Sério, eu tinha muito medo!

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Vocês não tem noção do que é quase fazer xixi na cama por medo de levantar de noite para ir ao banheiro e se deparar com um boneco assassino. Não adiantava a minha mãe falar comigo que não existia nada debaixo da minha cama ou que nada assustador estava me esperando atrás da porta. Eu tinha medo, mas medo pra caralho! Tanto que nem com a porta do guarda-roupa aberto podíamos dormir. E como sempre fui muito medrosa, se a porta do guarda-roupa estivesse aberta, eu não tinha coragem para ir lá e fechar, portanto dormia com a cabeça tampada (mesmo sentindo um calor infernal). Eu já tive medo da menina do exorcista, do Jason, do Freddy… mas nenhum se compara ao medo que eu sentia do Chucky. Revi o filme outro dia e dei boas gargalhadas, o que hoje me parece surreal e até meio trash…. na época, soava desesperador. O Chucky tinha aquela voz grossa, de homem, o rosto todo deformado e andava com aquela faquinha, lembram? Impossível não lembrar né?! E a risada, então? Horripilante. Eu acho que a imaginação infantil é realmente um privilégio dos pequenos, a criança desconhece certos limites que, de alguma forma, já foram impostos ao adulto…

La Señorita

La Senorita - Jacqueline Andere

“La Señorita” é um suspense  mexicano, bem fraquinho e cheio de clichês… Mas eu assisti assim mesmo porque tem Jacqueline Andere contracenando com a Angélica Aragón! O filme foi produzido em 1993 e dirigido por Mário Hernandez. A trama começa no momento em que a polícia acaba de encontrar o cadáver de Domingas, uma mulher solitária, solteirona e extremamente rica. Há um consenso de que ela foi assassinada e então, eles iniciam uma investigação para descobrir o culpado. Na delegacia, a tia de Domingas aguarda a liberação do corpo e vai contando a história de como a sobrinha se tornou tão odiada pela população da cidade.

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O fato é que Domingas era extremamente rica e muito avarenta, ela vivia de emprestar e cobrar dinheiro de pessoas que a procuravam em um momento de desespero. É aí que aparece Angélica Aragón. Na história seu marido está cheio de dívidas e corre o risco de ir para a cadeia ou ser assassinado. Mas Domimgas é tão avarenta que não lhe empresta a quantia prometida, sempre querendo garantias grandiosas…

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A tia de Domingas explica que ela tem esse comportamento porque ficou traumatizada diante da morte do pai, que antes de morrer, perdeu sua fortuna e foi traído pelos amigos. Em seu leito de morte, ele disse a ela:  “Reprima seus desejos e coloque suas necessidades em primeiro lugar. Duvide de quem te adule porque quem o faz quer tirar algo de você. Não deixe o tempo te enganar e não se importe se alguém te chamar de avarenta, egoísta e sem coração. Recorde sempre disso, não te mostre compassiva nem generosa, porque as pessoas vão pensar que você é idiota e vão se aproveitar de você! As pessoas não te respeitam pelo o que você e sim pelo que você tem”

Enfim… algo acontece na vida de Domingas que a faz mudar bruscamente de atitude, mas… esse pequeno sinal de esperança pode ser fraco demais para torná-la uma pessoa melhor.

Almas Mortas

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Eu adoro “Almas Mortas” (William Castle, 1964). Acho que por ser fã da Joan Crawford, tento enxergá-la para além do personagem. É um filme trash,com cabeças de boneco rolando por todo o lado. Mas se a gente for parar pra pensar a história é até boa… que pesa mais para o drama do que para o terror. 

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O filme conta a história de Lucy, uma mulher que flagrou o seu marido a traindo com outra . “Lucy Harbin pegou o machado e deu quarenta marteladas no seu marido e quando viu o que fez, deu quarenta e uma na namorada dele”. Ela passa por uma longa internação, porque é considerada louca. Quando retorna, depois de vinte anos, tenta se reaproximar de Carol, sua filha (que na época, foi testemunha do crime). A volta de Lucy causa uma reviravolta na cidade, já que uma série de assassinatos acontecem (as novas vítimas são decapitadas, os crimes são muito semelhantes ao cometido por ela anos atrás).

Almas Mortas foi classificado como um horror cujo subgênero se chamava “Psycho-Biddy” ou “Hang Horror”, tratavam-se de filmes que misturavam drama, thriller, vingança e humor negro. A característica principal desse sub-gênero eram as protagonistas: mulheres maduras e perigosas (algumas insanas, outras sob tremendo estresse). Almas Mortas segue bem essa linha, mas eu acho que tá mais para o entretenimento do que para qualquer outra coisa. É um filme bom de assistir, que te deixa vidrado… a gente vai mergulhando nos delírios da personagem e nem se importa com o fato de o plot principal ser facilmente decifrado. 

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Joan nunca aceitou muito bem a ideia de envelhecer diante das câmeras, talvez nem tivesse consciência do ridículo quando tentava se passar por uma jovenzinha, tendo quase 60 anos de idade. Almas Mortas retrata bem essa fase, a Joan aparece com um vestido coladinho, com uma super peruca e com aquelas sobrancelhas marcadas, fingindo ter uns trinta e poucos anos. Me parece que Joan foi daquele tipo de gente que faz tudo com muita vontade, daquelas pessoas que mergulham de cabeça num projeto… Tanto que no filme, com todo aquele ar decadente de película B, Joan consegue ser verossímil.

Li que Castle chegou a garantir a Joan que ela iria ganhar um Oscar. O filme nem indicado foi e passou muito longe disso. Joan teve carta branca para mexer em alguns detalhes que não a agradavam e alterar certas coisas, como o figurino, por exemplo. Foi Joan que escolheu Diane Baker, a atriz que interpretou sua filha, ela não queria uma atriz que a ofuscasse.

Duna

Mano, eu acabei de assistir “Duna” (David Lynch, 1984) e fiquei tipo:

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1 – Preciso ler o livro

2 – Preciso rever o filme


Visualmente é um filme incrível, é evidente que gastou-se uma fortuna para produzí-lo. O que são aquelas roupas, os cenários e todos aqueles efeitos especiais? Li que o David Lynch não ficou nem um pouco feliz com o resultado final, parece que pediu até que colocassem um outro nome de diretor… uma coisa assim (E olha que se dedicou por três anos e meio a essa produção).. O fato é que Duna é um filme longo, complexo e difícil de entender, o que as vezes o torna um pouco… cansativo. Não sei, impressão minha, talvez eu não tenha conseguido ter aquele “feeling” pelo filme. Eu queria muito saber, de quem já assistiu, se gostou, se não gostou ou se acabou com a mesma sensação que a minha.

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Então, a história foi baseada no livro de Frank Herbert, quase uma bíblia de seiscentas páginas, cheia de tramas paralelas. O filme se passa em 10.191 d.C., época em que a substância mais cobiçada do universo é a especiaria, encontrada apenas em Arrakis (um planeta completamente deserto), conhecido como Duna. Depois que seu pai é assassinado pelo cruel Barão Harkonnen, o jovem Paul Atreides descobre que seu destino está ligado à Duna. Ele decide se juntar ao povo de Arrakis com o objetivo de destruir Harkonnen, mas pra isso, ele precisa enfrentar uma enorme batalha… ao lado de sua mãe, Lady Jéssica, uma bruxa super poderosa… 

(P.S. Fiquei encantada com a beleza de Kyle MacLachlan, gente como ele tá novinho! E a Francesca Annis me lembrou demais a Deborah Kerr. Outra coisa, impossível não ficar incomodado com as bizarrices que acontecem na casa de Harkonnen – só eu achei que ele tem umas tendências homossexuais? Gente, o que é aquela cena em que ele sequestra a Lady Jéssica, a amordaça e cospe no rosto dela? owww ).

Se você ficou interessado no filme e quer ler uma resenha boa, uma crítica de verdade… sugiro que acessem “A Janela Encantada”, para ler… clique aqui!

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Ovelha, memórias de um pastor gay

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“Drogados, assassinos, bêbados, ladrões, mentirosos, adúlteros, caluniadores, falsos, todos sempre foram aceitos na igreja. Gays, não! Amamos o pecador, mas não o pecado… quanta balela”

Que livro delicioso, daqueles que você não quer parar de ler! Ácido, engraçado (com boas doses de humor negro), deprimente e acima de tudo, questionador. “Ovelha, memórias de um pastor gay” é uma espécie de diário, narrado em primeira pessoa. Conta a história de um pastor está no leito de morte e enfrenta um conflito existencial imenso. Desde criança tinha comportamento e desejos homossexuais, mas foi reprimido pela mãe e levado a seguir a vida religiosa. Casou-se, teve filhos e mesmo assim, nunca conseguiu se livrar “do pecado”, da “impureza”. É um homem cheio de culpas, com uma relação conflituosa com os familiares, mas especialmente com a mãe. Seu desejo é se reencontrar com ela e revelar, que além de ser soropositivo, é homossexual.

Gustavo Magnani é um jovem autor, se não me engano, este é o seu primeiro livro. Ele é muito querido na web porque mantém um dos sites literários mais conhecidos do Brasil, o Literatortura. Eu estou realmente apaixonada por esse livro, pela acidez… mas, principalmente, pela dinâmica da narrativa, pelas referências contemporâneas (como as redes sociais, etc) e pela contextualização. É um livro com um tema tão denso, mas ao mesmo tempo, tão leve de se ler…

Há um suspense, o leitor precisa entender o motivo do desespero desse homem, descobrir o seu nome e o porque ele se sente tão culpado. A gente vai sentindo compaixão por ele, se entristecendo e ao mesmo tempo, se assustando com tamanha agressividade e revolta…


 – Citações – 

“Atendi mais de trinta pessoas naquele dia. Falava com ela. A palavra é uma espada de dois gumes, corta para os dois lados. Nunca quis ser gay. Tanto neguei que cheguei a duvidar da existência de deus. – Por que não cura?! – perguntou uma bicha louca sendo maquiada.– Falta fé, respondi. E talvez faltasse mesmo. Se a fé move montanhas, por que não move pintos para longe de mim?” 

“Chamei Thiago, meu filho. O pequeno de dedo na boca, num despertar, correu e tropeçou, iniciando o primeiro choro da minha volta. E soava bonito, harmônico, Beethoven é o caralho, Mozart é a minha pica, Bach o meu cu, ninguém encantou como Thiago, o pequeno e único tropeçador.”

“Gabriel Garcia Marquez. Conheci aos quinze anos, em mais uma leitura escondida. Depois dele, meu boymagia, como dizem, deixou de ser loiro de olhos azuis para ser mulato de sangue latino”.