O adultério não pode ser medíocre

Traição

Estava eu, stalkeando a Rosa Montero e vi que ela compartilhou no Facebook uma de suas publicações mais recentes no El País. Coincidência ou não, eu já estava decidida a traduzir e publicar aqui uma entrevista da Fanny Ardant que aborda o mesmo tema e apresenta uma perspectiva muito semelhante.

As duas falam sobre traição, companheirismo e lealdade e me parecem muito corretas nas ideias que defendem. Enquanto Montero comenta o caso do Ashley Madison (um site feito para adúlteros, que recentemente, teve informações vazadas), Fanny comenta sobre “Os Belos Dias”, filme em que ela interpreta uma mulher de 60 que mantém um relacionamento fora do casamento com um rapaz bem mais novo.

montero_rosaRosa Montero: “Adúlteros, mas leais. Como é difícil amar alguém, mesmo com o passar do tempo, e construir uma convivência duradoura,que não termine sendo tóxica. A vida é infinitamente complicada e uma das coisas mais complicadas da vida é manter as relações sentimentais e superar todo esse conflito permanente de um relacionamento. Como é difícil amar sem cair na rotina, sem culpar o outro por nossas próprias frustrações, sem devorar, tiranizar, sem se empobrecer, sem se irritar.

É algo tremendamente difícil, por isso é compreensível que cada um siga da melhor forma possível. Não existem regras para o êxito. Pessoalmente, penso que dão ao sexo uma importância desmesurada.Tenho pena de ver que uma simples aventura,que na realidade não significou nada, arruína casais que com muita luta e com muito amor, construiram um relacionamento juntos. A verdade é que eu não acredito que o ser humano nasceu para a monogamia ou para a monoandria. Pelo menos, não para a vida inteira. (…) Tenho a impressão de que quem reprime uma e outra vez seus desejos adúlteros, termina direcionando essa frustação e esse aborrecimento sobre o seu companheiro.


fanny ardant

Acho desonestos aqueles filmes que mostram o marido como um “velho acabado”, ou a esposa como uma “avó de bengalas” e o amante totalmente esplêndido. Isso pode acontecer, é claro… e é por esse motivo que muitos se separam ou se divorciam. Mas, o relacionamento de um casal é muito mais complexo. No filme, meu marido é também encantador. Gosto desse marido porque ele conhece bem a sua mulher, e compartilha com ela grande intimidade. Possui algo sólido e livre, não é apenas um burguês. Os dois se complementam, ele também é pai…é avô.

Quando Caroline vê Julien pela enésima vez ela pensa: “Vou aproveitar a situação, antes que ela se torne medíocre”. O adultério não pode ser sórdido, ele não suporta a mediocridade. Quando você queima certas coisas, é necessário que o faça de maneira extravagante. E assim que começa a ser sórdido, é hora de deixá-lo….


Curiosidade Mórbida

Genteney, eu ganhei um Kobo! Agora ninguém me segura…E comecei a minha aventura pelo mundo digital com uma leitura maravilhosa! Ok, ok… pode parecer estranho o título e o tema, mas é um super livro e muito esclarecedor. Eu não conhecia a Mary Roach, na verdade, nunca ouvi falar nela… mas estou apaixonada com a sua simpatia textual e com a sua dinâmica, o seu humor.

CuriosidadeMórbida

O livro trata exatamente sobre o que anuncia o título, é um trabalho jornalístico que traz uma série de curiosidade sobre a morte, ou melhor, sobre o que acontece com o nosso corpo após a morte. Roach apresenta uma grande pesquisa sobre o uso de cadáveres em trabalhos científicos e mostra o quanto eles são importantes para a ciência e para a manutenção do estilo de vida que temos hoje em dia.  

Sinceramente, se não fosse escrito da maneira que foi, eu provavelmente teria pesadelos. Mas, ao invés de me deixar para baixo, me deu uma super lição, a de aproveitar a vida ao máximo. Como Roach mesmo diz, passar a vida inteira deitado é estar praticamente morto. Aliás, esse livro me lembrou que ninguém escapa da morte e me deu consciência de que maryroacha morte é feia sim, e feia pra todo mundo!

O livro é dividido em capítulos muito interessantes, ela conta como é processo de morte em aviões, carros, por tiro ou morte-cerebral. Um dos capítulos que eu não consegui ler foi o que ela explica como é a morte por acidente de carro. Eu não consegui, MESMO! Pulei logo.  Outra parte inquietante é quando ela conta que foi, junto a um legista, identificar um corpo em decomposição e o encontrou cheio de larvas: ” Há um motinho de grãos de arroz se mexendo dentro do umbigo de um homem. É uma roda punk de grãos de arroz. Mas grãos de arroz não se mexem. Isso não pode ser arros. E não é. São filhotes de mosca. Os entomologistas tem um nome para os filhos de moscas, mas é um nome feio, um insulto. Não vamos usar a palavra lavra, vamos usar uma palavra bonita. Por exemplo, uma palavra em espanhol que eu acho maravilhosa…hacienda.” 

CitaçõesMaryRoach

– O problema dos cadáveres é que eles se parecem demais com as pessoas. É a razão pela qual quase todos nós preferimos uma costela a uma fatia do leitão inteiro. É a razão pela qual certas pessoas preferem dizer “carne suína” e “carne bovina” em lugar de “porco” e “vaca”.

– Fiquei abismada em saber que a pele (de cadáveres) doada e não utilizada para enxerto em queimados, por exemplo, pode ser processada e usada para fins cosméticos, no preenchimento de rugas e no aumento de pênis. Embora eu não tenha ideias preconcebidas sobre o post mortem, estou firmemente convencida que não se deve ir sob as calças de outra pessoa.

– (Sobre os primórdios das escolas de medicina e como conseguiam cadáveres): A tática mais comum eram esgueirar-se para dentro de um cemitério e exumar o parente de outra pessoa para estudo. Esse ato se tornou conhecido como sequestro de corpos. Era um novo crime, distinto do assalto a túmulos, que tinha a ver com o saque de jóias e relíquias da família dos sepultados nas tumbas e criptas dos ricos.

– O laboratório de anatomia não serve só para aprender anatomia. Trata do confronto com a morte. Muitas vezes a anatomia macroscopia proporciona aos estudantes de medicina seu primeiro contato com um morto, vista dessa forma, é considerada como um passo indispensável e fundamental na formação do médico.

– Como era possível que no século XIX as pessoas permitissem que dentes de cadáveres fossem postos em sua boca? Da mesma forma que gente do século XXI permite que o tecido de cadáveres seja injetado em seu rosto para preencher rugas. Elas talvez nem soubessem disso e provavelmente não se importavam.

– Os mortos, se não forem embalsamados, praticamente se dissolvem. O corpo entra em colapso e afunda em sí mesmo e finalmente infiltra no solo. Lembra-se da morte da Bruxa Má do Oeste? (“Estou derretendo!!”) em O Mágico de Oz? A putrefação lembra uma versão dessa cena, só que em câmera lenta.

– É difícil expressar com palavras o cheiro da decomposição humana. É forte e enjoativo, adocicado, mas não como o de uma flor. Fica entre fruta podre e carne podre. Todas as tardes, ao voltar para casa, passo por uma quitanda pequena e fedorenta que tem a mistura quase certa,de tal forma que já me peguei olhando atrás das caixas de mamão à procura de um braço ou de pés descalços.

– Porque as pessoas que levam um tiro geralmente caem de imediato? E isso não acontece só na TV. Fiz essa pergunta a Duncan MacPherson, respeitado perito em balística e consultor do Departamento de Polícias de LA. MacPherson afirma que esse efeito é exclusivamente psicológico. Cair ou não depende do estado de ânimo da pessoa.

Le fils du français

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Imagine a cena: Fanny Ardant andando no meio de um tanto de brasileiro que, dentre olhares atentos e risos de deboche gritam: “Olha a bunda dessa perua!”. Ou melhor, imagine Fanny, sentada na mesa de um bar risca faca, ouvindo forró, jogando carta e tomando Brahma. Saiba que essas situações aconteceram e que podem ser vistas no flme “Le fils du français”, 1999, uma trama deliciosa que mistura comédia e aventura e tem o Brasil como plano de fundo. Além do mais, também conta com a maravilhosa Josiane Balasko e foi dirigido por Gerárd Lauzier.

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O filme conta a história de Suzanne (Balasko) e Anne (Ardant), duas mulheres diferentes e que se odeiam, mas que estão unidas por um motivo muito forte. Enquanto Suzanne é daquelas mulheres pouco vaidosas, que adora fumar, falar alto e beber. Anne é uma aristocrata, cantora de ópera que adora champagne. As duas são avós do pequeno Benjamin e se unem para levá-lo ao Brasil, para que ele reencontre seu pai. Por acidente elas acabam caindo em uma tribo no meio da Floresta Amazônica, cheia de índios e com uma cultura muito diferente da que conhecem.

Falando assim parece que o filme é meio desrespeitoso, parece que ele reproduz aquela ideia que os estrangeiros tem do Brasil que aqui só tem mato, índio e bicho. Olha, eu até comecei a assistir esse filme com um pé atrás, mas fui logo percebendo que é uma produção muito bem feita, que retrata uma parte do Brasil que nem os brasileiros conhecem.Se você assistir o filme, vai perceber que não é uma daquelas comédias que debocha do povo, pelo contrário, tem um tom sincero de respeito, é um filme muito agradável. (Resta observar que parte das cenas foram feitas em uma aldeia na Venezuela).

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A Fanny está muito engraçada, completamente desconcertada no meio daquela gente tão diferente. Mas, a Josiane…gente, ela é demais! É impossível não rir com aquele jeito autêntico dela, meio porra louca, não ligando pra nada e puta de raiva com tudo. É uma dupla de atrizes que realmente possui características muito opostas, o que dá um tom delicioso nessa comédia. Gosto especialmente da cena em que as duas estão na aldeia e os índios as escolhe como noivas. Pelo que sei, Lauzier reproduziu com muita integridade o ritual de casamento da aldeia, chamada Las Claritas. 

Encontrei uma pequena entrevista da Fanny (uma entrevista muito legal) onde ela fala sobre o filme e tomo a liberdade de reproduzi-la: 

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“Jean-Louis Livi me procurou e disse: Vou te dar um desafio, quero que interprete uma avó. Eu respondi imediatamente que um papel nunca é definido por um grupo etário. Perguntei, “Quem é essa mulher?” e logo comecei a ler o roteiro. Gostei da história de Anne, uma mulher que se permite viajar para o outro lado do mundo por amor a um garoto. Eu nunca pensei que para interpretar uma avó fosse necessário ter certa idade. Quer dizer, eu não posso interpretar uma mãe tendo 53 anos? Desde o início das reuniões, Gerad foi explícito ao dizer que não queria falsas rugas, maquiagens que nos fizesse parecer mais velhas. Queria que estivessemos assim, como somos. “

“A relação da criança com a família é muito importante. E eu acho que é verdade que as avós são mais apaixonadas e dolorosas do que as mães. A avó é aquele ser que viveu mais, que tem mais indulgência e humor. Eu nunca tinha feito comédia, sempre trabalhei o meu lado mais amargo, cruel. No entanto, me senti em casa, foi uma surpresa, me senti muito bem”

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Eu fiz as malas e fui, sem saber o que me esperava. Aconteça o que acontecer, o amanhã pra mim não existe. Falaram, “Sairemos no dia 12 de Janeiro, tome todas as vacinas necessárias e arrume suas coisas”, eu disse: “Ok” e fiz as malas, sem saber o que levar… pensei, certamente preciso levar roupas claras. A chegada em Las Claritas (a aldeia) foi um choque. Também fiquei chocada com os garimpeiros de ouro e com o meu quarto de hotel. O choque foi tão grande que me deitei na cama e comecei a ler livros sobre a Rússia, ambientados na neve.

No início eu fazia as refeições sozinha, todas as noites ia dormir muito cedo e precisava dormir totalmente envolvida por um mosquiteiro. Pra falar verdade, não me importa a floresta, o ambiente… eu não tenho nenhum gosto pelo turismo, mas tenho um verdadeiro amor pelo povo. Fiquei encantada com os índios acariciando minhas pernas, colocando a mão nos meus colares… coisas que nunca tinham visto em suas vidas.

Um dia fomos alertados de que as pessoas do local estavam com sarna. Então, eu conheci uma senhora que lavou a minha roupa. Quando eu fui buscá-las ela me convidou para sentar e disse: “Minha irmã trabalhava em uma agência de viagens. Ela está morta”. E eu perguntei como? “Seu marido a matou… e de certa forma, acabou me matando também”. Ele a amava? “Sim…” Entende? Parecia um diálogo de Marguerite Duras, pouco a pouco, eu tinha a sensação de sempre ter pertencido a esse lugar. Comecei a ir todos os sábados no bar, a dançar forró… Cada dia foi ficando mais intenso. 

Segredos Íntimos

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Assisti esse filme sem nenhuma expectativa, sem ler a sinopse e sem saber o contexto. O marido da minha mãe apareceu com ele lá em casa e disse que eu iria gostar. Mal sabia ele que tinha acertado na mosca, afinal, além de ter a Fanny Ardant, Segredos íntimos é um daqueles filmes que coloca em pauta a discussão sobre gênero e sexualidade e tem um cenário que desconheço, mas tenho interesse: a comunidade judaico-ortodoxa.

Apesar de me parecer um pouco “grande demais”, fiquei com a atenção presa a ele por contextualizar uma realidade que me parece muito distante. O filme foi dirigido Avi Nescher e roteirizado por Hadar Galron, um roteirista conhecida pelo seu lado feminista. E sim, é um drama… cujo final pode não ser lá tão agradável.

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A trama: Naomi (interpretada pela lindíssima Ania Bukstein) é filha de um rabino e precisa lutar contra a vontade de seu pai, que quer casá-la com um de seus alunos. O fato é que a jovem é muito inteligente e conhecedora dos livros sagrados, seu desejo é se tornar uma rabina (algo impensável no judaísmo). Ela divide o quarto com outras três garotas, uma delas é Michelle (Michal Shtamler), uma jovem francesa que, diferente das outras, é mais impulsiva, gosta de fumar e preza por sua liberdade. Um dia Naomi e Michelle conhecem Anouk (Fanny Ardant), uma mulher misteriosa que se torna um ponto chave na trama.

Anouk está seriamente doente e acabou de sair da prisão por ter assassinado o seu amante, um pintor com o qual ela tinha um relacionamento masoquista. Certa de que vai morrer, Anouk deseja se redimir de seus pecados e pede a ajuda de Naomi e de Michelle para tal. O problema é que nenhuma das duas, por serem mulheres, podem realizar um ritual cabalístico. Diante do medo e das pressões, Naomi e Michelle vão se aproximando cada vez mais e acabam criando um singela relação de amor.
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Segredos intimos

O deus de madeira

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Gente, eu adoro histórias que envolvem casais de idades diferente, especialmente mulheres mais velhas com homens mais jovens, pode? Também amo a Marisa Paredes, então acho que esse filme foi feito sob medida para a minha pessoa. Quer dizer, mais ou menos.

“El dios de Madera” foi produzido em 2010 e dirigido por Vincente Molina Foix e conta a história de Yao, um rapaz do Senegal que fugiu para Madrid com o objetivo de conseguir algum dinheiro e mandar para a família. Vivendo a triste e difícil realidade dos imigrantes ilegais, Yao passa a vender produtos artesanais na rua e volta e meia, se escondendo da polícia. Ele faz amizade com Rachid, um mulsumano que, por necessidade, trabalha como cabeleireiro. Rachid é gay e está envolvido com o jovem Roberto, um webdesigner. Um dia Yao conhece María Luísa, uma vizinha viuva e logo cai de amores por ela, sem saber que María Luísa é mãe de Roberto.

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O filme é um romance água com açúcar agradável, mas deixa a gente na mão quanto a dinâmica do enredo. É um filme lento demais, sem aquele clímax marcante e parece até um pouco artificial, sabe? É porque foi meio difícil identificar uma química entre Marisa e Madi Diocou (o ator que interpreta Yao). Diocou parecia  confuso,sem saber o que tava fazendo ali naquele filme…

De qualquer forma, é sempre bom ver Marisa. Aqui ela está bem delicada, alegre e incorpora bem a mulher madura aventureira, que deseja viver as loucuras de amor novamente. Maria Luíza só peca por ser homofóbica. 

Medo do Escuro

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Sou daquelas espectadoras resistentes, que assiste o filme duas ou três vezes quando não consegue entender a mensagem. Com “Afraid of the dark” foi assim, revi na semana passada, mas confesso que continuo cheia de dúvidas. É um filme interessante, com muito suspense e com uma narrativa dupla… o que me deixou meio confusa. Pra falar a verdade, meu raciocínio é meio lento. O filme, produzido em 1991 e dirigido por Mark Peploe, conta a história de Lucas, um garotinho com sérios problemas visuais que tem um perceptível medo de ficar cego. Um dia ele acaba sendo testemunha ocular de um assassinato, um homem mata brutalmente sua vizinha (que por coincidência, é cega). Traumatizado, o menino passa a ter fantasias assustadoras.

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Lucas é um garotinho meio estranho, que fala pouco e observa muito. No início da trama, ele acompanha a sua mãe, Miriam (interpretada pela Fanny Ardant) a uma casa de convívio para pessoas cegas. Miriam não enxerga e é impossível não perceber o incômodo e a curiosidade do seu filho em relação a ela. Tudo o que Miriam faz (desde tomar café, tricotar) é observado por Lucas a distância. Ele também mantém um relacionamento muito próximo com Rose (Clare Holman), uma linda jovem que também não enxerga e que tem o sonho de ser modelo fotográfica. Os pesadelos de Lucas vão aumentando quando ele perde seu cachorro e sua obsessão pela cegueira (ou, pelo medo a ela) aumentam quando ele descobre que sua mãe está grávida.

AFRAID OF THE DARK, Fanny Ardant, James Fox, 1991

Em um segundo momento, e foi exatamente nesse que fiquei com algumas dúvidas, vemos que todas as pessoas que conviviam com Miriam na casa enxergam. Aliás, a própria Miriam (e também a Rose) enxergam perfeitamente. O que me parece é que os primeiros 40 minutos do filme, foram apenas uma fantasia da cabeça do garoto. Me chamou atenção o estranhamento de Lucas em relação aos pais, principalmente quanto ao aparente descuido da mãe e da sensação de medo em relação ao pai…

“Medo de escuro” é até um filme interessante, consegue manter o suspense e a dinâmica… Teve um certo momento em que eu mergulhei na loucura do garoto e pensei que ele iria atacar a irmanzinha…

Para não perder a deixa, um print da Fanny gravida! (P.S. Um ano antes ela de fato estava grávida, da sua última filha, Baladine). 

fanny ardant grávida

descobrindo Elena Anaya

Elena

Elena nasceu em 1975, é uma espanhola encantadora que, nos seus 40 anos de idade, mantém uma imagem invejável. É séria, comprometida com causas ecológicas e filantrópicas e além de ser a musa de Stella McCartne, é também uma das musas da Lauren. Talvez ela passaria despercebida dos meus viciados olhos (que sempre gostam de ver o trabalho das mesmas atrizes, repetidas vezes), se a Lauren não tivesse indicado seus filmes.

Pra falar a verdade, Elena me chamou a atenção quando vi A Pele em que Habito, do Almodovar. Ao assistir aquele filme fiquei admirada com o quanto ela é bonita. Sinceramente, eu fiquei até um pouco incomodada (senti recalque, sim!) porque ela é bonita demais! Que corpo, que cabelo, que olhos! Mas até então, nunca tinha lido nada sobre ela. Gostei muito de saber, que mesmo sendo badalada em Hollywood, Anaya prefere o cinema europeu e que,mesmo sendo requisitada nos EUA, não deixou de morar em Madrid. Bom, neste domingo me dediquei a assistir dois de seus filmes e estou encantada! Obrigada Senhora Cida, pelas indicações. 


Segredos em Família, 1996

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Particularmente, sou apaixonada com misancene (também conhecido como jogo de cena)! Seja no cinema, no teatro ou na TV. O problema é achar obras ou autores que utilizam desse recurso sem confundir o público. Segredos em Família é uma delícia de filme, que me surpreendeu pela qualidade e pela talento do diretor, Fernando León (na época, com apenas 28 anos!).

O filme conta a história de Santiago, interpretado pelo charmosíssimo Juan Galliardo. Um homem que, no dia do seu aniversário de cinquenta anos, tem apenas um desejo: comemorar a data ao lado de sua família perfeita. Como sabemos que nada é perfeito, descobrimos através do diálogos surrealistas e do ambiente extremamente teatral, que a “família” de Santiago não passa de atores, contratados por ele, para permanecer uma temporada em sua casa,  fingindo serem seus parentes.  

Elena está linda e tão novinha! Confesso que fiquei mais vidrada em Amparo Muñoz e naquela maravilhosa mecha grisalha surgindo em seus cabelos. Um fato interessante, e triste, é que Muñoz morreu bem nova – com apenas 56 anos. Ela, que foi Miss Universo em 1974, faleceu em 2011 por complicações cerebrais causadas pelo Mal de Parkinson. Mais uma observação: fiquei mais apaixonada ainda pela senhora que finge ser a mãe de Santiago e adorei a malícia do personagem. 

A trama do filme me lembrou um trabalho teatral que foi feito recentemente em São Paulo, do qual esqueci o nome (desculpa!). De qualquer forma, a dinâmica deles era sensacional, já que através de um grupo no Facebook, selecionaram algumas pessoas para receber atores em suas casas e esses atores fingiam ser amigos antigos, namorados filhos de quem os recebessem. No fim, o próprio espectador se tornava ator também. O resultado do experimento foi muito interessante, os participantes contaram que em certos momentos, confundiam as emoções e não sabiam definir se o que sentiam era real ou não. 


Um quarto em Roma, 2010

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Que filme lindo, mano! Fiquei encantada com a delicadeza da abordagem de um tema incansavelmente retratado no cinema, o amor entre estranhos. Mas aqui, de uma forma bem singela e delicada, e – entre duas mulheres. O filme, dirigido por Julio Medem, conta história de Alba e Natasha, mulheres de nacionalidades diferentes que se encontram em um bar e acabam passando a noite juntas.

Eu já tinha assistido o trailer desse filme há algum tempo, mas em princípio pensei que fosse mais uma daquelas histórias eróticas feitas para alimentar a curiosidade masculina…daqueles que, ironicamente, tem um fascínio por mulheres se pegando. O filme é poético e é impossível não se encantar com os pequenos detalhes (como aquela cena em que Alba fica nas pontas dos pés para beijar Natasha).

É verdade que as duas (Anaya e Natasha Yarovenko)  juntas são um colírio para os olhos, são lindas mesmo! Mas a história vai além de puro sexo, e deve-se muito ao bom desenvolvimento dos diálogos. Reparei, por exemplo, que é uma história praticamente sem clímax e mesmo assim ficamos vidrados na conversa das duas, tentando revelar o mistério de cada uma.

Gostei especialmente dos movimentos de câmera e da trilha sonora, que é quase um terceiro personagem. O enquadramento da câmera em plongeé, enquanto as duas se encontram e se despedem é absurdamente  lindo, é como se fossemos voyeurs, observando-as dentro do quarto do hotel. Mas linda ainda é aquela cena da banheira, em que Alba sente a flecha do cupido em seu peito. É de partir o coração.

Onde Fanny e Marisa se encontram

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Pausa para uma rápida observação…

Se eu contasse que estou para fazer essa publicação há mais de um ano vocês acreditam? Eu sempre quis falar sobre isso, mas um assunto vai substituindo outro e vou me esquecendo, ou me perdendo em meio ao caos de ideias. Eu acho que, se existem duas mulheres no cinema que possuem uma beleza ímpar, elas são a Fanny Ardant e a Marisa Paredes. Eu realmente não sei se o termo correto seria beleza, é como se as duas tivessem “aquilo” que as outras não tem.

Pra falar a verdade, se você for reparar bem, elas nem são tão “bonitas” assim (e não que isso importe), é que elas possuem um charme, uma postura, uma elegância… ou sei lá o quê, que as faz diferentes. Desde que as conheci faço essa relação e juro que essa impressão existe antes mesmo (muito antes!) de eu ter essa súbita paixão pela Fanny. Paixão aliás que tenho e mantenho pela Marisa. Confesso que eu colocaria a Daniela Romo nessa lista também, se não fosse por um detalhe que muda todo o cenário. 

Fanny e Marisa possuem pouca diferença de idade. Marisa tem 69 anos e a Fanny 66. Marisa é espanhola e Fanny francesa; As duas são magras, altas, possuem uma voz grave e costa grandes. Em resumo, possuem um pouco da essência que a Joan Crawford tinha. É aquele aspecto meio atlético, masculino e híbrido… um aspecto que nos confunde já que, ao mesmo tempo, nenhuma das duas abre mão de sua feminilidade. Se você reparar, a Daniela é exatamente assim, tem voz grossa, é alta, atlética… e possui unhas grandes e sempre pintadas de vermelho, os cabelos na cintura e usa os vestidos mais sensuais possíveis. Ou seja, você vê uma mulher, mas enxerga os traços masculinos.

Fanny, no entanto, parece que gosta (ou necessita) de alimentar aquela postura de “femme fatale”. Ela é mais imaculada, intocável. É serena, séria, fala baixo, faz charme quando conversa, anda sempre de óculos escuros e não abre mão de usar roupas de grife. Marisa parece mais simples, mais real. Possui aquela imagem matriarcal, forte, sentimental… ligada muito mais à arte do que aos holofotes.

Daniela é linda, mas perde para as duas em um quesito fundamental: a liberdade de ser, interpretar e criar. Fanny e Marisa, por um conjunto de aspectos (mas especialmente pelo cinema e pela cultura de seus países), são mais livres em seus personagens. Daniela recua quanto se fala sobre sexualidade, porque como todo mundo já sabe, há um enorme boato que ronda a sua vida. E mesmo se não fosse isso, é claramente uma artista conservadora e eu diria, menos corajosa. Admiro profundamente o seu trabalho em Victor Victoria, trabalho aliás… que ela disse que foi um dos melhores de sua vida. Mas infelizmente há poucos registros e por ser uma espetáculo grandioso (e caro), ficou centralizado em um público muito específico. Não é como um filme do Almodóvar ou do Truffaut que se encontra em todo o canto.

Azar da Daniela, sorte da Marisa e da Fanny

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Chic!

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Fanny Ardant merecia um meme da página “Dias de Cinefilia”, daqueles em que os criadores da página brincam que certos atores fazem filmes “cult e para o povão”. Digamos que “Chic!” é para o povão, mesmo tendo como cenário a alta costura francensa. Esse filme me lembrou um pouco “O Diabo Veste Prada”, mas com um toque muito mais romântico, mais bobinho e… pra falar a verdade, bem inverossímil. Dirigido por Jérome Cornuau e lançado em janeiro deste ano, Chic! conta a história de Alícia Ricosi, uma estilista trilhonária e famosa que perdeu a inspiração por sentir falta de um amor.

Alícia tem uma assistente bem próxima, Hélene (interpretada por Marina Hands), que percebendo a crise da chefe, passa a procurar alguém por quem ela possa se apaixonar. Alícia se encontra com vários caras mais jovens e bem apessoados, mas nenhum lhe desperta interesse. Até que, depois de uma festa, ela acidentalmente conhece um paisagista e cai de joelhos por ele. É claro que o paisagista, Julien (Éric Elmosnino) não está nem aí para o mundo da moda, ele desconhece a fama de Alícia e tem certo interesse por Helene.

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O filme é até bonitinho, mas não conseguiu me agradar. Na verdade não consegui engolir a ideia de ver Fanny Ardant como uma mulher implorando por amor, e entregando o império que construiu na mão de homem que não dá a mínima por ela. Mas difícil foi acreditar que ela relaciona a ele toda a sua inspiração e paixão pelo trabalho, como se sem um homem, não conseguisse seguir em frente. Chic bebe muito na fonte do conto da Cinderela… Uma pessoa rica se apaixona por uma pessoa pobre e larga tudo para viver um amor verdadeiro…

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Sin notícias de Dios

– A História vai nos dar razão e você sabe disso.

-A História nunca dá razão! Ela é um homem surdo respondendo
perguntas que ninguém fez.

sem noticias de deus

Estão cansados da maratona? Espero que não, ainda tem uma penca de publicações sobre os filmes da Fanny Ardant por aí. Estava fazendo uma pequena conta dos filmes dela que tenho no computador e acho que já cheguei na casa dos trinta. Se eu vou escrever sobre todos? Claro que não, até porque… a quem importa a opinião de uma fã doida, falsa entendedora de cinema? Rsss

FANNY ARDANTHoje de manhã assisti “Sin notícias de Dios”, uma produção de 2001, dirigida por Augustin Díaz Yanes. Achei a história super bem bolada, divertida e em alguns pontos, emocionante. É um daqueles filmes que traz uma trama inteligente, sarcástica e que consegue manter um clima agradável. Não é aquele que te faz dar gargalhadas (aliás, esses estão cada vez mais escassos), mas te deixa com um leve sorriso no rosto.

Ardant está maravilhosa. Tem alguma publicação nesse blog em que eu não falo que ela está linda? Não, mas sério. Ela está bonita demais. Ela interpreta Marina, a “gerente administrativa do céu”, que escolhe Lola (Victoria Abril), uma espécie de anjo do bem, para salvar a alma de Manny (Demián Bichir) um boxeador mexicano. O problema é que o céu está em crise. Deus sumiu, está deprimido e a cada dia que passa, menos almas se salvam. Em compensação, o inferno está cheio!sinnoticias01

É aí que entra Jack Davenport (Gael García Bernal), que é o “gerente administrativo do inferno”. Jack escolhe Carmen (Penélope Cruz) para fazer com que a alma de Manny vá para o inferno. Trava-se então uma batalha entre o bem e o mal…  Além da problemática que se cria sobre a alma do boxeador, há um outro probleminha… É que Lola vem a Terra como esposa de Manny e Carmen como sua prima. Mas a convivência faz com que as duas se apaixonem…

A Victória Abril encarna uma personagem super séria, enquanto a Penélope assume a parte mais engraçada. É muito legal ver a Abril cantando algumas músicas em português… É que a sua personagem é uma cantora super famosa (no céu). Por isso, quando desce à terra, ela é uma completa desconhecida. Enquanto Carmen, no passado, era um gangster machista. Por isso foi para a terra naSin noticias de Dios (2001) 3 imagem de uma bela mulher, para entender como é terrível o assédio que elas sofrem.

De todas, a sacada mais sensacional é que o filme é falado em várias línguas. No céu eles falam francês, na terra espanhol e no inferno… inglês.  Vi uma entrevista com o diretor e ele disse que em princípio a ideia era fazer com que o inferno fosse representado por algum ator americano, algum ícone. Mas, ele conversou com o Gael e mudou logo de ideia… Outra sacada bem legal é que todos os personagens do inferno sempre aparecem cheios de suor!

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