Bette Davis Eyes
Gosto de cinema desde que me entendo por gente. Me apaixono e já me apaixonei diversas vezes por atores e atrizes, por filmes e trilhas sonoras que, em cada época da minha vida, me acalentavam e tornavam meu pequeno mundo um pouco mais interessante. Me apeguei a Bette Davis e a Joan Crawford como qualquer outra garota jovem se apega a um ídolo, tinha recortes, fotografias e filmes das duas. Escrevia suas falas em meus diários, queria usar roupas como as delas – ainda que oitenta anos de distância nos separassem.
As conheci quando vi um filme em preto e branco pela primeira vez: “O que terá acontecido a Baby Jane?”. Não poderia ter feito escolha melhor. Joan me encantava por sua beleza, Bette por sua inteligência ácida. Passei meses assistindo a maratonas de filmes estrelados por elas.
Mas com Bette Davis a paixão foi diferente. Não era só uma grande admiração por seu talento. Me identificava com ela, com seus personagens, com sua história de vida, com sua personalidade. Na minha adolescência, Davis falava por mim. Ela era como eu queria ser, mas não era. Ainda hoje quando penso em “Bette Davis” direciono-me a ideia de uma mulher destemida, respeitada. Bette não tinha papas na língua, se preciso, brigava com os outros atores, com o diretor, com o presidente da produtora. Bette se impunha, era geniosa e respondia na lata.
Eu, enquanto era aquela menina que falava baixo e não respondia nunca, queria ter os “Olhos da Bette Davis”…E seus personagens contribuíram diretamente para que tivesse aquela sensação. Em “Vaidosa”, por exemplo, Bette Davis – que nunca foi considerada uma beldade, encarna uma mulher belíssima e rica, que destrata, trai o marido e vive um casamento por interesse. Ela está incontrolável. Pois é, pouco me importava se a personagem era uma vilã… eu só queria ser, incontrolável.
Mas o ‘espírito da Olivia de Havilland nunca saiu de mim e até hoje, acho que fala muito mais alto…São como amarras, que me prendem ao bom comportamento, que me deixa no caminho entre o querer fazer e o ter que fazer. Que me segura na hora das respostas ingratas, que forma um gosto de choro na garganta, no grito abafado, nas palavras não ditas, no rancor acumulado.
É que ser Havilland não é ruim, mas ser Davis deve ser muito melhor…
O óbvio ululante
Eu não sei se acredito em destino, mas desde cedo me vi predestinada a cursar Jornalismo ou qualquer outra área que estivesse ligada ao ato de escrever. Entrei na faculdade aos dezoito anos, fiz as minhas escolhas diante de um impulso e da necessidade de decidir minha carreira por causa do vestibular.
Desinformada e repleta de ilusões, segui acreditando que a universidade me tornaria uma profissional completa, pronta para o mercado de trabalho. Eu não sabia de nada, entrei na universidade sem um pingo de conhecimento ou de maldade sobre a vida acadêmica. Eu me sentia como uma caipira na cidade grande – e assim foi, por quase três anos de curso, até que eu finalmente me localizei.
Os primeiros anos foram terrivelmente difíceis. Comecei a estudar em uma universidade particular (cara, como outra qualquer) onde os professores, de repente, entraram em greve. Pagávamos a mensalidade, mas não tínhamos aula. Decidi largar aquela universidade, pular para outra. Me vi em um redemoinho de novidades, de matérias, de grades, de horários, de pessoas novas (e que já se conheciam). Me senti naqueles filmes juvenis, quando os pais do personagem principal mudam de casa e ele é obrigado a ir para uma nova escola.
Era uma caxias. Comprei vários livros que os professores apresentaram como referência (mas que, de fato, nunca usavam nas aulas). Foi aí que conheci Nelson Rodrigues. Na minha solidão de aluna nova, pouco popular e irregular (porque ainda tinha esse agravante, eu fazia matérias diferentes em várias salas), me agarrei em Rodrigues como um religioso se agarra em um santo.
Bom, eu não via Nelson Rodrigues como um santo, mas como um ideal. Eu queria ser como Nelson Rodrigues, queria escrever como ele. Jamais me aproximei ou me aproximaria da sua genialidade, mas de qualquer forma, alimentei uma admiração que me ajudou a não só a ter coragem para seguir o meu curso (esqueci desse detalhe: na época, explodiu a notícia de que para ser jornalista não precisava de diploma) como também a amar a minha profissão.
Lembro, como se fosse hoje, dos dias em que tinha algum horário vago e ia para biblioteca para ler Nelson Rodrigues. O primeiro livro que li foi “O óbvio ululante” e até hoje é o meu favorito. Na verdade, eu não sei expressar o que eu sentia quando lia Nelson Rodrigues – naquela época, era como se ele estivesse conversando comigo, me convidando a entrar em seu universo, contanto suas histórias no meu ouvido. Me fazendo um convite a transgressão. Confesso que até o imaginava, sentando em sua mesa, batendo forte com os dedos em um máquina de escrever, fumando ou tomando café.
Em “O óbvio ululante” Nelson Rodrigues é genial até no título. Ululante, quer dizer grito, berro…
Através de suas crônicas Nelson me cativou, não sei eleger qual é a melhor. Fiquei marcada por diversas histórias narradas, mas uma em especial. Nelson conta que quando menino, se apaixonou por uma jovem e que sempre ia até a casa para observá-la na janela. Mas essa menina, que era gordinha, tinha namorado e mais do que isso, tinha um pai muito bravo. Um dia o namorado dessa jovem, que tinha tuberculose, afastou-se dela por causa do pai. Nelson, que estava passava pela rua, presenciou quando a jovem teve uma discussão séria com a família… dias depois ele voltou na rua e sentiu um cheiro terrível, de carne queimada e gordura. A menina, por causa da desilusão amorosa, tinha colocado fogo no próprio corpo.
Ok, eu estraguei a história… Mas ela esta disponibilizada online e faço um convite para lê-la: “Lili ardeu como uma estrela”.
Além das histórias, Nelson não se censurava em suas críticas, muitas ainda hoje sensatas: “O trágico da nossa época ou, melhor dizendo, do Brasil atual, é que o idiota mudou até fisicamente. Não faz apenas o curso primário, como no passado. Estuda, forma-se, lê, sabe. Põe os melhores ternos, as melhores gravatas, os sapatos mais impecáveis. Nas recepções do Itamaraty, as casacas vestem os idiotas. E mais: – eles têm as melhores mulheres e usam mais condecorações do que um arquiduque austríaco.”
Lembro também que me surpreendi, quando em uma de suas crônicas, Nelson conta como conheceu Joan Crawford. A atriz estava no Rio de Janeiro, veio para fazer uma campanha publicitária para a Pepsi. Nelson contava que Joan estava suando demais e que sua maquiagem derreteu e formou uma poça sua boca. Os jornalistas foram ferozes com ela, criticavam a sua velhice e diziam que ela não era bonita como antes. Não tenho o livro em casa, mas graças a internet, encontrei a crônica digitalizada:
“Ontem Roberto Marinho observava que a nossa imprensa fora uma anfitriã crudelíssima da atriz. Sim, os nossos jornais a receberam com uma impiedade total. Cada fotografia ou cada texto era uma acusação. Joan Crawford era acusada e de que, meu Deus? Despedi-me de Roberto Marinho e aquilo não me saía da cabeça. Cheguei em casa e ainda pensava em Joan Crawford. A estrela era acusada de ter envelhecido. Não ocorreu a ninguém esta concessão apiedada: — “Bonita coroa”. Nem isso. Ninguém aceita a velha nobre, a velha linda. É pena que eu não tenha, de momento, os recortes de tudo que se escreveu sobre a sua visita. Essa crueldade impressa dá o que pensar. Lembro-me de que, em 1927, vi Joan Crawford num filme da opereta Rose Marie. Nada se compara ao impacto tão puro e tão firme de sua aparição. Eu disse 1927 e façam as contas. Quarenta e um anos são passados. E Joan Crawford já era uma das mais lindas mulheres do mundo. Voltei cinco, seis, dez, quinze vezes ao cinema. Uma paixão se instalara em mim. Mas não fui eu o único.
A platéia de cada dia saía apaixonada. Quase meio século depois, a atriz vem ao Rio. Sua imagem não é mais um jogo de sombra e de luz. Saiu da tela, baixou na vida real. E começa o massacre nos jornais, no rádio e na televisão. Nós a olhamos como a uma ré e não foi outra coisa senão isso mesmo. Até os velhos a detestaram. (Eis a verdade: — a começar pelo dr. Alceu, o nosso velho atual não gosta de outro velho.) Quando Joan Crawford visitou a Assembléia Legislativa, quis eu ser testemunha do acontecimento. Fazia um calor que, segundo minhas crônicas esportivas, derrete catedrais. Eu via em todos os olhares uma fria malignidade. E foi uma euforia geral quando, por efeito do calor, a maquiagem da atriz entrou em decomposição. A pintura derretida escorria em gotas cromáticas. Uma gota parou, exatamente, na ponta do nariz e aí ficou, dependurada, antes de se estilhaçar. É claro que todo mundo deseja, com o maior empenho e a maior volúpia, a velhice da mulher bonita. Outro exemplo: — o de Gina Lollobrigida. Passou pelo nosso carnaval, linda, linda. Pois não faltou quem, diante do seu frescor implacável, dissesse: — “Velha! Velha!”.
Voltando a Joan Crawford na Assembléia Legislativa. Houve um instante em que se percebeu, por cima do seu lábio superior, uma orla de suor. Um sujeito cutucou-me para cochichar: — “Transpira!”. E piscou o olho, numa satisfação crudelíssima. As mulheres bonitas. Queremos envelhecê-las e agora mais do que nunca e aqui mais do que nos outros povos. Na França ou na Alemanha a mulher bonita ilustre não envelhece. E os homens velhos e ilustres. Maurice Chevalier, aos oitenta anos, trôpego e asmático, é amado por todo um povo. No Rio de nossos dias, Mistinguett seria apedrejada como uma bruxa de disco infantil. Joan Crawford passou por aqui e nem sei como sobreviveu à nossa impiedade.”
Meus amores :)
mas é que… quando Juan Gabriel canta…
Não sou uma pessoa romântica e nunca fui de escutar músicas sobre desilusões amorosas ou paixões proibidas. No entanto, conheci (há alguns anos) uma música do Juan Gabriel que mexeu comigo. Mexeu tanto que não consegui parar de escutar e mesmo depois de tempos, tenho ela no meu celular e sempre coloco para ouvir no carro.
Eu sei que eu tenho falado muito sobre o México – ultimamente mais do que nunca, mas eu juro que não é tão proposital quanto possa parecer. É que um assunto vai se juntando a outro… Pois é, o Juan Gabriel é um cantor mexicano, famosíssimo lá e conhecido pelo gênero ranchero.
O gênero, na verdade, não é tanto do meu gosto, mas acontece que o Juan tem uma voz deliciosa e o mais importante: compõe letras lindíssimas, pérolas (de verdade, mesmo! é muito lindo o que ele canta)…
Ele sempre usa roupas super coloridas e brilhantes e, enfim… é considerado um dos maiores cantores da América Latina. Eu não sei se ele é considerado “brega” (acho que não), mas se fosse eu também não importaria porque o que ele canta toca lá no fundo.. Eu copiei uma parte das letras das minhas músicas favoritas:
[E eu sei que este post está estranho, mas o intuito era falar das letras das músicas dele, que são lindas, lindas!!!!]
Abrazame que el tiempo pasay el nunca perdona
ha hecho estragos en mi gente
como en mi persona Abrazame que el tiempo es malo
y muy cruel amigo
abrazame que el tiempo es oro
si tu estas conmigo “Por que todo lo pasado
si no es bueno hay que olvidarlo
se muy bien que no es tan facil
pero que le va uno hacer Imposible de estar siempre
dandole tanta importancia
ya veras que a la distancia
todo queda en el ayer” “Todos con su amor
cada uno de ellos
muy sonrientes muy felices
menos yo
y la soledad
cada vez más triste
y más oscura yo viví
y a esa edad
todos preguntaban los motivos
yo solia siempre decir
yo no nací para amar
nadie nació para mí
tan solo fui
un loco soñador nomás” “Tu eres la tristeza de mis ojos
que lloran en silencio por tu adiós
me miro en el espejo y veo en mi rostro
el tiempo que he sufrido por tu adiós
obligo que te olvido en el pensamiento
pues, siempre estoy pensando en el ayer
prefiero estar dormida que despierta
de tanto que me duele que no estés”
Tudo pode dar certo
Fico decepcionada quando penso no fato de que filmes, com grande potencial como este, fiquem sem serem vistos por falta de divulgação ou por falta de identificação do público. Talvez, se fosse uma produção americana e com nomes famosos, “All Inclusive” (ou “Todo Incluido” e em português “Tudo por acontecer”) teria um alcance muito maior.
Não sei por que demorei tanto para escrever sobre essa produção… Foi com este filme que tive certeza da minha predileção por Jesus Ochoa e foi exatamente com ele que comecei a me interessar pelo cinema mexicano. “All Inclusive”, na verdade, é um filme produzido pelo chileno Rodrigo Ortuzar Lynch, apresenta traços da cultura mexicana, mas ilustra uma situação que poderia se passar em qualquer outra família do mundo.
Na trama, Ochoa interpreta Gonzalo, um empresário bem sucedido que leva a família em viagem, com o intuito de revelar que padece de uma doença terminal e que só possui três meses de vida. Apesar de viajarem juntos, os membros estão sentimentalmente separados: Camila, a filha mais velha de Gonzalo, é uma mulher conservadora que está enfrentando uma crise por ter se divorciado. Maca, a filha do meio, é uma garota de vinte e poucos anos que se sente incompreendida pela família e Andrés, o caçula, é um adolescente cheio de dúvidas e hormônios à flor da pele.
Gonzalo e a mulher, Carmen, também apresentam um casamento desgastado e estão, cada vez mais distantes um do outro. Com a notícia da chegada de um furacão, a família acaba presa no quarto de hotel e, impossibilitados de fugirem dos próprios problemas, se vêem diante da necessidade de enfrentá-los. Mas dessa vez, juntos.
Apesar da trama dramática, o filme é recheado de situações engraçadas, que deixa o desenvolvimento da história mais leve, mais agradável. Lynch acerta em três pontos fundamentais: no roteiro, na trilha sonora e na fotografia. Há quem diga que o filme está repleto de clichês… talvez esteja, mas em nenhum momento fiquei incomodada com a narrativa. Os dramas pessoais dos personagens são densos, provocadores e realísticos: desde Camila que apresenta um interesse sexual por uma funcionária do hotel a Carmen, que conhece um agente turístico e transa com ele, traindo o marido e se arrependendo logo depois.
Gonzalo, por outro lado, tenta viver os últimos momentos da vida em paz com o passado e em sintonia com a família. Alias, Ochoa, ah! Ochoa!! Como esse homem é incrivelmente talentoso e consegue emocionar e fazer rir com tanta sinceridade e sem ser exagerado… Amo, amo!!
No auge e já perto do fim, sem poder voltar e diante da necessidade de seguir, fechou os olhos e em silêncio, em uma súbita vontade de desistir, pensou nas possibilidades perdidas, nos sonhos destroçados, nos amores não correspondidos. Lembrou da época em que tudo parecia belo, fácil, da época em que as sensações eram fortes, sufocantes, á flor da pele. E sorriu, porque apesar da tristeza pela finitude, sentia-se grata pela intensidade.
10 filmes sobre ‘Racismo
1)A outra história americana: Esse é um filme impressionante, tanto pela trama quanto por questões técnicas. Dirigido por Tony Kaye e protagonizado por Edward Norton, o filme conta a história de Derek (Norton), um homem que liderou, durante anos, uma gangue racista. Totalmente desgovernado, Derek passa a compartilhar mensagens de ódio, traz problemas para a família e se envolve em um assassinato. Após três anos na prisão, Derek sai em liberdade com uma cabeça totalmente diferente da que entrou, mas percebe que seu irmão mais novo (interpretado por Edward Furlong) seguiu seus passos e está prestes a liderar um novo grupo racista. Diálogos densos, fotografia incrível. Emocionante.
2) Ao Mestre com Carinho: Filme de 1967, protagonizado Sidney Poitier e inspirado na autobiografia de E.R. Braithwaite. Na trama, Poitier interpreta Mark Thackeray, um engenheiro frustrado que recebeu um convite para ministrar aulas em uma escola pública. Thackeray logo se desentende com a classe, que possui um comportamento agressivo e não o respeita. Diante da situação o professor decide não só ensiná-los as matérias escolares, como também dar-lhes uma lição de vida. Socialmente marcante, ‘Ao mestre com carinho’ é um obrigatório. Dirigido, roteirizado e produzido por James Clavell.
3) Histórias Cruzadas: Baseado na obra de Kathryn Stockett, o filme se passa na
década de 1960, no Mississipi. Na trama, Skeeter (interpretada por Emma Stone) é uma jornalista inconformada com o racismo sofrido por duas empregadas negras, Aibileen (Viola Davis) e Miny (Octavia Spencer). Skeeter começa a escrever um livro sobre o cotidiano das empregadas e entrevista outras mulheres que passaram por situações semelhantes. O livro, chamado ‘The Help’, torna-se um escândalo e choca a vizinhança conservadora onde Skeeter vive. Doce e triste, um filme imperdível. Dirigido e roteirizado por Tate Taylor.
4) Preciosa: Impossível fazer uma lista dessas, sem citar esse filme. Ainda não que não seja um dos meus preferidos – acho muito exagerado, reconheço que
Preciosa conta com atuações incríveis. Dirigido por Lee Daniels, o filme conta a história de Claireece “Preciosa” Jones (Gabourey Sidibe), uma adolescente negra e pobre de 16 anos que sofre abusos sexuais tanto do pai quanto da mãe. Preciosa, que tem um filho com síndrome de down, descobre estar novamente grávida. Para não ser expulsa do colégio, ela busca ajuda na orientadora social, Sra. Weiss (interpretada por Mariah Carey).
5) Mississipi em Chamas: Denso, dramático e assustador. Filme de 1988, dirigido por Alan Parker. Na trama, Gene Hackman interpreta Rupert Anderson e Willem Dafoe vive Alan Ward, dois agentes do FBI que investigam o assassinato de três
ativistas. A trama se passa na década de 60 e é um retrato sobre as atrocidades cometidas pela Ku Klux Klan. Apesar de muito premiado (entre eles: Oscar, BAFTA e Globo de Ouro), o filme foi criticado por sua inconsistência histórica já que apresentou os agentes do FBI como heróis, quando na verdade, o FBI pouco defendeu os civis da região.
6) 12 Anos de Escravidão: Baseado em um romance autobiográfico, “12 anos de escravidão” conta a história de Solomon Northup, um homem negro e livre que viveu em Nova York no século XIX. Em 1841, Norhtup (que era um violinista conhecido), recebeu um contive: viajar para Washington, tocar em um circo e ganhar q
uase o triplo do seu salário. Durante a viagem, o músico é sequestrado e vendido como escravo.
Obrigado a trabalhar em uma plantação em Louisiana, Norhtup tenta fazer contato com sua família de todas as formas. Enquanto não consegue, presencia a barbárie e a violência sofrida por outros negros, que encontram-se em uma situação parecida com a sua. Em “12 anos de escravidão”, Steve McQueen (também diretor em Shame) toca em um ponto dramático da história da humanidade, é difícil (quase impossível) não se sentir sensibilizado quando o assunto é escravidão. Famílias separadas, dor, humilhação psicológica e física, racismo e tortura: um misto de ações e sentimentos que fazem o estômago embrulhar. Já vimos muitas histórias sobre esse tema
, mas ’12 anos, diferente de Django Livre, por exemplo, traz uma história sincera sobre o terror, sobre o lado mais obscuro do ser humano. E aliás, acho fundamental esse papel que o cinema cumpre, de nos lembrar – ou melhor, de nos fazer ter consciência – da nossa história.
7) Homo Sapiens 1900: Imperdível. O documentário, de 1998, dirigido por Peter Cohen, constitui-se de uma narrativa (em forma de colagem, com fotos e vídeos) sobre a ‘eugenia’, ou seja, sobre o aprimoramento da raça humana. Homo Sapiens 1900 demonstra como a ciência e diversos estudos científicos estão marcados pelo racismo. Além disso, Cohen mostra como o facismo e o nazismo, como a Europa e o próprio EUA se basearam nessas teorias. Os nazistas, por exemplo, propagavam a ideia de ‘limpeza de pele’, de físicos perfeitos e da superioridade da raça ariana.
8) Hotel Rwanda: Filme de 2004, dirigido por Terry George. A trama reconstrói o Genocídio em Ruanda, ocorrido em 1994, época em que o conflito entre os hutu e os tutsi causou a morte de mais de 500.000 pessoas. A ‘guerra’ entre os dois grupos começou quando o presidente Juvenal Habyarimana foi assassinado em um atentado (logo após assinar um acordo de paz). Na história, Don Cheadle interpreta Paul, dono de um hotel que, diante da possibilidade de um massacre, tenta proteger a família. Nesse mesmo período, o hotel de Paul acaba se tornando abrigo para refugiados (não só civis, mas também militares e políticos).
9) Adivinhe quem vem para jantar: Spencer Tracy + Katherine Hepburn + Sidney Poitier = Clássico, com interpretações incríveis e, com uma história emocionante. Filme de 1967, dirigido por Stanley Kramer. Na trama, Hepburn e Tracy interpretam um casal que recebe em sua residência o noivo da filha, John Prentice (Sidney Poitier). O casal se choca e se incomoda com a cor de Prentice, que apesar de ser um bom homem, não corresponde aos ‘padrões’ impostos pelos sogros. O filme tem um roteiro ímpar, com toques de ironia que deixam os diálogos e as situações mais interessantes e cômicas.
10) A Cor Púrpura: Filme de 1985, de Steven Spielberg. Após ser violentada pelo pai, Celie (interpretada por Whoopi Goldberg), uma jovem de quatorze anos, dá a luz a duas crianças. Separada dos filhos e da irmã, que tanto ama, Celie começa a escrever cartas (primeiro para Deus e depois para a Natalie, uma missionária). Solitária e extremamente triste, Celie – com a ajuda de Shug e Sophia (Oprah), começa a perceber que pode mudar seu destino.










