Mês: Abril 2014
sobre Daniela Romo…
Ficar distante do La Amora me dói, adoro escrever e publicar aqui, dá um prazer inigualável. Infelizmente estou com pouco tempo, o trabalho e os cursos estão me deixando sem fôlego – tenho até assistido menos filmes, o que é fora do comum.
Hoje eu reli algumas publicações do Indiscreet Talkin, o blog da Jéssica, que já mencionei aqui anteriormente. Em um de seus textos ela falava sobre sua “crush” em Christine McVie. Engraçado a maneira em que ela descreve seu comportamento, é exatamente daquele jeito que eu fico quando me encanto com alguém (normalmente atores, atrizes e cantores). Sabe aquela coisa de colecionar fotos, de assistir capítulos, procurar pela biografia, por novidades ou ouvir todas as músicas? É, mais ou menos isso.
Atualmente não há nada que ocupe a minha mente além de Daniela Romo, uma cantora/atriz mexicana. Outro dia uma página que curto no Facebook fez uma lista com personalidades (não sei qual era o intuito da lista porque só passei o olho), mas lá estava ela. De repente veio um flash, me lembrei de “Margarita”, uma das vilãs mexicanas que mais gosto. Como pude esquecê-la? Que ingrata. Eu assistia “Manancial” todos os dias, assim que chegava da escola e ficava fissurada com o personagem, que salvava a novela.

Manancial (El Manantial) foi exibida no Brasil em 2002, contava a história de duas famílias (os Ramirez e os Valdez) que brigavam pela posse de uma região. Adela Noriega interpretava a personagem principal, Adriana (em espanhol, Alfonsina) e ela era apaixonada por Alexandre, membro da família inimiga. O conflito sobre a posse das terras praticamente se transformou em guerra, a situação ficou tão feia que Justo Ramirez (pai de Alexandre e marido de Margarita) chegou a estuprar Adriana e expulsá-la da região. Ela vai embora, mas promete voltar para se vingar.
Em Manancial Daniela Romo usava duas trancinhas, um dia – nos últimos capítulos da novela, ela soltou os cabelos. Fiquei paralisada, sério. Eram enormes! A cena é inesquecível, dessa me lembro até hoje (revi outro dia, pelo Youtube e me surpreendi, porque minha memória estava vivíssima). Margarida sempre usava tranças, nesse dia ela deixou os cabelos soltos. Ela estava separada de Justo e tinha confessado que durante toda a vida, amou outro homem. Justo (que não tinha um braço! Não me lembro porque), invade a casa, dopa Margarida e a estupra. Por fim, Margarida, que sempre maltratou Adriana, passa pela mesma situação e começa a se arrepender de suas maldades – persegue Justo e o mata.
Essa foi a única novela que assisti com a Daniela Romo, descobri há pouco que ela não fez muitas novelas porque também é cantora, aliás, foi eleita pela People como uma das 50 personalidades mais influentes do país.. Quando procurei por ela na internet me surpreendi com a notícia de que teve câncer de mama e que passou por um penoso tratamento quimioterápico. Segui a semana ouvindo suas músicas, vendo novelas e entrevistas. Me encantei por ela, não só por causa dos trabalhos artísticos, mas pela destreza comunicativa e pela inteligência emocional que apresentava nos vídeos.
Em uma entrevista que vi, Daniela construía uma metáfora onde comparava o câncer e a guerra (me lembrei da Susan Sontag). Romo dizia que desde que trouxe a doença a público, muitas pessoas não só ficavam com piedade, encarando-a como uma “morta-viva”, como também diziam que ela deveria usar uma peruca. Antes, ela agradeceu o carinho dos que a apoiaram. Então ela diz que as mulheres diagnosticadas com câncer não tem que se envergonhar, pelo contrário. Assim como os soldados que vão para a guerra e voltam com medalhas e com os braços tatuados, exibindo a glória da vitória, as mulheres estão no seu direito de se mostrarem carecas, de mostrarem ao mundo que estão lutando pela vida.
Pode parecer uma coisa boba, uma afirmação qualquer, mas não é. Há um estereótipo social muito forte que ronda as mulheres, e a aparência é um deles. Foram revistas e revistas, programas, entrevistas, vídeos especiais, todos dedicados ao assunto. Que até hoje é discutido, na semana passada ela foi convidada a dar uma entrevista a CNN para comentar sobre a doença e sobre o tratamento. E todos os entrevistadores esbarram no mesmo assunto, no cabelo.
Daniela sempre teve um cabelo muito grande (vou colocar uma foto), é como se fosse uma marca dela, talvez seja por isso que ficaram tão impressionados ao vê-la careca. Romo revelou que sofreu ao cortar o cabelo, que era para ela algo “intocável”. Em entrevista ela explicou que o cabelo passou a ser mais importante para os fãs do que para ela, era uma marca e os fãs fantasiavam sobre isso, se tornou um fetiche. Outro detalhe engraçado é que ela fala palavrão pra caramba, tem boca suja e não tá nem aí. – Aliás, Daniela não se chama Daniela e sim: Teresa Premanes.

Em outra entrevista, no show da Cristina (uma espécie de Hebe mexicana) ela também falou muito bacana. A Cristina faz a abertura dizendo que aquele “era um programa de agradecimento” e pediu que Daniela falasse sobre algumas pessoas importantes pra ela. Então ela fala sobre seu pai, “cuja presença era uma ausência” Ela conta que seu pai nunca esteve presente em sua vida e que ela o encontrou apenas uma vez.
Ele disse que desejava vê-la feliz e que esperava que ela encontrasse um homem e que o pudesse fazer feliz. “Naquela época eu já entendia o sentido do que ela se apaixonar, o que era o amor e o que era a vida. Ele me ensinou uma das grandes maravilhas que aprendi no mundo que é o perdão. Eu não precisava perdoá-lo só porque ele não esteve comigo, mas me ensinou a valorizar e a entender o que o perdão significa. Perdoar é a coisa mais difícil que existe no mundo, ainda que pareça tão fácil.”
Daniela é uma militante, luta especialmente pelos direitos dos homossexuais. Há boatos, fortes boatos, de que ela está casada há muitos anos (acho que mais de trinta) com Tina Galindo, uma produtora teatral. Romo não confirmou nada e não fala abertamente sobre o assunto.

[Pausa: Eu sei que eu estou escrevendo muito nessa publicação, mas me deem um desconto porque tem muito tempo que não escrevo nada no Blog!!]
Apesar de ter interpretado muitas “mocinhas”, Romo ficou marcada por causa das vilãs. Em “Triunfo do amor”, 2010, ela encarnou Bernada Iturbe. A novela é uma regravação de ‘Cristal’ – que também deu origem a ‘O Privilégio de Amar’. A história é a mesma, em suma, mostra a luta de uma mãe em busca da filha perdida. Victoria Ruffo interpreta Maria, a mãe da “mocinha” e Romo é grande responsável pelo sumiço da garota. Cabe acrescentar que Ruffo e Romo são grandes amigas.
Em 2012 ela gravou “Para soñar”, ela não só comemorava o fim da batalha contra o câncer, como também completava 40 anos de carreira (ela começou a cantar e a atuar com onze anos!). No cd ela canta canções antigas, remixadas, que fizeram sucesso nos anos 80. A última novela feita por Daniela é “La Tempestad”, de 2013. Foi a primeira, desde o câncer. Na trama ela interpreta Mercedes, uma empresária que procura por sua filha desaparecida. (Aliás, suas músicas foram incluídas na trilha sonora.)
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A flor do meu segredo
Rever Almodóvar é uma necessidade, um brinde a milhares de homens e mulheres que existem dentro da gente, mas que ficam adormecidos. Em suas cores, em seus diálogos, em seus planos e enquadramentos, o diretor brinca com a tragédia humana, nos cerca de questionamentos sobre assuntos existenciais: amor, morte, sexo, dinheiro, medo, solidão, loucura. EXAGERO. É inegável, Almodóvar tem sua marca, domina o que faz e o faz muito bem.
Assisti um de seus filmes outro dia; decidi rever um que fosse estrelado por Marisa Paredes. Também estava com saudade dela, daquela voz charmosa e irresistível. Fiquei na dúvida, muitas opções. Maus Hábitos? Tudo Sobre Minha mãe? A pele em que Habito? De salto alto? Não… A Flor do meu segredo!
“A flor do meu segredo” é um daqueles filmes que deixam o coração apertado, que causa catarse já nos primeiros instantes. Na história, Leo Macias (Marisa Paredes) é uma escritora famosa que enfrenta uma crise criativa. A ausência do seu esposo, Paco – que é militar, a deixa depressiva e melancólica. Leo, é uma mulher sedenta por amor.
Ao mesmo tempo em que a editora a pressiona a produzir outro romance, ela se afoga em bebidas e apresenta um comportamento suicida. Um detalhe interessante é que Leo não assina as obras em seu nome, ela usa o heterônimo: Amanda Gris. Nas pequenas subtramas: a empregada da casa enfrenta um impasse, ou continua trabalhando com Leo, ou se dedica a companhia de dança. A mãe e a irmã da personagem principal vivem em guerra. Um editor do jornal El País aceita Leo como colunista do jornal e sua melhor amiga estuda estuda a melhor forma de noticiar a morte.
Indefenso frente al acecho de la locura
Assisti uma entrevista onde a Marisa Paredes resume perfeitamente sua personagem, ela afirma que Leo é uma mulher que não está disposta a seguir se enganando, que ela tenta de todas as formas – desde o fundo de sua alma, a recuperar um amor que já morreu. Em suma, essa é a essência do longa, a dor provocada por uma busca inútil. Leo entra em uma guerra que já está perdida.
Não acho que essa perspectiva sobre o “perder” se limite só ao amor. Somos, todos nós, perdedores em alguma coisa- e é difícil reconhecer isso. Pode parecer pessimismo, mas não é. Ninguém pode vencer em tudo, essa é uma condição humana. No caso do filme, Leo chegou “a beira da loucura”, isso porque não sabe viver sem amor e para ela, Paco significa amor.
Difícil conversar tecnicamente sobre o trabalho do Almodóvar, isso porque ele é único – desculpe se eu repeti essa expressão várias vezes, HAHA, mas é bem isso. Em “A flor do meu segredo” o diretor está mais trágico, mais lento e muito mais romântico -diferente das comédias exageradas que fez anteriormente.
Se existe uma cena que me encanta no longa se passa no momento em que Leo, depois de tentar o suicídio, vai para o centro da cidade e se depara com a greve feita pelos estudantes de medicina. Ela caminha entre milhares de pessoas vestidas de branco, que entoam uma canção. Leo veste vermelho, está de óculos escuros e está visivelmente abalada. A cena me remete logo a uma canção do Legião Urbana: “É solitário andar por entre a gente”.
É incrível como Almodóvar sabe usar metáforas, ele tem uma delicadeza ímpar e consegue encaixá-las perfeitamente na trama. Nas cenas iniciais, por exemplo, Leo aparece sentada em seu escritório, escrevendo mais um de seus romances e usando uma bota que o marido lhe dera de presente. As botas doem e estão tão apertadas que ela não consegue tirar. Tal qual acontece em seu casamento, há um amor absurdo, insuportável, tão grande e tão forte, que a sufoca.
Hoje calcei as botas
que me ofereceu há dois anos.
Lembra que teve de me tirar
porque, sozinha, eu não conseguia?Ao vê-las, esta manhã, me lembrei
de você e calcei-as em sua homenagem.
Estão apertadas.
Por vezes, lembranças de você,
como estas botas
apertam-me o coração
e mal posso respirar…
Não consigo descalçá-las
Festival Varilux de cinema francês termina amanhã

Em Belo Horizonte os filmes da mostra estão em exibição no Cine Belas Artes (Rua Gonçalves Dias, 1581, Lourdes).
A mental mindfuck can be nice
Assim na terra como no céu
Maria Garcia (Carmen Maura) é uma jornalista ocupada e bem sucedida que descobre que está grávida. Contrariando o chefe e os colegas do serviço, decide assumir sozinha a gravidez e esconde a identidade do pai. Durante a gestação, Maria começa a ouvir seu filho; o feto conversa com ela e afirma que não quer nascer. Diante desse impasse, Maria revela em rede nacional que seu filho não quer vir ao mundo. A jornalista choca as autoridades e a opinião pública, mas acaba descobrindo que outras mulheres grávidas, assim como ela, estão passando pela mesma situação: seus bebês não querem nascer.
“Assim na terra como no céu” é um filme sensível e poético, a poesia, inclusive, está presente no próprio título, sabiamente escolhido. O argumento é lindíssimo, está cheio de questionamentos existenciais e nos leva a repensar o modo de vida que estamos levando. O que estamos fazendo do mundo? Qual será o nosso destino? Valeu a pena ter nascido?
Em princípio o argumento até parece pessimista, os bebês não querem nascer porque acham que não vale a penar viver num mundo como esse, repleto de doenças e violência. A concepção principal é a de que eles vivem em um local onde sabem e percebem tudo o que acontece, mas diferente de nós (que já nascemos), possuem escolha.
Outros (e importantes) questionamentos surgem ao longo do desenvolvi
mento da trama. Aqui não só exploram o aborto, a depressão pós parto e mortalidade infantil, mas também a posição das mulheres que, muitas vezes, ficam a mercê das decisões médicas. No caso de Maria, ela opta por ter um parto normal e aguardar os nove meses, mas os médicos insistem para que ela faça uma indução.
O filme, produzido em 1992 e dirigido por Marion Hansel, conta com Carmen Maura, que está ímpar na pele de uma mãe amorosa que não sabe mais o que fazer em relação ao filho.
Breve resumo da vida acadêmica
1) Você entra na faculdade
2) Se depara com coisas, lugares e conteúdos novos
3) Dedica tempo e dinheiro naquilo
4) Encara o primeiro estágio
5) O segundo
6) O terceiro
7) O quarto
8) Faz bons amigos
9) Algumas inimizades
10) Passa horas ensaiado o que vai falar ao apresentar a monografia
11) Apresenta a monografia
12) Finalmente, você se forma!
12) Difícil encontrar emprego
13) Passa por uma série de entrevistas
14) A sua vez parece que nunca vai chegar
15) Depois de muito medo, anseios… finalmente é contratado
16) Fica na dúvida: agora é hora de fazer uma especialização ou não?
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Insanatório: Quem entra, não sai.
Jack (Jesse Metcalfe) é um jovem que finge estar louco para ser internado em um sanatório, ele busca pela irmã que foi internada no mesmo hospital depois que apresentou problemas emocionais por causa da morte da mãe. Quando entra na instituição, descobre que o diretor e médico do instituto (interpretado por Peter Stormare) está usando os pacientes como cobaias, criando criaturas sedentas por sangue. Jack e a irmã, que estão a mercê de enfermeiros impiedosos, precisam descobrir uma saída já que os outros pacientes estão se transformando em terríveis canibais.

Jeff Buhler, que também trabalhou como roteirista em “O último trem”, peca ao construir um longa marcado por cenas inverossímeis e exageradas. O argumento é até interessante, mas não se sustenta. Burler, por exemplo, poderia ter explorado muito mais o impasse do personagem principal que não tinha certezas sobre a própria sanidade.
Uma das coisas mais incômodas do filme foi a construção estética, a maquiagem, os cenários: parece que fizeram um trabalho mal acabado. A caracterização dos pacientes contaminados chama atenção, Burler teve a infeliz ideia de colocá-los usando lentes de contatos azuis, completamente caricatos (pareciam participantes da Zombie Walk).
Tentaram abordar a lobotomia, fizeram um leve e superficial retrato sobre esse processo tão polêmico. No entanto, algo ficou no ar, uma expectativa de que explorassem mais o tema e retratassem de maneira realística (ou até mais assustadora). Alguma cenas foram desnecessárias, causaram choque… mas de forma errada (como aquela em que o médico estupra a funcionária ou aquela em que o paciente arranca a cabeça de um gato e começa a beber seu sangue). Em suma, “Insanatório” é um daqueles filmes que não indico a ninguém, nem se for pra perder ou para passar o tempo… que seja com alguma coisa mais interessante.
Ficha Técnica: Título Original: Insanitarium Direção: Jeff Buhler Ano de Produção: 2008 Gênero: Suspense, Terror

















