Duas estranhas – História de mãe e filha

Gena-Rowlands-Bette-Davis-in-Strangers-The-Story-of-a-Mother-and-Daughter-606x301

Há tantos anos admiro a Bette Davis, e esse é o primeiro filme que assisto em que ela está mais velha... Adoro a Gena Rowlands também, então foi um deleite. Apertei o play e corri para o abraço. “Duas estranhas” é um filme bonito, sem muitas surpresas, mas antológico pelas atuações. No filme Gena interpreta Abigail, uma mulher que passou anos longe de casa e que voltou a morar com sua mãe, Lucy. As duas possuem um relacionamento bem distante, Lucy simplesmente não abre mão das suas manias e sente-se insegura em relação a volta da filha, uma menina “mimada” que a magoou muito na juventude. Aos poucos Abigail vai reconquistando a mãe, mostra que voltou diferente e voltou para ficar… vai descobrindo as histórias de Lucy e relembrando velhos acontecimentos. No fim elas percebem que são mais parecidas do que imaginam e que se amam muito.

O filme foi feito para a TV, Bette com 71 aninhos recebeu pela produção o prêmio do Emmy de Melhor Atriz em Minissérie ou Filme. A narrativa tem um aspecto bem teatral, as duas são o centro da produção e a casa em que Abigail cresceu é o pano de fundo principal para os acontecimentos…

Sabe, Gena é aquela mulher impactante, tem uma beleza diferente. Bette é única, o filme inicia e ela custa para a abrir a boca e mesmo assim, é difícil desgrudar os olhos dela. Numa entrevista, Gena disse coisas interessantes sobre Bette que acho que valem a pena serem reproduzidas: “Eu amava a Bette, ela era engraçada e tinha um senso de humor meio cruel. Quando cresci, todas as mulheres (no cinema) eram obedientes, educadas e tinham boas maneiras. Bette não, ela era independente e não tinha medo de ofender.  Um dia ela me perguntou, “você viu o meu batom¿ Ele é rosa…”. Respondi, “Não parece rosa para mim (ela o usava todos os dias)”. Eu disse, “Na verdade, não prestei muita atenção”. Ela disse: “Bom, então comece a prestar atenção, porque você JÁ NÃO ESTÁ NA FLOR DA IDADE!”

sobre adoção e o que ainda não sei…

949d8dc05019c13e82eb43c4d1bd0474

O que eu vou escrever agora, todo mundo já leu em algum lugar e deve estar cansado de escutar a mesma frase: “adoção é um ato de amor”. O negócio é que é um ato de amor mesmo e é um processo de tanta complexidade como qualquer gravidez. O que eu sei sobre adoção¿ Para falar a verdade, muito pouco (tão pouco, que fiquei pensando por horas se devia ou não publicar esse texto). É que me lembrei do caso de uma criança da minha cidade que foi adotada por uma mulher e devolvida três meses depois, a dona disse que o menino dava trabalho demais.  Não sei qual foi o desenrolar dessa história arrebatadora, foi uma fofoca de amigos que veio parar nos meus ouvidos… Já faz anos isso, mais de dez, e olha que não me esqueci e até hoje fico morrendo de dó do menino.

Só consigo pensar que ser pai e mãe é se doar, se entregar, mergulhar de cabeça e sem medo. É criar um elo eterno com alguém, sem pensar nas consequências. Um “trabalho” a ser feito 24h pelo resto da vida.  Sabe…se eu pudesse, adotaria uma criança agora. Não o faço porque não tenho estrutura financeira, mas eu morro de vontade. Falando assim pareço idiota (e sou um pouco), mas eu sei que existe todo um processo de identificação, que envolve empatia e responsabilidade. Não é simplesmente chegar numa loja e escolher um brinquedo. É uma criança, um filho e é para sempre. Nunca conversei com ninguém, com seriedade, sobre o assunto. Nunca perguntei para alguém que já adotou como foi o processo ou como se sente tem relação a ele.

Imagino que não seja fácil e que no fundo, dê até um pouco de medo. E se essa criança não for feliz do meu lado¿ O que eu digo para ela quando perguntar de suas origens¿ Pois é… muitas perguntas, muito que pensar. Mas mantenho minha posição, admiro quem já adotou e se doou à uma criança. Espero poder fazer isso em breve.

Sangre de mi Sangre, Musarañas

Já assistiram algum filme do Alex de la Iglesia¿  Se a resposta for não, eu imploro para que tirem um tempinho e assistam pelo menos um (tô falando sério!). Já escrevi muito dele por aqui, mas vou escrever mais uma vez, trata-se de um diretor espanhol que possui um jeito muito peculiar… especialmente na construção narrativa de seus longas (resumindo, ele é beeeem sarcástico, inteligente, talentoso, irônico e adora um humor negro). Não tô puxando saco, se você assistir você vai comprovar isso.

vYeIYvSnwds.movieposter_maxres

Sabe, é engraçado como seus filmes sempre me surpreendem, estranho como termino paralisada, doida para rever algumas cenas e procurar por análises e resenhas. Juro, em TODOS os filmes que vi dele isso aconteceu. Ontem assisti “Sangre de mi Sangre”, que delícia (ainda que com um tema tão pesado). Delícia assistir um trabalho bem feito, se envolver com personagens bem construídos, com diálogos impactantes. Enfim, viajar numa história que envolve terror, romance e MUITO suspense.

Há muito tempo não sentia por uma personagem tamanha compaixão, foi assim com Montse – uma mulher extremamente traumatizada pela morte da mãe e pela presença opressora do pai (que também morre, tempos depois).  Sem querer, ela reproduz essa opressão na irmã mais nova e tenta impor uma criação rígida, baseada em conceitos católicos ortodoxos. O trauma de Montse é tão grande que ela simplesmente não consegue sair de casa e aos poucos, vai enlouquecendo. Enquanto isso, a jovem irmã deseja desbravar o mundo, quer namorar e sente-se mais viva do que nunca.

musaranas_Enfilme_618m3_675_489 (1)

O contraste entre as duas é tão forte que é quase impossível não ficar tocado por aquela energia negativa.É a explosão de um universo feminino cheio de medo, culpa, vergonha e segredos… acontecimentos que simplesmente fortalecem um laço eterno entre as irmãs.  A tensão aumenta gradativamente a ponto das duas chegarem a um sangrento, doloroso e surpreendente embate físico. Não bastasse, um estranho aparece para pedir ajuda, entra na casa e passa a seduzir as duas – a disputa esquenta e há cenas de roer as unhas (em alguns momentos você simplesmente se lembra da Kathy Bates em Misery e não consegue ficar indiferente com as “torturas” que rolam na casa).

Desculpa, tô tentando não contar spoiler, mas a minha mão está coçando. Fiquei apaixonada pela Macarena Gomez de um jeito que não sei explicar, GENTE ela trabalha bem demais,rouba a cena e o filme, tem tantas facetas que não dá pra explicar, só consigo pensar “como ela trabalha bem”.

Bom, desculpas por não falar nada com nada. Tá aí um filme grandioso que merecia uma resenha bem melhor, não sei se é porque está tarde, se estou com sono… mas não tô conseguindo desenvolver esse texto…Então vou parar por aqui, antes que fique mais chato do que já está. Não sem antes pedir, mais uma vez:

Por favor, assista a esse filme.

eu juro, tô tentando melhorar!

tumblr_o0v5fsEAQV1u9vosqo1_500.gif

Ontem dirigi pelo centro de Belo Horizonte, depois de quase cinco anos de carteira, é a terceira vez que me arrisco a ir pelas bandas de lá. Medo, puro medo de dirigir… o que pode parecer uma bobeira, mas juro que não é. Dirigir é uma delícia, eu adoro dar voltas pela cidade onde moro, o problema é que preciso resolver muitas coisas lá em BH (consultas médicas em especial), mas só de pensar em dirigir em qualquer lugar que não seja minha cidade, minhas pernas travam, minhas mãos começam a tremer, dá dor de barriga e eu passo mal. É horrível, sério!

Já procurei tantos textos que pudessem explicar esse medo, a única que me parece adequada é: trauma. Confesso, sou uma péssima (PÉSSIMA) motorista e um dia, quando bati o meu carro… meu mundo caiu. Fiquei muito muito muito chateada. Também pelo carro, claro, que ficou bem estragado do lado direito. Mas especialmente pelo medo de ferir as pessoas que estavam comigo no dia do passeio, é tão estranho… tenho essa cena na minha cabeça até hoje, se eu fechar os olhos agora, posso lembrar perfeitamente como foi. Mas não vou fechar, porque foi tão ruim que prefiro não lembrar. Aliás, foi uma batida tão idiota… eu bati num muro!!

Por fim, era isso que queria contar…que viajei de SP para MG com isso na cabeça, de dirigir pelo menos uma vez no centro de BH. Um desafio que me fiz e que venci (e não foi sozinha, Malu e a minha mãe estavam comigo… as mesmas que estavam no dia em que bati – no muro).

 

É carnaval, e eu vou chorar…

Orfeu Negro_thumb

Sou apaixonada pelo carnaval e sempre me lembro desse filme quando é chegada à época. Na minha cabeça esse filme funciona como uma construção metafórica dos períodos do carnaval: do começo da festa, da alegria das músicas e da beleza das fantasias e por fim, do silêncio, da ausência imposta pela quarta-feira de cinzas.

É isso, Orfeu Negro é uma das histórias românticas mais lindas que conheci e que pretendo guardar para sempre na memória. Trata-se de um filme brasileiro-francês, lançado em 1960 e baseado em uma peça escrita por Vinícius de Moraes (que por sua vez, se inspirou na mitologia grega). Dirigido por Marcel Camus e vencedor do Orfeu de melhor filme estrangeiro, o filme conta a história da tragédia amorosa vivida por Orfeu e Eurídice…

Eurídice é uma moça que sai do sertão nordestino para morar nas favelas do Rio de Janeiro. Ela é perseguida por um homem e não sabe o porquê. Um dia conhece e se apaixona por Orfeu, um músico da região que já está comprometido com a bela (e vingativa) Mira. No carnaval, Orfeu e Eurídice vivem uma intensa paixão, um amor inocente e diferente de todos os outros. Porém, um acidente terrível compromete a felicidade do casal, em plena quarta-feira de cinzas o amor do dois é brutalmente ceifado. Enfim, um filme triste e lindo. Também gosto muito (e indico) a versão de 1999, dirigida por Cacá Diegues… só que o primeiro me parece mais trágico, é de uma tristeza e de uma beleza sem fim.