Se me perguntassem se aquele ato performático em que uma mulher engole e depois vomita tinta em Lady Gaga é arte eu não saberia responder. Afinal, o que é arte? Se me perguntassem se uma música de Valesca Popozuda tem menos ou mais valor cultural do que uma erudita, eu não saberia responder. Afinal, quem define esses valores tão subjetivos?
Outro dia fui convidada para participar de um encontro de poetas. Pessoas que amam literatura e que dedicam horas de seus dias lendo e escrevendo. O evento era aberto, o povo foi convidado. Na plateia, escritores, e no palco também. O povo não foi.
O homem que abriu o evento conversava diretamente com o público (os escritores) e dizia: “Nós temos o privilégio dos loucos!” Eles, aplaudiam. Quando permitiu que os outros subissem no palco, advertiu: “Todo mundo quer ler e mostrar seu trabalho. Sejam breves e deem espaço ao outro’. Seguiram-se as apresentações, algumas cômicas, outras faziam uma ode à infância, algumas falavam da historia da cidade… Liam, se apresentavam e se aplaudiam.
Saí me perguntando se aquela reunião era, de fato, um encontro artístico ou se aquelas pessoas eram apenas narcisistas. Não sei como funciona essa relação do poeta ou do escritor com sua obra, se ele precisa que alguém o leia e o aplauda. Realmente não sei. E também continuo sem uma definição para arte – a minha tendência é acreditar que a arte é algo que toca no coração das pessoas, que as faz chorar ou rir, que as questiona… não me importa, juro que não me importa se seja através da Valesca Popozuda ou de Vivaldi.
