Translendário

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Um grupo teatral de travestis do Ceará, as “Travestidas”, revisitou obras clássicas, pinturas e discos e recriou versões interessantíssimas: repletas de cores, brilhos e plumas. Descobri a iniciativa no blog da Lola (http://escrevalolaescreva.blogspot.com.br) em um post onde há um relato no mínimo intrigante de um transsexual (a historia de Raphael, que se transformou em Raziel e que antes era um: mascutroll, bacana demais!). Fui procurar na internet um pouco sobre a história das imagens e sobre o grupo. Na Folha, inclusive, informam que as Transvertidas causaram muita polêmica em Ceará: “Tudo começou com uma reclamação do deputado estadual Fernando Hugo (PSDB) em sessão da Assembléia nesta semana, para quem três imagens do calendário “desrespeitam, chacoalham e agridem o mundo cristão. É uma aberração.”

Confira as imagens, que são belíssimas:

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Versos Íntimos

( Augusto dos Anjos)

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Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão – esta pantera –
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

O ano que não terminou

Uma colega me emprestou “1968, O ano que não terminou” de Zuenir Ventura, obra clássica moderna, indicada para qualquer estudante de jornalismo (e para qualquer um que se interesse pela história política e cultural do Brasil). Devorei o livro em dois dias… Zuenir tem um poder narrativo muito profundo, que envolve o leitor (e que exige agilidade), apesar da clareza na exposição das ideias.

A história que começa na famosa “festa na casa da Helô” e envolve figuras públicas e populares que através de muita luta, representaram um expoente para a democracia.

Toda essa narrativa se somou ao documentário que assisti ontem no Belas Artes: Tropicália, dirigido por Marcelo Machado – um recorte sobre o movimento que com a conturbada situação política, enriquecia o cenário musical, os festivais e a juventude.

De fato, as duas obras possuem semelhanças esperadas. O que eu poderia dizer é que: o livro e o filme são complementares. Gosto muito da maneira em que Zuenir começa a sua obra analisando a participação da figura feminina, uma pena eu não ter o livro aqui para reproduzir uma de suas ideias: mas é mais ou menos assim: o autor explica que a efervescência política acabou com muitos casamentos. As mulheres saiam de casa pois aquela percepção de “dona do lar”, cuidando dos filhos, começara a mudar.

Em Tropicália, fica muito claro que 1967 e 1968 foram anos conturbados, mas de certa forma, bem diferentes, uma delas é o Ato Institucional nº 5 (ainda não decretado).  A televisão já cumpria um papel de massificação e de divulgação (mas não tão evidente: nem todos acreditavam em seu poder).

A morte do estudante Edson Luiz por Ventura ficou ainda mais clara para mim no documentário. Pelo que entendi, Edson Luiz foi um espécie de mártir do movimento, o cortejo para o enterro foi seguido por milhares de pessoas. (Zuenir conta um fato interessante, ele relata que durante o caminho ao cemitério as luzes se apagaram (não se sabe se foi um boicote), e mesmo assim, as pessoas não desistiram de seguir o corpo – foram pegando jornais e fazendo tochas – que queimavam muito rápido.

 

Ainda sobre o livro: a missa de sétimo dia de Edson Luiz recebe uma descrição fantástica e chama atenção para o papel dos padres. Naquele dia a polícia cercou toda a igreja, eram mais de cem cavalos. As pessoas que estavam dentro ficaram temerosas de sair. Alguns militantes (inclusive ateus) foram a missa propositalmente, conscientes da possibilidade de  um enfrentamento. Percebendo a situação, os padres saíram na frente das pessoas, fazendo uma corrente protetora e acabaram apanhando da polícia, como muitos que ali estavam.

Sobre a passeata dos cem mil, também há um detalhe interessante: o que me chamou atenção foi a forma em que a população acabou por abraçar a causa. As pessoas jogavam objetos das sacadas das janelas para atingir os policiais.

O documentário é lindo, mais linda ainda: Gal Costa. Sabe, adoro aquela mulher, aquela voz. A minha amiga que estava comigo disse baixinho (ela é demais não é?, concordei sem nem um pingo de dúvidas). Ainda muito novinha, conta como foi a apresentação em 1968 da música “Divino Maravilhoso”, alguns aplaudiam, outros vaiavam. Ela contou que durante a apresentação um homem gritava: Fora! Fora! E ela cantava ainda mais forte, cantava para ele… e ele percebeu, se sentou: “aí, não teve jeito”.  Maria Bethênia linda, poderosa, jovem… em uma apresentação agressiva de “Carará” e os Mutantes, Rita Lee Jones, simpática como sempre e doce.

Documentário incrível, livro igualmente incrível… super indico. 🙂

gracias a la vida…

 

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Nada melhor do que um sabadão para nos fazer recuperar as forças que perdemos durante a semana. Saí de casa às oito da manhã e só cheguei uma e meia da madrugada, cheia de coisas boas, de experiências e de energia gostosa no coração. Com a máquina do lado, brinquei de fotografar a cidade enquanto descia para a autoescola. Fui até a Igreja de Nossa Senhora do Pilar, pedi pelos meus amigos e principalmente pela minha família. Fiquei um tempo na Praça, observando a passeata política, inúmeras pessoas dançando ao som de músicas eleitorais (e pensei, não tem jeito: nos gostamos mesmo de brincar com coisa séria: administração publica), mas enfim. Cheguei em Belo Horizonte e fiquei horas esperando a Bia e a Jullie, que chegaram bem depois., então: resolvi visitar uma exposição gratuita de Antanas Sutkus, no Centro de Arte de Belo Horizonte. Depois que chegaram, conversamos bastante, contamos tantos casos. Ficamos de 11h da manhã até às 21:30h. Eu e a linda da Jullie fomos ao Bela Artes, surpresa gostosa: pré-estréia do doc. Tropicália. Cheguei em casa, as ruas lotadas de papel (véspera de eleição), um empadão delicioso de mãe me esperava… Olha, meu sábado foi ótimo, as energias boas que pedi chegaram!  

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Feliz por nada (e por tudo!)

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Sempre fui uma leitora assídua de Martha Medeiros. Desde Divã, fiquei impressionada com a sensibilidade da autora que de maneira direta, diz coisas profundas e atuais. Em um passeio pelo Belas Artes, aqui em Belo Horizonte,  tive a felicidade de ganhar da minha mãe o livro  ‘Feliz por nada’, o ultimo produzido pela autora. Das crônicas que li tirei pedaços gostosos, análises e críticas que, resumindo, dizem tudo (rs!). Em um dos meus textos preferidos do livro, “Amigo de si mesmo”, ela diz o seguinte:

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“Encare-se no espelho e pergunte: quem eu penso que sou? E chore, porque você é fraco, erra, se engana, explode, faz bobagem. E aí enxugue as lágrimas e perdoe-se, que é o que os bons amigos fazem: perdoam” (…) “Por fim, pare de pensar. É o melhor conselho que um amigo pode dar ao outro: pare de fazer fantasias, sentir-se perseguido, neurotizar relações, comprar briga por besteira, maximizar pequenas chatices, estender discussões, buscar no passado as justificativas para ser do jeito que é, fazendo a linha “sou rebelde porque o mundo quis assim”, “ Salve-se dos seus traumas de infância”, “Permanecerá enredado em suas próprias angústias e sendo nada menos que seu pior inimigo”.

Publiquei no facebook ontem o mesmo texto do último post, onde falo sobre o quanto essa semana tem sido importante – de como é difícil confiar em alguém e quebrar a cara. Foi um desabafo, talvez. O lado positivo é que isso refletiu em alguns amigos que rapidamente responderam a publicação (inclusive amigos muito queridos, que não vejo há anos).  Alguns me disseram que estavam passando exatamente pela mesma coisa: confiar em alguém e quebrar a cara. Outros me disseram: “Isso faz parte da vida, aprender a viver”. Minha ex-professora de historia  (de quem eu gosto demais), disse algo terminantemente correto: exigimos muito do outro e isso pode ser um reflexo, exigimos muito de nós mesmos.

O fato é que o texto de Martha Medeiros veio a calhar. Principalmente quando ela diz que precisamos parar de pensar um pouco, de ver fantasmas onde não tem. E parar de ter dó de si mesmo, de viver do passado, de continuar discussões que não fazem mais sentido. A  verdade (se é que existe alguma verdade em situações como essa), é que esperamos demais do outro, e fatalmente nos decepcionamos. Hoje estava chorando porque alguns dos meus amigos não foram como eu queria que fossem. E agora sou levada a pensar: eu sou exatamente o protótipo que eles fazem de um amigo? Provavelmente não. E não adianta ficar chorando, ficar irritado, como diria a minha avó: a vida e assim mesmo, ela dá e tira muito rápido.

Um brinde aos que por escolha, sairam minha vida. – E um brinde maior ainda, aos que por escolha, permaneceram.

Essa semana tem…

Essa semana tem sido tão difícil, tenho aprendido tantas coisas – algumas tão dolorosas. Eu entendi que não adianta ter 20 ou 50 anos, às vezes a maturidade não vem. Não se pode confiar totalmente em alguém, as pessoas são mesmo uma caixinha de surpresa: umas ruins e outras boas (às vezes você tem uma pessoa maravilhosa do lado, fica um ano vendo ela passar na sua frente e só descobre tempo depois a sua idoneidade). Sabe, a comunicação é tudo, uma mentira pode destruir sentimentos maravilhosos e ela só cresce, se você deixar a semente ser plantada (porque eu deixei? Porque deixamos?). É difícil demais pedir perdão, mas é preciso, às vezes é um ato de coragem (não vale a pena deixar tudo a perder). As feridas doem, demoram a cicatrizar. Você olha para aquela pessoa e pensa: porque não confiei em você antes?, ou porque confiei em você por tanto tempo?

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