Não deixe a po…

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Não deixe a porta aberta quando sair e nem pense em voltar. Devia ter demonstrado antes quem era, o que trazia no coração. Falar coisas arredias assim, não faz bem pra mim e também não faz bem pra você, pode ter certeza. Dizer tantas maldades deixa na língua um gosto amargo de veneno e de rancor… Um gosto tão profundo que é como roupa manchada de sangue: se foi muito atingida não adianta lavar, o vermelho não sai, nem o cheiro.

Agora já não dá mais para lembrar dos dias leves e azuis, de quando olhávamos nos olhos do outros e sabíamos exatamente o que devia ser dito (ou, o que não precisava ser dito). Leve com você todo esse peso, essa sensação de medo e de culpa. Você fez a sua escolha e eu a minha: percebi que não dá se limitar, precisamos de mais – Somos mais (longe um do outro).

Reze um pouco. Se não lhe fizer bem, mal eu garanto que não fará. Saia de casa, respire ar limpo. Fique com a família, talvez eles possam lhe dar o que eu já não posso: carinho.  E se possível, seja feliz e me deseje coisas boas – é o que tento te enviar agora, boas vibrações.  Essa dureza toda, essa falta de sorriso, tem feito você parecer velho demais.  Sorria um pouco, lembre da sua infância de quando corria descalço na grama. Escute Elis, mas as músicas alegres, ela será uma boa companhia. Ou não faça nada disso, se quiser.

Olha, já apaguei a luz, encaixotei suas roupas, seus livros. Deixe a chave em baixo do tapete, eu também estou de mudança – Agora só quero o que me faz bem.

(Thais dos Reis)

Filmes da Infância, parte 2

1)      Matilda (1996)

 

“Hum hum humm, oh oh oh” Sabe a música “ Little Bitty Pretty One” do Thurston Harris? Gostosa demais não é? Pois eu não consigo ouvi-la sem lembrar da cena em que Matilda dança com os objetos, enquanto as cartas a rodeiam. Pois já se faz 16 anos que o filme foi gravado e ele ainda continua bastante atual.  “Matilda” na verdade é um livro, escrito por Roald Dahl, ilustrado por Quentin Blake e posteriormente adaptado ao cinema por Danny DeVito.

Conta a história de uma garotinha esperta e muito inteligente (ávida por conhecimento) que tem pais sem um pingo de paciência com crianças. Eles a mandam para uma escola que é dirigida pela cruel Agatha Trunchbull. A presença da professora Srta. Jennifer Honey faz com que a vida das crianças naquela escola fique mais ‘doce. A professora Honey logo percebe que há algo diferente com a garotinha e faz de tudo para ajuda-la. Entre travessuras e momentos divertidíssimos, a pequena descobre que possui poderes mágicos e decide usa-los para combater a monstruosa diretora.

 

O filme fez parte da minha infância e com certeza da de muitos outros. É até difícil acreditar que aquela menininha cresceu (aliás, que nós crescemos). Há uma cena que me encanta: a do bolo. Enquanto os meninos se levantavam da cadeira, torcendo para que o aluno gordinho, que roubou a torta da diretora, comesse todos os outros bolos que ela mandou preparar (e o obrigou a comer), eu torcia junto (acho que todos torciam não é?) e ainda ficava imaginando: será que eu daria conta de comer todo aquele bolo?Pois esse é um daqueles filmes que eu chamo de: “filme delicinha”, que dá vontade de assistir junto a família, de passar para os filhos e para os netos.

Curiosidades:

  • Richard Donner esteve cotado para assumir a direção
  • Mariska Hargitay recebeu uma proposta para interpretar a srta. Honey, mas a recusou.
  • Suzie Wilson, a mãe da protagonista Mara Wilson, faleceu durante as filmagens devido a um câncer de mama. Após os créditos finais, pode ser vista uma dedicatória a ela.
  • Kylie Tyndall e Keaton Tyndall tinham sido escalados para interpretar Matilda ainda jovem, mas foram substituídos de última hora devido a uma febre alta que ambos tiveram.
  • A foto do pai da srta. Honey é na verdade Roald Dahl, criador do livro no qual Matildafoi baseado.

A ultima participação no cinema realizada por Mara Wilson foi no filme “Cinderella” em 2005. Em 2011 foi indicada ao Young Artist Awards como melhor atriz pelo filme Thomas e a ferrovia mágica.

2)      Abracadabra (1993)

Foi um dos únicos filmes em que achei a Sarah Jéssica Parker realmente sexy (o outro foi em “O clube das desquitadas”).E foi nesse também que me apaixonei perdidamente por Bette Midler.  Abracadabra é um filme de fantasia que conta uma história perfeita para as crianças que gostam de mistério: Na noite do Dia das Bruxas, Max, Alisson e Dani resolvem invadir a antiga casa das bruxas de Salem (as irmãs: Winifred “Winnie”, Mary e Sarah Sanderson) para acender a chama da vela negra e sem querer, acabam fazendo com que as bruxas voltem da morte.

Com uma ótima trilha sonora e um cuidado de acabamento impecável, a Disney realizou mais uma vez, um filme encantador e bem humorado. Aquele olho se remexendo no livro era o que eu mais gostava. “Que livro sacana! Avisou as bruxas onde os meninos estavam”, sempre pensava. O filme é todo encantador, mas as três atrizes que fazem as bruxas possuem uma essência tão legal!… Elas ‘deram certo, entende?  E o filme nos conquista pelas pequenas coisinhas: Quando voltam a vida, as bruxas precisam se adaptar com o novo ambiente: a cena da Winnie pulando no asfalto (“lama preta”), ou as bruxas andando no ônibus pela primeira vez, a música viciante do baile: “I put a spell on you” e quando elas encontram “O Mestre” então? São todos detalhes fundamentais.

Curiosidades:

  • A personagem Mary Sanderson foi oferecida a Rosie O’Donnell, que não a aceitou por não querer interpretar uma “bruxa assustadora”.
  • O personagem Max Dennison foi oferecido a Leonardo DiCaprio, que o recusou para atuar em  Gilbert Grape – Aprendiz de Sonhador(1993).
  • O orçamento de Abracadabra foi de US$ 28 milhões.
  • A canção “Almost Unreal”, do Roxette, inicialmente faria parte da trilha sonora de
    Abracadabra, mas foi descartada. A música integrou a trilha sonora de Super Mario Bros, lançado no mesmo ano (1993)

Vinessa Shaw: Sua última participação no cinema foi em 2008 no filme: “Amantes”.  Também atuou em “Melinda e Melinda” ( 2004) e “40 Dias e 40 Noites” (2002)

Tora Birch: Sua última participação no cinema foi em 2010: “A história de Bonnie e Clyde”, como Blanche Barrow. Recebeu em 2002 o Globo de Ouro como Melhor Atriz (Comédia/Musical) em Mundo Cão.

3)      Corina, uma babá perfeita (1994)

Toda vez que o sinal está vermelho e demora muito para abrir, não consigo me segurar e assopro, no meio da rua. É claro, a culpa é da Corina. As influências desse filme foram tantas, que cheguei a implorar que a minha mãe comprasse uma tartaruguinha para mim como bichinho de estimação (o que não aconteceu). A história é muito simples: A mulher do compositor de jingles Manny Singer morre e ele precisa de uma babá para cuidar da sua filhinha de sete anos: Molly.  Manny entrevista diversas babás, até que conhece Corina. A babá ganha a confiança da garota, que se sente culpada pela morte da mãe e os três acabam criando uma relação paralela de afeto e carinho.

Molly acaba se deparando com dois mundos: o dos brancos e o dos negros. São tantas cenas gostosas que não dá para eleger só uma. Quando Molly falta à aula para ajudar a Corina arrumar a casa de uma das suas patroas, ao som de um jazz contagiante, eu pensava: “eu quero uma babá assim”.  Por muito tempo fiquei cogitando que gosto eu tinha: café com leite? (pensava com meus botões), nunca descobri. O tempo foi passando e fiz questão de ter esse filme em DVD. Minha prima aprendeu a gostar dele tanto como eu: às vezes pedia: “Vamos ver Corina!” e víamos, duas, três vezes.

E as cenas são delicadas, sensacionais. Ao som de “This little light of mine” (igualmente contagiante) reconheci em Whoopi Goldberg uma das melhores atrizes e de interpretações soberbas (quando se trata de atuações dela, para mim, Corina só perde para “Ghost”).

Curiosidades:

  • Duas cenas do trailer de Corina, Uma Babá Perfeita não aparecem na versão final do filme.
  • Último filme do ator Don Ameche, que faleceu pouco depois da conclusão das filmagens.

  • E como está a Molly hoje? Tina Majorino marcou a sua volta ao cinema em 2004 com o filme: “Napoleon Dynamite”. Formou uma banda de rock com o irmão Kevin chamada: “The AM Project” e sua última participação na TV foi em “Big Love” como Heather Tuttle.

 

4)      Os Fantasmas se divertem (1988)

Adoro a Geena Davis, desde que vi “Thelma e Louise” (um dos meus filmes preferidos e provavelmente um ótimo próximo assunto para um post novo) me apaixonei por ela logo de cara.  O filme de Tim Burton é frenético. Deliciosamente obscuro e engraçado, o diretor utiliza (como em outros filmes que realizou), uma maquiagem peculiar.  Eu vi esse filme tantas vezes na Sessão da Tarde e depois em DVD, que eu poderia cita-lo de cor e salteado. Confesso que tinha um pouquinho de medo do Beetle Juice e jamais, falava o nome dele três vezes quando estava sozinha. Alias, tinha um nojo profundo por sua cara branca cercada por uma mancha escura e esverdeada que dava ainda mais a imagem de morto (na minha cabeça ele fedia, eu imaginava: deve ser insuportável ficar perto dele).

Depois que morrem em um acidente de carro, Bárbara e Adam ficam presos como fantasmas em sua casa no campo. A tranqüilidade deles é invadida por novos moradores (ricos e prepotentes) que compram a residência e passam a modificar tudo (instalam papéis de parede novos, trocam os móveis, etc). O casal que se muda para lá possui uma estranha filha: Lydia, que os enxerga e tenta ajuda-los a espantar seus pais. Seus planos nunca dão certo (Inclusive há uma cena divertidíssima do jantar ao som de Banana Boat Song, de Day-o) e por isso, recorrem ao estranhíssimo Beetle Juice.

Aliás, podem ficar assustados: só foi descobrir que Michael Keaton interpretou Beetle Juice hoje, enquanto pesquisava curiosidades sobre o filme, nunca tinha imaginado que aquele personagem louco era ele, o tempo todo.

Curiosidades:

  • O personagem Beetlejuice utiliza 8 diferentes roupas ao longo de todo o filme;
  • Originalmente Os Fantasmas Se Divertem seria um drama sobrenatural chamado “The Maitlands”, que abordaria as dificuldades de um casal em se adaptar com sua vida pós-morte. As cenas escritas no roteiro do filme e vários dos personagens eram bem mais mórbidos originalmente e foi apenas quando o ator Michael Keaton pediu a Tim Burton liberdade artística para desenvolver seu personagem que o diretor resolveu transformar o filme em uma comédia de humor negro
  • Inicialmente a Warner Bros. era contra a utilização do título “Beetlejuice” e chegou a sugerir um outro título: “Scared Sheetless”.- Consegui essas ótimas curiosidades sobre os filmes em um dos meus preferidos sites de cinema: http://www.adorocinema.com

Um pedido

Se eu te pedir, você faz uma coisa pra mim? Olha, eu não vou pedir coisa demais, eu só quero distância. Sabe o que é? Depois dos últimos acontecimentos, depois do que fizemos um ao outro, não dá mais, não dá nem pra tentar de novo. Mas se eu te peço distância, não fique tão magoado. É que eu não quero por a perder todas as coisas boas que fizemos e dissemos um ao outro. Tenta me entender, por favor. Vamos ser menos ingênuos menos infantis: tá na hora de reconhecer que já chega e que não dá mais. Eu só peço distância, por que as coisas ruins têm um peso tão maior do que as boas que estamos colocando tudo a perder: as confissões que fizemos um ao outro se tornaram ameaças.  Eu sei que dói, mas não é possível amar sozinho e eu não te amo mais. É duro dizer (e eu sei que é difícil ouvir): Acabou.

O contrário do Amor

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(Martha Medeiros)

O contrário de bonito é feio, de rico é pobre, de preto é branco, isso se aprende antes de entrar na escola. Se você fizer uma enquete entre as crianças, ouvirá também que o contrário do amor é o ódio. Elas estão erradas. Faça uma enquete entre adultos e descubra a resposta certa: o contrário do amor não é o ódio, é a indiferença.

O que seria preferível, que a pessoa que você ama passasse a lhe odiar, ou que lhe fosse totalmente indiferente? Que perdesse o sono imaginando maneiras de fazer você se dar mal ou que dormisse feito um anjo a noite inteira, esquecido por completo da sua existência? O ódio é também uma maneira de se estar com alguém. Já a indiferença não aceita declarações ou reclamações: seu nome não consta mais do cadastro.

Para odiar alguém, precisamos reconhecer que esse alguém existe e que nos provoca sensações, por piores que sejam. Para odiar alguém, precisamos de um coração, ainda que frio, e raciocínio, ainda que doente. Para odiar alguém gastamos energia, neurônios e tempo. Odiar nos dá fios brancos no cabelo, rugas pela face e angústia no peito. Para odiar, necessitamos do objeto do ódio, necessitamos dele nem que seja para dedicar-lhe nosso rancor, nossa ira, nossa pouca sabedoria para entendê-lo e pouco humor para aturá-lo. O ódio, se tivesse uma cor, seria vermelho, tal qual a cor do amor.

Já para sermos indiferentes a alguém, precisamos do quê? De coisa alguma. A pessoa em questão pode saltar de bung-jump, assistir aula de fraque, ganhar um Oscar ou uma prisão perpétua, estamos nem aí. Não julgamos seus atos, não observamos seus modos, não testemunhamos sua existência. Ela não nos exige olhos, boca, coração, cérebro: nosso corpo ignora sua presença, e muito menos se dá conta de sua ausência. Não temos o número do telefone das pessoas para quem não ligamos. A indiferença, se tivesse uma cor, seria cor da água, cor do ar, cor de nada.

Uma criança nunca experimentou essa sensação: ou ela é muito amada, ou criticada pelo que apronta. Uma criança está sempre em uma das pontas da gangorra, adoração ou queixas, mas nunca é ignorada. Só bem mais tarde, quando necessitar de uma atenção que não seja materna ou paterna, é que descobrirá que o amor e o ódio habitam o mesmo universo, enquanto que a indiferença é um exílio no deserto.

Não escrevi es…

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Não escrevi esse texto antes, justamente para acompanhar mais um pouco a cobertura e a repercussão da morte de Hebe Camargo. Inclusive, não desgrudei os olhos da TV no domingo (30/10), dia do seu enterro. Hebe conseguiu unir a programação das principais emissoras brasileiras (Rede Globo, Record, SBT e Rede TV) onde, cada uma a seu modo, prestou a sua homenagem. Acontece que fomos pegos de surpresa, a repetitiva imagem da apresentadora sorridente e fazendo estripulias (como mesmo dizia) ficou tão intrínseca na memória do país, que foi difícil crer que ela realmente se foi.

 

Fiquei sabendo da notícia por uma tia, enquanto lavava vasilhas. Quando saí na rua, um vizinho comentava com outro o quanto estava triste. A morte da Hebe uniu a minha família em frente à TV, cada um queria ver a transmissão de uma emissora diferente. Recebi uma amiga em casa, tínhamos comemorado o aniversário da minha mãe no dia anterior e ela, assim que chegou, se uniu para assistir a programação.

A imagem daquele carro de bombeiros circulando as ruas do Morumbi me lembrou a morte de outras figuras populares que inclusive, morreram antes de eu nascer (e que tomei conhecimento pela internet ou pela própria TV). A morte de Elis, de Airton Senna e de Tancredo Neves, todas guardam uma semelhança: a comoção popular e o incrível sentido e proporção que acabam tomando: tornam-se cenas que entraram para a história.

O assunto não acabou naquele dia, nem naquele lugar. Hoje de manhã, quando cheguei, os garotos do laboratório de vídeo da faculdade comentavam: “Você viu, estamos mesmo chegando no fim do mundo: a Hebe morreu”. Alguns estavam sentidos e não queriam transparecer aquela sensação de perda (uma perda virtual, porque nunca a vimos pessoalmente e mesmo assim sua presença se tornou costumeira em nosso cotidiano).  Logo depois no ônibus um casal deu um selinho: “Selinho da Hebe”, disse a moça para o namorado.

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Essa catarse televisiva (e midiático) é de tamanha grandeza que a frase da minha professora de TV passou a ter ainda mais sentido: “Quem tem o microfone, tem o poder”. No Twitter, Hebe ocupou os trendings topics, tornou-se assunto massivo da internet (os vídeos no Youtube que se tratavam dela, aumentaram consideravelmente em horas), os jornais escancaram seu rosto nas capas, o “Meia Hora” trazia a Hebe mandando um selinho e em pequenos quadrados: seu público retribuindo.

Um dos jurados do programa do SBT “Qual é o seu talento” (desculpem, não me lembro o nome agora), disse uma das frases de mais sentido: “Hebe era a cara do Brasil, era a morena que ficou loira, era a alegria e o bom gosto ao se vestir, o brasileiro gosta de ser ver bonito”. E poucos sabem, foi objeto de estudo de muitos pesquisadores que queriam entender e aprender a: linguagem televisiva. Enfim, Hebe só estava esperando a morte para se transformar em uma estrela de verdade.

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(Caricatura por: Luis Fernando)