Diana Bracho, a diva!

Sem querer, eu acabei criando um ciclo de publicações onde falo sobre as minhas atrizes mexicanas favoritas. Por que mexicanas? Não sei, ando mergulhada nessa fase. Não poderia deixar de falar da Diana Bracho, não mesmo. Diana está em outro patamar, é como se fosse uma “Meryl Streep Mexicana”, uma Fernanda Montenegro, entende? Bracho possui uma carreira fincada no cinema, mas é plural e tem trabalhos televisivos, teatrais e literários incríveis.

diana brachoDiana vem de uma família artística, seu pai Julio Bracho era apresentador e diretor. Ele, filho de um músico e de uma miss e sobrinho de ninguém mais ninguém menos que Andrea Palma.  Ah, e Diana também é parente distante de Dolores del Río e Ramon Novarro. Seu irmão, Julio, também é ator. Pode? Em entrevistas ela conta que durante a infância foi um pouco “sufocada” pelo pai, era uma menina rica que tinha um motorista e empregados disponíveis para ela o tempo inteiro e começou a atuar, muito novinha.

maxresdefault“Yo le agradezco a la vida haber estado fuera de los márgenes de la convención porque esto me ha dado una libertad de movimiento por todo el mundo, con una gran apertura a lo que me vaya tocando, me siento igual de a gusto comer unos tacos en una esquina que comer en un restaurante de París, porque sé quién soy y estoy a gusto conmigo misma”.”

Antes de estrelar “El Castillo de la Pureza” (filme reconhecido internacionalmente e dirigido por Arturo Ripstein), cursou Letras em New Rochelle (NY) e até hoje, se dedica a literatura. Sim, Diana possui várias faces.  Entre 2002 e 2006 foi presidente da Academia Mexicana de Artes y Ciências Cinematográficas. Recentemente deu uma entrevista ao El País, onde dizia “Amo as minhas rugas” e, diferente de muitas atrizes em sua idade, defende uma estética mais natural. Só pra constar, ela vai completar 70 anos em dezembro.

Diana“Entiendo que el tiempo pasa, la edad no es fácil de aceptar o enfrentar, sobre todo en las mujeres porque de pronto te juzgan y dicen si una ya dio el ‘viejazo’. No quiero hacer juicios sobre las operaciones estéticas, pero he visto que incluso se las hacen personas muy jóvenes que pienso que no las necesitan. Yo soy como soy y no me voy a pelear con la persona que soy, porque me he construido a través de la vida tratando de ser una persona íntegra que ama su trabajo y yo amo la cara que tengo, con sus arrugas y con la edad.”

Eu realmente não me lembro da primeira novela que vi com ela. É com se Diana Bracho sempre estivesse ali. Sei que ela ficou muito conhecida no Brasil depois que o SBT transmitiu a novela Ambição (Cuna de Lobos) e que na primeira fase de “O Privilégio de Amar”, ela interpretou a versão jovem da Dona Ana Joaquina, posteriormente interpretada por Marga Lopez. Mas ela teve trabalhos muito marcantes como “El Derecho de Nacer”, “Pasion y poder” e “Capricho”.

Como disse, acompanho a Diana há muito tempo e acho que perdi a conta de quantos filmes e novelas assisti com ela. (Já comentei sobre muitos aqui no La Amora). Da Diana, três novelas me marcaram em especial.

1) Bajo la Misma Piel: Essa é a primeira e única novela em que me lembro da Diana interpretando uma “mocinha”. A trama se concentra na história de quatro mulheres da mesma família e de gerações diferentes. Diana interpreta Sarah, uma mulher frágil e sensível, casada com Bruno, um homem arrogante. No passado, Sarah se apaixonou por Joaquim, mas com o tempo, cada um tomou um rumo diferente. Sarah vive sofrendo com os abusos do marido e se irrita com os assédios por parte de Rodrigo, um antigo amigo da família.

8m331424ep2Nessa novela, Diana está diferente de tudo o que eu já vi, um personagem denso e muito importante para a carreira dela, que tem um posicionamento de defesa pelos direitos da mulher. Na trama, Sarah é estuprada pelo próprio marido e agredida fisicamente. Existe uma cena fortíssima, que me marcou mundo. O marido da Sarah acaba de descobrir que é estéril e que os dois filhos que criou com ela, não são seus. A cena, aliás é inesquecível, nunca vi nada igual em novela nenhuma. Sarah leva socos e pontapés de Bruno no meio da rua e fica com a cara ensanguentada, é chocante (é a primeira cena do vídeo, é só dar play):

 2) Heridas de Amor: Bertha de Aragón era um verdadeiro furacão. No início da novela era uma mulher que alimentava um amor secreto pelo marido da irmã e que, no passado, tinha entregado a filha para adoção.  Usava roupas e tinha um comportamento de beata e infernizava a vida da sobrinha. Um dia Bertha faz uma viagem e volta completamente diferente, com roupas sensuais e com um comportamento agressivo. Me lembra um pouco a história de “Now Voyager”, com Bette Davis. 

1529578_640pxQuando volta, Bertha se apaixona por César e tem um caso de amor bandido, onde juntos planejam um golpe. O personagem interpretado por Diana ficou muito famoso e conquistou o público. Na época, Diana precisou fazer umas viagens e se afastar da novela e quando ela saiu de cena, a audiência despencou. A novela foi transmitida no SBT e ficou bem famosa por aqui.

Bertha era um personagem incrível, quase uma Nazaré Tedesco. Era muito engraçado a sua mania de chupar pirulito quando ficava nervosa ou coçar a testa. Ela tinha um cachorro que era a sua paixão e sempre o usava para assustar os outros. O fim da Bertha foi uma das coisas mais malucas e estranhas que eu já vi. Ela tinha um empregado (que por sinal, tinha um aspecto grotesco, uma mão defeituosa e se chamava “El guapo”, em tradução meio fula e literal seria “O Bonito”) que a amava. Um dia ele a sequestra e corta seus dedos no intuito de fazê-la ter “medo”.

Como aquele filme, “O Perfume”, o cara queria roubar a essência, o cheiro de medo dela. Difícil explicar. O fim da vilã não poderia ficar mais tenebroso se o cara não a tivesse levado para um “ilha” cheio de bonecas velhas e horrorosas, a prendido e a amordaçado e por fim, suicidado. Bertha termina presa, longe de tudo e de todos, sem os dedos e ao lado de um cadáver.

3) Fuego en la sangre: Mais uma vez Diana interpreta um vilã, Gabriela Santibañez. Mas o tom dela é diferente dos outros, ela é a mãe das três personagens principais e além de controladora e ortodoxa, é extremamente cruel com o marido (idoso e deficiente). Gabriela foi um personagem mais erótico e teve uma relação extraconjugal com Fernando e fisicamente mais violenta do que os outros, sempre saía distribuindo tapas nos outros.

111612_profUma das coisas que me faz adorar a novela é que María Sorté e Diana Bracho atuam juntas, praticamente o tempo inteiro. Adoro quando as minhas atrizes contracenam, como por exemplo em Cadenas de Armargura, em que ela e a Helena Rojo interpretam irmãs inimigas (ou em La Tempestad, em que Daniela Romo e María Sorté atuam juntas ou em Amor Sin Maquilaje em que Daniela e Helena Rojo contracenam…). Como não poderia ser diferente, o fim da Gabriela é uma coisa absurdamente assustadora. Por um engano, ela acaba sendo enterrada viva! 

Cuba Libre?

Diana Bracho_12Como disse, Diana participou de muitos filmes, alguns grandiosos e reconhecidos internacionalmente. “Cuba Libre” ou Dreaming of Julia é um deles, onde ela, ao lado de Gael García Bernal e Harney Keitel estrelam uma deliciosa e nostálgica história que tem como pano de fundo a Revolução Cubana.  O caso é que muito tempo depois do lançamento do filme, Diana chegou a confidenciar que foi muito mal tratada por Keitel e que jamais trabalharia com ele novamente. Ela contou que, nos bastidores, ele sempre fazia um discurso contra atores latinos e mal mal queria encostar nela para fazer as cenas – e, os dois eram um casal!

Atualmente, Diana revive a peça “Master Class Maria Callas”. Quando foi encenada pela primeira vez, a obra foi  um grande êxito e marco em sua carreira. Ela, que nunca gostou de repetir personagens, se une novamente a Diego del Río  e Morris Gilbert (depois de quinze anos!) para representar Callas.

Driana-Bracho-Maria-Callas

 

Bette Davis Eyes

Bette DavisGosto de cinema desde que me entendo por gente. Me apaixono e já me apaixonei diversas vezes por atores e atrizes, por filmes e trilhas sonoras que, em cada época da minha vida, me acalentavam e tornavam meu pequeno mundo um pouco mais interessante. Me apeguei a Bette Davis e a Joan Crawford como qualquer outra garota jovem se apega a um ídolo, tinha recortes, fotografias e filmes das duas. Escrevia suas falas em meus diários, queria usar roupas como as delas – ainda que oitenta anos de distância nos separassem.

As conheci quando vi um filme em preto e branco pela primeira vez: “O que terá acontecido a Baby Jane?”. Não poderia ter feito escolha melhor. Joan me encantava por sua beleza, Bette por sua inteligência ácida. Passei meses assistindo a maratonas de filmes estrelados por elas.

Mas com Bette Davis a paixão foi diferente. Não era só uma grande admiração por seu talento. Me identificava com ela, com seus personagens, com sua história de vida, com sua personalidade. Na minha adolescência, Davis falava por mim. Ela era como eu queria ser, mas não era. Ainda hoje quando penso em “Bette Davis” direciono-me a ideia de uma mulher destemida, respeitada. Bette não tinha papas na língua, se preciso, brigava com os outros atores, com o diretor, com o presidente da produtora. Bette se impunha, era geniosa e respondia na lata.

Eu, enquanto era aquela menina que falava baixo e não respondia nunca, queria ter os “Olhos da Bette Davis”…E seus personagens contribuíram diretamente para que tivesse aquela sensação. Em  “Vaidosa”, por exemplo, Bette Davis – que nunca foi considerada uma beldade, encarna uma mulher belíssima e rica, que destrata, trai o marido e vive um casamento por interesse. Ela está incontrolável.  Pois é, pouco me importava se a personagem era uma vilã… eu só queria ser, incontrolável.

Mas o ‘espírito da Olivia de Havilland nunca saiu de mim e até hoje, acho que fala muito mais alto…São como amarras, que me prendem ao bom comportamento, que me deixa no caminho entre o querer fazer e o ter que fazer. Que me segura na hora das respostas ingratas, que forma um gosto de choro na garganta, no grito abafado, nas palavras não ditas, no rancor acumulado.

É que ser Havilland não é ruim, mas ser Davis deve ser muito melhor…

Minhas atrizes favoritas (e seus respectivos filmes que são os meus favoritos)

Ta aí, estou com mania de fazer listas… comecei a escrever sobre as minhas atrizes favoritas e sobre os seus filmes e deu nisso. Pra não me estender muito, escolho cinco filmes que mais gosto de cada uma.. dêem uma olhada:

ImagemDianne Wiest

1)      Edward Mãos de Tesoura
2)      A Gaiola das Loucas
3)      Sinédoque, NY
4)      Setembro
5)      O Tiro que não saiu pela Culatra
 

ImagemSusan Sarandon

1)      Thelma e Louise
2)      Fome de Viver
3)      Os últimos passos de um homem
4)      Lado a Lado
5)      O Óleo de Lorenzo
 

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Isabelle Huppert

1)      A Professora de Piano
2)      Oito Mulheres
3)      Madame Bovary
4)      Um Assunto de Mulheres
5)      Má Mere
 

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Bette Davis

1) O que terá acontecido a Baby Jane?
2) Vitória Amarga
3) Vaiosa
4) Pérfida
5) A Malvada
 

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Joan Crawford

1) O quê terá acontecido a Baby Jane?
2) Acordes do Coração
3) Os desgraçados não choram
4) Johnny Guittar
5) Almas Mortas
 

ImagemDeborah Kerr

1) Os Inocentes
2) Narciso Negro
3) Bom dia, tristeza
4) Tarde demais para esquecer
5) A noite do Iguana
 

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Shirley Maclaine
 
1) Muito Além do Jardim
2) Minha doce gueisha
3) Infâmia
4) Irma La Douce
5) Laços de Ternura
 

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Judi Dench

1) Notas Sobre um Escândalo
2) Sua majestade, Mrs Brown
3) O violonista que veio do mar
4) O exótico hotel Marigold
5) 007 Skyfall
 

Helen Mirren

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1) O Cozinheiro, o ladrão, a mulher e seu amante
2) Mães em Luta
3) Tentação Fatal
4) De porta em porta
5) Colapso
 

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Jessica Lange

1) Normal
2) Titus
3) Geração Prozac
4) Terras Perdidas
5) Mais que um crime
(+ O Destino bate à sua porta)
 

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Glenn Close

1) Albert Nobbs
2) Atração Fatal
3) Um Canto de Esperança
4) Marte Ataca
5) A Casa dos Espíritos
 

Anjelica Huston

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1) A Família Addams
2) Acerto Final
3) Tudo por um sonho
4) Para sempre Cinderela
5) Convenção das bruxas

Os terríveis bonecos de Chad O’Connell

Você conhece Chad O’Connell? Pois  eu não conhecia até minutos atrás, quando resolvi fazer uma rápida pesquisa sobre Bette Midler e acabei me deparando com essas imagens incríveis! De acordo com o site, Chad trabalhou por cerca de dez anos com maquiagens cinematográficas e foi aluno do legendário Dick Smith (responsável pela maquiagem do filme ‘O Exorcista’). Com um realismo fora do normal, Chad explora cada detalhe de seus bonecos de silicone e hoje,  vende máscaras e bonecos não só para o mundo cinematográfico como também atende pedidos ‘particulares’ (o que provavelmente, deve custar uma fortuna!).

Para mais informações, segue o site: http://www.chadoconnellart.com

O que terá acontecido a Baby Jane?
O que terá acontecido a Baby Jane?
Winifred - Abracadabra
Winifred – Abracadabra
Winifred - Abracadabra
Winifred – Abracadabra
Eva Ernst - Convenção das Bruxas
Eva Ernst – Convenção das Bruxas
Eva Ernst (Anjelica Huston) - Convenção das Bruxas
Eva Ernst (Anjelica Huston) – Convenção das Bruxas
Vincent Price - The abominable Dr. Phibes
Vincent Price – The abominable Dr. Phibes
Sharon Needles
Sharon Needles
Norman Bates
Norman Bates

Sister Jude, Baby Jane e Norma Desmond

Desde o último episódio, em que vi Jessica Lange apresentando um número musical em American Horror Story, estou pensando em escrever esse post. Como sempre, a falta de tempo não deixou. Há algumas semanas, reparei que a busca por AHS no blog continua em alta. Não é por menos. A 2ª temporada está chegando ao fim (com o penúltimo episódio indo ao ar hoje) e tanto a trama, quanto os personagens, sofreram reviravoltas absurdas. De longe, Sister Jude é a minha personagem preferida.

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No começo da série, “Judy” era uma freira sádica, deslumbrada pelo poder e que adorava humilhar seus pacientes. No entanto, a freira (e antiga prostituta) passou por poucas e boas. Depois de quase ser violentada por um paciente psicótico (vestido de Papai Noel), foi aprisionada em Briarcliff, acusada de um crime que não cometeu. Enfrentou um antigo nazista e ficou cara a cara com o diabo. Após um encontro com a morte, revelou um pouco mais do seu passado sombrio e de seus antigos desejos, entre eles: o sonho de ser mãe, que não se consumou quando descobriu que tinha sífilis.

Agora como interna, sofre todos os abusos que cometia com os pacientes, quando era diretora do hospício. É obrigada a tomar calmante de cavalo, usa camisa de força, fica presa na solitária e toma eletrochoques (o último foi além da conta: deixou a pobre coitada totalmente desnorteada). Jude foi a responsável por colocar a jornalista Lana Winters em Briarcliff, mas arrepende-se do que fez e tenta ajudá-la a sair. Lana, por outro lado, internada por ser lésbica, sofre inúmeras violências na mão do Drº Therdson, um serial killer, que mata, estupra e arranca a pele de mulheres. Há inclusive, uma cena fortíssima, em que Lana é obrigada a se masturbar olhando para um homem nu, para ver se consegue despertar por ele algum sinal de desejo (isso não acontece).

Sister Jude
Sister Jude

 O 11º capítulo foi espetacular, ou melhor: inesperado. Desde o início da série, há um jogo muito interessante do diretor, que fica evidente nesse capítulo: a idéia é de que todos nós somos uma mistura de sentimentos bons e ruins e que somos levados diariamente a questionar nossos valores e conviver com nossos instintos. De maneira triunfante e com a ajuda do Kit e da Sister Jude, Lana consegue sair do hospício e se vingar do Drº Therdson, humilhando-o  publicamente e por fim, atirando em sua nuca. A jornalista escreve um livro sobre as histórias que viveu no hospício e sobre as pessoas que conheceu enquanto esteve internada, entre elas: Pepper.

Pepper, após ter um encontro com alienígenas, voltou diferente. A pequena de dentes grandes e laço no cabelo que não conseguia pronunciar direito as palavras, volta com uma inteligência que não lhe é característica. Ela enfrenta Drº Arden, o nazista que adora fazer experiências com os internos e impede que ele chegue perto de Grace, que está grávida de Kit – há toda uma história complexa entre Kit e os alienígenas que ainda não foi muito bem explicada. Ironicamente, Pepper torna-se uma grande companheira para a Sister Jude: o que é fantástico, já que só na reta final da série é as duas se aproximam.

LINK ONLINEBrilhantemente, o final do Drº Arden e da Irmã Mary Eunice deixou os espectadores de cabelo em pé. A inocente Mary Eunice, que no segundo episódio incorpora um demônio e que atormenta a vida dos personagens durante todo o tempo, não agüenta mais a situação em que se encontra (afinal: é uma pessoa boa que se encontra presa em um corpo que só faz maldades), implora ao Monsignor Timothy O’Hara que a liberte.Ele então a mata, jogando-a do vão das escadas. Drº Arden, que tem uma paixão incontrolável pela irmã, decide cremá-la. Junta-se ao seu corpo falecido da freira e os dois terminam juntos…queimados.

Pode até parecer que esse post é um grande Spoiler. Bom: é e não é.  A verdade é que na madrugada de hoje, vi o vídeo promocional do último episódio de American Horror Story e fiquei (e ainda estou) extasiada. Não se sabe ao certo o que realmente vai acontecer, mas a o vídeo promete um final emocionante. Sister Jude, que acabou esquecida naquele hospício, aparece (bem rapidamente), fragilizada, quase sem cabelos e muito magra. Se ela vai ou não recuperar a sanidade é um mistério (acho pouco provável). A imagem de Jessica Lange quase sem cabelos e revirando os olhos em um quarto escuro me chocou – e muito. É por isso que resolvi escrever esse texto. O vídeo confirmou a idéia que eu tinha sobre a atriz e sobre a relevância desse trabalho.

[ Quem se tornou fã de Lange depois que a conheceu pela série (e olha, não são poucos) deve ter sofrido quando descobriu que o Globo de Ouro de melhor atriz foi para Julianne Moore. Na verdade eu não quero entrar na discussão de quem tem ou não tem o mérito para ganhar o prêmio, sabemos que a atuação da Julianne Moore em Game Change foi impecável, mas pra mim, a Academia cometeu um erro cabeludo ]

Apesar da contextualização completamente diferente dessas três, percebo algumas ligações fortes entre Sister Jude, Baby Jane e Norma Desmond e a principal delas: são as atrizes. Pouco antes de ser convidada a interpretar um dos papeis mais marcantes de sua carreira, Bette Davis colocou um anuncio no jornal pedindo por emprego. A velha atriz, provando o amargor do esquecimento, dizia nos jornais que precisava trabalhar porque tinha três filhos. Como diria tempos depois, “envelhecer não é para mocinhas”. E realmente não é, principalmente em um meio tão ruidoso quando se trata de beleza e juventude.

Davis recebeu o convite de Robert Aldrich de braços abertos e topou contracenar com a sua inimiga: Joan Crawford. “O que terá acontecido a Baby Jane”, um filme B de 1962, entrou anos depois, para a lista de clássicos do cinema americano. Não é por menos, afinal, além de unir duas lendas, Aldrich trouxe a tona uma história inesquecível de duas irmãs que vivem na mesma casa e dividem um passado perturbador. O fato é que para representar Jane Hudson, Bette Davis abriu mão da vaidade e aceitou aparecer em cena como uma grande caricatura de si mesma.

Bette Davis como Baby Jane
Bette Davis como Baby Jane

Com o rosto coberto de base branca, marcada por traços fortes de batom, Jane, entornando infantilidade e loucura, aterroriza a irmã (e porque não, os espectadores) com o sonho de voltar a fazer o mesmo sucesso que fazia quando criança. Bette Davis saiu da sua zona de conforto e topou rir de si mesma.  No filme, a atriz canta e dança como se fosse uma menina de dez anos.  Para piorar a situação, Jane quando jovem envolveu-se em um acidente de carro com a irmã. Ela estava dirigindo bêbada e bateu no portão deixando Blanche paraplégica. Desde então a sua sanidade nunca mais foi a mesma.

A inveja pelo sucesso da irmã, que também virou uma famosa atriz de cinema, escorre pelas mãos de Jane, que oferece ratos e passarinhos mortos no café da manhã, a amarra na cama e rouba seus cheques para comprar bebidas. Bette Davis, maliciosa que só, chega ao auge com seu personagem, quando Jane, em um ataque de loucura liga para o médico da irmã e imita perfeitamente sua voz. Aquela gargalhada no final da ligação é simplesmente inesquecível.

Gloria Swason como Norma Desmond
Gloria Swason como Norma Desmond

Em 1950, Gloria Sawson também andava esquecida. A atriz que encabeçou diversos sucessos da MGM e foi uma dos principais nomes do cinema mudo, aceitou a trabalhar em um projeto de Billy Wilder que ironicamente, ilustra uma rica atriz: Norma Desmond, que foi um sucesso no cinema mudo, mas que acabou sendo esquecida. “Crepúsculo dos Deuses” satiriza o próprio cinema e brinca com a carreira desastrosa de alguns atores. Norma Desmond quer fazer um filme e para isso, praticamente obriga o roteirista Joe Gillis a lhe ajudar na produção. Totalmente sem bom senso, Norma Desmond não percebe que aquele filme já está fadado ao fracasso.

Muitas atrizes receberam a proposta antes de Gloria Swason, mas nenhuma delas aceitou por acharem que a história era parecida demais com a realidade em que viviam É aí que entramos outra vez na coragem de Swason, que assim com Davis e Lange, aceitou rir de si mesma. Norma Desmond envolve-se tanto com a produção do filme que a traria de volta ao estrelato, que acabou ficando louca, esperando por um “Close up” que nunca veio. (Ou melhor, veio sim, brilhantemente arquitetado por Wilder).

Jessica Lange então, segura de si e de sua carreira, aceita interpretar uma freira maldosa e louca. Todo mundo sabe que ela também andou um pouco esquecida. Me arrisco a dizer que mesmo o Globo de Ouro em 2009 por Grey Gardens, não foi suficiente para trazê-la de volta aos olhares do público – talvez por isso, tenha aceitado trabalhar em TV, um meio, como a mesma afirmou que não está acostumada. Recebeu duras críticas, entre elas de que estava velha e plastificada demais. Lange não se entregou, não se escondeu, não se envergonhou. Pelo contrário, deu a cara a tapa a milhões de espectadores do mundo inteiro, que a aguardam ansiosamente todas as quartas-feiras.

Jessica Lange como Sister Jude
Jessica Lange como Sister Jude

Surgiu com um porrete na mão, com as unhas grandes e vermelhas, vestindo uma camisola sensual debaixo do hábito, apanhou na bunda (de quatro!), tentou exorcizar um demônio sozinha e não se cansou de tocar Dominique para os pacientes. Brilhante mesmo, foi a sua performance em “The Name Game”, onde apareceu com um cabelo estilo anos 60 e rebolou até o chão. Claro que esse é um trabalho em conjunto e que por traz de tudo isso, há cabeças pensantes, entre elas Ryan Murphy, o qual agradeço muito por ter nos presenteado com essa personagem incrível, que é a Sister Jude.

Confiram a cena da Jessica Lange cantando em American Horror Story:

The Name Game