O fim de todos nós

downloadDecepcionadíssima com este livro, que me encantou pelo título e pela sinopse, mas que não conseguiu me prender pela narrativa, tornando a leitura um verdadeiro fardo. Porque tenho que confessar que sou uma daquelas leitoras que quando começa um livro, precisa ir até o final. Questão de honra! Eu me esforço (mesmo quando num caso semelhante a esse) a leitura me desagrada.

Bom, imagine que você mora em um ilha que está sofrendo pela contaminação de um vírus desconhecido e letal. Ele começa como uma gripe e vai transformando seus sentidos, fazendo você ficar desinibido, faz você confessar seus segredos mais obscuros e depois, te mata. Pois é, a trama é genial, a narrativa nem tanto.

A personagem principal é Kaelyn, uma garota de dezesseis anos que voltou a morar na ilha e que é uma das chaves principais para resolver o problema. Me chamou atenção (positivamente) o fato do livro ser epistolar, a menina escreve em primeira pessoa, contando para o seu amigo Leo, os problemas que estão assombrando a ilha depois da chegada da doença. O lugar está em quarentena, ninguém sai e ninguém entra, o que dificulta ainda mais a possibilidade de encontrar uma cura.

O livro é o primeiro de uma trilogia escrita por Megan Crewe, li que os outros são bem melhores. É uma pena, porque a leitura deste não me entusiasmou para ler os outros. Senti nesse livro uma falta de emoção, uma falta de ação… todo mundo vai sendo contaminado e a personagem principal parece só se preocupar em escrever em seu diário… 😦

A vítima perfeita, 2009

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Caroline é uma garota solitária e com sérios problemas de autoestima, se flagela por ser gorda, por não ter o cabelo bonito e por não atender as expectativas do pai, que é distante. Do outro lado da rua está Rachel, uma jovem bailarina, linda e popular, que possui um namorado que a ama e uma família que praticamente gira em torno dela. Depois de passar por inúmeras humilhações, Caroline exorciza todo o seu sofrimento em Rachel, a atrai para a sua casa e depois a enforca.

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A história é real e chocante, Caroline Reed foi condenada a vinte anos de prisão pelo assassinado de Rachel Barber (que na época, tinha apenas quinze anos). Há documentos das cartas e dos desenhos bizarros que fazia, um retrato de uma mente atormentada e fora do normal.

Em 2009 a história virou filme, que se não fosse tão lento em seu desenrolar, seria perfeito. Fotografia linda, trilha sonora magnífica, boas atuações, enquadramentos lindos… mas narrativa arrastada. O sofrimento da família em busca da jovem é realmente comovente, a gente se coloca no lugar deles e se pergunta o que faria se tivesse perdido um ente querido.

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A atriz que interpreta a Caroline, Ruth Bradley, é simplesmente genial… intensa! Daquelas que a gente torce para que se  dê bem e que arrume filmes melhores para fazer…

Fogueira da Paixão, 1947

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Ganhei esse filme em dvd quando fiz quinze anos, fazia parte do box organizado pela Warner em homenagem à Joan Crawford (ganhei o da Bette Davis também). Esse foi o primeiro que vi, tem uma boa história (ainda que eu o ache mais fraco que os outros). Não sei, algo não me agradou tanto nele.  Mas sempre quando me lembro da atuação da Joan Crawford e do que li sobre essa produção, fico admirada. Impossível não se sentir impactado com as primeiras cenas, em que Joan (sem maquiagem), aparece deitada em um leito, atormentada e confusa. Do que li, lembro que diziam que a Joan foi uma das poucas atrizes que topou aparecer sem maquiagem, fora que interpretar personagens com problemas psiquiátricos era um tabu, ninguém queria colocar a mão no fogo.

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Na trama Joan interpreta Louise, uma enfermeira contratada para trabalhar na casa de David (Van Heflin), por quem se apaixonada perdidamente (de uma maneira assustadoramente exagerada). Quando percebe que ele não irá retribuir seu carinho, Louise acaba namorando e se casando com outro cara, Dean (Raymond Massey).   Mas o amor continua e assim, ela desperta a desconfiança de sua enteada, Carol (interpretada por Geraldine Brooks).

É um drama-psicológico interessante, com uma narrativa cheia de flashbacks e com um toque noir. Um filme feito para a Joan Crawford, ela realmente toma conta de tudo, chama a atenção. Gosto muito das cenas em que a paranoia toma conta de Louise, dos momentos em que a ela se torna violenta e fica na defensiva.

Os mortos – James Joyce

os_mortos_capaO nome de James Joyce sempre me aterrorizou, já li muitas críticas classificando-o como um dos escritores mais difíceis de todos os tempos. Então, corria dele. No mês passado li “Os mortos”, um pequeno conto que Joyce escreveu (aos 25 anos). A edição que tenho em mãos é a da Companhia das Letras e Penguin, Coleção de Grandes Amores. Além de “Os Mortos” o livro também traz o Monólogo de Mary Bloom e outro pequeno conto, “Arábias”.

Sempre quis ler esse conto, o fato é que quando criança era fã louca da Anjélica Huston e o seu pai, John Huston, produziu um filme baseado nessa história (ainda não vi o filme, mas estou em busca dele!). Não sei se é uma justificativa muito louvável, mas essa é a verdade.

Então… li o livro e fiquei realmente apaixonada, foi uma leitura rápida… mas me senti como se eu tivesse imersa naquele ambiente, naquela festa de Natal, na conversa entre os convidados, no salão.  O conto, que se passa na Irlanda, acompanha a chegada de Gabriel Conroy e da esposa Gretta à casa das tias solteironas, professoras de piano. Gabriel sente um carinho imenso por elas e é tradição ajuda-las a recepcionar os convidados. O conto é basicamente um resumo da festa, dos diálogos, das danças, do discurso de Gabriel, da conversa de Gretta com as amigas…

Algo muda quando, depois da festa, já em um hotel, Gretta conta para Gabriel um caso de sua juventude. Ela se lembra de um garoto que conheceu e que era apaixonada por ela e que por “sua causa” (indiretamente, digamos…) ele faleceu. Gabriel fica abismado porque desconhecia esse perfil melancólico da esposa, muito menos dessa história.

Agora, só uma observação sobre Arábias: Os mortos é um conto grandioso, mas Arábias me agradou igualmente por ser muito singelo. Conta a história de um adolescente apaixonado pela irmã de um amigo. Essa garota está louca para ir à um bazar, mas a família a proíbe. Então, ele faz de tudo para ir nesse bazar comprar um presente pra ela. ♥

Sobre o monólogo de Molly Bloom eu nem comento, li algumas páginas e queria pular da ponte. Fluxo de Consciência grau mil, muito difícil! Mas interessante, procurei por algumas análises e resenhas, entendi mais ou menos…. kkkk

Lado a Lado

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Tô lendo um livro incrível cujo tema são as madrastas. Trata-se de uma análise psicológica do termo,  uma versão sobre como a sociedade as vê. O livro também tem uma longa passagem sobre os contos infantis (tipo Branca de Neve e Bela Adormecida) e como essas histórias influenciaram nossa percepção. Esse livro (em breve vou fazer uma publicação sobre ele, se chama “Madrastas, do conto de fada para a vida real”), me fez lembrar o filme Lado a Lado, um dos meus preferidos de toda a vida, protagonizado pelo Julia Roberts e pela maravilhosamente incrível diva Susan Sarandon.

Não conheço alguém que tenha o assistido e não se emocionado. O filme (produzido em 1998 e dirigido por Chris Columbus), mostra o conflito de uma família e a incompreensão dos filhos que viram seus pais passarem por uma dolorosa separação e que precisam aceitar o novo relacionamento do pai. É um filme lindo e realmente especial porque não demoniza nenhuma das partes. Não coloca nem a mãe, nem a madrasta como figuras ruins.

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Um dos levantamentos da crítica especializada foi o fato de a doença da mãe deixar de ser um aspecto secundário para se tornar principal. Como se tirasse o foco da separação e encontrasse uma justificativa simples para terminar tudo aquilo da melhor maneira possível. A Susan Sarandon e a Julia Roberts (grandes amigas na vida real) estão incríveis, como sempre. Há uma enorme carga emotiva e difícil não ficar inquieto com o conflito entre elas. As crianças roubam a cena, triste pensar que mesmo com tanto talento, a Jena Malone e o Liam Aiken andem tão sumidos.

Um filme bonito desses (com tão inteligente abordagem emocional), nos lembra que não existe regra ou formula pronta para a paternidade e a maternidade. Ninguém nasce mãe, ninguém nasce pai: torna-se. Impossível não cometer alguns tropeços pelo caminho. Nos lembra também que nenhum casamento vem com a formula da perfeição, que às vezes o amor acaba e que isso pode ser doloroso demais. O casamento acabou, mas os filhos estão aí… e precisam entender que são amados independente do que aconteça.

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Tão delicado olhar sobre o mundo feminino não nos deixa esquecer o lado do pai, interpretado por Ed Harris. Os julgamentos caindo sobre ele, as esperanças perdidas, a culpa. Em suma é um filme que me fala muito, muito além da separação e da doença… é um filme que lembra o quanto temos medo de perder e o quanto temos medo da mudança.

Do universo à jabuticaba

Rubem Alves é um dos meus autores favoritos, seus livros me acalantam a alma, Baixar-Livro-Do-Universo-a-Jabuticaba-Rubem-Alves-em-ePUB-mobi-e-PDFme dão uma incrível sensação de conforto e paz. É um autor de uma imensa sabedoria e, ao mesmo tempo, de humildade. O último de seus livros que li foi “Do universo à jabuticaba”, lançado em 2010. Dessa vez escolhi fazer diferente, estou com este livro há um ano e fui lendo aos poucos, bem aos pouquinhos. Sem pressa, fazendo as minhas marcações, relendo as partes favoritas…

O estilo deste me lembrou muito “Ostra feliz não faz pérola”, pequenas reflexões sobre temas como: amor, religião, saúde…Algumas até um pouco repetitivas, mas nada que atrapalhe a delicadeza e a doçura desse escritor.

 – Citações –

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“A arte chinesa: já notaram que seus cenários aparecem sempre cobertos por neblinas¿ Estão lá porque a alma precisa delas… A vida é cheia de neblinas. Durante a Revolução Cultural, as neblinas foram proibidas. Revoluções são tempos de certezas. Palavras de ordem não toleram brumas, pois é lá que moram os sonhos. Luminosidade total para tornar impossível sonhar”.

“Promessas são palavras que dizem para engaiolar o futuro. Dentro das promessas há sempre um pássaro engaiolado. Posso prometer atos, proteção, companhia, cuidado. Não posso prometer sentimentos “Sei que vou te amar, por toda a minha vida vou te amar” É lindo, mas não é verdade. Atos futuros podem ser prometidos. Sentimentos só podem ser cantados no presente.”

“O segredo do amor é androginia. Somos todos homens e mulheres, masculinos e femininos ao mesmo tempo.”

“Ciúme é a dor no coração ao ver a pessoa amada dando adeus, na fantasia. A cena do pássaro voando é dilacerante. Porque, no ciúme, ele voa para outro… Ciúme não é falta de confiança na pessoa amada. Confio que a pessoa amada nunca me trairá com o seu corpo: conheço o seu caráter. Mas não posso confiar nos seus sentimentos. Não somos donos dos sentimentos, eles se encontram além das nossas verdades”

“Albert Camus, numa frase bem curta, disse que se ele fosse escrever um livro sobre ética, noventa e nove páginas estariam em branco e na última página estaria escrito amor. ”

“A morte não é algo que nos espera no fim. É companheira silenciosa que fala com a voz branda, sem querer nos aterrorizar, dizendo sempre a verdade e nos convidando à sabedoria de viver.”

“Não acredito que haja dor maior que a morte de um filho. A princípio é uma dor bruta, sem forma ou cores, como se fosse uma montanha de pedra que se assenta sobre o peito, eternamente. Com o passar do tempo, essa dor bruta se transforma. Passa a ser muitas, cada uma com rosto diferente, falando coisas diferentes. Há aquela dor que é a pura tristeza pela ausência. Ela só chora e diz: “Nunca mais…” Outra é aquela dor que se lembra das coisas que foram feitas e não deveriam ter sido feitas, coisas que não foram feitas e deveriam ter sido feitas: a palavra não dita, o gesto que não foi feito. É a dor da saudade misturada com a tristeza da culpa. E há outra dor: a tristeza de que o filho não tenha completado o que começara.”

Alejandra Guzmán, conhece?

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Se você não conhece a Alejandra Guzmán ou nunca ouviu as suas músicas, fica o convite. Nesse redemoinho de informações que é gostar do México, eu acabei mergulhando de um jeito que nem percebi. Daí a amiga da amiga da minha amiga indica um cantor, eu fico sabendo, escuto e começo a gostar também. Muito diferente do estilo da Daniela Romo (que monopolizou por muitos meses o rádio do meu carro e os fones do meu celular), Alejandra é uma roqueira de atitude, meio agressiva e até engraçada. Como é mesmo aquela expressão que todo mundo adora usar¿  Excêntrica, isso… Alejandra Guzmán é Excêntrica. (Desculpa, o ponto de interrogação do meu Word está invertido e eu não sei como arruma isso.)

Suas músicas são deliciosas, fora a sua voz rouca inconfundível. Guzmán tem um estilo bem jovial, gosta de misturar ritmos, não tem medo de se aventurar e usa uns looks muito loucos. Tem também o lado romântica, e emplacou grandes sucessos como: Eternamente Bella (que regravou ao ritmo da bossa nova!), Como Ladrones e Mi peor error. – Clique nos títulos para escutá-las.

Vou te contar o que sei sobre ela:

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Silvia Pinal

Alejandra tem 47 anos, uma energia fenomenal, um corpo maravilhoso e uma tonelada de histórias para contar. Por exemplo,  não adianta o quanto ela fuja desse fato, mas não há como mencioná-la sem dizer que é filha que ninguém mais ninguém menos que Silvia Pinal e Enrique Guzmán. Se o nome dos dois não significa nada para você, eu explico: Enrique foi um cantor mexicano que nem fez tanto sucesso assim, mas tinha lá seu charme. Agora a Silvia Pinal é tipo uma Fernanda Montenegro triplicada. É uma baita figura por lá, foi uma das principais estrelas de Luis Buñuel, muito (MUITO MESMO) polêmica e querida pelos mexicanos.

O sucesso dos pais afetou Alejandra, naturalmente. Mesmo a mãe tentando contradizê-la, cresceu muito só. Na juventude fez muita merda,12118890-e102-11e3-8930-19b173b95448_Screen-Shot-2014-05-21-at-12-07-31-PM.png.c sério! (o que não é ruim, porque a fez ser como é hoje… e nos a amamos assim, desse jeito). Frequentou muitas festas, roubou carros de sua mãe, se drogou muito, brigou inúmeras vezes com a imprensa, teve um caso com Rick Martin, se casou com um cara que lhe deu um terrível calote e teve a Frida. (uma menina linda, que já tem mais de vinte anos e que mudou a vida de Alejandra, fazendo-a ser mais centrada)…

Há seis anos ela travou uma dolorosa batalha contra um câncer no seio, fora a terrível sensação de precisar ficar internada e se submeter à várias cirurgias, também teve que se recuperar de uma erro médico que aconteceu quando realizava um procedimento estético.

sobre o amor e o que eu não sei…

Deveria existir um manual que nos explicasse como agir diante do amor. Mas não igual aqueles dos filmes românticos melosos, que tratam das relações como se fossem um quebra-cabeça simples. A gente sabe que a vida real não é assim.  Ultimamente tenho me questionado muito sobre isso, sempre tive um discurso libertador, de amor livre e todas as vezes que tentei praticá-lo, bati de cara com a porta. O problema era eu, claro. Esperava dos outros algo que não podia ter e oferecia algo que eles não queriam. Não sei se isso acontece com todo mundo, mesmo com 25 anos, digo abertamente e claramente que não estou preparada para amar. E isso é tão, tão, tão triste! Não acredito na concepção de amor romântico, mas acredito em amor. E acho que o amor está na aceitação, no fato de você querer a pessoa do jeitinho que ela é. Não tentar impor uma mudança de hábitos, não questionar a história, não virar as costas para a sua família. É claro, isso não significa se sujeitar a tudo… Não significa falta de interesse, falta de entendimento e conhecimento. É querer saber a origem do outro, saber como ele se sente diante de um problema. É estar lá, sem nada pedir em troca.

 

Aracy Balabanian: Nunca fui anjo

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Surpreendente. Se tivesse que fazê-lo,  assim classificaria a pequena biografia da Aracy Balabanian, escrita por Tania Carvalho para a Coleção Aplauso. Sempre fui fã de Aracy; desde muito pequena a assistia em Sai de Baixo… eterna Cassandra Matias Salão. Cheguei a ver algumas novelas também, como a Próxima Vítima, quase vibrava quando ela aparecia. Acho ela linda, diferente, bem-humorada e super elegante. Fui lendo a biografia durante a viagem que fiz para Minas Gerais, fiquei surpresa com algumas revelações e com a coragem dela de falar tão abertamente sobre assuntos polêmicos. A própria autora chama atenção para o fato de as celebridades da atualidade viverem imersas no mundo das revistas e da exposição, enquanto Aracy, por outro lado, sempre foi meio “anacrônica”, daquelas que nunca gostou de falar muito de sua vida pessoal.

O livro se chama “Nunca fui anjo”, e o título, mais do que uma referência à uma lembrança da infância de Aracy (que queria se vestir de anjo na igreja e não a deixavam porque tinha os olhos caídos) é também alusão a sua própria personalidade artística, encarada como uma mulher séria e certinha demais. Imagine, ela fala com clareza sobre os dois abortos que fez, sobre como perdeu a virgindade e sobre o fato de questionarem a sua sexualidade.

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Sua experiência na TV e no Teatro são boa parte de tema para o livro. Incrível, incrível mesmo, poder ter conhecimento  de suas histórias, de suas dificuldades no palco, das censuras, dos assédios, das lutas políticas e dos relacionamentos com os colegas. A gente sabe que o meio artístico é muito disputado, mas ouvindo essas histórias é possível ter uma dimensão da coisa. Aracy não possui uma beleza clássica, e mesmo assim, com sua grandiosidade, foi protagonista e interpretou mocinhas e vilãs , tornando-se um sucesso no Brasil inteiro.

Interessante é a sua relação com os irmãos, ora problemática, ora de afeto extremo. E ela fala claramente sobre as brigas familiares. Demonstra muito carinho pela mãe e pelo pai, e deixa claro o quanto eles foram importantes para a sua personalidade: “Muita gente acha que sou armênia, mas nasci no Brasil e meus pais, Raphael e Esther, ambos armênios, sempre tiveram uma enorme preocupação: que seus filhos fossem bons brasileiros. A Armênia permanece viva em mim, nas histórias que ouvi, a minha vida inteira, e que o meu pai e a minha mãe contavam com muita emoção”.

“Eterna Fênix” foi um dos títulos cogitados para o livro. A ideia da autora e da atriz era criar uma relação metafórica à carreira de Aracy, que mesmo com altos e baixos, nunca caiu no esquecimento… “Ela sempre ressurge”. Também relacioná-lo ao drástico acidente que Aracy sofreu e que, segundo ela, mudaria seu modo de ver a vida. “Eu nasci em 1940 e posso dizer que renasci em 1994. Neste ano, um incêndio acabou com o meu apartamento. O fogo lambeu os móveis, as janelas, dinheiro, roupas, capas de revista, fotos, a minha história. Fiquei uma pessoa sem lembranças, e isso foi o que mais doeu. Dizem os espiritualistas que o fogo limpa. E como uma fênix renasci, porque descobri que sempre se pode começar de novo”.

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Citações:

Posso dizer, também, que fui cobrada por não ser mãe. Não me deixam em paz. Uma vez, estava no corredor, indo para a maquiagem e ouvi uma atriz jovem, bonitinha, reclamando com a maquiadora (atenção, eu sou a rainha da equipe): “Para de falar Aracy, Aracy, Aracy Balabanian já era!” Entrei e rebati: Tomara que, quando você for, chegue a ser como eu. Ela me jogou na cara a sua maternidade: “Me respeite, porque sou mãe”. “Sem problema minha filha, a puta também pariu”.

CarvalhoTania_aracybalabanianPor fim, além de virgem, sem filhos e solteirona, às vezes as pessoas dizem que sou homossexual. Foram falar para a Guta, a diretora de elenco da Globo, e ela me chamou para perguntar. A primeira pessoa que saberia seria você, para quem não escondo nada. Parênteses, Guta foi uma pessoa muito importante na minha vida, alguém que tinha um amor incondicional por mim e por isso mesmo eu a chamava de mãe. Se chegasse para ela e dissesse que tinha virado sapata, ela aceitaria na hora. Mas a verdade é que jamais me interessei por mulheres. Sou freudianamente ligada ao meu pai, à virilidade. O que me atrai é a diferença, não a semelhança. Já até pensei no assunto, arrisquei bater umas pestanas para algumas mulheres que me assediaram, mas não passou disto, não mesmo.

(Sobre Sai de Baixo): O Miguel fazia loucuras em cena. Soprava no meu ouvido o texto, beliscava a minha bunda. Um dia, estavam sentadas na primeira fila minhas duas irmãs mais velhas. Ele me levou para a frente do palco e perguntou para a platéia se eles sabia como eu era chamada na escola. E arrematou: “Pizza gigante, dava para oito ao mesmo tempo.” As minhas irmãs abaixaram a cabeça. Não satisfeito ele continuou: “Produção, tira estas velhas chatas aqui da frente porque elas não querem rir  de nada”.

Não sei se sou muito boba, acho que sou, porque era a única que queria continuar. Sentia-me no melhor dos mundos. […] Sai de Baixo me permitiu uma tranquilidade financeira, além do salário, recebíamos muitas coisas a mais. Como o elenco brigava o tempo todo por vantagens, eu acabava usufruindo.  Foi com o dinheiro que ganhei em Sai de Baixo que pude comprar este apartamento em que vivo agora e consegui fazê-lo exatamente da maneira que queria.

A condessa sangrenta

A Condessa Sangrenta

Acho que é a primeira vez que eu leio um livro e fico com medo. Talvez isso tenha acontecido porque o li de madrugada, quando a casa estava escura e num silêncio absurdo. De qualquer forma, confesso…. fiquei com medo. O livro me chamou atenção pelo erotismo da capa e pelo tema, uma abordagem meio romantizada da famosíssima Condessa Bathory, considerada “uma das mulheres mais perversas e sanguinárias que a humanidade já conheceu”.

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O livro é bem pequenino, apenas 54 páginas e repleto de ilustrações assustadoras. A autora, Alejandra Pizarnik, relata as histórias das torturas de maneira lírica e poetizada, ao mesmo tempo em que traz uma série de histórias bizarras e obscuras (repletas de erotismo). Difícil não mergulhar nesse universo melancólico e assombroso da Condessa, que vivia solitária em seu enorme castelo se deliciando com os gritos de dor das jovens que torturava e com aversão a velhice.

Não se discute no livro se  história sobre a Condessa é ou não ponto de partida para a criação de um mito, o que se explora é o encantamento e a curiosidade que ela desperta. Afinal, foram mais de 600 jovens assassinadas.  A autora explica, por exemplo, que a Condessa tem origem de uma família problemática, muito rica e influente. Além de comentar sobre a indiferença do marido, ela também levanta a possibilidade da Condessa ter sido lésbica, relata como eram os banhos de sangue que ela tomava e conta como foi o seu fim (presa no castelo, abandonada por todos, sem demonstrar arrependimento).


Citações

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“Nunca puderam ser esclarecidos os rumores acerca da homossexualidade da condessa, ignorando-se tratar-se de uma tendência inconsciente ou se, ao contrário, aceitou-a com naturalidade, como um direito a mais que lhe correspondia. No essencial, viveu submersa de um âmbito exclusivamente feminino.”

“Escolhiam-se várias moças altas, belas e resistentes –  sua idade oscilava entre os 12 e os 18 anos – e arrastavam-nas à sala d torturas onde esperava, vestida de branco em trono, a condessa. Uma vez maniatadas, as criadas as flagelavam até que a pele do corpo se dilacerasse e as moças se transformassem em chagas tumefatas; aplicavam-lhe os atiçadores em brasa, cortavam-lhe os dedos com tesouras ou guilhotinas, espetavam suas chagas, praticavam-lhes incisões com navalhas (se a condessa se cansava de ouvir gritos, costuravam suas bocas, se alguma jovem se desvanecia rápido demais, ajudavam-na fazendo queimar entre suas pernas papel embebido de óleo). O sangue emanava como um gêiser e o vestido branco da dama noturna trotava-se vermelho. E tanto, que tinha que ir ao seu aposento e trocá-lo por outro”.