Uma lição de amor

Uma lição de amor é um daqueles filmes que se assiste com o lenço do lado. É difícil segurar as lágrimas em um longa tão dramático e bem construído. A trama traz a história de Sam (Sean Peann), um pai solteiro com deficiência mental que cria com a ajuda dos amigos sua pequena filha, Lucy (Dakota Fanning). Quando Lucy completa sete anos e começa a superar a inteligência do pai, uma assistente social decide colocá-la em um orfanato. Desesperado, Sam procura a ajuda da advogada Rita Harrison (Michelle Pfeiffer) para tentar recuperar a guarda da filha.

 Dirigido e roteirizado por Jessie Nelson (Lado a Lado, Corina uma babá perfeita), ‘I am Sam’ (título original em inglês) é uma produção que acerta na abordagem, no roteiro bem construído, na fotografia, nas atuações e na incrível trilha sonora. Falando assim, parece até exagero, mas o fato é que Nelson fez um trabalho notório: soube utilizar câmera subjetivas, construiu uma iluminação perfeita e criou uma atmosfera respeitável: apesar do tema denso, a perspectiva é leve e dinâmica.Uma lição de amorSean Penn está incrível, se sobressai de todas as formas. Inclusive, há quem diga que ele improvisou grande parte de suas falas, o que torna o seu trabalho ainda mais admirável. Dakota Fanning por sí só já é uma delícia de se ver em tela, a garota esbanja fofura e inteligência e não fica pra trás quando contracena com monstros do cinema americano, entre eles Dianne Wiest.

Quem acompanha o La Amora sabe que Wiest é um dos meus grandes amores e é fato que, apesar da atriz ter uma participação pequena no filme, sua personagem – uma pianista com transtorno compulsivo que não sai de casa há 28 anos e ajuda Sam a criar Lucy – é marcante e fundamental para a trama. Michelle Pfeiffer – que mulher linda! – teve a inteligência de não deixar seu personagem cair no clichê e fez de Rita (uma advogada atribulada e com problemas familiares) um personagem forte e carismático.

I am Samtumblr_mcyp43Xolx1qbnr62o1_500Uma das questões que o filme levanta – e que talvez não fique bem claro no início – é a relação entre pais e filhos (não só entre Sam e Lucy), o argumento é muito mais abrangente do que isso. Os diálogos, em sua maioria com um toque sentimental, nos coloca contra a parede quando pergunta: existe alguém perfeito quando o assunto é a criação dos filhos?  Quem é mais bem sucedido: Rita – uma advogada de sucesso que não tem tempo para ficar com o filho ou Sam, um doente mental que trabalha em uma cafeteria e tem uma filha que é apaixonada por ele?

Sam faz de tudo para ficar perto da filha, ele até se muda para uma casa ao lado onde ela vive com os pais adotivos e arruma outro emprego para complementar a renda. O interessante é que não há ‘vilões’ nessa historia, apenas diferentes pontos de vista. A mãe adotiva tenta conquistar Lucy de várias maneiras e por fim reconhece que, apesar do retardo de Sam, Lucy teve o principal: amor.

Filme lindo e delicioso, daqueles que a gente não se cansa de ver. Boa pedida num dia chuvoso… 🙂

Carrie, a estranha

A nova versão de “Carrie, a estranha” foi um dos filmes que mais esperei esse ano. Tive a oportunidade de assisti-lo ontem e apesar das poucas surpresas, saí da sala satisfeita. Dirigido por Kimberly Peirce (Os meninos não choram), o longa faz uma releitura do famoso romance escrito por Stephen King (em 1974) e traz Chloe Moretz e Julianne Moore nos papéis principais.

Carrie ChloeA trama conta a história de Carrie White, uma adolescente introvertida que sofre perseguições na escola e é reprimida pela mãe (uma religiosa extremista). Durante o colegial, Carrie passa por inúmeras situações constrangedoras e sofre  com o deboche dos colegas que não compreendem seu comportamento. Não bastasse a desconfortante situação, Carrie descobre que possui poderes telecinéticos.

King escreveu Carrie quando tinha apenas 26 anos. Diz a lenda que ele quase desistiu de publicá-lo, mas foi impedido por sua esposa. Em 1976, Brian de Palma se interessou em filmá-lo; na época King recebeu apenas 2.500 dólares pelos direitos do filme, mas acreditava que estava com sorte por esse ser seu primeiro livro.

Brian de Palma escolheu para o papel principal a Sissy Spacek, na época uma atriz desconhecida. Para o papel de Margareth, Piper Laurie – que assim como Spacek – recebeu uma indicação ao Oscar. O filme, que foi um estouro, contava com outros atores principiantes, entre eles: Amy Irving, John Travolta e William Katt.

Um remake desnecessário

Sou apaixonada por Julianne Moore e espero que seus fãs não me levem a mal, mas a nova versão de “Carrie, a estranha” não supera, de forma alguma, o trabalho de Brian de Palma. Como disse anteriormente, é um bom filme… mas desnecessário. Pra começar, Chloe Moretz (que é uma ótima atriz, grande promessa) não é uma garota estranha, não tem maturidade para o papel e não convence. A pequena, que aliás – é linda – faz caras e bocas e exagera em momentos que sugerem introspecção. Angela Bettis (que interpretou Carrie, em 2002) e Sissy Spacek levam todo o mérito, estavam perfeitas.

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[ Aliás, só pra constar, adoro o jeito que a Angela Bettis entorta os olhos quando Carrie começa a desenvolver seus poderes. A atriz, que é realmente estranha, sabe a medida certa do personagem e nos faz ter dó e medo ao mesmo tempo. ]

A versão de 2013 tem os efeitos tecnológicos a favor e faz com que o filme fique mais dinâmico, mais surpreendente – o que é uma vantagem, mas não o principal. Além disso há um acréscimo a história, as redes sociais. Quando Carrie menstrua pela primeira vez e passa pelo vexame público, suas colegas não só debocham dela como também publicam o vídeo na internet, gerando uma onda de cyberbulling.

As diversas faces de Margareth White

ImagemJulianne Moore impressiona desde a primeira sequência em que aparece em cena. Aos berros e completamente ensanguentada, Margareth acredita que está morrendo de câncer quando na verdade está dando a luz a uma menina. É admirável a maneira em que Kimberly Peirce consegue nos fazer perceber, já no início do filme, o fanatismo dessa mulher que ao se deparar com o bebê se questiona se deve entregá-lo ou não a Deus. O nascimento de Carrie (que não é tão bem explorado nas outras duas versões) é, sem dúvidas, um importante aspecto que nos faz compreender a complexidade dessa relação desde o ponto de partida. No longa de 2002 a passagem do nascimento é muito rápida e a Patrícia Clarkson já aparece com o bebê no colo, sem nenhum tipo de diálogo.

Piper Laurie traz uma Margareth intensa, que fala alto e às vezes até exagera em suas ênfases. É a típica religiosa fervorosa. A atriz explora não só a alma do personagem como também o seu corpo, o que permite que a Margareth da primeira versão seja muito mais teatral do que as outras. É engraçado porque o aspecto de Laurie, com aqueles cabelos vermelhos e volumosos, dá ao personagem uma certo mistério e sensualidade que falta nas outras versões. Enquanto Moore e Clarkson optaram por uma Margareth mais introspectiva, Laurie faz com que Margareth pareça mais lunática, mais cruel e assustadora – e que quase tem orgasmos enquanto reza.

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A versão de 2002 apresenta uma Margareth menos violenta do que as outras, ela não tem o costume de bater na filha, a tortura é muito mais psicológica do que física. Clarkson também não apresenta as características mais marcantes da Margareth: os cabelos desgrenhados e o autoflagelo. Apesar disso, Clarkson é perfeita para o papel, em nenhum momento duvidamos do seu fanatismo e de sua crueldade. Ela constrói uma Margareth observadora e silenciosa. Moore também segue essa linha, mas é mais materna e protetora do que as outras.

Uma das coisas que mais me agradou na última versão é que fica muito claro que Margareth é uma mulher doente e sádica. As passagens em que Moore se autoflagela (bate a cabeça na porta, arranha o braço e corta a perna) mostra o quanto ela é insana e perigosa. Moore está muito menos caricata do que Laurie e nos permite imaginar que Margareth poderia ser uma mulher qualquer, uma pessoa comum, morando ao nosso lado, frequentando os mesmos lugares que a gente e passando desapercebida.

ImagemSobre a morte da Margareth, apenas uma observação: nada se compara com a cena do primeiro filme. A versão de 2002 e a de 2013 possuem a tecnologia e os efeitos de vídeo a favor, mas o de 1976 não é só mais denso como também mais obscuro. Em 2002, a Margareth morre de um ‘infarto’ provocado por Carrie, o de 2013 é mais fiel e Margareth morre esfaqueada. Em 1976, Margareth – depois de tentar assassinar a filha, também morre esfaqueada e fica pregada na parede em uma posição que parece com Jesus Cristo crucificado, mas Laurie não apenas atua, ela dá um SHOW! É difícil exprimir a intensidade da cena, a forma em que ela se regozija enquanto morre. A cena é maravilhosa e não é atoa que se tornou clássica.

Centopeia Humana 2

Inúmeras listas que indicam filmes grotescos rondam sites de cinema há algum tempo, não é de se assustar que Centopeia Humana 2 faça parte da maioria delas.  A sequência do polêmico filme de Tom Six, Centopeia Humana (de 2009) é uma produção mais densa e obscura e traz cenas bem chocantes. Com a mesma premissa do primeiro filme, Centopeia Humana 2, conta a história de Martin, um homem estranho e solitário que é obcecado pelo filme ‘A Centopeia Humana’ e decide colocar em prática os experimentos que são mostrados no longa. Martin, que trabalha em um estacionamento, sequestra e tortura os clientes e depois une todos eles – costurando a boca no ânus uns dos outros.

ImagemMartin (interpretado por Lawrence R. Harvey) não só possui um aspecto esquisito como também não transmite nenhum tipo de carisma. O homem baixinho, com os olhos esbugalhados, barrigudo e suado é totalmente pirado e cruel – e isso fica evidente desde o início da trama. Pra completar, Martin ainda vive sob domínio de uma mãe igualmente cruel que o humilha e o tortura psicologicamente há anos.

A verdade é que a ideia de costurar a boca de uma pessoa no ânus de outra pessoa é por si só surpreendente (e inquietante). Em Centopeia Humana 2 há ainda um toque de sadismo e violência e não é de se estranhar que o filme tenha sido banido em alguns países. As cenas sugerem situações escrotas como comer fezes, ter a língua cortada, o joelho quebrado, os dentes arrancados e o crânio amassado. Dessa vez as vítimas são em maior quantidade e a carnificina é ainda mais nojenta. Pra completar a bizarrice Martin não deixa escapar nem uma mulher grávida, prestes a dar a luz!

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Incrivelmente sábio, Six conseguiu unir vários aspectos que chamam atenção em um filme – principalmente para quem gosta do gênero: tema polêmico, produção de baixo custo, cenas grotescas e suspense. Mas é claro que não é só isso que faz de Centopeia Humana 2 um filme interessante, há aspectos estéticos que merecem atenção. Não bastasse fazer o filme todo em preto e branco, Six optou por usar uma trilha sonora seca e apresentar poucos diálogos. A atmosfera do filme, que já não é leve, fica ainda mais densa com uma alta exploração sensorial: a todo tempo vemos mosquitos voando, personagem ensanguentados ou suados que exprimem o mal cheiro e provocam repulsa.

Six prometeu uma sequencia final (prevista para Junho de 2014). De acordo com o diretor holandês, o filme será 100% Politicamente Incorreto e a Centopeia Humana terá mais de 500 pessoas!

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Reba

Reba é uma das figuras mais simpáticas do entretenimento americano. A ruiva texana que adora fazer caretas e não importa com comédias pastelão é quase uma ‘versão’ contemporânea da Lucille Ball.  Eu comentava na publicação anterior sobre ‘Malibu Country’ uma série que ela fez recentemente, mas que não teve o sucesso esperado e não foi renovada.

Em 2000, Reba estrelou um sitcom produzido pela Warner Bros que levava seu nome e trazia o cotidiano de uma família convencional, repleta de problemas. O seriado durou até 2007 e bateu recordes de audiência (conquistando um público de seis milhões de espectadores por episódio – na época ‘Reba’ era transmitido às sextas feiras e foi o programa de comédia mais assistido do canal, superando inclusive 7th Heaven).

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Eu, que não sou muito fã das séries da Warner, caí de joelhos e quando o programa foi retransmitido assisti tudo sem perder nem um capítulo. Diferente de Malibu Country, “Reba” tinha um ritmo impecável e atuações de tirar o fôlego – a começar por Melissa Peterman e Steve Howey que roubavam a cena toda a vez que apareciam.

O episódio piloto especifica bem do que se trata a série: Reba é uma dona de casa que está casada há mais de vinte anos com Brock, um dentista bonitão e desligado. No mesmo dia em que descobre Brock engravidou sua secretária (a hilária Barbra Jean), Reba também toma conhecimento de que sua filha de dezessete anos, Cheyenne, está grávida de um colega da escola: Van.

Seus outros filhos são Kyra, uma adolescente mal humorada e Jake, que tem apenas nove anos. Como se não fosse possível piorar a situação, Reba se separa de Brock e ele compra uma casa em frente a sua e passa a viver lá com a ‘nova’ esposa que não a deixa em paz. Cheyenne abandona a escola e Van, que era uma visita constante, passa morar com Reba.

Reba

rebaDirigidos por Allison M. Gibson, “Reba” era a típica comédia leve e familiar que foi ganhando popularidade ao longo do tempo. É interessante porque os episódios, em sua maioria, só possuem vinte e dois minutos e o desenrolar dos plots são muito rápidos. E é claro que os personagens foram se desenvolvendo e ganhando características marcantes.

Existe um vídeo feito em comemoração a quinta temporada – disponível no Youtube – onde eles mostram o ‘backstage’ e fazem algumas revelações interessantes.  Reba não foi a primeira escolha para o papel principal, ela precisou fazer testes pra ser aprovada. Em entrevista os produtores chegaram a dizer que inicialmente o personagem da Reba se chamaria “Saly”, e há inclusive algumas cenas onde os personagens a chamam assim. Joaana Garcia foi escolhida para o papel antes mesmo de Reba e ficou extremamente insegura depois que lhe contaram que a cantora participaria do programa. Joanna afirmou que não se parecia nada com Reba e achava que as pessoas não acreditariam que eram mãe e filha.

RebaaaNesse mesmo vídeo os produtores falam algo que faz todo o sentido. Reba também teve sucesso devido a proximidade que tinha com assuntos que rondam a família contemporânea. Os episódios abordavam a gravidez na adolescência, a traição, a falta de dinheiro, a velhice, o divórcio, desemprego (…) e apesar do humor exagerado/escrachado tinha um toque de realidade. Os próprios personagens fugiam dos estereótipos, a começar pela Barbra Jean que apesar de ser a ‘amante loira’ de Brock, era uma mulher ‘grandona e desajeitada’.

Em falar em Barbra Jean, eu sinceramente ADORO os momentos em que ela está em cena. Barbra tem um incrível fixação por Reba e não esconde o quanto a admira. Todos os outros personagens ao mesmo tempo que a amam a odeiam porque ela não tem nenhum senso e, na maioria das vezes, é a culpada dos problemas que surgem ao longo dos episódios. Melissa Peterman é única e tem um “quê” tão original e teatral que merece destaque.

Só pra constar: graças ao Youtube há inúmeros capítulos completos disponíveis

Malibu Country

Procurava por uma música da Reba McEntire e acabei conhecendo a série “Malibu Country” por acidente.  Produzida em 2012 pela ABC, o programa conta a história de Reba Gallagher, uma mulher que após descobrir que estava sendo traída pelo marido (que é um cantor famoso) decide se mudar com a mãe e os filhos para Malibu e tentar recomeçar sua carreira.

Pra quem não sabe a Reba McEntire é, na vida real, uma cantora americana de sucesso e extremamente conceituada no “mundo” country. Em 2001 ela protagonizou uma série popular chamada “Reba” onde interpretava a matriarca da família texana Hart (exibida no Brasil pela FOX.)

ImageDessa vez Reba é uma cantora que abriu mão da carreira pela família. Depois de anos (e de um casamento desastroso) ela se muda para a Califórnia e procura a ajuda de um produtor musical para tentar fazer sucesso. Sua mãe, Lillie Mae, é uma senhora esperta e mal humorada que adora maconha. Sua filha June (Juliette Angelo) é cobiçada pelo vizinho que finge ser gay só para se aproximar dela e seu filho Cash (Justin Prentice) enfrenta uma crise existencial.

Além das novas dificuldades de uma mãe solteira, Reba precisa aturar a presença de Kim Sallinge (Sara Rue) sua vizinha sem noção que volta e meia invade sua privacidade. Aos poucos Reba se torna amiga do assistente George que é gay assumido e faz de tudo para lhe arrumar um namorado.

ImageMalibu Country é uma releitura de Reba, mas sem os toques especiais que a antiga série tinha.  Reba McEntire por si só garante grande parte da dinâmica do show, mas não é suficiente para sustentar a repetição quase grosseira de certas piadas. Só pra constar, levei um susto quando vi que a avó que adora maconha é a Lily Tomlin. Eu não me dei conta do seu envelhecimento e só depois descobri que ela tem 74 anos, portanto é plausível que ela seja a mãe da Reba (que tem 58 anos).

Kim Sallinge é uma cópia mal feita da Barbra Jean, o que me deixou bastante decepcionada. Em “Reba”, Barbra Jean era a esposa do ex-marido da Reba – são muitas “Rebas” pra um programa só né? –  e garantia as cenas mais hilárias do show. É uma pena, mas a série foi cancelada na primeira temporada e não tivemos tempo de ver o desenvolvimento dos personagens. Só há dezoito capítulos disponíveis e o curioso é que apesar de não ser bem recebida pela crítica, Malibu Country conquistou o público e alcançou a marca de oito milhões de espectadores por episódio.

Filtro retrô para fotos!

ImagemNão sei se cheguei a falar isso aqui no La Amora, mas sou apaixonada com o Instagram e sempre que posso publico uma imagem. Uso e abuso dos filtros retrô (ou vintage) porque acho que dá um “ar” especial. Há quem critique o uso exacerbado de filtros e afirme que eles fazem com que as imagens fiquem muito artificiais. Em parte eu concordo, mas acho que os filtros são uma facilidade pra quem gosta de tirar fotos por curtição (como é o meu caso).

Pois bem, eu tenho um probleminha: não domino o Photoshop ou qualquer outro programa de edição de imagens. Agora a pouco esbarrei em um software (que pode ser usado online) e que faz todo esse serviço de uma maneira rápida e simples. Vou deixar a dica para quem quiser experimentar, o editor se chama Pixlr-o-matic, é muito fácil de usar e apresenta diversas possibilidades de combinações (mais de 25 mil opções!).

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Um beijo como resgate

Tenho boas recordações em relação a este filme e foi justamente por isso que resolvi escrever sobre ele hoje.  Estava fazendo uma pesquisa de rotina pelo Filmow e percebi que poucas pessoas o assistiram, o que é uma pena.  ‘Um beijo como resgate’, filme de 1999, dirigido por James Lapine está longe de ser um clássico, é uma leve comédia romântica com diálogos interessantes e boas atuações, nada mais do que isso. Apesar de alguns contras, Um beijo como resgate é um longa que te prende do início ao fim e que te surpreende no final.

um-beijo-como-resgateGosto desse filme em especial porque me traz boas lembranças da infância, recordo-me perfeitamente de uma locadora que ficava perto escola e que eu adorava frequentar. Um dia o filme (em VHS) apareceu nas prateleiras de baixo e quando vi o rosto da Susan Sarandon na capa, tomei um susto. Peguei com medo de que alguém o locasse na minha frente. Foram semanas levando a fita para casa e quando não levava, passava na porta da locadora para ver se ela estava lá. Com o tempo a locadora fechou e eu nunca mais o vi.

A trama conta a história de Charlotte Emery, uma mulher de quarenta anos, completamente entediada com a vida e com o casamento. Após o desinteresse no marido, o influente e ocupado pastor Zack Emery (Jay O. Sanders), Charlotte decide fugir de casa. Justamente neste dia, o banco em que Charlotte se encontra é assaltado e ela é feita de refém por Jake Simms Jr. (Stephen Dorff). Jake assalta o banco com planos de encontrar e ajudar sua namorada Mindy (Elisabeth Moss) que está gravida. Apesar de se estranharem no inicio, Jake e Charlotte acabam se apaixonando e, por isso, decidem fugir juntos.

Susan Sarandon, que já não é mais nenhuma menina, interpreta muito bem a mulher que sacrificou a juventude e as vontades para sustentar um casamento infeliz. Depois de fugir com Jake os desejos de Charlotte voltam à tona e ela percebe que não é tarde para levar uma vida prazerosa.  É engraçado porque o relacionamento entre Charlotte e Jake começa como uma ligação entre duas pessoas sem esperança: apesar da juventude, Jake esta fadado ao fracasso, sem emprego, sem estudo e sem condições de ajudar a ex-namorada grávida. Charlotte possui boa vida, “um bom marido”, mas é completamente infeliz.

Ironicamente (e apesar da vontade de estar junto a Jake) Charlotte não se permite amar porque está presa as convenções sociais e não acredita que duas pessoas de idades tão diferentes possam se relacionar.

O bacana é que uma das reviravoltas no roteiro acontece quando a polícia levanta a suspeita de que os dois são na verdade cúmplices (é um detalhe que o público entende desde o começo e que, de alguma forma, torce para que isso não aconteça). Charlotte passa de refém para bandida e com o auxílio da imprensa a imagem do casal é vinculada em todo o estado.

Um beijo como resgate é um filme muito doce e que vale a  pena ser visto. [Me lembrei agora de uma cena divertida onde Charlotte invade uma casa e rouba a roupa de uma garota adolescente – a atriz que interpreta a garota é a Eva Amurri, filha da Susan Sarandon! ]

Não existe vida errada

Estou prestes a me tornar oficialmente uma jornalista, formo no começo do ano que vem. Tenho que confessar, estou morrendo de medo – um medo bobo, mas que não me abandonou nesses últimos dias. Essa sensação de que “agora você está crescido e precisa começar a tomar o seu rumo” é muito assustadora. Tenho pensado em coisas que não me preocupavam antes. Eu não sei se toda pessoa chega aos vinte e dois anos com essa neura, mas há tantas coisas que me preocupam que eu poderia fazer uma lista delas. (Eu fico pensando: poxa, eu preciso viajar, preciso me mudar, quero ter filhos. Essas coisas, sabe?)

Semana passada uma vizinha – aliás, muito querida – se casou, ela (só) tem vinte e cinco anos. Quero dizer, daqui há três anos eu terei a idade dela e acho muito difícil seguir o mesmo rumo. Não que exista uma idade certa, uma regra… mas ela estava tão decidida, tão certa de tudo, que até me bateu uma dúvida: será que eu tô atrasada?

Minha mãe começou a trabalhar com apenas dezesseis anos, na minha idade ela já assumia as contas da casa. Com a mãe de uma das minhas melhores amigas também aconteceu dessa forma, ela engravidou aos 18 e aos 19 já estava casada, ministrava aulas e construía uma casa. Eu não sei se antigamente as coisas aconteciam muito rápido ou se atualmente as coisas estão lentas demais.

Ao mesmo tempo _ pode parecer piração, mas eu também tenho outro medo, é o de chegar lá na frente e pensar: eu fiz tudo errado! Arrependimentos fazem parte da vida, não acredito que alguém com 50 anos não tenha nenhum. Mas eu tenho um receio tão grande de perder o estímulo, de chegar em uma certa idade e pensar:

Feliz Amor a vidaOutro dia ouvi uma história que me deixou encucada. Uma mulher comentava com a outra que se tivesse casado com “aquele primeiro namorado” teria sido muito mais feliz. Ela tinha certeza disso e mais, ela ainda nutria o desejo de reencontrá-lo, mesmo dormindo ao lado de outro homem há mais de quinze anos.

Eu sei que esse texto parece um ‘blá bla blá’ interminável, mas eu juro que tenho pensado nisso demais: é incrível como a vida nos prega peças e a gente nem se dá conta disso. A vida nos obriga a fazer escolhas e hora ou outra, vamos colher os frutos.Image

Acabei de folhear um livro da Martha Medeiros e coincidentemente caí em uma crônica chamada “E se tivesse sido diferente?” onde ela diz o seguinte: “Se fizermos uma auditoria em nossas vidas, em algum momento questionaremos: ‘e se tivéssemos feito diferente?” O diferente teria sido melhor e teria sido pior. Então o jeito é curtir nossas escolhas e abandoná-las quando for preciso, mexer e remexer na nossa trajetória, alegrar-se e sofrer, acreditar e descrer, que lá adiante tudo se justificará, tudo dará certo. Algumas vidas até podem ser tristes, outras são desperdiçadas, mas, num sentido mais absoluto, não existe vida errada”

Acho que a Martha Medeiros tá certa, se você ficar avaliando cada decisão certa/errada que você tomou na vida você acaba pirando. Eu não diria que é preciso ligar o botão do ‘fodas’, mas alguma coisa precisa ser feita – a vida nos exige isso, que a gente siga em frente.

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Chastity Bites

Ontem eu estava atoa, doida pra assistir um filme e me deparei com “Chastity Bites”, uma produção que satiriza o gênero de terror e apresenta uma mistura de drama adolescente com uma pegada bem trash. Li algumas críticas no IMDB e nenhuma foi favorável o que me pareceu um pouco injusto porque a trama é muito divertida.

O filme brinca com uma figura histórica, a Condessa Elizabeth Bathory. No início de 1600, Bathory matou mais de 700 mulheres jovens e virgens pois acreditava que se ela se banhasse de sangue ficaria bonita para sempre. Com seus pactos e magias, Bathory conseguiu manter-se viva até os dias de hoje – mas como uma condição: precisa renovar seu ritual anualmente.

Em busca de novas vítimas, a Condessa se apresenta como uma educadora de abstinência sexual no colégio San Griento e convence a um grupo de jovens a se manterem virgens até se formarem. Bathory só tem um problema: a jovem Leah – uma estudante feminista e aspirante a jornalista – que desconfia do seu segredo.

home_bg_02Eu diria que Chastity Bites é uma releitura gótica de ‘Meninas Malvadas’. Há todo um clima de colegial e de disputa que exagera nos clichês e nas piadas carregadas de sexualidade.  Lotti Pharriss (roteirista e produtora do filme) e John V. Knowles (diretor) se apoiaram em séries de entretenimento que ganharam os cinemas americanos nos últimos tempos (como, por exemplo, Todo mundo em Pânico = que não trata do mesmo tema, mas possui uma estética bem semelhante).

Quando li a sinopse de Chastity Bites me lembrei logo da Madame Lalaurie (personagem da Kathy Bates em American Horror Story) que assim como no filme usa sangue de pessoas jovens e acredita ficará bela para o resto da vida. Aliás, Elizabeth Bathory realmente existiu, há muitos mistérios que rondam sua figura e vários relatos de tortura e sadismo, dizem até que a ‘Condessa Drácula’ era ocultista, alquimista e praticante de magia negra.

No mais, eu amei o fato da protagonista ser jornalista e feminista – me lembrou alguém, sabe? Também adorei a Jennifer Gimenez, meu Deus, cada vez que a mulher aparecia em cena eu começava a rir! Gimenez tem um jeito muito engraçado, exagerado *que lembra demais a Goldie Hawn.