Cindy Crawford (P.S.: sem photoshop)

E em falar em corpos reais, vocês viram a foto da Cindy Crawford (sem photoshop) que vazou na internet nos últimos dias? Linda, não? cindy

A imagem, que até então nunca tinha sido veiculada,  faz parte de uma sessão fotográfica realizada pela Marie Claire mexicana em dezembro de 2013. Pelo que li, a foto foi divulgada no Twitter da jornalista Charlene White sem autorização da modelo ou da revista.

O mais interessante é que a feedback do público e da crítica foi super positiva… Posteriormente, uma das editoras da revista chegou a se manisfestar: “É um corpo que desafia as expectativas. É real, honesto e é lindo. Independentemente do site de onde veio, a foto é esclarecedora. Sempre soubemos que a Cindy Crawford era linda mas vê-la assim só nos faz gostar ainda mais dela”.


(Essas são as fotos que foram publicadas  na revista):

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A empresa (A Possessa)

Sempre que posso, gosto de reler Hilda Hilst… sabe, me identifico com o que ela escreve. Não preciso dizer muito sobre (não mais do que já disse) … quem conhece um pouco de sua obra sabe que ela tem uma lucidez e uma narrativa invejável. Dentre os diversos livros que tenho, resolvi reler “A empresa”, uma de suas peças de teatro… Aliás, a primeira que ela escreveu, em 1967.

A trama, que se passa em um colégio de freiras, conta a história de América  – uma jovem criativa, sincera e contestadora que se vê reprimida pelas autoridades do colégio (em especial pelas duas Postulantes e pelo Monsenhor). Hilst não só denuncia a repressão institucional sobre os jovens, mas também chama atenção para o fato de que até os mais criativos podem ter suas ideias massacradas pelo “sistema”.

Na nota, feita pelo professor da Unicamp, Alcir Pécora, há uma observação me pareceu importantíssima: “O teatro completo de Hilda é composto por oito peças escritas  de 1967 a 1969. O fato é significativo, pois se trata de um período no qual o teatro em geral, e em especial o universitário, adquire grande importância no país, tanto por suas significação política de resistência contra a ditadura militar como pela excepcional confiança na criação jovem e espontânea que se alastrava pelo mundo”


TEATRO DA HILDA

América: Eu perguntei como é possível existir a frase “nossa senhora foi virgem antes do parto, no parto e depois do parto.

Monsenhor: Não nos cabe o julgamento dessas revelações. É preciso ter fé.

América: Mas eu penso.

Monsenhor: Mas a fé não pretende que você deixe de pensar. A fé não pretende que você abdique de sua inteligência.

América: Mas isso não é lógico. Como posso acreditar numa coisa que é absurda? Todo mundo sabe que é impossível ser virgem e dar a luz.

Monsenhor: Há verdades imutáveis

Aleah Chapin – A nudez feminina na velhice

A nudez incomoda. E quando se trata da nudez de mulheres mais velhas – que possuem um físico diferente do estereótipo da mulher perfeita, isso parece incomodar ainda mais.

GameFiquei impressionada com a percepção e a delicadeza da jovem pintora Aleah Chapin (de 28 anos). Chapin estudou no Cornish College of the Arts e fez especializações na Academia de Arte de NY. A pintora, nascida e criada em Seattle, se dedicou a criar obras realísticas que retratam a velhice feminina. Para ela: “A beleza natural da mulher”…


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Confira:

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 “Eles dizem que nossos corpos precisam ter certa altura, certo tamanho e um peso determinado. Mas essa construção de imagem é totalmente irreal”

O Moedor

O MoedorSimples, sem freios e direto…. é assim que Enio Mainardi me pareceu, pouco preocupado em ser politicamente correto ou sutil. Sutileza, aliás, é algo que quase não se vê em sua narrativa. Me identifiquei com suas histórias, com sua sinceridade meio grosseira e por seu apelo à memória (que, em vários momentos, se confunde com ficção). Infelizmente, desconheço sobre o autor (o nome não me é estranho, mas dele, de suas obras e trabalhos não sei nada).

[P.S. Algumas reflexões, como as que coloco no final desse texto, me pareceram um pouco de mal gosto, mas… ao meu ver, não comprometem a qualidade da narrativa].

Encontrei o livro na Fnac por apenas R$1,99, um valor ridículo para um livro tão bacana. A capa é interessantíssima, difícil não ficar curioso em saber sobre o seu significado, o qual descobrimos no terceiro capítulo. Em uma de suas crônicas, Mainardi conta sobre o encanto que tinha em relação ao moedor de carne da avó e cria uma deliciosa comparação com o casamento:

“Jogava–se lá dentro um pedaço de carne com músculo, ou um bife de fígado de fígado molenga, por exemplo, e saía regurgitando a carne moída, de cor misturada. Dava para fazer bolinho de carne (regulagem média), sopa de carne (regulagem grande e assim por diante. Bastava girar a manivela e a carne ia sumindo lá dentro. Casamento devia ser assim, igual. Podia se colocar para moer os sentimentos havidos, os não havidos, os fingidos, as coisas passadas, as imaginadas, e daí pronto. O que era antes, não seria depois.”

O Moedor 2

Antes de cada crônica/conto, Mainardi escreve pequenas epifanias… e é possível encontrar algumas pérolas (no bom sentindo). No mais, gostei das histórias, como aquela em que ele e um amigo, Harry (que aparece em vários momentos) resolveram transar com outros homens, ou quando ele decidiu invadir o túmulo e roubou a pena de um defunto…


Citações

“Outro dia, me surpreendi buzinando impaciente na frente  do hospital que atende soropositivos, ali perto do Trianon e havia uns carros que atravancavam a rua, desembarcando doentes. Pensei, compassivo: “Vai, aidético… Mas tira logo essa merda de carro da minha frente. Tua pressa não vai te adiantar  nada, mesmo…” Também fiz piada nos corredores do shopping, ao ver gente manejando canhestramente as suas cadeiras de rodas. “Ói só, está treinando para a Fórmula 1”.

“Eu hoje não seria capaz de foder você nem com três camisinhas. Me envergonho desse destempero. Acho que disse aquilo porque me senti ofendido por ela colocar todas as sua declarações de amor nos tempos passado e no condicional. “Quando eu te amava, querido” Amava!? You, bitch!!”

“Como se o uso do buraco do cu para fins de esfregações sexuais favorecesse ideias superiores, refinando a sensibilidade. Para mim, isso dá é hemorroidas, que se amenizam com pomada e se curam com cirurgia. Se escapar da Aids”

Jeff e as armações do destino

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De todos os atores e atrizes que amei, Susan Sarandon foi a primeira e será a última. Recentemente assisti um de seus filmes, “Jeff, who lives at home”, uma comédia dramática que conta a história de um cara de quase quarenta anos (Jeff) que é desempregado e mora com a mãe. A mãe, no caso, interpretada por Susan Sarandon. Jeff possui um sério problema de relacionamento com o irmão e não consegue encontrar um sentido para a vida. Um dia, quando precisa ir ao mercado, ele decide mudar o percurso. No caminho uma série coincidências acontecem e o fazem questionar sobre sua existência.

Susan está magnífica, mesmo em um papel mediano. Na trama, ela é uma mãe que está cansada dos próprio filhos, que sente que falhou em algum momento da criação deles e que, por causa deles, deixou a própria vida um pouco de lado. Até, que um dia no escritório, começa a receber mensagens de um “admirador secreto” e  começa a se perguntar se deve ou não dar uma segunda chance para o amor…

Em boa parte da trama ela se dedica a desvendar o mistério, que para o telespectador já é decifrado desde o início… Seu admirador secreto é uma mulher, mulher que foi sua melhor amiga durante anos e que – num pequeno ato de coragem – decidiu revelar seu amor.

Que filme fofo!

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Pietà

Eu sou o tipo de cinéfila que não sabe o nome dos diretores, que não conhece nada de técnica cinematográfica e que, na verdade, nem se importa muito com isso. Sou do tipo daqueles que guardam o nome de um filme marcante, que lembram como se fosse ontem daquela cena que assistiu há anos e daqueles que quando se apaixona por um ator, fica meses assistindo seus filmes.

Então… vou confessar uma coisa, que pode soar absurdo para que curte cinema, mas que é verdade… Até o ano passado, eu não sabia quem era Kim Ki Duk e tive uma tremenda de uma boa surpresa, quando pela primeira vez assisti um de seus filmes: Pietà.

Pietà-di-Kim-Ki-DukPietà entrou na lista dos meus filmes preferidos de todos os tempos, daqueles que a gente não se cansa de rever. A história é cruel, atormentadora, violenta, triste… tão triste. Mas eu gostei, gostei da trama… do silêncio, do suspense… e me apaixonei pela Jo Min- Su (ainda que depois, não tenha encontrado nenhum filme com ela).

Em Pietà, Lee Jung-Jin interpreta Kang-do, um cobrador extremamente cruel, que não perdoa as dívidas de seus devedores. Quando a pessoa que o deve não tem dinheiro para pagá-lo, ele o machuca (quebra seus ossos, por exemplo), para pegar o seguro de saúde do ‘acidentado’. Mas, Kang-do (apesar da sua ‘maldade’) é um cara extremamente solitário e que a noite, sozinho em casa, se comporta como uma criança. Um dia aparece uma mulher que afirma ser sua verdadeira mãe e se diz arrependida por tê-lo abandonado. Kang-do duvida dela e a põe em prova, e faz com que ela passe por diversas e recorrentes humilhações.


Acho interessante o fato de o filme ter ficado conhecido por causa das cenas violentas, especialmente por causa da cena de estupro. Não sei, mas a abordagem sobre o fracasso, sobre a dor da perda, da solidão… quero dizer, a abordagem sobre a podridão e as falhas humanas me chamou mais atenção do que o aspecto violento. Como a dor do filho abandonado e a da mãe, que busca por perdão. Ou, da humilhação de quem não consegue pagar a própria dívida. Da mistura de vergonha e arrependimento.

Quando o amor acaba…

“De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma…”

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Me pergunto sobre o fim do amor, sobre o fim da paixão. Do momento em que o toque já não provoca nenhum estímulo, ou que as palavras de carinho já não possuem mais sentido.  Daquela situação horrível, em que seu companheiro de muitos anos se torna um estranho. Porque amores existem e acabam. Não todos, é claro. Mas os que acabam me parecem tão tristes… É como uma violência silenciosa, que joga os sonhos, os planos e projetos pela janela. Aqueles projetos que você demorou a construir e gastou horas em cada detalhe.  E gastou a vida também (ou parte dela). Porque um relacionamento, seja amoroso ou não, depende de uma entrega e de uma dedicação linda e absurda, da qual eu confesso que não sei se seria capaz. É assim que eu imagino um casamento de quarenta anos, o compartilhar da mesma cama, a escolha do nome dos filhos, os momentos de aperto financeiro, a velhice. Amar é abrir mão do próprio espaço, é deixar de pensar em sí mesmo para pensar no outro. Não imagino castigo pior do que viver preso a quem não se ama – seja por escolha ou necessidade. Por isso, concordo plenamente quando dizem que a liberdade é o bem mais precioso do ser humano…

Nada é mais valioso do que poder ir quando não há mais nenhum motivo para ficar.

A diva dos pés descalços

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Sei pouco, muito pouco da Diva dos pés descalços. Ainda que nos últimos tempos tenha escutado suas músicas e assistido a seus shows como uma louca sem controle. Cesária Évora (que, aliás, nasceu no mesmo dia que Daniela Romo) é uma cantora cabo-verdiana que ficou mundialmente famosa como a Rainha Morna. Morna é um estilo musical do Cabo-Verde – que lembra muito o samba. Sei, que já na maturidade, por volta dos cinquenta anos, Évora se mudou para a França e passou a viver lá até a morte. Ela morreu em 2011, por insuficiência cardíaca. Tinha 70 anos.

Existem três de suas músicas que eu não me canso de ouvir, compartilho com vocês. Se ainda não a conhecem, escutem… Cesária canta como ninguém: