Um estranho no ninho

tumblr_muc868zieO1rzk6y2o1_500“Um estranho no ninho” é um daqueles filmes que está há anos na minha lista de espera e, não sei porque demorei tanto para assisti-lo. Talvez, continuaria na lista se eu não tivesse visto, outro dia, uma foto da Louise Fletcher recebendo o Oscar em 1976. Procurei um video da premiação e Fletcher agradecia seus pais, surdos-mudos, através da linguagem de sinais. É um momento lindíssimo da premiação e um dos mais emocionantes que eu vi. Finalmente assisti o filme e confesso que diversas cenas ainda estão vivas na memória – não sei se por causa da história, por causa da produção ou por causa da magnifica atuação dos atores…

Considerado um clássico contemporâneo, “One Flew Over the Cuckoo’s Nest”, conta a história de Randle MacMurphy (Jack Nicholson), um prisioneiro que finge está louco para ser mandado para um hospício (e assim, não precisar trabalhar). Aos poucos, MacMurphy faz amizade com os internos e os estimula a desobedecer as regras impostas pela enfermeira-chefe Ratched (Fletcher). No entanto, o sistema é muito mais forte do que MacMurphy imagina e ele se vê condicionado a um cotidiano maçante e a terríveis sanções.

Pelo que li, o filme, dirigido por Milos Forman, foi baseado em um livro escrito por Ken Kesey e demorou anos para ser produzido. Diversos empecilhos atrasaram as produções, a começar pelo baixo orçamento e pela dificuldade em encontrar um bom elenco. Forman tinha uma preocupação enorme em fazer com que a narrativa tivesse um aspecto realístico, por isso fez com que os atores passassem por trabalhos de campo. Aliás, as gravações foram realizadas em um hospital de verdade e com pessoas que realmente possuíam problemas mentais.

tumblr_mwtmzulOYH1s4ht91o1_500Dentre as inúmeras críticas, o filme põe em cheque o conceito de loucura e aponta o dedo para as instituições de repressão. [Quando li uma análise do filme, logo me lembrei de uma peça de teatro escrita por Hilda Hilst: “A empresa”. Na obra, Hilst conta a história de América, uma jovem que faz uma criação, mas é desestimulada pelos superiores e acaba não resistindo ao sistema. Algo bem semelhante ao que acontece a MacMurphy. Também me lembrei de Holocausto Brasileiro, escrito por Daniela Arbex]

O anti-herói e um lobo em pele de cordeiro

Jack Nicholson é a grande estrela do filme e encarna um anti-herói de uma maneira tão natural que é difícil resistir ao efeito catártico, difícil não se colocar no lugar dele ou não torcer para o sucesso de suas “aventuras”. É um personagem espirituoso, que dá vida ao hospital e aos internos. Forman sustenta a trama criando situações  sensacionais (como o passeio de barco) que nos convidam a gostar dos pacientes (por sinal, dois deles interpretados por ninguém mais, ninguém menos que Christopher Lloyd e Danny DeVito).

tumbjacklr_n6eooqo0AN1rmxg04o1_400Não é difícil entender o porque a enfermeira Ratched foi um personagem tão marcante na história do cinema e é curioso pensar que o papel foi recusado por grande atrizes como Jande Fonda, Anne Brancroft, Ellen Burstyn e Faye Dunaway. Em uma entrevista, Louise Fletcher chegou a dizer que sempre via os outros atores se divertindo nos bastidores e que estava tão cansada de tentar manter as características “pesadas” da enfermeira, que decidiu passear nua nos sets de filmagem. Ela também disse que o personagem estava tão incrustado, que sem perceber, dava ordens a equipe de gravação.Um estranho no ninho

Ratched é um personagem que chama atenção por ser fisicamente graciosa, uma mulher linda, mas detestável. Os produtores não queriam que fosse uma mulher que, de imediato, causasse repulsa. Por isso construíram um personagem que se portava bem, que falava baixo… mas que não tinha bons valores ou consideração pelos internos. Aliás, o cabelo e aqueles rolinhos (meio “Malévola) foram intencionais e mostram, também através do cuidado com o uniforme, que era uma mulher conservadora.

1238144_518825494869482_216094858_n

Bienvenido Paisano!

O fim de semana foi corrido e não deu tempo para sentar para escrever sobre “As Diabólicas”, que a Jéssica me indicou.  Mas antes de dormir, eu queria fazer uma notinha, pelo menos para não deixar o blog desatualizado. Eu tinha me comprometido a escrever toda semana sobre um filme mexicano e não queria burlar esse compromisso, que acho que tem mais valor pra mim do que para as pessoas que acompanham o blog.  [Finalmente faço uma publicação onde cito a Maria Sorté, uma atriz mexicana lindíssima e que adoro!]

Bienvenido paisano

Há algum tempo, assisti uma comédia chamada “Bienvenido Paisano” – dirigido por Rafael Villaseñor e estrelado por Maria Sorté, Tereza Ruiz e Rafael Inclán.  O filme é uma graça, super gostosinho de ver e com uma história bem do tipo “família”. Na trama, Inclán interpreta Epifanio, um jardineiro de origem mexicana que vive e trabalha nos EUA há mais de vinte anos. Um dia ele recebe a notícia de que seu irmão está doente e decide viajar para Zacatecas e visitá-lo. A viagem também é uma oportunidade para apresentar o México para seus dois filhos, que nasceram nos EUA. Quando volta, Epifanio acaba se deparando com um país muito diferente do que deixou e suas raízes começam a falar mais alto.

Piffany, a filha maidetalle_BIENVENIDO PAISANO_03_396x216s velha do casal, sente-se incomodada com a ideia de viajar para o México. Ela tenta, durante o tempo todo, provar que é uma cidadã americana e não se interessa pelo país de origem dos pais. De certa forma, ao fazer a escolha de permanecer na América, Epifanio e Cenobia também abrem mão de muitas características “latinas” com o intuito de se adequar a comunidade – são como uma cópia mal feita e caricata.

O ponto alto do filme se dá justamente quando a família decide regressar aos EUA e enfrenta problemas com os documentos. Eles sentem na pele (principalmente a garota) uma falta de receptividade dos americanos em relação aos mexicanos (e aos latinos, em geral). Enquanto Piffany desesperadamente quer voltar, Cenobio (o filho mais novo) percebe que quer ficar no México. Trava-se um verdadeiro drama familiar.