[Leitura] – Wicked

“É uma mulher que prefere a companhia de outras mulheres – disse o Espantalho enquanto se sentava. Ela é a amante desprezada de um homem casado. Ela é um homem casado.”

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Wicked foi uma das leituras mais arrastadas que realizei nos últimos tempos. O livro, que deu origem ao popular musical, conta a história de Elfaba (a Bruxa Má do Oeste de O Mágico de Oz). Contextualizado em um ambiente fantástico, com fadas e animais falantes, a narrativa conta desde o nascimento à morte da criatura verde incompreendida.

Eu gosto muito de histórias que mostram as diferentes perspectivas dos personagens, como tem sido bastante feito nos últimos tempos (a exemplo da famosa produção sobre a Malévola). Quando se retrata o outro lado das figuras taxadas como vilões, se tem a oportunidade de fazer uma história menos maniqueísta. Porém, o livro se centra na época em que Elfaba estava na universidade (a história me pareceu muito YA e, para ser sincera, deu um pouco de preguiça).

Neste sentido, o livro pesa bastante na formação da bruxa, provavelmente para justificar a sua maldade. Considerada uma criatura estranha e desajeitada, Elfaba (filha de um ditador e pertencente à uma família nobre) sofria uma espécie de bullying, provocada por ninguém mais ninguém menos que Glinda, a Bruxa Boa do Norte. Daí começa uma amizade-inimizade interessante, que rende bons frutos!

Na narrativa, são abordados diversos temas “adultos”, digamos, como: fanatismo religioso e prisões políticas (e sim, há sexo também). Outro ponto: o Mágico de Oz é um super vilão manipulador, que sequestra meninas e as faz de escravas. Doido, né?

Outro ponto interessante é que o livro também conta um pouco sobre a irmã da Bruxa Má (aquela que morre amassada pela casa que traz Dorothy a Oz). Aliás, sem dúvida alguma, o melhor momento da narrativa é quando a pequena Dorothy aparece na cidade e recebe os sapatinhos mágicos da Bruxa Boa. Eu, pelo menos, compreendi totalmente a busca de Elfaba pelos sapatos (e lá no fundo, torcia para que ela pudesse recuperá-los!).

Em suma, não é um livro que eu leria de novo. Mas, de qualquer forma, também não consegui abandoná-lo. Já leu o livro ou gosta da história? Deixe um comentário nesse post e me conte o que achou!

Doctor Foster

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Eu perdi o costume de assistir séries. Às vezes eu passo o dia inteiro lendo e chego em casa com a cabeça tão pesada, que não consigo prestar atenção em muita coisa. Mas com Doctor Foster foi diferente, é uma série que conheci no ano passado e que me prendeu de uma forma absurda. Quando descobri que a segunda temporada já estava disponível, passei o fim de semana assistindo.  

A trama se concentra em Gemma e Simon, um casal cujo relacionamento entra em crise quando ela começa a suspeitar que está sendo traída. Depois de anos juntos, do convívio diário e das dificuldades em criar o filho, ela começa a se questionar sobre a índole do marido e busca indícios de que ele está mentindo.

Foster

O mais interessante de todo esse processo não é a caçada pela amante, e sim os pequenos sintomas de paranoia que tomam conta da personagem. Um fio de cabelo no paletó, as ausências injustificadas e o distanciamento silencioso, a insegurança e o mais importante: a quebra de confiança.

Todo contexto é também muito importante, pois tanto a família quanto os amigos dos dois estão envolvidos. E é surpreendente quando Gemma passa a descobrir as coisas, como tudo estava tão evidente e por algum motivo, ela não viu.

Também gosto especialmente da abordagem feita de diferentes perspectivas. A segunda temporada traz alguns aspectos da vida da amante de Simon e a trama fica ainda mais complexa. Ainda que o marido seja retratado negativamente, prevalece a ideia de que todo mundo, em algum momento, está sujeito a cometer falhas.

Isso me lembra bastante de uma entrevista da Fanny Ardant (uma das minhas atrizes francesas favoritas) em que ela diz que “a traição não pode ser medíocre e quando se torna medíocre, é hora de acabar”). Ela se referia à um filme “Os belos dias” e que, de certa forma, se  casa muito bem com a série, porque existe uma crítica àqueles filmes em que o amante é representado por um ator maravilhoso e atraente, quando o marido é representado negativamente. Nesse filme não, o marido é bom, atraente e ama a esposa (é o homem perfeito) e mesmo assim, ela sente a necessidade de se envolver com outra pessoa. É algo como: “Não existe vilão, sacou? Mas se não está bom, tem que acabar”.

As duas temporadas estão disponíveis na Netflix! Se tiver a oportunidade, não deixe de ver. E realmente muito boa!!