Os mortos – James Joyce

os_mortos_capaO nome de James Joyce sempre me aterrorizou, já li muitas críticas classificando-o como um dos escritores mais difíceis de todos os tempos. Então, corria dele. No mês passado li “Os mortos”, um pequeno conto que Joyce escreveu (aos 25 anos). A edição que tenho em mãos é a da Companhia das Letras e Penguin, Coleção de Grandes Amores. Além de “Os Mortos” o livro também traz o Monólogo de Mary Bloom e outro pequeno conto, “Arábias”.

Sempre quis ler esse conto, o fato é que quando criança era fã louca da Anjélica Huston e o seu pai, John Huston, produziu um filme baseado nessa história (ainda não vi o filme, mas estou em busca dele!). Não sei se é uma justificativa muito louvável, mas essa é a verdade.

Então… li o livro e fiquei realmente apaixonada, foi uma leitura rápida… mas me senti como se eu tivesse imersa naquele ambiente, naquela festa de Natal, na conversa entre os convidados, no salão.  O conto, que se passa na Irlanda, acompanha a chegada de Gabriel Conroy e da esposa Gretta à casa das tias solteironas, professoras de piano. Gabriel sente um carinho imenso por elas e é tradição ajuda-las a recepcionar os convidados. O conto é basicamente um resumo da festa, dos diálogos, das danças, do discurso de Gabriel, da conversa de Gretta com as amigas…

Algo muda quando, depois da festa, já em um hotel, Gretta conta para Gabriel um caso de sua juventude. Ela se lembra de um garoto que conheceu e que era apaixonada por ela e que por “sua causa” (indiretamente, digamos…) ele faleceu. Gabriel fica abismado porque desconhecia esse perfil melancólico da esposa, muito menos dessa história.

Agora, só uma observação sobre Arábias: Os mortos é um conto grandioso, mas Arábias me agradou igualmente por ser muito singelo. Conta a história de um adolescente apaixonado pela irmã de um amigo. Essa garota está louca para ir à um bazar, mas a família a proíbe. Então, ele faz de tudo para ir nesse bazar comprar um presente pra ela. ♥

Sobre o monólogo de Molly Bloom eu nem comento, li algumas páginas e queria pular da ponte. Fluxo de Consciência grau mil, muito difícil! Mas interessante, procurei por algumas análises e resenhas, entendi mais ou menos…. kkkk

Lado a Lado

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Tô lendo um livro incrível cujo tema são as madrastas. Trata-se de uma análise psicológica do termo,  uma versão sobre como a sociedade as vê. O livro também tem uma longa passagem sobre os contos infantis (tipo Branca de Neve e Bela Adormecida) e como essas histórias influenciaram nossa percepção. Esse livro (em breve vou fazer uma publicação sobre ele, se chama “Madrastas, do conto de fada para a vida real”), me fez lembrar o filme Lado a Lado, um dos meus preferidos de toda a vida, protagonizado pelo Julia Roberts e pela maravilhosamente incrível diva Susan Sarandon.

Não conheço alguém que tenha o assistido e não se emocionado. O filme (produzido em 1998 e dirigido por Chris Columbus), mostra o conflito de uma família e a incompreensão dos filhos que viram seus pais passarem por uma dolorosa separação e que precisam aceitar o novo relacionamento do pai. É um filme lindo e realmente especial porque não demoniza nenhuma das partes. Não coloca nem a mãe, nem a madrasta como figuras ruins.

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Um dos levantamentos da crítica especializada foi o fato de a doença da mãe deixar de ser um aspecto secundário para se tornar principal. Como se tirasse o foco da separação e encontrasse uma justificativa simples para terminar tudo aquilo da melhor maneira possível. A Susan Sarandon e a Julia Roberts (grandes amigas na vida real) estão incríveis, como sempre. Há uma enorme carga emotiva e difícil não ficar inquieto com o conflito entre elas. As crianças roubam a cena, triste pensar que mesmo com tanto talento, a Jena Malone e o Liam Aiken andem tão sumidos.

Um filme bonito desses (com tão inteligente abordagem emocional), nos lembra que não existe regra ou formula pronta para a paternidade e a maternidade. Ninguém nasce mãe, ninguém nasce pai: torna-se. Impossível não cometer alguns tropeços pelo caminho. Nos lembra também que nenhum casamento vem com a formula da perfeição, que às vezes o amor acaba e que isso pode ser doloroso demais. O casamento acabou, mas os filhos estão aí… e precisam entender que são amados independente do que aconteça.

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Tão delicado olhar sobre o mundo feminino não nos deixa esquecer o lado do pai, interpretado por Ed Harris. Os julgamentos caindo sobre ele, as esperanças perdidas, a culpa. Em suma é um filme que me fala muito, muito além da separação e da doença… é um filme que lembra o quanto temos medo de perder e o quanto temos medo da mudança.

Do universo à jabuticaba

Rubem Alves é um dos meus autores favoritos, seus livros me acalantam a alma, Baixar-Livro-Do-Universo-a-Jabuticaba-Rubem-Alves-em-ePUB-mobi-e-PDFme dão uma incrível sensação de conforto e paz. É um autor de uma imensa sabedoria e, ao mesmo tempo, de humildade. O último de seus livros que li foi “Do universo à jabuticaba”, lançado em 2010. Dessa vez escolhi fazer diferente, estou com este livro há um ano e fui lendo aos poucos, bem aos pouquinhos. Sem pressa, fazendo as minhas marcações, relendo as partes favoritas…

O estilo deste me lembrou muito “Ostra feliz não faz pérola”, pequenas reflexões sobre temas como: amor, religião, saúde…Algumas até um pouco repetitivas, mas nada que atrapalhe a delicadeza e a doçura desse escritor.

 – Citações –

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“A arte chinesa: já notaram que seus cenários aparecem sempre cobertos por neblinas¿ Estão lá porque a alma precisa delas… A vida é cheia de neblinas. Durante a Revolução Cultural, as neblinas foram proibidas. Revoluções são tempos de certezas. Palavras de ordem não toleram brumas, pois é lá que moram os sonhos. Luminosidade total para tornar impossível sonhar”.

“Promessas são palavras que dizem para engaiolar o futuro. Dentro das promessas há sempre um pássaro engaiolado. Posso prometer atos, proteção, companhia, cuidado. Não posso prometer sentimentos “Sei que vou te amar, por toda a minha vida vou te amar” É lindo, mas não é verdade. Atos futuros podem ser prometidos. Sentimentos só podem ser cantados no presente.”

“O segredo do amor é androginia. Somos todos homens e mulheres, masculinos e femininos ao mesmo tempo.”

“Ciúme é a dor no coração ao ver a pessoa amada dando adeus, na fantasia. A cena do pássaro voando é dilacerante. Porque, no ciúme, ele voa para outro… Ciúme não é falta de confiança na pessoa amada. Confio que a pessoa amada nunca me trairá com o seu corpo: conheço o seu caráter. Mas não posso confiar nos seus sentimentos. Não somos donos dos sentimentos, eles se encontram além das nossas verdades”

“Albert Camus, numa frase bem curta, disse que se ele fosse escrever um livro sobre ética, noventa e nove páginas estariam em branco e na última página estaria escrito amor. ”

“A morte não é algo que nos espera no fim. É companheira silenciosa que fala com a voz branda, sem querer nos aterrorizar, dizendo sempre a verdade e nos convidando à sabedoria de viver.”

“Não acredito que haja dor maior que a morte de um filho. A princípio é uma dor bruta, sem forma ou cores, como se fosse uma montanha de pedra que se assenta sobre o peito, eternamente. Com o passar do tempo, essa dor bruta se transforma. Passa a ser muitas, cada uma com rosto diferente, falando coisas diferentes. Há aquela dor que é a pura tristeza pela ausência. Ela só chora e diz: “Nunca mais…” Outra é aquela dor que se lembra das coisas que foram feitas e não deveriam ter sido feitas, coisas que não foram feitas e deveriam ter sido feitas: a palavra não dita, o gesto que não foi feito. É a dor da saudade misturada com a tristeza da culpa. E há outra dor: a tristeza de que o filho não tenha completado o que começara.”

Alejandra Guzmán, conhece?

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Se você não conhece a Alejandra Guzmán ou nunca ouviu as suas músicas, fica o convite. Nesse redemoinho de informações que é gostar do México, eu acabei mergulhando de um jeito que nem percebi. Daí a amiga da amiga da minha amiga indica um cantor, eu fico sabendo, escuto e começo a gostar também. Muito diferente do estilo da Daniela Romo (que monopolizou por muitos meses o rádio do meu carro e os fones do meu celular), Alejandra é uma roqueira de atitude, meio agressiva e até engraçada. Como é mesmo aquela expressão que todo mundo adora usar¿  Excêntrica, isso… Alejandra Guzmán é Excêntrica. (Desculpa, o ponto de interrogação do meu Word está invertido e eu não sei como arruma isso.)

Suas músicas são deliciosas, fora a sua voz rouca inconfundível. Guzmán tem um estilo bem jovial, gosta de misturar ritmos, não tem medo de se aventurar e usa uns looks muito loucos. Tem também o lado romântica, e emplacou grandes sucessos como: Eternamente Bella (que regravou ao ritmo da bossa nova!), Como Ladrones e Mi peor error. – Clique nos títulos para escutá-las.

Vou te contar o que sei sobre ela:

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Silvia Pinal

Alejandra tem 47 anos, uma energia fenomenal, um corpo maravilhoso e uma tonelada de histórias para contar. Por exemplo,  não adianta o quanto ela fuja desse fato, mas não há como mencioná-la sem dizer que é filha que ninguém mais ninguém menos que Silvia Pinal e Enrique Guzmán. Se o nome dos dois não significa nada para você, eu explico: Enrique foi um cantor mexicano que nem fez tanto sucesso assim, mas tinha lá seu charme. Agora a Silvia Pinal é tipo uma Fernanda Montenegro triplicada. É uma baita figura por lá, foi uma das principais estrelas de Luis Buñuel, muito (MUITO MESMO) polêmica e querida pelos mexicanos.

O sucesso dos pais afetou Alejandra, naturalmente. Mesmo a mãe tentando contradizê-la, cresceu muito só. Na juventude fez muita merda,12118890-e102-11e3-8930-19b173b95448_Screen-Shot-2014-05-21-at-12-07-31-PM.png.c sério! (o que não é ruim, porque a fez ser como é hoje… e nos a amamos assim, desse jeito). Frequentou muitas festas, roubou carros de sua mãe, se drogou muito, brigou inúmeras vezes com a imprensa, teve um caso com Rick Martin, se casou com um cara que lhe deu um terrível calote e teve a Frida. (uma menina linda, que já tem mais de vinte anos e que mudou a vida de Alejandra, fazendo-a ser mais centrada)…

Há seis anos ela travou uma dolorosa batalha contra um câncer no seio, fora a terrível sensação de precisar ficar internada e se submeter à várias cirurgias, também teve que se recuperar de uma erro médico que aconteceu quando realizava um procedimento estético.