Violeta foi para o céu

Violeta+Parra+PNGEu conheci a Violeta Parra há muito tempo e sempre cantarolava suas letras… mas, apesar de admirar suas músicas e de me sensibilizar com as mensagens que ela passava, nunca me dei ao trabalho de conhecer ou ler profundamente sobre a sua história. Sobre ela, eu sabia algumas coisas superficiais e só… Daí veio o filme, que ficou em cartaz aqui em Belo Horizonte no Belas Artes por um longo período. Eu cheguei a marcar com as amigas para ir assisti-lo diversas vezes e não sei o que acontecia, mas nossos encontros sempre furavam. Somente anos depois da estreia é que tive oportunidade de assistir. Coloquei o dvd e mergulhei na história fantástica daquela mulher forte, indócil, corajosa e inteligentíssima.

Acho que a Parra, como muitas personalidades da história, foi uma figura controversa… uma figura provocativa, cheia de ações questionáveis… mas também, uma mulher admirável, de origem humilde que conquistou milhões de seguidores através da sua arte e que deixou um legado. Fico admirada com a pesquisa de campo (se é que posso usar esse termo) que ela usava para conhecer e resgatar músicas folclóricas do Chile. E fico igualmente encantada com a sua insubmissão.

Infelizmente, como eu só assisti o filme e li superficialmente, é provável que a imagem que eu tenha criado dela na minha mente não esteja lá muito correta… Mas alguns fatos narrados me levam a crer que Violeta Parra violeta-foi-para-o-céufoi muito corajosa. Quando a gente assiste uma história como a dela, é difícil não se envolver e eu, sem querer acabei ficando extremamente incomodada no momento em que ela ‘abandona’ os filhos para fazer uma turnê internacional.

Eu sempre tento assistir uma história como essas sem ‘julgar’ o personagem, mas eu confesso que fiquei extremamente doída quando ela foi e deixou as crianças. E fiquei ainda mais incomodada (ou chocada), quando a filhinha dela morreu. Pelo menos no filme, não percebi nenhum remorso.

Me pareceu que ela precisava fazer uma escolha: a música ou os filhos. Ela escolheu a música. Bom, ela não se separou dos filhos posteriormente, e pelo que percebi eles também seguiram o caminho da música… mas o filme me passou a ideia de que era uma mãe ausente, entende?

Apesar das suas façanhas, como a exposição no Louvre e a instalação em La Reina, Violeta terminou os seus dias sozinha e desolada. Viveu um amor tumultuado com Gilbert Favre que a abandonou e foi embora para Colômbia. Estava depressiva, e foi exatamente nessa época que compôs suas músicas mais famosas (e que, ao meu ver, são as mais lindas: Volver a los 17 e Gracias a la Vida).. Só de pensar que ela se matou, há um estranhamento… uma tristeza por ela, sabe?

Escuta aí a música que ela escreveu quando o Gilbert partiu:

Éramos Seis


“Enquanto ia andando, descendo a Avenida Angélica, comecei a lembrar que os meus também foram embora, a vida levou-os e se espalharam pelo mundo, menos Carlos que já não existe. Esse eu visito sempre, está deitado no cemitério S. Paulo, dormindo sossegado entre quatro roseiras que florescem todos os anos, em Setembro. São rosas brancas, bem grandes, das que ele mais gostava. Carlos eu sei que está bem, os outros não sei onde andam. Estão aí, pelo mundo.”


RAMOS_SEIS_1260649451PEntão, finalmente e depois de tanto tempo, terminei de ler “Éramos Seis” – estou encantada! Maria José Dupré (ou Sra. Leandro Dupré, como assinava seus livros) nos presenteou com uma história belíssima, daquelas que merecem ser lembradas por toda a posteridade. A trama é bem famosa, até porque já foi adaptada para a televisão (se não me engano, duas vezes). Quem não sofreu junto com a Irene Ravache, que encarnava a Dona Lola? Pois é…

Eu pensei em escrever inúmeras coisas sobre o livro, mas em princípio, gostaria de chamar atenção para o título, que é de uma poesia tão linda e de uma tristeza… Em suma, resume perfeitamente a dor de uma mulher, mãe e esposa, que acompanha e sofre com o distanciamento de cada um dos membros da sua família. “Éramos Seis” é um livro triste e nostálgico, e também uma aula de história, um convite a conhecer (ou lembrar) o Brasil da década de 1930, repleto de turbulências políticas e conservadorismo.

O livro guarda o gostinho gostoso da “época da vovó”, das brincadeiras no terreiro, dos bondinhos, dos laços de fita, das panelas de tacho, dos doces de laranja e mamão, da era do rádio, dos chapéus…da inocência perdida.

1e78eb458f4d73ebb511bcf0183ff4ccDona Lola, casada com seu Júlio, faz de tudo para manter o equilíbrio familiar e educar seus filhos: Carlos, Alfredo, Julinho e Isabel. Os quatro possuem personalidades muito diferentes e são a tônica da narrativa, já que o leitor acompanha suas histórias de infância até a vida adulta. Em determinado momento, a  família é abalada com a morte de Júlio e é Dona Lola a principal responsável por enfrentar as dificuldades financeiras.

Me recordo muito da novela, e há diversas diferenças entre a adaptação e o livro. No livro, a família é muito mais pobre do que aparenta na novela. Eles quase passam fome e a D. Lola (que aliás, se chama Eleonora), conta que escolheu ficar sem os dentes para poder comprar o presente de casamento do filho.

Júlio, o pai, é uma figura muito conservadora e por vezes violenta… Alfredo é um cafajeste da pior raça, daqueles que tira dinheiro da mãe, da tia e dos irmãos, sem se preocupar com a dificuldade financeira da casa. Isabel, se envolveu com um home casado e foi duramente criticada pela família, a ponto de ser impedida de voltar para casa – tinha apenas vinte anos. E a morte de Carlos (sem dúvidas, um dos momentos mais tristes do livro), acontece por causa de uma úlcera. Ele morre da mesma doença que matou seu pai.


Separei algumas citações:

“Fiquei pensando em como é misteriosa a natureza humana; quando pensamos que conhecemos a alma dos nossos filhos, suas vontades, seus gostos, suas reações, suas debilidades, vemos que estamos longe da verdade, não conhecemos nada, estamos diante do inexplicável. Mesmo sondando com tato e cautela, deparamos sempre o desconhecido e ficamos surpreendidos diante do inesperado”

2015-04-18 13.48.58

“Nunca disse aos  meus filhos para serem honestos. Sabe por quê? Porque sempre pensei que a gente já nascesse honesta e isso não se ensinasse. Imagine dizer a eles todos os dias: Não roube, não mate. Você acha que isso ensina? É o mesmo que dizer: a boca é para falar, os olhos são para olhos. Isso ensina, Clotilde?”

.


“Mi hijo ha muerto ayer. Durante tres dias y tres noches he estado luchando con la muerte, queriendo salvar esta pequena y tierna vida y durante cuarenta horas he permanecido sentada junto a sua cama, mientras la gripe agitaba su pobre cuerpo, ardiente de fiebre dia e noche.  A la tercera noche he caído desplomada. Mis ojos no podían ya más y se me cerraban sin que yo me di cuenta. He dormido durante tres o cuatro horas en la dura butaca y mientras he estado dormida se lo ha llevado la muerte” – Zweig

“

Guia Politicamente Incorreto da América Latina

Terminei de ler o Guia Politicamente Incorreto da América Latina no mês passado, mas perdi a deixa e acabei não escrevendo sobre ele no La Amora. Com ele descobri que sei muito pouco (ou quase nada) sobre a história da América Latina e me impressionei com algumas revelações dos autores, Leandro Narloch e Duda Teixeira. Lembram que eu tinha comentado sobre “O Guia Politicamente Incorreto da História do Mundo”? Pois é… eu não sei qual foi publicado primeiro, o fato é que seguem a mesma estrutura e possuem uma narrativa irônica, direta e meio coloquial (o que é uma delícia, porque permite uma leitura mais fluída, menos trabalhosa e descompromissada).

LaAmoraGuiaPoliticO livro apresenta uma visão diferente da história oficial dos grandes nomes do cenário político e social da América Latina (Che Guevara, Evita e Perón, Pancho Villa, Salvador Allende…) e desconstrói a imagem de herói que muitos deles carregam há anos.

O meu capítulo favorito é o que fala sobre a Evita Perón, sobre a sua fama de bondade que escondia a vida luxuosa, cercada de roupas, joias e propriedades caríssimas. “A madona dos descamisados”, que distribuía notas de dinheiro ao povo, conseguiu construir sua imagem através do patrocínio governamental (e que, aliás, flertava com o fascismo). Evita  morreu aos 33 anos, vitima do câncer no colo do útero. Deixou uma herança superior a 8,5 milhões de dólares. Ah! E fiquei muito surpresa quando os autores contam que Perón gostava de sair com garotinhas de treze anos…

A verdade é que aprendi muito com esse livro, passei a olhar o Pancho Villa, por exemplo, de uma maneira bem diferente. Este foi um herói moldado por Hollywood e usou do “falso coitadismo” para se popularizar. Segundo os autores, Pancho Villa dizia que era de origem pobre e analfabeto, quando  estudiosos confiram que ele  veio de uma família “que desfrutava de certa abundância” e que Pancho estudou até a escola primária.

Da história dos Incas, Astecas e Maias, pouco me surpreendeu. Talvez porque já conhecia um pouquinho… Acho que não é muita novidade o fato de que lutavam entre sí. Mas aqui, eles são retratados como mais cruéis como de fato a “história oficial” conta. Eu não imaginava, por exemplo, que os Incas chegaram a impor a religião deles aos povos conquistados anteriormente a chegada dos espanhóis.

A história do Haiti é muuuito interessante, é incrível e eu…. gente, eu confesso, que nunca li nada sobre! A vida de Julien Raimond ou de Jean Kina… que foram escravos e que escravizaram.  É muito louco pensar na organização dos escravos de São Domingos que conseguiam organizar revoltas simultâneas, sem a facilidade de comunicação que conhecemos hoje em dia…

Por fim, acho legal evidenciar uma reflexão feita pelos autores que me lembra muito o que Jorge Castañeda diz em livro (do qual já escrevi aqui). Sobre o coitadismo, a mania que os latinos possuem de lamentar… De não conhecer bem seus próprios heróis e de ter a cultura como forma de resistência. Mas, principalmente, de achar que a América Latina é “abrangente e homogênea”, quando há mais diferenças do que semelhanças entre os países…

crédito:@

zoiodlula

sobre escola, bullying e outras coisas…

Drags Race é um programa sensacional, fico agradecida à Jéssica por tê-lo RuPaul  = Drags Raceindicado. Passei o fim de semana revendo as temporadas e me emocionando com as histórias dos participantes. É admirável a forma que eles conseguem extrair alegria de suas tristes bagagens emocionais e familiares, que em sua maioria, são marcadas por preconceito e não aceitação. No episódio que assisti hoje, eles comentavam sobre bullying e tocaram em um assunto que me fez lembrar da minha época de escola.

Já contei por aqui que eu e a minha turma de amigas não fazíamos parte dos grupinhos “populares” e além da pouca vaidade, éramos as “gordinhas caxias”. Conversava com as minhas amigas que na nossa época falava-se pouco (ou quase nada) sobre o bullying e que, apesar desse nosso incômodo estar escancarado, não se via uma atitude por parte dos professores. Aliás, nós éramos um dos vários grupinhos que sofriam com aquilo, tinham os nerds, os “afeminados”, os mais pobres…

Tava lembrando de uma colega de sala de aula, nunca tivemos a oportunidade de conversar sobre isso. O fato é que ela zombada pelos outros alunos todo o tempo. Me formei no ensino médio há seis anos, já me esqueci de muitas coisas – e outras, são tão marcantes que é impossível apagar da memória. Lembro que essa colega trocava o “L” pelo “R”, falava pranta e brusa, ao invés de “planta” e “blusa”.

E, como se fosse ontem, lembro de uma professora debochando e fazendo com que ela repetisse a palavra na frente de todo mundo, várias vezes. Os meninos riam, e ela dizia… meio exausta e envergonhada: “não consigo, não consigo!”. Estudei em uma escola particular, repleta de alunos com boa situação financeira…. eram poucos (e imagino que ainda seja assim), que vinham de uma família mais simples…

escolaNão sei o que se passava com os professores, ou eles tinham algum receio em relação aos pais, ou não se importavam. Por fim, se tornavam convenientes com a situação porque eram a única autoridade na sala e mesmo assim não faziam nada.

Pois é… tô falando sobre isso porque, ao fazer uma rápida pesquisa no Google, encontrei um artigo escrito por Erika Strassburger, no “família.com” que me pareceu bem certeiro e didático. A vida da criança e do adolescente na escola é uma coisa muito séria, que merece ser acompanhada de perto pelos pais (não precisa ser um especialista para afirmar isso, né?)… No artigo, a autora apresenta algumas dicas para os pais, para que eles identifiquem indícios de que o filho está sofrendo bullying do próprio professor e ensina o que fazer nesses casos…conversar com o filho, com os outros pais e alunos, com os diretores… etc.

Vou deixar o link, caso vocês queiram ler, vale a pena… (clique aqui).

Porque, De Quem e Para Quem

Viviane Novy, uma nova foca que surgiu no pedaço.
Conheça o “Sim, eu escrevo”, um blog cheio de ideias fresquinhas de uma estudante de jornalismo da UFOP, que tem muitas experiências para contar. Parabéns pelo blog, Vivi. Já possui uma leitora assídua! ♥

Viviane Nový's avatarSim, eu escrevo!

Caros visitantes, sejam bem-vindos! Como meu primeiro post, acho mais adequado me apresentar. Afinal, um texto lido na internet pode ser apenas mais um texto corriqueiro e aleatório. Mas de quem veio? Por que está ali? E claro, para quem?

Sou estudante (apaixonada) de Jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil, Terra. Uma recente “ufopeana” do primeiro período de curso que recebeu um ótimo conselho; “Faça um blog! Escreva! Não fique parada.” Desde então, penso no que dizem sobre blogueiros. Que não têm nada melhor para fazer, que suas opiniões polêmicas são para nada mais nada menos do que chamar atenção. Essas posições me frearam um pouco, talvez o suficiente para descartar a ideia por um momento. Mas o que seria de um texto, um simples texto se não um despertador do desejo de escrever, de criticar, de fazer parte de alguma ideia? Sim, isso me deu…

View original post mais 130 palavras

Toda nudez será castigada


“Meu filho, não tenha pressa de perdoar.

A misericórdia também corrompe”


Toda Nudez Desrespeitando toda a organização que bolei na minha cabeça para as leituras de 2015, terminei de ler a peça teatral “Toda nudez será castigada”, passando este livro na frente de muitos outros que estavam na espera. Não faz mal, ler Nelson Rodrigues me ajuda a revigorar o meu apreço pela dramaturgia brasileira e me faz admirá-lo ainda mais. Já falei por aqui (inúmeras vezes) que o acho um gênio… e, depois dessa última leitura, a minha vontade de ler outras de suas obras aumentou.

Toda nudez será castigada é uma tragédia, repleta de traição, ambiguidade e perversidade. A trama conta a história de Herculano, um homem viúvo que se martiriza pela morte da esposa (que teve câncer no seio). Seu filho, Serginho (um jovem de 18 anos), não superou a ausência materna e implorou para que o pai nunca se casasse ou tivesse uma outra mulher na vida novamente. A relação doentia entre os dois é agravada pela influência das três tias, solteironas e mais velhas, que defendem a castidade de Serginho. Patricio, irmão de Herculano (e, ao meu ver, o grande vilão da peça), faz com que Herculano se apaixone por Geni, uma prostituta. O problema é que Geni, se apaixona por Herculano, mas também pelo seu filho…

Ao longo da minha leitura, fui me impressionando com as reviravoltas da história. Eis uma peça que gostaria muito de assistir. Lendo uma análise, fiquei ainda mais surpresa com a capacidade de Nelson Rodrigues de observar o cotidiano e transformar “a banal vida da classe média”, em obra prima. É realmente admirável.

Quando falo em ambiguidade (em complexidade também), não é a toa. Por exemplo, a relação obscena entre Geni e Serginho pode ser encarada com a necessidade de Geni de suprir o seu desejo maternal. A honestidade e o caráter de Herculano não são tão naturais, pelo contrário, suas boas atitudes são forçadas…talvez pela influência das tias. Outras que, defendem a boa moral e a castidade, mas que no fundo, possuem uma “tara” pela virgindade do sobrinho (e a tara é tão grande, que elas chegam a conferir se suas cuecas estão limpas de qualquer rastro de sexo). A violência sofrida por Serginho é também a sua redenção, por fim, ele consegue se livrar de toda a podridão familiar que o cerca…

sobre a Eliete Cigaarini

ÍndiceEntão a Eliete Cigaarini esteve em Belo Horizonte com a peça Tribos e eu não fui vê-la. Não, porque eu não quisesse, é claro. Simplesmente não deu… fiquei sabendo em cima da hora e quando fui comprar os ingressos, estavam esgotados. Fiquei (e ainda estou chateada) queria muito (muitíssimo) vê-la…. Ah droga! Como eu queria!!

Cigaarini está presente nas boas memórias que tenho da infância… da época em que eu, ainda pequena, sentava sozinha na sala e ficava vidrada na TV assistindo novela. Lembro da doçura da Carmencita e do quanto eu torcia para que ela e o Carlos ficassem juntos. Esse, foi um dos primeiros romances pelo qual me encantei… romance, aliás, que termina de uma forma tão triste.

Éramos Seis foi um grande novela, uma produção muito querida pelos saudosistas (como eu).  É uma pena que eu ainda não tenha lido o livro, mas de qualquer forma é uma história que me encanta.  Eu também era apaixonada pela Adelaide, me identificava com personalidade dela… Aliás, também adoro a Bete Coelho, acho que ela tem um charme único, uma voz encantadora.

Engraçado é que outro dia revi algumas cenas de Éramos Seis, por causa da Eliete, e a Carmencita me pareceu muito chata e egoísta, fazendo exigências descabidas ao Carlos… A verdade é que eu amei a novela ainda mais depois de revê-la, porque ela faz um retrato das imperfeições humanas, das dores que cada um traz no peito… Ahhh a Eliete atua tão bem, queria poder vê-la mais – seja na TV, no teatro (que é um pouco mais difícil) ou no cinema… Digo que o teatro é difícil porque a maioria das produções que ela participa (pelo menos, foi o que me pareceu) se concentram em São Paulo e no Rio de Janeiro…


Lembro que levei um susto quando a vi em Malhação, quando ela apareceu super Eliete gata como a mãe do Dado Dolabella… acho que foi a primeira MILF da minha história. Da mesma forma, eu não perdia nenhum capítulo (só para vê-la). Acho que a personagem se chamava Helena (ou Laura), e ela sofria vários abusos do marido até que decidiu largar a casa. Na trama, ela procura o filho e é acolhida pela família do Guilherme (amigo do filho), daí ela começa a ter uma relação meio proibida com o Guilherme, porque ele era super novinho…

Faz muito tempo que assisti, não consigo me lembrar do final da trama.

Ah Caramba! E eu assistia (e gravava) A Pequena Travessa, só por causa dela também. Mas, eu lembro que ficava muito incomodada com a Fernanda, a personagem que ela interpretava. A Fernanda tinha sido traída e passou por humilhações inimagináveis e mesmo assim, aceitou voltar com o marido. Queria que ela tivesse sido mais forte, mais corajosa, que tivesse seguido a vida sozinha ou encontrado um outro homem que a valorizasse mais. Acho que a minha veia feminista sempre falou muito alto, mesmo na infância…

eliete-cigaarini (4)Pensando bem, eu acho que Eliete deve ter se acostumado a interpretar mulheres traídas… A Sílvia, em Laços de Família, por exemplo… impossível não lembrar o que aquela mulher passou. – E eu ficava muito puta, porque mesmo depois de tudo, a Silvia ainda ficava enchendo a bola do marido, cara!! – E no final, ela não fica com ele… droga!


Não tive oportunidade de acompanhar suas novelas mais recentes da Record, falta de tempo… Mas, Louca Paixão. CARA! DE TODOS OS PERSONAGENS QUE ELA INTERPRETOU, ESSE FOI O QUE MAIS ME IDENTIFIQUEI  –   e eu me lembro muito dessa novela!!

– Caramba, sou tão noveleira assim?

Ela era uma agente penitenciária linha dura, meio masculina… a Aracy!! Lembro que ela colocava o terror nas presidiárias e era culiada com o diretor do presídio, que era um cara super corrupto.


Tá… esse post  não saiu da forma que eu queria. Acho que eu poderia ficar até amanhã, escrevendo sobre tudo o que vi com ela, e não é o caso. A verdade é que a admiro muito como atriz, a acompanho sempre e admiro muito o seu trabalho – principalmente no teatro, que infelizmente nunca vi, mas acompanho tudo o que ela lança. Sei das aulas que ministra, do valor que ela dá ao que faz.  Ela transparece  uma sensibilidade muito grande,  e um domínio, uma sabedoria… sabe? Espero, muito mesmo, que ela continue atuando, dirigindo, escrevendo. Que ela não pare, NUNCA.

 PUTZ, e eu já ia quase me esquecendo… ela me lembra muito a SUSAN SARANDON

O dia em que vi Jessica Lange

Jessica Lange em São Paulo Há quatro anos, quando fiquei encantada por Jessica Lange (e encarei um longo período fazendo maratonas de seus filmes) eu não poderia imaginar a possibilidade de vê-la pessoalmente, tão de pertinho.  No ano passado fiquei sabendo que ela viria ao Brasil falar sobre o seu trabalho fotográfico, mas não me organizei para uma viagem…  Inusitadamente, o MIS (Museu de Imagem e Som de São Paulo), que iria recebe-la, passou a divulgar o evento nas redes e pediu que os interessados enviassem um pequeno currículo. Os selecionados teriam um lugar garantido no bate-papo. Mandei o meu, sem muitas expectativas… e na segunda-feira, um dia antes do evento, fiquei sabendo que eu estava entre  os selecionados.

Foi como se eu tivesse ganhado na loteria. Fiquei como criança, imaginando a possibilidade de vê-la tão de perto. Na verdade, eu chorei feito um bebê. Então, sem ter nada organizado, viajei para São Paulo. Fui recebida pela Anna Bella, minha querida amiga (que estudou comigo na PUC) e tive a felicidade de estar acompanhada da minha mãe, que me ajudou em praticamente tudo. Eu tenho horror à metrô, e em São Paulo fui “obrigada” a usá-lo.  Minha mãe, como sempre, foi a melhor companhia que eu poderia ter.

em são pauloliberdadeEstávamos exaustas, oito horas de viagem e um São Paulo enorme, nebulosa e latejante nos chamava para conhecê-la. Em apenas poucas horas isso seria impossível, é claro. Mas, do pouco que vimos, deu para sentir o gostinho da cidade grande.  Andamos pela Liberdade, conhecemos a Av. Paulista, a Augusta… a Livraria Cultura! E depois, fomos correndo para o Museu… Ficamos plantadas do lado de fora por algum tempo, quando chegamos – e já esperávamos por isso, descobrimos que alguns fãs da Jessica tinham chegado às 6h da manhã na tentativa de participar do bate-papo.

Livraria Cultura

bellaaJessica veio falar sobre o seu trabalho como fotógrafa e da sua exposição “Unseen”. Eu já conhecia a história de algumas fotos, da sua relação com a fotografia e do seu amor pelo México e achei engraçado (mas, não tão surpreendente) o fato de que muitos dos que estavam lá não faziam ideia do seu trabalho como fotógrafa e foram ao Museu especialmente para ver a “Suprema”. Muitos jovens, entre os seus 17 e 20 anos… é realmente surpreendente o poder que a televisão tem e o quanto a carreira da Jessica foi revigorada depois de American Horror Story, indiscutível.


As pessoas que não conseguiram entrar na sala assistiram a entrevista por um telão, do lado de fora… Os participantes da sala receberam um fone que permitia a tradução instantânea. Nas primeiras cadeiras, críticos, jornalistas e estudantes… todos me pareceram incomodados com aquela “festa” dos fãs, estavam sérios e sóbrios demais, enquanto nós… imersos na loucura de ver Jessica Lange.

nasalaQuando a Jéssica entrou, os aplausos e gritos não paravam… Posteriormente li uma matéria que explicava a situação perfeitamente: os fãs da Jessica a trataram como uma pop star. E, muitas pessoas vieram de longe para vê-la… vocês podem imaginar a loucura que foi?

Bom…fotos e vídeos não estavam permitidos, eu tirei algumas escondidas, mas elas ficaram bem ruins… Jessica é linda e me pareceu muito tímida, olhava para baixo o tempo inteiro, fala baixo e sempre solta pequenos sorrisos no canto dos lábios.

jssjessicalangeelange1Jessica mostrou que ama e domina fotografia e, pude perceber que ela não queria falar sobre AHS. Não respondia perguntas sobre o assunto, não autografava dvds ou cadernos… nada, com a imagem da série. Alguns fãs conseguiram, mas foram poucos. Ela fez muitas reflexões interessantes, em uma delas por exemplo, Lange questionava a necessidade de tirar fotos (selfies) o tempo inteiro… “Quem se importa?”

Por fim, ela ficou em um espaço onde dava autógrafo e permitia que as pessoas a fotografassem. Eu já estava exausta. Não da exposição, é claro, mas da viagem, dos passeios… Minha mãe salvou o dia, e conseguiu um autógrafo! Enfim… já escrevi demais, só tenho a dizer que foi maravilhoso, marcante, muito muito muito bom!

auto

A última sessão

“Encontro de dois.
Olho no olho.
Cara a cara.
E quando estiveres perto
eu arrancarei
os seus olhos
e os colocarei no lugar dos meus.
E tu arrancara
os meus olhos
e os colocara no lugar dos teus.
Então, eu te olharei com teus olhos
e tu me olharas com os meus.”

– Jacob Levy Moreno

A ÚLTIMA SESSÃO 1 - DNGEu tinha me esquecido do sensação maravilhosa que é ir ao teatro e fico feliz por tê-la relembrado nesta semana, com uma peça tão linda.

Na quinta-feira fomos assistir “A última sesssão”, no Sesc Palladium. A peça, escrita por Odilon Wagner, conta a história de um grupo de amigos idosos que se reúnem em um restaurante para almoçar. Ao longo do encontro eles vão revelando suas histórias, suas mágoas e segredos e são envolvidos em uma trama pautada por muito amor e traição.

Os diálogos são deliciosos, cheios de lirismo, de saudosismo e leveza. Impossível não se divertir com a personagem interpretada por Laura Cardoso, uma mulher super bem resolvida (sexualmente) ou se emocionar com Amanada (Nivea Maria), a mulher traída. Ou se compadecer por Maria Tereza (Miriam Mehler) – cara, como essa atriz é incrível! E Sônia Guedes… ela é muito foda!

Ver aqueles atores tão incríveis, contanto histórias tão densas e, principalmente, ter o privilégio de estar lá… assistindo, não tem preço. Vê-los assim, pulsando, extremamente inteligentes, atualizados… Mandando o recado de que a velhice não é o fim, que há ainda muitas possibilidades – que ainda há muito o que viver e experimentar… foi lindo.

Aliás, saí do teatro com uma vontade imensa de ler Shakespeare, em especial “A Tempestade”.