Vamos fazer de conta que isso nunca aconteceu

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Passei os últimos dias lendo este livro e tive uma lição de escrita criativa. Até então não conhecia a autora, Jenny Lawson, e confesso que fiquei encantada. Lawson é uma blogueira americana que fez sucesso na rede dividindo suas experiências maternas, isso muito antes das redes sociais e do Youtube. Seu texto é dinâmico, engraçado, cheio de pegadinhas e totalmente em primeira pessoa. De repente você está no meio da história e ela muda de assunto e começa a conversar diretamente com o leitor, fazendo perguntas ou acrescentando alguma curiosidade. O livro é uma auto-biografia, mas a narrativa é cheia do que ela chama de “histórias quase reais”, ou seja, nem sempre ela está falando a verdade e é preciso muito senso crítico para distingui-la das pequenas mentiras.

Com muito bom humor ela narra a sua infância no interior do Texas e o convívio com a mãe, o pai (excêntrico) e a irmã. Quando jovem, Lawson era inadequada para os padrões e meio depressiva, a irmã era o oposto: a linda e popular da escola. Enquanto isso, o pai das meninas tornava o cotidiano mais engraçado com a sua fixação com bichos exóticos. São muito legais as suas lembranças da escola, como quando um dos perus da fazenda a perseguiu até a sala de aula ou quando ela ficou com o braço agarrado na vagina de uma vaca.

Em um dos meus capítulos favoritos ela recorda a primeira vez que usou droga e todo o seu medo diante daquilo que era um mundo novo e excitante. Também gosto muito da narrativa sobre como conheceu seu marido e das dificuldades em se adequar ao mundo dele, que era rico (e usava talheres que ela nem imaginava que existia).

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Enfim, este tipo de livro é um acalanto para àqueles que não se adequam aos esteriótipos sociais, uma recordação de que existem muitas pessoas por aí que não tem a mínima ideia do que estão fazendo da vida, mas que vivem sem pensar tanto nas consequências. Que ser mãe não é como viver 24 horas em um comercial de margarina, que todo casamento está sujeito a tropeços e que amigos podem ser mais “família” do que a nossa “família”.

[Parte 2] Hoje eu revi a peça da Bete Coelho, mas dessa vez foi muito mais legal!

4a0869a31cbdc71ebd56a89ec40d7fa04173d464Ainda bem que eu terminei o último texto com um “nunca diga nunca” porque aí eu tenho a deixa de contar que o dia de hoje foi tão incrível quanto o de ontem, mas ainda melhor. E eu me sinto na obrigação de dizer que caiu por terra aquela minha burra afirmação sobre a plateia fria. Sabe, hoje foi tudo muito diferente, muito mais caloroso, o público entrosado, todo mundo maravilhado… foi incrível.[Falando assim parece que eu que tava no palco né, kkkk] Mas não, é que  eu acho que ontem eu tava muito emocionada e a minha percepção ficou afetada, mas hoje eu pude ver que todo muindo saiu maravilhado (sério), comentando sobre as falas, relembrando algumas coisas.

bravo

Ontem a Bete Coelho apresentou a peça, hoje ela participou de um bate papo com a platéia comentando não só sobre O terceiro sinal, mas falando de sua carreira. Foi massa, eu sentei bem perto e enquanto ela falava eu me lembrada das milhões de coisas que já tinha lido e das entrevistas que assisti. Imagino que naquela hora eu devia estar com mais cara de boba do que o normal, mas sabe… é que é muito verdade o fato de que em São Paulo tem uma efervecência cultural que não existe em outros lugares do Brasil. Em Nova Lima não tem isso gente, nunca vi nenhum ator sentar com ninguém pra falar sobre metalinguagem no teatro. É um lugar carente de cultura mesmo, sabe? Então, a gente chega aqui e tem opção cultural pra todo lado… a cabeça entra em parafuso!

Eu voltei do bate papo (e como eu disse, eu moro bem perto do teatro), e fiquei duas horas escrevendo uma  carta pra ela. Escrevi aquilo que vocês leram no último post, que sou fã há muito tempo, que queria a ver em Belo Horizonte e etc etc. Eu sei que soa meio bizarro “escrever uma carta”, mas eu não sei como poderia falar isso pessoalmente. Não era o caso também, tinha milhões de pessoas a cercando e eu tipo… fui sumindo naquele meio e desapareci. Sim, eu sei. Escrever uma carta é meio “fã de 13 anos”, mas eu não queria deixar de dizer e não sabia como fazê-lo. Não vai fazer diferença pra ela, mas pra mim fez, então pronto foi bom demais porque deu certo eu entreguei e fiquei muito louca porqueeeeeeeee RESPIRA…

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É o seguinte, depois de assistir a peça dela pela segunda vez, fui até o diretor, o Ricardo Bittencourt,  pedir que ele a entregasse a carta e um livro da Susan Sontag. Eu tava com muita vergonha (mais do que o normal porque eu achei que ele ia falar: foda-se suma daqui se exploda). Mas ele disse: “Não tudo bem, você entrega pra ela…. vou te levar no camarim”

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LEIA-SE:  AQUI JAZ THAÍS DOS REIS

Meu Deus, ele foi tão educado, tão gentil! Obrigada Ricardo, você foi demais. E aí, fomos nós. Mas o segurança não me deixou entrar, e eu, já no desespero diante da possibilidade de encontrar a Bete comecei a tremer as pernas. Gente, isso não é normal, mas não consigo controlar…. é uma tremedera, vocês não imaginam. Aí ela veio e eu entreguei o livro.

Me deu um branco, eu não lembro muito bem como foi. Só lembro que eu falei que era de Minas e ela perguntou: “Ah legal, e você mora aqui” e eu “Não não.. em Nova Lima, mas eu moro aqui” e ela tipo… “Ah tá” (leia-se: não entendi o que ela falou, mas tudo bem, vou fingir que entendi pra não deixar ela mais sem graça). Ela ficou com uma cara tipo assim:

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Mentira gente, ela foi um amor. Mas a gente até conversou mais, SÓ QUE EU NÃO LEMBRO, APAGOU DA MEMÓRIA, NÃO LEMBRO, PARECE QUE BEBI TRÊS GARRAFAS DE VODKA.

Como eu já estava muito deslocada, pedi uma foto e casquei o fora. Fica a imagem como registro (eu saí muito mal na foto, o cabelo todo pro alto SEM HOR), mas tá bom, foi legal demais gente, foi mtooooooo legal! MTOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO

mto mesmo

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sobre Bete Coelho, os nuncas e um adeus!

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Ver a Bette Coelho nos teatros foi uma das coisas mais emocionantes que me aconteceu nestes 368 dias em que me encontro morando em São Paulo. Ainda bem que a sala estava bem escura, assim ninguém me viu derramar umas lágrimas quando ela entrou em cena. Eu estava sentada na segunda fileira, bem pertinho dela e vê-la me levou a tantos lugares da memória que é difícil recontar. Como nos dias em que eu saía da Faculdade de Direito da UFMG e passava em frente ao Palácio das Artes a caminho do ponto de ônibus, pensando: “Poxa, ela também deve ter caminhado por aqui”. Eu passava naquele lugar, sonhando com a possibilidade de um dia ela voltar para apresentar uma de suas peças. Isso não aconteceu (ou se aconteceu, se ela voltou, eu não fiquei sabendo.).

Então, eu acompanhava tudo a distância. Atualizada com todas as peças, lendo e vendo os vídeos. Cara, a ideia de ver a peça dela era tão distante. Quando eu iria para São Paulo¿ Onde eu dormiria¿ Ficaria lá, assistiria uma peça e voltaria pra MG¿ Eu não tinha nem 18 anos meu Deus, minha mãe não permitiria. Ainda mais em São Paulo, tão violenta! Chegaria aqui e levaria um tiro na testa. Eu morava numa roça, interior de Nova Lima… dá um desconto.

O fato é que, das ironias do destino, me mudei para São Paulo para estudar na USP e só assim tive o prazer de vê-la. E a vi num momento muito especial, dois dias depois de completar um ano morando aqui… longe da família, dos amigos. Foi um presente, de verdade, algo que melhorou meu astral em 100%. Então eu chorei mesmo, chorei antes de ela pronunciar uma palavra. Chorei ao vê-la atrás das cortinas enquanto observava seu terno e sua gravata.

Eu acabei de chegar em casa, moro quase do lado do teatro. Fiquei com muitas impressões desse dia, tantas que a cabeça chega a doer. Talvez seja de frio, de fome, de cansaço, de felicidade (ou tudo junto). A peça começou pontualmente às 20h, mas quando cheguei lá (e pasmem) às 17h30, já havia uma fila. Então eu fiquei com medo de sair para comer e perder o lugar e fui ficando, até que a noite chegou, com um clima absurdamente frio (estamos em maio).

Agora que eu reli tudo o que acabei de escrever me sinto mais idiota que o normal, e olha que eu não falei nem metade do que queria. Eu não quero que vocês pensem que sou uma daquelas lunáticas piradas, obcecadas com atores. Não, pelo amor de Deus! (Quer dizer, sou mais ou menos, HAHA). Mas é que a emoção foi a mesma quando vi a Gal Costa pela primeira vez, ou a Jessica Lange. Já contei essas experiências por aqui e é exatamente assim, com cada uma delas há uma história (minha, muito particular), que vou carregando ao longo dos anos.

Na minha memória Bette surge em Éramos Seis. Eu era bem, bem, bem pequena quando assisti a novela, mas lembro de muitas coisas, especialmente do cabelo dela. Que era o mais lindo de todos (cara! Eu cheguei a fazer um corte igual, muitos anos depois. Mas a no meu rosto, extremamente redondo… aff! Ficou horrível!). Depois eu revi a novela e ela era feminista!! Cara, é muito louco como eu me identificava com o que ela dizia, sem saber muito bem do viés acadêmico e político do movimento como sei hoje.

Mas, fugindo do bla bla bla, voltamos ao teatro. Só posso dizer que eu fiquei a observando, encantada com o domínio do palco, do texto! Encantada com a sua voz, com seus olhos (que estavam meio avermelhados), com a pele e com a coragem de enfrentar aquela plateia, fria, crítica Uma vez a Gal Costa deu uma entrevista para a Marília Gabriela dizendo que o público brasileiro aplaudia pouco. Olha, eu não sei se é verdade, mas se for pra comparar (pelo menos, com as experiências básicas e nada técnicas que eu tive), o povo mineiro bate mais palma do que o povo paulista. Que trem doido, sério. O povo aqui parece que tem pressa pra tudo, é metrô, é ônibus, é serviço… eles correm muito (e não percebem que correm). E batem poucas palmas.  Eu queria ficar lá, continuar batendo palmas, mas o povo saiu e eu fiquei com vergonha, então fui embora também. Mas fui embora pensando: “covarde, covarde! Você devia ter ficado e aplaudido mais”.

Tenho um diário antigo; eu escrevi ele com 18 anos. Passaram-se 7 anos,  guardo até hoje (e quando voltar pra MG, vou tirar uma foto e colocar aqui, de prova). As duas primeiras páginas possuem duas fotos ENORMES da Bete, desta peça e que eu provavelmente tirei de alguma revista (revista que provavelmente roubei em algum consultório, porque a gente, lá em casa, quase não compra nem assina. Leia-se: “Nunca, nunca mesmo”). Numa ela esta feminina, com uma roupa preta (como de costume). Na outra ela está de terno… e eu escrevo embaixo algo como: “Gostaria de assisí-la, mas isso nunca vai acontecer”. Minha mãe está certa, “Nunca diga nunca”.

ACHEEEEEEEEEEEEEEEEI kkkkk

olha

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Hoje foi um dia incrível.

Obrigada São Paulo, Obrigada Bete.