs se dividiram em times, uns acreditavam que a Fiona era mais forte, outros que a Marie era mais forte. A questão não é essa (apesar de ser divertidíssima)… o fato é que o “possível” acerto de contas” entre as duas seria o climax da trama (e provavelmente mais interessante do que a revelação  da Suprema.).

Evan Peters, uma terrível releitura do monstro de Frankenstein

Assistir Evan Peters em Coven é uma tortura, não por causa do seu desempenho como ator, mas pelo espaço que deram pra ele na série. Ao criar Kyle, Murphy queria fazer uma releitura do clássico Frankenstein, por isso as partes do corpo separadas e posteriormente, construídas com restos mortais. O desafio de Peters era se expressar sem palavras, realizar um trabalho corporal  e ser convincente. O situação era trabalhosa, tão trabalhosa quanto a função desempenhada por Sarah Paulson, que realmente teve os olhos cegados.

American Horror Story Coven AHS Evan Peters Kyle S03E01Kyle era um personagem com muito potencial, poderia não só ser usado como a peça chave da inimizade entre Zoe e Madson, mas também mostrar ao mundo exterior, como prova física, o poder das bruxas. Ironicamente, Kyle só proferiu  sua primeira palavra (como “monstro”) no sétimo episódio, mas aí a trama já estava bem avançada. E quando eu digo palavra, é isso mesmo, ele mal construía frases ou dialogava com os moradores da casa, não fosse Fiona resolver seu problema, lá pelas tantas…

Kyle era um joguete nas mãos das bruxas, servia tanto para experimentos quanto para atender aos desejos sexuais da Madson e da Zoe. O mais frustrante é que reduziram Evan Peters a um mero coadjuvante, seu personagem, no fim das contas, veio para substituir o papel do Spalding e passou a ser o mordomo do colégio.

Fiona Goode, um personagem contraditório

Não há dúvidas quanto ao destaque creditado à Jessica Lange na série, Lange é um dos atrativos de AHS e recebe todas os holofotes possíveis. Gosto muito da atriz, quem lê o La Amora sabe disso, mas acho que Fiona foi um personagem  superestimado e bem inferior aos outros interpretados por ela nas temporadas anteriores.

Desde o início de American Horror Story, Ryan Murphy demonstra uma preocupação em trazer os “dois” lados do ser humano a tona. Seus personagens não são quadrados, pelo contrário, estão aí exposto a diversos dilemas existenciais, a fraquezas e a falhas de caráter. Em Fiona isso não ficou muito claro, o último capítulo não foi suficiente para humanizá-la. Apesar de várias tentavas, a química entre Fiona e Cordélia não foi convincente. Sabíamos que existia um rancor ( e um amor ) enorme ali, mas não conseguíamos senti-lo, algo não foi bem executado.

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Um dos aspectos que mais me incomodou no personagem foi o seu câncer. Assim como foi feito com o Spalding, a doença de Fiona era apenas artifício usado quando era conveniente a trama. Às vezes a Suprema aparecia enfraquecida, no hospital, sem cabelo e momentos depois, já estava linda e implacável. O fato da Fiona fazer mal a outras bruxas (ser uma assassina fria e cruel) e passar completamente despercebida também foi bem incomodo, ninguém se deu conta de que ela forjou as provas em relação a Myrtle e a mandou para a fogueira injustamente?

Enquanto a redenção da Sister Judy foi plausível, a da Fiona foi bastante questionável. Se Fiona não vendeu a alma para o Papa Legba, por quê o encontrou no inferno? Se ela amava o Axeman, passar a eternidade com ele não foi tão ruim assim. Se ela sabia que a Cordélia era a nove suprema (e via a própria morte no rosto da filha) por quê não revelou o segredo e por que tentou matar a Madson?

Afinal, Ryan Murphy… arregou?

Escolher “Bruxaria” como tema principal da terceira temporada foi uma jogada arriscada, quase como uma faca de dois gumes.  Bruxas, assim como vampiros é um assunto exaustivamente explorado por filmes e por programas de TV e, ainda que cada releitura apresente certa originalidade, a essência é sempre a mesma.

Murphy trouxe à tona um diferencial: explorou as práticas de voodoo como ninguém o fez antes, não de forma tão massificada ou palatável. Também soube trabalhar com a ausência retilínea do tempo, não escorregou nesse aspecto e até que construiu um roteiro plausível quanto os segredos sobre a imortalidade.

Coven tem o brilho que Asylum não tinha (inclusive esteticamente), foi uma temporada leve, jovem e bem humorada, talvez por isso tenha recebido tanta audiência (a maior de toda a série).  No entanto, mesmo explorando temas audaciosos – como sexo grupal, sadomasoquismo e misticismo – AHS regrediu ao não confrontar esses temas com coragem. Não com a coragem que existia em Asylum. A série deu um passo atrás e há uma justificativa para isso.

CovenEm entrevista Jessica Lange (que, de certa forma, atua como co-autora da série – já que participa das reuniões de criação, sabe e interfere no destino dos personagens), disse que os roteiristas mergulhavam em um poço fundo e escuro demais quando criaram Asylum.  Posteriormente, Murphy afirmou que a academia era composta por pessoas “mais velhas” que não entendiam nem aceitavam certas situações. De fato, apesar de receber inúmeras indicações, AHS voltava pra casa de mãos vazias.

Trazer humor e romance para a série é uma estratégia, histórias mais simples  e “bonitinhas” – ainda que com temas complexos – VENDEM MAIS. Tanto que a quarta temporada terá exatamente a mesma fórmula.  Ainda que Murphy mostre-se como um escritor audacioso e desafiador, ele (e os criadores da série, é claro) possui um compromisso com o canal: quanto maior o publico, melhor e se as histórias forem mais fáceis de entender, melhor ainda.

Os Candidatos

Em “Os Candidatos”, Will Ferrell interpreta Cam Brady, um deputado estadual corrupto que está há anos no poder e conhece bem o meio em que vive. Em vésperas das eleições, Brady é o único candidato ao posto e não se preocupa com a má imagem que vem construindo ao longo dos anos. Inesperadamente, uma dupla milionária investe em Marty Huggins (Zach Galifianakis), um homem inexperiente no ramo da política, mas com boa imagem e boas intenções.

Marty começa a chamar atenção dos eleitores. Preocupado em perder votos, Cam faz de tudo para melhorar as estatísticas e usa os artifícios mais baixos, desde ofensas pessoais a boicotes, para se manter na frente. Quando Marty percebe que o cenário eleitoral é muito mais cruel do que ele imagina, decide entra no jogo, criando uma verdadeira guerra.

Imagem* Pode parecer incrível, mas nem Zach Galifianakis nem Will Ferrell conseguem fazer desse, um filme agradável. A trama é interessante, há um crítica muito bem construída em relação aos políticos (e suas respectivas politicagens), mas o conjunto da obra não é engraçado, algumas cenas de mal gosto prejudicam o desempenho do filme e a trama vai se arrastando até tornar-se insuportável.

Galifianakis, aliás, está aqui… mais um vez, repetindo aquele personagem clichê – que já deixou de ser novidade: no filme ele interpreta um cara bobão, meio sentimental, que sempre se perde nas conversas e solta os comentários mais absurdos.

Já estamos acostumados com comédias do tipo pastelão, que usam e abusam do grotesco e do humor negro, mas aqui há uma dosagem muito forte, erraram na mão. Em uma cena, por exemplo, o personagem do Will Ferrell se engana e acaba dando um soco no rosto de um bebê, pode? O mais irônico de tudo isso é que tanto Galifianakis quanto Will Ferrell também atuam nesse filme como produtores, depois de tantos filmes, como não perceberam que “Os candidatos” é uma verdadeira bomba?

Ficha Técnica:
Título: A Campanha (The Campaign)
Ano de produção: 2012
Dirigido por: Jay Roach
Gênero: Comédia

10 filmes sobre adoção

Está em busca de filmes sobre adoção? Dá uma olhadinha nesse post!

Ontem uma colega me pediu uma dica, disse que precisava de nomes de filmes sobre adoção pois queria assistir com umas crianças do colégio. Imediatamente lembrei de alguns, mas percebi que nunca prestei atenção sobre o tema.

Em princípio, a ideia me pareceu fácil, mas quando fomos (juntas) colocar os títulos no papel conseguimos nos lembrar de apenas dez. E, aliás, nem todos são infantis (o que me deixou um pouco frustrada). Relendo os títulos, não duvido que existam filmes mais apropriados…de qualquer forma, foi assim que a listinha ficou, dêem uma olhada:

1) O MENINO DE OURO

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Não sou muito fã desse filme porque além de inverossímil, carrega – em exagero – muitos clichês relacionados a drama familiares. Ainda assim, ele encabeça a lista porque é uma boa escolha para quem quer discutir adoção com uma criança. Além disso, o filme transborda humor, amor e magia e pode servir como passatempo.

“Menino de ouro” é um filme de 2011, dirigido por Jonatah Newman, protagonizado por Toni Colette, Maurice Cole e Ioan Gruffudd. A trama conta a história de Alec e Zooey, um casal traumatizado pela morte de seu único filho. Anos depois do acidente eles decidem adotar uma criança e fazem uma rápida visita a um orfanato, lá avistam um menino lindo chamado Eli, mas não o levam para casa.

Pouco tempo depois, Eli (que tem apenas sete anos) aparece inesperadamente na porta deles e afirma que a partir daquele momento serão uma família. Mesmo relutantes (já que não assinaram nenhum papel de adoção) o casal aceita Eli na casa. A chegada do garoto que provocas inúmeras surpresas e transformações na vida do casal.

2) O DESTINO DE UMA VIDA

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Há algum tempo comentei sobre esse filme no La amora (confira!) e o coloco na lista porque merece atenção.  O destindo de uma vida (Losing Isaiah, 1995) é um daqueles dramalhões que te prendem do início ao fim. O longa, conta a história de Khaila (Hale Berry), uma viciada em drogas que abandona o filho em um lixão.

Por sorte, o garoto é salvo e vai parar no hospital. Lá, a assistente social Margaret (Jessica Lange) emocionalmente abalada pelo caso, decide adotá-lo. Passam-se dois anos, Khaila se reabilita e descobre que o filho,  o pequeno Isaiah está vivo e então, decide recorrer à justiça por sua guarda. Ao longo da trama, a briga pela criança se torna também um a briga racial.

3) A ESTRANHA VIDA DE TIMOTHY GREEN 

A estranha vida de Timothy

Esse filme tem uma fotografia belíssima, é muito fofo e cheio de lirismo (aliás, tem uma pegada bem parecida com “Menino de Ouro” só que sem os exageros). A produção, dirigida por Peter Hedges, conta a história de Cindy e Jim (interpretados por Jennifer Garner e Joel Edgerton), um casal que já tentou de tudo, mas que não consegue ter filhos. Um dia os dois escrevem todas as características que gostariam que uma criança tivesse, colocam numa caixa e a enterram no quintal.

Na manhã seguinte aparece na porta da casa um menino – já crescido – chamado Timothy Green. O garoto, além de ter misteriosas plantas crescendo em seus pés, possui todas as características que Cindy e Jim colocaram na caixa. Encantados, Cindy e Jim o levam para casa e passam a tratá-lo como filho, a medida em que cresce, Timothy transforma a vida de todos ao seu redor.

4) MEU MALVADO FAVORITO 

Meu malvado favorito

Imperdível, encantador, delicioso! “Meu Malvado Favorito” é uma animação de 2010 que conta a história de Gru, um homem estranho que tem a ambição de ser o maior vilão do mundo.

Enquanto disputa com Vetor pelo posto, Gru conta com a ajuda dos minions (uma multidão de bichinhos doidos, engraçados e amarelos!). Um dia, Gru se depara com três meninas orfãs que tentam lhe vender biscoitos, para não ser incomodado Gru as adota. Aos poucos ele vai sendo conquistado pelas garotas e começa a questionar seu plano maléfico de roubar a lua.

5) O PEQUENO STUAR LITTLE

Stuart Litlle

Me sinto um pouco velha quando penso que assisti esse filme no cinema, quando tinha oito anos…anyway.  O pequeno Stuart Little tem uma daquelas lições deliciosas de que o amor e a união vencem no final, mesmo que um membro da família seja um rato.

Produzido em 1999 e dirigido por Rob Minkoff, o filme conta a história do Sr e da Sr. Little, um casal que decide adotar uma criança e dar um irmãozinho para George. Um dia, os Little vão a um orfanato e se deparam com um rato que foi abandonado por seus pais e decidem adotá-lo. A chegada do pequeno traz muitas confusões para casa, a começar por Snowbell, o gato da família e por George, que não o aceita.

6) JUNO

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Juno aborda diversos assuntos complexos (como gravidez na adolescência, barriga de aluguel e adoção) sem deixar que nenhum desses temas seja representado superficialmente, por isso o seu mérito.

Produzido em 2007 e dirigido por Jason Reitman, o filme conta a história de uma jovem de 16 anos que engravidou acidentalmente e não sabe se deve criar a criança, abortar ou doá-la. Sem o apoio dos pais, nem do namorado, Juno pensa em abortar mas logo desiste da ideia. Com a ajuda de uma amiga procura por uma família perfeita para seu filho e acaba conhecendo Vanessa (Jennifer Garner) e Mark (Jason Bateman), um casal financeiramente estável que não consegue engravidar.

7) MATILDA 

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Não sei se preciosa falar muito sobre esse filme, afinal… é um clássico!

Matilda é um filme de 1995, dirigido por Danny DeVito. A trama conta a história de uma garotinha esperta e muito inteligente (ávida por conhecimento) que tem pais sem um pingo de paciência com crianças.

Eles a mandam para uma escola que é dirigida pela cruel Agatha Trunchbull. A presença da professora Srta. Jennifer Honey faz com que a vida das crianças naquela escola fique mais ‘doce. A professora Honey logo percebe que há algo diferente com a garotinha e faz de tudo para ajuda-la. Entre travessuras e momentos divertidíssimos, a pequena descobre que possui poderes mágicos e decide usa-los para combater a monstruosa diretora.

8) UMA FAMÍLIA INESPERADA 

Uma familia inesperada

Assisti esse filme há muito tempo, muito tempo mesmo, mas ficou grudado na memória. Em princípio não ia colocá-lo na lista porque tinha a impressão que seria difícil encontrá-lo, mas fazendo uma pesquisa rápida, descobri que ele é fácil de achar – inclusive, está disponível no Youtube (com legendas em português).

Na trama, Stockard Channing interpreta Barbara Whitney, uma mulher independente que namora um pintor e não é muito chegada em crianças. Um dia, sua irmã aparece e pede que ela cuide de seus filhos já que não sente amor por eles e não tem nenhum pingo de responsabilidade.

Preocupada com as crianças, Bárbara as leva pra casa e se vê em um beco sem saída porque não faz ideia de como cuidar delas. Ao longo do tempo, Barbara cria um laço de amor com os meninos e começa a se dar bem com eles. Inesperadamente,  a irmã de Bárbara volta e tentar recuperá-los. Desesperada, Bárbara trava uma batalha judicial para impedir que sua irmã leve seus filhos embora.  (Produzido em 1996 e dirigido por Larry Elikann).

9) CHÁ COM MUSSOLINI  

Cher (10)

A primeira vez em que vi esse filme, achei muito chato… Depois revi e fui prestando atenção nos detalhes, no cuidado com o cenário e com a reconstrução de época, além as atuações belíssimas (palmas para Maggie Smith!) e dos diálogos marcantes.

É um filme que vale a pena! A trama conta a história de Luca Innocenti, um menino que perdeu a mãe muito cedo e que não é reconhecido pelo pai (já que nasceu “fora do casamento”).

Lucas acaba sendo criado por sua babá Mary e ao longo dos anos, desenvolve um apreço pela arte (principalmente pela influencia de Elsa, uma americana colecionadora de quadros). As mulheres que o cercam vivem comentando sobre política, fazem críticas ferozes quanto a sociedade e debatem acerca da situação do país. (Filme de 2000, dirigido por Franco Zeffirelli.

10) UM SONHO POSSÍVEL 

Resultado de imagem para um sonho possivel

Dei uma pesquisada na internet e acho que esses três sites podem ajudar em boas dicas sobre filmes relacionados a esse tema:

* Filhos Adotivos

* Portal da Adoção

*Angaad (Associação Nacional dos Grupos de Apoio à adoção)

Viver é ir desvivendo

Com o corpo mole e os olhos pesados,  Eleonora passou o dia chorando a ausência. Chorou porque os que amavam não estavam mais lá. Chorou porque há muito tempo só sentia o vazio. Não havia felicidade nem tristeza, nem dor ou prazer. Apenas ausência. Quis morrer, desistir, sumir por uns dias ou talvez para sempre. Não o fez. Levantou porque apesar do “não sentir”, alguma coisa a impelia de continuar. Recebeu uma ligação logo pela manhã. O cara da operadora insistia em lhe vender um pacote de canais para a TV. “Não vejo TV, nem tenho uma” e voltou a chorar. O homem do outro lado da linha se desculpou e assustado, prometeu não ligar mais.

O café tinha gosto de lágrimas, o nariz entupido e os olhos caídos a fizeram parecer ainda mais exausta. “Viver é ir desvivendo”, lembrou-se da frase que encontrou em um livro, um livro qualquer. Pegou um post it cor de rosa, escreveu a frase e colocou no espelho do quarto. Saiu de casa porque precisava de ar fresco, precisava ter certeza de que, apesar de tudo, ainda estava viva. Da janela percebeu que o dia estava sem cor, que o barulho dos carros e da buzina era o único som que se permitia escutar, os carros em movimentos rápidos e bruscos pareciam lhe dizem: a vida pulsa.

Caminhou pelo passei, ficou por um momento esperando o sinal. Do outro lado, uma mulher com sorriso torto no rosto, parecia que queria esconder a felicidade que guardava dentro de sí. Abaixou a cabeça, tentou fingir que não tinha reparado naquela energia positiva que saia dela. Finalmente, no parque. Tirou os sapatos, sentiu a grama macia, deitou-se. Antes de fechar os olhos pensou: Deus, me ajude a esquecer esse dia.

ImagemUm explosão de felicidade injustificável, única e repleta atingiu o seu peito. Tentou esconder o riso, mas a boca – como se tivesse vida própria – moveu-se para o lado direito, deixando as bochechas com uma pequena covinha. De repente, a sensação que parecia sem importância foi tomando conta do seu corpo, deixando as mãos e os pés mais quentes e os olhos cheio de lágrimas (lágrimas de felicidade, que fique claro!). Então, pegou os sapatos e os jogou bem longe.

Saiu de casa sem se importar em ver ou em ser vista, estava bem e isso era suficiente. Descalço, sentiu as pedrinhas do chão do passeio, a aspereza do asfalto, a maciez da grama. Deitou-se embaixo de uma árvore onde sentia uma brisa leve e ouvia o barulho das folhas. Nunca na vida se sentiu tão em paz como agora. Poderia morrer aqui, passar os meus dias nesse lugar! Começou a refletir sobre o amor, sobre a sorte, sobre a juventude… Estou viva e amo essa ideia, mesmo que viver signifique ir desvivendo.

Eleonora levantou-se, pronta para ir pra casa e mais satisfeita do que nunca, caminhou em direção ao lar. Parou para esperar o sinal e do outro lado da rua uma mulher com um ar de desânimo, com os olhos inchados também esperava para atravessar. Teve dó dela, sentiu pena, se pudesse dividiria toda sua felicidade. Passou por ela com os olhos baixos, fingindo não percebê-la ali. Finalmente em casa, sentou-se na sala e pensou: Obrigada Deus, por esse dia.