my name is Gretchen, nobody knows me

gretApesar de ser, tantas vezes, motivo de piada na internet, Gretchen me parece quele tipo de artista que agrada imensamente o público. É uma querida É aquela personalidade que está nos holofotes há tanto tempo, que passa a circular no imaginário coletivo. O público se apropria da imagem, recria a mensagem e a adere em outras plataformas, como o que acontece nas redes sociais. Mesmo com todas as polêmicas envolvendo seus vídeos pornôs, seus diversos casamentos e a sexualidade da filha, o esteriótipo sobre a velhice feminina e etc, ela continua nos noticiários, nos programas de TV.

gretchen2Acho que é um tiro no pé o fato de ela se incomodar tanto com os comentários que o publico profere na internet. De fato, são impiedosos, grosseiros… até porque, já se sabe que quem comete esse tipo de injúria pela internet, ou cyberbyllying, é encorajado pelo fato de ainda não existir uma legislação muito específica para a rede e pelo fato da difícil identificação. Através das telas e das redes, as pessoas são muito mais agressivas, escrevem da forma que não possuem coragem de falar pessoalmente. Se a Gretchen fosse um pouco mais esperta, ou se tivesse um social media bem informado do lado, ela saberia tirar proveito disso. E tenham certeza, ganharia dinheiro. Porque nome ela já tem… ela já é o evento.

Ela é muito mais legal do que parece…

get

Acabo de assistir o documentário sobre ela, produzido por Eliane Brum  e Paschoal Samora em 2010. O filme “Gretchen, na estrada” é mais do que um trabalho biográfico, é também um retrato político de um Brasil esquecido e alienado. Brum documenta a candidatura de Gretchen à prefeitura da Ilha de Itamaracá, Pernambuco, pela coligação PPS-PV. Ao mesmo, retrata o fim da carreira da cantora, que decide se aposentar dos palcos.

Há um grande trabalho metafórico entre as apresentações de Gretchen em circos e o cenário político da cidade. Afinal, não é disso que o povo gosta? “Pão e Circo”. No filme fica evidente que Gretchen é daquele tipo de pessoa que não tem medo de trabalhar, que não tem medo de ir e se misturar na massa. (Particularmente, gosto disso). Ao mesmo tempo há a dualidade entre o discurso e o jogo de interesses. Vai me dizer que no poder, ela não iria se beneficiar?

2Me chamou atenção o voto de cabresto, a cena em que uma mulher vai atrás da Gretchen para pedir R$35 para comprar um botijão de gás.Também a dificuldade de se montar um equipe de militância que faça isso por ideologia. Eles até levantam a sua bandeira, mas querem no mínimo um lanche. Em suma, achei a primeira candidata à vice-prefeitura muito esclarecida, com uma belíssima capacidade oral, gostei muito do que ela fala sobre política, sobre jogos de interesse. Confesso que quase cheguei a acreditar em tudo o que ela dizia, até metade do filme, em que Gretchen a expulsa e ela muda de partido…

Acabei de assistir o filme gostando mais da Gretchen, a imagem dela me remeteu à Gloria Swason em Crepúsculo dos Deuses. Decadente sim, mas com cabeça em pé… e pronta para o close up!

Change moi ma vie

Change Moi Ma vie

Um filme triste, retrato do quanto a vida pode ser injusta e infeliz para alguns. Nina é uma atriz fracassada, acostumada a ouvir nãos. É tão fracassada, que por não ter dinheiro nem para um cafezinho, tenta o suicídio. Ingere vários calmantes e é encontrada por um jovem atleta, desacordada em praça pública. A história não poderia ser mais irônica, já que ele, também é praticamente o reflexo do fracasso. Sami é um refugiado que vive de maneira irregular na França e sonha em se tornar corredor profissional.

change_moi_ma_vie_ft_05

O problema é que a vida lhe deu uma rasteira e sem conseguir trabalho, longe da família e dos amigos, começou a se prostituir. A complexidade do filme está justamente nos questionamentos morais que Sami precisa enfrentar no trabalho, primeiro porque para ganhar dinheiro e chamar atenção, se veste de mulher. Segundo, porque não é gay. Para sobreviver ele se permite viver situações degradantes (e digo, degradantes mesmo). Moralmente, dia após dia, ele morre um pouco. Tanto que Nina parece gostar realmente dele, mas não consegue lhe despertar interesse, de acordo com o próprio Sami, ele foi perdendo a graça de viver.

change_moi_ma_vie_2000_portrait_w858

Chamo atenção para o fato de que não é uma história homofóbica, pelo contrário. Líria Bégera, a diretora, levanta uma enorme discussão de gênero e critica diretamente a transfobia. Um verdadeiro dedo na ferida. A diretora me pareceu não querer fazer julgamentos, apenas retratar a marginalidade dos refugiados e a dificuldade de criar uma intertextualidade cultural. Fora, é claro, abordar a complexidade da vida e das relações humanas. 

Se é um filme que te interessa, e se você não gosta de spoiler, por favor, não continue a leitura. Eu diria que o filme é também sobre solidão, sobre o “sentir-se só” e sofrer por isso. Sami me parece um homem que chegou tão fundo no poço, que simplesmente não consegue mais sair. Nina também é muito solitária, mas para ela, apesar de tudo, ainda há uma esperança. Ao contrário do amigo/amante, ela não desistiu de viver. Gosto especialmente da cena final, em que os dois personagens conseguem encontrar equilíbrio através de um lindo trabalho metafórico

Screen Caps –

changemoi1
changemoi5 changemoi6 changemoi8changemoi4changemoi2

O amor perfeito…

Richard Gere Shall we dance

Na minha visão, não muito romântica sobre a vida, o amor perfeito é parecido com aquele retratado no filme “Dança comigo?”. Lembram da cena em que Richard Gere sobe as escadas rolantes segurando uma rosa e vai ao encontro da Susan Sarandon? No filme os dois são marido e mulher, vivem um casamento dos sonhos: possuem dois filhos, dinheiro, não brigam… E mesmo assim, ele sente um vazio existencial, sente falta de algo que não sabe do que se trata. Então, ele entra em uma escola de dança e sente-se imensamente feliz, mas tem vergonha de contar para a esposa porque acredita que ela já lhe dá felicidade demais.

shall_we_dance01

O problema é que ela começa a imaginar que ele esta a traindo e, desconfiada, contrata um detetive. O filme todo é uma delícia, ele impressionado com a beleza e o mistério da professora de dança (interpretada por Jennifer Lopez) e se envolvendo amistosamente com os poucos alunos que restam na escola. Mas, aquela cena… a cena do Richard Gere subindo a escada com as rosas na mão, aquela é, ao meu ver, o signficado do verdadeiro amor. Mesmo depois de anos de casado, do cansativo cotidiano, da mesmice, do fato de ter que dormir com a mesma mulher todos os dias, de ouvir os mesmos problemas, sempre, da rotina… ele escolhe ela, ele escolhe voltar, ele escolhe ficar, escolhe aquela mulher. Ninguém o força, nada o obriga. Ele volta porque quer, ele a beija porque a deseja, ele se declara porque a ama.  É o ato de não abrir mão de uma vida construída em conjunto, é olhar para o passado e valorizá-lo.

(P.S: Dança comigo é um filme lindo, sensível e divertido. Um filme para se ver em companhia ou sozinho. É um filme sobre amor, simplesmente. Do marido pela esposa, do noivo pela noiva, da mãe pela filha, da dona de um salão pela dança. É um filme sobre persistência, sobre sacrifícios em prol de um bem maior.)

Os piores dias de minha vida foram todos

Os piores dias de minha vida

Eu não entendi nada (ou quase nada), e juro que tentei. Achei a narrativa complexa, o texto me remeteu à Obscena Senhora D, de Hilda Hilst… puro fluxo de consciência. O fato é que o livro, escrito por Evandro Affonso Ferreira (vencedor do Prêmio Jabuti em 2011 e 2013), tem uma essência muito interessante: conta a história de uma mulher que está em um leito de hospital, moribunda. Em seu diálogo imaginário, ela caminha nua pelas ruas de São Paulo, comentando sobre a complexidade humana, sobre suas relações com amigos e familiares…

O autor estabelece um diálogo com personagens mitológicos, principalmente com Antígona. É uma pena que tenha me parecido tão difícil. Em sua crítica, para a Revista Cult, Márcia Tiburi despertou meu interesse quanto a condição da personagem: “No aspecto relativo ao conteúdo, tampouco se pode dizer que há, nesse livro, algo de descaso, de cansaço, ou de desistência em relação ao viver. Há, é certo, o direito à morte de que falava Maurice Blanchot. Aquele direito à morte que, nos tempos da imortalidade de plástico que estamos experimentando, constitui uma resistência mais do que estética.”

Bom… alguém aí já leu esse livro? E se leu, o que achou?

“Vítima de algoz possivelmente da mesma genealogia do rei tebano, caminho lentamente para o acaso, submergindo-me nas areias movediças do desespero, do desencanto Medo, muito medo Só é possível conhecer  a sí mesmo em absoluto diante do patíbulo. Esperar o ápice da obscuridade, a morte, é a mais profunda das agonias”

Duas novelas de amor

Fernando Tavares Sabino 12Nunca tinha lido nada de Fernando Sabino, sorte minha foi encontrar três de seus livros por apenas um real. Onde encontrei vocês já sabem, comprei na mão daquele senhor que mora aqui perto de casa e que ganha doações de livros e os vende a preço simbólicos. Duas Novelas de Amor possui dois rápidos contos que abordam o universo feminino de uma forma sensível e delicada.

O livro apresenta duas perspectivas muito diferentes sobre o amor, enquanto Silviana é uma menina sonhadora e romântica, Ester é uma mulher marcada pela solidão de um casamento infeliz e sem sucesso. A primeira história “O outro pai” me lembrou as tramas rodriguianas, uma quase tragédia familiar, cheia de sensualidade e segundas intenções. A segunda, “Noite única” escrita especialmente para Cacilda Becker, é uma história muito mais feminina e de uma tristeza ímpar.

806669

– O outro pai:  Silvania é uma jovem que está prestes a se formar no ensino médio, ela mantém um namoro as escondidas com Ricardo. Não se sabe porque, mas sua mãe não vê com bons olhos a relação que ela possui com o garoto. Um dia, antes da formatura, Silvania descobre que Marcos não é realmente seu pai.

Um drama se estabelece em sua casa, já que a menina e o padrasto criam uma relação amorosa e mãe tem consciência de tudo e claro, desespera-se. O estranho é que até aquele momento, Marcus tratava Silvania como uma menina, como sua filha e, depois de seu segredo ser revelado, entra em um conflito interno.  

A história se passa em Belo Horizonte, 1948. Sabino esclarece: “Quando escrevi a história, antes de conhecer e admirar as de Joseph Conrad, Anton Tcnhekhov, Henry James e outras obras primas da literatura universal, eu vivia sob a poderosa influência dramática dos romances brasileiros de Octavio de Faria. Era um tempo em que amor, sexo e culpa, subordinação à religião, constituíam praticamente uma só realidade, tanto para a adolescência da personagem como para a mocidade do autor. Desde então parece ter havido uma liberação gradual dos costumes em meio a juventude, com reflexos na literatura, inclusive na minha.”

– Noite única: É Ano Novo e Ester está preparando o jantar. Ela aguarda a chegada de inúmeros convidados, enquanto analisa a disposição de cada um deles à mesa. O problema é que o tempo vai passando, os fogos começam a estourar e ninguém chega. Isso mesmo, nenhum dos convidados chega e Ester passa a noite de ano novo sozinha. Quer dizer, quase sozinha, já que seu ex-marido, Rodrigo, reaparece para lhe fazer uma visita. O rancor entre os dois é visível, tanto que chegam a trocar tapas. Ao mesmo tempo, parecem cúmplices. Ester não consegue deixá-lo ir embora e Rodrigo chega a chorar em seu colo. 

Eugénie de Franval ou o Incesto

Marques-de-Sade.-600x300

No meu último ano de faculdade, eu resolvi fazer um passeio pela biblioteca da PUC e criar uma lista com diversos livros que existiam no acervo. Era a minha última oportunidade de explorar aquela biblioteca maravilhosa, cheia de possibilidades. Lembro que comecei por um autor que sempre me despertou curiosidade e que pouco conhecia. Foi na época do estouro de livros soft porn como “Cinquenta tons de cinza”. Me perguntava porque a maioria das pessoas, que demonstravam gostar da temática, liam tão pouco os libertinos. Mesmo não conhecendo muito sobre Sade, sempre o tive como a minha referência para livros eróticos, afinal não foi qualquer um que em pleno século XVIII escrevia sobre violência, parafilia e depravação.

Vejo o Sade como um louco, daqueles que tem coragem de gritar no meio da praça os assuntos que ninguém quer ouvir ou ousa falar. Infelizmente eu nunca li o livro “120 dias de Sodoma”, o mais próximo que consegui chegar foi do filme – que assisti apenas até a metade (porque, confesso, me deu nojo demais!). Aliás, o filme foi responsável por aguçar a minha curiosidade sobre a vida de Pasolini, me parece absurdo imaginar a maneira em que foi assassinado. (Pasolini era homossexual assumido, e foi brutalmente assassinado em 1975. Foi encontrado com o rosto completamente desfigurado e com muitas lesões no corpo. Muitos acreditam que foi um crime político, mesmo que a história oficial conte que ele foi assassinado por um garoto de programa que tentou assaltá-lo).

Eugénie de Franval ou o Incesto

O Incesto

Perto de “120 dias de Sodoma”, Eugene de Franval é quase uma história feita para criança dormir. Aliás, perto dos filmes e novelas que assistimos hoje em dia, essa história não é nada. Por isso acho tão importante entender o contexto e as intenções do autor. “O Incesto” é um pequeno conto que faz parte da coleção “Crimes de Amor”. Sade começou a escrever a história em março de 1788 e a completou em seis dias. A trama conta a história de Mounsier de Franval “um homem rico, bonito, intelgente e imoral”. Ele se casa com uma mulher com segundos interesses… e não são financeiros. Monsier de Franval faz com que ela engravide para que possa criar uma “criatura livre”. Nasce então Eugenie, uma garota linda – e ele se apaixona por ela.

Enquanto ela é criança tudo parece normal, até porque Mounsier tem o perfeito controle sobre ela. Mas ao crescer, Eugenie desperta o interesse dos outros rapazes, fazendo com que Mounsier – tomado por uma enorme crise de ciúmes – a prenda em um calabouço  onde só ele tem acesso. No fundo, Eugenie foi uma espécie de “boneca”, criada para satisfazer os interesses sexuais do pai. O que Mounsier não tem consciência é que está criando uma grande tragédia, afinal… os homens que se interessaram pela beleza de Eugenie não o deixarão em paz, muito menos a mãe da menina… 

Feliz Aniversário, La Amora!

Aniversario La Amora

O La Amora completou três anos ontem e eu fiquei me perguntando se escreveria ou não algo sobre isso. Cheguei a conclusão que três anos de blog não é pouca coisa… principalmente se eu parar para pensar nos frutos ele já me deu. A verdade é que há três anos, ao me inscrever no WordPress sem um objetivo muito claro, eu não imaginava a importância que ele teria para mim no futuro.

O La Amora surgiu como uma brincadeira, uma plataforma descompromissada onde pudéssemos escrever sobre qualquer coisa. Eu e uma colega o criamos, aliás… o nome do blog é uma brincadeira com o sobrenome dela. Os meses foram passando e ela deixou de escrever e eu continuei aqui, firme e forte. Aos poucos o nome do blog foi se relacionando ao meu e eu passei a ser “aquela menina que escreve no La Amora”.

Conheci muitas coisas através desse blog: livros, filmes… Conheci muitas pessoas também, algumas se tornaram amigos íntimos.Foi por causa do La Amora que fui convidada a uma viagem para SP para conhecer Jessica Lange, foi por causa do La Amora que conheci algumas meninas com quem criei um maravilhoso grupo em homenagem à Daniela Romo

Perdi a conta de quantas as vezes pensei em deletar o La Amora. Sou daquelas pessoas que escreve, mas que quando relê o que publicou, odeia tudo. O problema (bom, hoje não vejo mais como problema) é que não consigo mais me desvencilhar da ideia de mantê-lo no ar. Hoje tudo o que leio, tudo o que vejo e escrevo tem outro sentido. Vejo um filme e já penso no La Amora, se leio um livro… a mesma coisa.

Ainda bem que o La Amora existe.

Parabéns pra nós!

Lágrimas na Chuva

Lágrimas na Chuva

Há muito Rosa Montero passou a ser uma das minhas referências, é uma jornalista que admiro e que me inspira com os seus livros. Outro dia (eu e minha mãe) estávamos passeando na Livraria Cultura quando decidimos comprar um Kobo. Na fila eu vislumbrei “Lágrimas na Chuva”, que estava em promoção. Levamos sem pestanejar. Foi uma boa compra, uma história que me deixou imersa nas últimas semanas. Engraçado que a Daniela Romo publicou, há alguns meses, uma foto com esse mesmo livro. Pensei, “Humm, duas das minhas divas se encontrando através da literatura!” Rss.. Ok, foi um pensamento idiota.

DDanielaRomoLagrimas
Daniela Romo

Esse é o terceiro livro da Rosa Montero que leio, antes foram: A Louca da Casa e Histórias de Mulheres. Não me canso de dizer que Montero escreve de uma forma que parece que ela te pega pelo braço e vai passeando com você em cada ambiente. Particularmente, não gosto de tramas de ficção científica, mas em relação a esta, não consegui desgrudar os olhos.

Lágrimas na Chuva se passa em 2109 e conta a história de uma rep (uma espécie de robô, “replicante”) chamada Bruna Husky. Ela é linda, inteligente, alcoólatra e mal humorada. Um dia é atacada por outra rep, que invade sua casa e tenta matá-la. Não conseguindo, essa rep arranca os próprios olhos e depois morre. Bruna, que é detetive, descobre que uma série de ataques, semelhantes ao que ela sofreu, estão se repetindo. O que ela precisa descobrir é se os assassinatos são o resultado de uma guerra entre espécies ou se estão acontecendo a mando de alguém (ou de alguma supremacia).

BrunaHusky

A função das lembranças e das memórias (as memas) nessa história é espetacular. O fato é que no futuro imaginado por Montero a memória tem muito valor. Tanto valor que começa a ser traficada e vendida como drogas. O problema é que os reps que comentem os ataques e depois morrem são obrigados (por alguém) a implantar essas memas adulteradas que os levam a cometer crimes horrendos. Um fato interessante é que os rep, assim como Bruna, vivem apenas por dez anos.

Lágrimas na Chuva é também um filme muito sensual, gostei dos momentos em que Bruna se sente balançada por seus companheiros de investigação e atraída por sua chefe, Chi. Nesse contexto, todas as pessoas (salvo uma minoria) são bissexuais. Chi, por exemplo, que é a grande chefe de segurança dos reps,  tem um caso com Valo Nabokov (uma mulher obsessiva, que sofre de um câncer terminal).

P.S. 1) Em Lágrimas na Chuva as mulheres possuem um papel fundamental na trama, são personagens fortes e corajosos. 2)  É um livro que demanda atenção aos detalhes, aos nomes. Como são muitos personagens e muita informação, usei as últimas páginas do livro para anotar o nome e a função de cada personagem na trama.