sobre Helena Rojo e seus lindos cabelos ruivos…

Helena Rojo é uma das minhas atrizes mexicanas favoritas, a acompanho há muito tempo, desde que o SBT exibiu a novela “O Privilégio de Amar” pela primeira vez (se não me engano, em 1998). Ano passado tive a felicidade de descobrir que três de suas novelas (Cuidado com el Angel, Por Ella soy Eva e El Privilégio de Amar) estavam sendo transmitidas concomitantemente na TV brasileira, uma pena não ter tido tempo para assisti-las.

ImagemRojo é uma mulher linda e mais do que isso, muito talentosa. Adoro seus cabelos ruivos e aquele olho meio “cor de mel” que ela tem… Quando eu era mais nova (não me perguntem como!) mandei uma carta pra ela e ela não só respondeu como mandou uma foto autografada, que guardo até hoje. Desde então comecei a reparar no quanto a Helena Rojo é atenciosa com seus fãs – e eu, particularmente, acho isso tão bacana! Não é da boca pra fora, nem porque eu a admiro muito, mas ela realmente é atenciosa. Não é de hoje que a Rojo sabe o nome de vários fãs, conversa em vídeo com eles, almoça e manda emails.

E a Helena Rojo é bem conhecida no Brasil, o que é também muito bacana. Há de convir que existe um preconceito velado em relação às tramas mexicanas, não sei por que falam tão mal dessas produções e se discute tão pouco sobre seus aspectos (afinal, as novelas mexicanas estão muito ligadas ao cinema melodramático que estourou na década de 1940).

Helena RojoEstava revendo um vídeo (dos inúmeros disponíveis no YouTube) de uma novela com a Helena Rojo chamada “Las Secretas Intenciones” e eu tinha me esquecido do show de interpretação que a Helena dá, principalmente nos últimos capítulos. Pensando nisso, fiz uma pequena listinha com as minhas novelas preferidas dos quais a Helena Rojo participou e vou colocá-las aqui, espero que vocês gostem.

*Antes, uma rápida biografia: María Elena Enríquez Ruiz nasceu em 18 de agosto de 1944 na Cidade do México. Na década de 60 começou a trabalhar como modelo e já em 1968 fez seu primeiro filme: “El Club de los Suicidas”. Trabalhou intensamente com cinema (dividiu a telona, por exemplo, com Peter O’Toole em “Foxtrot” e com Klaus Kinsky em “Aguirre a ira dos deuses”). Migrou-se para o mudo das novelas pela primeira vez em 1974, onde interpretou Isaura em “Un Extraño En Su Pueblo”. Daí não parou de dar a vida a grandes personagens (como Lucianal Duval, Augusta Curiel e Ramona Gonzaga) mostrando um grande jogo de cintura e um estilo eclético, não só na televisão como também no teatro. Hoje, aos setenta anos, Helena é considerada uma “Primera actriz”, possui seis prêmios TVy Novelas e está casada com Benjamín Fernández. Do seu casamento anterior (com Juan Ferrara) teve três filhos: Leo, Elena e Patricia – prometo melhorar essa biografia!

O Privilégio de Amar (1998)

Na primeira fase da trama, Luciana é uma garota pobre que trabalha como empregada na casa Ana Joaquina, uma mulher rigidamente católica e muito cruel. Luciana se envolve com João da Cruz, um seminarista (filho de Ana Joaquina) e acaba engravidando dele. João vai embora da cidade com o intuito de tornar-se padre sem saber que será pai. Sozinha e completamente desesperada, Luciana abandona sua filha em um lar adotivo comandado por freiras e também se muda da cidade. O tempo passa e Luciana se torna uma famosa e importante estilista. Casada e com dois filhos, Luciana Duval nunca esqueceu a filha que abandonou e vive atormentada tentando encontra-la. Enquanto isso, a órfã Cristina nutre o sonho de ser modelo e consegue um trabalho na Companhia Duval, sem saber que sua chefe é também a sua mãe. [ Criada por Delia Fiallo, a novela foi ao ar em 1998 substituindo “A Ursupadora”. Produzida por Carla Estrada e dirigida por Miguel Córcega. Dividiu-se em 155 capítulos ].

O privilégio de amarQuando revi a novela há pouco tempo atrás as cenas e os diálogos me pareceram datados. É claro, que agora, com uma perspectiva diferente, algumas coisas deixam de fazer sentido e simplesmente, perdem a sua magia. Na cena que eu assisti, a Cristina (Adela Noriega) pedia perdão a Deus por ter perdido a virgindade e o padre (Cesar Evora) lhe passava uma penitência e a repreendia fortemente pelo acontecido. Cristina chorava, desolada e culpada por ter se entregado “ao grande amor da sua vida, antes do casamento”. (É claro que naquela época todo o sentimentalismo que encharcava os diálogos faziam sentido, era uma sociedade diferente, de um país – que como sabemos – é muito conversador e católico. Mas hoje, a história parece um pouco pedante).

Apesar de tudo, ainda acredito que essa foi a melhor novela feita por Helena Rojo (e também a novela responsável por torna-la tão popular no Brasil). Seu personagem, Luciana Duval tinha uma característica sensacional que o diferia dos outros: Luciana não era um personagem maniqueísta, conseguíamos ter ódio e amá-la ao mesmo tempo e até certo momento da trama, não sabíamos se ela era má ou boa. O que eu consigo me lembrar dos velhos tempos, em que eu chegava da escola, nem tirava o uniforme e ia correndo pra sala é que eu tinha uma sentimento meio sádico em relação aos personagens – eu adorava quando eles se batiam, quando a Luciana se machucava e meio que sofria junto, vai entender? Eu também adorava imaginar a possibilidade de ver a Luciana e o Padre João da Cruz juntos, mesmo sabendo que ele tinha se entregado integralmente a Deus.blog-privi-02blog-privi-01Outro aspecto importante é que a trama trazia um elenco fortíssimo. Marga Lopez incrivelmente detestável (assim, como a Diana Bracho na primeira parte), Enrique Rocha (um amigo da onça), Maria Sorté, Nuria Bages, Andres Garcia – quero dizer, tinha muita gente foda e o melhor era que os plots secundários foram muito bem desenvolvidos e apesar do número enorme de personagens, cada um deve seu espaço respeitado. Só pra constar, essa novela tem um dos finais mais lindos que existem, amo a música e amo quando os atores descem a escada da mansão de mãos dadas e cumprimentam o público, como se fosse uma peça teatral.

Gente Bien (1997)

Gente BienGente Bien foi uma novela fantástica, repleta de erotismo, amor e traição, uma pena nunca que sido exibida no Brasil. Na história, Helena Rojo e César Evora apareciam mais uma vez como casal, mas não muito felizes. Os dois faziam parte da trama secundária, Helena interpretava Rebecca Balmori, uma mulher rica mas muito enferma – tinha problemas no coração. Seu marido, Jaime Dumas era um canalha mentiroso, ele tinha se apaixonado por Maria (a protagonista) e fazia de tudo para separá-la de Gerardo.

O interessante é que Rebecca sempre aparecia observando um aquário e só depois me dei conta do seu significado. Aos poucos Rebecca foi desconfiando de Jaime e tentou se separar dele (os dois tinham um filhinho muito fofo). Nos capítulos finais Rebecca sofre com uma crise na frente do esposo e ele se nega a lhe dar o remédio que salvaria sua vida. Rebecca morre, caindo sobre o aquário. (Aliás, a cena é fantástica, o personagem cai em câmera lenta enquanto cacos de vidro e agua despencam sobre seu corpo … a Lucy Orozco é muito foda mesmo). Jaime rapidamente se arrepende de não ter salvado Rebecca e reconhece que, na verdade, sempre a amou… mas aí já era tarde e ele então passa a ser atormentado pelo “fantasma” de Rebecca (falando assim parece trash, mas não é, foi muito bacana).

Retrato de Família (1995)

Retrato de FamíliaRetrato de Família foi uma novela pequena, com apenas 90 episódios. Lançada em 1995 e produzida por Lucy Orozco, a trama contava a história da família Mariscal Preciado, totalmente destroçada pela enorme rivalidade entre duas irmãs: Inere (Diana Bracho) e Cecília (Rojo). Cecília, na verdade, era uma mulher boa que se viu envolvida em uma teia de vinganças criadas por sua endiabrada irmã. Pra agravar a história, Cecília tinha uma filha (Elvira) que a odiava e a acusava de ter matado seu ex-marido, Augusto.  Como se não fosse possível piorar, Cecília se apaixona pelo último cara da terra que deveria: Esteban, namorado de Elvira.

A abertura dessa novela [que você pode conferir aí abaixo] é uma das mais legais que eu já vi, não sei se pela música ou apenas pelas pistas que deixavam sobre a trama.. Aliás, a trilha sonora era extremamente marcante, muito mesmo – me lembro de uma música até hoje. Em suma, quando se vê Diana Bracho e Helena Rojo juntas, não se pode esperar nada menos do que um show de interpretação e isso de fato se deu. Yolanda Andrade também estava muito boa, sua personagem era incrivelmente irritante e petulante, mas para o gosto da nação, teve o final que merecia: morreu.

Ao longo da história descobrimos que Irene sempre foi apaixonada por Augusto, daí nasceu a rivalidade em relação a irmã que ficou ainda mais violenta depois do seguinte fato: Irene era, na verdade, a mãe de Elvira e foi forçada pelos pais a deixá-la aos cuidados de Cecília, que não podia ter filhos, mas era casada e tinha uma situação financeira melhor. Aliás, quem era o pai de Elvira? Isso mesmo, Augusto! Finalmente Cecília consegue se casar com Estéban e ter um final feliz, enquanto Irene termina seus dias remoendo a morte da filha.

Las secretas intenciones (1993)

Helena RojoHelena RojoNão é uma das melhores novelas da Rojo, mas ela está incrivelmente linda e louca, por isso a menção. Mais uma vez, Helena Rojo integra uma novela produzida por Lucy Orozco, aqui como uma vilã chamada Antonieta Alcántara. A novela era bem romântica, mas trazia uma discussão bacana sobre loucura e sanidade. Transmitida em 1993 e com apenas 80 capítulos, a trama contava a historia de amor de Larissa Cardenal e Miguel Curiel.

Larissa era filha de Clara, uma mulher muito rica e maldosa que deixava seu desdém pela filha muito claro. Um dia Larissa tem um crise de nervos e é internada em uma clínica psiquiátrica. Miguel também foi internado na mesma clínica pois não conseguia ir bem na escola, nem se relacionar com os outros alunos. Na clínica, Larissa e Miguel se conhecem e se apaixonam.

Pois bem, onde entra a Helena? Antonieta era filha de uma enfermeira e vivia junto a mãe no hospital psiquiátrico. Lá ela conhece Carlos (pai de Larissa) e se apaixona perdidamente por ele. Os dois acabam tendo uma pequena relação, mas Carlos decide voltar para a família o que deixa Antonieta enfurecida e louca por vingança (alguém lembrou de Glenn Close aí? É, tipo isso). Daí Antonieta perseguia a família de Carlos e cometia horrores desmedidos, contra tudo e contra todos. A personagem teve um final FANSTÁSTICO: Vestida de noiva, ela tenta matar Carlos, mas não consegue. Abandonada e totalmente doida, se une a um bando de mendigos… sua fala final é: “Me voy a quedar sola”.

Ramona (2000)

Helena RojoGosto muitíssimo dessa novela por dois detalhes que podem parecer bobos, mas que fazem toda a diferença. Ramona foi uma novela de época, produzida por Lucy Orozco e Rosa Maria Martinez. A trama contava a história da família Moreno Gonzaga que participou das batalhas entre colonos (mexicanos) e imigrantes (americanos) durante o ano de 1847.

Guerra, morte e paixões proibidas foram cenário para essa pequena novela, de apenas 69 episódios. O primeiro detalhe que me agrada é que a novela trazia uma protagonista (interpretada por Kate del Castillo) forte e corajosa, que apesar dos clichês, resistia às obviedades das histórias românticas. O segundo é que a produção tinha um cuidado histórico e documental primoroso, tornando-se um registro romantizado da história do país.

Na trama Helena Rojo interpretava Ramona, mãe da protagonista que também se chamava Ramona. A “Donã Ramona” era uma mulher ultra conversadora que não admitia as aventuras amorosas da filha e fazia de tudo para que ela aceitasse um casamento arranjado. A carga dramática da personagem era muito forte. Ramona além de ser preconceituosa e violenta, carregava consigo um segredo que a atormentava há muitos anos, ela teve um caso extraconjugal e engravidou. A novela também é um retrato perfeito do papel secundário que as mulheres ocuparam ao longo da história, das proibições e dos preconceitos que sofriam.

é tudo verdade…

Sentou-se e disse que estava tudo bem, que íamos embora depois de que os problemas fossem resolvidos. Problemas não se resolvem assim, palavras não são suficientes e o tempo não para.  “A vida é uma só”, eu dizia. “Vamos embora enquanto estamos jovens”.  Alguma coisa me preocupava quando eu olhava pra ela, seus olhos estavam cansados, tristes. Ela tentava fingir que estava bem enquanto – tudo – ao redor despedaçava. Bêbado, mais uma vez (e quantas fossem possíveis). “Eu não quero que ele morra”. “Eu também não quero, mas o quê vamos fazer? Prendê-lo? Torturá-lo?” Quem o olha agora, magro, confuso, ridículo…quem o olha agora provavelmente não conseguirá se lembrar da pessoa que ele era, engraçado, forte, inteligente. A bebida te tirou tudo, a família, os amigos, a dignidade.

Charles Bukowiaski
Charles Bukowiaski

Um dia, já embriagado, ficou no sofá da sala (com um cheiro horrível de suor e bebida), ficou lá por horas. Falava sozinho, falava coisas que ninguém entendia, fazia junções sem sentido e olhava fixamente para a parede como se alguém estivesse ali. Ele era um gênio, uma pessoa inteligentíssima, desenhava como ninguém. Às vezes eu olhava pra ele e me lembrava de Bukowski, depois me dava conta de que o velho Buk deixou uma obra admirável, ele não… ele deixou o estrago, deixou todo mundo cansado, sem fôlego, sem chão.

Não foi por querer, eu juro que não. Mas eu confesso que um dia eu cheguei a desejar que ele morresse, que ele parasse de deixar nossas vidas mais tristes, mais pesadas. Pouco tempo depois, talvez uma semana, o vi deitado na cama, com os olhos esbugalhados, soltando sangue pela boca. Chamávamos seu nome e ele não respondia, não se movia. Toda aquela cena era muito feia, meu coração estava saltitando, o quê eu poderia fazer? Ele foi socorrido, melhorou pouco tempo depois, disseram que ele teve uma convulsão. Prometeu não beber mais um gole sequer. Na outra semana já estava bêbado de novo, caído no chão, na rua – no meio da rua.

Hoje ele bebeu até não poder mais, bebeu até não conseguir levantar do chão.  Chegou em casa carregado por uma vizinha. Tão magro, tão diferente. Me chamou pelo nome e pediu para que eu o ajudasse a caminhar até o banheiro. Me deu uma tristeza tão grande, minha cabeça voltou há anos atrás, quando eu era pequena. Ele nos levava (eu e a meus primos)…ele nos levava para passear às vezes, caminhávamos por um caminho arborizado, cheio de terra e pedras. Eu sempre ficava pra trás e ele sempre me dava a mão, me ajudava a me equilibrar. Os meninos subiam na árvore, eu não conseguia então ele me carregava. Eu tinha um medo tremendo do escuro (às vezes, ainda tenho) e eu pedia: “Tio me dá a mão?”. E ele nunca negava…

 “Me ajuda ir até o banheiro?”. “Claro, tio”.

Os inocentes

“Os inocentes” é um grande filme e é uma pena que ele não receba o reconhecimento que merece.  O assisti agora a pouco, ainda sobre influência da minha repentina admiração por Deborah Kerr (que por sinal – e mais uma vez – está belíssima). O filme foi baseado em um clássico de Henry James (A outra volta do parafuso) e conta história da Senhora Giddens, uma mulher que é contratada por um aristocrata para ser a governanta em sua mansão em Bly, na Inglaterra.

Com uma grande paixão por crianças (“mais até do que a própria vida”), Giddens se muda para a Bly com o intuito de cuidar de Miles e Flora, duas crianças que perderam os pais e cujo o tio não dá a mínima. Em princípio Giddens é muito bem recebida por Flora e Miles (que chega um pouco mais tarde, depois de ser expulso do colégio) e pela Senhora Grose (uma arrumadeira idosa), mas aos poucos ela começa a ser atormentada por dois fantasmas que carregam um sombrio segredo.

ImagemLançado em 1961, dirigido por Jack Clayton e roteirizado por Truman Capote, “Os inocentes” enquadra-se no melhor estilo do terror psicológico, não peca por excessos, possui um roteiro brilhante, uma iluminação e uma trilha sonora de tirar o fôlego – não é atoa que Martin Scorsese tenha o colocado em sua lista de melhores filmes de terror de todos os tempos, nem é atoa que ele tenha sido classificado pela Time Out como um dos melhores filmes britânicos de todos os tempos – o longa é realmente muito bom.

Clayton fez uma boa escolha ao optar por um filme em preto em branco; a iluminação tem um papel técnico importantíssimo na trama e o diretor a usa com destreza assombrosa. Em uma cena, por exemplo, a governanta começa a ouvir barulhos e questiona a própria sanidade. O que Clayton faz? Ilumina  apenas os olhos de Kerr que estão completamente perdidos e assustados (e isso se repete várias vezes),.

Deborah Kerr

Como a história é muito densa, um aspecto que passa despercebido (mas que não deveria) é o cuidado com a construção cenográfica, que sustenta a verossimilhança histórica de maneira impecável. Não sei exatamente se poderia classificá-lo assim, mas  o cenário possui toques impressionistas que se adequam a função psicológica das ações: as escadas, o casarão meio abandonado, as velas – e claro, o vestuário bem trabalhado (que também dão a história um tom mais sombrio).

Sobre o roteiro há algo que chama atenção, as falas são muito, muito, muito bem trabalhadas e a narrativa é um misto de fluxo de consciência e diálogos (e muitos deles não estão de acordo com a continuidade de tempo –  Giddens, por exemplo, escuta os fantasmas conversando… mas essa conversa se passa no presente? no passado?) Não há nada explícito, mas você percebe desde o inicinho que alguma coisa está errada, o roteirista vai oferecendo pequenas pistas: por exemplo, quando o pequeno Miles, durante um brincadeira, pede para que a Senhora Giddens escute um poema: no poema o “eu-lírico” pede que o espírito saia de seu túmulo e tome o seu corpo.

Deborah Kerr não decepciona, a atriz consegue equilibrar o aspecto dramático (que muito se dá pelo embate psicológico do personagem) com a personalidade doce e interiorizada da Senhora Giddens. O interessante é que no livro a governanta tem apenas 20 anos (e não é atoa), mas quando Kerr atua esse aspecto se transforma em um mero detalhe. Mas Kerr não pode levar todo o mérito, Pamela Franklin e Martin Stephens (as crianças) também trazem um peso dramático à trama, principalmente quando ocorre o confronto com a governanta.

Ha muito que dizer sobre esse filme, mas eu prometo não me estender. Só mais um aspecto merece o comentário: a abertura. Jack Clayton queria fazer algo diferente das produções da Hammer (um companhia britânica especializada em filmes de terror), por isso iniciou seu filme com uma tela totalmente preta onde uma criança canta “O Willow Waly” (essa abertura só dura 45 segundos,mas apresenta a música que toca repetidas vezes ao longo do filme). Então, só depois é que ele exibe os créditos, em uma tela igualmente preta, mas dessa vez, podemos ver as mãos da Débora Kerr (que exprime muita tensão através delas) e ouvir a personagem rezar pelas crianças. – E, pelo que eu li, a voz que aparece no início não é de uma criança, e sim da Deborah Kerr “imitando” uma criança (PQP!).

O Erótico, as metáforas e os símbolos: quem é realmente Inocente?

Os inocentes O início do filme é um pouco devagar, mas sem dúvidas, depende desse desenvolvimento para não comprometer a compreensão da história, afinal, há muito hipocrisia naquela casa – e o difícil é descobrir da parte de quem. Finalmente, depois de um período angustiante, onde a personagem principal se pergunta o que se passa naquele lugar, ela deduz (ou simplesmente entende) qual a história dos dois fantasmas.

Peter Quint trabalhou cuidando dos cavalos da mansão. De acordo com a Senhora Grose ele era um homem detestável, alcoólatra e extremamente grosseiro. Apesar de tudo, Miles o adorava e ninguém conseguia separá-los. A Senhorita Jessel foi, antes da Senhora Giddens, a governanta da casa e ela era muito próxima da Flora, as duas passavam horas dançando no salão. Um dia Quint chegou bêbado, escorreu na escada e morreu. Jessel, que era apaixonada por ele, não suportou a dor de perdê-lo e se matou afogada em um lago. Grose contava que os dois eram extremamente obscenos, falavam palavrão e faziam de dia o que deveriam fazer a noite. -Na frente das crianças?, a Senhora Giddens pergunta. “Eu não tenho certeza se as crianças viram, eu vi várias vezes.”

Ao observar o comportamento estranho das crianças (as trocas de olhares, as brincadeiras maldosas, os galanteios de Miles), a Senhora Giddens deduz que as crianças estão possuídas por esses espíritos. Quint e Jessel querem entrar no corpo dos irmãos para se reencontrarem mais uma vez como amantes – Mas será que isso é verdade ou ela está apenas enlouquecendo? Quando a Senhora Giddens começa a confrontar as crianças, sugerindo e observando esse possível contato sexual entre elas, a velha empregada Grose lhe afirma: “Não faça isso, eles são tão inocentes!”.  E a Senhora Giddens responde: “Eles não são inocentes, são adultos!”.

Os inocentesComo eu disse, não é atoa que a Senhora Giddens (no livro) tem apenas 20 anos. Há (tanto no livro quanto no filme) uma dúvida sobre quem é realmente o  inocente (ou puro) nessa história.  Giddens, um poço de gentileza e candura, enfrenta pela primeira vez esse tipo de trabalho e conforme afirma: “só quer ajudar os outros”. Mas e se tudo o que se passa for apenas fruto da sua imaginação (já que as crianças e os empregados  insistem em dizer que não enxergam os fantasmas que ela vê?) e se ela estiver mentindo? -Posso lhe garantir que não há uma resposta para essa pergunta.

O beijo (ou melhor, os beijos) entre Miles e a Senhora Giddens me deixou desconcertada, confesso que voltei o DVD pra ter certeza do que estava vendo.  A cena é no mínimo polêmica e corajosa. E muito clara: HÁ UMA TENSÃO SEXUAL ACONTECENDO ALI! Miles beija a governanta e depois deita-se na cama, com um rostinho angelical enquanto a Senhora Giddens, desconcertada, lhe sorri – Close em sua boa, entreaberta. (Jack Clayton impediu que as crianças vissem o resultado do filme e escondeu delas o contexto sexual da trama).  O interessante é que o filme dá vários indícios metafóricos de que a governanta foi sexualmente reprimida (as plantas caídas, os insetos – um incrível toque freudiano).

E essas metáforas e símbolos estão em todo o lugar, em um momento do filme, por exemplo, a Senhora Giddens escuta sussurros e barulhos que sugerem Quint e Jessel transando. “Me ame, me ame”  Ao mesmo tempo que escuta esses barulhos ela se depara com o cortina batendo incessantemente na janela. Quando ela ela se vira, o barulho para.

Imperdível, é tudo o que me esta a dizer, esse filme é imperdível!

das mãos suadas e dos olhares sorridentes…

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Eu sei que você está chateado, que saiu rápido sem dizer as palavras doces que eu tanto gosto de ouvir. O problema não é com você nem comigo, o problema somos nós dois, não dá certo. Eu disse que essa proximidade toda só traria mais dor, mas você insistiu na ideia de que faríamos bem um ao outro se deixássemos todo o desejo vir à tona. Deu no que deu. Não gosto de amores dramáticos, de encontros escondidos, de jogos de sedução. Quero um amor sincero, um amor de verdade, mais carne e mais alma. Quanto mais alma melhor. E coragem, C-O-R-A-G-E-M, pra perseguir o que é certo, pra viver sem pensar nos dias ou nas noites, ou nas músicas, ou nos filmes, ou nos outros, ah! os outros.  Nossos encontros foram perdendo a graça, o suor, o beijo o sexo a cama o vinho e foi se tornando essa coisa estranha, sem cor nem vontade. Aí o certo (existe certo em uma situação dessas?) O certo é cada um seguir seu caminho, arrumar outra pessoa, casar-ter-filhos. –Oi, tudo bem? –Nossa, é você? – Pois é, lembra-se daquela época em que saíamos juntos? – Claro! Como era bom… O quê tem feito da vida? –Comprei um carro novo, os gêmeos estão chegando… – Gêmeos? Parabéns! – E você, como está? – Arrumei um emprego, me mudo para o Rio de Janeiro na próxima segunda. –Que coincidência. – O quê? – Te encontrar, assim, logo agora… que você está partindo. – Pois é, estranho isso. – Ainda escuta os discos de Elis? – Todos os dias. – Lembro de você às vezes. – Eu nunca te esqueci. (o telefone toca). – Minha mulher, me desculpe. – Tudo bem, tenho que ir.  – Tchau. – Tchau, boa sorte! – Obrigada.

– despediram-se em um aperto de mãos.
a mão dele estava suada
ela se virou, sorriu com os olhos
nunca mais se viram.
 
 

Tarde demais para esquecer

ImagemJá disse diversas vezes aqui no La Amora que não gosto de escrever sobre clássicos, primeiro porque não tenho cacife para falar sobre eles e segundo porque (provavelmente) há um grande acervo de releituras/críticas/resenhas sobre essas produções que dispensam qualquer comentário – é só pesquisar no Google e voilá. Acontece que ontem assisti “Tarde demais para esquecer” pela primeira vez e fiquei de queixo caído com a graciosidade do longa.

Terminei de ver o filme com um sentimento de culpa enorme; me perguntando o “porque’ de ter demorado tanto para vê-lo. Depois dessa doce surpresa, me proponho a assistir clássicos e comentar sobre eles aqui (não sou nenhuma crítica, vocês sabem, mas como cinéfila às vezes me bate uma sensação louca, quase que como um “compromisso” de melhorar meu repertório). Afinal, qual o cinéfilo que nunca assistiu “O Poderoso Chefão”, por exemplo? Pois é, eu… E o pior é que não só esse, como diversos outros filmes foram deixados de lado por essa “cinéfila relapsa”. Prometo: nunca mais!

Tarde demais para esquecer (An Affair to remember, 1957) conta a história de Nickie Ferrante (Grant) um jogador famoso e mulherengo que é um dos homens mais cobiçados do momento. A farra de Ferrante está prestes a acabar pois ele está noivo de Lois Clark (Neva Patterson), uma socialite. Em uma viagem de volta a Nova York, Ferrante conhece Terry McKay (Deborah Kerr), uma ex-cantora que também está de casamento marcado. Terry e Nickie acabam se envolvendo e se apaixonando durante a viagem, mas como possuem outros relacionamentos  decidem se encontrar depois de seis meses no alto do Empire State. Neste período eles poderão acertar suas vidas e, caso se reencontrem, se casar.

 ImagemKerr e Grant possuem uma química perfeita e os dois correspondem a elegância da direção de Leo McCarey (também diretor em A Delícia de Um Dilema) – que optou usar o CinemaScope. O filme é um remake de “Duas Vidas” (produzido em 1939, que traz Irene Dunne e Charles Boyer nos papéis principais) e ao que tudo indica (porque eu ainda não vi o “original”), a versão de 39 é muito mais densa e dramática.

Um dos motivos que me fizeram não assistir “Tarde demais para esquecer” foi o fato de achar que o filme era um daqueles romances água com açúcar, que te faz chorar e te deixa deprimida quando acaba. Que engano! O filme é, na verdade, uma história linda, emocionante e divertida, que te deixa com um humor lá em cima. Meu Deus, que figurino! Sei que muita gente pensa do mesmo jeito que eu e por isso confesso que adoraria voltar no tempo e pousar (HAHA!) na década de 1950 só para usar roupas iguais aquelas, vestidos maravilhosos, cabelos perfeitos…

O bacana é que o filme consegue equilibrar o humor com a carga dramática.  No momento em que a trama já está bem desenvolvida (e que já fomos conquistados pela história e pelos personagens), o espectador é pego de surpresa. [Spoiler] Terry, ansiosa para se encontrar com Nickie, acaba não prestando atenção ao atravessar a rua e é atropelada. O acidente não só a deixa sem andar, como também a impede de encontrar o “amado”, o que faz com que Nickie acredite que Terry desistiu do relacionamento dos dois. [Uma história que seria difícil adaptar aos dias de hoje já que o celular, a internet e diversos outros meios de comunicação vieram para facilitar a vida dos casais apaixonados].

ImagemSempre ouvi falar muito sobre Déborah Kerr e sobre o Cary Grant, mas esse é o primeiro filme que assisto com eles (ou melhor, o primeiro filme em que eu realmente presto atenção neles). Aliás, como eles são lindos! Já reparou na perfeição do nariz da Déborah Kerr ou no charme do Cary Grant? É muito interessante o fato desses atores conseguirem ser incrivelmente sexys (“sem serem vulgar”). E é igualmente incrível (uso esse adjetivo porque realmente é difícil crer) na força da moralidade do cinema americano dessa época. Não só isso, mas também na “inocência perdida”, entende?. Esse filme me trouxe uma certa nostalgia, fiquei me lembrando das histórias que a minha mãe e a minha avó me contavam; dos namoros escondidos, dos beijos roubados. “Não podia pegar na mão!” ou “Conversar, só na sala”. Sei lá, acho que o romantismo morreu.

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O Guia Politicamente Incorreto da História do Mundo

Finalmente eu terminei de ler o “Guia Politicamente Incorreto da História do Mundo”, o quarto livro da série escrita pelo jornalista Leandro Narloch [já estou com os outros aqui em casa, prontinhos para serem devorados]. Com um texto dinâmico, irônico e bem humorado, Narloch desconstrói e contesta diversos mitos que foram criados ao longo do tempo e passados de geração a geração. O autor também desmistifica alguns personagens históricos (como Gandhi, Madre Teresa de Calcutá, Nero, Hitler, Galileu, Mussolini…) e traz a tona curiosidades sobre eles.

O interessante é que Narloch não vem para esclarecer nada, pelo contrário, já é de se esperar que o leitor termine cada capítulo repleto de dúvidas, se questionando sobre as antigas aulas de história que teve durante a época do colégio. Sempre achei que toda história depende da perspectiva de quem a conta e o “Guia Politicamente Incorreto da História do Mundo” vem para provar isso (não é a toa que tenha gerado tanta polêmica quando lançado, muitos historiadores/estudiosos (…) contestaram as informações do livro e chegaram a chamar o autor de oportunista).

ImagemO fato é que qualquer pessoa (com um conhecimento mínimo em história) tem potencialidade para se tornar leitor desse livro. Sem duvidas este é um livro que  traz uma coleção de informações super bacanas para quem se interessa em saber o “outro lado” da moeda. Um aspecto interessante é que Narloch, apresenta uma forte oposição ao esquerdismo, isso fica claro desde o inicinho do livro e fica mais evidente ainda quando ele faz uma comparação entre o nazismo e os partidos de esquerda. E ao que tudo indica, Narloch repudia o comunismo. – Não sei, mas foi essa a impressão que me deu.

Os personagens foram bem escolhidos e a cronologia devidamente exposta. Narloch começa seu livro na Grécia Antiga e afirma (dentre outras coisas) que não foi Nero que colocou fogo em Roma. Em relação a Idade Média, três aspectos me chamaram atenção: de acordo com o autor o desejo sexual não era reprimido, as pessoas estavam acostumadas com a nudez, com a prostituição e com o incesto e as mulheres não usavam cinto de castidade – “o cinto de castidade está para a Idade Média assim como a loira do banheiro e as balas de cocaína estão para os anos 80″.

Além de dizer que os samurais eram bêbados e um bando de fofoqueiros, de evidenciar que muitos deles tinham relações homossexuais, de dizer que os agrotóxicos praticamente salvaram milhões da fome e dizer que não foram os europeus que destruíram a África, o autor destrói duas das figuras mais amadas e influentes do mundo contemporâneo: Madre Teresa de Calcutá e Ghandi.

Gosto muito desses capítulos. Não sei muito sobre a vida de Ghandi (a quem o autor chama de “canastrão” ou da Madre Teresa, mas desconfio de bondade humana em excesso e também tenho um pé atrás em relação a adorações exageradas. Em O Guia Narloch afirma que Ghandi era  um pervertido sexual, que dormia nu com diversas mulheres para provar resistência (ou simplesmente por fetichismo). Segund o livro, Ghandi era gay, não gostava de negros e aumentou a miséria na Índia. Em relação a Madre Teresa, a “freira sádica” ele diz o seguinte:

Madre Teresa de Calcutá não era nenhuma madre-teresa. A defensora dos oprimidos e moribundos, o sinônimo do que há de bondade no mundo, não se importava em tratar os doentes sob seus cuidados e costumava negar a eles remédios para aliviar a dor.  Assim como Gandhi, Madre Teresa defendia a austeridade e a pobreza como objetivo de vida. Dizia que a dor aproximava os doentes de Deus. Durante uma entrevista para um canal de TV, perguntaram a ela por que deixar os moribundos sentir tanta dor e agonia. Ao responder, ela descreveu um diálogo com uma mulher que tinha câncer terminal e sofria uma dor insuportável. Dando um sorriso para a câmera, a madre contou ter dito: “Você está sofrendo como Cristo na cruz. Então Jesus deve estar te beijando”. Sem se dar conta da ironia da situação, Madre Teresa revelou a resposta da paciente: – Então, por favor, peça para Jesus parar de me beijar

Frances Ha

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Uma amiga insistiu para que eu assistisse Frances Ha, disse diversas vezes que tinha tudo a ver com o momento que eu estava passando. Então, peguei o filme e coloquei a frente dos outros que estavam na fila de espera. Comecei a assisti-lo descompromissada, apenas por obrigação e terminei com um leve sorriso no rosto… um sorriso de satisfação. De fato, o filme é uma delícia: leve, “cool” e contemporâneo.

Dirigido por Noah Baumbach e roteirizado por Baumbach e Greta Gerwig, o filme conta a história de Frances (Greta Gerwig) uma dançarina recém-formada que faz uns “bicos” como professora em uma companhia de balé, mora em NY e divide um apartamento com sua melhor amiga Sophie (com quem tem uma ótima química). O namorado da Frances a convida para morarem juntos, mas ela não aceita. Frances não quer deixar a melhor amiga na mão e ao mesmo tempo, decide terminar o namoro (que já não andava bem das pernas). Ironicamente, Sophie (Mickey Sumner) decide se casar e, de repente, informa a Frances que irá se mudar. Decepcionada (e financeiramente apertada), Frances tenta encontrar outra companhia para dividir o aluguel, ao mesmo tempo que faz de tudo para se firmar na carreira.

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Frances é um personagem adorável, é uma menina linda, um pouco desajeitada e repleta de sonhos. Em síntese, tem todas as características da Amelie Poulain (só que é realística). Com sinceridade e naturalidade, Baumbach nos faz repensar a vida, chama atenção para os laços afetivos e sugere mais leveza e bom humor no dia a dia. Em uma cena belíssima, por exemplo, Frances dança no meio da rua (apesar dos problemas com o serviço e com a incerteza quanto ao apartamento), a garota simplesmente se diverte. Aliás, “Frances Ha” também nos faz pensar sobre os “nãos” que a vida dá: são inevitáveis, os “nãos” estão aí, safa-se quem souber lhe dar melhor com eles. 

Amei, amei a forma em que a relação entre Frances e Sophia foi retratada. Todo mundo tem um melhor amigo, todo mundo tem alguém com que conversar sem medir as palavras, alguém com quem se parece. Assim são Frances e Sophia, e, assim como acontece na vida real, às vezes há uma quebra de expectativa. Ninguém é perfeito para ninguém, mesmo que a gente insista em cometer esse erro, esperar muito dos outros.

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Greta Gerwig se sai muito bem em tela, domina a situação e transparece simpatia. Gerwig (que foi um dos nomes do Mumblecore, movimento americano cinematográfico que veiculava filmes de baixa produção, sem script ) traz um dos aspectos mais importantes do filme: a improvisação. Outro aspecto importante é o uso de P&B, que confere um clima diferente ao longa (bem nostálgico, sabe? Logo no início eu me lembrei aqueles filmes franceses da década de 60, que delicia!). E os diálogos conferem ainda mais naturalidade ao filme, é como se os personagens estivessem conversando em nossa sala de estar. Melhor do que isso, só o final, que nos deixa com um astral beeeem mais leve.

 

Selvagens

Ganhei o livro “Selvagens” de aniversário. Estava namorando ele há tempos. Sempre que passava na Leitura, dava uma espiadinha nas páginas, mas não levava. Não comprei porque fiquei um pouco desestimulada pela capa (pode isso? Julgar um livro pela capa?). Voltei ao Shopping com uma amiga, a Tetê. Ficamos horas olhando os livros em promoção e quem estava lá? “Selvagens”, por R$ 4,99. Tetê não resistiu e comprou um pra ela. Eu disse: “Ok, vou levar!” E ela disse: “Eu pago, é o seu aniversário”. Pensei: Ótimo!

Comecei a lê-lo no outro dia (4 de janeiro) e não consegui parar, o livro é muito bom, simples e interessante. Aliás, acho que nunca li um livro tão rápido em toda a minha vida [salvo o ócio], Selvagens é uma boa opção de leitura. Há muitas menções à cultura pop, as letras são grandes e espaçadas (não se engane pelo número de páginas) e a trama é sexy, ácida e envolvente. Engraçado que… foi bom ler um livro de ficção, há algum tempo tenho enchido a cabeça com livros complexos e acadêmicos, trabalhosos…quero dizer, há tempos não tinha uma leitura tão leve e prazerosa.

O fato é que o livro é bem legal, diferente do que já li. O autor usa e abusa do sarcasmo, não desenvolve bem seus personagens psicologicamente, mas consegue nos fazer entendê-los de uma maneira simples. Capítulos rápidos (alguns, por exemplo, com apenas cinco parágrafos). Dinâmica quanto aos diálogos e sabedoria ao manter o tensão da trama. Marcelo Daltro em sua resenha (no blog Saleta de Leitura) escreve uma coisa sábia: Don Winslow leva o mérito por não criar personagens maniqueístas.

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“Certo dia, quando Chon – então Johny – tinha 3 anos, seu pai ensinou-lhe uma lição sobre confiança.  John Pai era um dos fundadores da Associação, o lendário grupo de garotos de Laguna Beach que ganhou milhões de dólares contrabandeando maconha antes de fazer merda e ir para a cadeia. O Grande John colocou o Pequeno Johny em cima da lareira da sala de estar, esticou o braço e disse a ele para saltar.
-Eu pego você.
Encantado e sorrindo, o garotinho se jogou, e nesse momento o Grande John baixou os braços , deu um olé e o Pequeno Johny caiu de cara no chão. Confuso, machucado, sangrando na boca – um dente da frente cortou-lhe o lábio – Chon aprendeu a lição que o pai queria lhe ensinar sobre confiança:
Nunca.
Jamais.
Em ninguém.”
 
 

Vá se foder.

A história se passa na Califórnia, Ben e Chon são dois jovens na casa dos vinte e poucos anos acostumados com uma vida repleta de luxo e dinheiro. Os amigos se unem com um propósito: plantar e vender maconha. Inusitadamente o “negócio” prospera, Ben e Chon conquistam uma clientela fiel e fazem fortuna. Ben é um cara tranquilo, não gosta de armas, ajuda instituições filantrópicas ao redor do mundo e adora sair ao ar livre. Chon, por outro lado, é um perfeito “selvagem”, aprendeu com o pai a ser bruto e atirar sem piedade. Ben e Chon poderiam ser completamente diferentes se não tivessem uma paixão em comum: a bela Ophelia Sage.

Ophelia gosta de ser chamada de O., a loira “magrinha” de braço tatuado, é uma garota mimada e inconsequente que adora sexo e drogas, ela também ama Ben e Chon (aliás, transa com os dois) e faz de tudo para ficar longe de Rupa (sua mãe, uma socialite excêntrica). O trio leva uma ótima vida (de excessos) até que o Cartel de Baja (uma grande facção mexicana) se interessa pelo negócio e lhes dá um intimado: “Ou vocês se unem a nós, ou morrem”.

O problema é que Ben e Chon – acostumados a trabalhar sozinhos e mandar no próprio negócio – não aceitam o trato e acabam gerando uma onda de revolta no Cartel (que é comandado pela “sensual” Elena La Reina). La Reina não aceita um “não” como resposta e, por isso, sequestra O e exige que Ben e Chon trabalhem para ela por três anos (ou lhe paguem vinte milhões de dólares).

[O livro, publicado no Brasil pela editora Intrinseca, foi escrito por Don Winslow e publicado em 2010. “Savages” (Selvagens) foi muito bem avaliado pela crítica, o New York Times, por exemplo, chegou a classificá-lo como um dos melhores livros do ano. Em 2012 o livro inspirou um filme dirigido por Oliver Stone, a produção trazia grandes nomes do entretenimento americano como John Travolta, Taylor Kitsch, Aaron Johnson, Blake Lively, Salma Hayek e Benício del Toro.

Sobre cinema, bruxas e poções

Engraçado, repararam que eu estou com mania de fazer listas? Pois bem, então vamos a mais uma: Bruxas.  [Ok, eu sei que estamos longe do Halloween ou qualquer data do tipo, mas é que outro dia eu fiquei horas conversando com uma querida amiga sobre a fórmula: bruxas+ cinema e nos lembramos de diversos filmes e personagens relacionados ao tema. Eu também sei que existem inúmeras dessas listas iguais ou parecidas a essa em outros sites, mas me deixem divertir um pouco vai!].

1) A Bruxa Má do Oeste: “Voe, voe, voe!”Não é atoa que ela vem na primeira posição da lista. Em 1939, Margaret Hamilton imortalizava a ideia (muito explorada no cinema e na literatura) de que bruxas são feias e narigudas (é claro, aos poucos esse imagem foi mudando, mas demorou.) Em “O Magico de Oz”, filme mais famoso da Judy Garland, a Bruxa Má do Oeste tenta vingar a morte da irmã, a Bruxa má do Leste (que morreu esmagada por uma casa que apareceu do nada!). De quem era a casa? Isso mesmo, de Dorothy. Só pra constar, Margaret Hamilton leva mais uma vez o mérito, nenhuma atriz queria fazer a bruxa. Hamilton (que sempre era colocada em segundo plano, fazia papéis pequenos e chegou a passar necessidades pela falta de trabalho) aceitou logo de cara e, convenhamos, fez um trabalho inesquecível.

Bruxa do Oeste 2) Winie, Sarah e Mary: Eu já falei aqui (diversas vezes, eu sei!) do quanto adoro o “Abracadabra” e… Fala sério, é uma delícia de filme, não? A trama conta a história de três irmãs (famosas bruxas de Salem) que são ressuscitadas após 300 anos por dois adolescentes que se negavam a acreditar em “lendas do Haloween”. As irmãs enfrentam diversas dificuldades para se adequarem ao mundo contemporâneo e se unem para roubar a juventude de pequenas e indefesas criancinhas. Clássico da Disney!  [Aliás, a Bette Midler está sensacional, não tem como não se apaixonar pela Winie – minha preferida – ou por suas falas e trejeitos engraçados].

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Hocus Pocus3) Elvira (a Rainha das Trevas!): Cara, como eu adoro a Elvira (e como eu fico com raiva dessa nova geração que nem sabe qual é a do personagem – fiquei parecendo muito velha falando assim?). Cassandra Peterson estava linda e aliás, que peitos inesquecíveis. Elvira é sexy e decadente, e recebe uma inusitada herança: uma mansão que fica localizada em Fallwell, uma cidade pequena e repleta de pessoas conservadoras. A bruxa decide reformar a casa e vende-la para depois mudar-se para Los Angeles e realizar o sonho de ser famosa, mas nesse meio tempo, encontra diversos empecilhos: a começar pelo “Tio Vincent” que faz de tudo para roubar o seu livro de receitas. [Cena Memorável: Elvira tentando fazer uma sopa e, de repente, sai um bicho monstruoso da panela!]

eLVIRA4) Eva: “Segurem essa titiquinha!!!” . Se existe um filme de bruxas que me marcou, definitivamente seu nome é “Convenção das Bruxas”. Primeiro porque, desde “A Família Addams” eu nutria um amor lunático por Anjélica Huston e segundo porque toda vez que ele passava na Sessão da Tarde minha mãe me deixava faltar de aula para vê-lo  (eu realmente gostava muito).  O filme conta a história de Luke, um garotinho de dez anos que viaja com a avó para a Inglaterra após a morte de seus pais. Ao chegar no hotel, ele descobre que há uma estranha convenção acontecendo por ali. Diversas bruxas do mundo inteiro estão reunidas para receberem uma poção mágica que transforma crianças em ratos. Luke tenta avisar aos adultos sobre o que se passa, mas ninguém acredita nele até que o pequeno decide resolver a situação sozinho.

EVA5) Sally, Gillian, Frances e Jet. Já li diversas críticas negativas em relação a “Da magia à sedução”, pois eu… acho uma fofura! Sally (Sandra Bullock) e Gillian (Nicole Kidman) fazem parte de uma família de bruxas que foram “amaldiçoadas”: todos os homens com que se envolvem, morrem. Protegidas por suas velhas e excêntricas tias, as duas se vêem envolvidas em uma rede de paixões da qual não conseguem se desevencilhar. Enquanto Sally tenta levar uma vida normal ao lado de suas duas filhas, Gillian se envolve com um homem violento que coloca a segurança de sua família em risco.

da magia a seduçãotumblr_mvjzw8ivcz1slwpnwo1_5006) Minerva McGonagall: Não poderia deixar de citá-la, a professora McGobagall, interpretada por Maggie Smith: é meu personagem preferido na saga de Harry Potter, aliás, adoro os momentos em que ela se transforma em gata. Severa, justiceira e disciplinadora, Minerva acompanhou e ajudou o jovem Harry e seus amigos em diversos momentos, tornando-se um personagem muito querido. Gosto muito do trabalho da Maggie Smith nesse filme, poucos sabem que ela sofreu de câncer durante as filmagens e sentia dores terríveis na coluna. Nessa mesma época ela precisou sofrer uma cirurgia e por causa da doença se afastou definitivamente do teatro, coisa que a deixou muito abalado porque Smith sempre amou os palcos.

maggie smith 7) Sukie, Jane e Alex: O quê dizer de um filme que traz uma mistura de Susan Sarandon, Cher, Michelle Pfeiffer, Jack Nicholson, magia, sexo e humor?

tumblr_mj83o7mkOz1rtg76ko1_250susan sarandonDirigido por George Miller e produzido em 1987, “As Bruxas de Eastwick” conta a história de três amigas  que se reúnem todas as quintas-feiras para assistir filmes e fofocar, normalmente elas discutem sobre homens e sonham em encontrar um perfeito par romântico. Entediadas com a pacata vida que levam na pequena cidade de Eastwick e diferente dos moradores conservadores da redondeza, as amigas chamam atenção de Daryl Van Horne, um homem misterioso e extremamente rico, que acaba se envolvendo com as três (ao mesmo tempo!). É claro que o caso não passa despercebido pela vizinhança que faz de tudo para atrapalhar a vida do grupo. A medida que se envolvem com Daryl (que é, na verdade, o próprio demônio em pessoa), as mulheres passam a desenvolver poderes e fazem de tudo para satisfazer seus desejos.