Se conheceram no colégio, estudaram e cresceram juntas. Dividiram ideias, dores, sensações e sonhos… A vida as fez mais que amigas – as fez irmãs. Três meninas, tímidas e desconcertadas, tão diferentes e ao mesmo tempo, tão iguais. Eu era uma delas…
Recebi a notícia de que as duas estão de casamento marcado para o ano que vem e, de repente, me peguei fazendo perguntas sobre o meu passado – e sobre o meu futuro. Minhas amigas estão casando! E agora, será que muda tudo?
Tudo não, mas muda. A começar pela rotina de encontros semanais, as farras, as conversas de madrugadas. Não que mulher casada não possa fazer isso, claro que pode. Mas a vida e a rotina delas não será a mesma, foi a escolha delas. Escolha, aliás, que eu apoio e que me faz imensamente feliz: vê-las realizadas.
Acho que a minha crise existencial não é aquela, muito comum entre as mulheres (e homens) que se perguntam: ‘Só eu fiquei para trás?’. Não, a minha crise não vem daí, vem de uma outra questão: Nós, que antes condenávamos tanto os nossos pais, estamos tomamos rumos semelhantes.
O peso do mundo adulto caiu sobre as nossas cabeças… Os casamentos, os filhos, os empregos… são os primeiros passos. E o sistema é tão forte, tão forte – que não há como fugir, é preciso primeiro sobreviver. E para nós, quando adolescentes, sobreviver não era suficiente. Queríamos viver, com todas as letras, a todo custo, na maior velocidade possível. Queríamos ser felizes.
Felicidade não existe, o que existe são momentos de alegria…
Ontem estava vendo uma entrevista linda com a chilena Marcia Scantlebury, no Sangue Latino (do Canal Brasil), e ela falava sobre utopia, falava sobre o legado da sua geração, das dores, das perdas e dos sonhos. Era uma geração que não importava morrer da maneira cruel que muitos morreram, era uma causa que merecia o sacrifício. Ela criticava a categorização da minha geração, terrivelmente dividida entre winners e losers, muito relacionada à batalha tecnológica e de consumo.
O que eu quero dizer, me referindo à entrevista, é que não somos tão diferentes dos nossos pais. Ah, não somos (ainda que achássemos que fôssemos). Será um defeito de todo jovem?
