O tiro que não saiu pela culatra, 1989

parenthood-1024

Ser pai ou ser mãe deve ser algo absolutamente difícil. Ultimamente tenho me questionado muito sobre a maternidade (se seria capaz de gerar um filho saudável e fazê-lo feliz, como seria a vida financeiramente e etc). As minhas amigas se tornaram mães e eu sempre piro quando penso no assunto. Temos 25 anos (uma delas 24, na segunda gravidez) e, enquanto elas parecem decididas do que querem e da vida que escolheram, eu ainda me sinto sem rumo, cheia de dúvidas sobre qual passo tomar. Outro dia li inúmeras matérias sobre mulheres que odeiam ser mães (esse é um papo para outra publicação), mas fiquei intrigada demais com isso… também teve o lance da Carmen Maura, (você pode ler aqui), que disse que amava os filhos, mas se pudesse voltar no tempo, não engravidaria novamente.

O assunto me fez lembrar de um filme. Há muito queria escrever pelo menos uma notinha sobre ele, mas eu sempre me esqueço e vou colocando outros assuntos à frente. “O tiro que não saiu pela culatra” de 1989 é uma comédia americana que conta a história de quatro irmãos (família Buckman) e de seus filhos. O título original é “Parenthood”, algo como… paternidade. É um filme que mescla drama e humor, muito legal por mostrar as imperfeições de cada pai (e mãe) e como eles se esforçam para  proporcionar o melhor para os filhos.

Gil, o personagem de Steve Martin, por exemplo, tem em seu histórico um péssimo relacionamento com o pai. Por isso ele tenta fazer de tudo para não entrar em conflito com os filhos, mesmo quando um deles enfrenta sérios problemas na escola. Por outro lado, Helen (interpretada por Dianne Wiest) é uma mãe divorciada que não consegue se comunicar direito com os dois filhos, Julie é rebelde e só pensa em namorar. Gary, deseja se reaproximar do pai e quebra a cara quando descobre que o pai tem outra família e não se preocupa com ele.

Nathan e Susan tentam criar a filha perfeita, são extremamente zelosos, exigentes e criam a menina como um ratinho de laboratório, feita para ser a melhor em tudo. E tem também Larry, que andava afastado da família, e quando volta…conta para todos que é pai e que o menino vai morar com ele.

Gosto muito da personagem da Dianne Wiest, a Helen. Há todo um questionamento sobre a vida sexual dela, como se depois de ter filhos crescidos, seu desejo sexual estivesse adormecido. Tem uma cena em que a família está reunida e a luz simplesmente acaba, daí o Gil encontram o vibrador dela e por engano, pensa que é uma lanterna, é muito engraçado!!, especialmente pela reação da família e dela, que não deixa a peteca cair. E o Gary, filho da Helen… tadinho, de cortar o coração. O menino super esperançoso por encontrar o pai e a decepção que sofre é grande demais…

AMO ESSE FILME, super indico! rss

Salvajes

Salvajes-320x457

 

Carlos Molinero é conhecido no cenário espanhol por seu trabalho como roteirista em séries televisivas como “Querido maestro” e “Antivício”.  Salvajes, 2001, marca a sua estreia na direção de longas metragens. O filme conta a história de Berta (interpretada por Marisa Paredes), uma enfermeira que enfrenta maus bocados para criar os sobrinhos; sua irmã falecera anos antes.

 Um dia ela conhece um investigador policial, Eduardo, que vai até o posto onde ela trabalha para tratar de uma doença. Berta e Eduardo iniciam um intenso relacionamento amoroso, que está prestes a desmoronar já que Eduardo (interpretado por Imanol Arias) deseja prender um grupo de skinheads que está assombrando o bairro e cometendo crimes aterrorizantes. O grupo é composto pelos sobrinhos de Berta.

ph2.jpg-r_640_600-b_1_D6D6D6-f_jpg-q_x-xxyxx

O filme me surpreendeu por seus diálogos impactantes, pelos rápidos movimentos de câmera, pelos closes exagerados. Tudo ali parecia acentuar a sensação de desconforto dos personagens e colocar em cheque a percepção do espectador sobre o tema. A casa de Berta é um ambiente extremamente sufocante, o quarto dos garotos cheio de armas e com bandeiras do nazismo, a cozinha minúscula, repleta de móveis…   Não é um filme que me agrada exatamente por ter me dado essa sensação de angústia. Mas muito me admira o experimentalismo de Molinero, que investiu muito em movimentos irregulares da câmera, em cortes secos e cenas em preto e branco, o tom documental que aparece no fim do filme.

Ver Marisa Paredes e Imanol Arias juntos me faz lembrar “A flor do meu segredo”, onde os dois viveram um casal também. Mas aqui, tudo é muito diferente. Em “A flor do meu segredo” o personagem de Imanol foge do personagem de Marisa o tempo inteiro, aqui ele a busca. Há todo um desejo por parte dele que não é correspondido por ela (até certo momento porque, em primeiro lugar, seu objetivo é proteger os sobrinhos). A figura de Imanol é impactante, forte, seguro de sí. Não foi só a personagem da Marisa Paredes que ficou balançada, HAHA.

É um filme com um forte questionamento social, que toca na ferida de muitos espanhóis que não enxergam os imigrantes com bons olhos. Acho legal observar que a filha da Marisa, María Isasi, participa do filme. Ela interpreta Lúcia, uma das sobrinhas de Berta, traficante de drogas.