waiting…

Não fumo mais, desde que você partiu. Você era o meu vício e demorei muito, muito para me recuperar. Não me recordo do último dia que te vi. Quando saiu por aquela porta, imaginei que  seria como as outras vezes: uma hora ou outra você voltaria. Mas não voltou. E eu, fiquei esperando: sentada, no escuro. Até que o dia amanheceu, as horas passaram e se foram meses, anos.  Eu já não podia continuar ali. Levantei, peguei minhas coisas e pensei em ir em busca de você, ou pelo menos: em busca de um resquício seu.

Desci as escadas, fui para a rua. Me bateu um desespero porque você não estava lá, você não estava em nenhum lugar que eu soubesse. Voltei para o sofá, chorei minhas melancolias, sofri pelos planos que fiz e que não deram certo. Esperei que o telefone tocasse, escrevi uma carta, vasculhei o email. Eu fingia que não, mas ainda estava ali aguardando a sua chegada. Você não chegou – ou porque não pode, ou porque não quis, mas não chegou.

Então, tomei meu banho, troquei de roupa e saí. Tranquei aquele lugar e joguei a chave fora. Fui em busca de um outro alguém, de uma outra vida. Esbarrei por pessoas desconhecidas, orei por dias melhores… Mas senti falta de alguma coisa. Meu corpo estava nas ruas, minha mente nas nuvens e meu coração trancado naquele lugar, ainda te esperando.

Conversa de botas batidas

(Los Hermanos)
 
Veja você, onde é que o barco foi desaguar
A gente só queria um amor
Deus parece às vezes se esquecer
Ai, não fala isso, por favor
Esse é só o começo do fim da nossa vida
Deixa chegar o sonho, prepara uma avenida
Que a gente vai passar

Veja você, quando é que tudo foi desabar
A gente corre pra se esconder
E se amar, se amar até o fim
Sem saber que o fim já vai chegar
Deixa o moço bater
Que eu cansei da nossa fuga
Já não vejo motivos
Pra um amor de tantas rugas
Não ter o seu lugar

Abre a janela agora
Deixa que o sol te veja
É só lembrar que o amor é tão maior
Que estamos sós no céu
Abre as cortinas pra mim
Que eu não me escondo de ninguém
O amor já desvendou nosso lugar
E agora está de bem

Deixa o moço bater
Que eu cansei da nossa fuga
Já não vejo motivos
Pra um amor de tantas rugas
Não ter o seu lugar

Diz, quem é maior que o amor?
Me abraça forte agora, que é chegada a nossa hora
Vem, vamos além
Vão dizer, que a vida é passageira
Sem notar que a nossa estrela vai cair

Banksy

 

Conheci Banksy pela internet (assim como outros inúmeros artistas) e fiquei encantada com manifestações em relação a seu trabalho. Já vi homens e mulheres tatuados, reprodução das imagens da sua obra pelo entorno da faculdade, pelo centro de Belo Horizonte e de Nova Lima (e imagino que existem milhões de outras espalhadas pelo mundo afora). “Banksy” na verdade é o pseudônimo de um artista de rua, pintor, ativista e diretor do cinema inglês. Em 2008, o jornal britânico Daily Mail chegou a afirmar que a verdadeira identidade de Banksy era: Robin Banks (mas a informação foi negada posteriormente). De fato, a decisão do artista em se manter no anonimato é muito interessante, assim como já se afirmou: o foco deve ficar na arte e não no artista.

 

Seu trabalho contribuiu para uma mudança em relação à percepção que se tinha sobre a arte de rua. Através do spray, ele realiza críticas (algumas bem satíricas e com pitadas de humor negro) à política, à sociedade e à guerra – criando imagens que podem ser facilmente encontradas em pontes, paredes ou asfaltos.  Em 2003 um episódio engraçado aconteceu pelas ruas de Londres: Uma senhora ligou para a prefeitura reclamando de uma “pichação satírica sobre a família real” na parede da sua casa.

Assim que chegaram ao local, os funcionários da prefeitura pintaram toda a parede. Se a senhora resolvesse vender aquela obra, ganharia muito dinheiro (o artista chegou a vender uma de suas pinturas por 200 mil dólares), por outro lado: os funcionários tiveram que se desculpar publicamente. Há também uma outra versão: Contratados pela prefeitura para limpar a cidade das pichações, funcionários pintaram o trabalho de quase sete metros de comprimento com tinta preta. O conselho municipal de Bristol afirmou que seria instaurada uma investigação para descobrir o responsável por este engano: “determinou a preservação de todas as obras de Banksy na cidade”

 

Tristan Manco (designer gráfico e autor) informou que Banksy nasceu em Bristol (Inglaterra) em 1974, arriscou suas primeiras pichações na década de 80, utilizando-se do estêncil em seus grafites. Em 2003, assinou a capa do álbum Think Tank, da banda Blu. Foi também o responsável pela abertura polêmica do desenho “Os Simpsons”, onde asiáticos enfrentam péssimas condições de trabalho para a produção do desenho. Há também um outro episodio interessante ligado ao artista: “Entrou como turista na Disneylândia, na Califórnia, levando na mochila um boneco inflável vestido com o uniforme dos detentos da prisão de Guantánamo. Burlando a segurança, infla o boneco e o posiciona perto de uma montanha-russa de trenzinho. Demorou uma hora e meia até que o boneco fosse retirado”. (Super Interessante/ Abril).

 

 Para mais imagens, confiram o site: http://www.banksy.co.uk

Filmes da Infância – Última parte

Fiquei muito feliz em ver as estatísticas do blog: a seqüências de publicações sobre os filmes da infância são os mais visitados. Ainda há muito do que se falar, muitos filmes brilhantes a serem relembrados. Fiz essa última lista (porque não adianta, nunca vou conseguir falar sobre todos), para terminar com chave de ouro essa recordação bacana sobre produções que fizeram parte do nosso imaginário infantil.

PARA SEMPRE CINDERELA

(Direção: Andy Tennant, 1997)

Lembro-me perfeitamente do dia que vi. Estávamos em sala de aula porque a professora de educação física tinha faltado. Era dia de piscina, estávamos furiosos porque só iríamos poder fazer natação na outra semana (eu adorava piscina!). Me neguei a ver o filme, abaixei a cabeça na mesa por alguns instantes mas não consegui ficar muito tempo com os olhos fechados: os sons me chamaram atenção. Aquela menina magrinha, adorada pelo pai que estava em busca de uma outra esposa fazia parte da história familiar que já ouvimos tantas vezes: “Cinderela”. Fora que tinha que tinha Anjélica Huston (a Morticia, a bruxa dos filmes que eu adorava!, vicei, vi inúmeras, inúmeras vezes)

 

Enfim, encontrei essa sinopse no Wikipedia e sinceramente não poderia fazer melhor, então copiei aqui no blog:

“A rainha da França solicita a presença dos Irmãos Grimm no palácio e lhes conta que gosta muito da obra deles, mas que ficou espantada em como foi contada a história de Gata Borralheira. Assim, decide lhes narrar o que realmente aconteceu na França do século XVI, quando Danielle de Barbarac (Drew Barrymore), sua tataravó, que ficou feliz aos oito anos quando seu pai (Jeroen Krabbé), um aristocrata viúvo, se casou novamente com uma baronesa (Anjelica Huston), pois assim ela ganhou uma mãe e duas irmãs no mesmo dia. Mas a sonhada felicidade durou muito pouco, pois logo depois seu amado pai morreu subitamente e a madrasta, que ela desejava que fosse a mãe que nunca tivera, passa a tratá-la como uma criada. Uma das filhas da baronesa é bondosa e não concorda com várias atitudes da mãe, mas por outro lado a outra filha é bastante egoísta e só pensa em se casar com o príncipe herdeiro (Dougray Scott). Para isto ela tem total apoio da mãe, que está disposta a conspirar, mentir e fazer o necessário para ver sua filha como a futura rainha. Mas ela precisa agir rápido, pois o príncipe conheceu Danielle e os dois estão apaixonados, com os sonhos de grandeza da baronesa podendo serem frustrados, pois sua enteada e o príncipe estão sendo aconselhados por ninguém menos que Leonardo da Vinci (Patrick Godfrey).”

 

  • Curiosidades: – O retrato de Danielle, pintado por Leonardo Da Vinci, é baseado em uma obra real do pintor chamada “La Scapigliata”.
  • Ao contrário do filme, o pintor Leonardo Da Vinci manteve a obra “Mona Lisa” durante toda a sua vida
  • Os sapatos de cristal foram feitos por Salvatore Ferragamo.

Então, vamos a lista:

 

CONVENÇÃO DAS BRUXAS

(Direção: Nicholas Roeg, 1990)

 

 *Segurem essa titiquinha!

Luke, um menino de 10 anos, é levado à Inglaterra por sua avó Helga apos a morte dos pais. Ao chegarem ao hotel, descobre que uma estranha convenção acontece por ali. Ele percebe que se trata de um encontro de bruxas, no qual está se traçando planos para transformar todas as crianças do mundo em ratos. O pequeno Luke acaba sendo descoberto em uma das reuniões, se torna vitima e acaba sendo transformado em rato junto mais um menino chamado Bruno Jenkins. Mesmo nessa condição, o garoto resolve impedir que este plano diabólico seja colocado em prática, fazendo com que o feitiço vire contra o feiticeiro.

 

ESQUECERAM DE MIM

(Direção: Chris Columbus, 1990)

Deixado acidentalmente para trás pela sua família nas férias de Natal, Kevin McCalister, de apenas oito anos, tornou-se de um momento para o outro o homem da casa! Sozinho, tímido e desajeitado, tenta resolver os seus problemas: vai às compras, cozinha, lava a roupa e até dá a volta aos ladrões que lhe entram em casa.

A PRINCESINHA

(Direção: Alfonso Cuarón, 1995)

*Filme lindo, mas que me remetia a uma melancolia sem tamanho.

1914, Simla, Índia. Sara Crewe (Lisel Matthews) é uma garota inglesa que vivia feliz, apesar de ser órfã de mãe. Quando eclodiu a 1ª Guerra Mundial seu pai, o capitão Crewe (Liam Cunningham), que pertencia ao exército inglês, tem que ir para a guerra. Porém antes vai a Nova York para deixar Sara num luxuoso internato para moças, no qual a mãe dela já estudara e que é administrado agora com mão de ferro pela Srta. Minchin (Eleanor Bron). A Srta. Minchin fica incomodada com a criatividade de Sara, que logo cativa a maioria das garotas. Um dia o Sr. Barrow (Vincent Schiavelli), o advogado do pai de Sara, chega no colégio para dizer que não haveriam mais pagamentos, pois o pai de Sara tinha morrido em combate. Minchin então faz Sara trabalhar como uma criada, para pagar sua estada ali.

 

 O Pestinha

(Direção: Dennis Dugan, 1990)

Ben Healy  é um simpático – mas batido –  yuppie que trabalha para seu pai, Big Ben,um autoritário e inescrupuloso negociante de materiais esportivos. Ben amaria ter um filho, mas sua esposa, a desagradável e histérica Flo, não pode concebê-lo. Ben vai até uma agência de adoção  pouco escrupulosa e fala de seu dilema com o agente Igor Peabody, que apresenta a Ben e a Flo um atraente menino de sete anos, Junior que na verdade não é uma criança modelo, pois é malévolo e incorrigível. Já adotado, Junior deixa um rastro de destruição no seu caminho e mostra um método efetivo, mas pouco ético, de ganhar na Liga Infantil. Ben está tendo dúvidas sérias sobre Junior quando o serial killer Martin Beck,  o famoso “Assassino da Gravata-Borboleta”, escapa da prisão e seqüestra Junior e sua nova mãe.

 

Elvira, A Rainha das Trevas

( Direção: James Signorelli, 1988)

 

Elvira (Cassandra Peterson) é a anfitriã de um programa de baixo orçamento sobre filmes de terror, mas tudo pode mudar quando ela herda da tia Morgana (Cassandra Peterson) uma velha mansão em Fallwell, Massachusetts, uma pequena cidade com apenas 1313 habitantes. Ela sonha em vender a casa e ir para Las Vegas, mas encontra dois sérios problemas: o primeiro são os adultos da cidade, que ficam espantados com o modo de como ela se veste e se comporta. Liderados por Chastity Pariah, eles fazem forte oposição à presença de Elvira na localidade. O segundo problema é Vincent Talbot, um tio de Elvira que não herdou nada, mas deseja obter de qualquer maneira um “livro de receitas” que também foi herdado por Elvira, que dará a ele imensos poderes para fazer diversos tipos de bruxarias. Apos o Grande sucesso do filme produziram 30 episodios da serie que levava o nome da protagonista “Elvira a Rainha das Trevas” que não obteva tanto sucesso como o Filme

 

 

 LUA DE CRISTAL

(Direção: Tizuka Yamazaki, 1990) 

Maria da Graça é uma jovem bonita e sonhadora que se muda para a cidade grande com a intenção de fazer aulas de canto. Lá, ela se hospeda na casa de sua tia Zuleika e seus primos Lindinha e Mauricinho, que vivem atormentando sua vida, fazendo-a trabalhar como uma escrava. Por ser um tanto ingênua e tímida, Maria vive caindo nas armações de Lindinha; enquanto é alvo das constantes cantadas de Mauricinho, ao que ela rejeita; tendo de suportar também os detestáveis amigos deste, enquanto não consegue se adaptar á cidade. Porém, em meio a tantos problemas, Maria conhece a pequena Duda, sua vizinha; e o desajeitado Bob, que se tornam seus amigos. Bob é a materialização do príncipe de Maria em seus sonhos, e este a ajudará a conseguir emprego em sua lanchonete e a transformará na estrela de um show.

* Wikipedia manda abraços

Fim de noite em um inferninho

– Me desculpe, disse ela, ainda em gargalhadas. Eu não sei o que me ocorre.

-Tudo bem, você provavelmente nunca perdeu alguém.

-Não! (ainda em risos) Eu já perdi o Henrique.

-O quê? (Bruno que se encaminhava para a porta do bar parou por um instante, pensativo. Não lhe ocorrera que aquela mulher com unhas e batons tão vermelhos, realmente soubesse o que significava sofrer pela falta de alguém).

– Henrique, meu filho. (Disse Martha entre pequenos soluços) – Leucemia, morreu aos doze anos, após inúmeros tratamentos sem sucesso. A expressão facial de Martha, que a momentos antes se debulhava em gargalhadas esvaiu-se em uma lágrima.

Somente uma lágrima escorrera por seu rosto claro. Bruno, que acompanhava o percurso da tão singela, viu-a morrer em uma boca fina, avermelhada pelo batom que já se perdera no copo de bebida.

– Eu sinto muito.

-Sente mesmo?

-Sim.

– Então, posso te pedir uma coisa?

– Claro, respondeu.

– Vamos fingir que isso nunca aconteceu… pelo menos, só por essa noite.

Um disparo de genialidade e loucura

  

“Ele tinha muito controle sobre minha vida”, foi a justificativa que Valerie Solanas apresentou aos policias no dia 4 de Junho de 1968, depois de disparar três tiros contra Andy Warhol, uma das figuras mais influentes do movimento pop art.

 

 

         (Lili Taylor interpreta Valerie Solanas em “Um tiro para Andy Warhol”, filme da canadense Mary Harron)

Valerie Solanas carre ga uma história que desperta interesse, fugiu de casa com pouca idade devido aos maus tratos sexuais que sofria de seu pai, se prostituiu, cursou universidade, foi atriz, mendiga, lésbica, escritora, viciada em drogas. Os tiros que disparou a Andy Warhol no dia 4 de Junho de 1968 não foram o  suficiente para matá-lo, ao contrário, foi justamente por causa deles que ela passou três anos na cadeia.

Bem antes de atirar contra o pintor, Valerie chegou a frequentar a Factory, nome dado aos estúdios de Warhol. Também fez  uma ponta em uma de suas produções cinematográficas: I, a man. Enquanto isso, cursava a universidade e escrevia uma das mais famosas obras feministas.

Quando apresentou sua peça “Up Your Ass” a Andy, na tentativa de conseguir ajuda na produção, não teve nenhum retorno. O pintor achou graça, gostou do título, mas não se prontificou a produzi-la, para se vingar, Valerie tentou matá-lo.  

A feminista que sofria de esquizofrenia, não desfrutou de fama nem dinheiro, morreu só e foi pouco lembrada através dos anos. A  tentativa de assassinato lhe permitiu divulgar seu manifesto S.C.U.M.(Society for Cutting Up Men Manifest), escrito um ano antes. Na obra, entre outras coisas, ela afirma que o homem é um animal grosseiro, “obcedado por sexo e morte”, deixa evidente seu desdém pelo sexo masculino e exibe um perfil extremista.

Valerie teve sua vida retrata nos cinemas por Lili Taylor em 1996 no filme “Um tiro para Andy Wahrol” da canadense Mary Harron, além disso a tentativa de assassinato lhe rendeu uma música composta por Lou Reed (gravada pela primeira vez com o Velvet Undergroun) chamada Andy’s Chest”.