Você tem medo de quê?

O medo é uma sensação absurda, indecifrável. Não me refiro só ao que o define, não ao pé da letra. Me refiro principalmente ao que ele provoca em nosso cérebro e em nosso corpo. Um ser humano obsessivo e com medo da morte, por exemplo, pode passar anos de sua existência sem aproveitar a vida. Hipótese. Uma pessoa com um medo obsessivo de ficar resfriada, pode não aproveitar o ar fresco das ruas ou dos parques, desperdiçando em parte, a sua saúde.

O medo, além de paradoxal, também é irônico; ele nos faz sentir desprotegidos e ao mesmo tempo nos coloca em situação de alerta, se tivesse uma voz diria: você precisa se cuidar.

Estive pensando sobre isso outro dia, sobre como o medo pode ser controlador. Fiquei durante meses treinando para dirigir, mas quando peguei o meu carro pela primeira vez, minhas pernas tremiam tanto que eu não conseguia sair do lugar. Eu já tinha carteira de motorista, já dirigia no carro da auto escola, já conhecia as regras, as ruas, as sinalizações. O que estava faltando? Confiança?

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Quando eu era mais nova, um medo terrível me atormentava. Tinha medo de escuro. Era apavorante. Não enxergar nitidamente abria a minha imaginação e eu pensava em infinitas possibilidades. Fantasmas, bruxas, bichos. Olhar debaixo da cama, nunca! Deixar o pé fora da coberta, muito menos. Minha mãe chegava cansada do trabalho e mesmo assim eu a incomodava e pedia para dormirmos juntas.

Também tinha de medo de que a minha mãe morresse, ainda tenho: medo da morte, mas hoje tudo parece mais claro, mais real, menos fantasioso. Incrível como funciona a mente de uma criança. Eu não tinha medo de bandido, hoje eu tenho. Impossível não ter. Aliás, a minha família também tem, meus amigos, meus vizinhos. Eis um medo coletivo. Nossa casa não fica mais com a porta aberta, qualquer barulho me deixa alerta. Serão os noticiários? As fotos terríveis disponibilizadas na internet? Serão os programas policiais?

12 anos de escravidão

Baseado em um romance autobiográfico, “12 anos de escravidão” conta a história de Solomon Northup, um homem negro e livre que viveu em Nova York no século XIX. Em 1841, Norhtup (que era um violinista conhecido), recebeu um contive: viajar para Washington, tocar em um circo e ganhar quase o triplo do seu salário. Durante a viagem, o músico é sequestrado e vendido como escravo. Obrigado a trabalhar em uma plantação em Louisiana, Norhtup tenta fazer contato com sua família de todas as formas. Enquanto não consegue, presencia a barbárie e a violência sofrida por outros negros, que encontram-se em uma situação parecida com a sua.

ImagemEm “12 anos de escravidão”, Steve McQueen (também diretor em Shame) toca em um ponto dramático da história da humanidade, é difícil (quase impossível) não se sentir sensibilizado quando o assunto é escravidão. Famílias separadas, dor, humilhação psicológica e física, racismo e tortura: um misto de ações e sentimentos  que fazem o estômago embrulhar. Já vimos muitas histórias sobre esse tema, mas ’12 anos, diferente de Django Livre, por exemplo, traz uma história sincera sobre o terror, sobre o lado mais obscuro do ser humano. E aliás, acho fundamental esse papel que o cinema cumpre, de nos lembrar – ou melhor, de nos fazer ter consciência – da nossa história.

O interessante é que as gravações (que duraram apenas 35 dias!) aconteceram na Louisiana, muitos sets foram lugares onde escravos reais viveram, é como se a aura (me refiro a Walter Benjamin), a essência daquele sofrimento, ainda estivesse ali.

Ainda que seja um dos grandes concorrentes ao Oscar (e eu acho até que será o vencedor), o filme de McQueen apela em algumas questões; principalmente pelos excesso de momentos de divagação. O que eu digo é que em várias cenas, Chiwetel Ejiofor (o Norhtup) é exposto em tela olhando vagamente, ao som de um coro triste. O que McQueen faz ali, é claro, é tentar nos emocionar… mas de alguma forma, ele perde a mão.

Lupita Nyong'oTirando esse pequeno detalhe, o filme nos dá três grandes presentes: a fotografia(quente! que acentua a sensação de calor, de sufoco e suor), a trilha sonora (composta por ninguém mais, ninguém menos que Hans Zimmer) e Lupita Nyong’o (que também recebeu uma indicação ao Oscar na categoria de melhor atriz coadjuvante). Em ’12 anos, Lupita interpreta Patsey, uma escrava cujo o dono é obcecado por ela. Lupita é incrível, impossível não notá-la em tê-la, aliás… a minha favorita.

Acerto Final

Sou grande fã do Jack Nicholson, fã assumida.  Mas a minha admiração por ele não surgiu através dos seus grandes filmes, daqueles mais famosos como “Um estranho no ninho”, por exemplo. Comecei a admirar Nicholson depois que assisti ‘Acerto final’, um drama de 1995, dirigido por Seann Peann. No filme, ele interpreta Freddy Gale, um homem traumatizado pela morte da filha, Emily.  Depois de perdê-la, Gale promete para si mesmo se vingar de John Booth (interpretado por David Morse), o responsável pelo atropelamento da garota – no dia, Booth estava alcoolizado.

Quando Booth finalmente é solto, Gale encontra-se no ápice da sua obsessão. Inclusive, vai a casa da sua ex-mulher (interpretada por Anjélica Huston) para confrontá-la com o passado, com a morte da menina. Gale não suporta a ideia de ver sua ex-esposa com outro homem e, agora, mãe de dois filhos. É exatamente nessa concepção que o filme ganha seus pontos, enquanto Gale está preso ao passado, sua mulher resolveu seguir em frente e Booth, mesmo se sentido culpado e completamente arrependido, também deseja reconstruir a vida ao lado de Jojo (interpretada por Robin Wright).

ImagemO bacana é que a trama não se trata apenas da vingança de Gale e também não é um daqueles dramas morosos, não é um sonífero. “Acerto final” nos faz repensar na vida, nas relações familiares e nas “chances” que deixamos passar. Apesar de não ser grandioso, o filme traz pequenas pérolas em forma de diálogo e uma atuação primorosa de Nicholson, que domina o longa em toda sua duração. Aqui, Nicholson está dramático, mas em uma dosagem tão perfeita que é difícil não se sensibilizar com sua dor, é difícil não torcer para que ele consiga finalmente, matar Booth e livrar-se desse rancor que o corrói aos poucos.

Anjelica Huston Jack NicholsonA trilha sonora é perfeita, especialmente uma música de Bruce Springsteen que captura toda a tensão e o suspense do filme. Em falar em música, uma das coisas desse filme que não sai da minha cabeça é as diversas sequências construídas em cima de um bonequinho, que assobiava uma música que Gale cantava para Emily, uma música triste e marcante, uma alegoria a memória de Gale, atormentado pela morte da filha.

Ficha Técnica:
Título Original: The Crossing Guard
Ano: 1995
Gênero: Drama/Ação
Direção: Seann Peann

#Tag1 – As coisas que amo no meu quarto

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Uma amiga, a Sarah, disse que eu devia responder mais “#Tags” no La Amora. Revendo o histórico do blog, ela tem razão: aliás, nunca respondi nenhuma. Ela me mandou uma sugestão por e-mail, acho que já há alguns meses e só agora animei  responder. A ideia é até interessante, não sei se levo jeito pra coisa, mas aí vai: “O que eu mais amo no meu quarto?”

Depois de tirar essas fotos e reparar cada pedacinho do meu quarto, acho que a minha avó tem razão: tem coisa demais aqui. Mas meu quarto é bem isso, uma mistura de tudo o que eu gosto, uma bagunça que só eu entendo, fazer o quê?

1) Meus Filmes:  Coleciono filmes desde os quinze anos, acho que essa mania começou quando ganhei da minha mãe as coleções da Bette Davis e da Joan Crawford. Também gosto de baixar e gravar, perdi a conta de quantos eu tenho – amo todos eles.

Imagem2) Meus livros: Existem duas escrivaninhas no meu quarto e as duas são para guardar livros. Às vezes eu me sento em uma delas para escrever ou desenhar alguma coisa, mas é meio raro. Quando escrevo a mão ou no notebook, gosto de ficar na cama ou na mesa da sala, porque há mais espaço. Pra falar a verdade eu não sei quando comecei com essa mania de comprar livros… só sei que comecei e não parei mais. Adoro ler, seja no celular ou em um livro físico.

Imagem3) Minhas anotações: Tenho o costume de escrever em diários há muitos anos e guardo todos eles. Adoro escrever a mão, uso os “post it’s” para marcar o ano ou alguma data importante. E amo essa ideia, de poder escrever sobre a vida, sobre os sentimentos e guardá-los para a posteridade, para mostrar para meus filhos (quem sabe?). Mais do que isso, meus diários são como psicanalistas, dá pra desabafar.

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Jornalismo e Literatura: Estilos combinados

A literatura e o jornalismo são inter-influentes e, antes de tudo, possuem a escrita como um instrumento comum. Existem processos fundamentais que unem o jornalismo e a literatura, como por exemplo, a possibilidade de dar corpo à mensagem, escolher termos e os sentidos que se quer transmitir ao leitor ao se relatar determinado fato. Essa aproximação se inicia na utilização de um instrumento essencial: a palavra.

A participação da literatura na imprensa não é uma novidade. Durante o século XIX, os escritores tornaram-se presentes nos jornais através de diversas publicações como contos e crônicas. No Brasil, por exemplo, José de Alencar conseguiu consolidar a carreira e adquirir visibilidade publica através do seu trabalho no Correio Mercantil e no Diário do Rio de Janeiro. Autor de “O Guarani” (1857) e “Lucíola” (1862) retratou a complexa sociedade da sua época e ocupa um importante lugar nos clássicos da literatura brasileira. Conforme explica Héris Arnt, a literatura e o jornalismo exercem influências mútuas.

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A presença dos escritores favoreceu o aparecimento de um jornal informativo e atraente, com assuntos mais variados – formato que se fixa no século XX e que existe até hoje. A literatura, em contrapartida, sofreu também influencia do jornalismo. Ligado às exigências do meio – tudo num jornal informa -, o olhar dos escritores do século XIX volta-se para as questões sociais e as agruras da vida cotidiana. (ARNT,  p.8, 2002)

Da mesma forma, conforme explica Filipe Pena (2006), Machado de Assis e Joaquim Manoel de Macedo atuaram como jornalistas e ali receberam incentivos para seguir a carreira literária. Machado de Assis atuou como cronista, escreveu peças e poesias e, através das suas obras, incentivou a reflexão sobre a realidade e sobre o cotidiano da população. Grande colaborador do jornalismo brasileiro é o autor, dentre outras obras, de “Memórias Póstumas de Brás Cubas” (1881) e “Dom Casmurro” (1899).

       Outro autor que merece atenção é Honoré de Balzac que se destacou no jornalismo literário com publicações em folhetins que retrataram de maneira rica e detalhada seu contexto social. Balzac ofereceu um vasto conteúdo de histórias e de personagens fortemente inspirados em fatos sociais. Entre suas obras mais famosas estão “A mulher de trinta anos” (1832) e “Eugénie Grandet” (1833). 

Víctor Hugo e Charles Dickens atuaram paralelamente na literatura e no jornalismo. Com uma participação forte na política francensa, Victor Hugo publicou obras revolucionarias contra a monarquia, com o objetivo de combater a atuação de Luis Napoleão Bonaparte. Com uma extensa obra, o autor de “Os Miseráveis” (1862) exerceu importante influecia em seu país e no mundo, relatando também através de jornais, as injustiças sociais de sua época.

A presença da literatura nos jornais tornou-se marcante através dos folhetins, herança direta dos romances. Escrever para jornais não significava apenas visibilidade, mas também mais dinheiro. Os veículos aumentavam suas tiragens com os folhetins e os anunciantes mostravam-se mais interessados. As narrativas literárias facilitaram a popularização do jornal e fidelizaram os leitores. As histórias eram construídas através de texto acessível, de fácil compreensão, direcionadas a um público vasto, atingia diversas pessoas, sem distinção de classes.

De acordo com Filipe Pena (2006), características semelhantes às conhecidas telenovelas, o folhetim era escrito com uma estratégia interessante: o “plot”. Tratava-se da interrupção de um momento importante ou decisivo da narrativa que só tinha continuidade nas próximas edições. Os escritores exploravam pequenos detalhes, repetiam alguns fatos (para lembrar o público ou atualizar o leitor que não teve acesso a edição anterior) e, quando necessário, aumentavam a história ou adicionavam novos personagens para esticar o enredo e estender a trama.

O folhetim marcou a popularização dos periódicos e em países europeus contribuiu para o estímulo da população à leitura. Como os livros eram muito caros, acompanhar obras literárias semanalmente através dos jornais, tornou-se um hábito expressivo em países como França e nos Estados Unidos. No Brasil, o jornalismo literário foi um estilo que representou um avanço cultural, mas que se popularizou lentamente, pois a massa não era alfabetizada.

Os jornais sofreram transformações gráficas e adotaram, de maneira ainda mais forte, a linguagem clara e objetiva. Assim, na década de 50, a literatura diminuiu sua presença nos veículos e passou a ser encarada como um suplemento. As narrativas que atraíam os leitores dos folhetins foram perdendo espaço nos jornais, pois a preocupação com a veiculação de novidades tornou-se uma característica marcante na imprensa moderna. Os suplementos tinham função de acrescentar algo ao jornal e os escritores assumiram o desafio de combinar a qualidade dos textos com a quantidade necessária de vendas, tudo isso obedecendo às características da imprensa quanto à narrativa clara e concisa.

O surgimento dos cadernos literários nos jornais mostrou que a literatura tornou-se um complemento dos veículos. Com base na lógica do valor notícia, os cadernos literários também estavam sujeitos à utilização as técnicas e regras do discurso jornalístico. De acordo com essa lógica, o jornalismo literário se viu sujeito a acompanhar as notícias, as informações novas, que são essenciais para a imprensa moderna. Os lançamentos de mercado passaram a ter um lugar de destaque nas críticas literárias e nos suplementos, dividindo espaço com outros assuntos e aspectos valorizados como as celebridades, as fofocas e os acontecimentos inusitados.

Os escritores perceberam a importância do jornalismo e passaram a participar fortemente desse espaço público que conforme explica Filipe Pena (2006), é muito amplo. O conceito de jornalismo literário é complexo e envolve questões fundamentais para a discussão do âmbito da comunicação e da própria literatura como, por exemplo, as influencias que exercem na vida do cidadão e no cotidiano da sociedade.

Não se trata apenas de fugir das amarras da redação ou de exercitar a veia literária em um livro-reportagem. O conceito é muito mais amplo. Significa potencializar os recursos do jornalismo, ultrapassar os limites dos acontecimentos cotidianos, proporcionar visões amplas da realidade, exercer plenamente a cidadania, romper as correntes burocráticas do lide, evitar os definidores primários e, principalmente, garantir perenidade e profundidade aos relatos. (PENA, p.6, 2006)

O jornalismo literário baseia-se na utilização de recursos do jornalismo para a construção dos textos. A apuração de um assunto, a observação e o rigor ético com as informações são estratégias que continuam sendo utilizadas. A abordagem de um tema é feita de forma aprofundada, pois, assim como no jornalismo, os textos possuem um compromisso com a sociedade e com o cidadão, que é o leitor.

O jornalismo literário rompe com as amarras das redações, apresenta técnicas diferentes e não se rende a efemeridade das publicações. Não há uma preocupação com o deadline ou com a periodicidade. O escritor não está interessado em oferecer uma novidade, uma informação imediata e sim em apresentar um texto rico com uma visão completa e detalhada da realidade.

Em contraponto com a superficialidade dos textos jornalísticos, o jornalismo literário não possui um espaço tão limitado nos veículos de comunicação e por isso tem a possibilidade de contextualizar suas informações e oferecer ao leitor uma interpretação mais profunda.

Para facilitar a compreensão das principais relações que ligam o jornalismo e a literatura, Filipe Pena, autor de “Jornalismo Literário” (2006), desenvolveu vários itens através de um conjunto de temas do que chamou de estrela de sete pontas. A primeira ponta da estrela é a potencialização do jornalismo, ou seja, explica que as técnicas narrativas jornalísticas não foram ignoradas pela literatura. A segunda defende a idéia de que a literatura ultrapassa os limitar do cotidiano e da periodicidade.

Em terceiro lugar, explica que a literatura preocupa-se em contextualizar um assunto de forma mais abrangente e completa possível mesmo que o texto não passe de um recorte, uma interpretação de determinada realidade. A quarta ponta aborda o compromisso do escritor com a sociedade e da sua contribuição com a formação do cidadão.

A quinta característica evidencia o rompimento da literatura com o lead. Para o jornalismo literário não há uma obrigatoriedade de seguir o lead, uma técnica narrativa para agilizar os textos jornalísticos. As  seis questões fundamentais do lead: Quem? O quê? Como ? Onde? Quando? Por quê?,  são fórmulas importantes para guiar os jornalistas na construção de um texto e deixá-lo menos subjetivo, mas ainda assim, reducionista.

Na sexta ponta há a preocupação em recorrer a fontes que não são primárias. O autor identifica a importancia de se conseguir depoimentos de fontes comuns, ou anônimas e de evitar os definidores primários como personagens que ocupam um órgão público ou político e que sempre possuem espaço na mídia. Na sétima ponta, o autor explica que uma obras do jornalismo literário não são efêmeras, o objetivo do escritor é não cair em esquecimento.

O jornalismo e a literatura também se esbarram fora dos periódicos e se encontram em reportagens editoriais, livros-reportagem, críticas literárias, nas narrativas de não ficção e assim, se sobressaem dos limites dos gêneros e dos discursos. Essa convivência também pode ser percebida no gênero literário classificado como romance-reportagem, que se concentra na descrição dos fatos e estabelece um enredo com foco na realidade factual.

REFERÊNCIAS

ARNT, Héris. A influencia da literatura no jornalismo: o folhetim e a crônica. Editrora E-papers, Rio de Janeiro, 2002,

BIANCHIN, Neila. Romance Reportagem: onde a semelhança não é mera coincidência.  Editora da UFSC, Florianópolis, 1997.

BRANDILEONE, Ana Paula.  O Romance Reportagem: Implicações estéticas e ideológicas. Terra Roxa e Outras Terras: Revista de estudos literários, volume 19, 2010. Disponível em:  http://www.uel.br/pos/letras/terraroxa/g_pdf/vol19/TRvol19b.pdf.  Acesso em: 29 mai. 2012.

COSSON, Rildo.  Romance Reportagem, o gênero. Editora Universidade de Brasília, São Paulo, 2001.

GALENO, Alex e CASTRO, Gustavo. Jornalismo e Literatura: a sedução da palavra. Escritoras Editora, São Paulo, 2002

 LIMA, Edvaldo Pereira. Páginas Ampliadas: o livro-reportagem como extensão do jornalismo e da literatura, Editora Manole, São Paulo, 2004.

 PENA, Filipe. Jornalismo Literário, Editora Contexto, São Paulo, 2006.

 

10 lições de vida

lições que todo mundo conhece, mas que nem sempre põe em prática ou que, às vezes, se esquece….

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1) Ame a si mesmo

2) Não fique comparando a sua vida com a dos outros..

3) Não seja obcecado pelo passado ou pelo futuro: aproveite o presente e viva cada dia como se fosse único.

4) Não desista logo da primeira vez, seja persistente

5) Valorize a sua família

6) Saiba perdoar

7) Saiba economizar

8) Entenda de uma vez por todas: ninguém é perfeito, não julgue pelas aparências.

9) Não se estresse por coisas pequenas

10) O aprendizado nunca termina

Tristezas não pagam dívidas

Tristezas não pagam dívidas é um livro incrível, produto da dissertação de Mônica Rugai Bastos, apresentada em 2001 no Programa de Sociologia do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp. A autora realiza uma análise socio-política sobre a produção cinematográfica brasileira no período dos anos 30 aos anos 50 e expõe a importância das duas principais produtoras nacionais: a Atlântida e a Vera Cruz. Como define Renato Ortiz na introdução, a Atlântida e a Vera Cruz “simbolizaram a tentativa de trabalhar uma dramaturgia nacional quando o cinema estrangeiro, leia-se norte americano, era o sinal explicito de nossa alienação cultural”. Além de analisar a chanchada de maneira detalhada, Bastos relembra nomes importantes como Oscarito, Grande Otelo e Cyll Ferney, contextualizando-os em um cenário marcante, onde o Brasil saía de um perfil tipicamente agrário (anos 30), para uma época ilusória de glamour (anos 50).

Encontrei esse livro na Leitura, comprei exatamente no dia do meu aniversário, mas só agora tive tempo de relê-lo. Estou marcando as partes que me chamaram atenção. O texto a seguir é um pequeno resumo do que eu li, algumas reproduções de citações importantes ou das partes que me chamaram mais atenção. Mas aqui está um olhar apenas sobre o inicinho do livro, onde ela fala sobre o cinema nacional e sobre Hollywood. Espero (ou melhor, prometo!) retomar esse texto mais a frente.(Digamos que essa é a primeira parte e assim que tiver a segunda, coloco um link aqui!)

O Brasil e a chanchada

“a narrativa fílmica reproduz um otimismo saudável e ingênuo”.

A chanchada marcou o cinema brasileiro, surgiu em um período em que um dos grandes temas culturais era o carnaval. Nos filmes, muito samba, marchinhas, plumas, pandeiros, sátiras. Mocinhas e vilões desfilavam em um Rio de Janeiro glamouroso, frenético. Como diria a autora; “ir ao cinema era moderno e viver na cidade também”.

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Infelizmente, essa ideia de modernidade era ilusão, uma concepção forjada nos primeiros anos no governo de Getúlio Vargas. De fato, o país dava passos para mudanças estruturais econômicas, mas elas aconteceram gradativamente (com a implementação de siderúrgicas, criação das leis trabalhistas e indústrias de bens de consumo duráveis). É de conhecimento que Vargas  tinha uma preocupação em educar o povo para a cidadania, criou um sentimento nacionalista  e investiu em órgãos especializados na educação.

Essas estratégias refletiram diretamente no cinema e Bastos explica da seguinte forma: “Vargas se utilizou do cinema nacional para divulgação de novas ideias, e, ao fazê-lo, engendrava uma fórmula dúplice: de um lado, apoiava-se na tese de que o cinema brasileiro, por ser nacional, era melhor do que o estrangeiro. de outro, ao veicular ideias e valores nacionais, provocava uma identidade imediata do público com os princípios defendidos. Com tal estratégia, conseguia que o público comparecesse em massa e estivesse mais aberto à absorção daqueles princípios”

E claro, para divulgar seus slogans, facilitou a penetração dessas mídias (entre elas o cinema e o rádio) no cotidiano da pessoas. Nos anos 30, o rádio tinha um espaço muito maior do que o cinema – não só porque chegava em regiões mais restritas, mas por que era mais conhecido. Aos poucos o cinema foi tomando sua forma, conquistando o seu lugar e tinha uma vantagem: “O cinema ganhava do rádio, por que além da ideia e do som, tinha também a imagem”. Mas conquistava seu espaço com dificuldade: os filmes chegavam com atraso, as estrelas nacionais não conseguiam disputar o mesmo espaço com as de Hollywood e os gastos publicitários eram astronômicos. O cinema nacional (como indústria) só conseguiu se consolidar na década de 1950, com a chegada da Vera Cruz.

As estrelas de cinema preenchem o vazio da falta de heróis do mundo moderno

As primeiras produtoras cinematográficas brasileiras surgiram na década de 30, época em que o público já tinha absorvido a ideia do “star system”, uma série de estratégias publicitárias (se é que se pode chamar assim) que já tinham se consolidado em Hollywood. Para uma melhor definição, é interessante dizer que o star system era uma fábrica de estrelas, de artistas, que propositalmente criava uma expectativa, uma admiração do público em relação aos atores e de certa forma, eram paradoxais: ao mesmo tempo que aproximavam os famosos do público (por meio das revistas e dos próprios filmes), criavam um distanciamento.

Foi, principalmente por causas dessas estrelas que Hollywood se tornou uma indústria cultural. Na década de 20 o cinema movimentava um público restrito, depois disso rendeu-se ao mercado e tornou-se um produto mundialmente conhecido. É difícil precisar exatamente o momento em que isso aconteceu, mas o que se sabe é que a chegada dos profissionais de marketing nesse cenário trouxe ao cinema uma “aura” diferente, trouxe não só o glamour como também o consumo. Vendia-se não só os filmes, mas também os atores e ganhava-se muito dinheiro com isso.

Eliana Macedo e Grande Otelo, 1948. Cena do filme: E o Mundo se Diverte.
Eliana Macedo e Grande Otelo, 1948. Cena do filme: E o Mundo se Diverte.

Bastos explica o seguinte: “Como todo objeto, a estrela (o ator) apresenta duas facetas, precisa ser suficientemente concreta para vender sua imagem pelos filmes; mas necessita ser diáfana para se diferenciar do restante dos mortais. Os estúdios de cinema atingem esse objetivo por meio da mitificação dos atores e das atrizes. É uma forma invertida da apresentada pelo teatro grego, onde o ator pode representar um mito. No cinema, o ator torna-se o mito no momento em que representa os anseios da humanidade. Há uma projeção das aspirações do público sobre o interprete que acarretam a perda de sua individualidade. É disso que vive o cinema”.

Uma das reflexões mais interessantes da autora (na verdade, ela se baseia em Edgar Morin) é a de que no cinema (em sua essência), o ator é apenas uma peça secundária, afinal o cinema é seu próprio personagem. A linguagem cinematográfica permite a ausência do autor, diferentemente do teatro em que o ator é fundamental, o filme coloca essa importância em segundo plano… o exemplo mais claro disso são os documentários ou alguns filmes do realismo alemão, mas o star system provocou uma simbiose entre os dois (entre o ator e o filme).

 REFERENCIA: Bastos, Mônica Rugai. Tristezas não pagam dívidas. Cinema e Política nos anos da Atlântida/ São Paulo: Olhos D’agua, 2001

A Mulher que escreveu a bíblia

A publicação de hoje é especial, porque é a primeira vez em que faço um podcast para o La Amora.  Estou me aventurando no campo da edição e vocês vão reparar que o áudio está meio picotado… De qualquer forma, vou continuar treinando e espero “chegar lá” um dia. O Podcast está linkado aí embaixo e é só clicar no play para ouvir a minha voz.

“Segundo os anciãos, Deus criara primeiro o homem a partir do barro. Eu não tinha nenhuma objeção a essa humilde matéria-prima. Mas por que o homem primeiro, e não a mulher? E por que tinha a mulher sido criada de maneira diferente? A história da costela me parecia tola, para dizer no mínimo, ou talvez, até uma afronta, considerando a modéstia dessa peça anatômica. Decidi corrigir tais equívocos mobilizando para isso as minhas próprias fantasias. Criados, o primeiro homem e a primeira mulher enamoram-se loucamente um do outro, e aí transformam o Éden num cenário de arrebatadora paixão. Fodem por toda a parte, na grama, na areia, à sombra das árvores, junto aos rios. Fodem sem parar, como se a eternidade precedendo a criação nada mais contivesse que a paixão deles sob forma de energia tremendamente concentrada. O encontro dos dois era, portanto, uma espécie de Big Bang do sexo, muito Bing e muito Bang.”

ImagemEla era feia, mas escreveu o livro mais famoso do mundo.

Ela escreveu a Bíblia.

A mulher que escreveu a Bíblia, livro escrito por Moacyr Scliar e lançado em 1999, é um daquelas narrativas imperdíveis, que a gente lê rapidinho e pede por mais.  Scliar tem um desempenho invejável, consegue balancear humor e o drama sem complicação.

Além de apresentar um texto simples, Scliar mistura a linguagem coloquial e a linguagem erudita sem nenhum medo. Ele também brinca com o sagrado e o profano de maneira corajosa, sem rodeios. A personagem principal, que aliás, não tem nome, é uma mulher encantadora, inteligente e sagaz. Infelizmente, em seu contexto, ela é feia, feia que dói e essa característica física causa grandes transformações em sua vida. O engraçado é que ela tem um instinto sexual muito grande, mas não consegue satisfazê-lo por que não encontra um companheiro que corresponda seus desejos, que “apague o seu fogo”.

A história se passa no século X (a.C.) e relata o caso de uma mulher, filha do chefe de uma vila, que descobre acidentalmente que é muito feia. Por uma boa ação de um senhor que vivia no local, ela aprende a escrever. Sem nenhum pretendente, ela passa a frequentar uma montanha onde conhece um pastorzinho e se apaixona por ele. Infelizmente esse pastor tem um caso com a sua irmã, o que abala ainda mais a sua autoconfiança. Um dia, surpreendentemente, o Rei Salomão a pede em casamento.  Ela não nega e encantada com a ideia, muda-se para o harém do palácio onde convive com outras setecentas mulheres. Ela tenta se aproximar do rei, mas ele não sente nenhum desejo por ela, o fato de tê-la como esposa era por puro interesse: queria que ela escrevesse um livro, uma obra tão impressionante, que marcasse a humanidade.