Não escrevi es…

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Não escrevi esse texto antes, justamente para acompanhar mais um pouco a cobertura e a repercussão da morte de Hebe Camargo. Inclusive, não desgrudei os olhos da TV no domingo (30/10), dia do seu enterro. Hebe conseguiu unir a programação das principais emissoras brasileiras (Rede Globo, Record, SBT e Rede TV) onde, cada uma a seu modo, prestou a sua homenagem. Acontece que fomos pegos de surpresa, a repetitiva imagem da apresentadora sorridente e fazendo estripulias (como mesmo dizia) ficou tão intrínseca na memória do país, que foi difícil crer que ela realmente se foi.

 

Fiquei sabendo da notícia por uma tia, enquanto lavava vasilhas. Quando saí na rua, um vizinho comentava com outro o quanto estava triste. A morte da Hebe uniu a minha família em frente à TV, cada um queria ver a transmissão de uma emissora diferente. Recebi uma amiga em casa, tínhamos comemorado o aniversário da minha mãe no dia anterior e ela, assim que chegou, se uniu para assistir a programação.

A imagem daquele carro de bombeiros circulando as ruas do Morumbi me lembrou a morte de outras figuras populares que inclusive, morreram antes de eu nascer (e que tomei conhecimento pela internet ou pela própria TV). A morte de Elis, de Airton Senna e de Tancredo Neves, todas guardam uma semelhança: a comoção popular e o incrível sentido e proporção que acabam tomando: tornam-se cenas que entraram para a história.

O assunto não acabou naquele dia, nem naquele lugar. Hoje de manhã, quando cheguei, os garotos do laboratório de vídeo da faculdade comentavam: “Você viu, estamos mesmo chegando no fim do mundo: a Hebe morreu”. Alguns estavam sentidos e não queriam transparecer aquela sensação de perda (uma perda virtual, porque nunca a vimos pessoalmente e mesmo assim sua presença se tornou costumeira em nosso cotidiano).  Logo depois no ônibus um casal deu um selinho: “Selinho da Hebe”, disse a moça para o namorado.

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Essa catarse televisiva (e midiático) é de tamanha grandeza que a frase da minha professora de TV passou a ter ainda mais sentido: “Quem tem o microfone, tem o poder”. No Twitter, Hebe ocupou os trendings topics, tornou-se assunto massivo da internet (os vídeos no Youtube que se tratavam dela, aumentaram consideravelmente em horas), os jornais escancaram seu rosto nas capas, o “Meia Hora” trazia a Hebe mandando um selinho e em pequenos quadrados: seu público retribuindo.

Um dos jurados do programa do SBT “Qual é o seu talento” (desculpem, não me lembro o nome agora), disse uma das frases de mais sentido: “Hebe era a cara do Brasil, era a morena que ficou loira, era a alegria e o bom gosto ao se vestir, o brasileiro gosta de ser ver bonito”. E poucos sabem, foi objeto de estudo de muitos pesquisadores que queriam entender e aprender a: linguagem televisiva. Enfim, Hebe só estava esperando a morte para se transformar em uma estrela de verdade.

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(Caricatura por: Luis Fernando)

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