FURACÃO ELIS!

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A estréia da série global sobre a vida da Elis Regina causou certa expectativa nos fãs, trazendo Andrea Horta como a imortal pimentinha. Ainda não tive a oportunidade de assistir aos episódios da produção, mas logo me lembrei do livro da Regina Navarro: “Furacão Elis”, uma obra bem interessante sobre a sua vida e carreira —  e que vale a pena ser lido por quem curte a cantora.

Então, deixo a dica da leitura…

A biografia, relançada em 2012, fala da intensa relação de Elis com a música e da sua luta para conquistar o respeito dos colegas da área. Além de uma visão sobre o seu lado (extremamente) profissional, temos também uma perspectiva mais aprofundada sobre a sua vida pessoal: relacionamentos amorosos, amigos e família.

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Não é novidade para ninguém que Elis mergulhava em tudo que fazia. Mas, por meio do livro, é possível perceber que ela era, também, uma cantora com apelo performático e, por vezes, repleta de inseguranças. Um exemplo bem interessante de tudo isso é que a cantora chegou a ser criticada por não tocar nenhum instrumento durante suas apresentações e, sempre muito inteligente, respondia: “O meu instrumento é a minha voz”.  Porém, isso a incomodava profundamente…

Esse jeito passional refletiu em todos os seus trabalhos, especialmente nos seus últimos anos. Não raro, se encontra vídeos da Elis no Youtube, cantando entre lágrimas e dando tudo de si em cima do palco. Aliás,  ela foi sempre cercada de amigos de renome como: MIlton Nascimento, Rita Lee e Gal Costa, o que rendeu parcerias antológicas.

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A sua popularidade não é de estranhar: Elis era uma mulher muito sincera e, por vezes, polêmica. À frente de seu tempo, a cantora não se importou com a imagem ao tratar de assuntos complexos como aborto e homossexualidade. Tinha também esse tom nacionalista, fazendo duras críticas à política e a desvalorização cultural no país. E aqui, estamos falando dos anos 70 e 80…

Bom, espero que tenha gostado da dica! E, se assistir a série ou ler o livro, não deixe de voltar aqui para deixar um comentário. Adoraria saber o que você achou.

[A esposa] E a anulação do eu

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Quando terminei de assistir este filme, uma frase me veio à mente: “Cuidado com o que tolera, você está ensinando como as pessoas devem tratá-lo”. O longa conta a história de Joan (Glenn Close), que viaja para Estocolmo com o esposo — ele acaba de ganhar o Prêmio Nobel de Literatura. Durante a jornada, Joan começa a questionar sobre todos os esforços que fez para manter o casamento e a carreira do marido, deixando a sua em plano secundário.

Ao aceitar o Globo de Ouro, Close fez um discurso bem emotivo, evidenciando como o papel feminino na família nuclear patriarcal foi, em diversos aspectos, marginalizado. Em geral, essa questão não é novidade para ninguém. Mas, de certo, ainda propõe reflexões pontuais e importantes sobre gênero. Mas o filme vai além, e talvez esteja aí a sua grandiosidade. Não me parece que a discussão de gênero seja a mais forte da produção (ainda que caminhe para tal, pois é fato que muitas mulheres são condicionadas à ideia do casamento perfeito).

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Mas aqui, vejo uma discussão sobre uma condição muito humana, de homens e mulheres, que deixam seus desejos, sonhos e vontades de lado, em prol de um posicionamento mais adequado à sociedade. O filme me soa forte pela frustração da protagonista, que não teve coragem, determinação para se posicionar em sua defesa. Por outro lado, há todo um contexto que a influenciou a ter tal comportamento, por ser o mais aceitável, por ser o esperado… Nisso, volto à frase citada acima: ela se moldou tanto ao padrão social, que naturalizou um comportamento escroto do marido, dos filhos (e dos que a cercavam).

Mas, o que mais me chama atenção em tudo isso, é a empatia que o filme nos faz ter pelo casal. É muito claro a relação de abuso entre os dois, mas também o companheirismo e a cumplicidade que eles construíram ao longo desses 40 anos (o que justifica bastante a atitude final de Joan). Particularmente, gosto muito da Glenn Close e acompanho o seu trabalho há anos. Estou na torcida para que ela ganhe o Oscar, mesmo acreditando que esta não seja, nem de longe, a sua melhor atuação.

E você, já assistiu este filme? O que achou da trama? Não deixe de comentar este post, adoraria saber a sua opinião.

[Sombras da Verdade]: Uma investigação com reviravoltas inesperadas

Se você está navegando pela Netflix, em busca de histórias criminais, deixo uma dica: Sombras da Verdade é uma série documental israelense, bem interessante e repleta de reviravoltas.  

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Em 2006, Tair Rada, uma garota de 13 anos foi ao colégio, seguindo a sua rotina diária. Este, no entanto, seria o seu último dia de vida: ela foi assassinada no banheiro da escola, com vários cortes pelo corpo e deixada no vaso sanitário. Após o acontecimento, a polícia começa uma complexa investigação que, com o passar do tempo, ganha uma enorme comoção pública. Pressionados, os policiais, acabam caindo (e criando) pequenas armadilhas, para encontrar o real culpado.  Além da impunidade latente do crime, todo o cenário levanta uma indignificação sobre o sadismo dos envolvidos.

A produção foi desenvolvida por Yotam Guendelman, Ari Pines e Mika Timor, cineastas iniciantes à época. Particularmente, gosto muito do formato de entrevistas e depoimentos, que apresentam diversas teorias aos espectadores (e depois, as destrói sem piedade). Em resumo, o desenvolvimento da série nos deixa perplexos pelos caminhos que vão tomando até certo ponto em que, não se sabe em confiar (nem mesmo na polícia ou nas melhores amigas da vítima). 

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A situação mais triste, sem dúvidas, é a dos pais da garota que, após o crime, foram definhando aos poucos. Eles desenvolveram uma depressão profunda e buscaram no isolamento um pouco de paz. Imagine que, a imagem de Tara estava escancarada em diversos jornais, revistas e programas de TV, diariamente, e nada era solucionado… Trata-se de uma história impactante e triste, que nos deixa inquietos ao longo do desenvolvimento. Recomendo fortemente!

[Dix pour cent]: série de comédia para assistir no Netflix

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Se você procura por uma série de comédia para assistir no Netflix, deixo a dica: Dix pour cent. Trata-se de uma produção francesa, super leve, divertida e que pode ser assistida rapidamente (afinal, são poucos episódios e temporadas).  A trama conta a história dos bastidores do cinema, onde os protagonistas são os agentes das grandes estrelas: atores e atrizes renomados no cenário cultural francês. A cada contrato que assinam, os agentes ganham “dez por cento” dos lucros, daí o nome da série.

Tudo ia bem, até que o diretor da agência acaba falecendo. Os agentes, que também são sócios minoritários, precisam se virar para conseguir novos contratos e manter o negócio longe da falência. O grande problema é que com a morte do diretor, a fama da agência fica ainda mais prejudicada, dificultando o trabalho dos funcionários (e a relação entre eles). IMG_0341-1024x683.jpg

Ter que lidar com as desavenças internas e as vontades das super estrelas não é fácil. Talvez, seja esse o encanto que a série proporciona: o lado humano e esforço que há por trás do show business, onde nem tudo é glamour.

Você já assistiu a série? Curtiu? Se sim, não deixe de me contar o que achou!

[Leitura] Hilda Furacão, de Roberto Drummond

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Tenho algumas lembranças da série Hilda Furacão, quando passava tarde da noite na Globo. A minha vaga recordação era de que se tratava de uma história bem obscura e de que o amor dos protagonistas era algo “errado”. A série foi transmitida em 98 e eu tinha 7 anos, portanto, tinha uma noçãozinha básica do que se falava ali.

Lembro da minha mãe vidrada na tela, torcendo para o casal e me sentia envergonhada/incomodada com algumas cenas. Acho engraçado esse senso moralista que eu tinha quando pequena e quando paro para pensar, acredito que ele teve origem da educação super católica que recebi em casa e na escola. [Ao mesmo tempo, minha mãe nunca censurou nada que eu quisesse ler ou assistir… Vai entender!]

No fim do ano passado terminei de ler o livro Hilda Furação, escrito por Roberto Drummond. Ao ler a trama, acabei fazendo as pazes com a Thaís do passado, que censurava as cenas entre o padre e a prostituta e não gostava da Hilda. O livro é, sem dúvidas, muito mais suave e tem uma narrativa cativante, bem nostálgica ao retratar a Minas Gerais dos anos 50 com sensualidade e humor.

Hilda Furacão foi um das leituras mais agradáveis que fiz no ano passado, especialmente, porque estou trabalhando em Belo Horizonte e ao ler as descrições das ruas centrais (onde passo quase todos os dias) e dos bairros, praticamente me “teletransportei”. E, o mais gostoso de tudo, é que durante a leitura, criei um pequeno fascínio/identificação pela figura da Hilda, que com certeza, foi uma mulher à frente do seu tempo [mesmo com a romantização do livro].

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Em resumo, Hilda é retratada como uma jovem muito rica e bonita, que abandona a alta sociedade belo-horizontina e se torna prostituta.

Mesmo com inúmeros pretendentes e com boas chances de ter um casamento tranquilo, com um marido que a bancasse plenamente, Hilda escolhe pela liberdade (também sexual) e se aventura vida afora. Seu comportamento, no entanto, incomoda os conservadores, que passam a se manifestar para que ela pare as atividades.

Muitas mulheres se sentiam ofendidas, pois tinham medo de que seus maridos fossem atraídos pelos encantos de Hilda e chegavam, até, a fazer passeatas, levando junto um padre para ajudá-las.

[Harlots] A segunda temporada está sensacional!

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Harlots é uma das melhores séries que assisti nos últimos tempos e, ainda que já tenha feito um post sobre o tema por aqui, acho importante reforçar a ideia: a segunda temporada foi lançada há algum tempo (e está ainda melhor). A rivalidade entre as duas cafetinas, Margaret Wells e Lydia Quigley tornou-se mais forte e sangrenta, e novos personagens chegaram para apimentar a situação. A produção tem um quê bem especial, com figurinos e cenários impecáveis. Além disso, a feminilidade é retratada com uma complexidade justa ao tema, com pautas bem atuais sobre gênero, maternidade e sexualidade — basta uma simples analogia.

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Existe todo um toque de rivalidade (e empatia), que ficam ainda mais interessantes com o humor negro existente nos episódios. E o mais legal de tudo (gente, eu tô fazendo uma propaganda para a série mesmo!) são as nuances de cada personagem, que carregam inúmeros segredos consigo. Ao mesmo tempo em que essas mulheres possuem uma sensualidade latente, há um controle social bem obscuro, que as marginaliza e as força a “dar um jeitinho para tudo”.

A segunda temporada conta com a participação da Liv Tyler, que está absurdamente encantadora! A atriz dá vida à Lady Izabela, um personagem que trilha um caminho bem interessante pela série. Em princípio não sabemos muito bem o motivo da sua relação de dependência com o irmão mais velho e, logo vamos presenciando a sua “revolta”. Além disso, ela desenvolve algumas interesses homossexuais (digamos, tsc tsc), que a deixam menos insegura.

Cabe, ainda, evidenciar a magnitude da Samantha Morton, que impõe uma densidade dramática à série, fazendo com que pequenas cenas se tornem grandes. Confesso que derramei algumas lágrimas quando ela apareceu em tela…

Recomendo a série fortemente! 🙂

Para Niobe: o meu amor infinito

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A ficha ainda não caiu e pode ser que demore bastante. A notícia de que você se foi não me pegou de surpresa, pois já estávamos acompanhando o seu desgaste físico e mental há algum tempo. O que mais me preocupa (no momento) é a sua ausência: eu sei que vou sentir muita saudade e que ninguém nesse mundo tão enorme, vasto e complexo, poderá te substituir.

Quando eu era pequena tinha muito medo da sua morte, vivia apreensiva ou ansiosa. Você passou por tanta coisa, TANTA COISA, que é difícil explicar para os outros o quão forte você foi. Anos atrás escrevi esse texto para você, relembrando um pouco da sua trajetória e da influência que teve e terá sobre a minha vida. Se uma pessoa “me conhece” e nunca me ouviu falar de você, é porque não me conhece de verdade. Porque de você, eu tinha (e tenho) um orgulho tão grande, que se deixarem, passo horas falando…

Eu, que sempre fui de escrever muito, não consigo pensar em nada além de: “eu te amo, eu te amo, eu te amo”. E, sinto que você está bem, onde quer que esteja. Você só deixou coisas boas aqui, divertiu muita gente, ajudou muita gente também.. e me ensinou a ser uma pessoa melhor. Vou sentir tanta saudade, Vó!

[Madame Bovary] Um dos meus livros favoritos

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Ao longo da existência desse blog, já fiz incontáveis postagens sobre “Madame Bovary”, obra francesa, escrita por Gustave Flaubert e publicada em 1856. No entanto, nunca falei do encantamento que tive pela história, aos quinze anos, e de como essa narrativa, à época, me inspirou em muitos sentidos. 

Emma Bovary é uma mulher repleta de sonhos, mas presa à um casamento infeliz, ela é casada com Charles, um médico com uma vida financeira razoavelmente tranquila,  sem muitos luxos. Mas a monotonia da vida conjugal e a ausência da magia (que ela lia tanto nos livros), a faz querer ir em busca de uma vida mais livre. Nem mesmo a maternidade a faz sentir completa — a filha de Emma, Berthe (ou Berta), é apenas uma menina comum, sem encantamentos. Emma,  mergulhada em sua melancolia, acaba se aventurando no mundo do adultério, em busca de um amor verdadeiro, que a satisfaça e que permita que ela “seja ela mesma”. Além disso, acaba contraindo inúmeras dívidas, com um desejo latente de se manter ativa na sociedade burguesa e mais próxima da aristocracia (levando a família à falência).

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Na época em que li o livro, não sabia tanto o que o feminismo significava. O meu interesse e identificação pela personagem, em primeiro lugar, foi por sua insubordinação ao patriarcado e sua luta por uma vida mais livre, mesmo diante de tantas limitações.  Naturalmente, o livro quando concebido, era muito mais uma crítica à sociedade pós industrial e (assim vejo) como um certo deboche à mediocridade doméstica.

Mas, com as inúmeras evoluções sociais e reinvenções constates dos movimentos, a obra acabou tomando um viés feminista, abordando a tão famosa “histeria feminina” de uma forma ampla, a ponto de permitir inúmeras interpretações. Aqui, não falamos da perspectiva literária que é igualmente rica (por sua inovação quanto ao estilo de narrativa, trazendo um tom realista até então desconhecido), mas das condições desviantes da protagonista, consciente do seu papel social e da sua busca pela ressignificação sobre seu corpo e suas vontades.

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A obra, ainda me parece extremamente próxima da atualidade, mesmo que a realidade das mulheres tenha se modificado e atualizado, em diversas formas. Emma e sua insubordinação é uma inspiração interessante, em diversos sentidos, à aqueles que buscam pela melhoria das suas condições pessoais. É uma anti-heroína com condições humanas bem universais, com sentimentos que incitam a busca constante de autoconhecimento, redescoberta e felicidade.

[Nota] Same time, next year

same21Outro dia estava navegando pela Netflix e acabei esbarrando nessa pequena pérola: uma comédia romântica bem levinha, mas com uma história que foge à curva. 

Same time, next year (ou “Tudo bem no ano que vem), é um longa de 1978, protagonizado por Alan Alda e Ellen Burstyn). A narrativa acompanha a vida de Doris e George, dois desconhecidos que se encontram por acaso, transam (e acabam descobrindo uma química enorme). Porém, os dois são casados, possuem filhos e uma suposta vida perfeita. Mas, a paixão entre eles é tão avassaladora, que concordam em se encontrar uma vez no ano, no mesmo local em que se conheceram pela primeira vez.

O filme tem aquele tom romântico clichê, mas ao mesmo tempo, é inusitado pela narrativa e pelo carisma dos personagens. Diferente daquele tipo de casal “água com açucar”, os dois possuem um desencanto (bem engraçado, diga-se de passagem) emsametime1 relação ao amor e, ao mesmo tempo, estão unidos por um sentimento bem fofo de companheirismo.

Eu tenho que confessar que tenho uma queda enorme por filmes assim, muito fincados no diálogo e com um tom teatral bem forte. Nesse tipo de produção, você só tem conhecimento de certos acontecimentos  por causa da fala dos personagens, pois a maioria dos fatos não é mostrada em tela.

E é exatamente o que acontece aqui, a gente só tem noção do avanço do tempo e da mudança dos personagens, pelo que eles vão contanto (e, também, por causa do figurino). A Doris, por exemplo, vai mudando radicalmente e, em alguns momentos, de uma forma bem engraçada.

Enfim, ta aí uma ótima pedida para quem deseja se distrair e se divertir um pouco, com um filme bem levinho…